O líder Cruzeiro vai ao Olímpico pegar um osso duro de roer. Afinal, é o encontro dos dois melhores desempenhos do segundo turno do Brasileirão. E o Grêmio está a galope no pingo, com o facão girando no ar à espera do golpe fatal na Raposa.
Mesmo porque, depois de um primeiro turno deplorável, o Tricolor já vislumbra – em vencendo o Cruzeiro neste domingo – aproximar-se de tal forma dos líderes que a fuga ao descenso ameaça transformar-se numa corrida até pelo título, senão por uma vaga na Libertadores.
O diabo é que Jonas, que já não tem Borges há tempos como parceiro, também não será escoltado por André Lima, que se machucou ao tentar driblar uma garrafa de água, depois do treino de outro dia. Esqueceu, no empenho, que até garrafa de água gremista entra pra valer em qualquer dividida.
Jonas, porém, tem sido tão implacável neste Brasileirão, que, pode-se dizer, dispensa até as mais ilustres companhia, e, quem sabe Júnior Viçosa não surpreenda?
Aliás, por falar nisso, o técnico Renato Gaúcho driblou, como nos seus bons tempos de hábil atacante, a pergunta dos repórteres sobre se iria ou não providenciar marcação especial sobre Montillo, que joga mesmo recuperando-se de lesão.
Não sei. Aqui à distancia, desconfio que a presença de Vilson no meio de campo tricolor, no lugar de Adílson, possa ser um indício de que o maravilhoso gringo azul não terá vida fácil no Olímpico.
Mas, embora Montillo venha sendo o craque da equipe, o Cruzeiro não se resume só a ele. Não é líder por acaso, e sim porque tem uma equipe bem ajustada por Cuca, que pratica um futebol compatível com suas tradições – técnico e ofensivo.
Enfim, Tite
O Corinthians, que vive seu inferno astral, com todos os insucessos recentes, culminando com a tradicional e inócua cobrança dos manos gaviões antes do treino de sexta-feira, que acabou tirando o atacante Souza dos eixos, enfim, acertou com Tite para dirigir doravante sua equipe.
Mas, enquanto Tite não se desvencilha do seu clube nas arábias, o interino vai tocando o barco cheio de furos provocados pela perda de tantos titulares, em direção ao Brinco de Ouro da Princesa, contra o Guarani..
Mas, acena com a volta de Ronaldo Fenômeno, de talhe um pouco mais afilado do que o dos últimos tempos.
Bem, na pior das hipóteses, Ronaldo haverá de espantar a zaga adversária, só pelo nome e pela presença imperial em campo. Na melhor, Ronaldo fará os gols necessários para retirar o Timão do fundo do poço emocional em que se encontra nesta quadra do campeonato.
Basta uma vitória, se possível conjugada com derrotas do líder e do vice, pronto!, céu azul sobre o Parque São Jorge. E, convenhamos, ganhar do Guarani, mesmo em Campinas, embora não seja moleza, também não chega a ser tarefa tão impossível.
Clássico Vovô
No Engenhão, mais um capítulo da gloriosa história do clássico mais antigo do Rio: Flu x Bota.
O Flu não pode mais bobear, e, para recuperar seu porte de sério candidato à faixa de campeão, terá de volta três jogadores vitais para o esquema de Muricy: o lateral-direito Mariano, o volante Diguinho e o atacante Emerson, o Xeique.
Mariano tem sido o melhor de sua posição nesse campeonato, ao equilibrar com justeza as duas funções básicas de um verdadeiro lateral: defender bem e atacar com presteza e exatidão.
Diguinho é aquele volante lépido, que, de repente se enfia entre Conca e Marquinho para surpreender o sistema de marcação do adversário.
E Emerson, o atacante veloz e hábil, artilheiro nato, que certamente, por sua movimentação, haverá de colocar em campo Washington, tão apagado nas últimas partidas.
Se nas Laranjeiras as coisas começam a clarear, em General Severiano, reina o mistério. Papai Joel preferiu esconder da imprensa parte do treino, anunciando que falta ainda uma coisinha a ser resolvido no time, basicamente o mesmo dos últimos tempos.
Talvez, a volta de Marcelo Matos, que se recupera de lesão, ou, então, qualquer outra pegadinha que o matreiro treinador esteja cogitando.
Certo é que ambos precisam da vitória, cada um diante de seus respectivos objetivos. O Flu, de olho na liderança perdida; o Bota, na vaga da Libertadores, ainda ameaçada.
Teremos, pois, um Vovô irado neste domingo no Enegenhão.
Forte Sansão
Já o clássico paulista – São Paulo e Santos, o Sansão – tem outro viés.
O São Paulo não luta propriamente nem pelo título, nem pela vaga na Libertadores, embora esta seja possível no universo infinito dos números. Mas, sim, para readquirir parte de sua grandeza, com vistas a montar um time para a próxima temporada.
E a escolha do novo estilo tricolor pelo técnico Carpegiani, nesse sentido não poderia ser melhor, diante das circunstâncias: um jogo ofensivo, mais leve e técnico do que o habitual recente, protagonizado por um leque de garotos campeões da Taça São Paulo Jr.
Um estilo, digamos assim, mais próximo de… do… Do Santos, pronto, já disse, seu adversário deste domingo no Morumbi.
Sim, esse Santos que conseguiu o prodígio de varar tantas adversidades, depois do deslumbrante primeiro semestre – a perda de meio time, entre os negociados e os lesionados, a vai não vai de Neymar e suas atribulações em seguida, a queda do técnico Dorival Jr. etc. – e chegar nesta quadra do campeonato com chances até de disputar o título.
Neymar sossegou o pito e incrementou o desassossego nas defesas inimigas. E o Peixe vai somando vitórias expressivas sobre os mais expressivos inimigos, tipo Cruzeiro, Flu e Inter, por exemplo.
Se vai seguir nessa toada diante do Tricolor, não sei. Só sei que esse clássico se prenuncia emocionante e agradável de se ver.
Vitórias em vermelho e negro
Mais do que a exibição correta do Flamengo e a vitória expressiva por 3 a 0, o que me impressionou foi a inoperância ofensiva do Inter, que foi ao Engenhão com praticamente todas as suas estrelas – D’Alessandro, Tinga, Giuliano, Alecsandro etc.
Teve a bola nos pés, durante todo o primeiro tempo, mas não deu um chute a gol sequer. E, no segundo, idem, sem a posse de bola.
Já o Flamengo, que vai sendo moldado por Luxemburgo ao feitio de um clube grande que sempre foi, marcou bem, e contragolpeou sempre com perigo, numa jornada de redenção do atacante Deivid, autor de dois dos três gols rubro-negros: um, de pênalti contestado pelos colorados, e outro, de cabeça, em cobrança de corner. Renato fez o segundo gol de sua equipe de falta. Muitos acharam falha de Renan, mas me pareceu que a bola foi fugindo do braço do goleiro, entrando rente à trave.
Assim, o Flamengo vai saindo daquela zona de desconforto, Luxa começa a recuperar sua proverbial autoconfiança, que, às vezes, se confunde com soberba, e o rubro-negro amigo já pode descansar a cabeça no travesseiro em paz.
Quanto ao outro rubro-negro, lá do Paraná, este, meu amigo, está a mil: o Furacão, na Arena da Baixada, venceu o Goiás por 2 a 1 e segue rondando a área de classificação para a Libertadores.
A curiosidade desse jogo foi o seguindo gol do Atlético, em que restou no ar apenas a dúvida se a bola cabeceada por Gonzales passou inteira pela risca da meta, antes de ser despachada pelo beque goiano.
Pra mim, passou. Quer dizer: acho que passou. Mas, talvez não tenha passado, quem sabe?
Na Velha Albion
Grande mancada do Manchester United, que meteu 2 a 0 no West Brom, no primeiro tempo, desperdiçando mais umas quatro chances claras de ampliar, e acabou sofrendo o empate.
Pior para Sir Alex Frrguson, que manteve Rooney no banco de reservas e, no fim, teve de apelar para o cra1que da equipe, desta vez, em vão.
Já o Arsenal, naquele toque-toque proverbial, envolveu o Birmingham, e, mesmo levando o primeiro gol, num dos raros avanços do adversário, virou para 2 a 1, com direito a um gol tramado com extrema exatidão, até o toque final de Charmakh, um centroavante de toques tão refinados que muita gente interpreta como firula excessiva. Às vezes, é.
Mas, esse o traço característico desse Arsenal de Wenger, desde sempre.
O Milan e Ronaldinho
Se Mano Menezes, que ficou na Europa para ver ao vivo algumas realidades, queria Ronaldinho Gaúcho mais solto pela meia, em vez dos grilhões que o prendem há anos na ponta-esquerda, a vitória milanista por 3 a 1 sobre o Chievo não poderia ter sido mais expressivo.
Pela primeira vez, Ronaldinho atuou como verdadeiro meia, flutuando pelo meio de campo e os dois lados do ataque, com velocidade e potência, coisa rara de se ver nos últimos tempos.
De quebra, se Mano estava lá, como prometeu, viu aquele golaço de chicote de Pato, em cruzamento da esquerda de Antonini, um dos dois do jovem brasileiro, e o terceiro, de Robinho, limpando o goleiro em passe magistral de Ronadinho.
Pelo comportamento ativo e versátil de Ronaldinho Gaúcho nesse jogo, é evidente que o cara está a fim de voltar à Seleção. Nós, meros espectadores, merecemos.
Olé, Madrid!
O Barça penou para virar sobre o Valencia, por 2 a 1. Fez um mau primeiro tempo e só melhorou um pouco no segundo, o suficiente para desalojar o Valencia da liderança do campeonato, colocando, porém, no trono o Real, seu maior rival.
Já o Real deu olé no Málaga, em show particular de Cristiano Ronaldo, na goleada por 4 a 1. Aliás, fazia tempo que o craque lusitano não nos oferecia um espetáculo desses feitos de dribles, passes, assistência e gols. Deu dois para Higuain e fez os outros dois. Já era hora.