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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Campeonatos Estaduais | 16:33

DOMINGO DE CLÁSSICOS

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Domingo de clássicos no Paulistão, Gauchão e Cariocão.

O mais tradicional e renhido, sem dúvida, será o Gre-Nal, cuja tabela imprevidente marcou para este início de temporada quando os times ainda estão tateando em busca das melhores formações e de um ritmo adequado ao tamanho de ambos.

O Grêmio foi o que mais se reforçou (aliás, continua ainda em busca de novas caras). Mas, acaba de perder um jogador precioso – Douglas. É verdade que, para a função de Douglas, tem Marco Antônio, ainda em fase de adaptação ao seu novo time.

O diabo é que o Grêmio não conseguiu pegar no breu e a torcida já começa a pegar no pé do técnico Caio Jr. Eis, pois, a chance de o técnico dar a volta por cima, em pleno Olímpico. Ou cavar mais uns palmos na sua iminente sepultura.

Já o Inter, que vem de dura viagem da Colômbia, amenizada, claro, pela passagem para a fase de grupo da Libertadores diante do Once Caldas, está mais bem definido. Não devem jogar, porém, Dagoberto, Nei e Tinga. Mas, lá estarão D’Alessandro, Oscar e Leandro Damião, três promessas de bom jogo.

Mas, como sempre, nada é definitivo nesse eterno Gre-Nal.

A VEZ DO VERDÃO

Essa é a grande chance de o Palmeiras, que vem cumprindo opaca campanha no Paulistão, a exemplo do segundo semestre do ano passado, ganhar moral para dar aquele salto de qualidade tão esperado por sua torcida.

Sobretudo, depois que puder contar com o centroavante Barcos, ainda enroscado nos meandros das negociações com a LDU.

Sim, porque time por time o Santos é bem superior ao Palmeiras. Sucede que o Peixe está dando seu segundo passo depois das férias, e o primeiro foi um pálido empate com o Oeste, no meio de semana.

O próprio técnico Muricy anunciou, depois do jogo de quinta, que seu time ainda não está devidamente preparado para um clássico desse porte.

O que anima um pouco a turma da Vila é que Neymar e Ganso voltaram nos trinques. E eles podem suprir, com seus respectivos talentos, os demais problemas da equipe.

BOTA E FLAMENGO

O Botafogo, sob o comando de Osvaldo de Oliveira, ainda não conseguiu engrenar no Cariocão, e o Flamengo, sem comando, é um dilema para o clássico carioca deste domingo: será um time mais aguerrido e solto, pela saída de Luxemburgo, que teria problemas com o tal grupo, ou, ao contrário, com os jogadores atados à ânsia de provar que podem dar conta do recado sem um treinador de renome no banco?

Bem, pelo menos um deles, Ronaldinho, que foi bem na vitória sobre o Potosi, com direito a golaço no finzinho da partida, terá de assumir, em campo, o comando da equipe, e mostrar a que veio.

DOUGLAS NO PARQUE

Na impossibilidade da vinda de Montillo, o Timão foi buscar de volta o meia Douglas, que tanta falta andou fazendo no Parque.

Sim, sei bem, que parte da torcida corintiana não engolia o futebol brilhante, mas, intermitente de Douglas, apesar de ele ter sido o principal jogador do time na campanha da Segundona e o assistente exato para a breve e fulgurante passagem de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians.

A propósito de Douglas, lembro Sócrates, quando de sua chegada ao Corinthians, no final da década de 70. Aparentemente lento, cerebral, seu futebol conflitava com a tradicional trepidação da Fiel nas arquibancadas.

E as primeiras vaias se sucederam em manifestações até violentas da torcida contra o Dr., que, certa noite, preso nos vestiários do Pacaembu, com a galera irada à porta pedindo sua cabeça, calmamente me revelou: “Vou ensinar esse pessoal a torcer”.

Dali em diante, punha a bola no chão, e, sinalizava para a torcida quando devia esperar o desfecho do lance ou quando devia vibrar. E o Corinthians foi campeão com um futebol de primeira, o que não ocorria desde duas décadas antes.

A ESTREIA DE JADSON

Jadson, a principal contratação do São Paulo nesta temporada, finalmente estreia contra a Ponte Preta, em Campinas.

Enfim, o Tricolor ganha um meia capaz de articular com senso o ataque, que, por sua vez, carecerá da presença de Luís Fabiano, ainda no estaleiro.

Mas, se não tem tu, vai tu mesmo, como diz o malandro. E o tu, aqui, chama-se William José, um garotão taludo, bom no cabeceio e no chute a média distância, autor do gol de empate no jogo do meio de semana, contra o Guarani.

O menino tem potencial, sem ser um craque, longe disso. E poderá se beneficiar muito da presença de Jadson no meio de campo. Portanto, calma com o andor, tricolino amigo.

LUXA TRAÍDO

Luxemburgo, afinal, se abriu publicamente: foi traído pela proverbial indecisão da presidenta do Flamengo, que se deixou levar pelas más línguas.

Isso é evidente, tá na cara.

Por outro lado, está na hora de Luxemburgo – e digo isso como amigo – parar e repensar sua vida.

Luxa já acumulou patrimônio suficiente para não mais depender do futebol pelo resto da vida, segundo se sabe. Portanto, pode se dar ao luxo de optar entre retomar sua carreira como técnico de futebol num nível superior ao dos últimos tempos, ou simplesmente preservar para a história tudo o que conquistou nos tantos anos de brilho e eficiência anteriores à atual fase, e ficar no bem-bom.

Se decidir por seguir adiante na profissão que lhe deu fama e fortuna, então que parta para ser o melhor dos melhores. Vá estudar inglês, espanhol, italiano, alemão, essas línguas que facilitariam sua volta à Europa, hoje, o centro mundial do futebol. Vá estudar futebol, aproveitando a extraordinária vocação natural para a profissão somada a tantos anos de experiência prática.

Percorra os principais centros futebolísticos do mundo. Veja, anote, faça um curso numa escola superior de gestão esportiva da Espanha ou da Itália, coisas do gênero.

E, quando voltar á beira dos gramados, voltará outro. Bem melhor como técnico ou manager, como ele gostaria de ser. E, sobretudo, como ser humano, mais sábio e seguro de si; portanto, menos ansioso para abarcar o mundo com as duas mãos.

BOLA DE CRISTAL

Quer dizer, então, que minha bola de cristal estava bem nítida quando anunciei aqui que a Seleção Brasileira para os amistosos de junho será composta basicamente por jogadores com idade olímpica, mais os três acima da data limite?

Aliás, não precisa ser adivinhão para prever isso. Entre outras coisas porque a nossa seleção principal, com exceção da defesa, é composta mesmo por garotos em idade olímpica. Assim como as maiores estrelas da cia. estão enquadradas nesse quesito, tipo Neymar, Ganso, Leandro Damião, Lucas etc.

Bem, de qualquer forma, foi o que anunciou o técnico Mano Menezes na festa de lançamento das novas camisas da Seleção, que, no entanto, não revelou quais seriam esses três com idade acima dos 23 anos.

Pois arrisco nomear dois deles: Thiago Silva e David Luís, a dupla de zaga titular da Seleção. O terceiro nome vai ficar para a época da convocação, talvez um meio-campista, talvez um atacante.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. DOMINGO DE CLÁSSICOS
  3. DOMINGO DE DECISÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 13 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 02:01

CATEGÓRICO GLORIOSO

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O Botafogo foi ao Pacaembu, pôs a bola no chão e o Corinthians na roda, meteu 2 a 0, com Loco Abreu e Maicossuel, saltou por cima do São Paulo e volta para o Rio em terceirão com todo moral do mundo para disputar pau a pau o título brasileiro.

Sim, porque, ao bater o líder tão categoricamente, o Glorioso, que já vinha no ameaço há um bom tempo, entrou na faixa de disputa justamente na reta final do campeonato.

Tão categórica foi a vitória botafoguense que seu time passou os últimos trinta minutos de jogo sem Bruno Cortês, expulso. E nem assim o Corinthians conseguiu sequer reduzir o placar, embora forçasse muito e esbarrasse na bela atuação de Renan, o reserva de Jefferson.

E, ao Timão, resta agora torcer por um tropeço do Vasco nesta quinta-feira, diante do Furacão, na Arena da Baixada, a fim de garantir-se ainda na liderança, reconquistada outro dia e já a perigo novamente.

ALÉM DA CRISE

Pois não é que o Palmeiras, metido até o pescoço em grave crise – mais uma! -, foi ao Engenhão e arrancou um empatezinho maneiro, estancando a escalada recente do Flamengo em direção à luta pelo título?

Não, não creio que o lamentável episódio vivido pelo jogador João Vítor em frente à sede da Mancha Verde, em decorrência do qual, Kleber praticamente está fora da Academia, tenha estimulado o Verdão a se desdobrar em campo e conseguir o resultado quase impossível de se prever na véspera.

Creio que o empate se deveu mais à falta de potência do Flamengo, que, desta vez, se ressentiu da ausência de Ronaldinho Gaúcho, o cara da bola parada.

Quanto a Kleber, sua revolta, embora antiprofissional, é justa, ao acusar o técnico Felipão de indiretamente incitar reações como essa de alguns torcedores, ao, repetidamente, expor os jogadores como responsáveis pelas más atuações da equipe, tirando o seu da reta.

Nas palavras, Kleber está correto; no gesto de abandono da concentração, negando-se a embarcar para o Rio, comete uma indisciplina imperdoável, se é que haja algo realmente imperdoável no futebol a não ser aquele gol perdido diante das redes vazias.

Notas relacionadas:

  1. GLORIOSO ADEUS
  2. TIMÃO, CATEGÓRICO
  3. CLÁSSICOS DE ARROMBA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 14:01

DOIS CLÁSSICOS DE MORTE

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Antes de tudo, peço desculpas por não ter conseguido postar meus comentários aqui ontem. É que demônios cibernéticos invadiram minha caverna de Ibiúna, deixando-me isolado do mundo.

Só agora pouco consegui exorcizá-los. Então, vamos ao que interessa: os dois clássicos nacionais que agitam esta noite de quarta-feira – no Olímpico, o jogo atrasado entre Grêmio e Santos, e, em Sete Lagoas, o Cruzeiro a perigo versus um São Paulo que segue sonhando com o título.

O Tricolor costuma se sair bem melhor fora e casa do que no Morumbi, outrora sua fortaleza inexpugnável. Mas, irá desfalcado de alguns titulares, como Lucas, Wellington e o paraguaio Piris. Desfalques, porém, para os quais há boas soluções entre as tantas de que pode se socorrer o treinador Adílson Batista.

Na lateral-direita, Jean, que antes da chegada de Piris vinha se virando muito bem por ali, apesar de algumas restrições, é a solução óbvia.

Já para os lugar de Lucas, o leque de opções se abre em várias direções e estilos: Carlinhos Paraíba, Rivaldo e Marlos, por exemplo.

Desconfio, porém, que bastará ao técnico escalar Carlinhos Paraíba, ao lado de Casemiro, Denílson e Cícero, no meio de campo, com a dupla de ataque formada por Dagoberto e Luís Fabiano.

Haveria a alternativa da passagem de Carlinhos Paraíba para a lateral-esquerda, onde Juan não vem correspondendo à altura e a inclusão de Rivaldo ou Marlos na ligação ao ataque. Mas, essa é outra história, mudança possível de ocorrer no transcurso da partida.

Quanto ao Cruzeiro, que vive o pior momento de sua gloriosa história no Brasileirão, precisa desesperadamente da vitória para que a situação não fique ainda mais preta. E, se o amigo espiar a escalação de Vagner Mancini, verá que o time não é para estar em posição tão delicada, apesar de todas as perdas sofridas desde os tempos em que era considerado o melhor da América, no começo da temporada.

Logo, desconfio que o problema todo está mais na cuca do que nos pés dos jogadores. E que uma vitória esta noite teria um efeito terapêutico maior do que a ida da turma toda ao divã do Gikovate.

GRÊMIO E SANTOS

Grêmio e Santos contam com uma vitória esta noite para alcançar posições mais adequadas às suas tradições. Ambos vagam ali pela metade da tabela, com um ponto de diferença a favor dos tricolores do Sul, embora ao Santos ainda reste resgatar um jogo a mais adiado, contra o Botafogo.

O cenário é mais propício ao Grêmio, claro, não apenas porque joga em casa, mas, sobretudo, porque vem de vitórias, ao contrário do Santos. E, mais, pega um Peixe sem Neymar, que é o cara, aquele que faz a diferença, como dizem por aí.

O Santos, contudo, responde com Borges, o artilheiro do campeonato, que certamente gostaria de brindar seu aniversário com um cálice cheio de vingança contra o time que o desprezou outro dia.

Muricy não adiantou se vai com três atacantes ou quatro volantes. Neste caso, confesso, isso é um tanto irrelevante.

E Celso Roth vacila entre André Lima e Brandão, que vem merecendo muitas críticas e vaias até da torcida gremista. No fundo, no fundo, ambos se equiparam – são dois centroavantes à moda antiga tão em voga recentemente, fortes, bons no cabeceio e rompedores, mas reticentes com a bola nos pés.

Justamente o oposto de Borges.

FELIPÃO NO MORUMBI?

A doce, bela e sempre bem informada Sonia Racy, em sua coluna no Estadão, revela que Felipão., quem diria?, poderá acabar no Morumbi no ano que vem. Pelo que sei da esplêndida jornalista, certamente alguém de dentro do São Paulo lhe soprou a novidade.

Quem? Não sei. Tampouco de que escalão na hierarquia tricolor.

Só sei que os maiorais do departamento de futebol do clube desmentem a mais remota intenção, neste momento, de que esse tema sequer seja tratado no Morumbi. Assim como, por meio de seu assessor de imprensa, Acaz Fellenger, Felipão segue o mesmo roteiro da negativa.

A possibilidade, todos sabemos, sempre existe, mesmo porque nesta longa caminhada pelos campos do futebol, aprendi a não confiar cegamente na palavra de cartola ou de treinador.

O improvável, nessa história toda, é o São Paulo romper todos os tetos de sua tradição para pagar a Felipão o que nunca pagou nem a Telê Santana. A não ser que a obsessão pela Libertadores se transforme em esquizofrenia.

VASCOOO!

O Almirante volta a campo, desta vez, pela Copa Sul-Americana, levando o barco devagar, como aconselha o velho vascaíno Paulinho da Viola no samba antológico. Vai a Cochabamba, carregando o barco nas costas, pois por lá o mar não lambe, com um time praticamente reserva.

Reserva, mas, nem por isso, uma baba. Lá estão, por exemplo, além dos titulares Fernando Prass, goleiro que está merecendo mais atenção do que a habitual, e o lateral-direito Fagner.

Mas, espie o amigo o resto da equipe. Lá estão os meninos Diego Rosa, um volante de estirpe, Alan, frequentador de seleções de base, Felipe Bastos e Bernardo, que sempre quando chamados para o time principal respondem à altura. E, lá na frente, o veterano Leandro e Elton, que tem feito seus golzinhos providenciais.

Quer dizer: diante do Aurora, o Vasco bem que pode levar adiante sua esperança dissimulada de conquistar nesta temporada singular a tríplice coroa – a Copa do Brasil, já na gaveta, o Brasileirão que lidera e a Sul-Americana, projetando-se para A Libertadores do ano que vem.

Feito inédito, salvo engano, na história do Vasco da Gama, incluindo seus momentos mais gloriosos, que não foram poucos.

VELHICE E REALIDADE

Vira e mexe, algum jovem posta aqui um comentário me acusando de ser velho, superado, gagá mesmo. E, por causa disso, as ideias que aqui exponho são inválidas.

Pois, quero declarar, publicamente, que sou um velho, sim, senhor. Não porque esteja celebrando o mês que vem meus 70 anos de vida. Mas, porque nasci velho.

Isso mesmo; velho como Matusalém, de barbas brancas e cabelos encanecidos, ou como aquele Benjamim Button do cinema, que desperta ancião e começa a regredir até virar um bebê.

Basta dizer que lá pelos cinco, seis anos, curtia no rádio as canções e sambas dos anos 20, 30, duas ou uma década antes de ter vindo à luz. E jamais, no tempo da minha adolescência e juventude, o rock, por exemplo, me seduziu. Até hoje.

Quando aprendi a ler, comecei com a saga de Arséne Lupin, de Maurice Le Blanc, e logo fui para Machado, Aluísio de Azevedo, Eça, passando aos onze anos pelos Diálogos de Plantão, etc.

Na pintura, nunca trocaria um Cézanne por um Picasso.

São coisas intrínsecas, que fazer?

Mas, nada disso me fez perder o juízo, creio, Imagino-me olhando o presente com um olho no passado e um terceiro, aquele que muitas culturas supõem com poderes precogniscíveis no futuro.

O que isso tudo quer dizer? Rigorosamente, nada. Pois, a memória embaça quando se busca o passado, a visão falha ao ver o presente, e o futuro a Deus pertence.

Mas, é o que sou, como sou, e, parodiando a célebre frase de Zagalo, me engula quem quiser. Quem não quiser mude de canal.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS DE DOMINGO
  2. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  3. CLÁSSICOS DE ARROMBA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 3 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 15:09

CARIOCAS, DE GOLEADA

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Nesse Rio-São Paulo paralelo ao Brasileirão, os cariocas vão ganhando dos paulistas de goleada: 13 a 7. Isto é, treze vitórias dos cariocas contra apenas sete dos paulistas, no confronto entre  os clubes dos dois estados.

Acrescente aí o amigo o fato de que o Rio levantou as duas últimas taças brasileiras Fla e Flu) e o Vasco vai liderando a deste ano, e teremos um quadro nítido da superioridade de um futebol que, anos antes, andava a reboque não só dos paulistas como também de gaúchos e mineiros.

Quem gosta de futebol e curte as coisas deste Brasil gentil só pode saudar a prodigiosa recuperação dos cariocas, que mandaram nos campos brasileiros durante as décadas de 30 e 40 e depois perderam essa hegemonia para São Paulo – mais tarde Minas e Rio Grande.

Os paulistas, que haviam reinado nas duas primeiras décadas do século passado, nos tempos de Fried, Neco, Heitor, Rubens Salles, Amílcar, Lagreca, Grané e cia. bela, só começaram a se recuperar nos anos 50, quando seus clubes ganharam de enfiada vários torneios Rio-São Paulo, assim como a Seleção Paulista sagrou-se cinco vezes em seguida campeã brasileira dos extintos Campeonatos Brasileiros de Seleções Estaduais.

A tal ponto que o recém-inaugurado Maracanã, hoje apenas uma lembrança, era chamado de o Recreio dos Bandeirantes. E veja que nesse período todo os clubes cariocas e suas respectivas seleções tinham  craques inexcedíveis e timaços de primeiríssima, como Zizinho, Danilo, Didi, Garrincha, Nilton Santos, e aqueles tantos Botafogos dos anos 60 e 70, além do Flamengo de Zico, já nos 80, para resumirmos o papo.

Em contrapartida, os paulistas respondiam com o Santos de Pelé, simplesmente o maior de todos os tempos no mundo, e as várias Academias do Palmeiras, com o São Paulo disparando nos anos 90 e início dos 2000.

Hoje, porém, pode-se dizer que, Maracanã abaixo, o apodo mudou de senha e lugar: o Morumbi passou a ser o Recreio dos Cariocas. Sim, porque, entre outras coisas, o São Paulo, por exemplo, ali perdeu todos os jogos disputados contra times cariocas. E ali pode estar enterrando suas esperanças de disputar o título pra valer.

Dos seis primeiros colocados na tabela do Brasileirão, neste momento, quatro são cariocas, contra apenas dois de São Paulo. Outra goleada, de capote, como se dizia antigamente.

Claro, trata-se de um registro momentâneo, mas é também indicador de uma tendência. A partir do instante em que os principais clubes cariocas começaram a investir nas suas infraestruturas – concentrações decentes, campos de treinamento, instalações modernas para fisioterapia, essas coisas todas -, o vento passou a soprar a favor.

Nada é por acaso, meu.

SALVO PELO GONGO

Meu querido Mano Menezes foi salvo pelo gongo: na última hora, Sandro se machucou no jogo pelo Tottenham, neste final de semana, e Ralf foi chamado para seu lugar.

Não que a Seleção Brasileira necessariamente ganhe mais força com este ou aquele. Ambos são bons volantes de contenção, com características e técnica similares.

A questão aqui é outra, digamos, mais política, pois Mano vinha sendo criticado por poupar apenas o Corinthians, dentre os candidatos ao título, na convocação para o amistoso de sexta-feira contra a Costa Rica.

Era como se Mano, ex-treinador do Timão, estivesse protegendo o Alvinegro por razões de afeto. Bobagem, mas, pelo sim, pelo não, aí está o Corinthians também desfalcado de um titular importante, a exemplo de Vasco, São Paulo, Flamengo etc.

Acabou a prosa.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, DE GOLEADA; INTER, LÍDER…
  2. ESSE RIO-SÃO PAULO PARALELO
  3. GOLEADA AZUL
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sábado, 1 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 22:04

JOGO DE CAMPEÕES

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Foi um jogo lancinante entre o campeão brasileiro e o da América, que terminou sobre o fio da navalha naquele gol redentor de Márcio Rosário, já nos descontos.

E, se o primeiro tempo foi lá e cá, com gols de Neymar para o Santos e de Marquinho para o Flu, o segundo seguia mais manso, até as mudanças feitas pelos dois treinadores e a expulsão de Digão.

No Flu, a entrada de Deco instilou uma dose de talento extra no meio de campo tricolor, e a de Sóbis, mais contundência ao ataque – não por acaso, o gol de desempate veio do pé direito de Sóbis, uma bomba no ângulo, de fora da área.

No Peixe, Renteria e Ibson dinamizaram a armação e o setor de finalização da equipe. Também não foi por acaso que Renteria acertou aquele tiro rasteiro no canto de Cavallieri, estabelecendo o empate que parecia ser o placar final.

Mas, aí, já nos descontos, veio a bola alçada em escanteio por Sóbis que Rosário subiu no meio de seis defensores santistas e cabeceou sem pressão no cantinho de Rafael.

Assim, o Flu se aproxima da zona da Libertadores, enquanto o Peixe cai naquela região cinzenta onde não habitam nem o perigo, nem a ambição.

REINO DA INTRIGA

O jogo em si e seu resultado opaco – 1 a 1 – não provocou emoções extremas, nem para o bem, nem para o mal. O Verdão, na volta de Valdívia, enquanto o chileno teve fôlego, até que praticou um futebol de razoável pra bom, e conseguiu seu gol da maneira habitual – cobrança de falta de Assunção que o zagueiro desviou das mãos do goleiro.

E o lanterninha América fez o que pôde e colheu um resultado aceitável, enfim, no Canindé.

O que, porém, tomou conta da cena pós-jogo foi, mais uma vez, esse ti-ti-ti todo em torno da lei do silêncio imposta pelo Palmeiras a seus jogadores.

Sou de um tempo em que não havia essas frescuras, com o perdão da palavra. Imprensa, jogadores, cartolas, técnicos, trocavam ideias livremente, quando não confidências. Estas, obviamente passavam pelo crivo da consciência do repórter, que buscava mais acumular informações para entender a realidade e transmiti-la à opinião pública na sua versão mais verdadeira, do que em espalhar fofocas, até mesmo deformando declarações destes ou daqueles para obter repercussão cada vez maior.

Ah, sim, também havia os fofoqueiros de plantão, os comentaristas do escândalo, que emitem opiniões bombásticas só para colher a repercussão, e tal e cousa e lousa e maripousa. Isso, sempre houve e haverá.

Hoje, com a interatividade oferecida pelas tais redes sociais, então…

Nessas circunstâncias, pode até se explicar essa lei do silêncio imposto na Academia Verde, que vive sob o reinado da intriga há muito tempo.

Inaceitável, porém. Ainda mais por se tratar, na verdade, de uma pegadinha, uma cilada armada para capturar e exterminar aquele jogador que, por acaso, não reze na cartilha do técnico.

Isso, Felipão deixou bem claro na entrevista depois do jogo, ao enfatizar que nenhum jogador está proibido de falar à imprensa fora dos portões da Academia. Melifluamente, incitou até os repórteres a apelarem para esse expediente. E acrescentou: de fato, quer é saber quem vai dizer algo que fuja ao que está estabelecido por ele e pela diretoria.

Isto é: o que seria água vira lenha jogada na fogueira da intriga que arde na Academia.

Uma pobreza de espírito que rasteja abaixo até do padrão técnico da equipe.

A VOLTA DO FABULOSO

Luís Fabuloso está confirmadíssimo para o clássico com o Flamengo, num Morumbi lotado, e o Imperador Adriano, depois de cogitado para jogar meia horinha, ao menos, foi vetado para a partida contra o Vasco, que vale a liderança e muito mais, dependendo de seu desdobramento.
Seriam duas atrações extras da rodada de fogo do Brasileirão que começa a entrar em sua reta final. Dois centroavantes de Copa do Mundo que vêm de longa recuperação de graves lesões.

Pelo que se sabe, Luís Fabiano está um passo adiante de Adriano nessa corrida pela plena reabilitação. Já vem treinando com bola há umas duas semanas e andou marcando gols em coletivo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, evidentemente, não estará nos trinques totais. Haverá de faltar-lhe ritmo de jogo, além de certa preocupação com possíveis lesões musculares decorrentes do longo tempo sem atividade regular, muito comum nesses casos.
Mas, o bicho é uma máquina de fazer gols, esteja ou não na plenitude de sua forma física e técnica.

Ademais, a sua simples presença em campo, por estilo e função, muda a face do Tricolor. Embora se movimente muito, Fabuloso é um centroavante genuíno, daqueles que estão sempre a postos para dar o golpe fatal na área, seja por baixo, seja pelo alto.

O técnico Adílson Batista esconde a nova formação do time que começará o jogo vital para as pretensões tricolores em relação ao título, mesmo porque poderá contar novamente com Dagoberto, o artilheiro da equipe até aqui. E, com Lucas, ainda mais animado pela bela participação na vitória do Brasil contra a Argentina, quando marcou um golaço.

Não creio, pois, que Adílson seja tão cauteloso a ponto de colocar no banco um desses dois, que, por certo, dariam suporte maior ainda a Luís Fabiano, lá na frente. Mesmo porque o Tricolor joga em casa, diante de uma torcida delirante, e precisando vencer para permanecer na cola dos líderes.

Denílson está disponível; Casemiro é essencial; Carlinhos Paraíba e Wellington dinamizam o meio de campo tricolor; Cícero é o que mais se assemelha a um meia-armador, carência crônica do São Paulo; e ainda temos aí Rivaldo, inflado pela torcida e pelos gols estratégicos marcados neste Brasileirão, que clama por jogar desde o início.

Some aí, amigo: seis para três vagas.

Êta dilema delicioso! Mas, igualmente, traiçoeiro, se o técnico errar na conta.

VALE LIDERANÇA

Quanto ao aproveitamento de Adriano em São Januário,  Tite preferiu adiar a estreia do Imperador, mesmo porque, se não terá o Xeique, vítima e réu daquela expulsão estúpida no último jogo, poderá contar com Liedson, liberado pelo tribunal do segundo jogo de suspensão. E isso conta muito.

Não sei, entretanto, se a simples presença do artilheiro bastará para inverter o favoritismo do Vasco, que ainda ontem pôde já contar com Felipe, Alecssandro e Eder Luís no seu treinamento. Três reforços de peso que se juntarão a Juninho Pernambucano, Diego Souza, em fase esplêndida, e cia. bela.

Não vai ser fácil a vida do time na Colina. Todavia, se conseguir vencer e recuperar a liderança.
Aí, então, com Adriano já mais readaptado ao time e à bola, a história do Brasileirão poderá muito bem ter outro desfecho.

Notas relacionadas:

  1. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
  2. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
  3. JOGO FATAL
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , ,

domingo, 24 de julho de 2011 Campeonato Brasileiro | 20:29

VASCO, O GRANDE VENCEDOR

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Sem dúvida, o grande vencedor da rodada foi o Vasco, que bateu o Galo em Ipatinga, por 2 a 1, dois gols de Diego Souza (um de cabeça, outro de pênalti) e Magno Alves.

Não só bateu fora de casa um rival histórico, embora em baixa no momento, como saltou para o G-4, superando o Palmeiras, que perdeu para o Flu.

Foi um jogo em que o Galo começou a toda, dando a impressão de que sairia do buraco em que se encontra, finalmente. Mas, aos poucos, o Vasco tomou conta do espírito do jogo e até poderia ter chegado a um placar mais expressivo: meteu duas bolas nas traves e Alecsandro desperdiçou pênalti mal marcado pelo juiz.

Assim, o Vascão vai comprovando que segue em progressiva ascensão.

A CILADA DA RAPOSA

Outro grande vencedor da rodada foi o Cruzeiro, que quebrou a invencibilidade do líder Corinthians, em pleno Pacaembu, por 1 a 0, um golaço de Wallyson, lá de fora, no ânulo do menino Renan.

E foi uma Raposa a la Papai Joel: bem fechadinha, atenta na marcação, sobretudo, de Danilo, o organizador alvinegro, e buscando sempre fustigar nos contragolpes. A tal ponto que nem se abalou com a expulsão de Gilberto e a não assinalação de um pênalti a seu favor.

O Corinthians, de sua parte, empenhou-se, mas não conseguiu escapar da cilada da Raposa. Mesmo assim, saiu de campo sob os aplausos da Fiel e ainda firme no topo da tabela.

DOIS POR UM

O Fluminense teve de fazer dois gols legítimos para ganhar por 1 a 0 do Palmeiras, em Volta Redonda. Como? Simples, o primeiro de Marquinhos foi anulado pelo bandeirinha. Mas, logo em seguida o mesmo Marquinhos pontuou o jogo, que, por sinal, primou pela falta de criatividade e emoção.

E olhe que o jogo prometia, com Deco e Fred de um lado e Valdívia e Kleber. E até que Fred foi bem. Mas, de resto….

AMÉRICA CELESTE

E a Celeste, finalmente, depois de décadas na fila, levantou uma Copa América. E levou a taça com todos os méritos. Foi a equipe de melhor pontuação ao longo de todo o torneio, e bateu o Paraguai, na final, com categoria, por 3 a 0, com dois gols de Forlán e um de Luisito Suarez, os dois astros mais cintilantes desse time.

Mas, era só o que faltava – o Paraguai ser campeão nos pênaltis, depois de empatar todos os seus jogos até aqui.

Notas relacionadas:

  1. A GRANDE VITÓRIA
  2. VASCO, ATÉ QUE ENFIM
  3. FLU, LÍDER; TIMÃO, O GRANDE VENCEDOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 19 de julho de 2011 Campeonato Brasileiro | 16:34

O LÍDER E A ESTREIA DE RENATO

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Ainda tentando pensar as feridas deixadas pela precoce desclassificação do Brasil na Copa América, voltemos ao nosso campeonato doméstico agora mais atraente com a volta de algumas estrelas da Argentina e a entrada em cena de novos reforços.

É o caso de Renato, volante-meia que se revelou no Guarani, projetou-se no Santos de Robinho e Diego, passou bom tempo na Espanha e estreia nesta quarta no Botafogo que recebe o líder invicto Corinthians em São Januário, já que o Enegenhão acolhe as Olimpíadas Militares.

Renato junta-se a Marcelo Matos, Maicosuel e Marcio Azevedo para acionar a dupla de ataque formada por Elkeson e Herrera. Pena que o Glorioso não possa ainda contar com seu ídolo maior, o uruguaio Loco Abreu, servindo sua seleção na Copa América.

Mas, já é um avanço em relação ao time que Caio Jr. pegou para dirigir há pouco tempo.

O diabo é que pega um Corinthians redondinho, equilibrado e cheio de moral, que, por isso mesmo, pode se dar ao luxo de deixar no banco suas mais recentes e estelares aquisições: Alex e Emerson.

Não, não é um timaço desses pra arrancar suspiros esse time do Corinthians atual. Mas, joga de acordo com a cartilha básica do futebol e tem elenco para levar esse barco até o fim, embora, claro, uma hora vá perder. Quem sabe nesta noite de quarta? Tudo é possível, mas também improvável.

VERDÃO E FLA

Ambos estão de olho na vice-liderança do Brasileirão, ocupada pelo São Paulo. E se pegam nesta quarta-feira num Pacaembu provavelmente lotado para se reencontrar com o Gladiador, depois da novela vai-não-vai justamente para o adversário de agora – o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e outras celebridades.

Mas o Verdão ainda não terá em campo Valdívia, que se apresentou, bateu continência para Felipão e se dispôs a jogar, depois de alguns bons momentos na Copa América pelo Chile. Felipão prefere vê-lo definitivamente recuperado das recorrentes lesões.

Mesmo porque esse time, do meio de campo pra frente, parece-me bem ajustado, com Márcio Araújo jogando o fino, Marcos Assunção e sua bola parada mágica, e o incansável Patrick armando as jogadas para um ataque de respeito: Maikon Leite, Kleber e Luan.

O Fla, porém, não fica nada atrás, com Airton, Willians, Renato Abreu e Thiago Neves metendo bolas lá na frente para Ronaldinho Gaúcho e Deivid, que voltou a marcar gols, seu ofício.

É de se ver.

FIGUEIRA E GRÊMIO

O Figueirense, de tão promissor início no campeonato, declinou, mas não o suficiente para ser presa fácil do Grêmio, no Orlando Scarpelli, onde segue invicto.

Já o Grêmio vem forte na marcação do meio de campo, com o veterano Gilberto Silva ao lado de Fábio Rochemback. O refinamento do setor se dá por conta da volta de Douglas, no lugar de Marquinhos.

Mas, o Grêmio ainda está se reformulando nas mãos de Julinho Camargo, o que não nos oferece nenhuma garantia de sucesso.

MESSI, FORA!

Dias antes da derrocada diante do Uruguai, vi na tv um expert argentino desenrolando longa tese de sociologia de botequim, cujo desfecho era o seguinte, em poucas palavras: “Fora, Messi”.

Isso porque o craque saiu menino da Argentina, o que lhe teria apagado a identidade e o desvinculado de sua pátria e seu povo. Preconceito rasteiro com fumos de alta sociologia.  O mesmo, aliás, que ocorreu com Di Stefano, o maior jogador do mundo na década de 50, e repudiado por esse sentimento paroquial e primário.

Justamente Messi, campeoníssimo no Barça, o melhor time do mundo, artilheiro e rei das assistências, além de nos presentear a cada domingo com uma série inacreditável de jogadas espetaculares, dribles, passes, arrancadas, cobranças de falta e tudo o mais que o vasto repertório do futebol pode oferecer.

Simplesmente, eleito por duas vezes seguidas, aos 23 anos de idade, o melhor jogador do mundo.

Trata-se de um menino de comportamento exemplar em campo e fora dele. Não bota banca, não se atira ao chão a cada encontrão, não reclama dos companheiros com gestos ostensivos, apenas joga seu futebol tecido por fios de ouro.

Ah, mas na Seleção Argentina nem de longe é aquele Messi do Barcelona.

Sim, pelo simples fato de que o futebol é como a nossa vida – um eterno descompasso entre o individual e o coletivo.

Não há dois seres humanos absolutamente iguais sobre a face da Terra. Nem gêmeos saídos do mesmo ventre materno. Cada um de nós, desde a formação da raça humana até sua extinção, carrega nas digitais e no seu DNA marcas inconfundíveis que nos diferem dos demais.

Apesar desse estigma da individualidade, o ser humano carece de viver em sociedade, coletivamente, justamente para proteger sua individualidade.

Resumindo este papo furado: no futebol, a sociedade é o conjunto, o time. E a Argentina há muito tempo não consegue montar um time, onde Messi possa exercer sua individualidade compartilhada com os companheiros no seu verdadeiro nível.

Eis por que Messi foi pro espaço, assim como a própria Argentina e os sociólogos de plantão.

Inclusive este que vos fala.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, LÍDER
  2. AINDA LÍDER
  3. FLU, MAIS LÍDER
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sexta-feira, 1 de julho de 2011 Campeonato Brasileiro | 00:53

INTER E PALMEIRAS EM ALTA

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O grande placar da noite desta quinta no Brasileirão, sem dúvida, foi a goleada do Inter sobre o Galo, em Sete Lagoas, por 4 a 0, com gols dos quatro jogadores de frente – Leandro Damião, Zé Roberto, D’Alessandro e Oscar.

Assim, o Inter soma oito gols nos dois últimos jogos, graças, sobretudo, à presença de dois meias de escol – D’Alessandro e o menino Oscar -, uma dupla capaz de fazer a bola rolar com ciência à frente como poucas. Oscar, então, esmerilhou nessa goleada sobre o Galo.

O resultado, porém, mais importante, em termos de classificação, foi a vitória do Palmeiras sobre o Atlético GO, no Canindé, que recolocou o Verdão na terceira posição da tabela, abaixo apenas de São Paulo e Corinthians.

Com um detalhe: desta vez, o Palmeiras não foi aquele time encruado, que achou o resultado num contragolpe ou numa bola parada, embora o segundo gol o fosse, mais uma vez, com Assunção. Desta vez, o Palmeiras, mesm o sem Kleber (vai ou não vai para a Gávea?), mas, com Luan de volta e Maikon Leite estreando com um gol, fez a bola circular e ganhou categoricamente.

Já no Engenhão o Fluminense meteu 3 a 1 no lanterna Atlético PR, mas a turma tricolor saiu do estádio jururu. Afinal, pelo que se sabe, pode ter sido a última apresentação de Conca com a gloriosa camisa do Fluminense. Um negócio da China, dizem, que servirá para o Tricolor carioca concluir seu Centro de Treinamento, finalmente.

Se assim for, é bom Deco se recuperar rápida e definitivamente.

Enquanto isso, o Coritiba aproveitou para levantar a crista diante do Ceará, voltando a jogar bem: 3 a 1. Menos mal.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  2. PALMEIRAS, INTER E SÃO PAULO
  3. PALMEIRAS, HERÓICO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

domingo, 19 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:56

RECORDE E DECEPÇÕES

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O placar mais estridente desta rodada do Brasileirão foi a goleada do Palmeiras sobre o Avaí, por 5 a 0, no Canindé, o que não seria nenhum espanto pela péssima campanha do lanterna Avaí até aqui. Mas, sim, pelo fato de que o Palmeiras não é dado a esses exageros, nesta quadra modesta de sua gloriosa história.

Ainda mais porque o Verdão não só goleou como passeou diante do Avaí, deu as cartas e jogou de mão, podendo até ter ampliado o bizarro placar.

Mas, a vitória mais significativa foi a do líder São Paulo em Fortaleza: 2 a 0 no Ceará, com direito a gol de placa de Lucas. Com esse resultado, o São Paulo atingiu o recorde de cinco vitórias consecutivas desde o início do Brasileirão, na era dos pontos corridos, com nove gols marcados e apenas um tomado. Pudera! Com esse goleiro. Sim, porque Rogério Ceni pegou um pênalti e ainda fez mais três ou quatro defesas decisivas.

Já Cruzeiro e Fluminense foram as grandes decepções no sábado.

O empate por 1 a 1 com o América mineiro, o que custou à Raposa cair lá para a rabeira da tabela, cumprindo o pior início de Brasileirão de sua história, também derrubou o técnico Cuca, substituído por Joel Santana, famoso por descascar abacaxis como esse.

Assim como não poderia ter sido mais decepcionante o empate por 0 a 0 no clássico carioca, entre Flamengo e Botafogo. A tal ponto que a maior estrela do espetáculo, Ronaldinho Gaúcho, depois de opaca atuação, saiu de campo substituído e vaiado pela torcida que dele tanto espera desde sua chegada à Gávea.

Já o Vasco foi ao Olímpico pela primeira vez com seu time titular e arrancou um empate por 1 a 1 com o Grêmio. Mas, quem resolveu a parada vascaína foi o reserva de luxo Bernardo que cruzou lá direita e o destino desviou a bola para as redes de Victor. Quanto ao Grêmio, bem, as vaias da torcida ao cabo do empate de Roberson dizem tudo.

Outro que decepcionou foi o Galo, que, em casa, teve de suar para chegar ao empate com o seu xará de Goiás por 2 a 2, perdendo a chance de entrar no chamado G-4, dando chance ao Figueirense, que lá chegou ao bater o Furacão por 2 a 0, resultado que, somado aos demais do Atlético, coloca Adílson Baptista em maus lençóis. .

Os mesmos que envolvem o meu querido Falcão, cujo Inter foi a Curitiba, e mais uma vez não conseguiu vencer. Aliás, o empate por 1 a 1 puniu mais o Coritiba, que foi melhor do que o Inter a maior parte do jogo.

Notas relacionadas:

  1. AS DECEPÇÕES DO DOMINGO
  2. AS DECEPÇÕES DO ANO VELHO
  3. E COMEÇA A SARABANDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 13 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 17:25

AS CONTAS DO BRASILEIRÃO

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Pegue-se como exemplo os quatro primeiros colocados do Brasileirão, aqueles que, neste exato momento, seriam os indicados para a Libertadores do próximo ano, ao lado do Vasco, campeão da Copa do Brasil.

Nem o líder São Paulo, com seus números exuberantes – quatro vitórias consecutivas, sete gols marcados e apenas um sofrido – apresentou até agora um futebol empolgante. Sua melhor partida foi contra o Grêmio, na última rodada, mas nada que o amigo visse e sentenciasse – ah, esse ninguém segura!

Que dirá de Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Mas, é inegável que todos são bons times, uns, mais técnicos; outros, mais cascudos. Alguns, com jogadores de alta classe, poucos, porém, para os padrões da história brasileira escrita nos gramados onde a bola rola.

Esse, porém, não é o caso em pauta, aqui e agora.

Quero me fixar nos números, que dão aos quatro vantagens sobre os demais candidatos, alguns deles com elencos que sugerem muito mais do que obtiveram até agora, tipo Flamengo, Fluminense, Inter e Cruzeiro, por exemplo. Vantagens mínimas, é verdade, sobretudo, se olharmos para o horizonte do Brasileirão que se estende por mais de trinta rodadas.

Mas, é aqui que vale uma reflexão. Tanto Luxemburgo, quanto Muricy, dois campeões em conquistas de Brasileirões, chegaram a tais recordes baseando sua estratégia nesta simples equação: em campeonatos de pontos corridos, lá e cá, cada jogo é uma decisão.

Sim, porque um pontinho obtido aqui, no começo das ações, quando o pessoal está meio distraído, pode significar a diferença, lá na frente, entre o campeão e o vice.

Mas, o amigo dirá que isso não é uma verdade absoluta, e logo sacará da memória aquele arranque espetacular do Flamengo na fase final de campeonato recente.

Tá certo: há exceções. Mesmo porque o Brasileirão, diferentemente dos demais campeonatos nacionais por esse mundão afora, tem sempre um número muito maior de clubes chamados grandes, candidatos naturais ao título, do começo ao fim.

Além do mais, há essa traiçoeira janela do meio do ano, quando, dependendo de quem sai ou entra por ela, pode alterar de vez o cenário armado nos primeiros meses de disputa.

Enfim, o que quero dizer com toda essa prosopopeia é que, como não temos por aqui um Barcelona ou um Manchester United, a ideia de uma progressão aritmética estará sempre ameaçada pelo caos das súbitas transformações desta ou daquela equipe.

A DIAGONAL

Um amável bloguista me pede lá embaixo que explique melhor essa história da Diagonal de Flávio Costa, citada em poste anterior.

Diz o leitor que, embora já bem vivido, nunca tinha ouvido falar nesse sistema denominado de Diagonal pelo saudoso técnico do Flamengo, do Vasco, da Seleção Brasileira, e de tantos outros times, nas décadas de 30,40 e 50.

Tenho aqui, na estante ao lado, um livrinho precioso que me foi presenteado pelo inesquecível jornalista Álvaro Paes Leme décadas atrás: A Evolução da Táctica no Futebol – WM, de Cândido de Oliveira, jornalista, escritor e técnico do Sporting e da Seleção Portuguesa nos anos 30/40, fundador da mais tradicional publicação esportiva de seu país, A Bola.

Nesse livro, Cândido de Oliveira (não confundir com o linguista famoso) conta como as táticas no futebol evoluíram das verdadeiras peladas inglesas do final do século XIX até o WM de Herbert Chapman, o formato mais perfeito para ocupar todos os espaços do retângulo gramado do jogo: três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios de apoio, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante), implantado a partir de 1925 no Arsenal.

Por aqui, continuamos a jogar no sistema clássico – dois zagueiros (o stopper e o back, em que o primeiro saía para dar combate ao atacante e o outro ficava na espera), três médios, sendo que o centromédio, também chamado de Eixo, era a figura central da equipe, e cinco atacantes.

Pois bem, o WM só foi bater por aqui mais de uma década depois de sua implantação na Inglaterra e no continente europeu. Quem o trouxe foi um austro-húngaro chamado Dori Kruschner, contratado a peso de ouro pelo Flamengo.

Kruschner penou para fazer a turma entender como a coisa funcionava, mas, seu auxiliar, na época, Flávio Costa, um ex-médio violento como revela seu apelido de Alicate, pegou o pião na unha.

Fez uma pequena variação no esquema WM e o batizou de Diagonal, que pegou por aqui como um rastilho. E, no que consistia essa variação? Simplesmente, deformou o quadrado mágico de Chapman (dois apoiadores e dois meias), passando a jogar com um dos apoiadores um pouco mais recuado, outro, mais avançado, um  mais atrás, que deu origem ao meia-armador, e outro mais avançado, que resultou mais tarde no meia ponta-de-lança. Desenhou-se então uma diagonal no alinhamento dos médios e dos meias.

Como a crônica esportiva brasileira, sempre muito atrasada em relação às mudanças táticas, seguia escalando as equipes no sistema clássico – dois beques, três médios e cinco atacantes –, a diferença se percebia pelas características do apoiador ou volante, fosse pela esquerda, fosse pela direita.

Por exemplo, no Vasco, Expresso da Vitória dos anos 40, Eli era o apoiador, Danilo (que no fim de carreira, no Botafogo e América virou quarto zagueiro) o apoiador mais recuado, e Jorge o lateral-esquerdo, marcador do ponta-direita adversário.

Já no Flamengo, era o inverso: Biguá marcava o ponta-esquerda, Bria atuava um pouco mais atrás de Jaime, que passava a ser o volante mais ofensivo.

Na época, um rico cartola vascaíno, deslumbrado pela invenção, resolveu bancar a ida de Flávio Costa a Portugal para uma série de palestras sobre seu novo sistema revolucionário E o que recebeu de volta foi apenas o ceticismo de todos, sobretudo de Cândido de Oliveira, que definiu a Diagonal como apenas uma pequena e irrelevante variação do WM de Chapman.

Aqui, porém, a Diagonal reinou até fins dos anos 50, quando surgiu a figura do quarto-zagueiro (quarto porque foi o último defensor a juntar-se à linha de três zagueiros do WM) e, consequentemente, o sistema 4-2-4, que, de fato, era já um 4-3-3. Mas, essa é uma outra história que fica para uma outra vez.

Notas relacionadas:

  1. O BRASILEIRÃO E AS BOTAS DO TEXANO
  2. A GANGORRA DO BRASILEIRÃO
  3. BRASILEIRÃO DE RESULTADOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última