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quarta-feira, 9 de março de 2011 Futebol internacional | 19:38

O MELHOR DO MUNDO?

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Perguntam-me se o Barça, que bateu o Arsenal por 3 a 1 na Liga dos Campeões, pode ser considerado o melhor do mundo de todos os tempos. Exagero. Mas, certamente, está entre os grandes da história. Não, talvez no nível de um Santos de Pelé ou um Real de Di Stefano, dois gênios incomparáveis do futebol.

Mas, muito perto, com Messi, esse extraordinário jogador que pode, ao encerrar sua carreira apresentar um  currículo comparável ao dos seus antecessores mitológicos.

Diria que esse Barcelona atual se equipara ou supera alguns dos grandes times que vi em ação ao longo das últimas seis décadas: o Ajax dos gêmeos De Boers, Kanu e Obermars, dos anos 90; do Milan dos holandeses Reyjkaard e Van Basteen, nos 80, mesma época em que tivemos o Fla de Zico; do Bayern de Munique, de Beckenbauer, Overath, Muller e Sepp Mayer, nos 70; do Benfica de Eusébio e Coluna, nos 60; do Honved, de Puskas e Kocsis, dos 50, e aqui vou parando, pois minha memória só estende até aí. O resto é literatura e histórias contadas pelos mais antigos.

Quer dizer: esse time atual do Braça, formado, na verdade há cinco anos, e esmerilhado quase à perfeição por Guardiola, é, sem dúvida, uma dos maiores times da história do futebol.

Se vai ser campeão da Espanha, da Europa, do Mundo, isso é outra história.

Milan, fora

E o Milan caiu fora ao empatar por 0 a 0 com o Tottenham, tradicional time inglês em fase de renascimento, num jogo interessante, em que os britânicos dominaram o jogo no início dos dois tempos, e o Milan não conseguiu marcar, apesar de seu trio de ataque – Robinho, Pato e Ibra – ter tentado ao infinito.

Mas, o Milan esbarrou na irreprimível exibição dos brasileiros Sandro e Gomes, e o resultado foi esse, enfim.

Brasileiros por brasileiros, na véspera, o Shaktar atingiu o auge de sua história, ao chegar às quartas de final da Liga dos Campeões, com uma legião de caboclinhos de primeira linha – William, ex-Corinthians; Jadson, ex-Furacão; Luís Adriano, ex-Inter; Douglas Costa, ex-Grêmio; Alex Teixeira e Eduardo Silva, ex-Arsenal, naturalizado croata. Sem falar em Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, meio brasileiro, meio boliviano.

William fez um golaço e Eduardo Silva encerrou o placar sobre a Roma, que não deu sinais de reação o jogo todo.

Curioso foi ver um time da Ucrânia, cheio de brasileiros, jogar o tempo todo, lá e cá, com uma formação tão ofensiva.

Por fim, o Schalke virou sobre o Valência, por 2 a 1, e conseguiu sua vaga para seguri adiante na Liga dos Campeões. Não é um time que encanta, mas joga certo pelo resultado.

Notas relacionadas:

  1. VOLTA AO MUNDO
  2. KAKÁ E O DUCE
  3. BARÇA, O MELHOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 15:50

DOIS TIMES EM RECONSTRUÇÃO

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São duas seleções em fase de reconstrução. A França, que vem de trágica participação na última Copa do Mundo, e o Brasil, de melancólica atuação na mesma competição.

O Brasil não terá suas duas principais revelações dos últimos anos, dois fortes candidatos a estrelas da cia.: Neymar e Ganso. Já a França não terá o menino Nasri, que anda jogando o fino no Arsenal.

Mas, se o técnico Blanc pôde chamar todos os que ele considera os melhores, Mano restringiu a chamada aos jogadores que atuam na Europa, o que certamente enfraquece nosso time, pois vários dos que ficaram por aqui têm sido convocados por Mano desde sua ascensão ao comando do Brasil.

Fred, por exemplo, seria sério candidato a uma vaga nesse elenco.

Mas, lá estão Pato e Robinho, que vêm jogando bem pelo Milan, líder do Campeonato Italiano. Jogando bem e fazendo gols, o que é mais importante para uma dupla de atacantes.

Mas, é no meio de campo que surgem as duas novidades: Hernanes e Renato Augusto, cria do Flamengo, agora no Leverkusen.

Hernanes já merecera uma convocação por Mano, como volante. Aliás, Mano, enfatizou isso na entrevista coletiva, à época. Contudo, considerou que a saída de bola com Hernanes não tinha a mesma velocidade quando feita por Ramires ou Elias, e o ex-tricolor ficou no resguardo.

Mas, sua excelente campanha pela Lazio, onde passou a jogar mais à frente, como terceiro ou até mesmo segundo atacante, coroada de muitos gols, juntamente com a contusão de Ramires, abriu-lhe uma nova chance no time de Mano.

Já Renato Augusto, jogador de habilidade e bom passe, é quem está comandando o meio de campo do Leverkusen. Vale a experiência, claro.

Mas, a não ser que ambos cintilem no primeiro tempo, no segundo, certamente Mano recorrerá a Jadson, a grande surpresa nessa convocação, pois o treinador, que o conhece desde os juniores do Inter, quer ver se ele, com a camisa canarinho, é aquele mesmo meia insinuante e habilidoso dos breves tempos do Furacão.

De Kopa a Ribéry

A França é uma das mais antigas associadas da Fifa. Foi inscrita em 1904, mas só foi se destacar mesmo na Copa de 58, sob o comando do húngaro-romeno naturalizado francês, Raymond Kopa, extraordinário craque, que, na época formava no célebre ataque do Real Madrid: Kopa, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.

No Real, era ponta, mas na Seleção Francesa, o meia cerebral, organizador de todo o jogo de seu time, cujo epílogo sempre estava nos pés fulminantes de Just Fontaine, o artilheiro implacável da Copa de 58, com a marca inacreditável de 13 gols em 6 jogos.

Naquela competição, o time de Pelé, Didi, Garrincha e cia., cruzou com eles nas semifinais, e metemos 5 a 2. É verdade que a França sofreu pela precoce saída de Joncquet, seu volante de escol, machucado ainda no primeiro tempo (naquele tempo, não havia substituições). Foram três de Pelé, um de Vavá e aquela folha seca de quarenta metros de Didi que por muito tempo ficou perdida nos arquivos das Copas.

Kopa cedeu seu cetro a Platini, que chegou duas décadas depois para dar à França aquele toque de classe extra.

Lembro que, lá pelos findos dos anos 70, a França veio fazer um amistoso com o Brasil no Maracanã. Não havia, então, esse intercâmbio televisivo que nos permitia acompanhar de perto o futebol europeu.

Na véspera, como de hábito, fui jantar no tradicional Fiorentina, cujo dono era um jovem francês amável e divertido – o Allain. Pois, o Allain, me provocou a noite toda: “Você vai verrrr o Platini, chéri, crrrack, crrrack. Vai acabarrr com o Brrrasil.”

E não é que assim foi? O jogo acabou 2 a 2, com uma exibição primorosa do meia francês diante do time de Coutinho que acabaria invicto na Copa da Argentina, com Rivellino, Paulo César Caju, Luís Pereira e o diabo.

Nessa noite, por consolo, Allain não me cobrou o jantar, regado a um autêntico Cristal.

Na esteira de Platini, veio Zinedine Zidane, um dos mais completos jogadores que vi em ação nestes últimos sessenta anos acompanhando o vaivém da bola, seja como espectador, seja como comentarista de futebol.

Dele, não preciso falar muito, pois está ainda muito fresca na memória do brasileiro sua atuação naquela final da Copa de 98, e, depois, na nossa desclassificação em 2006.

Ah, sim, nesse inter meio, a França teve Eric Cantona, um craque com a bola nos pés, mas um estouvado na relação com os adversários, os juízes, os adversários e até a torcida. Tanto, que, certa vez, saltou o gradeado do campo para encher de porrada um torcedor lá nas cadeiras. Digamos que fosse o Edmundo deles lá.

Por fim, temos Ribéry, o mais recente ídolo francês. Um meia-atacante de perfil esquisito, franzino, hábil, mas imprevisível, tanto para o bem quanto para o mal. É capaz de jogadas estonteantes intercaladas por outras, simplesmente bisonhas. Mas, sabe jogar.

Ao contrário dele, o menino Nasri, que, como já disse, está fora desse jogo por contusão, também originário da antiga África Francesa, é um exemplo de progressão e estabilidade. A cada rodada, pelo Arsenal, joga mais, seja organizando as jogadas de ataque de seu time, ao lado de Fabregas, seja infiltrando-se na área para marcar seus gols.

Sucede que nenhum dos dois foi convocado por Blanc, a tarefa de atacar a meta defendida, novamente, por Júlio César, caberá a Benzema e Malouda, que, por sinal acaba de declarar que seu sonho era jogar na Seleção Brasileira. Sonho desfeito, claro.

*Leia mais sobre França x Brasil e futebol francês no blog do iG

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. O PRIMEIRO PASSO
  3. PAPO COM MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 23 de outubro de 2010 Ex-jogadores | 16:21

PELÉ, 70

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O mistério começa com o apelido, que lembra muito o de outro gênio da raça, separados por uma ou duas gerações: Alfredo da Rocha Viana Filho, cujo apelido de Pixinguinha nem ele, nem seus contemporâneos, souberam traduzir. Tanto podia ter sido um desdobramento de Pizinguim, no dialeto ierobá, menino bonzinho, com que lhe brindava sua avó; ou, Bexiguinha, por causa Bexiga, nome popular da varíola no início do século XX, doença que ele teria contraído na infância.

Dizem, pois, que Pelé vem de Bilé, também um chamamento de algum dialeto africano que sobrou na memória da avó do menino Edson, mais conhecido como Dico. Outros, que o apelido veio de um grito de celebração incompreensível do menino-craque, sempre que fazia um gol nas peladas de Bauru.

O certo é que nunca houve antes, no futebol mundial, um Pelé, apelido que sobreviveu ao Dico familiar e ao Gasolina, em comparação ao sambista da TV Tupi de grande sucesso na época, como o batizou Zico em sua chegada à Vila, aos 15 anos de idade, levado pelas mãos sábias de Waldemar de Brito, um dos maiores craques das décadas de 30 e 40 do futebol brasileiro.

E, embora Pelé tenha se multiplicado por esse mundo afora, depois de seu advento, nunca houve outro como ele, depois.

Pra começo de conversa, era um fenômeno da natureza. Mesmo quando no começo de carreira no Santos, aos 15, 16 anos de idade, quando tinha o porte físico de um Robinho ou Neymar (Pelé não tem 1m70 de altura, só para se ter uma ideia), transmitia ao espectador a sensação de que estava diante de um gigante.

Nunca foi chamado de neguinho, sempre de Negão. Era um fenômeno semelhante ao de Carmen Miranda e Elis Regina, que, pequeninas, quando assumiam a cena, cresciam aos olhos do espectador como verdadeiros mitos.

Toda essa sensação se produzia pelo simples fato de que Pelé, desde menino, tinha um arranque singular em que a velocidade, em vez de se reduzir com o espaço vencido, aumentava em progressão. Sua capacidade de saltar a partir da inércia, sem impulso, era simplesmente prodigiosa. O bicho, parado, subia mais do que o goleiro em ação e com as mãos.

Sua visão periférica alcançava limites inimagináveis segundo os testes feitos por especialistas antes da Copa de 58, o que lhe acrescentou um terceiro olho, na nuca, como se costumava dizer na época.

Era como se Pelé “visse” o adversário chegando por trás, o que lhe permitia manobras inconcebíveis com a bola para dele se livrar.

Tecnicamente, chegou à perfeição, por talento natural e exercício, pois sempre buscou se aprimorar, mesmo aclamado Rei do Futebol, campeão de tudo que disputou várias vezes e tal e cousa e lousa e maripousa.

Lembro que num breve tempo em que trabalhei na Tribuna de Imprensa, na área da geral, em todo fim de tarde, aboletava-me nas arquibancadas da Vila só para assistir o destro Pelé treinando bater falta com o pé esquerdo.

Seu repertório continha todos os números que os maiores craques da história do futebol, que ele próprio reinventou com um toque pessoal – passes, dribles, lançamentos, arrancadas com a bola colada aos pés, tabelinhas, cabeçadas, cobranças de falta, chapéus, lençóis e tudo o mais que o amigo imaginar. E, mais, sua marca pessoal: a tabela com a perna de apoio do adversário.

Mas, o mais significativo era que Pelé fazia tudo aquilo várias vezes num jogo e jogo após jogo, durante quase vinte anos de carreira.

Compará-lo a qualquer outro gênio do futebol é mera ignorância.

Notas relacionadas:

  1. A PARADINHA
  2. O GOL DE NILMAR E PAGÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 27 de setembro de 2010 Clubes brasileiros | 16:28

VASCO, SANTOS E… PELÉ

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O Vasco, até outro dia, celebrava a longa série invicta de seu técnico PC Gusmão e esfregava as mãos na expectativa de que os novos contratados – Felipe, Eder Luís etc. – se unissem a Carlos Alberto para lhe dar aquele salto de qualidade para pensar mais em voos mais altos do que os habituais nos últimos tempos.

Com a derrota para o Guarani, o cruzmaltino inverteu a equação: há seis jogos seu time não consegue vencer, pô! E o que, antes, parecia uma ascensão rápida do Almirante, transformou-se num longo marca-passo.

O fato é que os novos contratados, com exceção de Eder Luís, não responderam ainda às expectativas e Carlos Alberto segue nessa intermitência: joga uma, fica duas de fora.

E PC Gusmão já começa a dar sinais de irritação, pois sabe muito bem como são as coisas no futebol. Se não avançar na tabela, acaba caindo pelas tabelas.

Bem, nesta terça, o Vasco tem a chance de se reabilitar em São Januário, onde recebe um Santos que vem de vitória esplêndida sobre o fortíssimo Cruzeiro, mas que ainda não pegou de fato no breu.

E esse embate me fez lembrar uma curiosidade. Sabia o amigo que, num certo ponto da gloriosa história desses dois clubes, Vasco e Santos se uniram num só para disputar sei lá que torneio por aqui?

Foi lá por 1956, quando os titulares de Vasco e Santos, separados, excursionavam pelo exterior. Aqui, juntaram-se os reservas dos dois, para o tal torneio. Num jogo, vestiam a camisa do Vasco; no outro, a do Santos.

E dessa união veio à luz o menino que Pelé, juvenil do Santos, que, aos 15 anos, vestiu pela primeira vez como profissional a camisa do Vasco.

Fla, em crise

O outro jogo desta terça-feira será entre Goiás, que vem de contundente vitória sobre o São Paulo, e o Flamengo, que ainda não cicatrizou as feridas da derrota por 3 a 1 para o Palmeiras, em casa.

Feridas cutucadas pelos torcedores que foram à Gávea, antes de o time embarcar para Goiás, pedir garra, vergonha cara, essas coisas cobradas sem muita imaginação pelo torcedor de qualquer time brasileiro.

O problema do Rubro-Negro não é eventual falta de vontade dos jogadores. É falta de talento mesmo, fruto da desorganização administrativa do clube, que não se preparou devidamente para esta temporada, desde as saídas de Vagner Love e Adriano. Além da queda de potencial de Petkovic, que foi o cérebro da equipe na conquista do Brasileirão passado.

Diogo e Deivid, principalmente este, ainda não conseguiram atingir seu estágio físico e técnico ideal para responder em campo às necessidades da equipe. E, mesmo que o tivessem atingido, iriam carecer, como carecem, de um organizador de jogo mais lúcido e preciso dos que lá estão substituindo Pet.

Luxa e Dorival

Luxemburgo acabou sendo mesmo demitido do Atlético Mineiro. Sua permanência á frente do Galo passou a se transformar num drama com tendência a virar tragédia. Afinal, o Atlético deu-lhe tudo o que queria, e o resultado não poderia ser mais pífio e humilhante, com o Galo ciscando no terreiro dos rebaixados, praticamente ao longo de todo o campeonato.

Naa saída, Luxa falou na necessidade de reciclar-se, seja lá o que isso quer dizer. Talvez, se refira ao fato de voltar a centrar sua vida no ofício exclusivo de treinador de futebol, terreno onde poucos o superam. Em seguida, esquecer desse negócio de projeto. Infelizmente, no futebol brasileiro, qualquer projeto, por mais brilhante que seja, vai para a lata do lixo no primeiro tropeço.

Dorival Jr., que diziam já estar a caminho do Morumbi, acabou mesmo no terreiro do Galo, desarmando, assim, a teoria da conspiração sobre sua saída do Santos, na qual quase embarquei, confesso e já me penitencio. Pelas circunstâncias, pelo jeito, terá de abandonar a linha adotada na Vila, de um futebol bonito e ofensivo, para tentar infundir o velho estilo guerreiro do Galo para sair dessa muvuca.

Robinho e Wesley

Falando em Santos, Robinho fez sua primeira partida, de início ao fim, no Milan. Durante a maior parte da vitória, ajudou muito, mas com discrição, sua equipe, para, nos minutos finais, crescer em dinâmica e criatividade. Driblou, botou os companheiros na cara do gol e quase fez o seu.

Mas, quem esmerilhou mesmo foi Wesley, com a camisa 5 do Werder Bremen, na vitória emocionante sobre o Hamburgo, por 3 a 2. O rapaz multiplicou-se em campo e criou a jogada que resultou no gol da vitória de seu time, entre outras coisas.

Notas relacionadas:

  1. SÃO PAULO, CRUZEIRO E SANTOS
  2. DRAMA E GLÓRIA DO SANTOS
  3. SANTOS FUTEBOL (VERDADEIRO) CLUBE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 25 de março de 2010 Futebol internacional | 15:54

O SIGNIFICADO DE MESSI

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É verdade: Messi esteve opaco na vitória do Barça sobre o Osasuna por 2 a 0, na quarta-feira. Mas, vem brilhando há muito tempo. Quer dizer: matou a pau na temporada passada, quando recebeu o título de melhor do mundo, e teve um declínio no último semestre para voltar com tudo neste início de temporada. Que o digam os onze gols em cinco jogos que precederam este contra o Osasuna.

Não só isso, a inventiva do garoto, seu domínio de bola perfeito, os passes, os dribles, a antevisão da jogada, tudo, enfim, que fazem de Messi um craque tão excepcional que se insere naquele seleto clube dos que confundem pelada com jogo de campeonato. Ou seja: brinca, jogando sério, pois não é do tipo cai-cai, não-me-toques, que desperdiçam mais energia carregando o peso da máscara do que jogando bola.

Matéria de Paulo Passos no iG nos informa que o currículo de conquistas de Messi, aos 22 anos de idade, só perde para o de Pelé na mesma idade. Pelé não vale, claro. Como sempre diz Pepe, ele é o maior artilheiro da história do Santos, pois o Pelé de mais de mil gols é de outro planeta. Ganha de todos os outros mitos, como Maradona, Cruyff, Platini, até Zidane, entre outros.

Não sei nada de números, mas se compararmos com Maradona, seu ilustre compatriota, veremos que, tecnicamente se equivalem. Para o técnico do Barça, Guardiola, Messi é mais completo. Atua com a mesma desenvoltura, em várias zonas do campo, ao contrário de Maradona, que, como Zico, tinha território definido – ali pelo meio, da intermediária adversária á área inimiga.

Ah, mas Messi não costuma ter esse magnífico desempenho do Barça na Seleção Argentina, enquanto Maradona deu um Mundial para sua gente. Certo. Sucede que Messi não tem na Seleção a mesma assessoria em campo que tem no Barça e que tinha Maradona no seu tempo.

Falta-lhe um título mundial de seleções, é verdade. Título, aliás, que poderá definir o eleito para Melhor do Mundo pela Fifa deste ano. E, na sua cola estão dois extraordinários craques: o inglês Wayne Rooney e o holandês Arjien Robben, este com um perfil mais semelhante ao seu – canhoto, driblador e definidor, que gosta de explorar o flanco direito, como Messi.

Mas, a diferença maior entre Maradona e Messi me parece ser a da imagem. Maradona é e foi a tradução mais exata da alma argentina: ao mesmo tempo em que pícaro, na sua gestão com a bola, trágico, na sua vida. Personagem de tango acabado, refilado até as últimas estâncias.

Já Messi, embora argentino de nascimento, talvez por temperamento, talvez por ter ido para Barcelona ainda púbere, é mais catalão – divertido, livre de quaisquer complexos de inferioridade ou complexidade. Apenas um menino saudável, sorridente, que vai fazendo gols atrás de gols, assistências atrás de assistências. Não um imigrante de origem italiana, como Messi, pobre, criado na zona mais brava de Buenos Aires, tendo o futebol como única alternativa para trocar a miséria pela fortuna.

Se traduzirmos ambos para a música, Maradona é Gardel; Messi, Maria del Mar Bonnet.

PS: Para os mais jovens, Carlos Gardel é o maior cantor de tangos da história. Maria del Mar Bonnet, a maior intérprete do sentimento catalão. Pelo menos, que eu tenha ouvido até hoje.

Notas relacionadas:

  1. KUBALA, MARADONA E RONALDINHO
  2. BECKHAM, MESSI E ROBBEN
  3. ENCONTRO EM MARSELHA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 Clubes brasileiros | 16:07

FESTA PARA ROBINHO

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Robinho foi recepcionado na Vila por cerca de 12 mil peixeiros eufóricos. E não é pra menos. Afinal, desde que ele e Diego partiram, o Santos deixou de ser protagonista na cena do futebol brasileiro.

Se falhou na sua aventura europeia, se andou mal nas suas últimas apresentações na Seleção Brasileira e tal e cousa e lousa e maripousa, para o torcedor do Santos, isso é irrelevante: trata-se de um ídolo, um dos principais jogadores da gloriosa história santista, quer queiram ou não seus detratores.

E olhe que o Santos foi pródigo em craques de todos os estilos e funções, sobretudo naquele período mágico de 55 a 75, por baixo, sem contar o time de 78 de Pita e cia. bela., os chamados Meninos da Vila.

Pois, Robinho chega para juntar-se a uma nova geração de meninos da Vila que anda encantando mídia e torcida neste início de temporada. Aos meninos Neymar, Ganso, Wesley, Zé Eduardo, André, todos seus fãs, e também, ao seu ídolo Giovanni, já veterano, que lá está para servir quando isso convier ao técnico.

E chega com ganas de provar ao mundo que seu lugar na Copa será garantido não por eventual gratidão do técnico Dunga por tudo que ele fez de bom, mas, principalmente, pelo que poderá fazer.

Se tiver juízo e empenho, seu futebol moleque se fundirá naturalmente à alegre e sincronizada ciranda dos garotos que já lá estão. E o resultado disso nem quero imaginar.

GRENAL

Para os torcedores gaúchos, trata-se de um campeonato à parte. Mas, pra soma dos resultados ao longo de um campeonato, o Grenal é apenas mais um clássico brasileiro, cujo resultado tem, claro, seus desdobramentos sobre o emocional dos times e das respectivas galeras, mas não o suficiente para estigmatizar este ou aquele definitivamente. Entre outras coisas, porque sempre há a volta.

No último, o Inter levou a vantagem de 1 a 0, gol de Alecsandro. Mas, pelo que vi, li e ouvi, o jogo foi equilibrado, com pequena predominância do Inter no segundo tempo.

Em clássicos como esse, isso é perfeitamente natural. Sobretudo, quando se sabe que, embora Inter e Grêmio estejam de treinadores novos, o Colorado já vem com um entrosamento herdado da temporada passada, quando fez boa figura no Brasileirão.

Ao contrário do Grêmio, que remodelou quase toda a sua equipe, e ainda busca sua melhor formação e mais adequada maneira de jogar.

Portanto, nem tanta euforia por parte do vencedor, nem tamanha depressão, por parte do derrotado.

Notas relacionadas:

  1. LÉO E O PEIXE
  2. INTER E GALO JOGAM O FUTURO
  3. ESSES MENINOS…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 Clubes brasileiros | 17:18

SR. CENTENÁRIO (1)

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Nesta quarta-feira, o novo Corinthians entra em campo, num jogo amistoso contra o Huracán.  Mais uma festa, na verdade, do que jogo pra valer.

Muito provavelmente, sem Ronaldo Fenômeno, que continua sendo a grande diferença desse time campeão paulista e da Copa do Brasil do ano passado. Mas, certamente com Roberto Carlos, Tcheco, sei lá quantos mais da última leva de contratações do Timão.

Mas, a figura central será a do Sr. Centenário – Marcelinho Carioca -, o maior ídolo da Fiel, por baixo, nas duas últimas décadas, que se despedirá oficialmente dos campos para se transformar no embaixador do Timão, durante os festejos do centenário do clube fundado em 1910, sob um bucólico lampião à gás na rua dos Italianos, bairro do Bom Retiro, que, antes de ser tomado pelos coreanos, era berço dos judeus, depois de ter sido um dos portos dos italianos, que para cá vieram desde os finais do século 19, e que se concentraram ali, próximo da Estação da Luz; no Bexiga, à beira do rio Saracura, e no Brás e adjacências: Belém, Belenzinho, Mooca, Quarta Parada, Pari, Cambuci, Tatuapé…

Ah, o Tatuapé… Este logo foi invadido pelos espanhóis, que ali plantaram seus depósitos de ferro-velho e, como um ímã, colaram-se ao timão do escudo alvinegro. Sobretudo, depois de o advento do Palestra Itália (hoje, Palmeiras), cujo nome não deixa nenhuma dúvida, quatro anos depois.

O Corinthians, então, passou a ser o time dos espanhóis, enquanto o Palestra arrastava a imensa colônia italiana para suas hostes, e o Paulistano, de cujas cinzas nasceu o São Paulo, preservava seu carisma junto aos brasileiros da província.

Toda essa geografia da cidade e da alma paulistanas  sofreu profundas mudanças ao longo das últimas décadas. E eis hoje esse Corinthians multirracial, cosmopolita, como, aliás, os demais grandes de São Paulo.

No decorrer desses cem anos de vida, muitos foram os ídolos imorredouros dessa jornada sem fim. O primeiro deles, sem dúvida, Neco, meia-direita ao mesmo tempo raçudo e altamente técnico, segundo os relatos de sua época – as duas primeiras décadas do século 20, campeão, ao lado de Fried, do Paulistano, e Heitor, do Palestra, do Sul-Americano de 1919, primeiro título internacional da história da Seleção Brasileira.

E que dizer do trio final (era assim que se denominava a formação básica da defesa – goleiro e os dois beques) Tuffy, Grané e Del Debbio?

Tuffy era o Satanás, não só por suas defesas diabólicas, mas, também, pelos traços levantinos que davam ao seu rosto uma expressão assustadora: olheiras profundas, olhar penetrante sob as sobrancelhas espessas e o cabelo negro eriçado. Morreu cedo e pobre o nosso Tuffy, como gerente do Cine Santa Helena, situado na Praça da Sé, num prédio maravilhosamente rococó onde se instalavam os ateliês dos artistas plásticos que a história consagrou como Grupo Santa Helena – Pennachi, Volpi, Clóvis Graciano etc.  Ah, sim, e também a primeira academia de boxe de Kid Jofre, ninguém menos do que pai de Eder, o maior de todos os nossos pugilistas, certamente, o maior peso gala do mundo em todos os tempos.

Se for por aí, o amigo terá de dar um tiro no pneu do meu carro da memória (ou será carroça?) para voltarmos à vaca fria. Grané, becão seguro na defesa e temível no ataque, por força de seu petardo indefensável, chegou até a criar uma lenda em torno deste seu atributo especial.

Contava-se, anos mais tarde, que ele abandonara o futebol desgostoso por trágico episódio. Seu irmão Lara, goleiro do time adversário, negara-se a deixar a meta livre na cobrança de um p ênalti, apesar dos insistentes pedidos de Grané, que, só então disparou seu tiro mortal. Lara agarrou-se à bola e lá mesmo ficou imobilizado no chão – mortinh0 da silva.

Del Debbio, baixinho, era ágil e cirúrgico nas suas investidas sobre os atacantes adversários. E um jogador de rara visão de jogo, o que lhe permitiu transformar-se num dos principais técnicos de futebol brasileiros nas décadas seguintes.

Voltemos, pois, aos ídolos corintianos de todos os tempos .Eespie só essa linha media antológica: Jango, Brandão e Dino Pavão. Jango, raça pura; Brandão, o diretor de harmonia, o eixo, o centro de todos os pensamentos e ações da equipe; Dino, a fineza no trato com a bola, os gestos largos e encantadores, como um pavão abrindo suas asas para atrair a fêmea desavisada.

Entre os anos 30 e 40, essa mítica linha média servia de apoio às graças de Servílio, o Bailarino, cujo apelido já diz tudo. E, principalmente, Teleco, o artilheiro implacável que, ao pendurar as chuteiras, passou a cuidar do acervo de glórias do Corinthians até morrer.

Já nos anos 50, o ataque dos cem gols: Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário.

Cláudio era o Baixinho ou Gerente, um ponta-meia-direita além de seu tempo, que não só organizava o seu time aqui atrás, como abria para a direita, de onde disparava centros exatos para os cabeceios de Baltazar, um negro forte e decisivo, o Cabecinha de Ouro, que inspirou um samba e um chorinho de grande sucesso na sua época. De quabra, cobrava faltas com tal mestria que tirava a gravidade da bola e a transformava numa folha-seca, antes mesmo de Didi patentear esse trque.

Luisinho, o Pequeno Polegar, era a quintessência da irreverência. Pequenino, franzino, o loirinho canhoto, embora jogando pela meia-direita, gostava mesmo era de se divertir e divertir a Fiel com seus dribles humilhantes sobre os mais afamados defensores da época. Mauro Ramos, do São Paulo, capitão do bicampeonato mundial pelo Brasil, era presa fácil. Assim como o argentino Luís Villa, centromédio de alta classe, em todos os sentidos. Tanto, que, certa noite, depois de uma sucessão de dribles e fintas, Luisinho sentou na bola diante de Villa, que, diante da estupefação geral, simplesmente sorriu e passou-lhe a mão sobre a cabeça.

Carbone era o chamado ponta-de-lança, aquele meia incisivo, goleador e provocador, capaz de, com suas artimanhas, tirar do sério monge de pedra. E Mário, bem, Mário era o driblador compulsivo. Quando começava a driblar, não parava mais, nem se o gol de se abrisse risonho, livre, à sua frente.

Êpa, parece esta compulsão minha: começo a contar histórias e não consigo parar.

SR. CENTENÁRIO (2)

Nos escuros anos 60, quando só o Santos de Pelé e o Palmeiras das Academias brilhavam, um menino surgiu no Parque com uma canhota mágica, feita de elásticos e um poder de chute incalculável: Roberto Rivellino. O menino, de imediato, ganhou o coração corintiano, a tal ponto que a Fiel lotava o Pacaembu duas horas antes da partida principal só para ver o Reizinho do Parque se exibindo entre os aspirantes.

De 65 a 74, Rivellino reinou no Parque como um dos maiores ídolos de todos os tempos, foi campeão do mundo pela Seleção, mas, desgraçadamente, não levantou nenhuma taça importante pelo Corinthians. Finalmente, depois da inesperada perda do título paulista para o rival Palmeiras, foi negociado com o Fluminense, onde deixou seu nome gravado para sempre na alma tricolor carioca.

E Zé Maria, então, o Super Zé, cujas arrancadas pela direita deixava a Fiel em êxtase?

Na virada dos anos 70 para os 80, foi o tempo de Vladimir, Biro-Biro, Palhinha, Sócrates, Zenon, em seguida, Casagrande, para desembocarmos na virada do milênio numa seleção de ídolos que vão do goleiro Ronaldo ao atual Ronaldo Fenômeno, passando por Gamarra, Rincón, Vampeta… e, sobretudo, Marcelinho Carioca que veste pela última vez a camisa alvinegra para se transformar eternamente no Sr. Centenário.

Notas relacionadas:

  1. ENTRA ANO, SAI ANO… (2)
  2. PAULISTÃO, GIULITE E ROTH
  3. INTER E GALO JOGAM O FUTURO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 10 de janeiro de 2010 Campeonatos Estaduais, Futebol internacional | 11:32

A PROPÓSITO DOS ESTADUAIS

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Os campeonatos estaduais já começam a pipocar por esse Brasil afora.

Não há nada igual no planeta da bola. Isto é: em nenhum outro país do mundo há esse tipo de torneio regional. Lá fora, só se disputam o campeonato nacional e os continentais. Apenas na Argentina, pelo que me consta, durante certo período de sua história se jogava o Campeonato Metropolitano, um certame que englobava os times da Grande Buenos Aires, além do campeonato nacional.

Mas, é que lá há uma enorme concentração de clubes nessa região, quase um réplica do próprio campeonato nacional. Por isso mesmo, foi substituído pelo sistema atual de dois torneios interligados – o Apertura e o Clausura.

Aqui, não. Aqui, neste país-continente, os campeonatos estaduais é que serviram de base para o desenvolvimento e a fixação do futebol como fio condutor de Norte a Sul.

Fragmentado em torneios regionais, o nosso futebol ganhou força e gerou essa gama incrível de grandes clubes, coisa de, por baixo, uns quinze, vinte clubes que congregam as massas de torcedores de seus respectivos estados.

Desses, a cada ano, no mínimo doze partem para a disputa do título brasileiro, em condições de vencê-lo. E, por baixo, meia-dúzia o disputam, palmo a palmo, ate as rodadas finais. Isso não ocorre em nenhum outro país.

Mas, voltando à vaca fria: sou de um tempo em que os estaduais não eram apenas as mais importantes competições para nós. Eram, praticamente, tudo. Não havia Brasileirão e o Rio-São Paulo tinha lá seu charme, mas ainda não pegara no breu.

Portanto, estou à vontade para dizer que, apesar de toda tradição de que se revestem esses torneios, eles estão com os dias contados.

Mais cedo ou mais tarde, eles serão extintos para abrir espaço a outros tipos de disputa, pelo menos nos chamados grandes centros – Rio, Minas, RGS, SP etc.

Já se pensou em campeonatos regionais mesmo – Rio-Minas, Rio Grande-Santa Catarina e Paraná etc. Não vingou. Talvez, venham a ganhar um figurino próximo de Copas, torneios rápidos, na base do mata-mata, o que permitiria aos clubes cumprirem pré-temporadas decentes para enfrentar Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana em condições melhores do que as atuais.

Até mesmo, oferecendo datas para que os clubes brasileiros possam agendar excursões ao Exterior, como ocorria antigamente. Essa prática não só encheria os cofres dos clubes como divulgaria mais o futebol brasileiro lá fora, onde, hoje em dia, conhecido apenas pelos craques que lá atuam ou pela Seleção Brasileira.

É a lei do mercado, meu caro. Ou, nos tempos atuais e futuros, a lei da sobrevivência.

TOGO E PELÉ

O atentado estúpido contra o ônibus da delegação do Togo, na região contestada de Cabinda, divisa entre Angola e Congo, dimensiona ao infinito o prestígio de Pelé.

Numa das tantas excursões do Santos á África Negra, o Rei levantou o braço e fez parar sangrenta guerra: os inimigos baixaram as armas e foram de braços dados ver o Negão fazer suas mágicas com a bola num campo esburacado.

GAROTOS

O São Paulo anda arrasando na Copinha: em três jogos, marcou quinze gols e não sofreu um mísero sequer. Pintou, pois, o campeão? Calma, professora. A Copinha de verdade só vai começar na próxima fase. Até aqui, as diferenças técnicas e físicas entre os times são brutais. Mas, o fato é que o Tricolorzinho está jogando o fino, independentemente dos adversários que enfrentou. Mas, outros também estão, como o Cruzeiro e o Flamengo, por exemplo.

Por falar em garotos, o Grêmio acaba de negociar Douglas Costa para o futebol do Exterior. A grana pode ter sido boa para ambos – clube e jogador -, mas desconfio que, nesse caso específico, é mau negócio para Douglas, um meia de extrema habilidade que deveria antes firmar-se por aqui.

Caso, aliás, semelhante ao de Alex Teixeira, ex-Vasco. Há um tempo de plantar e há um tempo de colher, como ensina o velho livro.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, NILMAR E RAMIRES
  2. BRASIL E ESPANHA
  3. MASCATE BRASIL
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009 Campeonato Brasileiro | 16:05

NEM NA CALCULADORA, NEM NAS ESTRELAS

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Os matemáticos fazem e refazem seus cálculos a cada rodada; os astrólogos buscam nos céus uma conjunção de estrelas que lhes aponte para o ungido, aquele destinado a ser campeão; os experts da mídia analisam a tabela, jogo por jogo, e, no fim, só se contradizem, porque os fatos subvertem a lógica mais elementar.

O psicólogo de plantão diria que esse Brasileirão tem os mais fortes traços esquizóides desde que os pontos corridos foram reinstalados nos nossos campos, alternando-se profundas depressões com luminosas euforias.

E o torcedor torce, enquanto exuma fantasmas nos gestos dos juizes contra seus respectivos times, enxergando verdadeiras conspirações por trás do ato individual e humano de cada um, em circunstâncias sempre diversas.

O certo é que o futebol, esse brinquedo dos deuses levado às últimas consequências pelos homens, apesar de toda tecnologia como suporte, teorias e cousa e lousa e maripousa, no fundo, muitas vezes, se resume num drible inesperado, numa cabeçada certeira, num chute fatal, numa defesa espetacular do goleiro, na falha deste ou daquele beque, no pênalti marcado ou não pelo juiz, na sinalização infeliz de um impedimento pelo bandeirinha, enfim, essa soma de detalhes aleatórios ou não que fazem o sal do jogo.

Claro que uma equipe composta por jogadores de técnica superior, bem preparada física, tática e psicologicamente, terá sempre mais possibilidade de vencer outra, inferior nesses quesitos.

Ainda mais se incorporar a esses valores tradição, torcida imensa, gerenciamento administrativo adequado, grana etc.

Apesar disso, a zebrinha sempre estará espiando uma brecha, atrás da meta, para partir em desabalada carreira campo adentro.

A vantagem do sistema de disputa por pontos corridos é a de que, raramente, esse bicho entra em cena na hora de um time levantar a taça. Quase sempre, o melhor, na média do campeonato, vence.

O diabo, na atual competição nacional, é que a diferença técnica entre os primeiros e os últimos é muito pequena, quase insignificante. Dá-se, então, que qualquer previsão está, de saída, prejudicada pela imponderabilidade presente em qualquer confronto, independentemente se seja a disputa entre os candidatos ao título, ou destes contra os ameaçados de rebaixamento, em casa ou fora.

Tivéssemos por aí um Santos de Pelé, um Cruzeiro de Tostão, um Inter de Falcão, um  Flamengo de Zico, um Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos, um Palmeiras de Ademir da Guia, enfim, um desses timaços da história, não há dúvida de que dispararia na ponta.

Mas, não temos. São todos mais ou menos do mesmo nível.

Logo, o negócio é continuar esquentando as calculadoras e perscrutando as estrelas para tentarmos achar um sinal do escolhido.

Feliz ou infelizmente, essa é a lógica deste Brasileirão, tão pobre tecnicamente, mas tão intenso em expectativas.

Notas relacionadas:

  1. PINTA DE CAMPEÃO
  2. VERDÃO, CHIIII…
  3. TRÊS VEZES OBINA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 11 de maio de 2009 Campeonato Brasileiro, Ex-jogadores | 15:07

O GOL DE NILMAR E PAGÃO

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Nilmar, por Milton Trajano
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O gol de Nilmar contra o Corinthians sinaliza para além de uma jogada pontual, restrita àquele momento mágico de uma partida de futebol. Revela a luz no fundo do túnel desse jogo, que parece começar a reatar seu vínculo com o que de melhor nos ofereceu a história até aqui: o craque recebeu a bola na direita de seu ataque e, em sinuosa linha transversal, foi comendo um a um, os cinco defensores do Corinthians, até estancar na meia-esquerda, de onde disparou um tiro cruzado, colocado, no cantinho esquerdo de Felipe.

Gols desse tipo temos visto sairem dos pés de Messi, de Cristiano Ronaldo, de Kaká, os mais badalados craques da atualidade no mundo inteiro. Mas, Nilmar me faz lembrar mesmo é de Pagão, centroavante da era dourada do Santos, anterior um pouco a Pelé, com quem, depois, fez dupla infernal. Aliás, a tão celebrada tabelinha Pelé-Coutinho nasceu mesmo com Pagão-Pelé.

Detalhe esguio e um jogo veloz, hábil, fluido, leve, quase diáfano, Pagão, como Nilmar, era vítima de um preconceito que já fechou as portas da Seleção Brasileira a muitos jogadores geniais: era considerado frágil demais para enfrentar europeus, uruguaios e argentinos. E, a exemplo de Nilmar, era refém de contusões recorrentes, a partir de complicações nos joelhos, numa época em que isso era fatal.

Assim como Nilmar, que há tempos merece convocação, em toda a sua brilante carreira, Pagão só teve duas raras chances na vida de vestir a camisa canarinho, em dois amistosos com Portugal, onde o vemos posando ao lado de Garrincha, Didi, Del Vecchio e Canhoteiro, nas fotos históricas. Meu Deus!

Vi esses dois jogos. No primeiro, Pagão foi substituído por Moacir, meia do Flamengo. No segundo, por Mazzola, que estreava na Seleção. Ambos – Moacir e Mazzola – acabariam, no ano seguinte, se sagrando campeões do mundo. E Pagão, nunca mais. Mesmo porque, na convocação seguinte, contra a Argentina, Pelé, aos 17 anos, tomaria seu lugar para encantar o mundo por quase duas décadas.

Torço para que não seja esse o mesmo destino de Nilmar.

Notas relacionadas:

  1. A PARADINHA
  2. MISTURANDO ESTAÇÕES (2)
  3. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

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