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30/10/2009 - 14:00

VERDÃO E TRANSPARÊNCIA

“Poeirá/ Ô, ô/ Poeirá/ Eu caí, sacudi/ Poeirá”. Esse é um dos arquétipos do samba de roda, matriz de nossa maior e mais lídima expressão musical – o samba.

Pois, foi o que fez o Palmeiras, ao golear o Goiás e resgatar a liderança do Brasileirão: depois de uma sequência de insucessos, quando apertado sob o último nó, o Palestra ressurgiu.

Mas, não tentem jogar poeira nos nossos olhos, para conferir outros valores à vitória espetacular, que ninguém nasceu ontem, nem acreditamos no poder mágico da heroína dos quadrinhos, Jane, clone da clássica Alice do País das Maravilhas, que rezava a quadrinha da infância – “Areia da grossa/ Areia da fina/ Areia me faça ficar pequenina” – para adentrar um mundo de fantasia.

Refiro-me a esse discurso canhestro do técnico Muricy e de alguns jogadores palestrinos, segundo o qual, o Palmeiras vinha praticando um futebol “romântico”, “bonito”, e só perdia. Quando mudou o braço da viola, goleou.

Que conversa é essa? O Palmeiras só jogou bonito e venceu naquele breve período em que o modesto, mas inteligente, Jorginho assumiu interinamente o comando do time, entre Luxa e Muricy, dois autênticos astros do ofício. Foi a série de sete jogos invictos (seis vitórias e um empate) que não só levou o Palmeiras à liderança como abriu vantagem para o seu sucessor tocar o barco sem maiores esforços.

Depois disso, o Verdão passou a jogar o tal futebol pragmático, feio, mais preocupado em se defender do que em atacar, com os becões esticando a bola ao ataque, e começou, progressivamente, a perder a gordura acumulada, até chegar quase no mano-a-mano com os demais pretendentes ao título. E, quando ganhou, ganhou jogando mal. Isto é fato, não papo de artista.

Muricy, por quem tenho uma admiração especial, seja como ex-jogador – excepcional -, seja como técnico – um vencedor como poucos – , seja como pessoa – parceiro e gente fina -, melhor faria se assumisse  claramente sua vocação irrefreável para a retranca do que tentar jogar poeira em nossos olhos. Não porque isso possa afetar sua brilhante carreira, cujos resultados são incontestáveis: um vice e três – quem sabe, quatro –  títulos nacionais, afora todos os estaduais. Mas, porque ele é um paradigma na atual fase do futebol brasileiro, que tanto carece de sair dessa mesmice e almejar algo superior.

Mesmo porque o maior patrimônio de Muricy é a honestidade, além da capacidade de armar seu time de acordo com as suas reais convicções.

Só o que peço é transparência. Não aquela poeira que esconde a realidade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
05/01/2009 - 14:13

VERDÃO SOB FOGO

Uma das torcidas organizadas do Palmeiras conclama seus adeptos para manifestação contra o time que começa hoje a se agrupar para a esta temporada, que se prevê espinhosa e longa.

Às vésperas das eleições para a nova diretoria, isso tem cheiro de arroz queimado. Mas, digamos que simplesmente seja uma justa revolta por eventual falta de perspectivas maiores para o Palmeiras neste ano. Ainda assim, não contribuirá para melhorar o desempenho de ninguém.

Além do mais, embora carente deste ou aquele jogador ideal para duas ou três posições (as laterais e o comando do ataque, por exemplo, caso Maurício e Danilo resolvam o problema da zaga), vale dizer que o tim a ser formado não é nada desprezível. Seu meio-de-campo deve ganhar muito com a presença de Cleiton Xavier, um meia lúcido e de técnica apurada, e seu ataque receberá reforço considerável com a presença de Marquinhos, uma das grandes revelações do Brasileirão passado.

O diabo é que o Palmeiras perdeu muitos jogadores, dentre eles a dupla de ataque Kleber-Alex Mineiro, ponto alto da equipe na tmporada passada. Assim como os dois laterais – Elder Granja e Leandro -, de grande valia nas campanhas pelo título paulista e pelo Brasileirão.

E, num calendário como o nosso, elenco é fundamental, como bem sabe Luxemurgo e cia. bela.  

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: , , ,
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