Real Madrid | Blog do Alberto Helena Jr.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011 Seleção Brasileira | 18:22

MARCELO, UMA DAS NOVIDADES

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Nesta quinta sai a convocação da Seleção Brasileira para o próximo amistoso, com algumas novidades. Uma delas é a volta de Marcelo, lateral-esquerdo do Real. Justa convocação pelo que o craque tem jogado por seu time. Mas, injusta a condenação pela mídia esportiva de André Santos, que, falhou feio, sim, contra a Alemanha, num lance. Mas, na soma de seu trabalho, foi mais positivo do que negativo.

Enfim, a vida é essa, um segundo que se esvai depressa, como diria o poeta popular.

Além de Marcelo, deverá haver mais novidades nessa chamada de Mano, pelo menos, no meio de campo e no ataque. Quem? Não sei.

Mas, posso garantir que Ganso, apesar de atravessar um momento difícil no trato com a bola e consigo mesmo, seguirá no time, Pois, essa é a maneira que Mano vê de recuperar plenamente – física, técnica e emocionalmente – um jogador precioso para a Copa de 2014.

Isso porque você varre o horizonte de jogadores com tais características – um armador autêntico – e acaba caindo no lugar-comum de um volante um tanto mais habilidoso para cumprir tão sutil tarefa.

É dura a vida de um treinador brasileiro nas condições atuais de Mano Menezes. Tem de acertar uma sintonia fina entre a renovação da  Seleção – não só de jogadores, mas também de estilo de jogar -, a falta de tempo adequado pra treinamentos entre um amistoso e outro, e obter os resultados que apenas contam para o torcedor comum e seus vassalos, a imensa maioria da imprensa.

Todavia, que fazer se não o papel de equilibrista, o mais arriscado dos ofícios, sobretudo quando não há uma rede de proteção embaixo?

Pensando bem, nesse caso, há. Não aquela eventualmente estendida pelo presidente da CBF, o patrão. Mas, aquela do mercado.

Técnico de Seleção Brasileira jamais ficou perdido na Avenida São João, nu, em noite de tempestade com a mão no bolso.

Muito menos alguém com o currículo de Mano, vitorioso no Grêmio, Corinthians e tal e cousa e lousa e maripousa,

Diante disso, aqui do meu modesto cantinho, sugiro ao treinador que deixe claro, enfaticamente, à nação que não estamos preparando um time para enfrentar Gana, Costa Rica, Argentina e quejandos. Mas, sim, armando uma equipe para disputar dignamente a Copa do Mundo, num profundo processo de renovação, o que é sempre doloroso e complexo.

MESSI, MESSI
Foi como um mergulho ao passado, tempos em que a tv nem existia entre nós.

Como as imagens da Esporte Interativo não alcançam minha caverna high-tech de Ibiúna, apelei para o velho companheiro, o rádio. E, na voz do Amigão, pela Estadão-Espn, senti redobrada a emoção do Camp Nou, onde Barça e Real realizaram outro jogo histórico, na decisão da Supercopa da Espanha.

Depois, colhi as imagens na internet dos cinco gols da partida, e, numa síntese de tudo, o óbvio: mas que craque esse Messi!

Fez dois golaços e meteu uma bola mágica para Iniesta abrir o placar. Quer dizer: decidiu o título a favor do Barcelona, que continua sendo impossível.

Mas, atenção, que esse Real vai dar trabalho ao Barça nesta temporada.

Notas relacionadas:

  1. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. UM ÚNICO VACILO, E MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 12 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Futebol internacional | 16:22

QUEDA TRICOLOR E RIVALDO

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O Vasco passou, mas o São Paulo ficou pelos descaminhos da Copa do Brasil, o atalho para a Libertadores, portanto, mais valiosa do que os estaduais que pipocaram por aí neste primeiro semestre do ano.

O Vasco chegou às semifinais do torneio com dois empates diante do Furacão – 2 a 2, lá, e 1 a 1, em São Januário. Mas, que dois empates! Sobretudo o desta noite de quinta, quando a bola zuniu nas duas áreas com o som de alarme ligado a todo volume.

O Atlético saiu na frente, mas logo o Vasco empatou, com Elton, e segue em frente.

Já o São Paulo, que desembarcou em Florianópolis com o 1 a 0 do Morumbi sob o braço, levou uma virada histórica do Avaí, que dominou praticamente todo o primeiro tempo, quando tomou o gol de Casemiro, mas, reagiu com William e Bruno.

E, em 30 segundos da etapa final, Marquinhos Gabriel atingiu o placar que classificaria o Avaí.

Ao fim do jogo, enquanto a galera azul celebrava a conquista, Rivaldo metia a boca em Carpegiani, na rádio Globo, dizendo-se humilhado pela reserva tão completa que não teve vez nem nas três substituições promovidas pelo treinador tricolor.

Substituições, por sinal, confusas. Precisando de apenas um gol, no segundo tempo, voltou com Marlos no lugar de Fernandinho,  machucado, para tentar equilibrar a luta pelo meio de campo, vencida pelos avaianos na etapa primeira.

Marlos, porém, entrara no lugar de Fernandinho para fechar pelo meio. Assim, perdeu de vez qualquer profundidade pela esquerda, já que Juan raramente tem ido à linha de fundo.

Só depois Carpegiani sacou o inútil terceiro zagueiro, para a entrada do atacante Henrique. Por fim, retirou o mesmo Marlos e pôs em seu lugar outro atacante, o menino William José. Não sem antes ter levado Wellington à beira do campo, pronto para entrar em campo, abortando, de repente, essa substituição.

O sonho da Libertadores, agora, se limita a obter uma vaga no Brasileirão que aí vem.

Charge com técnicos de Avaí e São Paulo (Milton Trajano)

REFAZENDO O MENGO

O  Flamengo ganhou os dois turnos do Campeonato Carioca, manteve uma série invicta considerável nesta temporada, além de apresentar dois jogadores de alto nível, como Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. Mas, perdeu para o Ceará ( excelente time, porém nada excepcional) a invencibilidade e a vaga às semifinais da Copa do Brasil, atalho para a Libertadores, sonho de consumo na Gávea, claro.

Thiago Neves tem respondido à expectativa que dele se fazia. Ronaldinho, não. Isso porque se esperava muito mais de Ronaldinho do que de Thiago, pela imensa diferença e potencial técnico de um em relação ao outro.

O Mengão, todavia, não pode ficar refém de expectativas. Precisa montar um time real, capaz de oferecer às suas duas mais cintilantes estrelas base para alcançar o nível adequado às exigências de sua camisa e da torcida.

Por exemplo: um zagueiro, um lateral-esquerdo e um centroavante de alto porte, pelo menos, já que o entorno quebra um belo galho.

Fala-se, para a lateral-esquerda. em Júnior César, na reserva de Juan – que o Flamengo jamais deveria ter permitido sair da Gávea. Aliás, só é reserva porque andou muito tempo se recuperando de grave lesão e, quando voltou, esbarrou na presença de Juan, cria da casa e recém-contratado pelo São Paulo. Boa pedida

Lá mesmo no Morumbi, há uma solução para a zaga central: Alex Pirulito, que vive reclamando da inoperância da diretoria tricolor em resolver seu caso definitivamente.

Quanto ao atacante de escol… bem, aí, já não me arrisco, pois não vejo na praça nenhum que chegaria à Gávea, agora, com porte e técnica para assegurar uma perforrmance esperada.

Quem sabe, com o andamento dos jogos, Wanderlei venha a ser o cara. Mas, é preciso testá-lo até o seu limite. Não adianta o sujeito entrar e sair do time, jogo após jogo. É fundamental dar-lhe uma sequência de cinco ou seis partidas, pelo menos.

BUSQUETS PISOU NA BOLA

Busquets talvez seja o mais elegante e eficiente volante do futebol do planeta. E, quando digo volante, é no estilo da formação do Barça – nada de dois, um só, como mandam as regras da arte.

Mas, Busquets é, reconhecidamente, um encrenqueiro em campo. Provoca os adversários, com chistes e ofensas, e alguns pontapés, nada além da conta, neste quesito.

O fato é que o Real enviou uma reclamação à Uefa, segundo a qual Busquets excedeu-se, ao chamar o nosso Marcelo de macaco, no último clássico espanhol. A punição pode chegar a cinco jogos de suspensão, o que tiraria Busquets da final da Liga dos Campeões contra o Manchester.

Justíssima pena, caso seja comprovada a denúncia, que é pra essa gringalhada tomar ciência dos tempos atuais, onde o racismo e o preconceito não têm lugar.

A VERDADE DE ROBINHO

Robinho não tem sido, ultimamente, aquele malabarista de outros tempos, o rei das pedaladas e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, pense o amigo comigo. O bicho foi fundamental nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil, no primeiro semestre do ano passado, pelo Santos. Transferiu-se para o Milan no início da temporada europeia e acaba de levantar a taça italiana como um dos três artilheiros da equipe, ao lado de Pato e de Ibra,.

Resumindo, em um ano e meio. Robinho foi campeão paulista, ajudou o Santos a chegar na Libertadores e vestiu a faixa de campeão italiano. É pouco? Vasculhe por aí, atrás de quem tenha tenha conquistado tudo isso em tão pouco tempo.

Notas relacionadas:

  1. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
  2. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 2 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores | 18:42

A LONGA JORNADA DO PEIXE

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O Santos, que sábado ganhou do São Paulo e foi às finais do Paulistão, viajou dezesseis horas para chegar a Querétaro, distante mais de duzentos quilômetros da Cidade do México, não sem antes levar um susto danado: o avião, ao tentar descer na capital mexicana, por causa de forte chuva, teve de arremeter e fazer uma parada técnica em Acapulco.

Somem-se a esses contratempos a ausência de Elano e o placar apertado do jogo na Vila (1 a 0) e já podemos dimensionar de antemão o tamanho da encrenca. Aliás, a lesão muscular de Elano já era mais ou menos esperada, assim como possíveis outras baixas provocadas pelo estresse a que está submetido o Peixe neste período em que luta pelo Paulistão e pela sequência na libertadores.

Por tudo isso, valendo-se do empate por qualquer placar, não me causaria nenhuma surpresa se Muricy entrasse em campo com seus já tradicionais três zagueiros. E, mais: não o recriminaria por isso, apesar da minha aversão por esse sistema, na esperança de que seja apenas uma alternativa diante das circunstâncias.

O CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

Em cena, nesta terça-feira, mais um Real-Barça, o terceiro da série de quatro dos clássicos dos clássicos, porque a rivalidade, como todos sabemos, não se restringe ao campo do jogo. Mas, este é o que vale ouro: a vaga para as finais da Liga dos Campeões, o maior torneio do mundo.

José Mourinho, técnico do Real Madrid e um dos maiores personagens do clássico espanhol (EFE)

Se o Barça, que no Santiago Bernabeu meteu 2 a 0 no Real, simplesmente empatar ou perder por 1 a 0, estará lá. Fosse o Barça de Guardiola o Real de Mourinho dos jogos recentes, poderíamos imaginá-lo retrancado, cheio de volantes e zagueiros, pra cumprir o regulamento.

Mas, não é. O Barça segue à risca o dístico dos dois grandes de Espanha: “No hay que ganar, hay que desfrutar”, Ou seja: o importante não é ganhar, mas desfrutar de um belo futebol.

E o Barça, nas últimas temporadas, tem ganhado quase tudo produzindo belos espetáculos. Nem sabe fazer diferente, se quisesse. Pior: não tem, em seu elenco prodigioso, jogadores de defesa (volantes ou zagueiros) capazes de montar uma retranca feroz. Perdeu o francês Abidal, em fase esplêndida, numa maca de cirurgia, e seus dois laterais esquerdos, os brasileiros Maxwell e Adriano, machucados, o que obrigou o central Puyol a deixar a cama da enfermaria para quebrar um galho por ali.

Tanto, que o volante Mascherano tem se revezado na quara-zaga com outro volante, Busquets.

De seu lado, o Real, que tem um precioso elenco, nos últimos confrontos com o Barça, tem preferido jogar como um rato diante de um leão, no dizer de Di Stefano, o maior ícone da história merengue.

Bem, de qualquer jeito, Mourinho terá de mudar o braço da viola, pois o zagueiro Pepe, travestido de volante, não poderá jogar, expulso que foi no jogo anterior.

E, se resolver bater ficha, escalando um time compatível com a qualidade de seu elenco, bem que pode tirar a diferença, em pleno Camp Nou. Ou levar outra goleada de cinco, como no primeiro turno do Espanhol. Mas, no mínimo, não será execrado pelo torcida merengue.

JUIZADA

Paulo César Oliveira, o juiz que apitou o clássico entre Palmeiras e Corinthians, até prova em contrário, é um sujeito honestíssimo. Pode ser vítima das fraquezas humanas, como qualquer um de nós. Erro de avaliação, sopro de alguma paixão reprimida, enfim, toda a gama de sentimentos humanos.

A questão não é essa. Mesmo porque sua atuação no jogo foi impecável, com exceção daquela expulsão de Danilo, que achei excessiva, mas que se respalda na lei: carrinho, por frente, ou por trás, com força desproporcional, vermelho! Assim como cartão vermelho mereceria ser dado, no caso, para Liedson, que entrou com o pé por cima, certamente num gesto de defesa, mas, igualmente reprovável.

Contudo, o que quero dissertar é sobre a questão que vira-e-mexe, nessas ocasiões voltam à tona; a profissionalização dos árbitros.

Há muito tempo defendo isso. Mas, sempre que o faço, lembro o saudoso Álvaro Paes Leme, jornalistas e professor da Escola de Árbitros da FPF.

Quando colocado diante dessa questão, Paes Leme, com sua voz tonitruante, rebatia que, para garantia da honestidade da arbitragem, sempre seria melhor o juiz ter uma atividade básica, que lhe permitisse resistir às tentações do momento. E citava, como exemplo, Arnaldo César Coelho, bem sucedido profissional na área do mercado financeiro.

Um cara como esse estaria mais blindado a quaisquer ofertas eventuais deste u daquele clube.

É a tese, por exemplo, que prevalece na Fifa, contra a profissionalização dos juízes de futebol.

E, cá entre nós, não é sem fundamento. A tese da profissionalização dos árbitros, baseia-se no fato de que o preparo físico dos jogadores atingiu níveis tão prodigiosos que exigiria dos árbitros algo próximo, só atingível se ele dedicasse sua vida a esse ofício.

O princípio tem sentido. Mas, comparar um juiz a um jogador começa a me parecer inadequado.  O jogador, em dez, quinze anos, de carreira tem uma infinidade de oportunidades para fazer seu pé de meia, Aqui e no exterior. E o juiz?

Imagine que um jovem tenha vocação e habilidade para ser juiz de futebol. E que ele consiga um espaço nobre aos 20/25 anos de idade. Terá, no máximo, mais vinte anos de carreira, antes de ser jubilado. Digamos que cinco desses profissionais tenham condições, por suas excelências técnicas e retidão de caráter, de acumular uma fortuna suficiente para uma aposentadoria decente, aos quarenta e poucos anos de idade.

E os demais? Aqueles tantos que atuam por esse Brasil afora?

Se não têm um ofício normal, que lhes dê a devida segurança no futuro, por certo, serão presas fáceis do suborno.

Jogador de futebol pode ir pra cá, pra lá, no Brasil, no Exterior, e fazer seu pé de meia. Juiz, não. No máximo pode rodar de um estado a outro, nem sempre por salários milionários.

Vale refletir a respeito.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
  3. RAPOSA E PEIXE, SÓ ALEGRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 16 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 22:33

AH, RONALDINHO…

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Que novidade é essa? O Flamengo precisando vencer para escapar do confronto com o Fluminense nas semifinais da Taça Rio, tem um pênalti no último segundo antes do apito final.

Lá vai Ronaldinho para a cobrança. Caixa, claro. Ledo engano, amigo, Ronaldinho aproxima-se da bola e desfere um tiro de meta, quilômetros sobre o travessão.

Bem, vai ter de se desdobrar no Fla-Flu decisivo, o que não é fácil, nunca.

LIDERANÇA INESPERADA

E não é que, na rodada final, o Palmeiras perdeu a liderança para o São Paulo, na fase de classificação do Paulistâo?

Pois é: uma virada inesperada, já que o São Paulo enfrentou o Oeste com um time reserva, com exceção de Rogério Ceni e Lucas, e o Verdão não foi tão desfalcado a Campinas como anunciava Felipão na véspera, e acabou perdendo para a Ponte, por 2 a 1, em bela exibição de Renatinho.

Eis, porém, um resultado que suscita mais dúvidas do que certezas. Isto é: será que foi bom negócio para o São Paulo terminar na liderança, já que terá de enfrentar a Lusa, penetra de última hora no clube dos 8? E, será que não é o caso de o Palmeiras celebrar a vice-liderança final, desde que o destino lhe reservou o Mirassol para a fase decisiva?

De qualquer forma, o São Paulo, que saiu perdendo para o Oeste, só conseguiu erguer a fronte no fim do jogo, depois das entradas de Ilsinho, Marlos e Henrique, autor do gol de empate.

Até então, com Cleber Santana, Rivaldo e Willian, todos jogadores lentos demais, o time não andava. Depois, foi da água para o vinho.

SINAIS DE FALCÃO

O placar foi modestíssimo: 1 a 0 para o Inter sobre o Santa cruz, na reestreia de Falcão como técnico colorado.

Mas, muitas foram as chances criadas, como fruto evidente do novo posicionamento da equipe adotado por Falcão. O principal truque foi o de aproximar sua linha de zaga ao meio campo, por sua vez, colado ao ataque. Com isso, Falcão compactou o Inter mais à  frente, o que sempre facilita a criação de jogadas de perigo para o adversário.

Isso, porém, foi apenas um sinal, um início do que pode vir por aí, se tudo der certo.

REAL E BARÇA

No jogo dos pênaltis, o Barça venceu por 2 a 0, pois o juiz deixou de marcar um, de Casillas em Villa, no primeiro tempo, e marcou outro que não aconteceu, de Daniel Alves em Marcelo, no finzinho da partida.

Placar, aliás, que faria jus ao andamento de um jogo em que o Barça chegou a alcançar a marca inconcebível, num clássico, de 83 por cento de posse de bola.

Sim, é verdade que essa posse de bola não foi convertida em chances de gols na mesma proporção. Isso, porque o Real, mesmo jogando em casa, mesmo precisando da vitória para, ao menos, se aproximar do líder Barça, mesmo com um elenco estelar e poderoso, preferiu plantar-se atrás de deslavada retranca.

Basta dizer que o becão luso-brasileiro Pepe foi escalado como cabeça-de-área, ao lado de dois volantes – Xabi Alonso e Khedira. O lateral-direito Sérgio Ramos, zagueiro de origem, diga-se, estava claramente proibido de avançar além de sua linha de defesa, e assim por diante.

Diante disso, coube ao Barça trocar bola atrás, e, ir, aos poucos, empurrando seu típico toque-toque até a intermediária adversária, na esperança de uma escapada como aquela de Messi que, por pouco, não encobre Casillas.

Sim, claro, vez por outra o Real arriscava um contragolpe. Ou aproveitava uma cobrança de corner para Cristiano Ronaldo, de cabeça, enviar a bola na direção da meta catalã, salva pela intervenção providencial de Adriano.

Mas, logo aos 5 minutos do segundo tempo, Messi converte pênalti claro de Albiol em Villa e fica com um jogador a mais de vantagem.

O que se esperava seria um passeio do Barcelona transformou-se num longo bocejo, como se as duas equipes estivessem satisfeitas com o resultado de 1 a 0 para o Barça. Até que o técnico Mourinho decidiu colocar o alemão Ozil em campo, no lugar de Benzema.

A partir daí, o Real ganhou a coordenação que lhe faltava, e os merengues passaram a pressionar um pouco, o suficiente para cavar aquele pênalti, numa inédita saída errada da defesa catalã. Cristiano Ronaldo, então, empatou, incendiando a partida, que ficou lá e cá até o apito final.

O curioso nessa história toda é que o Real, embora tenha jogado a toalha do campeonato em seu próprio campo, atuando três quartos da partida como um pequeno, o empate parece ter-lhe infundido uma dose de ânimo extra para a sequência desse clássico na Copa do Rei e na Liga dos Campeões.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
  2. RONALDINHO E A FESTA
  3. RONALDINHO E LIEDSON, OS NOMES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 3 de abril de 2011 Futebol internacional | 15:13

E QUE GOOOL!

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Sem dúvida, o lance do domingo foi aquele gol do menino Lucas contra o Mirassol. Recolheu a bola na sua própria intermediária, pela direita, tocou para Jean e recebeu logo após a linha de meio de campo. Dali partiu em diagonal, passou por um, por dois, por três, livrou-se do goleiro e finalizou de esquerda para a meta aberta.

Sim, claro, já vimos muitos gols assim, feitos por vários jogadores, alguns craques, outros simplesmente comuns, que, num estalo, realizam tais proezas.

Mas, no caso de Lucas a história é bem outra. Esse menino, desde os juniores do São Paulo, tem esse tipo de jogada como marca registrada. No Sul-Americano Sub-20, realizou uma série dessas arrancadas. E até na Seleção de Mano, na estreia em Londres, em dez minutos que esteve em campo protagonizou dois lances desse mesmo jeitinho.

Nem sempre, porém, a jogada se configura em sua integralidade, com a bola dormindo na rede. Mas, de qualquer forma é sempre um recurso valioso, pois fruto da combinação exata entre velocidade, habilidade e ousadia, atributos cada vez mais raros no nosso futebol.

VASCÃO E VERDÃO

Vasco e Palmeiras iniciaram a temporada sob um enorme ponto de interrogação.

Mas, com o decorrer das rodadas dos estaduais, ambos passaram de zebras a destaques.

Em São Paulo, o Verdão acaba de bater o tão decantado Santos de Neymar, Ganso, Elano e cia., por 1 a 0, em jogo parelho e emocionante, gol de Kleber em passe magistral do menino Patrik. E segue líder da competição, a duas rodadas do final dessa fase classificação.

Já o Vasco, que foi um horror na Taça Guanabara, contratou o técnico Ricardo Gomes e mais uns dois ou três reforços e passou a golear, como nos 4 a 0 sobre o Bangu, em tarde inspirada de Felipe e com direito a gol do artilheiro Alecsandro, recém contratado ao Inter.

Assim, o Vasco saltou para a ponta da tabela de seu grupo na Taça Rio, o que não podia ser mais animador.

PRA INGLÊS VER

Não há campeonato mais charmoso do que esse da Inglaterra. Estádios sempre lotados, arejados, sem alambrados de nenhuma espécie, e, no campo, um jogo ofensivo, de lado a lado, do início ao fim.

E, com as reascensões recentes de Chelsea, Manchester City e Tottenham, são mais três disputantes de escol a se juntarem a Manchester United, Arsenal e Liverpool na disputa do título nacional.

Apesar disso, os Diabos Vermelhos, mesmo sem reprisar as grandes atuações das últimas três temporadas, mantêm a liderança com rédeas curtas.

Ainda neste sábado, contou com uma combinação de resultados mágica: o Arsenal, seu mais próximo perseguidor, empatou por zero a zero, enquanto o Manchester United virava de maneira sensacional sobre o West Ham: 4 a 2.

Foi um primeiro tempo deplorável do Manchester, quando chegou a levar de 2 a 0, dois gols de pênalti de Noble – um volante baixinho homônimo e clone do lendário Noble Stylles, o Carniceiro de Liverpool, da gloriosa conquista mundial de 66.

Mas, no segundo, depois das entradas do mexicano Chicharito Hernandez e do búlgaro Berbatov, o Manchester United virou um caminhão de melancia sobre o adversário. E o piloto foi Wayne Rooney, que, jogando na armação, marcou três gols., de enfiada.

Aproveitando-se dos tropeços de Liverpool, Arsenal e Chelsea, o outro Manchester, o City, dominou e goleou o Sunderland, por 5 a 0, com participação efetiva de Tevez, mas, sobretudo, de Yayá Tourré, um volante espetacular, que o Barça deixou escapar pelos dedos.

BARÇA, ALÉM

Por falar em Barça, o time catalão aumentou sua diferença em relação ao Real, seu eterno caçador, quando não é o inverso.

Os dois jogaram no sábado com suas equipes mistas. A diferença é que o Real jamais se encontrou diante do Sporting Gijón, e acabou perdendo por 1 a 0, enquanto o Barça, mesmo poupando vários titulares, manteve o mesmo padrão de domínio de bola e dos espaços.

E venceu o Villareal por 1 a 0, com um gol de Piqué como autêntico centroavante – matou no peito e bateu certeiro.

CIAO, CARO

No clássico de Milão, o líder Milan meteu 3 a 0 na Inter, eterno rival, graças ao oportunismo de Pato, autor de dois gols de puro oportunismo.

Assim, o Milan despediu da Inter, que cedeu a vice-liderança para o Napoli. Napoli, autor de uma virada espetacular sobre a Lazio: 4 a 3.

Não podia ser um fim de semana mais auspicioso para os milanistas.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. OS MELHORES, SOFRENDO
  3. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quarta-feira, 9 de março de 2011 Futebol internacional | 19:38

O MELHOR DO MUNDO?

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Perguntam-me se o Barça, que bateu o Arsenal por 3 a 1 na Liga dos Campeões, pode ser considerado o melhor do mundo de todos os tempos. Exagero. Mas, certamente, está entre os grandes da história. Não, talvez no nível de um Santos de Pelé ou um Real de Di Stefano, dois gênios incomparáveis do futebol.

Mas, muito perto, com Messi, esse extraordinário jogador que pode, ao encerrar sua carreira apresentar um  currículo comparável ao dos seus antecessores mitológicos.

Diria que esse Barcelona atual se equipara ou supera alguns dos grandes times que vi em ação ao longo das últimas seis décadas: o Ajax dos gêmeos De Boers, Kanu e Obermars, dos anos 90; do Milan dos holandeses Reyjkaard e Van Basteen, nos 80, mesma época em que tivemos o Fla de Zico; do Bayern de Munique, de Beckenbauer, Overath, Muller e Sepp Mayer, nos 70; do Benfica de Eusébio e Coluna, nos 60; do Honved, de Puskas e Kocsis, dos 50, e aqui vou parando, pois minha memória só estende até aí. O resto é literatura e histórias contadas pelos mais antigos.

Quer dizer: esse time atual do Braça, formado, na verdade há cinco anos, e esmerilhado quase à perfeição por Guardiola, é, sem dúvida, uma dos maiores times da história do futebol.

Se vai ser campeão da Espanha, da Europa, do Mundo, isso é outra história.

Milan, fora

E o Milan caiu fora ao empatar por 0 a 0 com o Tottenham, tradicional time inglês em fase de renascimento, num jogo interessante, em que os britânicos dominaram o jogo no início dos dois tempos, e o Milan não conseguiu marcar, apesar de seu trio de ataque – Robinho, Pato e Ibra – ter tentado ao infinito.

Mas, o Milan esbarrou na irreprimível exibição dos brasileiros Sandro e Gomes, e o resultado foi esse, enfim.

Brasileiros por brasileiros, na véspera, o Shaktar atingiu o auge de sua história, ao chegar às quartas de final da Liga dos Campeões, com uma legião de caboclinhos de primeira linha – William, ex-Corinthians; Jadson, ex-Furacão; Luís Adriano, ex-Inter; Douglas Costa, ex-Grêmio; Alex Teixeira e Eduardo Silva, ex-Arsenal, naturalizado croata. Sem falar em Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, meio brasileiro, meio boliviano.

William fez um golaço e Eduardo Silva encerrou o placar sobre a Roma, que não deu sinais de reação o jogo todo.

Curioso foi ver um time da Ucrânia, cheio de brasileiros, jogar o tempo todo, lá e cá, com uma formação tão ofensiva.

Por fim, o Schalke virou sobre o Valência, por 2 a 1, e conseguiu sua vaga para seguri adiante na Liga dos Campeões. Não é um time que encanta, mas joga certo pelo resultado.

Notas relacionadas:

  1. VOLTA AO MUNDO
  2. KAKÁ E O DUCE
  3. BARÇA, O MELHOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 7 de março de 2011 Futebol internacional | 15:36

OS CAMINHOS DE KAKÁ

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O Milan anuncia que receberia Kaká com toda a pompa que merece o Príncipe de Milão, mas não na mesma circunstância, pois teria de baixar seu vertiginoso salário, no máximo, ao nível do que recebe Ibrahimovic, o mais caro do clube.

Kaká deixou uma legenda em Milão, com uma série de partidas memoráveis, desde sua surpreendentemente rápida adaptação ao futebol italiano. Chegou e abafou, e acabou sendo negociado por valor inconcebível com o Real, onde foi abatido pela séria lesão que carregava desde o início do ano passado, se não muito antes.

Levou meio ano se recuperando, e, a volta tem sido assim um tanto frustrante, intermitente: entrou em algumas partidas; numas, teve bons momentos; noutras, passou em branco.

Jornais espanhóis insinuam que Kaká e o técnico Mourinho já não se bicam. O craque, em seu twitter, desmente. Mas, o fato é que, por exemplo, o jogo do fim de domingo contra o Racing estava na medida para Kaká. O Real vencia fácil e dominava o jogo, sem correr maiores riscos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mourinho fez as três substituições de praxe. E, nada de Kaká.

Segundo a assessoria do Real, há um acordo entre o jogador e o técnico para que ele estenda seu período de recondicionamento atlético antes de voltar definitivamente à equipe.

Bem, pelo sim, pelo não, do jeito que está jogando o Real, mesmo em forma, não será fácil Kaká reconquistar uma vaga, por exemplo, no lugar do alemão Özil, que vem esmerilhando com aquela canhotinha hábil e inteligente.

Benzema voltou a ter a confiança dos seus tempos de ídolo francês, e passou a marcar gols após gols. Di Maria luta, articula, dá assistências essenciais e também faz seus gols. E Cristiano Ronaldo, obviamente, é intocável.

Mas, não pense o amigo que Kaká, numa eventual volta ao Milan, atual líder do Campeonato Italiano, teria vida mais fácil.

Lá, Robinho, Pato e Ibra dão as cartas e jogam de mão. São os artilheiros e aqueles que dão o toque de classe à equipe, num futebol onde abrir mão de três volantes é simplesmente um anátema.

Aliás, se varrermos com o olhar os grandes da Europa, veremos que não há lugar garantido para o estilo e a função de Kaká em nenhum deles.

Remeto-me, então, a uma conversa que tive com Kaká antes da Copa de 2006, em Teresópolis, quando, prevendo a trajetória que o destino lhe reservava, perguntei-lhe se não estava na hora de o craque ir pensando em se adaptar a uma nova função, a de meia-armador, aquele meia que joga um tanto mais atrás, descortinando o jogo para os companheiros. Posição de que o futebol brasileiro, sobretudo, carecia e muito.

Afinal, ele tem técnica e inteligência para tanto. E, carregando a bola em rushes vertiginosos estaria mais exposto a sérias contusões.

A resposta de Kaká foi enfática: de jeito nenhum!

Quem sabe não esteja na hora dele repensar a respeito, hein?

Ataque a Felipão

Leio que há, nas entranhas do Palmeiras, uma frente unida contra Felipão e todos os altos custos assumidos pelo clube em vários departamentos. Mas, só vejo o nome de Gilto Avallone sendo citado a respeito.

Ora, conheço Gilto de outros carnavais. Durante um par de anos dividimos a mesma mesa do restaurante Giovanni Bruno, ali na rua Martinho Prado, ao lado do Rayola, do Primo e tutti quanti. Buona gente, mas um corneteiro irreprimível, atávico, genético, da velha banda de cornetas do Parque Antárctica.

Sempre está na oposição, seja qual for a situação. E, embora estridente, sua corneta não soa como a flauta de Hamlin. Não congrega, não agrega. Mas, agita (quase escrevi agilta).

E agita porque o Palmeiras está realmente nessa encruzilhada: afundado em dívidas, ou consegue obter um aporte imensurável de grana com possíveis investidores, ou terá de reduzir drasticamente seus custos.

E essa decisão cabe ao recém empossado presidente, Arnaldo Tirone Filho, que está como aquele menino holand~es, com o dedo enfiado no buraco do dique fatal.

Barça e Arsenal

Já disse e repito que o destino foi ingrato ao escolher por sorteio que Barcelona e Arsenal se cruzariam nesta fase da Liga dos Campeões. Ambos, que praticam o futebol mais agradável de se ver, deveriam decidir o título, isso, sim.

Mas, que fazer?
No Emirates, no jogo de ida, o Barça ganhava por 1 a 0 e tinha o controle do jogo, até tomar a virada, no fim, bem ao estilo inglês que, desde os tempos da Rainha Virgem, até o minuto final, não se curva à Esquadra Invencível.

O Barça, porém, não é de entregar o ouro espanhol antes da hora. Joga em casa, e, embora não venha praticando o futebol dos sonhos nas últimas rodadas de seu certame, tem bola para revirar a situação, nesta terça-feira.

São dois times jogando diante do espelho. Ambos, valorizam a posse de bola, o envolvimento como tom maior, a marcação a partir do campo adversário e um futebol ofensivo por essência.

Desconfio que o Barça se safa dessa. Mas, é apenas uma desconfiança, baseada no fato de que o Arsenal, na hora H, mia. Pelo menos, tem sido assim. Não sei seguramente se será. Mas, que vença o melhor. Qualquer um deles será uma celebração ao melhor futebol.

Notas relacionadas:

  1. KAKÁ E O DUCE
  2. O QUE HÁ COM KAKÁ?
  3. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 30 de novembro de 2010 Futebol internacional | 16:52

BARÇA, O MAIOR DO SÉCULO

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Os músicos vão chegando e se instalando nas escadarias da Catedral Gótica de Barcelona, nesta ensolarada manhã de domingo. O violoncelo, os medievais alaúdes, o offcleide – estranho instrumento de sopro lá dos fundos do século 18 -, as flautas doces dos tempos de Pan, as rabecas, os violinos, uma trompa e címbalos.

O som que essa pequena orquestra começa a produzir nos remete, sei lá à Grécia antiga, ou, mais precisamente, às escarpas da Sardenha, de onde provém a sardana, dança nacional catalã.

As pessoas, então começam a chegar silenciosamente, aos pares, em grupos familiares, crianças, moças, moços, senhores e senhoras solitários juntam-se a eles na praça em frente á catedral. Trocam seus sapatos por sapatilhas. Dão-se as mãos, formando círculos de vários tamanhos e passam a dançar ao ritmo magnético daqueles instrumentos que, ao longo da história da humanidade, foram afinando ouvidos e almas.

O silêncio dos movimentos sincronizados, leves, quase etéreos, dos dançarinos parece fundir-se ao estranhamente cadenciado som da orquestrinha, produzindo no ar uma sensação de enlevo capaz de conduzir o espectador, como eu, a tempos tão remotos que só subsistem ainda no inconsciente coletivo.

Essas imagens, sons e silêncios, retidos na memória desde aquela fatídica Copa do Mundo de 82, me voltam à memória ao ler que o Barça, em meio ás celebrações da histórica goleada sobre seu maior rival Real – rivalidade que transcende em muito o campo de jogo – acaba de ser decretado pelos números o maior time do século 21 por aquele instituto de estatísticas do alemão maluquete que já cometeu tantos disparates nos últimos tempos.

Nada mais justo, porém, desta vez, pois o Barça, há anos, faz o jogo da sardana. Um jogo silencioso, envolvente, leve, etéreo, feito de passes e repasses hipnóticos, enfiadas exatas e surpreendentes. Cria, enleva e arremata, em tramas sutis, nas quais, embora fruto de trabalho coletivo, como as fiandeiras de tempos imemoriais, destaca os pontos dos artistas de invenção própria, como Messi, Xavi, Iniesta, o menino Pedrito, Villa e cia. bela.

Fala-se muito por aqui em equilíbrio. Mas, esse equilíbrio é sempre centrado no sistema defensivo. Como se você, por acaso, deslocasse o centro desse equilíbrio mais à frente, passaria a estar exposto à tragédia.

Pois essa é a mágica do melhor time do século: jogo após jogo, contra quem seja, onde for, detém a média de 70 por cento de posse de bola. Não no seu campo, trocando bolas inócuas lá atrás. Ao contrário: debruça-se sobre a intermediária adversária e ali faz seu jogo, do início ao fim. E, lá atrás, bastam dois zagueiros de escol tanto na marcação quanto na saída de bola – Puyol e Piqué -, mesmo porque os laterais estão liberados para atacar, ou algum outro lateral ataca, por exemplo, mais do que o nosso Daniel Alves?
Assim como atacam Abdal, Maxwell ou Adriano, o que estiver lá do lado esquerdo.

Era assim que jogavam os grandes times do passado, dentre eles, o maior de todos os séculos, o Santos de Pelé e de antes de Pelé. Do mesmo jeitinho que jogou este Santos do primeiro semestre e que ganhou tudo que disputou, batendo recordes de artilharia.

Eis que, outro dia, surpreendo um querido e competentíssimo companheiro, santista de coração e geração, exaltando seu eventual Santos da próxima temporada: “…E, aí, no meio de campo, Arouca, Marcos Assunção, Elano…”.

Não resisti e interrompi o amigo: “Peraí, cara! Três volantes, nesse time que atingiu o apogeu com apenas um?”

Eis por que o Barça, apesar de ser aclamado pelos números, não apenas pela paixão ou pela estética fria, o maior time do mundo, não consegue influenciar o resto, a não ser, talvez, o Arsenal, que se mantém, apesar do estilo semelhante, longe das estatísticas monumentais do Barça.

E, aqui, a turma – jovens e velhos – seguem o caminho do rato, sulcado há duas décadas por esse bando de treinadores covardes e incompetentes, que desconhecem o ABC da história do futebol.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. BARÇA, O MAIOR!
  3. BARÇA, ÚNICO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

sábado, 16 de outubro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 11:15

A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR

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O líder Cruzeiro vai ao Olímpico pegar um osso duro de roer. Afinal, é o encontro dos dois melhores desempenhos do segundo turno do Brasileirão. E o Grêmio está a galope no pingo, com o facão girando no ar à espera do golpe fatal na Raposa.

Mesmo porque, depois de um primeiro turno deplorável, o Tricolor já vislumbra – em vencendo o Cruzeiro neste domingo – aproximar-se de tal forma dos líderes que a fuga ao descenso ameaça transformar-se numa corrida até pelo título, senão por uma vaga na Libertadores.

O diabo é que Jonas, que já não tem Borges há tempos como parceiro, também não será escoltado por André Lima, que se machucou ao tentar driblar uma garrafa de água, depois do treino de outro dia. Esqueceu, no empenho, que até garrafa de água gremista entra pra valer em qualquer dividida.

Jonas, porém, tem sido tão implacável neste Brasileirão, que, pode-se dizer, dispensa até as mais ilustres companhia, e, quem sabe Júnior Viçosa não surpreenda?

Aliás, por falar nisso, o técnico Renato Gaúcho driblou, como nos seus bons tempos de hábil atacante, a pergunta dos repórteres sobre se iria ou não providenciar marcação especial sobre Montillo, que joga mesmo recuperando-se de lesão.

Não sei. Aqui à distancia, desconfio que a presença de Vilson no meio de campo tricolor, no lugar de Adílson, possa ser um indício de que o maravilhoso gringo azul não terá vida fácil no Olímpico.

Mas, embora Montillo venha sendo o craque da equipe, o Cruzeiro não se resume só a ele. Não é líder por acaso, e sim porque tem uma equipe bem ajustada por Cuca, que pratica um futebol compatível com suas tradições – técnico e ofensivo.

Enfim, Tite

O Corinthians, que vive seu inferno astral, com todos os insucessos recentes, culminando com a tradicional e inócua cobrança dos manos gaviões antes do treino de sexta-feira, que acabou tirando o atacante Souza dos eixos, enfim, acertou com Tite para dirigir doravante sua equipe.

Mas, enquanto Tite não se desvencilha do seu clube nas arábias, o interino vai tocando o barco cheio de furos provocados pela perda de tantos titulares, em direção ao Brinco de Ouro da Princesa, contra o Guarani..

Mas, acena com a volta de Ronaldo Fenômeno, de talhe um pouco mais afilado do que o dos últimos tempos.

Bem, na pior das hipóteses, Ronaldo haverá de espantar a zaga adversária, só pelo nome e pela presença imperial em campo. Na melhor, Ronaldo fará os gols necessários para retirar o Timão do fundo do poço emocional em que se encontra nesta quadra do campeonato.

Basta uma vitória, se possível conjugada com derrotas do líder e do vice, pronto!, céu azul sobre o Parque São Jorge. E, convenhamos, ganhar do Guarani, mesmo em Campinas, embora não seja moleza, também não chega a ser tarefa tão impossível.

Clássico Vovô

No Engenhão, mais um capítulo da gloriosa história do clássico mais antigo do Rio: Flu x Bota.

O Flu não pode mais bobear, e, para recuperar seu porte de sério candidato à faixa de campeão, terá de volta três jogadores vitais para o esquema de Muricy: o lateral-direito Mariano, o volante Diguinho e o atacante Emerson, o Xeique.

Mariano tem sido o melhor de sua posição nesse campeonato, ao equilibrar com justeza as duas funções básicas de um verdadeiro lateral: defender bem e atacar com presteza e exatidão.

Diguinho é aquele volante lépido, que, de repente se enfia entre Conca e Marquinho para surpreender o sistema de marcação do adversário.

E Emerson, o atacante veloz e hábil, artilheiro nato, que certamente, por sua movimentação, haverá de colocar em campo Washington, tão apagado nas últimas partidas.

Se nas Laranjeiras as coisas começam a clarear, em General Severiano, reina o mistério. Papai Joel preferiu esconder da imprensa parte do treino, anunciando que falta ainda uma coisinha a ser resolvido no time, basicamente o mesmo dos últimos tempos.

Talvez, a volta de Marcelo Matos, que se recupera de lesão, ou, então, qualquer outra pegadinha que o matreiro treinador esteja cogitando.

Certo é que ambos precisam da vitória, cada um diante de seus respectivos objetivos. O Flu, de olho na liderança perdida; o Bota, na vaga da Libertadores, ainda ameaçada.

Teremos, pois, um Vovô irado neste domingo no Enegenhão.

Forte Sansão

Já o clássico paulista – São Paulo e Santos, o Sansão – tem outro viés.
O São Paulo não luta propriamente nem pelo título, nem pela vaga na Libertadores, embora esta seja possível no universo infinito dos números. Mas, sim, para readquirir parte de sua grandeza, com vistas a montar um time para a próxima temporada.

E a escolha do novo estilo tricolor pelo técnico Carpegiani, nesse sentido não poderia ser melhor, diante das circunstâncias: um jogo ofensivo, mais leve e técnico do que o habitual recente, protagonizado por um leque de garotos campeões da Taça São Paulo Jr.

Um estilo, digamos assim, mais próximo de… do… Do Santos, pronto, já disse, seu adversário deste domingo no Morumbi.

Sim, esse Santos que conseguiu o prodígio de varar tantas adversidades, depois do deslumbrante primeiro semestre – a perda de meio time, entre os negociados e os lesionados, a vai não vai de Neymar e suas atribulações em seguida, a queda do técnico Dorival Jr. etc. – e chegar nesta quadra do campeonato com chances até de disputar o título.

Neymar sossegou o pito e incrementou o desassossego nas defesas inimigas. E o Peixe vai somando vitórias expressivas sobre os mais expressivos inimigos, tipo Cruzeiro, Flu e Inter, por exemplo.

Se vai seguir nessa toada diante do Tricolor, não sei. Só sei que esse clássico se prenuncia emocionante e agradável de se ver.

Vitórias em vermelho e negro

Mais do que a exibição correta do Flamengo e a vitória expressiva por 3 a 0, o que me impressionou foi a inoperância ofensiva do Inter, que foi ao Engenhão com praticamente todas as suas estrelas – D’Alessandro, Tinga, Giuliano, Alecsandro etc.

Teve a bola nos pés, durante todo o primeiro tempo, mas não deu um chute a gol sequer. E, no segundo, idem, sem a posse de bola.

Já o Flamengo, que vai sendo moldado por Luxemburgo ao feitio de um clube grande que sempre foi, marcou bem, e contragolpeou sempre com perigo, numa jornada de redenção do atacante Deivid, autor de dois dos três gols rubro-negros: um, de pênalti contestado pelos colorados, e outro, de cabeça, em cobrança de corner. Renato fez o segundo gol de sua equipe de falta. Muitos acharam falha de Renan, mas me pareceu que a bola foi fugindo do braço do goleiro, entrando rente à trave.

Assim, o Flamengo vai saindo daquela zona de desconforto, Luxa começa a recuperar sua proverbial autoconfiança, que, às vezes, se confunde com soberba, e o rubro-negro amigo já pode descansar a cabeça no travesseiro em paz.

Quanto ao outro rubro-negro, lá do Paraná, este, meu amigo, está a mil: o Furacão, na Arena da Baixada, venceu o Goiás por 2 a 1 e segue rondando a área de classificação para a Libertadores.

A curiosidade desse jogo foi o seguindo gol do Atlético, em que restou no ar apenas a dúvida se a bola cabeceada por Gonzales passou inteira pela risca da meta, antes de ser despachada pelo beque goiano.

Pra mim, passou. Quer dizer: acho que passou. Mas, talvez não tenha passado, quem sabe?

Na Velha Albion

Grande mancada do Manchester United, que meteu 2 a 0 no West Brom, no primeiro tempo, desperdiçando mais umas quatro chances claras de ampliar, e acabou sofrendo o empate.

Pior para Sir Alex Frrguson, que manteve Rooney no banco de reservas e, no fim, teve de apelar para o cra1que da equipe, desta vez, em vão.

Já o Arsenal, naquele toque-toque proverbial, envolveu o Birmingham, e, mesmo levando o primeiro gol, num dos raros avanços do adversário, virou para 2 a 1, com direito a um gol tramado com extrema exatidão, até o toque final de Charmakh, um centroavante de toques tão refinados que muita gente interpreta como firula excessiva. Às vezes, é.

Mas, esse o traço característico desse Arsenal de Wenger, desde sempre.

O Milan e Ronaldinho

Se Mano Menezes, que ficou na Europa para ver ao vivo algumas realidades, queria Ronaldinho Gaúcho mais solto pela meia, em vez dos grilhões que o prendem há anos na ponta-esquerda, a vitória milanista por 3 a 1 sobre o Chievo não poderia ter sido mais expressivo.

Pela primeira vez, Ronaldinho atuou como verdadeiro meia, flutuando pelo meio de campo e os dois lados do ataque, com velocidade e potência, coisa rara de se ver nos últimos tempos.

De quebra, se Mano estava lá, como prometeu, viu aquele golaço de chicote de Pato, em cruzamento da esquerda de Antonini, um dos dois do jovem brasileiro, e o terceiro, de Robinho, limpando o goleiro em passe magistral de Ronadinho.

Pelo comportamento ativo e versátil de Ronaldinho Gaúcho nesse jogo, é evidente que o cara está a fim de voltar à Seleção. Nós, meros espectadores, merecemos.

Olé, Madrid!

O Barça penou para virar sobre o Valencia, por 2 a 1. Fez um mau primeiro tempo e só melhorou um pouco no segundo, o suficiente para desalojar o Valencia da liderança do campeonato, colocando, porém, no trono o Real, seu maior rival.

Já o Real deu olé no Málaga, em show particular de Cristiano Ronaldo, na goleada por 4 a 1. Aliás, fazia tempo que o craque lusitano não nos oferecia um espetáculo desses feitos de dribles, passes, assistência e gols. Deu dois para Higuain e fez os outros dois.  Já era hora.

Notas relacionadas:

  1. VAI SER DURO
  2. TOQUE TRICOLOR
  3. A RAPOSA, AS UVAS E A QUEDA DE ADILSON
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 9 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 19:26

SÓ PODIA VENCER

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Bem, ao Corinthians não restava nada menos do que a vitória, depois da pífia campanha no Paulistão e da desclassificação na Libertadores. Afinal, jogava em casa e o adversário, de tradicional camisa, o Furacão, não nada lá bem das pernas.

E não é que o Atlético saiu na frente? Uma bola alçada à área por Wagner Diniz passou por todo mudo e morreu nas redes alvinegras.

E olhe que o Timão demorou para reagir. Reagiu, porém, no segundo tempo, quando o Atlético já estava sem um jogador, simplesmente o craque da equipe – Paulo Baier. Mas, só chegou ao empate depois da entrada de Souza no lugar do lateral Alessandro. Souza empatou e sofreu o pênalti que Ronaldo converteu no gol da vitória.

Isso, claro, depois de forte pressão exercida pelo Corinthians, sobretudo depois da segunda expulsão do goleiro atleticano.

Mas, cá entre nós, vai ter de melhorar muito esse time para transformar o centenário numa celebração.

Empate misto

No Maracanã, Flamengo e São Paulo, de olho ainda na Libertadores, entraram em campo com times mistos – parte reserva, parte titular. E não deu outra: 1 a 1, gols de Washington, em bela trama do ataque tricolor, e Denis Marques, em lançamento primoroso lá de trás de Michael.

O São Paulo foi melhor no primeiro tempo e o Fla, no segundo.

Resultado, porém, mais favorável ao São Paulo. Não apenas porque arrancou um empate do campeão brasileiro no Maracanã, mas, principalmente, porque revelou equilíbrio para trabalhar dignamente com tantos reservas.

Vitória mista

Misto por misto, deu Cruzeiro no Beira-Rio, graças ao títular indiscutível, Kleber, o Gladiador, que marcou os dois de seu time, nos 2 a 1 sobre o Inter.

E assim esses dois grandões do Brasil vão seguindo caminhos opostos na temporada: enquanto o Cruzeiro ascende, o Inter regride, quando não empaca. E olhe que ambos têm elencos de excelência comparável.

Galo não perdoa

Enquanto isso, o Galo não perdoa: recuperou-se rapidamente da queda diante do Santos, na Copa do Brasil, para bicar o Almirante no Mineirão: 2 a 1, sem gols de Tardelli, imagine!

Quer dizer: aquele de Muriqui deveria ser creditado a Tardelli, cujo disparo tinha endereço certo; Muriqui apenas empurrou já sobre a linha do gol.

Mas, o Galo, escreva, vai ainda dar o que falar neste Brasileirão.

LÁ FORA

O Bayern, sob o comando desse magnífico canhoto holandês, Arjien Robben, autor de dois gols, ao bater o Hertha, em Berlim, por 3 a , sagrou-se campeão alemão já, o que lhe dá moral e folga para esperar o embate com a Inter de Milao, pelo título europeu.

Inter que, apesar de meter 4 a 3 no Chievo, terá de buscar a faixa de campeão italiano na rodada final, pois a Roma, que venceu o Cagliari por 2 a 1, continua na sua cola.

Pau a pau também continua o Campeonato Espanhol, com o Barça um passo à frente do Real. Ambos venceram bem no sábado. O Barça, depois de disparar 3 a 0 sobre o Sevilha, na Andaluzia, relaxou e tomou dois gols no fim, um deles, de Luís Fabiano, mas teve pleno domínio da partida. E o Real goleou o Bilbao em casa, por 5 a 1, em mais uma exibição de gala de Cristiano Ronaldo, que voltou a jogar aquela bola dos tempos de melhor do mundo. Essa encrenca só se decide na rodada final.

Já o mais espetacular campeonato nacional do mundo acabou, espetacularmente: o Chelsea simplesmente massacrou em casa o Wigan – 8 a 0. Isso mesmo: 8 a 0! O que não chega a ser grande surpresa, já que o Chelsea, neste torneio somou duas goleadas por sete gols e alcançou, no final, a marca de 103 gols na campanha inglesa. Um prodígio! E, que diria, sob o comando do italiano Carlo Ancelotti, tido e havido, na época em que dirigia o Milan, como emérito retranqueiro, o que sugere a paródia do velho ditado: em Roma, como os romanos; em Londres, como os londrinos.

Sim, porque o vice-campeão, que tentava o tetra inédito no futebol inglês, o Manchester United, despediu-se com uma goleada por 4ª 0 sobre o Stokes, no Teatro dos Sonhos, Lá ganha quem faz mais gols, claro.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  3. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última