19/11/2009 - 20:38
Leio que o menino Maurício chorou depois daquele entrevero com Obina.
Talvez, ainda mais comovido pelo fato de a diretoria verde ter dado um basta na vida dos dois no Parque. Atitude, cá entre nós, impensada e impensável, partindo de uma turma, em geral, muito equilibrada, apesar das recentes diatribes do presidente Belluzzo contra o juiz Simon.
Tudo bem: a diretoria até poderia chegar a essa decisão. Mas, não sem antes esfriar a cuca e consultar todos os interessados – comissão técnica, jogadores etc. Mesmo porque nem Obina, nem Maurício têm um histórico de indisciplinas no clube e até mesmo na carreira.
Resumindo, baixou a Calábria no Palestra Itália, quando mais conveniente seria ter baixado a Sicília, onde a vingança é sempre um prato a ser digerido frio.
E OS OUTROS?
Bem, cabe a São Paulo, Flamengo, Galo e Inter manterem-se eretos na rodada deste fim de semana, pois mais um tropeção e o Palestra volta à cena, já um tantinho revigorado, talvez na esperança de que alguém lá em cima esteja velando por ele.
Dizem por aí que, no tocante a São e Paulo e Flamengo, a tarefa mais árdua é a do Tricolor que terá de vencer o desesperado Botafogo lá no Engenhão, entre outras coisas, porque jogará desfalcado de cinco titulares.
Pode ser Aliás, acho até muito provável. Mas, é sempre bom lembrar que a grande vantagem do São Paulo neste campeonato é ter um elenco muito equilibrado: nenhum craque de linha desses de arrancar suspiros, mas todos bons jogadores, titulares e reservas, o que lhe confere a regularidade, razão principal de sua liderança.
Quanto ao Mengão, que pega um Goiás, em queda livre, apesar da última vitória, leva a vantagem de jogar num Maracanã delirante, sob o empuxe daquela torcida inigualável. Isso, sem falar em Pet, Adriano e cia.
Mas, depois de tudo que vi até agora no campeonato, sigo sem arriscar nenhum palpite.
TRIBUTO Á RAÇA NEGRA
Esta quinta é feriado, Dia da Raça Negra. Então, permita-me, neguinha, prestar um singelo tributo a esses negros e mulatos maravilhosos que nos encantaram campos afora com seu talento inexcedível, escalando uma seleção de todos os tempos que vi em ação: Dida ou Barbosa. Djalma Santos, Luís Pereira, Aldair e Leovigildo Júnior. Bauer, Zizinho e Pelé; Garrincha, Leônidas da Silva e Canhoteiro.
Isso, sem falar na legião de tantos outros, imensos craques, como Didi, Tesourinha, Coutinho, Edu, Paulo César Caju, Jairzinho, o Furacão da Copa, Luís Pereira, Ademir da Guia, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Romário etc.
Claro que estou deixando de fora alguns monstros sagrados de nossa história que não cheguei a ver jogar, a não ser, eventualmente, em alguma seleção de veteranos, como é o caso de Domingos da Guia, o Divino. Pude vê-lo, ainda menino, defendendo a Seleção Brasileira, em 53, num Campeonato Sul-Americano de Veteranos, realizado no Pacaembu, em 1953.
Domingos não foi apenas, segundo os relatos da época e o testemunho impecável de alguns contemporâneos, simplesmente único. Não só pela bola que jogava. Mas, também, por impor sua negritude sobre os cartolas da época, um gesto singular num tempo em que ainda se ouviam o tilentar das correntes na Senzala disfarçada de urbanidade. Fenômeno semelhante ao a tra´gica figura de Fausto, a Maravilha Negra, que morreu jovem, de tuberculose, praticamente em campo.
E, sim, Arthur Friedenrech, esse mulato de olhos verdes, filho de um comerciante alemão e uma cozinheira negra, primeiro ídolo nacional,que reinou no futebol brasileiro durante vinte anos, nas primeiras décadas do século passado, sem o apoio de uma rede de comunicações como a de hoje, com fidalguia e talento incomparáveis.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Campeonato Brasileiro, Maurício, Obina, Palmeiras
29/10/2009 - 23:08
Parodiando o grito da galera tricolor, o líder está de volta, em grande estilo, garota.
Mais do que os 4 a 0 sobre o Goiás, no Palestra Itália, e a recuperação da liderança do Brasileirão, o Palmeiras resgatou a confiança ao jogar bem. Isto é: jogou com autoridade, cuidando da defesa, que é de lei, mas buscando o resultado com fé e capacidade.
E, no centro de tudo, a figura, às vezes cômica, às vezes trágica, de Obina, autor dos três gols e de um passe genial de calcanhar para o gol de Sacconi.
Era tudo o que o Verdão precisava nesta reta final do campeonato, sobretudo porque o Galo perdeu para o Flu, que se superou e foi melhor a maior parte do jogo.

Charge de Milton Trajano
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Goiás, Obina, Palmeiras, São Paulo
27/07/2009 - 15:34
Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.
Claro que estou falando de Obina. Mas, não há milagre algum, a não ser aquele quase imperceptível que ocorre todo dia com cada um de nós, em qualquer ofício.
No futebol, então, casos como esse são escrachados, evidentes, comuns e repetidos ao longo da história.
Há a estirpe dos artilheiros-craques, aqueles seres especiais que sabem jogar bola num alto nível técnico, donos de habilidades incomuns, que somam a isso tudo a vocação rara de enfiar as bolas nas redes com mais rpecisão do que os demais. Pelé, Zico, Careca, Romário, Ronaldo Fenômeno etc. E há os goleadores que só foram ungidos com o dom de fazer gols, de técnica e habilidade reduzidas.
Ambos estão sujeitos às marés de sorte e azar, períodos de fausto e de estiagem, que se alternam ao longo de suas carreiras. Quando a lua não lhes é propícia, suprem a ausência de gols com passes medidos, dribles inesperados, jogadas deslumbrantes, essas coisas, que, aos olhos da multidão, acabam compensando a ausência de gols.
Já os goleadores da linhagem de Obina, ou fazem gols o tempo todo, ou caem em depressão, pois não contribuem para o time e para o espetáculo com nada mais do que aquele toque final à redes. E, à medida em que perdem gols feitos, perdem também a auto-confiança, num ciclo vicioso que parece interminável.
Então, vem o coro das arquibancadas, amplificado pela mídia: Grosso!
E aí o cara desce aos infernos.
É muito comum o artilheiro desprezado por este clube renascer naquele outro.
Flávio, o Minuano, e Mirandinha foram execrados pela Fiel nos anos 60 e 70, para renascerem no Fluminense, no Inter e no São Paulo, com direito a vagas na Seleção. Citei dois exemplos antigos, mas poderia acrescentar casos de hoje, como Washington, que ficou aí umas rodadas a seco e já pediam a cabeça do rapaz. De repente, voltou a marcar.
Essa é a vida do artilheiro, de ontem, de hoje, de sempre.
A AUSÊNCIA DE RONALDO
Por falar em artilheiros, veja só o caso de Souza, no Corinthians.
Souza é, tecnicamente, irmão gêmeo de Obina. Fez gols por onde passou, desde o Vasco até o Flamengo, mas também passou longos períodos de estio.
Chegou ao Corinthians para segurar as pontas de um Ronaldo em recuperação, uma incógnita à época. previa-se, então, que ambos se alternariam no comando do ataque corintiano, reservando-se Ronaldo para os grandes momentos.
Mas, Ronaldo surpreendeu e Souza jamais conseguiu justificar sua contratação.
Agora, com Ronaldo baixando enfermaria porcinco semanas, seria a chance de Souza se afirmar. Mas, quem confia? Pior: se entrar no time agora, ficará inapto para ser transacionado com qualquer outro clube da Série A do Brasileirão.
O diabo é que, no atual elenco corintiano, não há nenhum substituto à vista.
Tanto pode entrar e resolver a questão, quanto afundar-se definitivamente, levando consigo um time que vinha tão bem, antes de começar a perder alguns de seus principais jogadores.
É uma faca de dois legumes, como diria o saudoso presidente corintiano, Vicente Matheus.
FLA À DERIVA
Fragmentado lá em cima, pelas desavenças políticas, o Flamengo sai à cata de um treinador para substituir Cuca, demitido outro dia.
Assim de nome feito e técnico de longo curso, caiu na praça Leão, depois de se desaver com a diretoria do Sport. Mas, sobretudo, pelos maus resultados que baixaram o Leão à zona do descenso. Mas, Leão é tão complicado… E o Flamengo, ainda mais.
Na verdade, ao que se saiba, o Fla iniciou conversações com Mancini, defenestrado há pouco pelo Santos, mas mantém um olho em Sérgio Guedes, dois emergentes de competência comprovada, mas estilos diferentes.
De qualquer forma, Andrade, o sucessor de Carlinhos como eterno interino, vai ficando. Quem sabe, não fique o tempo necessário para que o Fla ponha a cabeça no lugar?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores
Tags: Artilheiros, Corinthians, Flamengo, Obina, Palmeiras, Ronaldo
05/07/2009 - 21:56

O grande feito da rodada deste domingo do Brasileirão, sem dúvida foi a rápida recuperação de ânimo dos dois gaúchos. O Inter passou pelo Náutico, nos Aflitos, por 2 a 0, com dois gols de Nilmar, resgatando a liderança isolada do torneio. Com seu time completo, se a turma não escapar pela janela européia, e voltado apenas para a disputa do Brasileirão, o Inter tem tudo para arrancar definitivamente.
E o Grêmio, no Olímpico, enfiou 3 a 0 no Furacão logo de cara, para completar os 4 a 1, com dois gols de cada gringo do seu ataque, justamente os que mereciam as maiores críticas de um time que criava mas não concluía. Concluíram, e o resultado aí está, comprovando que o problema do Grêmio não era a mudança de esquema feita pelo técnico Paulo Autuori.
PEIXE À BEIRA
O Santos está assim, ó, um passo entre a glória e o fracasso. Confesso que não sei exatamente o que está faltando – talvez, a defesa transmitir mais segurança por cinco, seis jogos seguidos, o que haveria de conferir ao meio-campo e ao ataque mais liberdade para criar e agredir, pois esses são os setores de escol do time.
Sábado, contra o Sport, na Vila, foi uma tortura, até que Ganso, de cabeça, no finzinho da partida metesse aquele gol salvador.
VIDA DE ARTILHEIRO
Mais uma vez, quem diria!, Obina foi o herói, com os dois gols marcados na vitória do Palmeiras sobre o Avaí, em Florianópolis, por 3 a 0, placar completado por uma bomba de Cleiton Xavier da entrada da área.
Esse tipo de goleador é assim mesmo: pode levar quarenta anos atravessando um tórrido deserto de gols; de repente, desanda uma cachoeira de tentos que lava a alma dos torcedores.
São cinco, em cinco jogos, depois de ter ficado um ano sem marcar no Flamengo.
Depende muito, em geral, do seu próprio estado de espírito, e isso muda quando muda o cenário de sua ação.
Veja só Washington, nesse São Paulo em transição que perdeu para o Coritiba por 2 a 0, no Couto Pereira: de implacável artilheiro por onde passou desde quando surgiu na Ponte, transformou-se no marcador de si próprio.
Nos últimos tempos, não consegue sequer matar a bola lá na frente, e já começa a ser substituído a cada jogo, o que só abalará mais ainda sua autoconfiança, consequentemente, a meta vai ficando menor, jogo a jogo.
Vida dura essa de goleador, de herói a vilão e vice-versa, num chute.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Avaí, Coritiba, Grêmio, INTER, Nilmar, Obina, Palmeiras, São Paulo, Washington
26/05/2009 - 12:11
A noite desta quarta-feira é de gala e de angústia para três brasileiros na Libertadores: Cruzeiro e São Paulo, que se enfrentam no Mineirão, além do Grêmio, que pega o Caracas, lá na Venezuela.
O Grêmio tem tudo para seguir avante, embora o futebol venezuelano tenha evoluído muito nos últimos anos, mas nem tanto. Lá, talvez, complique a vida do Tricolor gaúcho, que, no Olímpico, é quase certo, garante a vaga.
Já no clássico brasileiro em 180 minutos, um deles cairá fora, nem que seja nos pênaltis.
Certo mesmo é que o Cruzeiro precisa aproveitar seu melhor momento e fazer o placar definitivo no Mineirão, pois o São Paulo, todos sabemos, mesmo jogando muito aquém do exigido, nessas situações costuma ser mais raposa do que a própria Raposa.
Mesmo porque o Cruzeiro ainda terá Ramires, seu principal jogador, nesta primeira rodada do duplo encontro, o que não deverá ocorrer no jogo do Morumbi.
Time por time, o Cruzeiro é melhor – e está melhor – do que o São Paulo. Mas, em decisões como essa é sempre bom deixar os prognósticos fechados numa caixinha dourada.
TIMÃO E INTER?
O Corinthians não terá Ronaldo Fenômeno diante do Vasco, no Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil. E isso pesa muito, sem trocadilhos. Em contrapartida, o Vasco não terá Carlos Alberto, seu jogador essencial.
Mas, poderá ter Jefferson, liberado pelo seu departamento médico, reforço inestimável no setor de criação do time.
O Timão está mais escolado e encorpado do que o Almirante ainda em formação. Ganhar, lá, porém, é outro departamento.
Quem não pode, nem deve, perder é o Inter, em casa, para um Coritiba sempre tão oscilante. Tá certo: o Coxa tem os dois Paraíbas que dinamizam seu ataque. Mas, atrás, humm…
Contudo, o Inter tem muito mais. E precisa aproveitar a chance de contar nesse primeiro confronto com Nilmar, que não deverá estar presente na segunda partida.
OBINA NO VERDÃO
Obina já não tinha mais clima para sobreviver na Gávea. Boa parte da mídia e da torcida rubronegra já estava transformando Obina em chacota, e o artilheiro vivia atroz estiagem de gols. Simplesmente, nenhum neste ano, nem de pênalti, nem quando a bola se lhe rolava faceira na boca da meta, nada, um deserto sem oásis.
Sim, claro, Obina nunca foi, não é, nem será craque, desses que mantêm com a bola aquele diálogo silencioso e íntimo, quase esotérico, que faz o encanto do futebol. É tão-somente um cabra de fibra e vigor, daqueles que rompem na área sempre em busca do gol.
Pois esse tipo de jogador é assim mesmo: conforme a lua, dispara a fazer gols. De repente, bate a temporada de seca que se estende pelo tempo em que a perda da auto-confiança não seja quebrado por um, dois gols essenciais. O gol é o exorcismo do artilheiro, enfim.
Quem sabe no Palmeiras, sob nova orientação, novos ares, Obina inspire uma golfada de fé em si mesmo e chegue ao outro lado desse deserto árido e cruel. Quem sabe?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores
Tags: Caracas, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, INTER, Mineirão, Obina, Palmeiras, São Paulo, Vasco
29/01/2009 - 16:58
Obina acaba de chutar na trave um pênalti contra o Bangu. O lance foi eivado de irregularidades: o goleiro, antes da cobrança, salto um metro à frente, quatro jogadores do Bangu invadiram a área e tal e cousa e lousa e maripousa.
Mas, não é sobre isso que quero falar. Quero falar do conceito da cobrança, a famigerada paradinha. Obina executou a tal paradinha e bateu no canto na direção do qual salto uo goleiro. Portanto, bateu mal, embora o goleiro não a alcançasse.
Sim, porque o sentido da paradinha é permitir ao batedor esperar a escolha do canto pelo goleiro para cobrar o pênalti exatamente no lado oposto. Se fez a paradinha e bateu no mesmo canto escolhido pelo goleiro, errou. Era como se não cobrasse com paradinha nenhuma.
A propósito, outro dia me ligou um companheiro da Caros Amigos para colher alguns subsidios sobre Didi, o Príncipe de Rancho de Carnaval, como o definiu magnificamente mestre Nelson Rodrigues.
Os amigos mais jovens, por certo, não captam essa imagem. Nos primórdios do samba, antes mesmo do avdvento das escolas de samba, os foliões iam às ruas, no Tríduo do Carnaval, em blocos avelhacados e ranchos. Os ranchos obdeciam um ritmo mais candenciado de marcha, com direito, além da percussão e das cordas, de instrumentos de sopro – clarinetes, flautas e até saxes.
O canto, os movimentos, as fantasias, tudo, enfim, exigia uma elegância impecável, sintetizada pela figura do príncipe,de peruca e tudo.
Mas, voltando à paradinha, que Pelé sacramentou e difundiu mundo afora. lembro vivamente dos treinamentos que a Seleção Brasileira, às vésperas da Copa do Mundo de 58, protagonizava nos balneários brasileiros – Araxá, sobretudo.
Esses treinamentos eram transmitidos pela TV Record, e, num deles, depois do coletivo, nas cobranças de pênati, vi Didi partir pra bola, dar um tempo malandro, antes de disparar no canto contrário ao do goleiro.
Pelé e os demais cobradores, em seguida, passaram a repetir a cobrança, num campo que divide a curiosidade da disputa pessoal.
Coube a Pelé imortalizar a jogada. Mas, o inventor foi Didi.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Ex-jogadores
Tags: Bangu, Didi, Flamengo, Obina, Pelé, TV Record
02/01/2009 - 13:16
É voz corrente, por exemplo, que São Paulo e Corinthians começam a temporada em vantagem sobre os demais, pois, não apenas mantiveram seus elencos vitoriosos do ano passado, como ainda por cima os reforçaram significativamente.
O campeão brasileiro da Série A contratou meia dúzia de bons jogadores, embora continue carente de um meia-armador, deficiência que tem sido contornada pelo Tricolor paulista nos últimos tempos, é verdade, graças à ação do técnico Muricy e à versatilidade de alguns de seus jogadores. Se conseguir alcançar Edno, da Lusa, terá mais um desses jogadores que tanto podem atuar a partir do meio-de-campo quanto no ataque.
Mas, as duas transações mais importantes, sem dúvida, foram as de Washington e Arouca, do Flu.
Já o campeão brasileiro da Série B deu a nota mais alta ao trazer, de surpresa, ninguém menos do que Ronaldo Fenômeno, grande jogada de marketing, mas, também, extraordinário reforço técnico, caso o craque consiga jogar uma parcela apenas do que sabe. Mas, para suprir as inevitáveis ausências de Ronaldo, o Corinthians trouxe Souza, ex-Flamengo, um sólido trombador. Sem falar no expedito atacante Jorge Henrique e no tático volante Túlio, ex-Botafogo. E ainda espicha um olho gordo sobre o atacante Kleber, que escapa ao alcance do Palmeiras, onde refez sua carreira que se apagava no Dínamo.
Pode-se acrescentar nessa linha de frente, os dois gaúchos – Inter e Grêmio. O Grêmio levou o experiente artilheiro Alex Mineiro, jogador talhado para compor o ataque tricolor na disputa, sobretudo, da Libertadores. O Inter, se não partiu às compras, foi porque já tem um belo time, que só foi tomando corpo no final da temporada passada.
Os dois mineiros, mineiramente, vão se ajeitando em silêncio. O Galo, trocando de técnico; o Cruzeiro, mantendo o seu à frente de um time que carece de uma defesa melhor, apenas.
O bicho pegou mesmo foi no Rio, onde os clubes viveram um Natal modestíssimo: distribuíram mais presentes do que receberam.
O Flamengo, que fincava suas esperanças em Ronaldo Fenômeno, sonhou com Adriano, mas vai ter de ficar mesmo com Obina, melhor do que o Eto´o. Menos mal que não perdeu Ibson e outros. Mas, toldados pela feroz disputa eleitoral, seus gestores parecem ter perdido o poder e a clareza de decisão.
Falando em disputa eleitoral, o mais inusitado ocorreu com o Botafogo, que não só desfez todo o seu time como ainda perdeu até o presidente do clube, Bebeto de Freitas, contratado pelo Galo, como diretor remunerado, fato que me parece inédito. Se alguém aí se lembrar de um presidente de clube grande do Brasil que se transferiu para outro clube grande, por favor me ajude. Eu não me lembro.
A velha e surrada frase é inevitável: “Há coisas que só acontecem com o Botafogo”.
O Vasco, que está em vias de perder Leandro Amaral, sua estrela solitária, com a aposentadoria de Edmundo, ainda amarga a queda para a Segundona, enquanto o Flu, que se desfez de três de seus principais jogadores (Júnior César, Washington e Arouca), pelo menos, manteve Conca.
O fato é que todo esse cenário, de otimismo para uns e desesperança para outros, pode se alterar até o fim deste mês, quando se fechar a janela semi-aberta do futebol europeu. Mas, tudo indica – principalmente, o fantasma da crise mundial – que esse panorama não sofrerá grandes mudanças não.
Enfim…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros
Tags: Alex Mineiro, Arouca, Atlético-MG, Bebeto de Freitas, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, INTER, Kléber, Obina, Palmeiras, Ronaldo, São Paulo, Vasco, Washington
30/10/2008 - 00:31
O grande feito da rodada foi do São Paulo, ao bater o Botafogo, no Engenhão, por 2 a 1. É verdade que o Fogão chegou ao empate mas o juiz anulou, apoiando sinalização do bandeira, em bola que não foi tocada por Wellington Paulista, o atacante em posição de impedimento no lance.
Mais até do que vencer o Botafogo, na casa do inimigo, o que elevou o Tricolor ao topo da tabela, empatado em pontos com o Grêmio, valeu a forma como o São Paulo jogou.
Teve o domínio da bola e dos espaços a maior parte do tempo, com exceção de um período de predomínio do Bota no segundo tempo, e correu poucos riscos.
Foi, é verdade, beneficiado pelos erros de saída de bola do goleiro Renan e do volante Diguinho nos gols de Jean e Hernanes, assim como Miranda vacilou no tento do Botafogo, marcado por Wellington Paulista.
Assim, o São Paulo vai consolidando sua linha ascendente na hora H.
Verdão, menos
Já o Palmeiras jogou pela conta do chá diante do Goiás, no Palestra Itália: 1 a 0, gol de pênalti do artilheiro Alex Mineiro, e muito pouco mais do que isso. Sucede que o Goiás também não estava nada inspirado, a não ser no fechamento de sua área, e só chegou lá uma escassa vez, com Iarley, em magnífica intervenção de Marcos.
De qualquer forma espremeu-se de novo ali no chamado G-4, que vai ganhando os contornos de um closet de apartamento de conjunto habitacional.
Mais Cruzeiro
Esse, sim, foi um jogaço, com exibição impecável do Cruzeiro, tanto no plano tático quanto no técnico. Sobretudo, porque o Grêmio não se entregou jamais, apesar de ter levado aquele golpe fatal logo aos 14 segundos de bola rolando, Guilherme mete belo passe e Wagner fuzila.
Quando o Grêmio deu por si e encetou uma reação no comecinho do segundo tempo, Jonathan surge livre pela direita, vai ao fundo, e, mesmo sem ângulo, pimba!: 2 a 0. Por fim, Guilherme, dez minutos depois, encerra o papo com o terceiro gol.
Excelente resultado para o Cruzeiro, que interrompe a série de insucessos diante dos seus pares pela luta direta ao título, e lhe dá estofo para seguir na briga. E nenhuma tragédia para o Grêmio, que segue líder, apenas com a presença incômoda do São Paulo ao seu lado.
E o Flamengo?
Pois é: apenas empatou por 0 a 0 com o Vitória, em Salvador. Apenas? E lá isso é coisa fácil?
O Vitória, que já freqüentou por um par de rodadas a turma da frente, só não está lá ainda porque a concorrência extrapola neste campeonato.
É verdade que o Fla, com Obina, esteve a pique de fazer seu golzinho, mas o empate ficou de bom tamanho, pois o mantém vivíssimo na disputa.
Que campeonato é esse, hein, meu?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Alex Mineiro, Botafogo, Cruzeiro, Diguinho, Flamengo, Goiás, Grêmio, Iarley, Internacional, Obina, Palestra Itália, Palmeiras, Renan, São Paulo, Vitória, Wellington Paulista
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