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11/04/2009 - 21:05

QUE ESPETÁCULO, MEU!

Santos e Palmeiras, na Vila, produziram um autêntico espetáculo de futebol, um jogo com a cara do futebol brasileiro que há tempos se arrasta, em geral, numa tediosa disputa de defesa contra defesa. E defesa, aqui, inclui meio de campo e até ataque.

De início ao fim, os dois times buscaram jogar bola, nas regras da arte, e foi um tá lá, tá cá, o tempo todo, com maior predomínio do Peixe, animado por sua torcida, que devolvia ao campo a emoção que o campo gerava.

Logo aos 3 minutos, Diego Souza mete bola magistral para Keirrison, que obriga Fábio Costa a uma defesa difícil. Aos 7, Neymar cruza na boca da meta, e, por um triz, Kleber Pereira não faz. E, um minuto após, Diego Souza serve Cleiton Xavier que coloca Keirrison na cara do gol: Fábio Costa rebate o tiro à queima-roupa, para K-9 encaçapar de cabeça: 1 a 0.

E assim foi até que Kleber Pereira, colhendo bola solta em cobrança de córner disparasse para empatar, aos 18 minutos.

O Palmeiras respondeu, no contragolpe, com um cabeceio de Keirrison cuja bola foi ao poste.
No segundo tempo, o jogo seguiu na mesma embolada, e, logo aos 3 minutos, o menino Neymar, batendo da entrada da área, definiu o placar para o Santos: 2 a 1.

Fiz aqui um resumo que está longe de reproduzir o que foi essa partida lancinante, cheia de chances perdidas pelos dois lados, jogadas de alto nível, enfim, tudo aquilo que faz do futebol um espetáculo, não uma disputa mesquinha pelo resultado que mais convém a este ou aquele.

Ganso, Neymar, Kleber Pereira, Souto, Fabão e Fábio Costa deram o tom para o Santos, enquanto Marcos, Pierre, Cleiton Xavier, Diego Souza e Keirrison se destacaram no Palmeiras.

Quer dizer: sim, senhor, é muito possível, com os jogadores que aí estão disponíveis no Brasil, fazer-se um jogo competitivo, numa decisão, ao mesmo tempo combativo e atraente. Basta não ser refém do medo, como não o foram Luxa e Mancini.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , , ,
22/03/2009 - 19:28

DENTINHO, IBRA, BARÇA, OS REDS…

Nem Ronaldo, nem Neymar. O nome do clássico foi mesmo Dentinho, autor do gol da vitória do Corinthians sobre o Santos, num Pacaembu eletrizado. E não apenas porque fez o gol, de cabeça, logo aos 15 minutos de partida, em magistral cruzamento de Douglas da esquerda. Mas, sobretudo, por sua movimentação, seus dribles, suas investidas.

Mesmo porque tanto Neymar quanto Ronaldo passaram discretamente pelo gramado, embora cada um tivesse desperdiçado duas grandes chances de se consagrar, em raras participações dos goleiros Felipe e Fábio Costa.

Curioso isso, pois os dois times entraram em campo com formações teoricamente mais ofensivas do que habitualmente se vê no futebol brasileiro mais recente.

O Corinthians, com apenas um volante de ofício (Cristian) e o Santos, com três atacantes por vocação – Neymar, Kleber Pereira e Roni, com Lúcio Flávio na armação.

Contudo, o jogo se concentrou no meio-de-campo, até o gol de Dentinho, dividido entre os dois times; depois, com claro predomínio santista. E aqui me parece que tenha sido o equívoco do técnico Mancini, ao escalar o menino Neymar mais como articulador de jogadas do que verdadeiramente um atacante. Não me parece ser a dele.

Equívoco que se pronunciou quando, no segundo tempo, tirou o garoto para a entrada de Madson. Melhor, imagino, seria trocar Roni por Madson, que dinamizou um pouco mais a armação. Mais, talvez, por conta do recuo corintiano.

Quanto a Ronaldo, é assim mesmo, não se pode esperar mais, por enquanto do craque: dois ou três lances de categoria, e duas investidas na área perigosas. Acabou sendo substituído lá pelos 36 do segundo tempo, quando o Timão precisava mais de velocidade no contragolpe do que de técnica e precisão nos remates.

O que, porém, mais valeu nesse clássico foi a nítida recuperação técnica de Douglas, pelo lado corintiano, e a suspeita de que o Santos, mesmo sendo derrotado e caindo fora do G-4, tem bala para chegar lá.

MENO MALE

O líder Palmeiras, no sábado, não foi além de um empate por 1 a 1 com o Guaratinguetá. Levando-se em conta que o o mandante era o Guará e que o Palmeiras jogou desfalcado de sua dupla de ataque titular – Keirrison e Willians -, melhor um empatezinho assim do que uma derrota.

Sobretudo, porque o Guará marcou bem, e promoveu um jogo muito equilibrado com o Palmeiras, que segue ainda na liderança, mas já sentindo a aproximação do Corinthians.

MENOS MAL

E o São Paulo, que sem André Dias e Júnior César, foi a Jundiaí e não conseguiu também mais do que esse empate por 1 a 1?

Se o resultado pode ser considerado frustrante, valeu saber que o Tricolor foi melhor do que o Paulista e mereceria um resultado mais compatível com essa superioridade.
É mais animador, né?

LÁ FORA

Só vi o primeiro tempo. Mas, bastou para me empanturrar de Barcelona: 4 a 0, com mais dois gols na etapa final, sobre o frágil Málaga. Tudo bem: o Málaga é fraquinho, mas, que diabo!, é isso que se espera de um timaço como o Barça – quando pega uma moleza, massacra logo. E, como está jogando esse Xavi, meu Deus!

Por falar em massacre, o Liverpool pegou no breu, e, depois de ensacar o Real, pela Liga dos Campeões, goleou o poderoso Manchester, e agora enfia 5 a 0 no Aston Villa, com três gols de Gerrard, um craque à beira da perfeição: marca, arma, passa, lança e bate na bola como poucos.

Assim, o Liverpool deu uma mãozinha a mais ao Arsenal, na luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, que, no sábado, deu um show de bola no New castle, na casa do adversário: 3 a 1, naquele seu proverbial toque-toque.

Enquanto Liverpool e Arsenal ascendem, Manchester e Chelsea sucumbem. O Manchester somou sua segunda derrota seguida, o que não ocorria há muito tempo, e o Chelsea perdeu para o Tottenham, por 1 a 0, depois de longa série invicta desde a saída de Felipão.

Já na Itália, a Inter, ao bater a Reggina por 3 a 0, com direito a golaço de Ibrahimovic, que driblou três e meteu por cobertura, surfa lá no topo da tabela. Não tem pra ninguém.   

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Futebol internacional Tags: , , , , , , , , , ,
19/03/2009 - 00:08

SÃO PAULO, CRUZEIRO E SANTOS

Na conta do chá – belo passe de Jean, que Borges, sempre ele, aproveita de canhota no ângulo -, o São Paulo foi a Montevidéu e volta com uma preciosa vitória sobre o Defensor.

De resto, foi aquele tédio de sempre: o Tricolor lá atrás, defendendo-se de um time de qualidade discutível, mal conseguindo trocar dois passes além da sua própria intermediária, Rogério Ceni pegando bolas vesgas, e seja lá o que Deus quiser.

E Deus quer, pelo visto.

Já o Cruzeiro, mesmo sem exibir aquela bola redondinha de hábito, bateu o Sucre por 2 a 0, dois gols de Wellington Paulista. Mas, ali tem, e o Cruzeiro tem muito mais a apresentar.

Enquanto isso, na Copa do Brasil, o Santos, de Neymar e Kléber Pereira pela primeira vez juntos, goleou, mesmo sem exibir um futebol de gala. Mas, o bastante, ao menos, para que o torcedor peixeiro bote fé nesse ataque que ainda dará muito o que falar.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores Tags: , , , , , , , , , ,
16/03/2009 - 16:15

O MENINO E A BOLA

O menino corre atrás da bola. Quando a alcança, do outro lado da rua, já é um velho, que deixou na esteira apenas a poeira da memória, feita de grãos tão minúsculos que se torna invisível. Assim é a vida. Passa com o estalar de dedos, o piscar de olhos, zas!, e, pronto, se foi.

Não estou dizendo nenhuma novidade. Todos nós sabemos disso. E todos nós não o sentimos de fato. Só o percebemos quando já atravessamos a rua.

Assim é o futebol, esse simulacro do cotidiano de todos nós, fugaz centelha que tentamos inutilmente capturar e represar em verdades eternas. Nada. O que existe é só aquele momento, que pode ou não se reproduzir mais adiante, nunca exatamente igual.

Digo essas obviedades pensando no menino Neymar e em todos os dedos que o cercam. Sim, porque é recorrente na voz do povo e da mídia, sempre que surge um talento como esse, o clamor da grave advertência: cuidado, estão enchendo a bola do garoto; amanhã, cai do cavalo e como é que fica?

Ora, ora, fica como está: mais um que pintou bem e não deu certo.

Isso, porém, aconteceu, acontece e acontecerá também com muitos que seguiram à risca todos os preceitos da prudência e da temperança. Cada um é cada um, e quem está na chuva é pra se queimar, como dizia o sábio Matheus.

Ainda outro dia, uma dessas ondas de proteção ao futuro de um menino-craque levantou-se em torno de Alexandre Pato, lembram-se? Pois é: estávamos, aqueles que celebravam de pronto o aparecimento de um fora-de-série, perigosamente açodados com o advento do craque colorado, de 17 anos, a mesma idade de Neymar hoje.

Pois, taí Pato deslumbrando a Itália, no Milan.

O que eu quero dizer é o seguinte: o brasileiro, tão negligente nas coisas mais importantes de suas próprias existências, espia o futebol com os pudores e os cuidados de uma velha tia, que passou a vida espiando o mundo pela janela, sem se arriscar a pisar a calçada.

Um jogo vibrante, uma campanha magnífica de um time, uma jogada criativa de um craque, tudo isso, segundo essa olhar solene, não merece mais do que um econômico destaque, já que, amanhã, o jogo poderá ser uma porcaria, o time desandar e perder o título nas rodadas finais, o craque tropeçar no lance seguinte e tal e cousa e lousa e maripousa.

Ora, o futebol, repito, é uma centelha, um brilho, um instante, que deve ser celebrado, sim, naquele momento. Depois, ninguém sabe. A não ser quem já esteja do outro lado da rua, olhando a poeira que ficou na esteira de sua corrida.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , ,
15/03/2009 - 21:37

NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO

Com os meninos Neymar e Ganso inspirados e apoiados pelo veterano Lúcio Flávio, o Santos esmerilhou no Pacaembu diante do Mogi de Giovanni, o ídolo eterno da Vila.
O placar foi de 3 a 0, um placar que poderá ir para a história como aquele que marca o primeiro gol de Neymar como profissional, e outro de Ganso, que a turma insiste em chamar de Paulo Henrique Lima. Mas, isso é irrelevante. Relevante foi a bola que o Santos jogou, redondinha.

Charge Milton Trajano

TRICOLOR, NOS TRILHOS

O São Paulo, parece, entrou nos trilhos, aqueles que o levaram a tantos êxitos recentes. Naquele seu estilo econômico e eficiente, passou pelo Marília sem sobressaltos, no Morumbi. Logo de cara, Hernanes acertou no ângulo, e, no começo do segundo tempo, Washington, em bola enfiada por Borges, aumentou. O Marília diminuiu com João Vítor, em disparo de fora da área.

TIMÃO, HUUUMMM…

Sem Ronaldo, nem no banco, o Corinthians, em pleno Pacaembu, não conseguiu ir além de um pálido zero a zero diante do Santo André de Marcelinho Carioca.
Claro, não foi a ausência de Ronaldo que provocou tal resultado, embora com ele o gol  é sempre uma expectativa real, ainda que longe de sua melhor forma física.
Mas é que a simples presença de Ronaldo no Parque, timbrada pelos dois gols nos poucos minutos em que esteve em campo, mudou as perspectivas do Timão, que, neste ano ainda não conseguiu reproduzir aquele futebol envolvente e agudo dos jogos da Segundona.
De qualquer forma, o empate mantém o Timão na zona da classificação para as finais, o que dá um certo sossego para Mano Menezes ir tentando acertar de novo esse time.

FRED, NA PINTA

A estréia de Fred no Fluminense, mesmo que à meia-boca, não poderia ter sido mais auspiciosa: o Flu saiu perdendo por 1 a 0, mas conseguiu virar para 3 a 1, com dois gols de Fred, dois tentos típicos de um centroavante oportunista.
Aliás, é raro um jogador famoso estrear e responder logo de cara com taanha eficiência. No rolar da bola, Fred vai dar muita alegria á torcida tricolor, não tenho a menor dúvida.

KAKÁ, RONALDINHO E PATO

Kaká entrou no intervalo, fez duas jogadas de alto nível, perdeu um gol feito, e aos 26 minutos pediu substituição. Problemão para a Seleção de Dunga, já que o craque voltava de um longo período de recuperação de delicada lesão.

Já Pato, que zanzou incógnito durante todo o primeiro tempo, fez dois gols - o primeiro, um petardo espetacular de fora da área, e deu quatro ou cinco arrancadas velocíssimas no segundo tempo.

Quanto a Ronaldinho, que entrou no lugar de Kaká, apesar do belo lançamento no segundo gol de Pato, passou a sensação nítida de que não está a fim de voltar a ser o Ronaldinho mágico de outros tempos. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
13/03/2009 - 00:30

ATÉ QUE ENFIM, SÃO PAULO

O São Paulo precisa vencer o Mirassol, no Morumbi, para reerguer a fronte no Paulistão, depois de alguns resultados negativos nesse torneio. E o fez em grande estilo, sobretudo no segundo tempo, pois, o primeiro foi um longo bocejo entrecortado por dois gols de ocasião: um, com Borges, em passe magistral de Jorge Wagner, e outro, com Washington, de cabeça.

Mas, na etapa final, o Tricolor foi outro – um time leve, veloz, integrado, que acabou disparando a goleando final de 5 a 0, com direito a golaço de Washington, sem falar nas tantas chances desperdiçadas.

Já estava na hora.

NOVAMENTE NEYMAR

Já na Vila, o Santos comeu o pão que o diabo amassou ao longo de toda fase inicial, quando perdia para o Paulista por 1 a 0, disparo de longe de Zé Carlos (bom jogador, esse) que Fábio Costa engoliu.

Eis, que ressurge do banco o menino Neymar, a grande esperança peixeira. Pois, o menino entrou e agitou a praia, levantando a galera, animando seus companheiros e assustando a defesa adversária com seus dribles, suas deslocações, seus toques e cruzamentos.

E só deu Santos, que poderia ter ido muito além do empate por 1 a 1, gol de cabeça de Roni, caso não desperdiçasse tantas chances.

VASCO, DE GOLEADA

O campeão da Taça Guanabara – o Botafogo – desabou diante do Vasco, no Maracanã: 4 a 1, com dois gols de Elton. Forte, esperto, goleador nato, Elton abriu a porteira do Botafogo por onde o Vasco se consagrou, sempre com inestimável auxílio dos meias Jefferson e Carlos Alberto.

Pelo visto, começa a aparecer o trabalho do técnico Dorival Jr., que soube aproveitar as duas semanas livres para preparar devidamente o time. Nem todos sabem.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , ,
08/03/2009 - 19:38

POR ISSO, FENÔMENO

Há alguns poucos que nasceram com o dom. Mas, conta-se nos dedos os que nasceram com a estrela na testa.
 
Ronaldo nasceu com o dom de jogar futebol no nível reservado aos escolhidos e com a estrela na testa dos ungidos, seja pela natureza, seja pelo destino, seja pelos deuses, como o amigo preferir.
 
A natureza, o destino e os deuses, porém, ergueram muralhas intransponíveis no caminho de Ronaldo: três lesões tão graves, três cirurgias tão delicadas, três longos períodos de recuperação, que uma só dessas adversidades bastaria para encerrar a carreira de qualquer um de nós.
 
Mas, algo dentro de Ronaldo sussurrava-lhe o segredo da unção. E ele voltou, uma, duas, três vezes. E, como num sortilégio, todos os mistérios se reuniram para reservar-lhe este momento mágico, único: lá pelos 47 minutos do segundo tempo, num clássico histórico com o Palmeiras, que vencia por 1 a 0, depois de ter metido um balaço na trave e realizado bela jogada pela esquerda, córner da direita cobrado por Douglas, Ronaldo afasta-se um passo do marcador Marcão, e, de cabeça, no segundo pau empata um jogo que parecia já perdido para o Corinthians.
 
Ao saltar para aquela bola, parecia que Ronaldo estava sendo alçado por mãos invisíveis, como aquelas duas que Pelé carregava no peito ao matar tantas bolas vesgas.

Por tudo isso é chamado de Fenômeno.

 

O enigma Ronaldo

Essa coisa me intriga desde a primeira volta de Ronaldo Fenômeno aos campos, depois de tão grave lesão como aquela.
 
Você olha nos olhos de Ronaldo, você ouve Ronaldo falando, mede seu gestual, e ali não encontra nem uma centelha do sujeito determinado, competitivo, capaz de se atirar ao sacrifício absoluto em busca de um objetivo.
 
Ao contrário: Ronaldo transmite, antes de mais nada, placidez, quase um alheamento com o que está à sua volta, para não dizer que consigo mesmo. Seu olhar é o de quem está vendo a banda passar, seu sorriso é, antes de tudo, de aceitação e confraternização.
 
Falando na banda, há um quê de Chico Buarque em Ronaldo Fenômeno, que talvez explique parte desse carinho que os torcedores no mundo todo lhe devotam. Obviamente, não no trato com a bola, que certamente Chico trocaria vida e obra fabulosas por ser dez minutos Ronaldo.
 
Não sei, o sorriso, o jeito de falar, uma certa introspecção que colide com o destino de pop star, alguma coisa tem, como se ambos fosse impulsionados por cordéis mágicos que nada têm a ver com suas próprias personalidades.
 
Mas, isso é periférico, pouco tem a ver com nosso assunto. E o nosso assunto é o seguinte: o que move Ronaldo Fenômeno, um craque que atingiu todas as metas – fortuna incalculável, títulos e fama – como nenhum outro de sua geração, a voltar aos campos com essa renitência singular?
 
Mais dinheiro? Mais fama? Mais recordes a serem batidos? A sedução irresistível aos holofotes, somada aos aplausos da galera? Cada um desses fatores certamente está lá no consciente ou no inconsciente do craque.
 
Mas, desconfio que, no princípio de tudo, lá no fundinho da alma de Ronaldo está o be-a-bá da cartilha da vida – o menino e a bola.

 
O menino Neymar
 
O jogo estava ruim para o Santos, que não se acertava em campo diante do Oeste e de vinte mil peixeiros indignados nas arquibancadas, quando o técnico Mancini resolveu atender o clamor da galera e colocou Neymar no lugar de Molina.

Na primeira bola, o estreante de 17 anos de idade deu uma banda no lateral-esquerdo adversário e cruzou (ou chutou direto?) – bola na trave e no poste.

Pronto! Foi o que bastou para transfigurar todo o cenário. A torcida passou a apoiar o time que logo chegou aos 2 a 0, com Roni e Madson (golaço, no tiro de fora da área).

É verdade que o Oeste reduziu, já no finzinho do jogo. Mesmo assim, a multidão santista saiu do Pacaembu com um arsenal de esperanças. Não sem razão. Afinal, a movimentação e a habilidade demonstradas por Neymar nos poucos minutos em que esteve no campo justificam isso e um pouco mais.

Claro que, como todo jovem que ascende à equipe titular de um grande clube como o Santos, mais cedo ou mais tarde, paga o preço do noviciado, esse rito de passagem da adolescência para a idade adulta.

Vai deslumbrar e vai decepcionar, antes de maturar. E será justamente nesses períodos de baixa que mais a torcida terá de transformar a esperança em fé e apoio, se quiser ter um craque integral mais á frente.
 

Cada vez melhor

 
A propósito de jovens revelações do nosso futebol, a cada rodada do Campeonato Italiano, Pato joga mais e melhor. Diante do Atalanta, é verdade, perdeu três ótimas chances para marcar. Mas, num time em que a única estrela consagrada da companhia era Beckham, que por sinal, fez um primeiro tempo primoroso, Pato se destacou pela movimentação, velocidade e inteligência nos dribles e passes. Um deles, de régua e compasso, para o segundo gol de Inzaghi, o artilheiro da tarde.
 

Show de bola

 
No sábado, o Manchester United, pela Copa da Liga Inglesa, passou por cima do Fulham, mesmo desfalcado de Cristiano Ronaldo e outros, em direção às semifinais da competição: 4 a 0, com dois gols de Tevez, um deles em belíssimo disparo da entrada da área.
 
O Manchester, que lidera o Campeonato Inglês e seu grupo na Liga dos Campeões Europeus, já levantou a Copa da Inglaterra, a mais tradicional disputa do mundo, e continua exibindo um futebol de altíssimo nível técnico, ganhando e dando espetáculo, num tempo em que os medíocres consideram isso impossível. E, não é de agora que o atual campeão do mundo vem cumprindo esse objetivo básico do futebol – unir eficiência e arte ao mesmo tempo.

Não é à toa que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, recomendou ao resto do mundo que se espelhasse no futebol inglês, hoje, anos-luz à frente dos demais grandes centros, seja como competição, seja como espetáculo.

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Futebol internacional Tags: , , ,
05/01/2009 - 13:57

NEYMAR, DE LONGO CAMINHO

Ouço falar desse menino desde que ele tinha seus 13 anos de idade, creio, quando já agentes estrangeiros rondavam a Vila, de olho nele.

Mas, só pude ver de corpo inteiro o futebol de Neymar neste domingo, na goleada do Santos sobre o Cene, pela Copinha. Com 16 anos de idade, o garoto promete mesmo. Com um talhe físico semelhante ao de Robinho, é veloz, ágil, habilidoso, inteligente e peitudo.

Além disso, revelou num lance traços de forte personalidade. Foi, quando, ao sofrer uma falta à entrada da área, levantou-se avisando a turma que ele bateria. Bateu e faturou.

se não levar uma rasteira do destino, ao cruzar uma dessas esquinas da vida, vai longe o Neymar. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa SP de Juniores Tags: , ,
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