17/11/2009 - 15:26
Quem esperava um massacre brasileiro em Mascate, cujo nome ilustra bem a presença da nossa Seleção naquela cidade, quebrou a cara. Foram modestos 2 a 0, gols de Nilmar, que vai se firmando no grupo para a Copa, e do zagueiro árabe, contra, ao ser apertado na área por Hulk, a grande novidade da equipe, no segundo tempo.
Parte, porque a Seleção de Omã não é tão cega de bola como se imaginava por aqui. Parte, porque nosso time não revelou interesse suficiente para emplacar uma goleada, embora tenha perdido várias chances, assim como os árabes, diga-se. Ambos esbarraram, sobretudo, no bom desempenho dos dois goleiros.
Basta dizer que Kaká, a estrela da Cia. Amarela, só entrou em cena nos últimos minutos do primeiro tempo, para deixar definitivamente o campo no intervalo.
E é aqui que a porca torce o rabo: no seu lugar entrou Júlio Baptista, a antítese de Kaká: a força no lugar do talento.
Aliás, várias foram as substituições feitas por Dunga no segundo tempo, mas nenhuma incluiu o nome de Alex, ex-Inter, o mais indicado para conferir um tantinho de criatividade no nosso meio de campo tão carente desse atributo essencial.
Mas, enfim, como o que vale, nestes tempos bicudos, é o resultado, nosso time soma mais uma vitória num ano pródigo em bons resultados.
Cuco e ferrolho
No clássico de Carol Reed, O Terceiro Homem, o genial Orson Welles, no papel do nefando Lime, imortalizou a frase: “Em quinhentos anos de democracia, a única contribuição da Suiça à humanidade foi inventar o cuco”.
Acrescento: inventou também o ferrolho – essa retranca que subsiste até hoje no nosso futebol sob vários disfarces.
Finalmente, só agora, os suíços conseguiram romper essa barreira ganhando o Mundial de 17, de cabo a rabo, eliminando Brasil e outros mais cotados. Belê!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: amistoso, Mundial Sub-17, Nilmar, Seleção Brasileira, Suíça
10/09/2009 - 00:18
Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.
E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.
Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.
Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.
PELAS OROPA
A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.
E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.
A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.
Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.
Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.
E LOS HERMANOS…
Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.
Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.
Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Diego Tardelli, Dunga, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Maradona, Nilmar
05/07/2009 - 21:56

O grande feito da rodada deste domingo do Brasileirão, sem dúvida foi a rápida recuperação de ânimo dos dois gaúchos. O Inter passou pelo Náutico, nos Aflitos, por 2 a 0, com dois gols de Nilmar, resgatando a liderança isolada do torneio. Com seu time completo, se a turma não escapar pela janela européia, e voltado apenas para a disputa do Brasileirão, o Inter tem tudo para arrancar definitivamente.
E o Grêmio, no Olímpico, enfiou 3 a 0 no Furacão logo de cara, para completar os 4 a 1, com dois gols de cada gringo do seu ataque, justamente os que mereciam as maiores críticas de um time que criava mas não concluía. Concluíram, e o resultado aí está, comprovando que o problema do Grêmio não era a mudança de esquema feita pelo técnico Paulo Autuori.
PEIXE À BEIRA
O Santos está assim, ó, um passo entre a glória e o fracasso. Confesso que não sei exatamente o que está faltando – talvez, a defesa transmitir mais segurança por cinco, seis jogos seguidos, o que haveria de conferir ao meio-campo e ao ataque mais liberdade para criar e agredir, pois esses são os setores de escol do time.
Sábado, contra o Sport, na Vila, foi uma tortura, até que Ganso, de cabeça, no finzinho da partida metesse aquele gol salvador.
VIDA DE ARTILHEIRO
Mais uma vez, quem diria!, Obina foi o herói, com os dois gols marcados na vitória do Palmeiras sobre o Avaí, em Florianópolis, por 3 a 0, placar completado por uma bomba de Cleiton Xavier da entrada da área.
Esse tipo de goleador é assim mesmo: pode levar quarenta anos atravessando um tórrido deserto de gols; de repente, desanda uma cachoeira de tentos que lava a alma dos torcedores.
São cinco, em cinco jogos, depois de ter ficado um ano sem marcar no Flamengo.
Depende muito, em geral, do seu próprio estado de espírito, e isso muda quando muda o cenário de sua ação.
Veja só Washington, nesse São Paulo em transição que perdeu para o Coritiba por 2 a 0, no Couto Pereira: de implacável artilheiro por onde passou desde quando surgiu na Ponte, transformou-se no marcador de si próprio.
Nos últimos tempos, não consegue sequer matar a bola lá na frente, e já começa a ser substituído a cada jogo, o que só abalará mais ainda sua autoconfiança, consequentemente, a meta vai ficando menor, jogo a jogo.
Vida dura essa de goleador, de herói a vilão e vice-versa, num chute.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Avaí, Coritiba, Grêmio, INTER, Nilmar, Obina, Palmeiras, São Paulo, Washington
11/06/2009 - 00:34
Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.
Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.
Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.
No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.
Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).
No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.
Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.
Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.
Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.
Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.
Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.
Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.
Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: 2010, África do Sul, Brasil, Copa do Mundo, Dunga, Nilmar, Paraguai, Robinho
21/05/2009 - 16:01

Pois, é, amigo, enfim, Dunga decidiu convocar Nilmar e Ramires, dois consensos nacionais. E acrescentou o nome de André Santos, talvez o lateral-esquerdo brasileiro que melhor sabe equilibrar a função de defender e a de atacar.
Mas, pelo feitio do grupo convocado, nenhum deles deve ter grandes chances no time titular, a não ser que, tendo uma chance nos amitosos que se seguirão às Eliminatórias, a agarrem com unhas e dentes.
O diabo é que continuamos com um time sem meias, com exceção de Kaká, um meia-ofensivo. Isso, porque Dunga insiste em considerar Elano, Júlio Baptista e Ramires como jogadores dessa posição. Não são.
Segue sendo muita força e pouco talento, no setor onde se exige, sobretudo, talento.
Apesar disso, poderemos ter um time competitivo, capaz de garantir a classificação nas Eliminatórias, contra Uruguai e Paraguai, e até mesmo brigar pelo título da Copa das Confederações, por que não?
Espiando a lista dos convocados, apenas Anderson, transformado em volante no Manchester, pode cumprir parte dessas tarefas, se jogar um tanto avançado, pela meia-esquerda.
Faltou, pois, Ronaldinho Gaúcho. Faltou?
Na verdade, quem está faltando com o futebol é o próprio Ronaldinho, que, no Milan, entra em campo, toca bolas de um metro e não revela a menor intenção de recuperar aquele jogo mágico, envolvente, criativo e decisivo com que nos encantou ao longo de sua brilhante carreira.
Por outro lado, gremistas, colorados , corintianos e cruzeirenses devem estar chiando porque Dunga desfalcou seus times, em plena decisão da Copa do Brasil e da Libertadores, de jogadores-chaves, como Victor, Nilmar, André Santos e Ramires, jogadores que os próprios torcedores desses clubes clamam por uma convocação
Tudo bem. Mas, sucede que é preciso ver também o lado do jogador e da própria Seleção. Se o cara não for convocado agora, momento mais crítico das Eliminatórias e às vésperas da Copa das Confederações, corre sério riscos de não chegar à Copa, meta principal de qualquer profissional desse ofício.
Além do mais, a Seleção precisa contar com seus melhores valores. E esses são alguns deles.
Se o técnico Dunga ficar esperando uma brecha nos torneios disputados pelos melhores times brasileiros para só então convocar seus jogadores, nunca o fará, pois aqui há competições sem parar o ano todo.
CAIPIRINHA DE VODKA
Eis um título que os ucranianos deveriam dividir com os brasileiros. Afinal, eram cinco patrícios – meio time – em campo, quando o Shakhtar Donetsk levantou a taça da Uefa, em Istambul, ao bater o Werder Bremen, por 2 a 1, na prorrogação: Willian (ex-Corinthians), Fernandinho (revelado pelo Atlético-PR), Luiz Adriano (Inter), Ilsinho (Palmeiras-São Paulo) e Jadson (outro ex-Atlético-PR).
Ah, sim, e todos os três gols da partida foram marcados por brasileiros: Luiz Adriano, eleito o melhor em campo, e Jadson, para o Shakhtar, e o becão Naldo, de falta (frango do goleiro), para os alemães. Ah, se os clubes brasileiros – com as exceções de praxe – não fossem tão mal administrados…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: André Santos, Copa da Uefa, Dunga, Nilmar, Ramires, Seleção Brasileira, Shakhtar Donetsk, Victor, Werder Bremen
11/05/2009 - 15:07

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O gol de Nilmar contra o Corinthians sinaliza para além de uma jogada pontual, restrita àquele momento mágico de uma partida de futebol. Revela a luz no fundo do túnel desse jogo, que parece começar a reatar seu vínculo com o que de melhor nos ofereceu a história até aqui: o craque recebeu a bola na direita de seu ataque e, em sinuosa linha transversal, foi comendo um a um, os cinco defensores do Corinthians, até estancar na meia-esquerda, de onde disparou um tiro cruzado, colocado, no cantinho esquerdo de Felipe.
Gols desse tipo temos visto sairem dos pés de Messi, de Cristiano Ronaldo, de Kaká, os mais badalados craques da atualidade no mundo inteiro. Mas, Nilmar me faz lembrar mesmo é de Pagão, centroavante da era dourada do Santos, anterior um pouco a Pelé, com quem, depois, fez dupla infernal. Aliás, a tão celebrada tabelinha Pelé-Coutinho nasceu mesmo com Pagão-Pelé.
Detalhe esguio e um jogo veloz, hábil, fluido, leve, quase diáfano, Pagão, como Nilmar, era vítima de um preconceito que já fechou as portas da Seleção Brasileira a muitos jogadores geniais: era considerado frágil demais para enfrentar europeus, uruguaios e argentinos. E, a exemplo de Nilmar, era refém de contusões recorrentes, a partir de complicações nos joelhos, numa época em que isso era fatal.
Assim como Nilmar, que há tempos merece convocação, em toda a sua brilante carreira, Pagão só teve duas raras chances na vida de vestir a camisa canarinho, em dois amistosos com Portugal, onde o vemos posando ao lado de Garrincha, Didi, Del Vecchio e Canhoteiro, nas fotos históricas. Meu Deus!
Vi esses dois jogos. No primeiro, Pagão foi substituído por Moacir, meia do Flamengo. No segundo, por Mazzola, que estreava na Seleção. Ambos – Moacir e Mazzola – acabariam, no ano seguinte, se sagrando campeões do mundo. E Pagão, nunca mais. Mesmo porque, na convocação seguinte, contra a Argentina, Pelé, aos 17 anos, tomaria seu lugar para encantar o mundo por quase duas décadas.
Torço para que não seja esse o mesmo destino de Nilmar.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Ex-jogadores
Tags: golaço, Milton Trajano, Nilmar, Pacaembu, Pagão, Pelé
10/05/2009 - 20:34
No sábado, o Palmeiras foi um dos principais candidatos ao título brasileiro a estrear com vitória, ao bater o Coritiba, no Palestra Itália, por 2 a 1, de virada. Virada, aliás, que veio a partir da entrada, no segundo tempo, de seu trio de ouro: Keirrison, Diego Souza e Cleiton Xavier. Até ali, o Coritiba vencia por 1 a 0, gol de Marcelinho Paraíba, e resistia bem ao assédio um tanto descomposto do adversário.
Mas, depois dessas modificações, o Verdão tomou conta do jogo, e chegou lá, com gols de Willians, que, ao celebrar excessivamente seu feito machucou-se e é dúvida para o próximo jogo, e de Keirrison, em bela trama iniciada por Cleiton Xavier, passando por Jefferson.
A propósito, é de uma crueldade, para não dizer estupidez, imensurável o que andam fazendo com o menino Keirrison, artilheiro do time na temporada, jogador de qualidades raras num centroavante de ofício, só porque o rapaz ficou alguns jogos sem marcar gols. Coincidentemente, jogos decisivos do Paulistão.
Estigmatizar um jogador de carreira tão curta e tão jovem é, no mínimo, uma estultícia, e, no máximo, sacanagem.
O fato é que o Palmeiras já deu seu primeiro passo certo no Brasileirão, mesmo com formação incerta de sua equipe.
INTER CONFIRMA
Como se esperava o Inter, um dos mais favoritos ao títulos de véspera, confirmou sua força ao bater o Corinthians, no Pacaembu.
É verdade que o Timão entrou em campo com um time recheado de reservas, e, mesmo assim comportou-se dignamente, sobretudo no segundo tempo, quando dominou a bola e os espaços e poderia até empatar, o que revela possuir elenco suficiente para encarar os dois fronts de batalha – o Brasileirão e a Copa do Brasil.
Valeu, porém, a alta técnica e a habilidade imensa de Nilmar, que, logo no início da partida, passou por cinco adversários antes de perpetrar o golaço da vitória colorada.
TRICOLORES, 1 A 0
Venceu o Tricolor carioca, com um gol, logo de cara, de Maurício – disparo bem colocado no ângulo esquerdo de Bosco de fora da área.
Mas, foi praticamente só isso, ao longo de toda a partida, em que o São Paulo surpreendeu pela falta de competitividade, sua principal, senão única, qualidade recente.
Sim, porque depois de dez, quinze dias, apenas treinando e descansando, desde a sua eliminação nas semifinais do Paulistão e do último confronto na Libertadores, era de se esperar um Tricolor paulista nos trinques.
Ao contrário, jogou como se estivesse exausto por duras e seguidas refregas.
Na verdade, ambos têm de melhorar muito para chegar onde pretendem.
QUEM TEM RAMIRES…
No Mineirão, dizem, o jogo estava renhido, embora o Cruzeiro vencesse o Fla por 1 a 0, quando Ramires escapou pela esquerda, cortou um e bateu rasteiro no canto. E assim a Raposa, uma das mais cotadas do torneio, estréia vencendo outro favorito. O que não parece nada agora vai refletir – e muito – lá na frente.
Por fim, o Santos foi ao Olímpico e arrancou um empatezinho maneiro do Grêmio, outro em alta cotação no mercado da bola, com gol de falta de Molina, depois do de abertura de Rever.
Mesmo porque o Grêmio foi melhor quase o tempo todo.
AH, BARÇA…
Ah, Barça… Estava com as duas mãos na taça espanhola, com 3 a 1 sobre o Villareal, fora o baile. Basta dizer que, só no primeiro tempo, já havia desperdiçado cinco chances de ouro para ampliar o placar. Sem falar no pênalti em Daniel Alves que o juiz não deu e no gol de Xavi injustamente anulado.
Pois, não é que, em duas lambanças da defesa do Barça, o Villareal chega ao empate, no finalzinho? Castigo imerecido.
DIABOS, QUASE LÁ
Na Inglaterra, onde rola a bola mais redondinha do mundo na atualidade, o Manchester United meteu 2 a 0 no City com direito a duas bolas extras nas traves projetadas por Tevez, autor de um dos dois gols (o outro, de Cristiano Ronaldo, de falta).
O mesmo Cristiano Ronaldo que produziu a nota dissonante da partida, ao sair de campo, substituído por Schoel, chutando o pau da barraca. Nem mesmo o desejo de consolidar sua posição de artilheiro do campeonato justificaria tal atitude intempestiva, neste momento tão delicado da equipe, às vésperas de levantar dois títulos vitais – o da Liga da Inglaterra e o da Liga dos Campeões da Europa.
Por fim, no clássico entre Arsenal e Chelsea, uma inesperada goleada dos azuis por 4 a 1. Inesperada porque o Arsenal, naquele seu toque-toque proverbial, era dono do campo até que o nosso becão Alex, de cabeça, abrisse o placar. Depois, só deu Chelsea. E a goleada foi apenas uma natural decorrência essa superioridade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Arsenal, Barcelona, Chelsea, Corinthians, Fluminense, Grêmio, INTER, Manchester City, Manchester United, Nilmar, Santos, São Paulo, Villarreal
04/12/2008 - 00:37
O sofrido gol de Nilmar, no finzinho da prorrogação, não foi por acaso, embora todo o desenho da jogada possa sugerir o contrário. O gol de Nilmar, que deu ao Inter o primeiro título de um clube brasileiro da Copa Sul-Americana, na verdade, só podia ter sido de Nilmar, como timbre de nobreza a esse craque renascido tantas vezes das cinzas.
Desde que voltou de seu último longo estágio de recuperação, Nilmar vem jogando um bolão, cada vez mais fino, rodada a rodada do Brasileirão, rodada a rodada da Sul-Americana. E marcando gols providenciais, de canelça, de cabeça, no bate e rebate com este contra o Estudiantes, quando não irretocáveis pequenas obras-primas.
Nesta noite de quarta, por exemplo, foi sempre o jogador mais agudo de seu time, aquele que, leve e veloz, infiltrava-se na zaga inimiga com o perigo expresso nos dois pés. Sobretudo, numa noite de pouca inspiração de seu parceiro ilustre, o canhoto Alex, cuja substituição foi um equívoco do técnico Tite, embora Taison, seu substituto, tenha dinamizado o lado direito do Inter, zona morta até então.
Mas, é que Alex, num chute à meia ou longa distância, numa cobrança de falta, poderia definir um jogo tão enroscado para o Inter como esse, em que tomou o gol de Alayes aos 20 minutos do segundo tempo e deixou-se dominar até a metade da prorrogação.
Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como dizia aquele apresentador japonês da TV Lusitânia, e o Inter meteu a mão no caneco transbordando de leite e mel. E é isso o que interessa neste momento de plena celebração.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Alayes, Estudiantes, Internacional, Nilmar, Tite
26/11/2008 - 23:31
Claro, nem poderia ser um espetáculo desses de deslumbrar o espectador pela técnica e habilidade dos jogadores. Era mais guerra do que jogo. E o Inter entrou para pelear, como dizem os gaúchos, com quatro zagueiros, três volantes e apenas D’Alessandro, Alex e Nilmar com a dupla tarefa de criar e concluir.
Não que o Estudiantes, em casa, tentasse se impor pela violência ou catimba. Ao contrário: tentou jogar a bola que não sabe. Quem se excedeu, na verdade, foi outro argentino, mas do Inter, o ótimo Guiñazu, que acabou sendo expulso justamente ainda no primeiro tempo.
O Colorado, porém, bem postado em campo, soube levar a diferença e chegou ao seu gol, de pênalti, com Alex, outro argentino, que revelou serenidade e talento quando o juiz mandou voltar a primeira cobrança.
Só uma hecatombe tira o título sul-americano do Inter, o primeiro na história do nosso futebol nessa competição.
PS: Desculpem mais esta falha, dentre centenas que cometo diariamente. Foi Alex, claro, o autor do gol do Inter. Explicar o erro não explica nada. Vi o jogo, de cabo a rabo, anotei Alex e escrevi D’Alessandro.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Alex, Estudiantes, Guiñazu, Internacional, Nilmar
19/11/2008 - 23:19
E, pela primeira vez, um time brasileiro chega às finais da Copa Sul-Americana, com todas as chances de levantá-la, pois o time pegou no breu, depois de tantas oscilações ao longo da temporada.
Prova disso, a fácil e categórica vitória do Internacional sobre o mexicano Chivas, no Beira-Rio: 4 a 0, com direito a dois gols de Nilmar, que está um aço e já merecendo um chamado para a Seleção.
Aliás, Nilmar é a figura emblemática desse Inter, que joga um futebol veloz e incisivo, a partir de seu meio-de-campo.
Se o Colorado mantiver o olhar fixo nessa competição, como até agora, dificilmente deixará de fechar o ano com uma celebração ao menos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Beira-Rio, Chivas, Internacional, Nilmar
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