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Posts com a Tag Palmeiras

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 16:13

NENÊ? E POR QUE NÃO?

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Parece até transmimento de pensação, como dizia o caipira. Pois, outro dia, estava vendo um jogo do PSG, em que o grande destaque foi o meia Nenê, e me veio à cabeça a possibilidade de o ex-craque do Palmeiras e do Santos merecer uma chamada de Mano.

Claro que não há nada de esotérico nisso. Afinal, creio haver uma sintonia fina entre a minha maneira de ver o futebol e a do técnico brasileiro, que tenta resgatar nosso estilo verdadeiro de jogar bola na Seleção, tão vilipendiado nos últimos tempos.

Eis, pois, que leio na Internet declaração do treinador, segundo a qual está de olho em Nenê, abrindo até a perspectiva de chamá-lo dias desses. Canhoto, hábil, solidário, e agora até goleador, Nenê não é nenhum super craque, mas pode, sim, vir a ser útil, sobretudo com sua experiência internacional, nessa fase de transição da equipe brasileira.

Cariocão

O Fluminense, que acaba de apresentar mais dois reforços – o volante-zagueiro Edinho e o atacante Araújo, revelado pelo Goiás anos atrás -, estreia no Cariocão ainda sem Conca e Emerson, mas com Souza e Deco armando as jogadas para Tartá e Fred.

Sugestiva formação, diga-se, para pegar o Bangu no Engenhão.

Claro que o campeão brasileiro não estará cintilando desde já, assim como todos os outros grandes do Brasil, que tiveram sua pré-temporada capada pela imediata disputa dos estaduais.

Mas, é de se esperar coisa de meia hora de bom futebol do Flu, pelo menos.

Já o Botafogo, que recebe o Duque de Caxias, na rodada dupla do Engenhão, ainda não poderá contar com seus novos reforços – Rodrigo Mancha, volante, ex-Santos; o meia-atacante Everton e o uruguaio Arévalo “Cacha” Rios, contratado para substituir Leandro Guerreiro.

O esquema é praticamente o mesmo do Brasileirão, com três zagueiros de ofício, e as estrelas solitárias do Botafogo continuam sendo o técnico Joel e o centroavante Loco Abreu.

Vejamos no que vai dar.

Paulistão

O campeão paulista, ainda desfalcado de uma batelada de titulares, recebe o Mirassol, no Pacaembu, com duas novidades de escol: Jonathan, ex-Cruzeiro, e Elano, na sua reestreia no clube da Vila.

Na sua estreia no Paulistão, o Santos não brilhou, mas goleou, e a manutenção da base vitoriosa sempre dá um novo estímulo.

Já São Paulo e Corinthians não golearam na rodada de abertura, mas venceram seus jogos, o que também serve para animar a tropa.

O Tricolor tem a vantagem de reincorporar dois titulares contra o caçula São Bernardo, que entrou com o pé direito na competição, no fim de semana: Dagoberto e Marlos. Ao contrário do Corinthians, que vai a Bragança sem Ronaldo Fenômeno, aquele que faz diferença, mesmo longe de sua melhor forma física.

Por fim, o Palmeiras, único grande paulista a tropeçar na estreia do Brasileirão, empatando por 0 a 0 com o Botafogo. Ainda sem Valdívia (até quando?) e com Lincoln contundido, Felipão terá de tirar da manga do colete um armador para dar uma pitada de sal no seu meio-campo. Ora, colmo colete não tem manga…

Seleção Europeia

Por falar em estrela solitária, o lateral-direito Maicon é o único brasileiro escalado na Seleção da Uefa de 2010. Em contrapartida, o Barça cede nada menos que meia dúzia de craques: a dupla de zaga Piqué e Puyol, Xavi, Iniesta, Messi e David Villa, ratificando mais uma vez – o Barça é o melhor do mundo, tanto coletivamente quanto individualmente.

E olhe que, no ano findo, Danel Alves, também do Barça, jogou mais do que Maicon, sobretudo no segundo semestre quando tomou a posição do interista na Seleção Brasileira de Mano Menezes. Seriam, portanto sete.

Completam a equipe o goleiro Iker Castillas e Cristiano Ronaldo, do Real, o meia Sneijder, da Inter, e o inglês Ashley Cole, do Chelsea, formando um time dos sonhos que, infelizmente, nunca entrará em campo de verdade: Casillas; Maicon, Piqué, Puyol e
Cole; Xavi, Iniesta e Sneijder; Messi, David Villa e Crstiano Ronaldo.

Renato x Grêmio

A lua-de-mel do técnico Ronaldo Gaúcho e a direção do Grêmio chegou a um impasse, digamos, a primeira briga do casal, consequência da vitória da oposição nas urnas tricolores.

Renato, dizendo-se cansado de tanta trabalheira e de olho exclusivo na pré-Libertadores, anunciou publicamente que não irá aos jogos de seu time no interior gaúcho e que, talvez, nem participe em campo do Gre-Nal, o que, lá nos pagos, significa mais do que uma heresia.

E, mais: contrariando os desejos da nova diretoria, espalha aos quatro ventos o andamento de sua renovação de contrato, as buscas por novos reforços e tal e cousa e lousa e maripousa.

Pelo visto, isso não vai dar certo.

Tudo bem: Renato é uma legenda na história do Grêmio, como jogador, e, como treinador, conseguiu a proeza de elevar o time da zona do rebaixamento à vaga na Libertadores, no Brasileirão passado.

Mas, sacumé, nessa fogueira de vaidades que arde sem cessar no mundo do futebol, se o cara não souber evitar as fagulhas, acaba sendo mesmo é fritado.

*Leia mais sobre Nenê no blog de futebol francês do iG Esporte clicando aqui

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  2. FÓRMULAS E EUFORIAS
  3. CARIOCAS, LOGO LÁ
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 9 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 22:47

OS TRÊS REIS MAGOS

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A simples presença dos três jogadores do Barcelona no pódio da Bola de Ouro da Fifa já resume tudo: é um dos raros times da história que consegue praticar um jogo coletivo preciso, eficiente, vencedor, sem apagar o brilho de suas individualidades.

Messi, Xavi e Iniesta, cada um no seu estilo, cada um portando sua própria identidade, jogam para o time mas também para si – na verdade, para nós, felizes espectadores dos espetáculos que o Barça nos proporciona rodada.após rodada.

Neste fim de semana, por exemplo, meteu 4 a 0 no Deportivo, em La Coruña, assim como quem passeia num fim de tarde á beira-mar. E, sem Xavi, diga-se, que ficou descansando no banco, enquanto Messi e Iniesta faziam a festa em campo.

Xavi é o maestro; Messi, o protagonista, um misto de prestidigitador e primeiro violinista; e Iniesta transita entre a precisão de um e a magia do outro.

Messi é o melhor do mundo, e, desde já, tem um nicho seguro entre os grandes craques da história do futebol. Mas, somando-se os desempenhos no Barça e na Seleção Espanhola campeã do mundo, Iniesta e Xavi se equiparam a ele na disputa pelo título deste ano.

O circo

Grêmio e Palmeiras anunciaram sua retirada do picadeiro armado por Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis. Mas, nem por isso está garantido que Ronaldinho acabará desembarcando na Gáveia, como sugere o andamento da carruagem.

Afinal, há quem diga que o Flamengo não era a opção preferencial de Assis. E, diante de tantas idas e voltas do procurador do jogador, nesse Triângulo das Bermudas, é até capaz de Ronaldinho desaparecer de cena para ressurgir em algum clube da Oropa, Ásia ou Bahia, como dizia o poeta.

O Flamengo lhe oferece uma camisa gloriosa, o aplauso de uma nação, as frenéticas Noites Cariocas, já não mais sob os amenos acordes do bandolim do Jacob, a indulgência antecipada de eventuais atrasos aos treinos, essas coisas todas que sabemos de cor e salteado.

Em contrapartida, o craque terá de carregar o time nas costas, pois o elenco a que se integrará não inspira suspiros a ninguém. Para tanto, terá de abrir mão de todas aquelas tentações conhecidas, acordar cedo, fazer muita ginástica, entrar em plena forma e fazer em campo todas aquelas mágicas de que é capaz mas que não tem executado há um bom tempo.

Notas relacionadas:

  1. E DEU BARÇA, POR JUSTIÇA
  2. TRÊS CLÁSSICOS BRASILEIROS
  3. EMPATE EM TRÊS CORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 4 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 15:03

RONALDINHO NA ENCRUZILHADA

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Ronaldinho, literalmente, está na encruzilhada de sua vida, talvez, a última em sua brilhante carreira. Aos 30 anos de idade, marca fatal para um craque que atingiu o ápice há quatro ou cinco anos, eleito o melhor do mundo por duas vezes, campeão mundial pelo Brasil, sem falar nos tantos títulos nacionais e continentais conquistados em seus tempos gloriosos de Barcelona, antes de tudo, o craque terá que conversar consigo mesmo para definir se quer mesmo tentar um salto derradeiro em sua carreira, ou deixar o barco vogar ao sabor dos ventos afortunados do passado.

Resolvida essa questão existencial, então, caberá escolher um dos três caminhos que se abrem à sua frente: o que o levará de volta ao calor do berço do Olímpico; o que o conduzirá aos braços de uma nação em vermelho e preto, na Gávea; ou aquele que lhe permitirá acrescentar mais uma pequena fortuna à sua já recheadíssima conta bancária, com possibilidade de se transformar num dos maiores ídolos do Palestra Itália de todos os tempos.

Até onde se sabe, a proposta do Palmeiras, financeiramente, é a mais tentadora, tanto para o Milan quanto para o agente do craque, seu irmão Assis.

Mas, o Flamengo, gente, é o Flamengo! Aquele abraço! Aquele embalo sem fim. As noites cariocas, sol, mar, o barquinho vai, a tardinha cai…

Contudo, nenhum dos dois participará da Libertadores, a grande vitrine continental, título que falta ao rico acervo de troféus de Ronaldinho. Além do mais, dos três que oferecem a mão ao craque, é justamente ao qual Ronaldinho tem uma dívida de gratidão, por sua traumática saída do time que forjou sua vida de craque e que ficou a ver navios na sua ríspida partida para o PSG.

Por fim, é o Grêmio aquele time mais ajustado tecnicamente e animado pela súbita e exitosa reação no Brasileirão, em que Ronaldinho cairia como a cereja no bolo, sem tanta responsabilidade de ser o salvador da pátria, papel que parece não se encaixar em seu perfil, diga-se.

Essa, pois, é a hora da verdade para Ronaldinho. Só espero que faça a escolha certa, para ele e os amantes de seu futebol inigualável, do qual todos sentimos saudade.

A volta de Kaká

Ele entrou aos 30 minutos do segundo tempo, quando o Real batia o Getafe por 3 a 1. E entrou, para minha surpresa, com tudo, dando aqueles piques pelo meio e pela esquerda que lhe fizeram fama e fortuna, além do título de melhor do mundo, nos tempos do Milan.

E por pouco não deixou sua marca nas redes do Getafe, numa bola que lhe enfiou de jeito o português Cristiano Ronaldo.

Kaká é um desses jogadores por quem a gente torce de graça, seja por seu talento indiscutível, seja por seu temperamento do qual a sensatez só se evadiu em dois lances: a associação já desfeita com aquela dupla suspeita do templo que frequentava e pela investida contra Juquinha, o Traquinas, na Copa da África, negando o que depois se confirmou: a lesão no joelho que o afastou por mais de meio ano dos gramados.

Mas, isso são águas passadas. Agora, é hora de celebrar a expectativa de que, com o novo ano, vida nova. Ou melhor: renovada, verdadeiramente.

Campeão reforçado

O campeão brasileiro, Fluminense, salta na frente dos demais candidatos brasileiros à Copa Libertadores, ao levar para as Laranjeiras dois jogadores preciosos: o goleiro Diego Cavalieri, que não sei até hoje por que cargas d’água não deu certo na Itália, onde arqueiros, como Doni, por exemplo, de menor talento conseguiram êxitos inesperados, e o múltiplo Souza, meia, volante, lateral, o que queiram que seja.

Ah, sim, e ainda estão engatilhados mais dois; Edinho, de extrema utilidade por poder jogar tanto de zagueiro quanto de volante de contenção, bem ao gosto de Muricy, e Araújo, aquele atacante driblador, incisivo, goleador, revelado pelo Goiás, anos atrás.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
  2. RONALDINHO, O MELHOR DA DÉCADA
  3. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 2 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 14:54

O DIVINO E O GANSO

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Disse o poeta que tinha o fogo em suas mãos. Imagino que Garcia Lorca, se escapasse dos assassinos de Franco, trinta anos depois, ao vê-lo em campo, diria que Ademir da Guia tinha o ar, a água e a terra a seus pés.

Seu futebol era líquido, fluente, que escorria como um regato cristalino, não confrontando mas desviando-se dos obstáculos, sinuoso, ininterrupto, sempre renovado no seu repetido e manso fluxo.

Era ar, porque etéreo, como se não tocasse o chão nas suas passadas largas e lânguidas, ereto, cabeça erguida, como quem apenas vislumbra o horizonte, nada mais, esquadrinhando a terra sobre a qual tinha domínio absoluto: onde estivesse, por ele, a bola teria de passar inevitavelmente.

Resumindo, o Divino passava a sensação de controlar como nenhum outro o espaço e o tempo. Falso lento, submetia o jogo ao seu ritmo, à sua intuição, ao seu poder feito de silêncio e magia.

Falo de Ademir da Guia, o Divino, apelido herdado de seu legendário pai, Domingos, para falar de Ganso, pois este é o mês que abre o ano e a perspectiva de termos o craque peixeiro de volta aos campos. Entre outras coisas, porque um lembra o outro.

Ademir era destro, Ganso é canhoto. Mas, ambos guardam entre si a mesma postura. Esguios, cerebrais, falsos lentos, donos de um senso de organização raríssimo e de uma elegância no trato com a bola sem par.

Ganso, ao contrário de Ademir, que praticamente nunca teve sequer uma distensão muscular em seus quase vinte anos de carreira, muito jovem ainda já foi vítima de sérias lesões. Eis por que me agonia a espera de sua volta. Mas, ao contrário de Ademir, Ganso me parece um sujeito mais determinado, mais centrado no seu destino, o que lhe pode conferir uma força extra para recuperar o tempo perdido.

Rezo por isso, mesmo sendo ateu.

Até o minuto final

Uma das tantas coisas que me encantam no Campeonato Inglês é que, lá, prevalece sempre a lei do saudoso Chacrinha: o jogo só acaba quando termina.

Pegue o amigo como exemplo esse empate por 3 a 3 do Chelsea com o Aston Villa. No primeiro tempo, 1 a 1, gols de pênaltis para cada lado. No segundo, logo aos 2 minutos, o Aston passa à frente, arrecua os arfos como recomendava o folclórico técnico caipira, e passa a sofrer um sufoco que só poderia resultar na virada por 3 a 2, já nos acréscimos. Pois  não é que Clark, de cabeça, empata de novo a partida, o que coloca a cabeça do técnico italiano do Chelsea, Carlo Ancelotti, no cadafalso?

O fato é que este campeonato começa a tomar contornos inesperados: ou os grandes já não são tão grandes, ou os pequenos deram um salto de qualidade que transformou a disputa mais acirrada do que de hábito.

Sim, claro, Manchester United, que bateu o West Bromwich, na casa do inimigo por 2 a 1, a duras penas, segue líder. O Arsenal meteu 3 a 0, com certa folga, no Birmingham, e o Manchester City, que começa a ganhar um espaço, finalmente, entre os grandes, ficando em terceiro e segundo lugares, respectivamente.

Isso sem falar nas surpresas das rodadas anteriores, acumuladas pelas neves implacáveis da véspera do Natal.

Pelo visto, será um ano realmente novo para inglês ver.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
  3. CASABLANCA, NEYMAR E GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

domingo, 12 de dezembro de 2010 Clubes brasileiros | 15:00

NÓS, NA LIBERTADORES

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Definida a última vaga na Libertadores, então teremos dois gaúchos, dois paulistas, um mineiro e um carioca representando o futebol brasileiro na principal competição do continente

Apesar da heroica campanha do Goiás na Copa Sul-Americana, melhor do que o Independiente em mais de três quartos da soma dos jogos (e prorrogação) finais, convenhamos, o Grêmio me parece mais habilitado a melhor representar nossa bandeira na Libertadores.

Tem mais camisa, experiência nesse tipo de disputa e vem num embalo impressionante desde o início do segundo turno do Brasileirão.

Mas, o que esperar de Corinthians e Santos, os dois paulistas que estarão em ação?

É cedo para fazer uma projeção mais exata, pois ambos começaram agora a mexer os pauzinhos para se reforçar com vistas à próxima temporada.

O Corinthians, ainda sob o impacto da brusca queda para o terceiro lugar no Brasileirão, o que o obrigará a disputar a pré-Libertadores, ele que sonhava com o título, acaba de perder Elias, um dos dois esteios do time nas últimas temporadas. E até o vice-presidente de futebol se demitiu.

Além do mais, não sabe o que esperar de Ronaldo Fenômeno, e parece mais preocupado em se livrar do que restou da legião de contratados equivocadamente para a Libertadores passada – Danilo, Iarley etc. – do que em acertar o alvo nas eventuais novas contratações.
Fixado em trazer Adriano, não revela outras opções mais exequíveis. Como, por exemplo, a volta do He Man, que anda em estado de graça no Goiás.

Já o Santos dá sinais de que está mais lúcido na parada.

Zé Roberto, que teve tão auspiciosa passagem pela Vila, tempos atrás, diz que pretende, sim, voltar para o Peixe, a fim de formar um meio-campo de se tirar o chapéu: ele, Arouca, Elano e Ganso.

Mas, ainda há a possibilidade de Fabrício trocar o Cruzeiro pelo Santos de Adílson, seu ex-treinador, aquele que o fez renascer para o futebol na Toca da Raposa.

De qualquer forma, fica faltando um homem a mais lá na frente, para dividir com Neymar a tarefa de encher de gols as redes inimigas. Quem sabe uma possível volta de André? Seria a sopa no mel.

Já o Cruzeiro, mesmo que perca Fabrício, tem um elenco sólido, como o Inter, que está em plena disputa do título Mundial. E este pode ser um divisor de águas. Uma eventual perda da faixa de campeão mundial, pode abalar o Inter, já que é favorito na disputa, num momento muito ruim de seu xará de Milão.

Quanto ao Flu, está nadando de braçada, com o título brasileiro e a possibilidade de, na pré-temporada colocar nos triqnues seu quarteto de escol – Deco, Conca, Fred e Emerson. Mas, bem que caberia um volante de alta classe para apoiar essa turma. Só Diguinho é pouco.

A expectativa, porém, do0 múltiplo Richarlyson já é um alento.

Ronaldinho no Palestra

O Palmeiras parece mesmo empenhado em tentar trazer para o Palestra Itália o nosso Ronaldinho Gaúcho, que, depois de uma breve recuperação no início do ano, caiu novamente em desgraça no Milan.

Seria, sem dúvida, a maior atração do Ano Novo no futebol brasileiro.
Mas, tenho minhas dúvidas se viria a ser a grande solução para esse Palmeiras tão fragmentado em todos os setores e sentidos.

A não ser que Felipão consiga o milagre de injetar-lhe um novo ânimo para jogar bola, e só jogar bola.

Sucede que a caixa de milagres de Felipão parece estar com a tampa enferrujada nos últimos tempos: perdeu a Eurocopa em casa, para a modestíssima Grécia, com a maior geração de craques portugueses desde os tempos de Eusébio e Coluna; teve pífia e breve passagem pelo Chelsea, e, no regresso ao Palmeiras, apostou tudo na Sul-Americana e acabou sendo desclassificado pelo rebaixado Goiás.

Mas, Ano Novo, vida nova. Espero.

O cartola Ronaldo

Ronaldo Fenômeno revelou uma faceta desconhecida de sua personalidade naquele fórum produzido por Carlos Alberto Parreira, no Rio. Não só acertou na mosca ao culpar o calendário brasileiro pelos maiores problemas do nosso futebol, como se dispôs a ter uma atuação decisiva na luta em favor da imensa maioria de jogadores profissionais que, ao contrário dele próprio e alguns poucos escolhidos pela sorte e talento, ganham uma mixaria por esses brasis afora.

Festival de reservas

Falando em calendário, um lembrete aos amigos que acham o sistema híbrido de pontos corridos e mata-mata a grande solução para evitar que este ou aquele time entre em campo com seus reservas, por conta da disputa simultânea em outra competição, como fizeram Palmeiras, Galo, Inter e Goiás na reta final do Brasileirão: a última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões foi um festival de reservas em campo. E daí?

O brasuca Conca

O quê? O argentino Conca com a camisinha canarinho? Pois, olhe que pode até ser, já que o craque tricolor está providenciando sua naturalização brasileira. E, como nunca jogou pela Seleção Argentina, não haveria empecilhos burocráticos para sua inscrição pelo Brasil.

Pelo que sei, seria o primeiro estrangeiro a defender o Brasil nos campos do futebol. Já houve no passado, lá pela virada dos anos 70 para os 80, um outro estrangeiro cogitado para jogar pelo Brasil: o uruguaio Dario Pereyra. Mas, a coisa não andou. Agora, seria um tapa de luva de pelica nesses treinadores brasileiros da base e das divisões profissionais que preferem taludos volantes a meias de habilidade como Conca.

Notas relacionadas:

  1. ROGÉRIO, LIBERTADORES E LIGA
  2. LIBERTADORES, COPA BR E OBINA
  3. CRISE NA LIBERTADORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

domingo, 28 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 21:07

COM A TAÇA NA MÃO

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Digamos que o Palmeiras simplesmente não tenha se empenhado além de seus limites. Isso não é crime, mesmo porque é tão flagrante a superioridade técnica do Flu sobre o Verdão, que ninguém pode garantir seria outro o placar caso os palestrinos colocassem os bofes pra fora na Arena de Barueri.

Assim, o Tricolor carioca vai para a rodada final com as duas mãos na taça. É só não fazer nenhuma besteira que o título vai para as Laranjeiras, entre outras coisas porque o adversário da vez será um Guarani já rebaixado, desmoralizado e, muito provavelmente, sem forças para se antepor à caminhada gloriosa do Flu.

Mas, bem que o Verdão assustou, no início, com aquele disparo fatal de Dinei, lá do meio da rua, que abriu a contagem. Mas, o Flu estava lá munido de seu quarteto de escol – Deco, Conca, Fred e Emerson. E, nem precisou tanto deles para virar o jogo. Deco saiu logo de cara, machucado e a dupla Emerson-Fred, apesar das investidas iniciais, não resolveram. Só Conca manteve o nível de sempre, e os que decidiram as coisas foram Carlinhos e Tartá.

De resto, foi deixar o tempo passar, sob o delirante apoio da torcida tricolor e a lamentável demonstração de incivilidade dos palmeirenses que se postaram atrás do gol de Deola pedindo para o goleiro abrir a porteira.

Que pobreza de espírito, meu Deus… E que falta de respeito ao Fluminense, que chegou onde está com suas próprias pernas e dispensa essa torcida auxiliar, perversa e imbecil.

torcida-xinga-deola

Na torcida para o Fluminense, palmeirenses hostilizam Deola em Barueri

Timão vivo

Não, meu amigo, não espiei nenhuma bola de cristal, tampouco saquei da caixa de milagres a ideia aqui exposta dias atrás sobre a possibilidade de Danilo substituir Ronaldo no jogo com o Vasco, no Pacaembu, neste domingo.

Foi apenas uma reflexão baseada na lógica do jogo (sim, futebol tem lógica, meu caro, e como!). Danilo seria a melhor alternativa, nesse caso específico. E foi, como provaram sua atuação e seu gol de cabeça, o segundo, na vitória do Corinthians sobre o Vasco, por 2 a 0.

Isso mantém o Timão respirando na última rodada, na esperança de que um milagre (aí, sim) ocorra no Brinco de Ouro da Princesa.

Salve, salve, Dorival!

Ele salvou o futebol brasileiro do ramerrão em que se encontrava há décadas, juntando aqueles meninos da Vila, e nos oferecendo o maior espetáculo do ano, naquele deslumbrante primeiro semestre do Santos de Ganso, Neymar e cia., um time que, além de dar show, marcou mais gols em quatro/cinco meses do que a imensa maioria consegue marcar em dois anos.

E ele acaba de salvar o Galo da suprema humilhação do rebaixamento, ao bater o Goiás por 3 a 1, em Sete Lagoas.

E olhe só a diferença. No Santos, moldou um time de garotos anônimos que, rapidamente atingiram o estrelato. No Atlético, remontou um time de famosos que haviam perdido a alma e o brilho sob o comando de Luxemburgo, o maior de todos os treinadores brasileiros. Elenco escolhido a dedo, que custou os tubos, mas que não saía da zona de descenso nem a pau, nem a reza braba.

Bastou, porém, Dorival Jr. desembarcar na Pampulha, e, zás!, como num passe de mágica, o Galo levantou a crista e saiu das trevas a bicadas certeiras pra todos os lados.

Esse bicho é bom e tem estrela.

Notas relacionadas:

  1. QUAL DELES LEVA A TAÇA?
  2. INTER, COM AS MÃOS NA TAÇA
  3. TIMÃO, CATEGÓRICO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 27 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 18:24

POR UM POUCO DE DIGNIDADE

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Ainda bem que o técnico Felipão não deu ouvidos àquela meia dúzia de idiotas que foram ao Centro de Treinamento do Palmeiras pedir para que seu time entregue o jogo ao Fluminense, a fim de prejudicar o Corinthians, rival doméstico.

Essa gente perdeu o menor senso de dignidade, honra e compostura. E aqui incluo o diretor de futebol Pescarmona que deveria ser eliminado do futebol por falta do mais ínfima respeito pelo esporte, como um todo. São pessoas com essa mentalidade que levaram o Palmeiras à mais indigente situação de sua gloriosa história.

O fato é que, com titulares, com reservas, com Felipão, sem Felipão, o Fluminense é melhor do que o Palmeiras, competente o bastante para vencer esse jogo e chegar à rodada final com todas as chances de levar o título. Sobretudo, se puder contar mesmo com seu quarteto de alta classe do meio de campo pra frente – Deco, Conca, Emerson e Fred.

Ah, mas os meninos palestrinos estão deprimidos pela desclassificação inesperada na fase final da Copa Sul-Americana…

Ora, se estão deprimidos, tristonhos, macambúzios e ensimesmados, nada melhor pra recompô-los do que um tratamento de laborterapia ou ludoterapia, Ou seja: um joguinho de bola, que, para eles, é a combinação dos dois – trabalho e diversão.

Timão da hora

Se não tem Ronaldo Fenômeno, sequer um reserva do mesmo estilo, não resta a Tite senão improvisar uma saída para o impasse.

Já disse e repito: por mim, botava ali Danilo e deixava o barco correr. Tem físico e bola para fazer essa função de pivô, não fixo na área, mas voltando um pouco para acionar os dois pontas – Jorge Henrique e Dentinho.

Pena que não terá Elias, dínamo desse meio de campo.

Mas, nem tudo é perfeito, como dizia o Boca Larga a Jack Lemmon na clássica comédia dos anos 50.

Cilada para a Raposa

Esse jogo com o Flamengo é uma grade cilada para a Raposa.

O Mengo não tem time para vencer, no mano a mano. Mas, beira o desespero, com medo de jogar a rodada final tentando escapar do rebaixamento, joga em casa e, portanto, deve dar tudo para vencer.

O Cruzeiro, de sua parte, não terá Fabrício, que tem sido o motor de seu meio de campo, mas terá Montillo, o cérebro e condutor da equipe.

Vai ser de lascar.

Nas estranjas

Somando os resultados de apenas dois jogos dos líderes deste sábado pelo campeonato inglês, teremos a soma espetacular de catorze gols, média de sete gols por partida.

O Arsenal meteu 4 a 2 no Aston Villa, na casa do adversário, pondo a bola no chão e tocando-a ao seu estilo tradicional, com três gols de Chamakh, que ainda eu uma assistência magnífica para o menino Wilshere completar de cabeça.

Já o Manchester United simplesmente massacrou o Blackburn no Old Trafford por 7 a 1, fora o baile e as chances perdidas, com direito a cinco gols do búlgaro Berbatov. Assim, os Diabos Vermelhos seguem à frente, com os Gunners no seu encalce, o que confere ao campeonato inglês um glamour especial, pois todos que estão lá em cima brigando pelo título jogam uma bola ofensiva e divertida.

Na Itália, o Milan, apesar de todas as possibilidades de que dispõe para oferecer algo no gênero, prefere seguir o roteiro covarde e convencional de sempre. Com Pato machucado e Ronaldinho no banco até os últimos minutos, trancou-se no meio de campo com todos aqueles Gattusos e Ambrosinis, sem falar nos laterais pífios de hábito, e não arrancou mais do que um empate por 1 a 1 com a Sampdoria, em Gênova. Gol de Robinho, claro, ao lado de Ibra, as duas únicas luzes da equipe.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  2. NEM FELIPÃO, NEM ADÍLSON
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 Copa Sul-Americana, História | 17:38

HÁ OUTRAS COISAS MAIS

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Não sei se já contei aqui essa historinha. Se contei, repito, pois a imagem daquele garotinho chorando compulsivamente nas arquibancadas do Pacaembu continua fresca na memória.

Devia ter a idade dele, coisa de sete ou oito anos, quando peguei cachumba ou catapora, já não me lembro bem. Lembro do fato de que, no imaginário da época, era doença que, se você não ficasse de quarentena, na cama, corria o risco da desgraçada descer para os testículos e acabar com a festa futura, coisa que meu velho esconjurava com todas as forças de sua alma itálica.

Então, fiquei lá deitado na cama, mais de mês, abatido por febres altíssimas que me faziam ver as pessoas andando às vezes em câmera lenta, às vezes em vertiginosos movimentos. Um horror, que deixava dona Irene, minha mãe, em pânico, achando que o filho, no mínimo, estava ficando maluco.

Numa certa tarde de domingo, despertei tranquilo e lúcido. Milagre! Todos comemoraram a minha lenta e dolorida recuperação. E, como prêmio, meu pai, que odiava o futebol por considerá-lo uma fábrica de fanáticos (para ele, o fanatismo em todas as suas manifestações era o pior do ser humano) deixou que ligasse o rádio de cabeceira para ouvir um jogo: XV de Piracicaba e São Paulo.

Tricolor doente, na época, logo sintonizei a Record, cujo locutor era Geraldo José de Almeida, são-paulino ainda mais fanático. Corria o ano de 1948 ou 1949, não sou capaz de precisar agora. Acho que 49.

Enfim, bola que vai e que vem, jogo empatado, no finalzinho, pênalti de Rui Campos, centromédio mítico do São Paulo. Geraldo José de Almeida, com aquele vozeirão envolvente e a paixão incontida, foi mais do que enfático: “Um roubo, um acinte, Rui matou a bola no peito em cima da risca e saiu jogando com a classe que lhe é habitual!”

De Maria bateu o pênalti, e gol do XV, o gol da vitória.

Simplesmente, entrei em transe, as lágrimas incontidas começaram a ganhar temperaturas extremas, o termômetro foi a 40 graus, a casa entrou em ebulição, e o pouco que lembro desses momentos foi meu pai, à beira da cama, me esculhambando e se execrando por me ter permitido ouvir o jogo do diabo.

Muitos anos depois, numa das boates da Boca do Lixo, topei com Rui Campos, já aposentado, já adulto, cruzei com Rui Campos, veteraníssimo, aposentado, elegante como sempre. Contei-lhe, então, a minha desventura de infância:
- Cara, você quase me matou!
Calmo, como quando controlava a bola no meio de campo, Rui ouviu tudo, foi às cavernas de sua memória e de lá extraiu a resposta exata:
- Lembro, sim, desse jogo. E lembro que peguei a bola em cima da risca, com as duas mãos. O goleiro – Berttolucci ou Mário – estava batido, e a bola ia entrar.

Quanto ao menino da tv, quem sabe o que lhe vai na alma e ficará na memória para sempre. Um gol perdido, um pênalti não marcado, um gol certo que o bandeirinha abortou, a bola que o beque não rebateu, isso, aquilo e aquilo outro.

Tudo faz parte do jogo, como as lágrimas se misturam a todos os sentimentos, de tristeza à alegria. O importante é que o menino não eleja o futebol como único escape para a vida sem emoções que eventualmente o destino lhe reserve.

Há outras tantas coisas mais, meu garoto…

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

Copa Sul-Americana | 02:21

O CHORO E O RENASCIMENTO

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O choro convulso daquele garotinho nas arquibancadas, choro incontrolável, profundo, daqueles que vêm das cavernas da alma traduz ao pé da letra o que significou esse inesperado resultado para o torcedor palestrino.

Porque poucas vezes um time foi tão favorito, e, na sua história gloriosa, raríssimos foram os episódios em que o Palmeiras precisasse tanto da vitória (ou, neste caso, até mesmo do empate) para cicatrizar tantas feridas abertas nos últimos tempos. Pelo menos, desde a perda do Brasileirão do ano passado.

Mas, à dor palestrina se sobrepõe o feito do Goiás, que bateu o Palmeiras em pleno Pacaembu, de virada, por 2 a 1. Rebaixado outro dia para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, e vindo de duas derrotas consecutivas em casa – a última, um vareio do Santos, pelo Brasileirão -, a passagem para as finais da Copa Sul-Americana, nessas condições, seria, no mínimo, uma iluminação, o que seu técnico anunciara, aliás, como o renascimento do Verdão goiano.

E, foi, num jogo parelho, sem brilho mas tenso.

O Goiás, assim, saiu do Pacaembu envolto num halo luminoso desses que lembram personagens de histórias sobrenaturais. E o Palmeiras aprofunda-se nas trevas do caos, de volta aos seus fantasmas, sob o som do choro do garotinho da arquibancada.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Copa Sul-Americana | 02:14

DÁ VERDÃO. MAS, QUAL?

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Depois do treino, Felipão reuniu a tropa no meio de campo e aplicou dez minutos de injeção de ânimo e concentração ao Palmeiras que, nesta noite de quarta, jogará sua sorte diante do Goiás.

São dez anos de fila de um clube acostumado a grandes conquistas, e meter a mão na taça sul-americana não só quebrará esse jejum como salvará a pátria alviverde numa temporada, de resto, deplorável. Foi isso, em suma, o que disse Felipão, daquele jeitão convincente de sempre.

Certa vez, o zagueiro uruguaio Lugano, ex-São Paulo, ao ser perguntado sobre esse negócio motivacional, febre dos tempos modernos, respondeu indignado que ele dispensava qualquer discurso desse tipo, pois a motivação tinha de ser inerente a qualquer competidor.

Mas, nem todos são Luganos, e essa coisa pega, quando injetada com jeito na alma dos tais grupos de jogadores.

De qualquer forma, esse é o grande trunfo do Palmeiras para o jogo fatal de hoje à noite; as artes de Felipão no manejo dos instrumentos disponíveis para esse tipo de mata-mata, mesmo porque as artes no futebol não façam parte de seu repertório.

Além disso, claro, o fator campo, a mira certeira de Marcos Assunção, o moral elevado do time nessa competição e tal e cousa e lousa e maripousa, tudo isso confira ao verdão paulista amplo favoritismo diante do Goiás.

Porém, atenção: o Goiás também tem camisa – e verde como a do Palmeiras. E, como o Palmeiras, passou um ano de cão, prestes a entrar no próximo já na Segundona e tudo mais. Da mesma forma, esse é o jogo que lhe pode garantir um título internacional – o, na pior das hipóteses, de vice-campeão da Copa Sul-Americana. Não é nada, não é nada, mas é um fio de compensação para tão pífia temporada.

Logo, vai peitar o Verdão paulista com igual ênfase, o que haverá de provocar faíscas em campo, não tenho dúvidas.

E que gol!

O gol de Ronaldinho Gaúcho contra o Auxerre é pra ser recortado e colado na cartilha que ensina a turma a jogar bola. Ronaldinho entrou no lugar de Ibra, autor do primeiro gol do Milan, já no finzinho da partida. E ficou lá na frente, feito centroavante de verdade.

E foi ali que recebeu a bola de Robinho, que passara, num drible de calcanhar, por dois defensores e lhe rolou a bichinha de jeito. Ronaldinho então parou diante do zagueiro, olhou através dele, ajeitou e deu um toque mágico de canhota para a bola rodear o goleiro e entrar justinha no canto esquerdo. Só vendo e revendo.

Os olhos extras da Fifa

Eis que a Fifa, tão resoluta em evitar o uso da mais moderna tecnologia no futebol, resolveu acrescentar dois auxiliares de linha de fundo ao trio de arbitragem, sem falar no já tradicional quarto árbitro.

Pois bem: bola com Cristiano Ronaldo, na ponta-esquerda. O português dá aquele seu drible clássico de letra e invade a área do Ajax, sob o olhar atento do tal auxiliar extra, postado na linha de fundo, não mais do que meio metro do lance.

O beque, então, desfere uma rasteira de fazer inveja a Mestre Pastinha, histórico capoeira baiano, que atinge as duas pernas do craque do Real e nem trisca na bola, que escorre sonolentamente para fora, aos pés do auxiliar. O ínclito e concentrado homem de amarelo simplesmente afivela uma cara de paisagem e sai de lado assobiando, como se nada acontecera, para desespero de Cristiano Ronaldo.

Mistão no mata-mata

Ah, sim, o Real foi a passeio a Amesterdã, com um time misto, pois já está classificado para a próxima fase da Liga dos Campeões, e meteu 4 a 0 no Ajax. E aí fiquei coçando a cabeça: mas, então, como fica o argumento desse pessoal que quer o mata-mata de volta no Brasileirão, sob o pretexto de que isso evitaria este ou aquele time entrar com reservas em campo, o que prejudicaria terceiros e quartos ou quintos outros pretendentes ao título?

Virada romana

A virada da Roma sobre o Bayern de Munique, no estádio Olímpico, foi algo emocionante. Perdia por 2 a 0 no primeiro tempo e não dava o mínimo sinal de que poderia sequer evitar uma catástrofe no segundo.

Mas, foi justamente o contrário: os romanos voltaram como verdadeiros gladiadores e viraram o jogo para 3 a 2, com gol de pênalti cobrado por Totti já nos acréscimos. O que mudou no intervalo, além da provável injeção de ânimo aplicada pelo treinador? Ouso dizer que a entrada do brasileiro Simplício, que deu outro molejo ao ataque romano, embora volante de ofício, antes da inclusão decisiva no jogo do veterano e sempre genial Totti.

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  2. VERDÃO, NOITE SOFRIDA
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