NEM NA CALCULADORA, NEM NAS ESTRELAS

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Os matemáticos fazem e refazem seus cálculos a cada rodada; os astrólogos buscam nos céus uma conjunção de estrelas que lhes aponte para o ungido, aquele destinado a ser campeão; os experts da mídia analisam a tabela, jogo por jogo, e, no fim, só se contradizem, porque os fatos subvertem a lógica mais elementar.
O psicólogo de plantão diria que esse Brasileirão tem os mais fortes traços esquizóides desde que os pontos corridos foram reinstalados nos nossos campos, alternando-se profundas depressões com luminosas euforias.
E o torcedor torce, enquanto exuma fantasmas nos gestos dos juizes contra seus respectivos times, enxergando verdadeiras conspirações por trás do ato individual e humano de cada um, em circunstâncias sempre diversas.
O certo é que o futebol, esse brinquedo dos deuses levado às últimas consequências pelos homens, apesar de toda tecnologia como suporte, teorias e cousa e lousa e maripousa, no fundo, muitas vezes, se resume num drible inesperado, numa cabeçada certeira, num chute fatal, numa defesa espetacular do goleiro, na falha deste ou daquele beque, no pênalti marcado ou não pelo juiz, na sinalização infeliz de um impedimento pelo bandeirinha, enfim, essa soma de detalhes aleatórios ou não que fazem o sal do jogo.
Claro que uma equipe composta por jogadores de técnica superior, bem preparada física, tática e psicologicamente, terá sempre mais possibilidade de vencer outra, inferior nesses quesitos.
Ainda mais se incorporar a esses valores tradição, torcida imensa, gerenciamento administrativo adequado, grana etc.
Apesar disso, a zebrinha sempre estará espiando uma brecha, atrás da meta, para partir em desabalada carreira campo adentro.
A vantagem do sistema de disputa por pontos corridos é a de que, raramente, esse bicho entra em cena na hora de um time levantar a taça. Quase sempre, o melhor, na média do campeonato, vence.
O diabo, na atual competição nacional, é que a diferença técnica entre os primeiros e os últimos é muito pequena, quase insignificante. Dá-se, então, que qualquer previsão está, de saída, prejudicada pela imponderabilidade presente em qualquer confronto, independentemente se seja a disputa entre os candidatos ao título, ou destes contra os ameaçados de rebaixamento, em casa ou fora.
Tivéssemos por aí um Santos de Pelé, um Cruzeiro de Tostão, um Inter de Falcão, um Flamengo de Zico, um Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos, um Palmeiras de Ademir da Guia, enfim, um desses timaços da história, não há dúvida de que dispararia na ponta.
Mas, não temos. São todos mais ou menos do mesmo nível.
Logo, o negócio é continuar esquentando as calculadoras e perscrutando as estrelas para tentarmos achar um sinal do escolhido.
Feliz ou infelizmente, essa é a lógica deste Brasileirão, tão pobre tecnicamente, mas tão intenso em expectativas.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Ademir da Guia, Didi, Nilton Santos, Palmeiras, Pelé, São Paulo