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sábado, 4 de junho de 2011 Sem categoria | 18:57

MANO E O LUGAR-COMUM

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Por Milton TrajanoO Brasil começou e terminou o jogo contra a Holanda, sob vaias da torcida no Serra Dourada, com três volantes. Quer dizer, só não terminou com três volantes porque Ramires foi expulso. E, na maior parte do tempo, foi aquele ramerrão, muito pega-pega no meio de campo e raras emoções no ataque.

Houve, apenas um breve momento em que a Seleção Brasileira quebrou o lugar-comum e criou uma série de boas oportunidades, com Robinho, Neymar etc., no início do segundo tempo, sobretudo, depois da entrada de Lucas no lugar de Elano.

Mas, logo, Mano retornou ao esquema com três volantes, ao trocar Robinho por Sandro, o que animou a Holanda  a se aventurar ao ataque.

Ao assumir a Seleção, Mano deu sinais de que não só promoveria uma reformulação de elenco, mas, principalmente, de mentalidade, mudando a forma de nosso time jogar. Mas, aos poucos, começou a refluir para o clichê convencional de nossos times e até mesmo da Seleção que disputou a Copa do Mundo na África.

Fórmula que contraria inclusive sua maneira de pensar. Ainda é tempo de Mano escapar dessa armadilha ardilosa, aquela que recomenda não correr riscos para não criar marolas. Ao contrário: as vaias do Serra Dourada refletem bem que o torcedor brasileiro já está de saco cheio com esses sistemas em que a cautela pragmática submete a aventura e a imaginação, atributos eternos de nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO
  2. O MODERNO E O ANTIGO
  3. E PODE?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 15:50

DOIS TIMES EM RECONSTRUÇÃO

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São duas seleções em fase de reconstrução. A França, que vem de trágica participação na última Copa do Mundo, e o Brasil, de melancólica atuação na mesma competição.

O Brasil não terá suas duas principais revelações dos últimos anos, dois fortes candidatos a estrelas da cia.: Neymar e Ganso. Já a França não terá o menino Nasri, que anda jogando o fino no Arsenal.

Mas, se o técnico Blanc pôde chamar todos os que ele considera os melhores, Mano restringiu a chamada aos jogadores que atuam na Europa, o que certamente enfraquece nosso time, pois vários dos que ficaram por aqui têm sido convocados por Mano desde sua ascensão ao comando do Brasil.

Fred, por exemplo, seria sério candidato a uma vaga nesse elenco.

Mas, lá estão Pato e Robinho, que vêm jogando bem pelo Milan, líder do Campeonato Italiano. Jogando bem e fazendo gols, o que é mais importante para uma dupla de atacantes.

Mas, é no meio de campo que surgem as duas novidades: Hernanes e Renato Augusto, cria do Flamengo, agora no Leverkusen.

Hernanes já merecera uma convocação por Mano, como volante. Aliás, Mano, enfatizou isso na entrevista coletiva, à época. Contudo, considerou que a saída de bola com Hernanes não tinha a mesma velocidade quando feita por Ramires ou Elias, e o ex-tricolor ficou no resguardo.

Mas, sua excelente campanha pela Lazio, onde passou a jogar mais à frente, como terceiro ou até mesmo segundo atacante, coroada de muitos gols, juntamente com a contusão de Ramires, abriu-lhe uma nova chance no time de Mano.

Já Renato Augusto, jogador de habilidade e bom passe, é quem está comandando o meio de campo do Leverkusen. Vale a experiência, claro.

Mas, a não ser que ambos cintilem no primeiro tempo, no segundo, certamente Mano recorrerá a Jadson, a grande surpresa nessa convocação, pois o treinador, que o conhece desde os juniores do Inter, quer ver se ele, com a camisa canarinho, é aquele mesmo meia insinuante e habilidoso dos breves tempos do Furacão.

De Kopa a Ribéry

A França é uma das mais antigas associadas da Fifa. Foi inscrita em 1904, mas só foi se destacar mesmo na Copa de 58, sob o comando do húngaro-romeno naturalizado francês, Raymond Kopa, extraordinário craque, que, na época formava no célebre ataque do Real Madrid: Kopa, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.

No Real, era ponta, mas na Seleção Francesa, o meia cerebral, organizador de todo o jogo de seu time, cujo epílogo sempre estava nos pés fulminantes de Just Fontaine, o artilheiro implacável da Copa de 58, com a marca inacreditável de 13 gols em 6 jogos.

Naquela competição, o time de Pelé, Didi, Garrincha e cia., cruzou com eles nas semifinais, e metemos 5 a 2. É verdade que a França sofreu pela precoce saída de Joncquet, seu volante de escol, machucado ainda no primeiro tempo (naquele tempo, não havia substituições). Foram três de Pelé, um de Vavá e aquela folha seca de quarenta metros de Didi que por muito tempo ficou perdida nos arquivos das Copas.

Kopa cedeu seu cetro a Platini, que chegou duas décadas depois para dar à França aquele toque de classe extra.

Lembro que, lá pelos findos dos anos 70, a França veio fazer um amistoso com o Brasil no Maracanã. Não havia, então, esse intercâmbio televisivo que nos permitia acompanhar de perto o futebol europeu.

Na véspera, como de hábito, fui jantar no tradicional Fiorentina, cujo dono era um jovem francês amável e divertido – o Allain. Pois, o Allain, me provocou a noite toda: “Você vai verrrr o Platini, chéri, crrrack, crrrack. Vai acabarrr com o Brrrasil.”

E não é que assim foi? O jogo acabou 2 a 2, com uma exibição primorosa do meia francês diante do time de Coutinho que acabaria invicto na Copa da Argentina, com Rivellino, Paulo César Caju, Luís Pereira e o diabo.

Nessa noite, por consolo, Allain não me cobrou o jantar, regado a um autêntico Cristal.

Na esteira de Platini, veio Zinedine Zidane, um dos mais completos jogadores que vi em ação nestes últimos sessenta anos acompanhando o vaivém da bola, seja como espectador, seja como comentarista de futebol.

Dele, não preciso falar muito, pois está ainda muito fresca na memória do brasileiro sua atuação naquela final da Copa de 98, e, depois, na nossa desclassificação em 2006.

Ah, sim, nesse inter meio, a França teve Eric Cantona, um craque com a bola nos pés, mas um estouvado na relação com os adversários, os juízes, os adversários e até a torcida. Tanto, que, certa vez, saltou o gradeado do campo para encher de porrada um torcedor lá nas cadeiras. Digamos que fosse o Edmundo deles lá.

Por fim, temos Ribéry, o mais recente ídolo francês. Um meia-atacante de perfil esquisito, franzino, hábil, mas imprevisível, tanto para o bem quanto para o mal. É capaz de jogadas estonteantes intercaladas por outras, simplesmente bisonhas. Mas, sabe jogar.

Ao contrário dele, o menino Nasri, que, como já disse, está fora desse jogo por contusão, também originário da antiga África Francesa, é um exemplo de progressão e estabilidade. A cada rodada, pelo Arsenal, joga mais, seja organizando as jogadas de ataque de seu time, ao lado de Fabregas, seja infiltrando-se na área para marcar seus gols.

Sucede que nenhum dos dois foi convocado por Blanc, a tarefa de atacar a meta defendida, novamente, por Júlio César, caberá a Benzema e Malouda, que, por sinal acaba de declarar que seu sonho era jogar na Seleção Brasileira. Sonho desfeito, claro.

*Leia mais sobre França x Brasil e futebol francês no blog do iG

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. O PRIMEIRO PASSO
  3. PAPO COM MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 9 de agosto de 2010 Seleção Brasileira | 16:04

O PRIMEIRO PASSO

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É apenas o primeiro passo, incerto ainda, vacilante, claro, como quem desembarca de uma longa e incômoda viagem num lugar novo e desconhecido. Portanto, não se pode esperar na estreia de Mano Menezes na Seleção, nesta terça, em Nova Jersey, nada mais do que a possibilidade de enxergar-se algo que ainda poderá vir a ser, mas não é por enquanto.

O grupo escolhido por Mano para este amistoso contra os EUA não é, obviamente, o definitivo. Tampouco, aquele que ele escolheria se tivesse à mão vários jogadores de nomeada em perfeita forma física (e técnica), dentre os que atuam na Europa, por exemplo. Ou mesmo daqui, que não estivessem envolvidos em disputas importantes, como o Inter em plena decisão da Libertadores.

E não é definitivo, embora o tempo possa vir a ratificá-lo como tal, porque o novo técnico já avisou, sabiamente, que o retrospecto dos craques conta, mas conta mais o momento, o que sugere maior rotatividade dos selecionados a cada nova convocação.

Aliás, tem de ser assim mesmo, sobretudo nestes quatro anos que nos separam da Copa do Mundo, período em que não disputaremos as Eliminatórias. Pois, a Copa é jogada em sete rodadas apenas e quem lá estiver com a camisa canarinho deverá estar absolutamente nos trinques. Não adianta ficar montando grupo agora para daqui quatro anos.

Sim, boa parte dos jogadores que vierem a ser convocados doravante deverá, ao cabo da filtragem feita pelo treinador, formar a base do time da Copa. Mas, até lá, quem sabe quantos Gansos e Neymares surgirão de súbito?

O mais importante, porém, na Seleção que entra em campo em Hobboken, terra de Sinatra, é que ela já dá o tom da grande virada promovida por Mano Menezes em relação ao caminho percorrido por Dunga, nos últimos anos: trata-se de um time formado por jogadores mais leves e habilidosos, com ênfase no jogo ofensivo e sem muitas amarras táticas, a não ser o indispensável para manter o equilíbrio entre defesa e ataque.

Equilíbrio conferido, principalmente, pela escolha dos homens de meio de campo, o elo entre os dois setores extremos. Lá estão quatro volantes, nenhum cabeça-de-área fixo, leão-de-chácara de zagueiro, feroz no combate e covarde no passe.

Lucas, Hernanes, Jucilei e Ramires são bons no combate pela bola, mas, quando a têm nos pés, sabem jogar. Com exceção de Hernanes, mais cadenciado no estilo, todos são velozes e gostam de sair para o jogo, o que, certamente, reduz os espaços entre defesa e ataque.

Mas, o mais significativo é que logo à frente deles, Mano reincorporou a figura do meia, fundamental para dar fluência e descortino às ações ofensivas: o destro Ederson e os canhotos Ganso e Carlos Eduardo, que pode ser empurrado para a ponta-esquerda, conforme as circunstâncias do jogo.

E, no ataque, cinco jogadores de muita movimentação, juventude e habilidade: Robinho, Neymar, André, Pato e Diego Tardelli.

Esse elenco, sem dúvida, oferece uma infinidade de variações durante uma disputa. Isso, claro, na teoria, mesmo porque se trata de um jogo apenas, em que essa turma nem teve tempo de se entrosar em campo, a não ser o quarteto santista que leva a alegre harmonia da Vila para a Seleção.

E, pior: vai pegar uma casca de ferida – os EUA que tem sido um adversário ranheta do Brasil e que já vem prontinho da Copa da África, onde, aliás, cumpriu boa campanha para as suas limitações.

Vai ser uma experiência interessante, ainda que o resultado possa até vir a ser desastroso, nunca se sabe. Mas, é apenas o primeiro passo.

Notas relacionadas:

  1. RAMIRES, UM PASSO À FRENTE
  2. GLORIOSO ADEUS
  3. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 26 de julho de 2010 Seleção Brasileira | 17:31

OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO

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A lista de convocados por Mano Menezes para a Seleção Brasileira com vistas ao amistoso contra os EUA precisa ser dividida em três critérios: 1) jogadores com idade olímpica, já visando os Jogos de Londres; 2) jogadores já mais rodados, mas com idade para chegar em plena forma à Copa de 2014; 3) jogadores cujas características permitirão ao treinador mudar a cara do time nacional, tanto quanto ao plano tático quanto ao esquemático.

Além disso, Mano explicou que há jogadores integrantes da lista da Copa da África que ficaram de resguardo, à espera de uma outra chamada, quando já tiverem exorcizado os fantasmas do fracasso e recuperado seu melhor preparo físico e técnico, depois da pré-temporada europeia.

Bem, o que nos interessa mais de perto é justamente o terceiro item, pois está sinaliza para o caminho que o novo técnico quer traçar para a Seleção. E, nesta convocação, ficou clara a preocupação de Mano em estabelecer um equilíbrio maior no meio de campo, e abrir uma perspectiva mais nítida para o ataque, brindado com maior número de escolhidos dentre todos os setores da equipe: cinco, contra três goleiros, quatro laterais, quatro zagueiros de área, quatro volantes (Sandro ou Hernanes, um dos dois, será dispensado pra disputar por seu clube as finais da Libertadores) e três meias típicos.

Já revela uma clara tendência para termos um time mais equilibrado no setor de criação e, sobretudo, mais agressivo no ataque, com a possibilidade de uma formação em três, como Mano usou no Corinthians, com Jorge Henrique, Ronaldo Fenômeno e Dentinho, por exemplo.

Talvez, a única surpresa desta convocação seja a de Ederson, meia do Lyon, pouco conhecido por aqui. Mas, as vezes em que vi esse rapaz em ação pela TV fiquei muito bem impressionado: hábil, inteligente e ousado como devem ser os autênticos meias.

Diante disso tudo, vale um exercício de imaginação para armarmos o time que eventualmente Mano tem na cabeça: Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, Rever e André Santos; Hernanes ou Sandro e Lucas ou Ramires; Ganso e Ederson ou Carlos Eduardo; Robinho e Pato. Essa formação lhe dará condições para aplicar o sistema de sua preferência – 4-3-2-1, com a flutuação natural de Robinho, às vezes meia, às vezes atacante.

De resto, é esperar pra ver como tudo isso se desenrolará em campo.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. GLORIOSO ADEUS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 7 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:51

GOLEADA COM RUGAS

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Direto de Johanesburgo – Esperei diante da TV, esperei, até que dessem as cinco badaladas da tarde de uma igreja imaginária, mas cravadas nos ponteiros dos relógios. Fico saltando de canal para canal da TV do quarto, aqui em Johanesburgo, e nada de Tanzania e Brasil.

Num dos tantos canais esportivos daqui, reprisam um Japão e Inglaterra de dias atrás; noutro, um jogo de rúgbi entre Fiji e Austrália; no terceiro, um jogo de críquete. E o Brasil, meu!

Então, me ocorre que, lá no térreo do hotel, o jornal O Globo montou uma redação, onde opera o Renato Maurício do Prado, guiado por uma caixinha mágica comprada nos EUA, que produz o milagre de captar tudo que passa na TV de sua casa, no Rio, e o transfere para o jornalista onde ele estiver no seu laptop, a um simples comando.

Que mundo pequeno, esse!

E lá está, na telinha do laptop do Renatinho, o Brasil tomando um, dois, três, quatro ataques da Tanzania, que só não se transformaram em gols porque os africanos são fracos na finalização. E, também, porque Gomes não envergonha o titular Júlio César, ainda em recuperação.

Impressiona o fato de que o Brasil, de tão eficiente defesa e meio-campo tão cioso na marcação, com todos aqueles volantes, permite essas infiltrações persistentes dos tanzanianos.

Contudo, um lançamento longo de Maicon chega a Robinho na área inimiga, que perde e recupera a bola rebatida em Kaká e abre o placar. Robinho teria dominado de início com o braço? Impossível determinar na telinha do Renato.

Mas, logo em seguida, em cruzamento de Michel Bastos, Robinho amplia de cabeça.

E, já no segundo tempo, Ramires aumenta e Kaká faz 4 a 0, de peito, em cruzamento de Maicon. Mais tarde, a Tanzânia finalmente faz seu gol, depois de várias investidas pelo lado esquerdo da defesa brasileira, muito vulnerável: em cobrança de corner, Aziz, de cabeça.

Logo depois, porém, Ramires, que havia entrado no lugar de Elano, conclui de cabeça para finalizar o placar.

Aliás, de todas as substituições promovidas por Dunga no seguindo tempo, a de Ramires foi a mais produtiva, pois conferiu ao time a velocidade na saída da defesa para o ataque que faltou ao longo do resto da partida.

Claro, ninguém deu tudo o que podia, e esse, por certo, não deverá ser o comportamento anímico de um time preparado para pelear, como gostam de dizer os meus caros gaúchos.

Dunga, porém, precisa ficar de olho nesse seu lado esquerdo da defesa, assim como no sistema de armação, que não está ainda funcionando a contento.

VOVÔ SURPRESA

Terminada a fase pré-Copa do Mundo do Brasileirão, o Ceará, vice-líder, desponta como a grande surpresa e sensação do torneio. Sob o comando do técnico PC Gusmão, o Vovô acaba de completar 500 minutos sem levar um golzinho sequer. Em contrapartida, já bateu os dois cancãs de Minas.

Outra surpresa é o Guarani de Vagner Mancini, que divide com o São Paulo ali aquele zona limítrofe à do G-4, liderada pelo Corinthians e completada por Fluminense e Santos, além do citado Ceará.

O Corinthians não tem alternativa a não ser jogar todas as suas fichas no título brasileiro para salvar o ano do Centenário do clube. Investiu muito, com os dois olhos na Libertadores, e saiu chupando o dedo. Tem elenco, camisa e técnico para chegar lá, e essa primeira fase deu-lhe um respiro para esperar a hora das grandes mudanças na janela europeia que se abre em plena disputa da Copa do Mundo.

O Flu, por seu lado, parece ter se dado bem com Muricy – e vice-versa. Se a janela lhe descortinar um panorama mais solar, então…

Quanto ao Santos, depois de uma pequena turbulência, parece estar retomando seu caminho em direção ao gol, que é o que interessa, no fim das contas. Meteu 4 a 0 no Vasco, e nem precisou de Neymar para tanto.

O Vasco, este sim, é que precisa abrir os olhos, pois já começa a cortejar a lanterna. Mas, Roth tem bagagem para dar um jeito ali, nem que seja para sair do sufoco e passar a frequentar uma zona mais confortável na tabela.

O que me causa perplexidade mesmo é esse Inter, de tão bom elenco, que não embala. Ao contrário, está ali numa posição que, por qualquer vacilo, o leva à zona do descenso. Tá mais do que na hora de contratar um bom treinador e aproveitar essa pré-temporada fora de hora para aprumar esse time.

De resto, é saber-se que, depois do Mundial, o mundo inteiro será outro, inclusive o Brasileirão.

O VÔO DO GANSO

Ganso não voa, dirá o amigo incrédulo. Voa, sim. Esse Ganso de quem falo, pelo visto, vai voar mais cedo do que se esperava. Ou, pelo menos, do que me disseram ele, seu pai e o presidente do Santos, que trabalhavam com a ideia de Ganso e Neymar permanecerem na Vila por mais dois anos.

Mas, a grana fala mais alto, claro. E já se fala na possível ida de Ganso para o Real, aliás, preferência do craque diante de outros convites do futebol inglês – os dois Manchester e o Chelsea.

O Real é uma potência, em todos os sentidos. Mas, é um clube tão complicadinho…

Do ponto de vista técnico-tático, Ganso cairia como uma luva naquele time, ao lado de Kaká e um pouco atrás de Cristiano Ronaldo e Higuain. O organizador que falta, desde que o Real desprezou o holandês Schnejder, recém-campeão italiano e europeu, pela Inter.

Nesse aspecto, porém, o Manchester United me parece mais sugestivo, desde que Scholes está em vias de pendurar as chuteiras, e não há no elenco um meia-armador do escol de Ganso para dar início à nova fase dos Diabos Vermelhos.

Notas relacionadas:

  1. O ESPÍRITO DE MAICON
  2. COERÊNCIA, SENSIBILIDADE E…ROBERTO CARLOS
  3. E SE KAKÁ MIAR?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 18 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 13:41

RAMIRES, UM PASSO À FRENTE

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Futebol é conjunto, o amigo sabe muito bem. Mas, à vezes, bastam uma ou duas substituições e o caos ganha ordem e sentido.

Foi mais ou menos isso o que aconteceu com a Seleção Brasileira, na categórica vitória sobre os EUA, na Copa das Confederações: a entrada de Ramires, no lugar de Elano, como se esperava, dinamizou nosso meio de campo e o ataque, botou no jogo Maicon, que fez excelente partida, e o resultado aí está: 3 a 0, gols de Felipe Mello, Robinho e Maicon. Em todos os três, Ramires esteve na origem das jogadas fatais.

Isso, sem falar em tantas outras trocas rápidas de bola com Kaká, Robinho, Luís Fabiano, Maicon etc, pois Ramires é um desses raros ungidos com o dom da ubiquidade: ora está aqui atrás, cobrindo Maicon e no átimo seguinte, lá na frente, espetando a defesa adversária. Tem excelente técnica, é hábil, leve e versátil. E todos esses atributos transfiguram qualquer time de futebol, sobretudo nossa Seleção, tão previsível no setor de meio de campo, mas que possui um grande poder de fogo à frente, com Kaká, Robinho e Luís Fabiano.

E, com seus avanços velozes e constantes, tira um jogador adversário do setor de armação, limpando a área para até Gilberto Silva sentir-se mais solto e produtivo.

Do outro lado, tivemos a presença de André Santos, jogando como se a camisa canarinho fosse uma pluma. Marca muito melhor do que  a maioria dos laterais-esquerdos que se revezaram até agora por ali. E avança sem medo, mas com as devidas precauções, reanimando Robinho, que vinha mal, também, por falta de apoio no setor.

Quer dizer, então, que está tudo resolvido no universo Dunga? Nada disso, há muito ainda que percorrer até chegarmos lá. Mas, já foi um passo adiante na formação ideal do nosso time. Se vamos levantar a taça, isso é outro departamento. Mas, que melhoramos bem em relação à estreia, ah, disso não resta a menor dúvida.

Notas relacionadas:

  1. A SELEÇÃO DE MURICY
  2. PRA FRENTE, DUNGA!
  3. ENFIM, NILMAR E RAMIRES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 21 de maio de 2009 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 16:01

ENFIM, NILMAR E RAMIRES

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Milton trajano

Pois, é, amigo, enfim, Dunga decidiu convocar Nilmar e Ramires, dois consensos nacionais. E acrescentou o nome de André Santos, talvez o lateral-esquerdo brasileiro que melhor sabe equilibrar a função de defender e a de atacar.

Mas, pelo feitio do grupo convocado, nenhum deles deve ter grandes chances no time titular, a não ser que, tendo uma chance nos amitosos que se seguirão às Eliminatórias, a agarrem com unhas e dentes.

O diabo é que continuamos com um time sem meias, com exceção de Kaká, um meia-ofensivo. Isso, porque Dunga insiste em considerar Elano, Júlio Baptista e Ramires como jogadores dessa posição. Não são.

Segue sendo muita força  e pouco talento, no setor onde se exige, sobretudo, talento.

Apesar disso, poderemos ter um time competitivo, capaz de garantir a classificação nas Eliminatórias, contra Uruguai e Paraguai, e até mesmo brigar pelo título da Copa das Confederações, por que não?

Espiando a lista dos convocados, apenas Anderson, transformado em volante no Manchester, pode cumprir parte dessas tarefas, se jogar um tanto avançado, pela meia-esquerda.

Faltou, pois, Ronaldinho Gaúcho. Faltou?

Na verdade, quem está faltando com o futebol é o próprio Ronaldinho, que, no Milan, entra em campo, toca bolas de um metro e não revela a menor intenção de recuperar aquele jogo mágico, envolvente, criativo e decisivo com que nos encantou ao longo de sua brilhante carreira.

Por outro lado, gremistas, colorados , corintianos e cruzeirenses devem estar chiando porque Dunga desfalcou seus times, em plena decisão da Copa do Brasil e da Libertadores, de jogadores-chaves, como Victor, Nilmar, André Santos e Ramires, jogadores que os próprios torcedores desses clubes clamam por uma convocação

Tudo bem. Mas, sucede que é preciso ver também o lado do jogador e da própria Seleção. Se o cara não for convocado agora, momento mais crítico das Eliminatórias e às vésperas da Copa das Confederações, corre sério riscos de não chegar à Copa, meta principal de qualquer profissional desse ofício.

Além do mais, a Seleção precisa contar com seus melhores valores. E esses são alguns deles.

Se o técnico Dunga ficar esperando uma brecha nos torneios disputados pelos melhores times brasileiros para só então convocar seus jogadores, nunca o fará, pois aqui há competições sem parar o ano todo.

CAIPIRINHA DE VODKA

Eis um título que os ucranianos deveriam dividir com os brasileiros. Afinal, eram cinco patrícios – meio time – em campo, quando o Shakhtar Donetsk levantou a taça da Uefa, em Istambul, ao bater o Werder Bremen, por 2 a 1, na prorrogação: Willian (ex-Corinthians), Fernandinho (revelado pelo Atlético-PR), Luiz Adriano (Inter), Ilsinho (Palmeiras-São Paulo) e Jadson (outro ex-Atlético-PR).

Ah, sim, e todos os três gols da partida foram marcados por brasileiros: Luiz Adriano, eleito o melhor em campo, e Jadson, para o Shakhtar, e o becão Naldo, de falta (frango do goleiro), para os alemães. Ah, se os clubes brasileiros – com as exceções de praxe – não fossem tão mal administrados…

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. PRA FRENTE, DUNGA!
  3. VOLANTE VOLA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 11 de novembro de 2008 Seleção Brasileira | 14:25

A SELEÇÃO DE MURICY

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O amigo viu o Bem, Amigos desta segunda? Não? Pois perdeu mais um show de Muricy, que, segundo informações colhidas e divulgadas pelo companheiro Renato Maurício do Prado, está com um pé na vaga de Dunga na Seleção, a ser aberta antes do fim do ano.

Muricy apenas ouviu e nada comentou a respeito, a não ser que não foi procurado por ninguém da CBF e que o técnico, para ele, é Dunga.

Mas, não se esquivou de escalar outra seleção, a do Brasileirão, com um ressalva: para efeitos óbvios, excluiu qualquer jogador de seu time, o líder São Paulo.

E, para surpresa de quem não conhece seu pensamento, formou o time com dois e não três zagueiros. Lá vai, nega: Bruno; Vítor, Índio, Thiago Silva e Juan; Rafael Carioca, Ramires, Alex e Wagner; Guilherme e Kleber Pereira.

Portanto, três do Cruzeiro, dois do Inter, dois do Flamengo e um de Goiás, Flu, Grêmio e Santos.

Mas, o que você não veria nem ouviria, mesmo se estivesse ligado na tv, é como seria a Seleção Brasileira, neste exato momento, sob eventual comando de Muricy, inferência do colunista de tantos papos com o treinador: Júlio César; Maicon, Lúcio, Miranda e Juan; Hernanes, Ramires, Kaká e Alex (Inter); Robinho e Luís Fabiano.

Ué, e Ronaldinho Gaúcho? Só se estiver fisicamente tinindo. Então, entraria no lugar de Alex. Por enquanto, não.  Entre outras coisas, porque o futebol de Alex enche os olhos de Muricy.

O amigo deve estar, nestas alturas, intrigado com a presença de Maicon na lateral-direita. Muricy explica: se vai jogar com dois volantes leves e de baixa estatura, como Hernanes e Ramires, por exemplo, precisa de um lateral mais taludo e contido na defesa. Ainda mais com Juan, driblador e ofensivo pela própria natureza, atacando pela esquerda.

E, na ausência eventual de Juan, não me surpreenderia se ele escalasse Maxwell, que está jogando muito bem na Inter de Milão.

Bem, esse é Muricy, um cara com os pés no chão e os olhos conferindo tudo que rola pelos campos do mundo. Olhos que constatam um fato incontestável: a tendência atual, o moderno, nas zonas mais avançadas do planeta é um futebol ofensivo, aberto pelas pontas e fundado em dois pilares básciso: velocidade e talento.

Hernanes e Muricy Ramalho
Hernanes e Muricy Ramalho: meio-campista torce para convidarem o “professor”

Notas relacionadas:

  1. NÃO DÁ PRA ENTENDER
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