SEM GANSO E NEYMAR, TÁ BOM ASSIM
Eu mesmo, confesso, que torço para que esse projeto de Mano Menezes à frente da Seleção – o que prevê um futebol ofensivo e cintilante, de acordo com as nossas mais caras tradições, abandonadas nos últimos anos pelos pragmáticos de plantão – me senti um pouco decepcionado pelo desempenho do nosso time na vitória por 3 a 0 sobre o Irã, lá nos Emirados Árabes.
Mas é que, até mesmo inconscientemente, a gente tende a comparar o desempenho do Brasil diante do Irã com aquela exibição primorosa da estreia de Mano à frente da Seleção, contra os EUA.
São coisas bem diferentes. A começar pelo calor fumegante que drenou nossas energias frente ao Irã, e terminando pelo mais importante: lá não estavam nem Ganso, nem Neymar, dois craques, que juntos, fazem um só em nível quase cósmico.
Ninguém no futebol atual brasileiro arma, engendra, coordena e acha espaços invisíveis ao olhar comum como Ganso. É coisa que beira a genialidade. E posso dizer isso, pois vi em campo os maiores mestres nessas artes, como Zizinho, Didi, Gérson, Puskas, Di Stefano na sua fase mais madura, Ademir da Guia, Jair Rosa Pinto e alguns poucos mais.
Aliás, o próprio técnico da Seleção, Mano Menezes, disse algo parecido ao final do jogo.
E Neymar é aquele craque-surpresa que tira um coelho da cartola sempre que se aproxima da área inimiga, sobretudo quando escolhido pelos passes exatos e inesperados de Ganso.
Carlos Eduardo, que mais ou menos ocupou o espaço destinado a Ganso, não tem a mesma dimensão. É mais um coadjuvante de alta classe, mas um coadjuvante, de preferência atuando mais à frente, pela esquerda, tipo Zagallo, vá, ou, ainda mais precisamente, Rivellino de 70, sem o carisma, os recursos e a potência de chute do Reizinho do Parque.
Portanto, na criação, nosso time foi mais reticente, mais inconstante. Assim como o menino P. Coutinho, que vem esmerilhando na Inter de Milão, parece ter sentido o peso da camisa na sua primeira chance como titular, desde o início. Vai chegar lá, não tenho dúvidas, mas, neste jogo específico, ficou aquém das expectativas.
Tanto, que as entradas de Elias e de Giuliano deram outra configuração ao sistema de armação e de chegada do time brasileiro, permitindo que chegássemos aos 3 a 0, com possibilidades de dobrar o placar, caso Pato, autor de dois gols, não desperdiçasse mais três oportunidades claras de ampliar o placar.
O que eu quero dizer é o seguinte: o esquema é esse; os jogadores escolhidos para fazê-lo funcionar eram esses; apenas, técnica ou emocionalmente, alguns não atingiram sua melhor performance – outros, o fizeram.
A Raposa e as uvas
E, assim, já começa a disputa por posições na Seleção, o que, se restrito ao campo de jogo, sempre é muito salutar.
A Raposa já subiu na parreira e as uvas estão maduras. Basta derrubar o Flu, neste fim de semana, para se lambuzar com o néctar dos deuses. Isto é: enquanto for possível, neste campeonato tão renhido.
Mas, o fato é que, ao bater por 1 a 0 o Goiás, no Serra Dourada, o Cruzeiro foi o único do bloco de cima que não vacilou nesta rodada, e saltou para a vice-liderança, embora o Corinthians siga com um jogo a menos, o que não é nenhuma garantia de recuperação imediata.
A coisa, que parecia mais ou menos resolvida entre Flu e Corinthians, agora, pegou fogo.
Olhaí o Verdão
Pragmático, Felipão reluta em admitir que o Palmeiras, ao golear o Avaí destroçado por nove desfalques, no Pacaembu, já começa a se credenciar como sério candidato a uma vaga na Libertadores: “Entre nós e a vaga há oito times na frente. Se, por acaso, nas próximas rodadas, vencermos cinco jogos e empatemos um, quem sabe, então…”
Tá certo o Felipão. A distância ainda é grande para grandes sonhos. O melhor é celebrar o já conquistado, como essa vitória categórica sobre o Avaí. Sobretudo, porque foi um jogo que redimiu Valdívia, meio encrencado com o treinador. Fez dois gols, e realizou várias jogadas de alta classe.
Sim, claro, o Palmeiras foi beneficiado pela intempestiva reação do goleiro Zé Carlos, que, depois de pegar pênalti de Kleber, teve um entrevero desnecessário com Valdívia, acabou expulso e ofereceu um novo pênalti ao Palmeiras, que, desta vez, foi convertido.
Assim, o Palmeiras, jogo a jogo, vai readquirindo seu status de grande, e isso é o que mais importa neste momento.
A estreia de Luxa
No segundo gol do Flamengo sobre o Goianiense, em Volta Redonda, Luxemburgo vibrou como um novato. Não que o gol tenha sido uma dessas pinturas extasiantes, nada disso. É que o jogo estava duro, parte pela dedicação dos goianos, parte pelo futebol repetitivo do Flamengo, sem imaginação nem agudeza.
Mas, para Luxa era uma questão de vida ou morte já começar na Gávea com uma vitória. Nesse momento, era só isso que importava.
Agora, vejamos a vida que se segue.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Alexandre Pato, amistoso, Carlos Eduardo, Daniel Alves, Ganso, Inter de Milão, Irã, Mano Menezes, Neymar, Nilmar, Seleção Brasileira

