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29/08/2009 - 19:09

O CLÁSSICO ESCONDIDO

Como prever o que poderá ocorrer no clássico decisivo entre São Paulo e Palmeiras se os dois treinadores escondem os times que entrarão em campo? Técnicos, esquemas, tradições, camisas, retrospectos, campo, tudo isso pesa, sim, num clássico desses. Mas, quem resolve mesmo a parada são os jogadores. Um deles colocado em posição errada, outro que fique de fora, podem fazer a grande diferença, no fim das contas.

Pegue o exemplo de Cleiton Xavier: joga, não joga? Se não jogar, Muricy optará por um volante tipo Sandro Silva ou Jumar, ou preferirá Deyvid Sacconi, que até hoje não se frmou no time, mas que leva mais jeito do titular do que os demais? ou terá uma recaída e escalará um terceiro zagueiro, pra bater ficha com o esquema do adversário, que herdou esse time dele mesmo, Muricy?

Já Ricardo Gomes, embora esconda o jogo, não dá sinais de que está muito preocupado com esses detalhes, pois deve ir com o sistema de jogo e a escalação que deram certo até à última rodada. Mas, deveria. Se, com seus três zagueiros, der espaço para o Palmeiras dominar o meio de campo, a coisa pode ficar preta – ou melhor: verde.

PELAS OROPA

Que sábado, nas Oropa, parceiro!

A começar pelo clássico inglês vencido pelo Manchester United por 2 a 1 sobre o Arsenal. Jogo mais emperrado do que se esperava, mesmo porque ambos cuidaram de reforçar a marcação no meio de campo, extraindo o poder de criação dos dois.

O Arsenal, embora tivesse o domínio das ações a maior parte do tempo, jamais foi aquele time de toque de bola hipnótico, muito por causa da ausência de Fabregas – Song, Eboué e Diaby, que prencheram o setor ao lado de Denílson, preferem a condução de bola e o drible. Mesmo assim, abriu o placar com Arshavin, e poderia ter ampliado com um tiro na trave de Van Persie, em cobrança de falta, e outra, diante do gol, perdida.

O Manchester, sentindo muito a perda de Ronaldo Cristiano, virou, em pênalti, sofrido e cobrado por Rooney, e num gol contra absurdo de Diaby.

Por falar em Cristiano Ronaldo, o português foi muito discreto na estreia do Real no Campeonato Espanhol, vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña. Kaká já foi um tanto melhor, e marcou presença com um passe genial para Benzema disparar no poste e Raúl marcar, no rebote. Enfim, o Real foi muito melhor mas ainda está longe de ser aquele timaço que poderá vir a ser.

Quem deixou o galáctico Real para refazer sua fama foi o holandês Robben, que entrou no segundo tempo contra o Wolsfburg para se transformar na sensação do Bayern de Munique, que recuperopu também o francês Ribéry: fez dois gols (num deles, deixou o beque deitado na área, num corte esperto) e algumas jogadas de alta classe.

Por fim, no clássico de Milão, Dio Mio1: 4 a 0 para a Inter, num jogo fogoso, em que Ronaldinho Gaúcho correu muito mas produziu pouco. Pelo andar da carruagem, a Inter vai levar o penta no beiço.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
27/06/2009 - 15:46

VAI SER DURO

Quer saber, meu amigo? Preferia que o nosso adversário na decisão da Copa das Confederações fosse Espanha ou Itália, menos esses EUA que aí estão.

Isso mesmo: um time com muito mais tradição do que os americanos, que jogasse o jogo, o que sempre nos dá a vantagem das individualidades mais refinadas e decisivas.

Esse time americano, porém, parece uma máquina desenvolvida em Detroit, destinada a não deixar o adversário jogar, mesmo porque carece de jogadores de alta qualidade. Tirando-se aí Dempsey e Donovan, descole o amigo um outro que tenha algo mais a oferecer.

Ah, mas passamos por ele, na fase de grupos, com facilidade, no placar e no jogo jogado: 3 a 0. É verdade, mas, agora, eles vêm ainda mais determinados, aplicados, envoltos na bandeira americana e inspirados nas palavras de Obama – aquele patriotismo único que fazem os americanos hastearem a bandeira nacional em cada casa dos subúrbios, de norte a sul do país.

Além do mais, parecem estar mais descansados do que os nossos, quase todos em fim de temporada, o que nos torna presa mais fácil à marcação cerrada e dobrada que certamente exercerão. Vide o jogo com a África do Sul, quando não conseguimos escapar ao pertinaz combate dos adversários. 

Sim, porque, nesses casos, para fazermos prevalecer nossas técnica e habilidade superioras, é preciso que a turma da frente, sobretudo, se movimente muito, mesmo sem a bola. Haja gás para isso.

Apesar de tudo, mesmo se for um jogo chato, cansativo, emprenhado, sou muito mais Brasil.

A QUEDA DE LUXA

Claro que a demissão de Luxemburgo, na madrugada de sábado, não se deveu apenas à suposta quebra de hierarquia nas palavras explodidas pelo técnico em entrevista em que a negociação de Keirrison com o Barça era o foco, embora o discurso de Luxa tivesse excedido ao tom natural nessas circunstâncias.

A verdade, desconfio e posso estar equivocado, é que o desgaste de Luxemburgo no Palmeiras já havia atingido um ponto de saturação.

Em primeiro lugar, porque os resultados obtidos, comparados ao volume do investimento no técnico e sua comissão de auxiliares, e mesmo ao currículo excepcional do treinador, vinha sendo muito inferior à expectativa.

Em segundo lugar, porque é insuportável para a cartolagem ouvir e ler todos os dias que Luxemburgo mandava prender e mandava soltar no Parque, a seu bel prazer. Por mais equilibrado e comedido que seja o dirigente, chega uma hora que isso fere muito mais do que qualquer coisa.

Mas, o diabo era se livrar de um vencedor nato como Luxemburgo numa hora dessas. Pois, deu-se a conjunção, quando Muricy levou um pé nos fundilhos do São Paulo.

Muricy passou a ser o objeto de desejo de vários grandes do Brasil, dentre eles o Internacional, em crise técnica, o Flamengo, com quem Cuca mantém um relacionamento atado a um fio muito tênue etc. A hora, então, era essa, antes de Muricy subir num barco do qual, todos sabem por sua biografia, que só desembarcará ao final do contrato, ou se for demitido, fato raro em sua carreira.

O problema é que Muricy passa a sensação de estar um tanto abalado ainda – menos pela demissão em si, e mais pelo fato de o São Paulo, nas suas mãos, neste primeiro semestre, não ter dado sinais claros de recuperação.

Aliás, saiu do Morumbi dizendo que queria mesmo era descansar por uns tempos, o que é muito compreensível, para quem vem numa balada de conquistas, desde o Sport, São Caetano, Inter e São Paulo.

Resta, pois, à direção do Palmeiras convencê-lo, acenando-lhe com algo que realmente o comova, a ponto de voltar imediatamente à ativa. Seria muito bom para ambos.

Quanto a Luxemburgo, se o Inter fizer aquele sinalzinho do dedo indicador voltado pra dentro, indo e vindo, também seria uma boa solução, imagino. Somaria um elenco de escol a um técnico de alta competência, coisa bem a gosto de Luxa.

Por fim, a saída de Keirrison para o Barça era inevitável, já que essa possibilidade estava tramada antes mesmo de o craque se transferir do Coritiba para o Palmeiras. Tanto, que constava do contrato de K-9 com o Verdão como uma cláusula específica.

Acho que é cedo para um salto desses. Mas, quem sabe?

ESTRÉIA DE RICARDO GOMES

Na estréia de Ricardo Gomes no lugar de Muricy, o São Paulo foi outro, diante do Náutico. Não apenas por ter vencido com o placar de 2 a 0, gols do zagueiro Rolt, de cabeça, em cobrança de falta de Hernanes, que marcou o segundo, também de falta, com desvio do zagueiro do Timbu.

É que, jogando com apenas dois zagueiros, e três volantes, o time ficou um pouco mais equilibrado, e, embora tenha sofrido contragolpes perigosos do Náutico, manteve melhor fluência na saída para o jogo e criou maior número de chances para abrir a contagem.

Melhorou ainda mais depois das entradas dos meias Jorge Wagner e Oscar, o que provocou a volta de Hernanes a seu lugar ideal – segundo volante.

Sim, levou duas bolas nas traves e meteu uma, mas, pelo menos, mudou o braço da viola.

SURPRESA

A grande surpresa desta rodada de sábado, sem dúvida, foi a derrota do líder Atlético Mineiro para o Barueri, na casa do inimigo: 4 a 2, quem diria?

E olhe que o Galo, depois de sofrer dois gols no início – um deles, em falha do goleiro Aranha, ao tentar devolver com os pés bola pressionada pelo atacante do Barueri -, chegou ao empate, com dois pênaltis convertidos por Diego Tardelli. Mas, a expulsão do beque Wesley e a determinação dos jogadores do Barueri acabaram por decretar a goleada no finalzinho da partida.

Assim, o Galo perdeu a invencibilidade, mas não perdeu a liderança.

Já a derrota do Corinthians para o Furacão, na Arena da Baixada, não chega a surpreender ninguém.

Afinal, Mano Menezes escalou todo o time reserva, além do banco, poupando seus principais jogadores para a decisão da Copa do Brasil diante do Inter.

Com magnífica cobrança de falta de Paulo Baier, o Atlético PR livrou-se da lanterna. Por enquanto. E o Timão segue ali rondando o G-4, o que não é mau negócio.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira, Treinadores Tags: , , , , , , , , ,
22/06/2009 - 16:38

BRASIL, GALOOO! E A PRUDÊNCIA

O Brasil vem se ajustando desde aquela vitória de placar irreal sobre o Uruguai, em Montevidéu, isso é evidente. Aliás, depois da vítória seguinte, sobre o Paraguai, disse no Arena Sportv - e fui acompanhado pela ilustre opinião do Marco Antonio Rodrigues, o Bodão – que um jogador só poderia dar aquele toque final para que a equipe ganhasse mais equilíbrio entre os três setores, tornando mais fluente a passagem de bola da defesa para o ataque: Ramires, volante de múltpla funcionalidade, veloz, hábil e com forte vocação para atacar quando as brechas se abrem à sua frente.

Não, não se trata de um craque acabado, desses que encantam crítica e torcida e que deixam seu nome gravado na história, embora até possa vir a sê-lo.

Mas, oferece ao time brasileiro uma alternativa que não havia, com a linha de três volantes de estilos mais ou menos equivalentes, lentos e de passe incerto.

Acho mesmo que ainda não está sendo aproveitado em todo o seu potencial por Dunga, que prefere mantê-lo muito à frente, pela direita, quase como um ala adiante de Maicon, ou um ponta-direita recuado. Isso, sem dúvida, favorece o nosso lateral Maicon, que passou a ter um companheiro por ali para tabelar e avançar com mais constância, por saber que terá uma rápida cobertura atrás, graças à velocidade de Ramires.

Mas, gostaria de ver Ramires na sua, como segundo volante, vindo de trás, da mesma forma que atuava no Cruzeiro, pegando a turma de surpresa. Enfim, tá melhor assim do que antes.

Mesmo porque algo me diz que Ramires poderá ser a chave para o jogo decisivo contra a Espanha, suponho, ainda que os deuses do futebol se divirtam em contariar o óbvio. E explico: os espanhóis baseiam seu jogo no avanço de sua marcação de meio-de-campo, onde a bola circula com ciência e arte o tempo todo, até a espatada final. Pois, Ramires, às costas desse meio-campo espanhol, passa a ser o aríete mortífero pela direita, como Robinho deverá sê-lo pela esquerda.

Mas, lá vou eu me antecipando ao futuro que só a Deus pertence. Antes, teremos de passar pela África do Sul, que tanto pode vir a ser uma moleza quanto uma sinistra surpresa, se não for encarado com a devida seriedade. Assim como a Espanha terá de se desvencilhar dos EUA, ô, timinho ranheta.

GALOOOO!

Confesso que estou feliz pelo Galo ostentar a liderança do Brasileirão, ainda que o pódium esteja à distância da Lua (não sei se o Galo tem elenco para tão longa jornada).

Não só porque um clube das tradições do Atlético Mineiro estava tempo demais à sombra dos verdadeiros protagonistas da cena nacional, como porque salta ao proscênio agora praicando um futebol muito gostoso de se ver: firme atrás, mas leve e hábil a partir do meio-campo, com seus Márcios Araújos, Tardellis e Eder Luíses.

Pois é assim que um time grande deve se portar de hábito. Talvez, por isso mesmo, é que o Galo voltou a ser grande não só na história, mas aqui e agora, no campo de jogo do Brasileirão.

CHEGANDO DE MANSINHO

Ricardo Gomes chega ao Morumbi pisando de mansinho e de boca fechada, o que revela sábia prudência. Afinal, o novo técnico mal conhece o elenco que comandará a partir de agora. Ele mesmo declarou que o primeiro jogo que viu do São Paulo nos últimos tempos foi aquele contra o Cruzeiro.

Só temo que não tenha excessiva prudência ao remontar esse São Paulo mergulhado em profunda crise técnica, tática e emocional. E esse temor não é assim aleatório, pois é voz corrente na imprensa francesa que uma das razões de o Monaco não se interessar pela renovação de contrato com o treinador é a de que ele apostou num futebol defensivo, incompatível com os novos tempos, até mesmo na França.

Sim, sei bem que passarinho na muda não pia. Traduzindo: em meio a uma crise como a vivida pelo São Paulo neste momento, é mais ajuizado o técnico fechar-se em copas e fechar sua defesa, para estancar a hemorragia.

Mas, que não seja esse um plano definitivo, como acabou sendo o de Muricy que caiu mesmo amparado nos três pilares dos Brasileirões em série.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira Tags: , , ,
20/06/2009 - 12:52

MUITA VISAGEM E POUCA SUBSTÂNCIA

Fico só imaginando a cena: ao clarim da alvorada seguinte à queda de Muricy, Coronel Juju reúne a tropa, digo, a imprensa, saca do bolso do colete virtual um cartãozinho azul com bordas douradas, no mais rebuscado estilo rococó, onde se lê o nome do ungido a técnico do São Paulo - Ricardo Gomes -, e dispara, cabeleira branca esvoaçante ao vento da manhã gelada desta província altaneira e garbosa:

- Postura! – e repete, elevando o tom como se, fronte erguida, aumentasse alguns centímetros de altura, sobre um imaginário salto Luís XV – Postura!

É isso. Está desvendado o mistério da queda de Muricy, tricampeão brasileiro, feito inédito na história gloriosa do clube: postura, eis a palavra-chave.

Todos conhecem, se divertem ou se irritam, com a postura de Muricy, craque de refinadas criações com a bola, técnico vitorioso por onde tenha passado, mas tipo povão, desbocado, espontâneo, transparente, um tanto brega, que se expressa com as palavras que, ao longo da vida, colheu nas ruas, nos bares, nas intermináveis concentrações. Oh, como isso incomoda certa cartolagem de novos-ricos – alguns com diploma na parede -, que tanto aspiram a uma anacrônica aristocracia de botequim.

Agora, espie o amigo seu sucessor: cavalheiro de fina estampa, que fala francês e um português correto, veste-se na moda, e homem de caráter sem jaça, como diria Coronel Juju. Como figura humana, exemplar, sem a menor dúvida. E foi, é verdade, um excelente quarto-zagueiro, de nível de Seleção Brasileira.

Mas, e como técnico. Bem, é aí que a porca torce o rabo: dirigiu uma pá de times brasileiros, dentre os quais, Fluminense e Flamengo, além dos franceses PSG, Bordeaux e Mônaco. Em nenhum deu-se bem, sem falar naquele rotundo fracasso com a Seleção Brasileira Pré-Olímpica da qual tanto se esperava.

Sim, claro, todos devem ter outra ou mais chances. Muricy não teve: ao primeiro percalço, rua! Ricardo Gomes terá sua enésima chance, quem sabe, aquela que lhe dará impulso definitivo no ofício de treinador de futebol. Espero que sim, pela pessoa que é.

Mas, no fundo, no fundo, é tudo visage, que o malandro brasileiro traduziu para visagem, um truque de imagem destinada a enganar o otário de plantão.

Muita pose e pouca substância.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores Tags: , , ,
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