Pato | Blog do Alberto Helena Jr.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 20:46

PERDEMOS, OUTRA VEZ

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A justíssima expulsão de Hernanes, que atingiu o peito de Benzema ainda no primeiro tempo, virou o jogo de cabeça pra baixo. Até então o Brasil estava com o controle da bola e dos espaços. Basta dizer que detinha 66 por cento do domínio de bola.

Não chegou, é verdade, a criar grandes chances de gol. A França, com Benzema, num isolado contragolpe, foi mais incisiva nesse sentido,

Mas, a partir dessa nova realidade, o Brasil só somou equívocos, embora os franceses também não chegassem a se aproveitar devidamente da vantagem de um homem a mais. Até Benzema marcar o gol da vitória da França, mais uma, nessa série invicta de quase vinte anos.

O primeiro equívoco foi Mano retirar de campo Robinho. Não que Robinho estivesse jogando bem, nada disso. Mas, trata-se de um jogador veloz, múltiplo, que podia compensar a desvantagem de um mais,

O segundo equívoco foi optar por Sandro, um volante especificamente de contenção, em vez de Anderson, mais versátil, que tanto marca quanto avança.

Mas, tudo isso flutua entre o que foi e o que poderia ser, uma zona imprecisa que cai no absoluto subjetivismo.

Som, claro, o Brasil poderia ter empatado esse jogo, em duas oportunidades (pouco), assim com ao França teve chances de ampliar o marcador, e só não o fez graças a Júlio César, o goleirão que voltou em plena forma à Seleção.

De resto, é louvar a participação de Júlio César, mais uma vez, e a de André Santos, que anulou o mais incisivo francês, Menez,  a não ser no lance que antecedeu gol, quando o francês passou de passagem pelo brasileiro. Mas, nesse lance, a jogada era de Robinho, que acompanhou o adversário até o momento final, e desistiu na hora H.

Quanto aos estreantes – afora Hernanes, que vinha bem, mas resvalou na falta absurda -, Renato Augusto vinha jogando razoavelmente antes da expulsão do companheiro, E Jadson, que entrou em seu lugar, só fez um passe esperto para Pato, que não se completou.

Dado a tantas alternativas que ficaram de fora na convocação – Neymar, Ganso etc. – a perda de mais um jogo para a França, nessas circunstâncias, não é nenhuma tragédia.

Digamos que, apenas, algo desagradável.

Quase lá

Foi apertado, mas foi: 1 a 0, gol de Casemiro, de cabeça, outra vez. E o Brasil passou pelo Equador, no Sul-Americano Sub-20 e está a um passo de Londres, que é o que interessa.

Sem Neymar e a dupla de zagueiros titular, nossos meninos dominaram o primeiro tempo, quando poderiam ter ampliado o placar, e seguraram as pontas no segundo, quando estiveram a pique de entregar o ouro.

O importante, porém, foi passar por um obstáculo que poderia ter sido fatal para nosso sonho olímpico.

Ah, Flu…

Confesso que esperava muito mais do Fluminense, nessa estreia na Libertadores, contra o Argentino Juniors, no Engenhão.

Claro que Fred fez falta, embora seu substituto, o He Man, Rafael Moura, tivesse salvado o Tricolor com dois gols. Mas, esse nem foi o caso. O caso foi que o Fluminense jogou em ritmo de valsa, quando a batida exigia um samba rasgado.

Esse empate por 2 a 2 foi um alerta para o Flu, que terá de se desdobrar daqui pra frente.

Duas vezes Liedson

A estreia de Liedson no Corinthians não poderia ser mais auspiciosa. O artilheiro, que desembarcou no Parque na véspera, entrou em campo de imediato, fez dois gols e deu ao ataque do Corinthians a energia que vinha faltando desde quando Ronaldo, há dois anos, deixou de ser decisivo.

Se a vitória apertada sobre o Palmeiras, no fim de semana, serviu para apaziguar os ânimos no Parque, a goleada por 4 a 0 sobre o Ituano, por certo, haverá de infundir novo ânimo à equipe, daqui pra frente.

Notas relacionadas:

  1. RESERVA POR RESERVA…
  2. BRASIL PROTAGONISTA
  3. VALEU PELA RAÇA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 15:50

DOIS TIMES EM RECONSTRUÇÃO

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São duas seleções em fase de reconstrução. A França, que vem de trágica participação na última Copa do Mundo, e o Brasil, de melancólica atuação na mesma competição.

O Brasil não terá suas duas principais revelações dos últimos anos, dois fortes candidatos a estrelas da cia.: Neymar e Ganso. Já a França não terá o menino Nasri, que anda jogando o fino no Arsenal.

Mas, se o técnico Blanc pôde chamar todos os que ele considera os melhores, Mano restringiu a chamada aos jogadores que atuam na Europa, o que certamente enfraquece nosso time, pois vários dos que ficaram por aqui têm sido convocados por Mano desde sua ascensão ao comando do Brasil.

Fred, por exemplo, seria sério candidato a uma vaga nesse elenco.

Mas, lá estão Pato e Robinho, que vêm jogando bem pelo Milan, líder do Campeonato Italiano. Jogando bem e fazendo gols, o que é mais importante para uma dupla de atacantes.

Mas, é no meio de campo que surgem as duas novidades: Hernanes e Renato Augusto, cria do Flamengo, agora no Leverkusen.

Hernanes já merecera uma convocação por Mano, como volante. Aliás, Mano, enfatizou isso na entrevista coletiva, à época. Contudo, considerou que a saída de bola com Hernanes não tinha a mesma velocidade quando feita por Ramires ou Elias, e o ex-tricolor ficou no resguardo.

Mas, sua excelente campanha pela Lazio, onde passou a jogar mais à frente, como terceiro ou até mesmo segundo atacante, coroada de muitos gols, juntamente com a contusão de Ramires, abriu-lhe uma nova chance no time de Mano.

Já Renato Augusto, jogador de habilidade e bom passe, é quem está comandando o meio de campo do Leverkusen. Vale a experiência, claro.

Mas, a não ser que ambos cintilem no primeiro tempo, no segundo, certamente Mano recorrerá a Jadson, a grande surpresa nessa convocação, pois o treinador, que o conhece desde os juniores do Inter, quer ver se ele, com a camisa canarinho, é aquele mesmo meia insinuante e habilidoso dos breves tempos do Furacão.

De Kopa a Ribéry

A França é uma das mais antigas associadas da Fifa. Foi inscrita em 1904, mas só foi se destacar mesmo na Copa de 58, sob o comando do húngaro-romeno naturalizado francês, Raymond Kopa, extraordinário craque, que, na época formava no célebre ataque do Real Madrid: Kopa, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.

No Real, era ponta, mas na Seleção Francesa, o meia cerebral, organizador de todo o jogo de seu time, cujo epílogo sempre estava nos pés fulminantes de Just Fontaine, o artilheiro implacável da Copa de 58, com a marca inacreditável de 13 gols em 6 jogos.

Naquela competição, o time de Pelé, Didi, Garrincha e cia., cruzou com eles nas semifinais, e metemos 5 a 2. É verdade que a França sofreu pela precoce saída de Joncquet, seu volante de escol, machucado ainda no primeiro tempo (naquele tempo, não havia substituições). Foram três de Pelé, um de Vavá e aquela folha seca de quarenta metros de Didi que por muito tempo ficou perdida nos arquivos das Copas.

Kopa cedeu seu cetro a Platini, que chegou duas décadas depois para dar à França aquele toque de classe extra.

Lembro que, lá pelos findos dos anos 70, a França veio fazer um amistoso com o Brasil no Maracanã. Não havia, então, esse intercâmbio televisivo que nos permitia acompanhar de perto o futebol europeu.

Na véspera, como de hábito, fui jantar no tradicional Fiorentina, cujo dono era um jovem francês amável e divertido – o Allain. Pois, o Allain, me provocou a noite toda: “Você vai verrrr o Platini, chéri, crrrack, crrrack. Vai acabarrr com o Brrrasil.”

E não é que assim foi? O jogo acabou 2 a 2, com uma exibição primorosa do meia francês diante do time de Coutinho que acabaria invicto na Copa da Argentina, com Rivellino, Paulo César Caju, Luís Pereira e o diabo.

Nessa noite, por consolo, Allain não me cobrou o jantar, regado a um autêntico Cristal.

Na esteira de Platini, veio Zinedine Zidane, um dos mais completos jogadores que vi em ação nestes últimos sessenta anos acompanhando o vaivém da bola, seja como espectador, seja como comentarista de futebol.

Dele, não preciso falar muito, pois está ainda muito fresca na memória do brasileiro sua atuação naquela final da Copa de 98, e, depois, na nossa desclassificação em 2006.

Ah, sim, nesse inter meio, a França teve Eric Cantona, um craque com a bola nos pés, mas um estouvado na relação com os adversários, os juízes, os adversários e até a torcida. Tanto, que, certa vez, saltou o gradeado do campo para encher de porrada um torcedor lá nas cadeiras. Digamos que fosse o Edmundo deles lá.

Por fim, temos Ribéry, o mais recente ídolo francês. Um meia-atacante de perfil esquisito, franzino, hábil, mas imprevisível, tanto para o bem quanto para o mal. É capaz de jogadas estonteantes intercaladas por outras, simplesmente bisonhas. Mas, sabe jogar.

Ao contrário dele, o menino Nasri, que, como já disse, está fora desse jogo por contusão, também originário da antiga África Francesa, é um exemplo de progressão e estabilidade. A cada rodada, pelo Arsenal, joga mais, seja organizando as jogadas de ataque de seu time, ao lado de Fabregas, seja infiltrando-se na área para marcar seus gols.

Sucede que nenhum dos dois foi convocado por Blanc, a tarefa de atacar a meta defendida, novamente, por Júlio César, caberá a Benzema e Malouda, que, por sinal acaba de declarar que seu sonho era jogar na Seleção Brasileira. Sonho desfeito, claro.

*Leia mais sobre França x Brasil e futebol francês no blog do iG

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. O PRIMEIRO PASSO
  3. PAPO COM MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 11 de outubro de 2010 Seleção Brasileira | 18:08

BRASIL PROTAGONISTA

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Há gaúcho burro e gaúcho inteligente. Como paulista, carioca, mineiro, pernambucano etc.  Só baiano burro nasce morto, no verso do saudosos Gordurinha imortalizado na voz de Jackson do Pandeiro. Mas, mesmo isso é  uma licença poética. Afinal, burros e inteligentes se distribuem por todos os quadrantes e etnias. É da natureza humana.

Pois, Mano Menezes pertence à imensa categoria dos gaúchos inteligentes, lídimo herdeiro da percepção de um Ênio Andrade, dentre os tantos frutos da rica escola gaúcha de treinadores.

Se não basta o que diz, sobressai-se o que faz.

Ao assumir a Seleção Brasileira, Mano sentenciou que pretendia fazer o Brasil voltar a ser protagonista. Isto é: um time que se imponha diante de qualquer adversário, ao contrário do que ouro gaúcho, Dunga, propunha para o nosso time.

E é isso que está fazendo à frente do time nacional.

Reveja essa vitória sobre a Ucrânia, por 2 a o, em Derby, na Inglaterra.

O Brasil tomou a iniciativa do jogo do início ao fim. Os ucranianos, como acontecia no passado, preferiram fixar-se numa retranca atroz, com medo da bola brasileira. Tocou a bola no campo adversário, meteu 2 a 0, com gols de Daniel Alves, em belo lançamento de Robinho, e de Pato, em outra enfiada de Robinho.

Poderia ter ampliado o placar, assim, como poderia ter tomado um gol – aquela bola no poste de Victor. Isso é do jogo, um jogo, não uma equação matemática.

O fato é que, com exceção desse lance, o Brasil com essa formação mais ofensiva, não sofreu nenhum assédio da Ucrânia, time que, se não é de primeira, também não é de quinta,.

E aqui vale ressaltar, mais uma vez, da dupla de zaga, formada por Thiago Silva e David Luiz, uma grande revelação na Seleção, aquele quarto-zagueiro à antiga, que marca e sabe sair jogando. Lembra, aliás, por estilo e talhe o grande Dani Blind, daquele Ajax imbatível dos anos 90, campeão europeu e do mundo.

E, lá na frente, a nova postura de Pato, que muitos julgavam ser apenas um segundo atacante, aquele que cai de um lado e de outro, nunca a tal referência, como a turma gosta de cunhar.

Pois, Pato, nesse jogo atuou como autêntico centroavante. Fez a tal parede, enfrentou os beques de cara, e, como tem recursos técnicos extras, soube sair e jogar. Fez um gol na exata posição e desperdiçou mais dois, como é de lei para qualquer artilheiro.

Outro detalhe: mesmo jogando com apenas dois zagueiros, os laterais cumpriram na medida exata suas funções: marcaram e atacaram sem parar. Pelo menos, enquanto André Santos esteve em campo, pois Adriano, que entrou no segundo tempo, não manteve a mesma dinâmica.

Por fim, novamente, Giuliano, ao entrar no lugar de Carlos Eduardo, deu outro dinamismo ao meio-campo brasileiro.

Mas, é tudo, por enquanto, experiência, com promissores resultados até agora.

Notas relacionadas:

  1. BRASIL NAS ALTURAS
  2. O BRASIL E AS ESTATÍSTICAS
  3. BRASIL EM SEGREDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

segunda-feira, 9 de agosto de 2010 Seleção Brasileira | 16:04

O PRIMEIRO PASSO

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É apenas o primeiro passo, incerto ainda, vacilante, claro, como quem desembarca de uma longa e incômoda viagem num lugar novo e desconhecido. Portanto, não se pode esperar na estreia de Mano Menezes na Seleção, nesta terça, em Nova Jersey, nada mais do que a possibilidade de enxergar-se algo que ainda poderá vir a ser, mas não é por enquanto.

O grupo escolhido por Mano para este amistoso contra os EUA não é, obviamente, o definitivo. Tampouco, aquele que ele escolheria se tivesse à mão vários jogadores de nomeada em perfeita forma física (e técnica), dentre os que atuam na Europa, por exemplo. Ou mesmo daqui, que não estivessem envolvidos em disputas importantes, como o Inter em plena decisão da Libertadores.

E não é definitivo, embora o tempo possa vir a ratificá-lo como tal, porque o novo técnico já avisou, sabiamente, que o retrospecto dos craques conta, mas conta mais o momento, o que sugere maior rotatividade dos selecionados a cada nova convocação.

Aliás, tem de ser assim mesmo, sobretudo nestes quatro anos que nos separam da Copa do Mundo, período em que não disputaremos as Eliminatórias. Pois, a Copa é jogada em sete rodadas apenas e quem lá estiver com a camisa canarinho deverá estar absolutamente nos trinques. Não adianta ficar montando grupo agora para daqui quatro anos.

Sim, boa parte dos jogadores que vierem a ser convocados doravante deverá, ao cabo da filtragem feita pelo treinador, formar a base do time da Copa. Mas, até lá, quem sabe quantos Gansos e Neymares surgirão de súbito?

O mais importante, porém, na Seleção que entra em campo em Hobboken, terra de Sinatra, é que ela já dá o tom da grande virada promovida por Mano Menezes em relação ao caminho percorrido por Dunga, nos últimos anos: trata-se de um time formado por jogadores mais leves e habilidosos, com ênfase no jogo ofensivo e sem muitas amarras táticas, a não ser o indispensável para manter o equilíbrio entre defesa e ataque.

Equilíbrio conferido, principalmente, pela escolha dos homens de meio de campo, o elo entre os dois setores extremos. Lá estão quatro volantes, nenhum cabeça-de-área fixo, leão-de-chácara de zagueiro, feroz no combate e covarde no passe.

Lucas, Hernanes, Jucilei e Ramires são bons no combate pela bola, mas, quando a têm nos pés, sabem jogar. Com exceção de Hernanes, mais cadenciado no estilo, todos são velozes e gostam de sair para o jogo, o que, certamente, reduz os espaços entre defesa e ataque.

Mas, o mais significativo é que logo à frente deles, Mano reincorporou a figura do meia, fundamental para dar fluência e descortino às ações ofensivas: o destro Ederson e os canhotos Ganso e Carlos Eduardo, que pode ser empurrado para a ponta-esquerda, conforme as circunstâncias do jogo.

E, no ataque, cinco jogadores de muita movimentação, juventude e habilidade: Robinho, Neymar, André, Pato e Diego Tardelli.

Esse elenco, sem dúvida, oferece uma infinidade de variações durante uma disputa. Isso, claro, na teoria, mesmo porque se trata de um jogo apenas, em que essa turma nem teve tempo de se entrosar em campo, a não ser o quarteto santista que leva a alegre harmonia da Vila para a Seleção.

E, pior: vai pegar uma casca de ferida – os EUA que tem sido um adversário ranheta do Brasil e que já vem prontinho da Copa da África, onde, aliás, cumpriu boa campanha para as suas limitações.

Vai ser uma experiência interessante, ainda que o resultado possa até vir a ser desastroso, nunca se sabe. Mas, é apenas o primeiro passo.

Notas relacionadas:

  1. RAMIRES, UM PASSO À FRENTE
  2. GLORIOSO ADEUS
  3. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
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domingo, 1 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 20:50

NEM FELIPÃO, NEM ADÍLSON

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O juiz apitou e o Corinthians encetou uma blitz sobre a área verde. Em cinco minutos, quatro escanteios e um pênalti de Armero que o juiz não deu. E, aos 21, o Timão chegou ao seu gol, numa veloz troca de passes entre Iarley e Bruno César, completada por Jorge Henrique, em posição de impedimento: 1 a 0.

A partir daí, só deu Verdão, que assumiu a posse da bola e o domínio dos espaços, e passou a pressionar o Corinthians até chegar ao gol de empate, aos 33 minutos: cruzamento da direita, cabeceio de Kleber, que Edinho finaliza, no rebote do goleiro Júlio César: 1 a 1. Isso, sem falar no pênalti de Jucilei em Ewerthon que o juiz preferiu olhar para o outro lado.

O Palmeiras seguiu, no segundo tempo, forçando mais no ataque, mas, aos poucos, o Corinthians se reequilibrou e o jogo, embora muito animado, não ofereceu mais nenhum momento de grande emoção.

Bem que Adílson tentou alterar esse cenário, trocando Bruno César por Defederico. Mas, tenho minhas dúvidas de que fosse a melhor alternativa. Assim como Felipao sacou Lincoln, o melhor do time, ao lado de Márcio Araújo, para a entrada de Tinga, em vão.

Quer dizer: Adílson estreou com empate, o que rebaixou seu Corinthians para a vice-liderança do Brasleirão, agora ocupada bravamente pelo Fluminense e Felipão segue sem vencer, desde sua volta para o Palmeiras.

Tudo isso, porém, é muito circunstancial, desde que não vire tendência, claro.

charge felipaoXadilson

Charge com técnicos de Palmeiras e Corinthians (Milton Trajano)

SÁBADO TRICOLOR

No sábado, enquanto o Tricolor carioca assumia a liderança do Brasileirão, ao bater o Furacão no Rio por 3 a 1, com dois gols de Washington, de volta às Laranjeiras, e um de Emerson “Sheik”, o Tricolor paulista inflava sua torcida com um sopro de esperança, ao vencer por 2 a 1 o Ceará no Morumbi.

Nem tanto pela vitória em si, a primeira desde a Copa do Mundo, mas, sobretudo, pelo jeito de jogar, mais ofensivo e descontraído do que aquela humilhante e contida participação diante do Inter, pela Libertadores, no meio de semana.

Mais ainda, quando o técnico, no intervalo, desfez o malfeito dos três zagueiros e soltou seu time, que fez 2 a 0, em excelente participação de Ricardo Oliveira, e até poderia ter ampliado o marcador, não tivesse recuado, no fim, o que propiciou um sufoco do Ceará.

Ficou ainda mais evidente que, se o São Paulo quiser revirar o jogo decisivo pela semifinal da Libertadores diante do Inter, no Morumbi, terá de adotar um esquema e uma escalação muito próxima dessa que encerrou a partida com o Ceará.

Quanto ao Fluminense de Muricy, depois de um primeiro tempo opaco, no segundo, sob o comando mágico de Conca, o Tricolor desencantou e ratificou a vitória que o mantém em privilegiada posição para disputar o título, embora o caminho ainda seja muito longo.

PEIXE COM MEDALHA

O Peixe já merece uma medalha de honra ao mérito por resgatar a emoção do futebol em sua plenitude.

Mesmo com seu time reserva e atuando no campo do adversário, o Santos bateu o Prudente por 2 a 0, sem abdicar jamais do ataque. E isso permitiu que o Prudente, nos minutos finais partisse para um sufoco sensacional, chegando a perder dois pênaltis em seguida.

Quer dizer: perder os pênaltis em termos, pois a participação do goleiro Rafael, utilizando com propriedade o direito de se mexer sobre a linha da meta, certamente influenciou as duas cobranças.

ARSENAL E OS MENINOS

O Arsenal levantou a taça desse torneio de verão disputado no seu estádio, o Emirates, ao bater o Celtic por 3 a 2, em jogo que parecia decidido quando os ingleses dispararam 3 a 0, com certa folga. Mas, o Arsenal é assim mesmo: toca, toca, faz o placar, depois relaxa e corre o risco de levar a virada.

Mas, essa conquista, no fundo, é irrelevante. O importante é que serve para as equipes testarem seus jovens valores nesta fase que antecede a abertura da nova temporada europeia. E houve um desfile de esperanças no Emirates neste fim de semana: no Milan, por exemplo, o aparecimento desse menino de 18 anos, Merckel, nascido no Cazaquistão, mas germânico da cabeça aos pés.

No Arsenal, o atacante Chamakh (é isso mesmo?), um franco-marroquino de estilo e eficiência, além do menino Wilshere, canhoto e inteligente, que já entrara no time durante o campeonato inglês.

Quanto aos dois brasileiros convocados por Mano que participaram desse torneio, Pato foi bem no jogo de sábado, mas no de domingo só entrou já segundo tempo avançado, sem destaque. E Ederson, que não jogou no sábado, participou do empate do Lyon com o Milan e perdeu um gol feito. Mas, jogou bem, sem, no entanto, chamar muita atenção.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  2. TIMÃO, LÍDER
  3. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 31 de julho de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 15:22

CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS

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São tantos clássicos, que até me perco. O principal deles – não necessariamente pelo significado em si – é  Flamengo e Vasco. Sim, claro, este tem um histórico singular. Mas, sucede que, se o Flamengo cumpre campanha mais ou menos à altura de seu elenco empobrecido, o Vasco estreia uma penca de novas atrações: Felipe, lateral ou meia de extrema habilidade; Zé Roberto, atacante que fez sucesso no Botafogo e no Flamengo, sem contar a volta de Carlos Alberto, meia essencial na volta do Vasco à Primeirona.

Palmeiras e Corinthians fazem o clássico paulista. Felipão busca sua primeira vitória desde que voltou como uma espécie de Messias do Parque. Adílson, o Capitão América na conquista do Grêmio de Felipão da Libertadores, estreia no Corinthians. Mas, quem vai definir o jogo nem é um, nem outro. São os jogadores. E, nesse quesito, o Corinthians está melhor, o que quer dizer pouco num clássico desse porte.

Outro clássico regional é Galo e Raposa. Na tabela, o Cruzeiro está bem melhor do que o Atlético. Mas, isso quer dizer pouco numa disputa dessa tradição. Aliás, acho mesmo que o Galo está mais a fim, o que poderá reproduzir uma surpresa nesse confronto Mas, é apenas um pressentimento.

E o Grenal? Bem, nessa história da guerra eterna dos gaúchos não meto a colher, Nesses casos, não há previsão, nunca. Quando um está em alta, o outro está em baixa, isso é recorrente.

Neste momento, o Inter está em cima e o Grêmio embaixo. Mas, o confronto pode, no fim, determinar a mudança da gangorra, já que isso é tudo para o torcedor e a mídia gaúchos.

Como o Inter está voltado por inteiro na decisão da semifinal da Libertadores contra o São Paulo, não me surpreenderia se o Grêmio levasse a palma.

Emirates Cup

O Milan, que se prenuncia uma catástrofe nesta temporada, levou um baile do Arsenal, mas conseguiu sair de campo com o empate por 1 a 1, graças, a um gol de cabeça de Pato, por sinal, o único milanista a criar duas ou três jogadas de categoria.

Teve o apoio de Flamini, é verdade, e a garantia do goleiro Abiatte, que salvou uns três gols feitos do Arsenal, muito melhor, apesar de todos os desfalques.

O gol do Arsenal foi do estreante franco-marroquino Chamakh, que me fez lembrar do atacante Dinei, ex-Corinthians, na leveza dos movimentos, na invenção dos toques e no talhe físico.

Nada mais injusto do que esse empate, assim como nada mais injusto o empate por 2 a 2 entre Lyon e Celtic, na preliminar. O Lyon dominou três quartos do jogo, fez 2 a 0, com toda a autoridade, mas, depois das várias alterações, tomou o empate nos últimos minutos.

Mas, enfim, esse é o jogo…

Notas relacionadas:

  1. TRÊS VEZES OBINA
  2. VERDÃO SOBE E FLU DESCE
  3. TIMÃO, LÍDER
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 26 de julho de 2010 Seleção Brasileira | 17:31

OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO

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A lista de convocados por Mano Menezes para a Seleção Brasileira com vistas ao amistoso contra os EUA precisa ser dividida em três critérios: 1) jogadores com idade olímpica, já visando os Jogos de Londres; 2) jogadores já mais rodados, mas com idade para chegar em plena forma à Copa de 2014; 3) jogadores cujas características permitirão ao treinador mudar a cara do time nacional, tanto quanto ao plano tático quanto ao esquemático.

Além disso, Mano explicou que há jogadores integrantes da lista da Copa da África que ficaram de resguardo, à espera de uma outra chamada, quando já tiverem exorcizado os fantasmas do fracasso e recuperado seu melhor preparo físico e técnico, depois da pré-temporada europeia.

Bem, o que nos interessa mais de perto é justamente o terceiro item, pois está sinaliza para o caminho que o novo técnico quer traçar para a Seleção. E, nesta convocação, ficou clara a preocupação de Mano em estabelecer um equilíbrio maior no meio de campo, e abrir uma perspectiva mais nítida para o ataque, brindado com maior número de escolhidos dentre todos os setores da equipe: cinco, contra três goleiros, quatro laterais, quatro zagueiros de área, quatro volantes (Sandro ou Hernanes, um dos dois, será dispensado pra disputar por seu clube as finais da Libertadores) e três meias típicos.

Já revela uma clara tendência para termos um time mais equilibrado no setor de criação e, sobretudo, mais agressivo no ataque, com a possibilidade de uma formação em três, como Mano usou no Corinthians, com Jorge Henrique, Ronaldo Fenômeno e Dentinho, por exemplo.

Talvez, a única surpresa desta convocação seja a de Ederson, meia do Lyon, pouco conhecido por aqui. Mas, as vezes em que vi esse rapaz em ação pela TV fiquei muito bem impressionado: hábil, inteligente e ousado como devem ser os autênticos meias.

Diante disso tudo, vale um exercício de imaginação para armarmos o time que eventualmente Mano tem na cabeça: Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, Rever e André Santos; Hernanes ou Sandro e Lucas ou Ramires; Ganso e Ederson ou Carlos Eduardo; Robinho e Pato. Essa formação lhe dará condições para aplicar o sistema de sua preferência – 4-3-2-1, com a flutuação natural de Robinho, às vezes meia, às vezes atacante.

De resto, é esperar pra ver como tudo isso se desenrolará em campo.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. GLORIOSO ADEUS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 22 de novembro de 2009 Campeonato Brasileiro | 22:17

TROPEÇOS E ALÍVIOS

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Bem, se esse jogo com o Botafogo era a chave para o São Paulo chegar ao título, no fim das contas deste domingo, o Tricolor conseguiu a proeza de seguir líder, mesmo perdendo, graças ao empate do Flamengo em casa com o Goiás e a derrota do Galo para o Inter, no seu terreiro do Mineirão.

Aliás, quem mais saiu aliviado ao cabo desta rodada, na verdade, foi o Palmeiras, que viu reacender uma ponta de esperança, depois de já ter jogado a toalha em relação à disputa de campeão.

O fato é que, no Engenhão, tivemos um jogo incrível, disputado sobre o fio da navalha e cheio de alternâncias. Ora, era o Botafogo que jogava melhor e conseguia seu gol, logo aos 14 do primeiro tempo, com exímio disparo de Jobson de fora da área; ora era o São Paulo, que passava a dominar, empatando e virando o placar, com Washington e Jorge Wagner, sem tempo para celebrar, pois, na recarga, o Glorioso empatou novamente com Renato, com participação discutível de Jobson – o atacante estava em posição de impedimento, quando a bola lhe veio ricocheteada para ser lançada a Renato, que, de cabeça, concluiu.

Houve, então, a expulsão de Richarlyson, e, no finalzinho, Jobson, o nome do jogo, desempatou, logo após Hernanes meter uma bola trave (a segunda do São Paulo).

Enfim, um jogo emocionante, cujo resultado tirou o Botafogo da zona do rebaixamento e manteve o Tricolor na liderança, embora nada esteja garantido neste campeonato dos tropeções.

Já o Flamengo, que perdeu a chance de pular para o topo da tabela, numa arrancada fulminante neste segundo turno, o que lhe daria a vantagem de só depender de si nas duas rodadas restantes, frustrou a imensa e festiva galera que lotou o Maracanã, pelas mesmas razões que vêm fazendo os demais candidatos ao título tropeçarem tanto: a ansiedade de vencer, que desvia o passe, o chute e o foco da melhor alternativa para a jogada certa.

O Goiás, movido ou não por estímulos extras, jogou pra valer, marcou muito bem e soube explorar essa ansiedade rubro-negra em várias pontadas perigosas, do início ao fim da partida.

Além do mais, no instante em que o Flamengo deveria apresentar todas as suas armas, lá pela metade do segundo tempo, cansou, como, aliás, vem ocorrendo nas suas últimas apresentações.

Sobretudo, seus principais jogadores, dentre eles, claro, o mais veterano, Petkovic. É natural, mas pode vir a ser fatal nas duas rodadas restantes do campeonato.

LÁ FORA

O jogo foi espetacular. No primeiro tempo, o Cagliari começou melhor, abriu a contagem, o Milan virou e tomou o empate, antes de revirar tudo com um golaço de Pato, em assistência genial de Ronaldinho, que ampliou de pênalti, para o Cagliari diminuir mais tarde: 4 a 3.

Mas, mais do que os sete gols num futebol atavicamente avaro nesse quesito, vale ressaltar o singelo fato de que Leonardo está recolocando o Milan na linha de sua história: um time mais solto, ofensivo, criativo, o que explica o crescimento de Ronaldinho e Pato, que estão jogando o fino.

Outro dia, o veterano Del Piero, lídimo herdeiro de Rivera, Sandrino Mazzola, Baggio e outros meias históricos do futebol italiano, declarou que a Itália sem Totti não é a Itália. Pois, Totti voltou à Roma diante do Bari, marcando nada menos do que três gols.

Não, nunca espere de Totti um lance a La Ronaldinho, em que a habilidade supere a lógica. Mas, a exemplo de Del Piero, é um jogador de técnica irrepreensível no passe, na visão de jogo, e, sobretudo no remate a gol. Sem dúvida, a Itália sem Totti não é a Itália.

No Campeonato Inglês, a disputa vai se polarizando entre o líder Chelsea e o vice Manchester United. Ambos venceram sues jogos deste fim de semana: o Chelsea goleou o Wolverhampton por 4 a 0, enquanto os Diabos Vermelhos batiam por 3 a 0. O Chelsea dá a impressão de mais compacto, mas o Manchester é o Manchester, e muita água ainda vai rolar nesse eterno Tâmisa.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 26 de abril de 2009 Futebol internacional | 12:38

RONALDINHO E A AMBIÇÃO

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Um time que tem, do meio de campo pra frente, Pirlo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Schevchenko, Inzaghi, Seedorf, Pato, sei lá quem mais, não pode, sob pena de lesar o futebol, se acomodar como o Milan o fez diante de um Palermo entregue, ao fazer o placar de 3 a 0, dois gols de pênalti de Kaká e um, de cabeça, de Inzaghi.

Veja se Barça, Manchester United, Arsenal, Liverpool, Chelsea, até mesmo o Real, renunciam à ambição de golear se a situação se apresenta como a deste domingo? Nem mortos! Ainda mais que o Milan precisa, desesperadamente, recuperar a grandeza perdida há um ano, por baixo.

Sim, claro, melhorou muito em relação ao que estava sendo nesta temporada, mas é evidente a falta de tesão do time – joga na medida do necessário, o que é pouco pelos recursos que tem.

E, bem, nesse quesito, ninguém supera Ronaldinho Gaúcho, que entrou no segundo tempo e ficou ali tentando tocar a bola de ladinho e nem isso conseguiu produzir com efeito.

Não sei o que se passa com esse rapaz, que, nesta quadra de sua vida – coisa de 28/29 anos de idade – deveria estar no auge da produtividade. Jogar bola, ele sabe, todo mundo sabe. Mas, simplesmente, passa a sensação de que abdicou disso.~

Não sei se há algum problema físico que tolhe seus movimentos, ou se apenas perdeu qualquer interesse no jogo.

O fato é que há três anos, no Barça e agora no Milan, não revela a mínima intenção de tentar, ao menos, recuperar seu estágio anterior. Uma pena, em nome do futebol.

Já o Arsenal, que bateu o Middelsbrough por 2 a 0, pelo Campeonato Inglês, exibe uma enorme vontade de golear, mas não consegue. Toca a bola com um refinamento semelhante ao do Barça, mas, na hora da conclusão… huuumm…

Tanto, que os dois gols foram feitos pelo volante-meia Fabregas, ambos fruto de belas tramas e invenções pessoais. É verdade que o artilheiro Adebayor passou a maior parte do tempo no banco, poupado certamente para o confronto do meio de semana, pela Liga dos Campeões.

Contudo, se não goleia, diverte, com seu toque-toque lépido e inteligente.   

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