RODADA DE FOGO? MORNA…
O que poderia ser uma rodada de fogo do Brasileirão prenuncia-se uma série de jogos mornos, com os tradicionais candidatos ao título sem a sua força máxima.
Esse é o caso, por exemplo, de São Paulo, Inter e Cruzeiro, vivíssimos na Libertadores, assim como Santos e Grêmio, que se enfrentam pelas semifinais da Copa do Brasil no meio de semana.
De todos, o Santos é o que jogará menos desfalcado, contra o Ceará, na Vila: apenas Robinho e Léo, dentre os titulares absolutos, ficarão de fora, poupados pelo técnico Dorival Júnior para a grande decisão contra o Grêmio. Grêmio que, por sua vez, também entrará enfraquecido contra um Corinthians fragilizado pela recente desclassificação na Libertadores.
E o Inter, que vai a Goiânia pegar o Goiás, é o que entrará mais desfalcado, com praticamente todo o time reserva, com exceção de Walter, talvez.
O Cruzeiro, que recebe o Avaí líder no Mineirão, é ainda um mistério, mas, certamente, de olho no São Paulo, na quarta-feira, pela Libertadores, haverá de poupar alguns titulares estratégicos. De qualquer forma, é certo que não contará com o Gladiador Kleber, o que é sempre uma ausência sentida.
Quanto ao São Paulo, que joga no Morumbi com o Botafogo, campeão carioca, só terá Rogério Ceni e Alex Silva em campo; os demais, reservas.
Aliás, até mesmo alguns grandes do Brasil estarão enfraquecidos nesta rodada, como o Palmeiras, que não poderá contar com Lincoln, machucado de última hora, diante do Vasco, sem Dodô e Carlos Alberto, em São Januário.
Mas, se o amigo der uma espiada nas respectivas escalações desses times, verá que são formações sugestivas, com jogadores capazes de oferecer, sim, um bom espetáculo. A contraindicação de praxe, nesses casos, é a falta de entrosamento.
Poderá o amigo contradizer: mas esses caras não treinam juntos a semana inteira, titulares com titulares, reservas com reservas, então por que faltaria conjunto.
Simplesmente, meu caro, porque raros são os coletivos hoje em dia. Há muito exercício físico, treinos com bola parada, essas coisas. Coletivo, neca de pitibiribas.
E, como ensinava Mestre Telê, um coletivo vale mais do que todos os outros juntos.
O PREÇO DO ESPETÁCULO
Depois da suada vitória por 1 a 0 sobre o mistão do Atlético Goianiense no Maracanã, o atacante André Lima desabafou: “O público tem o direito de vaiar, pois paga ingresso. Mas, nós não estamos aqui pra dar espetáculo. Estamos aqui pra ganhar o jogo”.
É essa visão embaçada, distorcida, de jogadores, técnicos e cartolas, em geral, que faz do futebol jogado no Brasil essa coisa amorfa, chata, repetitiva, com as exceções de praxe, claro.
Ora, cara-pálida, o público paga ingresso pra quê? Pra vaiar? Não. Paga pra ver espetáculo, e, de preferência que o bom espetáculo de sua equipe seja premiado com a vitória. Pergunte ao torcedor santista se ele, que paga ingresso também, vaia seu time quando perde por 3 a 2 do Santo André, ou por 4 a 3 do Galo e do Grêmio?
Nada. O peixeiro, mesmo derrotado, deixa o estádio com um sorriso beato nos lábios, e não espera a hora de ver novamente em campo Ganso, Neymar, Robinho e Cia.
Mas, enfim, se tudo o que André Lima e seus companheiros queriam era uma vitória, aí está esse 1 a 0, gol de Marquinho, em bola que entrou chorando na meta goiana.
Espetáculo, com inesperada goleada de 4 a 0, quem deu na noite de sábado, foi o Grêmio Prudente, que trucidou o Galo no primeiro tempo.
Galo que entrou em campo pisando em ovos, com três zagueiros e outros bichos, e que só foi levantar a crista no segundo tempo, depois das entradas dos meias Ricardinho e Evandro, que deram um pouco de balanço naquele meio campo devastado da etapa inicial.
Já, no Barradão, o espetáculo foi roubado pela chuva, que transformou o gramado num lamaçal, onde Flamengo e Vitória mal conseguiam se equilibrar. Resultado: 1 a 1, gols de Wagner Love e de Elkson, em bela cobrança de falta que contou com o atraso de Bruno.
De positivo mesmo foi se ver um Adriano dedicado e ativo no jogo, dando a sensação clara de que não naufragou nem no aguaceiro, nem na depressão do corte da Seleção.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Cruzeiro, Grêmio, INTER, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco