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23/08/2009 - 00:19

O ENIGMA AZUL DO VERDÃO

Che tremenda confusione!, exclamaria nas páginas da Fanfulla, jornal da colônia italiana, o jornalista Vicenzo Ragognetti, um dos fundadores do Palestra Itália, se vivo estivesse, ao se referir às várias versões fornecidas pela imprensa, em geral, sobre o uniforme azul e branco com que o Palmeiras reverenciou, sábado, suas origens.

Houve até quem dissesse que o Palestra só usou essas cores duas vezes na vida, confundindo o azul primevo com aquele da decisão do Campeonato Paulista de 54, contra o Corinthians.

Na verdade, o alvi-verde, oficialmente, estreou vestido de alvi-celeste. Mais precisamente de branco, com a cruz branca inserida no escudo vermelho no lado esquerdo do peito, pois seu adversário – o Savóia, de Sorocaba, também fruto da imensa colônia italiana da época -, como sugere o nome, era igualmente azul e branco.

Isso ocorreu exatamente no dia 25 de janeiro de 1915, em pleno desenrolar da Primeira Guerra Mundial. Era um jogo beneficente, cuja renda (200 contos de réis) destinou-se à Cruz Vermelha italiana.

Na versão em que o azul predominava, era essa mesma que o amigo viu no jogo contra o Inter: camisa azul, cortada por uma faixa branca larga no meio do torso, o escudo em vermelho, com a cruz branca no centro.

Isso está documentado no livro Palmeiras, a Eterna Academia, editado pela DBA e de autoria deste que vos fala. Basta conferir nas páginas 12 e 13 as fotos das formações do Palestra Itália dos anos 15 e 16, em branco, ou em azul e branco. Ainda que as fotos não sejam coloridas vê-se claramente que as partes mais escuras batem com o azul, não com o verde. Esse azul remete à Casa de Savóia, última dinastia italiana, regida por Vittorio Emmanuelle.

Só mais tarde, é que o Palestra Itália adotou o uniforme com as cores de Garibaldi, o unificador da Itália: verde, branco e vermelho – camisa verde, golas vermelhas e o escudo, um círculo vermelho com o P e o I entrelaçados, em letras douradas. O vermelho manteve-se apenas no escudo até cair fora quando, na Segunda Guerra Mundial, o Palestra virou Palmeiras, só verde e branco.

Já a história da camisa azul que o Palmeiras usou na decisão com o Corinthians, em 54, é outra. Dizem que o presidente da época, Paschoal Walter Byron Juliano,tremendamente supersticioso, seguiu apenas os conselhos de um Pai de Santo, que lhe assegurou a vitória se engessasse o pé e vestisse o Verdão de azul. O Corinthians foi campeão, como todos sabem.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: ,
15/04/2009 - 22:17

SPORT A LA PALMEIRAS

Sport no Palestra Italia

No Palestra Itália, o Sport (foto cima, EFE) foi o Palmeiras na Ilha do Retiro: brioso, marcando o adversário em todos os cantos do gramado e impedindo, assim, que o Verdão conseguisse fazer fluir seu jogo mais leve e ofensivo.

Nem mesmo quando já estava à frente no placar em pênalti de César (hummm….) que Keirrison converteu. E tampouco quando passou a ter um a mais, depois da expulsão de Wilson, autor do empate, por levantar a camiseta, já no finzinho da etapa inicial.

Faltou ao Palmeiras aquele algo mais que sobrou ao Sport, de acordo com a ótica de cada um desses dois times. Melhor para o Sport, pior para o Palmeiras, mas nem champagne, nem luto, por enquanto.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , , ,
06/03/2009 - 17:37

RONALDO, BRANDÃO E O CLÁSSICO

Joga ou não joga. Se joga, é de pronto, ou espera a vez no banco?

Claro, tudo gira em torno de Ronaldo Fenômeno e sua esperada participação no clássico com o Palmeiras, em Prudente. Um clássico, aliás, ainda mais peculiar, não apenas por ser disputado longe do Palestra Itália, casa do mandante Palmeiras, mas, também porque as duas diretorias dos rivais eternos resolveram sentar à mesa e estimular uma ação conjunta para desarmar espíritos, criar motivações extras e faturar uma graninha a mais.

De todas essas iniciativas, confesso, a que me toca mais é a homenagem que Corinthians e Palmeiras resolveram prestar ao saudoso técnico Osvaldo Brandão, um ícone dos dois Parques, com a invenção de um Troféu Osvaldo Brandão, de posse transitória a ser disputado doravante sempre que ambos se confontarem, onde for.

O gaúcho Brandão foi jogador do Palmeiras – um médio, diziam, mais botinudo do que técnico -, que, ao pendurar as chuteiras precocemente, em 1947, já virou treinador. E nesse mesmo ano levantou a taça do Paulistão, no bico do São Paulo, bi de 45/46.

Em 54, herdou de Rato o Corinthians bicampeão paulista de 51/52, e ganhou o Campeonato do IV Centenário da Cidade de São Paulo, que se juntou ao troféu de 22, o do Centenário da Independência do Brasil. Foi aquele ano festivo em que se celebrava também o advento do cinema em Terceira Dimensão – agora, em voga nos EUA – e o Brasil deslumbrava-se diante daqueles zóios verdes e lamentava aquelas duas polegadas a mais nas vertiginosas curvas da baiana perfeita – Martha Rocha.

Mas, a Fiel, que tomou conta da Avenida São João, numa passeata inesquecível, teria que se lamentar, ao fim da festa, pelos vinte e três anos de espera que se seguiram. E que foram quebrados, em 77, por quem? Isso mesmo: Osvaldo Brandão. O mesmo Brandão que montou a primeira Academia do Palmeiras, em 59, capaz de bater nada menos do que o Santos de Pelé e cia. E que armaria a terceira Academia, no início dos anos 70.

Justíssima e tardia homenagem a essa figura ímpar do nosso futebol, a quem tanto critiquei e elogiei em vida, numa clima de absoluta amizade. Para os mais jovens, basta dizer que Btrandão era assim um misto de Felipão e Muricy.

Mas, voltando ao clássico de domingo. O Palmeiras, embora líder com a folga de um jogo a menos, precisa, neste momento, mais da vitória do que o Corinthians, por causa de seu recente resultado negativo diante do Colo-Colo. E isso, como diria Vicente Matheus, é uma faca de dois legumes: tanto pode laminar a insegurança do time, quanto afiá-lo com o fio da vingança, aquela que faz pagar o inocente pelo culpado.

Já o Corinthians, que se mantém ali na zona de classificação para as finais, vive mais é a esperança de logo, logo, ter Ronaldo nos trinques. E qual atalho será melhor para que o Fenômeno chegue logo lá: começar jogando, ou entrar no segundo tempo, de acordo com as circunstâncias do jogo?

Mais previdente, olhando à distância, é deixar Ronaldo no banco e só recorrer a ele se a situação for favorável ao Timão. Mas, como se trata de Ronaldo, que prefere iniciar o jogo, tudo é possível. Tudo é possível.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
03/03/2009 - 22:22

QUE PALMEIRAS FOI ESSE, MEU?

 

Não, não, não foi o Palmeiras que perdeu para o Colo-Colo por 3 a 1, em pleno Parque Antártica, na sua segunda rodada na fase pra valer da Libertadores. Foi o anti Palmeiras, um time lento, desfibrado, sem a mais remota relação com aquela equipe veloz e contundente deste início de temporada.

A ponto de não saber sequer se aproveitar da vantagem de um jogador a mais, com a expulsão de Melendez logo aos 4 minutos do segundo tempo, quando perdia por 1 a 0, gol de Barrios, aos 43 da etapa inicial. E, mesmo assim, levou mais dois, de Torres e de Gonzales, embora K-9 tenha reduzido pouco antes da pá de cal.

Aliás, foi apenas nesse breve momento, entre o segundo e o terceiro gols dos chilenos, que o Verdão deu sinais de que poderia reduzir o prejuízo, já grave: Keirrison fez um e meteu na trave um passe medido de Willians, um dos poucos que subsistiram ao naufrágio.

Mas, então, o que aconteceu? Sei lá. Talvez, uma dose extra de empáfia que se confunde com a ansiedade que trava; talvez, uma súbita falta de inspiração generalizada de seus principais jogadores somada à ausência de Armero, tão profícuo nesta fase verde, ou, simplesmente, o time foi enredado pela trama dos chilenos, que marcavam bem, mas, sobretudo, tocavam a bola com paciência e exatidão.

Ou, por fim, a combinação disso tudo. O fato é que foi uma catástrofe essa derrota, pelo placar e, principalmente, pela forma como jogou (ou não jogou) esse simulacro do Palmeiras.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , , , ,
30/01/2009 - 14:24

VERDÃO NAS ALTURAS

O Palmeiras já está subindo o morro para sacramentar, lá nas alturas de Potosi, a vaga na fase pra valer da Libertadores que praticamente conquistou ao meter 5 a 1 no Real, no Palestra Itália, nesta quinta-feira.

E que 5 a 1 emblemático foi esse, com direito a mai dois gols de Keirrison, outro de Cleiton Xavier e o primeiro de Edmílson com a camisa verde, os três jogadores que deram um novo perfil ao Palmeiras nesta arrancada imprevista e extremamente animadora no início da temporada.

Os três, que desembarcaram outro dia no Palestra, assim como o colombiano Armero e o baiano Willians, passam a sensação de que há anos estão por ali batendo sua bola de valor.

Não é possível, em casos como esse, deixar de exaltar a ação do treinador. Sobretudo, quando se trata de Luxemburgo, de quem se pode não gostar por isso ou aquilo, mas que, armando um time de futebol, é capaz de prodigiosos desse tipo, sim, senhor. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , , , , , ,
24/12/2008 - 12:54

UM RIO-SÃO PAULO DE MERCADO

Lá pelos entornos da década de 30, como gosta de dizer meu querido Lança, instalou-se o profissionalismo no futebol brasileiro. O Fluminense, clube mais rico do país, entre outras coisas porque dono do estádio mais importante do Brasil – as Laranjeiras -, baixou em São Paulo e fez um rapa geral. Levou praticamente toda a Seleção Paulista da época.

A investida foi tão poderosa que a diretoria do Palestra Itália (hoje, Palmeiras) resolveu esconder seus jogadores numa chácara em Atibaia (à época, o fim do mundo), cercando-os de jagunços armados instruídos a botar pra correr os possíveis emissários cariocas.

Inútil medida, pois Romeu, Gabardo, Sandro, Tim, Hércules, Orozimbo, quase toda a elite do futebol paulista, se transferiram para as Laranjeiras. Era o poder da grana, que fala mais alto, que fala primeiro, como no samba do saudoso e genial Ataulpho.

Quase um século depois, dá-se o troco. Os clubes paulistas, neste período de contratações, foram ao Rio e fizeram a festa. Quase dá para escalar uma seleção de cariocas ilustres que, duas semanas, trocaram a Cidade Maravilhosa pela Paulicéia Desvairada. Vejamos: Wagner Diniz, Renato Silva, Triguinho, Júnior César, Arouca, Lúcio Flávio, Washington, Jorge Henrique, seu lá quantos mais.

Dos paulistas, o mais guloso foi o São Paulo, que trouxe do Botafogo o zagueiro Renato Silva, do Botafogo, o lateral-direito Wagner Diniz, e do Fluminense, numa feira, Washington, Júnior César e Arouca, que só deve se apresentar em abril, caso não haja negociação entre os dois Tricolores para abreviar esse prazo.

O que isso quer dizer? Que a grana segue sendo, como sempre, o valor que fala mais alto e que fala primeiro?

É muito provável. Mas, no caso do Flu, me parece que há uma predisposição para desmontar de vez aquele timaço que tantas esperanças deu aos tricolores e que acabou a temporada simplesmente escapando do rebaixamento.

Quem sabe, no âmago do inconsciente tricolor, pulse a lembrança do Timinho, uma equipe modesta mas briosa, que, sob o comando do saudoso Zezé Moreira, conquistou títulos impossíveis.  

Há clubes que viram reféns desta ou daquela tradição. O Flu, por exemplo, foi uma equipe estrelada nos anos 30. Nos 50, um time competitivo, apenas, embora lá estivesse um dos maiores craques da história do nosso futebol – Didi. Foi vencedor nos dois períodos, como o foi nos anos 70, com Flávio, e, mais tarde, com o casal 10 – Assis e Washington.

Vivo me perguntando por que será que a massa dos torcedores (não só a do Flu) e a mídia esportiva em geral preferem ressaltar e cultuar justamente aquela última imagem, a do time guerreiro, o out-side, o que sai do limbo para levantar a taça? 

Suponho por que sejamos todos – a imensa maioria dos brasileiros – uns perdedores de véspera. Nunca vai dar certo. Quando dá, êia!, eis o prodígio que sobrevive a tudo e a todos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: , , , , , , , , , ,
30/10/2008 - 00:31

QUE CAMPEONATO É ESSE?

O grande feito da rodada foi do São Paulo, ao bater o Botafogo, no Engenhão, por 2 a 1. É verdade que o Fogão chegou ao empate mas o juiz anulou, apoiando sinalização do bandeira, em bola que não foi tocada por Wellington Paulista, o atacante em posição de impedimento no lance.

Mais até do que vencer o Botafogo, na casa do inimigo, o que elevou o Tricolor ao topo da tabela, empatado em pontos com o Grêmio, valeu a forma como o São Paulo jogou.

Teve o domínio da bola e dos espaços a maior parte do tempo, com exceção de um período de predomínio do Bota no segundo tempo, e correu poucos riscos.

Foi, é verdade, beneficiado pelos erros de saída de bola do goleiro Renan e do volante Diguinho nos gols de Jean e Hernanes, assim como Miranda vacilou no tento do Botafogo, marcado por Wellington Paulista.

Assim, o São Paulo vai consolidando sua linha ascendente na hora H.

Verdão, menos

Já o Palmeiras jogou pela conta do chá diante do Goiás, no Palestra Itália: 1 a 0, gol de pênalti do artilheiro Alex Mineiro, e muito pouco mais do que isso. Sucede que o Goiás também não estava nada inspirado, a não ser no fechamento de sua área, e só chegou lá uma escassa vez, com Iarley, em magnífica intervenção de Marcos.

De qualquer forma espremeu-se de novo ali no chamado G-4, que vai ganhando os contornos de um closet de apartamento de conjunto habitacional.

Mais Cruzeiro

Esse, sim, foi um jogaço, com exibição impecável do Cruzeiro, tanto no plano tático quanto no técnico. Sobretudo, porque o Grêmio não se entregou jamais, apesar de ter levado aquele golpe fatal logo aos 14 segundos de bola rolando, Guilherme mete belo passe e Wagner fuzila.

Quando o Grêmio deu por si e encetou uma reação no comecinho do segundo tempo, Jonathan surge livre pela direita, vai ao fundo, e, mesmo sem ângulo, pimba!: 2 a 0. Por fim, Guilherme, dez minutos depois, encerra o papo com o terceiro gol.

Excelente resultado para o Cruzeiro, que interrompe a série de insucessos diante dos seus pares pela luta direta ao título, e lhe dá estofo para seguir na briga. E nenhuma tragédia para o Grêmio, que segue líder, apenas com a presença incômoda do São Paulo ao seu lado.

E o Flamengo?

Pois é: apenas empatou por 0 a 0 com o Vitória, em Salvador. Apenas? E lá isso é coisa fácil?

O Vitória, que já freqüentou por um par de rodadas a turma da frente, só não está lá ainda porque a concorrência extrapola neste campeonato.

É verdade que o Fla, com Obina, esteve a pique de fazer seu golzinho, mas o empate ficou de bom tamanho, pois o mantém vivíssimo na disputa.

Que campeonato é esse, hein, meu?

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
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