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terça-feira, 18 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 03:04

NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR

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O que mais me impressiona em Neymar é que o menino não pipoca diante das maiores pressões. Foi assim quando, sob intensa expectativa, estreou pra valer no time titular do Santos, no início do ano. Foi assim quando estreou na Seleção principal, fazendo gols e outros bichos.

Mas, nesta madrugada de terça-feira, extrapolou.

Desembarcou em Tacna, no Peru, para disputar o Sul-Americano Sub-20, sob todos os holofotes, cercado de microfones, manchetes e fotos em profusão nos jornais, gritos histéricos dos fãs, essas coisas todas. Era a estrela da companhia, a estrela do torneio, em verdade.

Pois, entrou em campo, e, sob intenso bombardeio das pernas duras dos defensores paraguaios, meteu quatro gols, os últimos dois num momento crítico para a Seleção Brasileira, depois da expulsão de Zé Eduardo e na esteira do primeiro gol inimigo.

E, quanto mais os paraguaios acertavam as canelinhas do nosso Neymar, mais canetas, chapéus, dribles em série, passes espertos, o garoto ia espalhando pelo gramado.

Coisa de craque, na alma e nos pés, centelhas de gênio, ousaria dizer.

Afora Neymar

Afora Neymar, se isso é possível, já que ele foi o centro de tudo na vitória do Brasil sobre o Paraguai por 4 a 2, vale dizer que a nossa Seleçãozinha promete.

O Paraguai, em qualquer categoria, sempre foi osso duro de roer. Os índios correm feito o diabo, se entregam à luta de corpo e alma, além de possuírem uma técnica cada vez mais respeitável.

Mesmo assim, os meninos do Brasil, embora um tanto esparsos demais em campo pra meu gosto (preferia a linha de zaga mais próxima do meio de campo e este do ataque, numa formação compacta de intermediária à intermediária), botaram a bola no chão, fizeram 2 a 0, com Neymar, de pênalti, e numa escapada pela esquerda, e poderiam sair para o intervalo já goleando.

No início do segundo tempo, porém, houve a expulsão de Zé Eduardo seguida do gol de Viera, em cobrança de corner, o que desestabilizou nosso time.

O técnico Ney Franco foi rápido no gatilho: sacou o meia Oscar para reforçar a marcação de meio-campo com o volante Fernando, e, na sequência trocou o lateral-direito Danilo por Galhardo.

Mas, foi um balão lá de trás, convertido em golaço de Neymar, que reequilibrou nossa equipe. O quarto de Neymar, que peitou o goleiro e concluiu de cabeça sobre a risca fatal, apenas cimentou a goleada. E, nem mesmo a expulsão de Henrique e o segundo gol paraguaio, de Montenegro, em saída em falso do goleiro Gabriel, chegou a ameaçar a vitória final.

Destaques? O lateral-esquerdo Alex Sandro, o volante Casemiro, o zagueiro Uvini, e, claro, Neymar.

Oscar e Lucas, pelo que já mostraram nesta temporada, ficaram devendo um pouco, e o goleiro Gabriel assustou em três saídas de gol.

Há, porém, que se descontar o nervosismo da estreia, e a determinação dos paraguaios, que não é mole.

Cariocão

O mais charmoso e bem arquitetado campeonato estadual do Brasil, apesar do excesso de clubes que o disputam, começa amanhã com Vasco e Flamengo em campo.

O Vasco recebe o Resende em São Januário, quem sabe com Carlos Alberto, seu mais expressivo jogador, em campo. Dou esse tom de dúvida sobre a presença do craque em campo porque tem sido essa a história de Carlos Alberto no Almirante, ou Gigante da Colina, como preferem os mais jovens: uma sucessão de ausências pontilhada por alguma presenças.

Carlos Alberto me encantou quando surgiu muito jovem no Fluminense e nas categorias de base da Seleção Brasileira. Via-o como um meia-armador de habilidade e desortino. Menino ainda transferiu-se para o Porto, onde Moutinho resolveu colocá-lo mais à frente, naquela célebre conquista da Liga dos Campeões.

Mas, já então, Carlos Alberto mostrava-se um jogador ciclotímico, dado a súbtos destemperos em campo. Rodou mundo, jogou no Corinthians, onde peitou o técnico Leão, que não é figura fácil de se conviver, e finalmente, desembarcou em São Januário, onde seguiu a rotina de longas esperas.

Mas, Carlos Alberto está escalado, embora o Vasco deva sentir outras ausências, de jogadores como Eduardo Costa, Dedé, a grande revelação vascaína na zaga, e Anderson Martins, por razões burocráticas.

Não sei da força do Resende, mas, apesar de tudo, acho que dá Vasco.

Já o Flamengo, sem seus estelars reforços – Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves -, pega o Volta Redonda, no Engenhão.

Ronaldinho, segundo a previsão da comissão técnica rubro-negra, só daqui a dez dias.

Fosse eu o Luxa, colocaria desde já Ronaldinho em campo. Não só para atender a expectativa da nação rubro-negra, mas, sobretudo, porque Ronaldinho já cumpriu sua pré-temporada, que, na Europa, é no meio do ano.

Até outro dia estava treinando e jogando pelo Milan, apesar de o técnico Allegri o ter aproveitado pouco no time titular. Logo, é se livrar das toxinas das Festas de Fim de Ano, o que deve ter feito em Londrina, e partir para a luta.

E, com todo o respeito pelo Time do Aço, esse confronto seria aquele amistoso do qual Ronaldinho não participou, bom para afiar o ritmo de jogo do craque, essas coisas.

Mas, enfim…

Notas relacionadas:

  1. ATÉ QUE ENFIM, SÃO PAULO
  2. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  3. SEM GANSO E NEYMAR, TÁ BOM ASSIM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 12 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, Seleção Brasileira | 03:03

JOGO FATAL

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Eis um jogo que será fatal para um dos dois, se não o for para ambos.

Sim, porque um empate entre Corinthians e Cruzeiro, combinado com uma vitória do Fluminense sobre o Goiás, deixará o Tricolor carioca com uma das mãos na taça, na reta final da disputa pelo título.

Portanto, não é de se esperar um daqueles confrontos ranhetas, reticentes, repletos de faltinhas no meio de campo e cheios de dedos dos dois treinadores com vistas a evitar o gol do adversário mais do que realizar os seus.

E, tanto Corinthians quanto Cruzeiro têm bala na cartucheira para disparar ataques arrasadores um sobre o outro, o tempo todo. A começar pela potência de seus respectivos meio de campo, Ali se concentram o que de melhor há em cada um deles, sem falar nos ataques, reforçados pela volta de dois titulares afastados há um bom tempo: Wellington Paulista, no Cruzeiro, e Jorge Henrique, no Corinthians.

Wellington, pelo visto, deverá já entrar em campo de início. Já a Jorge Henrique, recuperado antes do prazo previsto, haverá de faltar ritmo de jogo e fôlego para cumprir suas múltiplas funções habituais no Timão, o que sugere um banco esperto, de onde sairá em caso de extrema necessidade.

O Corinthians leva a vantagem de jogar num Pacaembu desde já lotado pela Fiel em delírio. Mas, essa Raposa é ladina, gente…

Verde que te quero verde

Os dois Verdões se enfrentarão na semifinal da Copa do Brasil, depois das vitórias do Palmeiras sobre o Atlético, na quarta, e do Goiás sobre o Avaí, em plena Ressacada, na noite seguinte.

Vitória um tanto inesperada, com aquele gol solitário de Rafael Moura, que ainda se permitiu a desperdiçar mais duas chances claras, pelo menos, para ampliar o placar. E olhe que o empate classificaria o Avaí, que vive seu inferno astral.

E o que era apenas uma espécie de humor negro começa a desenhar como uma possibilidade, caso o verde de Goiás elimine o verde paulista: um dos representantes brasileiros na próxima Libertadores estará disputando a Segundona do campeonato nacional.

Copa América

O sorteio de grupos da Copa América, a ser disputada na Argentina nos reservou como adversários iniciais Paraguai, Equador e Venezuela.

Moleza, fosse em tempos passados. Mas, os tempos são outros. Tão bizarros que o mapa dessa disputa, o antigo Campeonato Sul-Americano, consegue o prodígio (o que a grana não faz!) de inserir no nosso continente o asiático Japão e o norte-americano México.

Contudo, apesar do nivelamento geral, com devidas graduações, a dureza maior nesse grupo parece ser mesmo o Paraguai, como de hábito. Como o Equador não poderá contar com seu principal aliado – a altitude de Quito -, e a Venezuela, por mais que tenha evoluído, ainda acendeu a luz de perigo permanente, nossa passagem para a próxima fase dependerá tão somente de nós.

Notas relacionadas:

  1. ÊTA JOGO BOM DE SE VER
  2. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 1 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:44

OLHO NA ESQUERDA

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Direto de Johanesburgo – Até onde se sabe dessa ostra em que a Seleção se transformou, Felipe deve voltar ao time e Daniel Alves segue no lugar de Elano, que, pelo jeito, não voltará a campo nesta Copa, embora o médico, logo depois da contusão, tivesse anunciado a pronta recuperação do jogador.

Elano é um dos preferidos de Dunga, pois tanto faz a função de volante, como descai para a direita, de onde lança bons cruzamentos. Mas, Daniel Alves, além de cumprir o mesmo papel, é mais ágil e agitado. Não sei se perdemos muito com a ausência do titular.

Esse, aliás, não deve ser o nosso maior  problema para o jogo desta sexta-feira com a Holanda. O nó está ali na lateral-esquerda, onde Michel Bastos está em fase de readaptação. Por ali costuma jogar Robben, o craque maior da Holanda.

A exemplo de Messi e do nosso inesquecível Mário Sérgio, dois canhotos que gostam e gostavam de jogar pela direita, Robben, mesmo ainda sem suas melhores condições físicas, faz desse seu pedaço. Ali, cria e fulmina.

Dunga, obviamente sabe disso, e, deve, no treino secreto, ter desenvolvido uma proteção especial para Michel Bastos, espero. Mas, como tudo, nessa Seleção é mistério…

Por outro lado, cabe-nos explorar as eventuais falhas do adversário.

E quais são?

Basicamente, a dupla de zaga, formada pelo experiente, mas impreciso Heitinga, e por Mathisen. Ambos recebem a proteção de Van Bommel, mais um armador do que marcador, e Jong, de técnica relativa.

Assim, se Kaká, Robinho e Luís Fabiano estiverem inspirados, dificilmente o Brasil deixará de seguir em frente nesta Copa.

CELESTE NAS ESTRELAS

Há muitas Copas a Celeste Olímpica não cumpre campanha tão promissora. Sei lá, talvez, desde 1970, se a minha falha memória não falha, quando foi eliminada, em jogo duríssimo, por aquele timaço brasileiro, a melhor Seleção do mundo de todos os tempos, na minha modesta opinião. E, da Fifa, também.

Não, não é um esquadrão inesquecível esse time uruguaio, longe disso. Não tem aqui um Schaffino, um Pedro Rocha, um Francescolli, enfim, um desses craques que fazem história e organizam qualquer equipe.

Mas, conseguiu se ajeitar durante a Copa, com uma defesa raçuda comandada pelo nosso mui conhecido Lugano, e formar um trio atacante interessante, com Forlán, na armação, Cavani e Luisito Suarez na complementação.

Pega, nesta sexta-feira a única remanescente das seleções africanas que por aqui passaram, Gana, de futebol agressivo, veloz, mas um tanto desconjuntado e impreciso nas finalizações.

Gana, porém, tem três jogadores, pelo menos, que merecem especial atenção: o meia Muntari, da campeoníssima Inter de Milão, o experiente Appiah, do Bolonha, e Gyan, do Rennes da França. Jogadores rodados na Europa, de certa qualidade, que podem complicar a vida dos uruguaios.

Mas, pelo visto até aqui, a Celeste tem seu nome gravado nas estrelas.

BRIGA DE CACHORRO GRANDE

Maradona e seus discípulos, com sede de vingança de Copas passadas, provocaram a dar com o pau os alemães, que, por sua vez, revelaram inusitada irritação. O jogo deste sábado, portanto, deve ser disputado num clima emocional até agora inusitado nesta competição.

Prevê-se muita catimba e até atos de violência, se o juiz não souber dosar suas decisões, o que contraria as estatísticas das duas equipes nesta Copa, pelo menos. O fato é que, nos planos tático e técnico, a Alemanha leva vantagem no primeiro, por ser um time mais compacto e objetivo, e a Argentina, no segundo, graças sobretudo ao talento de Messi e de Tevez. De qualquer forma, ambos jogam ofensivamente e a promessa de muitos gols adensa-se com a chegada da hora da partida.

ESPANHA X PARAGUAI

Quanto ao outro jogo do sábado, a Espanha é franca favorita. É tecnicamente muito superior ao aguerrido Paraguai, que, apesar do péssimo desempenho contra o Japão, melhorou muito nos últimos tempos nos quesitos toque de bola e ataque.

O diabo é ver que o sempre ponderado Vicente Del Bosque não conseguiu achar uma fórmula para incorporar a bola redondinha de Fábregas a esse time. Mesmo a Espanha perdendo um pouco do dinamismo na troca de bola do meio-campo ao ataque, pela presença de dois excelentes volantes – Alonso e Busquets – mas por demais retraídos.

Contudo, nessas questões de mata-mata, onde o imponderável ganha maior presença, superioridade técnica nem sempre decide o jogo.

Notas relacionadas:

  1. UM FESTIVO DIA DE CÃO
  2. A VEZ DO MALANDRO
  3. E A COSTA DO MARFIM?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 29 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 17:42

MATURIDADE DE ROBINHO

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Direto de Johanesburgo – Robinho, tido e havido como faroleiro, irresponsável, um tanto moleque, esses clichês todos que as pessoas gostam de pregar neste ou naquele, e depois segui-los pelo resto da vida como cartilha imutável, deu uma bela prova de maturidade ao saber que havia sido escolhido o melhor jogador em campo contra o Chile.

Agradeceu a honraria, mas discordou da escolha:

- Não fui o melhor, não. O Juan, o Gilberto Silva, o Daniel Alves e outros jogaram mais do que eu.

Lúcio está entre os outros, mas poderia ter encabeçado a lista. Ele e Juan jogaram muita bola, tanto marcando lá atrás quanto saindo para o jogo. Lúcio, com suas proverbiais arrancadas ao ataque. Juan, com aquele passe exato, refinado, de zagueiro de alta classe.

E Gilberto Silva, tão contestado, inclusive por mim, deu um show de posicionamento e firmeza e serenidade no meio de campo. Facilitou-lhe a tarefa, claro, a movimentação constante de Ramires e Daniel Alves, ao seu lado, pois, como ensinava o saudoso Gentil Cardoso, quem pede tem preferência, mas quem se desloca recebe. Sobretudo, porque quem se desloca facilita o passe de quem tem a bola aos seus pés.

Melhor dos últimos tempos

Mas, se Robinho não foi o melhor da partida, nem chegou a se destacar pelas pedaladas e outros truques que lhe deram fama e fortuna, sem dúvida, tem sido o mais importante jogador da Seleção de Dunga, ao longo destes três anos e meio de trabalho.

Nem tanto por sua notória habilidade com a bola nos pés. Muito mais, porém, por sua participação solidária no fechamento dos espaços, quando o ataque é cortado pelo adversário, e na movimentação rápida e constante, oferecendo-se sempre como alternativa para o passe, seja na armação das jogadas, seja lá na frente, na zona de conclusão.

Ele, com Kaká e Luís Fabiano voltando às suas respectivas formas atléticas, forma um trio da esperança brasileira de chegar ao Hexa. Difícil, mas perfeitamente possível diante do baixo nível técnico desta Copa até aqui, com as exceções de praxe – Alemanha e Argentina, sem falar na Espanha, que ainda não pegou no breu, mas tem elenco pra tanto.

E a Holanda?

E a Holanda, outro time que chegou badalado à África do Sul, nossa adversária da hora?
Bem, a Holanda tem bons jogadores, como Sneijder, Van Bommel, Van Persie, Bronkhoerst, mas é extremamente dependente de Robben. E, Robben, todos sabem, mal se recuperou ainda da grave lesão que quase o tira da Copa.
Além do mais, a dupla de zaga holandesa – o veterano Heitinga e Mathisen – não inspira a menor confiança, justamente o contrário dos nossos Lúcio e Juan.

E é aqui que repousa outra das nossas grandes esperanças.

As dúvidas ficam por conta das ausências certas de Ramires, suspenso, Júlio Baptista, Felipe Melo e muito provavelmente Elano, que saiu do treino, aqui em Johanesburgo, evidentemente chateado, antes de seu final.
As alternativas? Josué – o mais cotado -, Kleberson ou até Gilberto, deslocado para a posição que mais ou menos vem ocupando no Cruzeiro. Daniel Alves, segue, é claro.

VALHA-ME DEUS!

O duro foi espantar o cochilo recorrente nesta tarde friorenta durante todo o jogo entre Paraguai e Japão. Nenhum dos dois times foi capaz de protagonizar um instante sequer de emoção, um lance de arte e engenho, nem mesmo uma troca de passes inteligente e sincronizada. Nada. Ah, sim, houve aquele disparo do Japão na trave do Paraguai.

Como castigo, ainda tivemos de acompanhar mais trinta inúteis minutos da prorrogação. O Paraguai, por fim, nos pênaltis, ganhou uma vaga nas quartas de final. Valha-me Deus!

ESPANHA, CLARO

Já Espanha e Portugal foi outra coisa. Já de cara, a Espanha partiu envolvendo Portugal, naquele toque-toque barcelonês, e dois tiros da esquerda – um de Torres e outro de Villa -, obrigaram Eduardo a se virar.

Mas, aos poucos, com o zagueiro Pepe fazendo a dupla função de cabeça-de-área e beque, os lusos cortaram a comunicação entre os dois atacantes e seus servidores imediatos – Xavi e Iniesta.

E, também em dois disparos longos, Tiago e Cristiano Ronaldo levaram perigo a Casillas. Mas, no segundo tempo, Del Bosque trocou Torres, que errava demais, quando a bola conseguia varar a defesa lusa, por Llorente, que, na primeira participação quase faz de cabeça.

Isso animou os espanhóis, Iniesta passou a jogar o que sabe, e, numa enfiada genial para Xavi, que tocou de calcanhar para Villa marcar o gol da vitória. O mesmo Villa que criaria mais três boas chances para ampliar.

Justa e promissora passagem dos campeões europeus às quartas de final.

Notas relacionadas:

  1. ROBINHO OU JÚLIO BAPTISTA?
  2. MEDO DE QUEM?
  3. JOGADAS SECRETAS (?)
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 14 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 18:15

CRIATIVIDADE E EFICIÊNCIA

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Direto de Joanesburgo – Depois do reconhecimento de terreno no estádio Ellis Park, palco da estreia do Brasil contra a Coreia do Norte, Dunga deu uma entrevista protocolar, exigida pela Fifa, nessas ocasiões.

E, novamente voltou a investir sobre os críticos, que, há tempos, vêm reclamando um pouco mais de criatividade no nosso meio de campo. Entende-se a revolta do técnico, como parte da natureza humana. Afinal, seus números à frente da Seleção são significativos, coisa de 77,5 por cento de aproveitamento, um dos maiores índices da história, se não for o maior.

Mas, Dunga escorrega quando cita os 108 gols marcados em 55 jogos (entre oficiais e amistosos), o que dá, em média, quase dois gols por partida, como prova de que seu time é criativo, sim, senhor.

Criatividade é uma coisa; eficiência, outra. Um time que, diante de um adversário reconhecidamente inferior, técnica e historicamente, cria três chances e converte duas, por exemplo, ao longo de 90 minutos, é, sem dúvida eficiente, mas não criativo.

Assim como, invertendo os fatores, um time que cria dez chances e não faz nenhum, é criativo, mas não eficiente.

O Brasil de Dunga é, sem sombra de dúvida, eficiente: tem uma defesa sólida, graças, sobretudo, ao nosso goleirão, que, nas horas críticas, respondeu positivamente, sempre. Tem um meio de campo equilibrado na marcação, mas reticente na criação, e um ataque, que, quando acionado, cumpre seu papel.

Não foram poucas as partidas, neste período todo, em que nosso time ficou lá atrás encolhido, sem fluência para sair tocando e envolver o adversário, mesmo diante de adversários frágeis.

Assim como é pura verdade que o time cumpriu dois ou três desempenhos dignos de nossa história, diante de adversários fortíssimos, como Itália e Argentina, o que, aliás, foi aplaudido até com o justo estardalhaço que os feitos mereciam pela imensa maioria da crônica esportiva brasileira.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E, tanto é mais verdade que Dunga está atento ao problema do meio de campo que não tem feito outra coisa, nos treinos a que pude ter acesso, se não incentivar a circulação de bola no setor, seja nos treinos alemães, seja nos coletivos.

Mesmo porque, diante da correria que se espera dos norte-coreanos, na estreia desta terça-feira, esse será um expediente precioso – esconder a bola dos pequeninos, que, numa pedalada de Robinho, uma investida de Kaká, um impacto de Luís Fabiano, o gol acaba saindo. Ou, na pior das hipóteses, numa cobrança de falta de Elano ou Michel Bastos. É o que basta para aumentar ainda mais o índice de aproveitamento de Dunga e seus discípulos.

Kaká e colegas no último treino brasileiro antes da estreia

Kaká e colegas no último treino brasileiro antes da estreia

Holanda sem Robben

O técnico holandês, na véspera, disse que a jabulani faz coisas engraçadas no ar, mas, rasteirinha, ela será amiga fiel de seu time, que gosta mesmo é de tocá-la pra cá e pra lá, até achar a brecha para a vitória

E não deu outra. Mesmo sem Robben, sua principal estrela, a Holanda passou fácil pela Dinamarca: 2 a 0, fora mais umas três ou quatro boas oportunidades. E o gol de abertura, uma clara travessura da bola cruzada na área dinamarquesa que Polsen tocou de cabeça contras as próprias redes.

Não que fosse uma atuação de gala dos laranjas, nada disso. Mesmo porque a Dinamarca é outro departamento em relação aos adversários de estreia dos mais sérios candidatos ao título.

Claro, longe está daquela Dinamáquina de Olsen e os irmãos Michael e Bryan, mas jogou sério, marcou pra valer e dificultou ao máximo as ações dos holandeses, chegando, por duas vezes, a ameaçar o gol inimigo.

Olho nesses holandeses, sobretudo se Robben voltar com todo aquele fogo e o talento que demonstrou nos últimos tempos pelo Bayern de Munique.

Mamma mia!

Confesso que esperava um jogo ainda mais ranheta, coroado por um zero a zero gigantesco. Afinal, era a Itália do catenaccio contra o Paraguai da retranca. Até que não chegou a tanto, embora, tecnicamente, tenha sido um horror, com certa prevalência dos italianos, a partir de seu gol de empate.

Sim, porque, acredite: se houve um gol de empate, houve obviamente um gol de abertura: duas bolas alçadas na área, de um lado e de outro.

Quer dizer, então, que a Itália já pode ser descartada na corrida pelo título?

Nem pensar, os italianos são sempre assim: iniciam tropeçando nos próprios pés, vão indo, vão indo e acabam fondo, como dizia aquele filólogo dos gramados.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. PRA FRENTE, DUNGA!
  3. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 11 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 00:34

AGORA, A ÁFRICA!

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Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.

Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.

Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.

No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.

Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).

No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.

Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.

Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.

Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.

Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.

Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.

Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.

Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.

Notas relacionadas:

  1. AS SURPRESAS DE DUNGA
  2. BELA VITÓRIA
  3. SELEÇÃO, PAIXÃO E FLORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,