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19/11/2009 - 20:38

CHORO DEPOIS DA BRIGA

Leio que o menino Maurício chorou depois daquele entrevero com Obina.

Talvez, ainda mais comovido pelo fato de a diretoria verde ter dado um basta na vida dos dois no Parque. Atitude, cá entre nós, impensada e impensável, partindo de uma turma, em geral, muito equilibrada, apesar das recentes diatribes do presidente Belluzzo contra o juiz Simon.

Tudo bem: a diretoria até poderia chegar a essa decisão. Mas, não sem antes esfriar a cuca e consultar todos os interessados – comissão técnica, jogadores etc. Mesmo porque nem Obina, nem Maurício têm um histórico de indisciplinas no clube e até mesmo na carreira.

Resumindo, baixou a Calábria no Palestra Itália, quando mais conveniente seria ter baixado a Sicília, onde a vingança é sempre um prato a ser digerido frio.

E OS OUTROS?

Bem, cabe a São Paulo, Flamengo, Galo e Inter manterem-se eretos na rodada deste fim de semana, pois mais um tropeção e o Palestra volta à cena, já um tantinho revigorado, talvez na esperança de que alguém lá em cima esteja velando por ele.

Dizem por aí que, no tocante a São e Paulo e Flamengo, a tarefa mais árdua é a do Tricolor que terá de vencer o desesperado Botafogo lá no Engenhão, entre outras coisas, porque jogará desfalcado de cinco titulares.

Pode ser Aliás, acho até muito provável. Mas, é sempre bom lembrar que a grande vantagem do São Paulo neste campeonato é ter um elenco muito equilibrado: nenhum craque de linha desses de arrancar suspiros, mas todos bons jogadores, titulares e reservas, o que lhe confere a regularidade, razão principal de sua liderança.

Quanto ao Mengão, que pega um Goiás, em queda livre, apesar da última vitória, leva a vantagem de jogar num Maracanã delirante, sob o empuxe daquela torcida inigualável. Isso, sem falar em Pet, Adriano e cia.

Mas, depois de tudo que vi até agora no campeonato, sigo sem arriscar nenhum palpite.

TRIBUTO Á RAÇA NEGRA

Esta quinta é feriado, Dia da Raça Negra. Então, permita-me, neguinha, prestar um singelo tributo a esses negros e mulatos maravilhosos que nos encantaram campos afora com seu talento inexcedível, escalando uma seleção de todos os tempos que vi em ação: Dida ou Barbosa. Djalma Santos, Luís Pereira, Aldair e Leovigildo Júnior. Bauer, Zizinho e Pelé; Garrincha, Leônidas da Silva e Canhoteiro.

Isso, sem falar na legião de tantos outros, imensos craques, como Didi, Tesourinha, Coutinho, Edu, Paulo César Caju, Jairzinho, o Furacão da Copa, Luís Pereira, Ademir da Guia, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Romário etc.

Claro que estou deixando de fora alguns monstros sagrados de nossa história que não cheguei a ver jogar, a não ser, eventualmente, em alguma seleção de veteranos, como é o caso de Domingos da Guia, o Divino. Pude vê-lo, ainda menino, defendendo a Seleção Brasileira, em 53, num Campeonato Sul-Americano de Veteranos, realizado no Pacaembu, em 1953.

Domingos não foi apenas, segundo os relatos da época e o testemunho impecável de alguns contemporâneos, simplesmente único. Não só pela bola que jogava. Mas, também, por impor sua negritude sobre os cartolas da época, um gesto singular num tempo em que ainda se ouviam o tilentar das correntes na Senzala disfarçada de urbanidade. Fenômeno semelhante ao a tra´gica figura de Fausto, a Maravilha Negra, que morreu jovem, de tuberculose, praticamente em campo.

E, sim, Arthur Friedenrech, esse mulato de olhos verdes, filho de um comerciante alemão e uma cozinheira negra, primeiro ídolo nacional,que reinou no futebol brasileiro durante vinte anos, nas primeiras décadas do século passado, sem o apoio de uma rede de comunicações como a de hoje, com fidalguia e talento incomparáveis.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
19/11/2009 - 00:21

CATÁSTROFE! MAS PODIA SER PIOR

gremio2x0sep

A ida do Palmeiras ao Olímpico só não foi uma tragédia sem par porque o Grêmio, do início ao fim do jogo, parecia disposto tão somente a preservar sua longa invencibilidade em casa: fez 1 a 0, com Rafael Marques no finzinho do primeiro tempo, e completou o placar com Max Lopes aos 22 minutos do segundo, quando o Verdão estava com apenas nove jogadores, já que Obina e Maurício, ao cabo da etapa inicial, trocaram sopapos em campo.

Mas, se não foi uma tragédia, acabou sendo uma catástrofe. E nem me refiro especificamente à briga dos dois jogadores palmeirenses. Pois, antes disso, durante todo o primeiro tempo, onze contra onze, o Verdão parecia inteiramente desmobilizado. Jogava sem aspiração, muito menos inspiração. Parecia estar ali pelo meio da tabela, garantindo uma vaga na Sul-Americana e olhe lá!

O sempre plugado Muricy caminhava na beira do gramado com uma expressão vazia, de quem não já havia jogado a toalha.

Ora, o Palmeiras, se já abdicou da luta pelo título, tem é de se desdobrar para não perder a vaga na Libertadores, já que vem gente atrás com sede e fome em busca dessa primazia. Remontar esse time, a partir da alma destroçada, com tantos desfalques, não vai ser mole, meu.


FLUBELÊ!

Esse time está mesmo encantado. Talvez não consiga escapar do rebaixamento no Brasileirão. Mas, se isso for mesmo inevitável, cairá de fronte erguida e alma lavada pela extraordinária recuperação nas últimas rodadas do campeonato nacional, e, sobretudo, pela heróica virada sobre o Cerro Porteño num Maracanã iluminado, o que levou o Tricolor à final da Copa Sul-Americana.

E olhe que Fred, o artilheiro implacável dos últimos tempos, perdeu dois gols que não perde jamais. Marcaram, no finzinho do jogo, Gum e Alan, depois de passar o tempo todo perdendo por 1 a 0.

Beleza, Flu.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana Tags: ,
16/11/2009 - 15:32

QUAL DELES LEVA A TAÇA?

35rodada

São Paulo, Flamengo ou Palmeiras, quem vai levar a taça, ao cabo das três rodadas que faltam para o apito final do Brasileirão?

Dos três, o único que pode alcançá-la sem olhar para mais ninguém é o Tricolor paulista. Aos outros dois, resta torcer pelo tropeço tricolor e vencer os jogos que lhe cabem.

Isso, grosso modo, porque infinitas são as possibilidades de fracassos e êxitos desses três times na briga pelos nove pontos restantes.

Assim como tedioso e inútil é tentar garimpar maiores ou menores dificuldades  nos jogos que a tabela reserva para cada um, num campeonato tão nivelado como este, em que os aparentemente fracos criam forças diante dos aparentemente fortes e vice-versa, meu endereço, como me sussurra da varanda a estátua em papel machê de mestre Adonirã Barbosa.

Nestas alturas do campeonato, é tudo pedreira, porque a tensão extrema precede a entrada dos times em campo e, bola rolando, ela pode ser fatal.

Sobra-me, pois, uma única alternativa de análise, aquela que indica para os quesitos técnico e anímico.

Neste aspecto, o Palmeiras é o que me parece mais fragilizado nesse momento. Empatou um jogo que deveria ter e caiu, numa só rodada, da liderança para a terceira posição. Isso abala, cara. Mais ainda porque o time vem jogando mal há várias rodadas.

Contudo, se Muricy puder injetar ânimo novo na equipe e escalar o que tem de melhor, o Verdão continuará no páreo.

Já o Flamengo, dos três, é o que vem em disparada desde lá debaixo, neste segundo turno, praticando um futebol de primeira. Some-se a isso a força de sua torcida, que se espalha por esses brasis afora, delirante, e, então, o bicho pega.

Tecnicamente, é o que está jogando o melhor futebol, embora o Tricolor tenha dado sensíveis sinais de melhora na vitória sobre o Vitória. E, pela experiência de seu grupo tricampeão brasileiro, pode muito bem espantar o temor natural que invade a caça nesta reta final de perseguição.

Traduzindo: o São Paulo, pelos pontos de vantagem, O Flamengo, pelo futebol que está jogando, embora revele certo cansaço na segunda etapa, e o Palmeiras, já mais distante, pela possibilidade de jogar inteiro, nessa ordem, podem levantar a taça, é claro.

Vai apenas depender de quem tropece, onde e quando, neste campeonato dos tropeções históricos.

SIMPLESMENTE ANDRADE

Não há dúvida de que o ponto de inflexão desse Flamengo foi a entrada em cena, de surpresa, do meia Petkovic. Com ele em campo, Adriano, outro destaque do time, passou a jogar mais e está fazendo a diferença, como artilheiro do campeonato.

Assim como a recuperação de Zé Roberto, a chegada de Maldonado e a fixação do menino Airton e de Álvaro lá atrás contribuíram decisivamente para a prodigiosa arrancada do Mengo.

Mas, por trás disso tudo, esconde-se, em sua proverbial modéstia, a figura de Andrade, um dos mais completos volantes da história do nosso futebol, que tanto marcava com eficiência como sabia jogar com elegância e talento, naquele Flamengo inesquecível do começo dos anos 80.

Andrade não tem aqueles arroubos de chefe cheio de verdades, próprios dos nossos treinadores, ainda que iniciantes, nada disso. Apenas, tem a sabedoria de olhar o futebol com a clareza da simplicidade, esse atributo tão sofisticado que para os simplórios metidos a inteligentes soa como demérito, falta de sintonia com os tempos modernos, essas baboseiras todas.

Simplesmente, Andrade deu apoio àqueles que ele julgava capazes de responder positivamente em campo; armou sua equipe sob o sistema mais racional para obter o necessário equilíbrio entre defesa, meio de campo e ataque, e deixou rolar a harmonia decorrente dessas decisões.

Andrade não é daqueles sábios que estudam a semana inteira o adversário e montam sua equipe em função disso, muitas vezes alterando a escalação ou determinando funções não peculiares a este ou aquele jogador. Nada disso,aposta na quintessência de qualquer esporte coletivo, sobretudo o futebol: o entrosamento entre os atletas em campo, que só se aprimora com o tempo e a repetição dos movimentos de cada um.

Simples assim, como Andrade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
12/11/2009 - 00:22

VERDÃO SE SEGURA

Mais charges no blog do Milton Trajano

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O gol de empate do Palmeiras, aos 40 minutos, foi legítimo (Elder dava condições a Danilo), mas que o juiz apitou antes da conclusão do lance, ah, disso não tenho a menor dúvida: quando Danilo matou a bola lançada por Armero, na área, soam dois trinados curtos. O juiz, em vez de apontar o meio de campo, caminha em direção à meta do Sport e só depois é que sinaliza claramente o tento.

O fato é que o gol manteve o Palmeiras na liderança, embora a sensação de perda tenha sido muito maior do que a de alívio. Pelo menos, para o goleiro Marcos, que, saiu de campo lamentando o empate.

Isso porque o Verdão, no primeiro tempo, levou dois gols bem tramados de um Sport que ainda poderia ter ampliado o placar por duas vezes mais.

No intervalo, Muricy desfez o malfeito e trocou Sandro Silva e Souza por Pierre e o meia Deyvid Sacconi, não por acaso autor do primeiro gol de um Palmeiras que passou a ser mais ofensivo, sobretudo depois da expulsão de Durval, o que permitiu ao técnico verde incrementar o ataque, ao substituir Edmílson, mal no jogo, pelo  atacante Marquinhos.

Enfim, bem ou mal, o Verdão segue na ponta, com todas as chances de chegar à taça de ouro, enquanto o Sport não mais se segura nem nos números, nem na esperança de escapar pela última fresta.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
10/11/2009 - 13:54

VERDÃO E SIMON NO SOFÁ

O Verdão volta a campo, diante do Sport, em busca do resgate da liderança que lhe foi escapando pelos dedos nas últimas rodadas. Mas, antes, terá de passar, ainda que brevemente, por falta de tempo, no sofá do analista de plantão.

Sim, porque, neste momento, o Palmeiras vive um torvelinho de emoções, que vão da mais explosiva indignação à mais profunda depressão, todas, diga-se, justificáveis pelos fatos.

E quais são os fatos básicos?

A indignação, pelo erro imperdoável do juiz Simon, tamanha, que levou o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, a extrapolar todos os limites de civilidade ao execrar publicamente o árbitro. E a depressão, porque, pior do que jogar mal, é saber que está jogando mal há algum tempo.

A explosão do dirigente é compreensível, embora condenável, nesta quadra da vida do futebol brasileiro, cercado por todos os lados da violência que nem sempre precisa desses estopins para invadir os campos e se espalhar pelas ruas da cidade.

Mas, afora a eventual futura troca de chumbo entre ambos nos tribunais, já que cada um promete processar o outro, o primeiro a tombar foi o árbitro, afastado até o fim do Brasileirão, por ordens superiores (leia-se Ricardo Teixeira).

Já não era sem tempo, pois Simon vem acumulando erros crassos há, pelo menos, dois anos. E nem vale listá-los aqui, pois estão espalhados aí pela internet e gravado na memória do torcedor lesado.

Nego-me a acreditar em armação específica para derrubar o Palmeiras ou beneficiar este ou aquele adversário. Não  por acreditar piamente no ser humano, que a vida me ensinou ser uma bactéria capaz de ganhar as formas mais exóticas, mas justamente por isso. Tramas desse tipo não resistem á clandestinidade por muito tempo.

Lembro-me de que menino ainda, no Brás dos italianos, depois de assistir um daqueles tantos filmes de gangster americano, perguntei ao velho por que, com tantos imigrantes da Bota povoando minha cidade, aqui a Máfia não proliferava.

Resposta: “Por que a lei básica da Máfia é a omertá (silêncio), e brasileiro não consegue guardar segredos”.

Além do mais, Simon e seus colegas de arbitragem já espalharam erros que atingiram a todos os participantes do campeonato, o que exigiria trama tão sofisticada e malévola que não  me parece pertencer ao universo dessa turma, incluindo CBF, comissão de arbitragem etc.

Prefiro cultivar outra hipótese, nascida de recente encontro com Simon, que me passou a impressão de um homem em ponto de inflexão, dono de um discurso errático, com tons de megalomania, essas coisas. Isso acontece com pessoas que ganham notoriedade, sobretudo quando investido de tanto poder como o que a lei do jogo outorga ao juiz de futebol.

E, que, a partir da má atuação na Copa do Mundo, o cimo da carreira de qualquer árbitro, passa a ser questionado, e, por consequência, cada erro provoca o seguinte, a ponto de acumular erros primários, quando não fatais.

Às vésperas de ser enviado ao terceiro Mundial de sua carreira, Simon é reprovado nos exames físicos e cortado do Mundial de Novos, mas se recupera na Argentina. Isso mexe tanto com ele que no domingo, antes do jogo do Palmeiras, ele ligou para o Arnaldo César Coelho, revelando suas aflições.

Enfim, meu aconselhamento de psico de botequim: Simon bem que poderia aproveitar essa folga forçada para deitar no mesmo sofá do Verdão.

Hora de Simplício

Com o corte de Ramires (machucado), Dunga chamou Fábio Simplício, revelado na base do São Paulo e que há tempos atua na Itália, agora, pelo Palermo.

Lá, a exemplo de tantos outros brasileiros, joga mais avançado, como meia. E tem jogado bem esse tempo todo. Pelo menos, assim o foi nas poucas vezes em que o vi em ação.

Mas, de fato, trata-se de mais um a se juntar à legião de volantes à disposição de Dunga.

Dinâmico, suficientemente hábil para sair jogando lá de trás, bom marcador, bem que Simplício mereceria uma chamada dessas. Mas, como volante.

Como meia, mais ajuizado seria chamar Diego, por exemplo, que andou muito bem na Juventus até se machucar. Na volta, ainda não resgatou a bola de antes. Contudo, por sua biografia mereceria muito mais outra chance.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , ,
09/11/2009 - 15:57

A DIFERENÇA TRICOLOR

Não, não, meu caro, nem o Palmeiras dançou de vez, nem o Galo perdeu definitivamente a chance de ainda disputar o título brasileiro nesta reta final do campeonato. Tampouco o São Paulo já pode ir polindo a taça, embora, na teoria, a sequência de jogos que lhe restam pareça menos árdua do que a dos demais, talvez com exceção do Flamengo, este, sim, já tão próximo da liderança que todas as esperanças rubro-negras são plenamente justificáveis.

Ah, sim, e não nos esqueçamos do Cruzeiro, que faz um seguindo turno exemplar, o que lhe permitiu chegar à zona de disputa do título, também.

A propósito, em meio a esse clima de total imprevisibilidade, já que os times sobem e descem ao sabor da maré, vale aqui ressaltar apenas o aspecto técnico e suas diferenças entre esses cinco pretendentes ao título.

São Paulo e Palmeiras, ainda que na frente dos demais, são os que têm apresentado o futebol mais desconexo. Fortes na defesa, comandada por dois goleiraços – Rogério Ceni e Marcos – e eficientes no ataque, carecem, contudo de uma armação no meio-de-campo mais fluente e consistente.

O Verdão, quando pode contar com a dupla de meias – Diego Souza e Cleiton Xavier -, desde que o técnico Muricy não insista na formação com três zagueiros, melhora cem por cento nesse quesito. Mas, o São Paulo ainda não resolveu de vez essa questão.

Em contrapartida, Flamengo, Cruzeiro e Galo são os que apresentam um jogo mais harmônico, com maikor equilíbrio entre os três setores – defesa, armação e ataque.

Mas, cada um deles tem sido extremamente dependente deste ou daquele jogador fundamental. O Flamengo se transformou a partir da chegada de Álvaro, Maldonado e, sobretudo, Petkovic . O Galo é refém de Diego Tardelli, não só o artilheiro do time, mas aquele atacante que contribui demais na armação. O Palmeiras, da dupla Diego-Xavier, e assim por diante.

Só o São Paulo dá a sensação de que não depende deste ou daquele jogador, embora Rogério e Hernanes tenham sido essenciais.

Na rigor, não há muita distância técnica entre titulares e reservas do São Paulo parece ser bem menor do que nos outros rivais ao título. E isso, talvez, justifique sua liderança temporária, que pode acabar sendo definitiva, ao fim de tudo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
05/11/2009 - 16:17

A BOLA COM VERDÃO E GALO

O empate foi heróico, pelas circunstâncias, mas o Tricolor somou apenas um ponto e está passível de cair da liderança para um segundo lugar dividido, caso Verdão e Galo vençam seus jogos deste fim-de-semana.

O Atlético joga em casa, é verdade, enquanto o Palmeiras terá de ir ao Maracanã, num Fla-Flu insólito.

O Galo joga  sob o apoio maciço de uma nação em festa, mas pega o indigesto Flamengo, que, como ele, luta não apenas por uma vaga na Libertadores como também pelo título.

Já o Palmeiras enfrenta um dos lanternas do campeonato. Mas, um lanterna que vem de cinco rodadas invictas – a última, aquela virada emocionante sobre o Cruzeiro em pleno Mineirão, depois de ter vencido o Galo, em casa.

Como se vê, nem dá para cravar qual o jogo mais favorável, se o do Galo ou o do Verdão. Certo mesmo é que a possível volta de Cleiton Xavier ao meio-campo verde deve conferir a esse nobre setor uma dose extra de qualidade, o que, nesses casos, pode fazer toda a diferença.

É esperar pra ver.

TIMÃO E REFORÇOS

Fala-se em Iarley e Tcheco, além do volante Ralf, do Barueri, como novos reforços para o Corinthians montar seu novo time com vistas à próxima temporada (leia-se Libertadores).

Ralf é jovem ainda e bom de bola, pelo que se pôde ver no atual Brasileirão. Já Tcheco e Iarley entram naquela faixa dos jogadores experientes de que, pelo visto, carece o atual time do Corinthians. Acrescenta-se nessa linha de especulações um nome internacional, como Riquelme, Roberto Carlos e até mesmo Guti (?), do Real Madrid. Riquelme seria uma tacada extraordinária, mas o meia do Boca é um tipo meio arredio, que não parece mais disposto a deixar Buenos Aires, depois da experiência espanhola. E Guti tem raízes tão profundas no Real que duvido que alguém possa erradicá-las. Sequer tem uma marca suficiente para converter em receita corintiana sua eventual contratação. Quanto a Roberto Carlos, só depende da disposição do veterano lateral-esquerdo trocar seu sonho de pendurar as chuteiras na Vila para calçá-las no Parque.

 De qualquer forma, o Corinthians está se mexendo, que é o que importa, nestas alturas do campeonato.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , ,
02/11/2009 - 16:05

NEM NA CALCULADORA, NEM NAS ESTRELAS

Veja mais charges no blog do Milton Trajano

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Os matemáticos fazem e refazem seus cálculos a cada rodada; os astrólogos buscam nos céus uma conjunção de estrelas que lhes aponte para o ungido, aquele destinado a ser campeão; os experts da mídia analisam a tabela, jogo por jogo, e, no fim, só se contradizem, porque os fatos subvertem a lógica mais elementar.

O psicólogo de plantão diria que esse Brasileirão tem os mais fortes traços esquizóides desde que os pontos corridos foram reinstalados nos nossos campos, alternando-se profundas depressões com luminosas euforias.

E o torcedor torce, enquanto exuma fantasmas nos gestos dos juizes contra seus respectivos times, enxergando verdadeiras conspirações por trás do ato individual e humano de cada um, em circunstâncias sempre diversas.

O certo é que o futebol, esse brinquedo dos deuses levado às últimas consequências pelos homens, apesar de toda tecnologia como suporte, teorias e cousa e lousa e maripousa, no fundo, muitas vezes, se resume num drible inesperado, numa cabeçada certeira, num chute fatal, numa defesa espetacular do goleiro, na falha deste ou daquele beque, no pênalti marcado ou não pelo juiz, na sinalização infeliz de um impedimento pelo bandeirinha, enfim, essa soma de detalhes aleatórios ou não que fazem o sal do jogo.

Claro que uma equipe composta por jogadores de técnica superior, bem preparada física, tática e psicologicamente, terá sempre mais possibilidade de vencer outra, inferior nesses quesitos.

Ainda mais se incorporar a esses valores tradição, torcida imensa, gerenciamento administrativo adequado, grana etc.

Apesar disso, a zebrinha sempre estará espiando uma brecha, atrás da meta, para partir em desabalada carreira campo adentro.

A vantagem do sistema de disputa por pontos corridos é a de que, raramente, esse bicho entra em cena na hora de um time levantar a taça. Quase sempre, o melhor, na média do campeonato, vence.

O diabo, na atual competição nacional, é que a diferença técnica entre os primeiros e os últimos é muito pequena, quase insignificante. Dá-se, então, que qualquer previsão está, de saída, prejudicada pela imponderabilidade presente em qualquer confronto, independentemente se seja a disputa entre os candidatos ao título, ou destes contra os ameaçados de rebaixamento, em casa ou fora.

Tivéssemos por aí um Santos de Pelé, um Cruzeiro de Tostão, um Inter de Falcão, um  Flamengo de Zico, um Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos, um Palmeiras de Ademir da Guia, enfim, um desses timaços da história, não há dúvida de que dispararia na ponta.

Mas, não temos. São todos mais ou menos do mesmo nível.

Logo, o negócio é continuar esquentando as calculadoras e perscrutando as estrelas para tentarmos achar um sinal do escolhido.

Feliz ou infelizmente, essa é a lógica deste Brasileirão, tão pobre tecnicamente, mas tão intenso em expectativas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , ,
01/11/2009 - 18:45

MAGRO, MAS COM POSE

O Verdão segue perdendo a gordura, mas não a pose: continua líder, agora ao lado do Tricolor em pontos ganhos, mas leva vantagem pela melhor artilharia.

E, se perdeu mais dois quilinhos diante do Corinthians, ganhou uma tonelada de confiança, depois do empate heroico, alcançado no último minuto, com um jogador a menos desde o primeiro tempo.

Aliás, ninguém menos do que o goleirão Marcos, que cometeu pênalti em Jorge Henrique, convertido por Ronaldo, o artilheiro do jogo, com dois gols. O segundo, passe de Defederico, autor também da enfiada para Jorge Henrique no lance do pênalti.

Por falar em Defederico, sou obrigado a falar de outro gringo – Figueroa -, que levantou aquelas duas bolas fatais aproveitadas pela zaga palmeirense – Danilo e Maurício, de cabeça, ambos.

No jogo jogado, o Corinthians foi ligeiramente superior ao Palmeiras, que começou com três zagueiros e, no intervalo apelo para o “romantismo” de um atacante, Marquinhos, no lugar de um becão, Marcão. É um daqueles casos em que o dminutivo vale mais do que o aumentativo.

Já o grande perdedor, dentre os fortes candidatos ao topo da tabela, foi o Inter, que, no Beira-Rio, perdeu para o Botafogo, por 1 a 0, gol de falta do zagueiro Juninho. Pra quem quer disputar o título,uma tragédia.

O mais incrível, porém, aconteceria no Mineirão. O Cruzeiro, que vinha comendo pelas beiradas, deu um baile no Fluminense, no primeiro tempo: fez 2 a 0, jogou fora um pênalti e desperdiçou mais tr~es chances claras de emplacar uma goleada.

Mas, no segundo, com as entradas de Tartá e Digão, o Flu transfigurou-se, tomou conta da bola, sob o comando de Conca, talentoso e inesgotável, e virou tudo de ponta-cabeça. Final: 3 a 2, com direito a dois gols do ex-cruzeirense Fred, que, comovido pela recepção da torcida adversária, não quis sequer celebrar seus feitos em campo.

Um jogo de tirar o fôleg0… e o lugar na G-4 que o Cruzeiro havia conquistado nos primeiros 45 minutos de partida.

Mas, nada está perdido para nenhum deles, por enquanto.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
30/10/2009 - 14:00

VERDÃO E TRANSPARÊNCIA

“Poeirá/ Ô, ô/ Poeirá/ Eu caí, sacudi/ Poeirá”. Esse é um dos arquétipos do samba de roda, matriz de nossa maior e mais lídima expressão musical – o samba.

Pois, foi o que fez o Palmeiras, ao golear o Goiás e resgatar a liderança do Brasileirão: depois de uma sequência de insucessos, quando apertado sob o último nó, o Palestra ressurgiu.

Mas, não tentem jogar poeira nos nossos olhos, para conferir outros valores à vitória espetacular, que ninguém nasceu ontem, nem acreditamos no poder mágico da heroína dos quadrinhos, Jane, clone da clássica Alice do País das Maravilhas, que rezava a quadrinha da infância – “Areia da grossa/ Areia da fina/ Areia me faça ficar pequenina” – para adentrar um mundo de fantasia.

Refiro-me a esse discurso canhestro do técnico Muricy e de alguns jogadores palestrinos, segundo o qual, o Palmeiras vinha praticando um futebol “romântico”, “bonito”, e só perdia. Quando mudou o braço da viola, goleou.

Que conversa é essa? O Palmeiras só jogou bonito e venceu naquele breve período em que o modesto, mas inteligente, Jorginho assumiu interinamente o comando do time, entre Luxa e Muricy, dois autênticos astros do ofício. Foi a série de sete jogos invictos (seis vitórias e um empate) que não só levou o Palmeiras à liderança como abriu vantagem para o seu sucessor tocar o barco sem maiores esforços.

Depois disso, o Verdão passou a jogar o tal futebol pragmático, feio, mais preocupado em se defender do que em atacar, com os becões esticando a bola ao ataque, e começou, progressivamente, a perder a gordura acumulada, até chegar quase no mano-a-mano com os demais pretendentes ao título. E, quando ganhou, ganhou jogando mal. Isto é fato, não papo de artista.

Muricy, por quem tenho uma admiração especial, seja como ex-jogador – excepcional -, seja como técnico – um vencedor como poucos – , seja como pessoa – parceiro e gente fina -, melhor faria se assumisse  claramente sua vocação irrefreável para a retranca do que tentar jogar poeira em nossos olhos. Não porque isso possa afetar sua brilhante carreira, cujos resultados são incontestáveis: um vice e três – quem sabe, quatro –  títulos nacionais, afora todos os estaduais. Mas, porque ele é um paradigma na atual fase do futebol brasileiro, que tanto carece de sair dessa mesmice e almejar algo superior.

Mesmo porque o maior patrimônio de Muricy é a honestidade, além da capacidade de armar seu time de acordo com as suas reais convicções.

Só o que peço é transparência. Não aquela poeira que esconde a realidade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
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