Neymar | Blog do Alberto Helena Jr.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira | 23:35

NO CAMINHO CERTO

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Outra vez, o Brasil fez um primeiro tempo exemplar, marcando no campo adversário e, por consequência disso, disparando logo de cara 2 a 0 no placar. Um, de pênalti cobrado por Neymar, em bola roubada por Oscar (tá virando hábito, muito salutar, diga-se) e servida na medida para Leandro Damião, que chutou para o beque cortar com o braço. Outro, por Thiago Silva, de cabeça em cobrança de corner de Neymar.

Nesse meio tempo, Oscar, que trabalhou incessantemente costurando todo o time brasileiro, enfiou bola mágica para Damião perder diante do goleiro.

Tomamos um gol de Gomez, de cabeça, no finzinho do primeiro tempo. Mas, logo no início do segundo, bela trama pela esquerda, e Neymar serviu Marcelo de colher para emplacarmos 3 a 1.

A partir daí, a exemplo do que já ocorrera contra a Dinamarca, nosso time refluiu. Rõmulo salvou em cima da risca gol feito deles, a trave salvou outro, e Rafael timbrou seu passaporte para Londres com uma série de defesas providenciais, duas delas em sequência, à queima-roupa.

Por fim, já aos 41 minutos da etapa derradeira, Marcelo levanta bola exata para Pato, que havia entrado no lugar de Damião, matar no peito e bater cruzado: 4 a 1. Era o gol que o mesmo Pato havia perdido pouco antes, mandando ao poste passe medido de Neymar.

Placar excessivo? Bem, pelas chances criadas pelos norte-americanos no segundo tempo, a diferença poderia ser menor, uns 5 a 3 seria o mais justo.

Mas, o placar é irrelevante nestas alturas da preparação da Seleção Brasileira com os olhos postos em Londres.

O importante é ver a Seleção Brasileira mudar seu modelo de jogo, indo na direção do discurso inicial de Mano Menezes, aquele que preconizava a volta do nosso time à condição de protagonista. Isto é: o time que dita o ritmo e impõe o espírito do jogo.

Foi exatamente isso que fizemos nos dois primeiros tempos dos jogos com a Dinamarca e os EUA. Quer dizer: diante de duas escolas diferentes. E, se a Dinamarca revelou certa fragilidade, os EUA, ao contrário – jogando em casa, vindo de uma vitória expressiva sobre a Escócia outro dia, mostraram ser uma equipe organizada e determinada, além de veloz nas investidas à frente.

A lamentar apenas a entrada muito tardia de Lucas e numa posição que não lhe é nada confortável – ali pela esquerda, no lugar de Neymar.

E a saudar o extraordinário trabalho de armação de Oscar, que só fico imaginando-o ao lado de Ganso, quando o santista voltar aos campos em plena forma.  Essa, na verdade, era a grande experiência que Mano pretendia fazer nesses amistosos. Pena que não pôde.

Notas relacionadas:

  1. A CARA DO BRASIL
  2. A VEZ DOS OLÍMPICOS
  3. O POLICHINELO DA VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 14 de maio de 2012 Campeonatos Estaduais | 15:32

NEYMAR TOTAL

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Os números do iG Futebol sobre o desempenho de Neymar apresentados aqui no Esporte do iG são impressionantes: além de levar a palma de artilheiro do Paulistão, com 20 gols, sete a mais do que o segundo colocado, e de melhor jogador do torneio, segundo eleição da FPF e do jornal Diário de S. Paulo, Neymar destaca-se em todos os outros quesitos pesquisados – assistências, dribles, posse de bola e até em desarmes (26 concluídos em 27 tentados).

Leia mais: Neymar atropela rivais e comanda Santos no tricampeonato paulista

Quer dizer: não só brilha individualmente, como contribui em alta dose para o coletivo. Joga todas, nem sabe onde fica a porta da enfermaria do clube, e, em menos de quatro anos como profissional, já abarrotou sua estante de troféus com uma galeria dourada de títulos: campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e tricampeão paulista, se é que não me escapa mais algum. Em todos, foi o principal protagonista e artilheiro de seu time. O que mais se pode exigir de um craque?

Neymar ficou só de cueca após título do Santos no Paulista

Ah, sim, o carisma, essa capacidade intrínseca de atrair em torno de sua imagem multidões. Pois, também aqui Neymar lidera a lista. A tal ponto de estar prestes a reproduzir na Vila o fenômeno de arregimentação que só Pelé conseguiu na virada dos anos 50 para os 60. Isto é: fazer a cabeça de toda uma geração de garotos e garotas, que já começam a se bandear dos clubes de seus pais para o Santos de Neymar.

Veja ainda: Números do iG Futebol contestam seleção dos melhores do Paulistão

Como estimar o valor disso? Quanto vale criar uma geração inteira de novos torcedores de um clube que, depois de Pelé até Robinho, mais perdia do que ganhava novos adeptos? Esse é um patrimônio para todo o sempre, não tem preço.

E isso se deve muito à coragem e inteligência do presidente Luís Álvaro, que bancou o que parecia até então impossível, o de manter Neymar na Vila a qualquer custo.

Por fim, outro detalhe relevante, talvez até mais do que tudo que foi dito antes: Neymar é o símbolo, hoje, do resgate do nosso verdadeiro futebol, moleque, criativo, incisivo e inexplicável, porque mágico. Seu jogo não cabe em qualquer formulação pseudocientífica, ou em traçados táticos e estratégicos que povoam a mente dos treinadores, e esse sempre foi nosso maior trunfo diante do resto do mundo.

E o mais gratificante é saber que esse menino está apena dando seus primeiros chutes nos campos de futebol, transformando-os em autênticos campos dos sonhos.

A SELEÇÃO DO CAMPEONATO

Nesta noite serão entregues os prêmios para os melhores do Paulistão, a saber: Rafael; Oziel, Dracena, Rodolfo (nego-me a acrescentar aqueles agás fora de esquadro) e Cortez; Assunção, Paulinho e Ganso; Lucas, Hernani e Neymar.

O que se pode depreender dessa escalação, concordemos ou não com este ou aquele nome?

Em primeiro lugar, que o Corinthians, campeão brasileiro e líder da fase classificatória, a mais longa do torneio cede tão somente Paulinho, que realmente esmerilhou, prova de que o Timão é mais conjunto do que individualidades.

Em segundo lugar, que a distribuição tática dessa equipe representa um avanço em relação às formulações dos últimos dez anos, por baixo, pois se configura num claro 4-3-3, sistema resgatado pelos grandes centros europeus há um bom tempo.

De resto, é dizer que meu lateral-esquerdo seria Fábio Santos, pelo enorme significado desse jogador para o time corintiano, como um todo, embora Cortez, tecnicamente, seja mais bem dotado e tenha feito um excelente campeonato.

Assim como Arouca ocuparia o posto de Assunção. Mas, como substituir aquele que foi a peça principal do Palmeiras, com suas bolas paradas mortíferas?

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. BÊNÇA, DORIVAL, POR ESSE SANTOS
  3. NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 10 de maio de 2012 Seleção Brasileira | 16:11

O POLICHINELO DA VILA

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Ganso e Neymar: presença certa na lista

Foi um show de bola na Vila? Nem tanto, pois o Santos insistiu demais nas bolas alongada, o que conferiu certa reticência a seu jogo.

Foi mesmo um show de gols – o mais bonito, o de Ganso, de calcanhar, colhendo passe do parceiro de sempre – e um show de Neymar, autor de dois tentos, três assistências e uma pré que resultou no toque genial de Ganso a Borges: 8 a 0 no Bolivar, pela Libertadores.

Show em que Neymar agradecia os aplausos da galera com aquele salamaleque típico do polichinelo (em napolitano, Pulecenella), personagem da commedia dell’arte, arteiro, provocador, cheio de manhas e ardis para desmoralizar os figurões e divertir o respeitável público.

Pois esse é o papel de Neymar no palco da bola – destruir os adversários com seu talento e divertir o público com suas artes feitas de riso infantil.

E assim vai o nosso Polichinelo da Vila fazendo vítimas e quebrando recordes. Só nesta noite, já ultrapassou de uma vez João Paulo e Chulapa, como o maior artilheiro do Santos pós-Pelé. E distribuiu gargalhadas em campo com seus carretéis, pedaladas, fieiras, dribles, passes de calcanhar, piruetas e tombos espetaculares, típicos do Pulecinella que habita em cada um de nós, louco pra se livrar dos laços das convenções que nos prendem ao lugar-comum de todo dia.

A VEZ DOS OLÍMPICOS

Nesta sexta-feira, o técnico Mano Menezes revela o nome dos 23 jogadores que formarão a Seleção Brasileira para os próximos amistosos, contra Dinamarca, México, EUA e argentina, já com vistas às Olimpíadas.

Portanto, é de se esperar nesta convocação a presença maciça de meninos abaixo dos 23 anos de idade, e, no máximo, meia dúzia de atletas acima desse limite. Dentre estes, os zagueiros de área David Luiz e Thiago Silva são favas contadas (Dedé, machucado, fica pra próxima), assim como é certa a ausência de Ronaldinho Gaúcho, algo que já estava decidido há algum tempo. Quanto ao resto, não sei.

Mas, sei que Oscar estará ao lado de Neymar, Ganso, Danilo, Alex Sandro, Fernando, volante do Grêmio, Sandro, Casemiro, Lucas, Leandro Damião, Wellington Nem, já recuperado, além do goleiro santista Rafael.

Leia mais: Presidente da CBF não quer Ronaldinho Gaúcho nas Olimpíadas de Londres

Aí já temos praticamente o time-base para esses amistosos: Rafael, Danilo, David Luís, Thiago Silva e Alex Sandro;  Sandro, Fernando e Ganso; Lucas, Damião e Neymar.

Mas, não me surpreenderia se jogarmos, em alguns momentos, sem o tal centroavante de referência, com Oscar formando dupla de armação com Ganso para Lucas ou Wellington Nem e Neymar, pois, desta vez, Mano terá tempo para treinar a equipe em modelos diferentes dos que estamos acostumados por aqui.

Por exemplo: não descarte o amigo a eventualidade de termos diante dos EUA uma formação ainda mais ousada, com Fernando, Oscar, Ganso, Lucas, Damião ou Wellington Nem e Neymar, todos juntos.

Gostaria muito de ver isso acontecer. Pode vir a ser um desastre, mas, se pegar no breu, que deslumbre! O importante, nesta hora, é escapar do lugar-comum que não nos tem levado a nada – nem aos resultados, nem ao deleite, as duas faces dessa mesma moeda chamada futebol.

Ronaldinho Gaúcho: em baixa no Flamengo e fora da lista que Mano divulga nesta sexta

A HORA DA GALERA

Tite declarou que o Vasco é o adversário que ele mais temia enfrentar, enquanto Juninho Pernambucano apontava para o Corinthians, no confronto fatal entre ambos pela próxima fase da Libertadores.

No fundo, trata-se daquele jogo de empurra, em que nenhum dos dois quer provocar a ira do outro na hora da decisão em 180 minutos.

Corinthians e Vasco disputaram o Brasileirão passado ali, ó, no pau a pau. E, se o Corinthians revela maior harmonia entre seus setores, com ênfase no sistema defensivo, o Vasco tem em Juninho e Felipe aqueles craques capazes de desequilibrar, justamente o que falta ao Timão tão coeso.

Veja também: Corinthians tem melhor defesa entre brasileiros na história da Libertadores

Em contrapartida, fora do campo, nas arquibancadas, o Corinthians leva a vantagem de a Fiel já ter superado suas desconfianças em relação ao trabalho de Tite, o que confere ao time mais tranquilidade para jogar o seu jogo de paciência. O contrário do que ocorre em São Januário, onde a torcida vascaína, depois de um período de namoro, passou a pegar no pé do técnico Cristóvão Borges, o que é sempre um fator negativo.

Numa disputa letal, de ida e volta, essas coisas contam muito, quando não são decisivas.

Leia ainda: Vasco tem tempo para descansar e volta fortalecido após triunfo na Argentina

LIGA BRAVA

É assim que os espanhóis denominam seu campeonato nacional, quase sempre dividido entre Real e Barça, o que leva muita gente boa a desqualificar a grandeza desses dois portentos da Europa, justificando-a com a pequenez dos demais times da Península.

Traduzindo: não é que Barcelona e Real Madrid sejam isso tudo; é que seus adversários domésticos não valem nada. Não valem? Pois veja o amigo aí a decisão da Liga Europa, o segundo mais importante torneio daquelas bandas, do qual participam mais de cem agremiações de todo o continente, inclusive os das Ilhas Britânicas, disputada pelos dois Atléticos, o de Madri e o de Bilbao, vencida pelos madrilenhos com três belos gols – dois do colombiano Falcão Garcia e pelo brasileiro Diego, ex-Santos.

Não fosse a surpresa da desclassificação de Real e Barça, por Bayern e Chelsea, nas semifinais da Liga dos Campeões, e teríamos duas decisões europeias com quatro clubes espanhóis.

O que estou querendo dizer é que Barça e Real dividem entre si os títulos espanhóis não por consequência da fragilidade excessiva de seus demais adversários caseiros. E, sim, por seu extremo poderio, tal que os faz serem considerados os dois melhores times da atualidade no planeta, apesar da queda na Liga dos Campeões.

A força de uns não implica necessariamente na fraqueza dos outros.

Notas relacionadas:

  1. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  2. A SELEÇÃO DE MANO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 Seleção Brasileira | 15:18

A VEZ DOS OLÍMPICOS

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Outro dia, quando a CBF anunciou a série de amistosos marcados para a Seleção Brasileira neste primeiro semestre, disse aqui que melhor seria, nesse caso, utilizarmos a garotada que participará das Olimpíadas em Londres, com os devidos reforços acima dos 23 anos exigidos pelo COI.

O fato é que isso acontecerá mesmo, mas só em junho, quando o Brasil fará seus amistosos nas chamadas datas-Fifa, período em que os jogadores lá de fora poderão ser convocados por Mano Menezes.

Antes, teremos de nos valer apenas dos craques que atuam pelo Brasil, o que provocará chiadeira geral dos clubes, sobretudo os que têm munição para oferecer ao arsenal canarinho. Justamente aqueles que estarão aí disputando Libertadores y otras cositas más.

Isso, por certo, forçará o técnico a balancear as convocações, tentando não prejudicar demais este ou aquele clube. No caso do Santos, porém, será inevitável, pois Ganso e Neymar são figurinhas carimbadas.

Mas, se Mano chamar mesmo os melhores, praticamente será a Seleção Olímpica, do meio de campo pra frente.

Sim, porque o que minha bola de cristal revela para junho o seguinte time, até mesmo contra a Argentina titular, imagino: Rafael ou Neto; Danilo, David Luís, Thiago Silva e Alex Sandro; Rômulo e Casemiro (se voltar a jogar a bola do Mundial Sub-20); Ganso e Lucas; Leandro Damião e Neymar.

E ainda terá Pato, Dudu, P. Coutinho, quem sabe Wellington Nem, de volta ao Flu, Oscar, que, pra mim, seria titular no lugar de Lucas, e quem mais se destacar até lá, que essa coisa, no Brasil, é sempre muito dinâmica.

Restará ao treinador escolher a defesa só com jogadores que atuam por aqui.

Que tal Jefferson ou Victor; Bruno ou Fágner; Dedé, Antônio Carlos ou Rodolpho e Cortês ou Kleber?

Dê a sua sugestão, amigo.

TRICOLORES

Antes das rodadas iniciais dos estaduais do Rio, São Paulo e Rio Grande, listei aqui os três times que melhor e mais se reforçaram neste início de ano: o Fluminense, o São Paulo e o Grêmio.

O Grêmio, que foi a grande decepção, ao perder para o Lajeadense por 2 a 0, em pleno Olímpico, contudo, tem elenco pra virar esse jogo de tão mal começo.

Ainda mais se vierem também Carlos Eduardo e Giuliano (ex-Inter), contratações que, no entanto, ficam mais difíceis a cada hora que passa.

Já Fluminense e São Paulo passaram bem pelo primeiro teste. O Flu, com seu time reserva; o São Paulo, com dois reforços apenas, ainda no aguardo de acertar com Nilmar e Osvaldo, ex-Ceará, o que conferirá ao ataque um poder de fogo extra, sem dúvida.

Mas, é muito cedo para euforias ou depressões. Tudo não passa, por enquanto, de meras expectativas.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. DE OLHO NO FUTURO
  3. O QUARTETO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 6 de outubro de 2011 Seleção Brasileira | 16:37

O QUARTETO

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O mais importante nesse amistoso com a Costa Rica, amanhã, é a presença do quarteto ofensivo do Brasil: Ronaldinho Gaúcho, Lucas, Fred e Neymar. São quatro jogadores de técnica refinada e muita habilidade.

Pode-se discutir se Ronaldinho Gaúcho tem a constância e o viés de um autêntico armador, aquele cara em torno do qual gira o jogo de sua equipe, capaz de alternar o ritmo de acordo com as necessidades de momento.

Talento tem, sem sombra de dúvida. Sabe lançar, enfiar uma bola inesperada para os atacantes, virar o jogo com ciência, essas coisas todas. Mas, o resto…

Faz lembrar um pouco de Rivellino, um virtuose histórico. Dono de habilidade incomum com aquela canhotinha abençoada, Riva passou a maior parte de sua carreira como um armador inconstante, de brilho intermitente durante uma partida. Ora, executava um lançamento de trinta metros primoroso; ora, sumia do jogo,

Na verdade, o meu querido Orelha, um dos jogadores mais fantásticos que vi em ação, não era um meia-armador autêntico. Mas, sim, um ponta-de-lança fatal, com seus morteiros devastadores e seus dribles curtos, desconcertantes, herdados do salão.

Gérson, sim. Assim como Didi, Zizinho, Ademir da Guia e tantos outros menos dotados.

Não se trata aqui, pois, de grau de talento, mas de características naturais do jogador. O armador, antes de tudo, é cerebral O ponta-de-lança, é basicamente instinto e habilidade. E Ronaldinho é a quintessência do talento intuitivo. Pelo menos, até agora.

Ganso, por exemplo, é um armador nato, Ronaldinho não. Mas, Ganso está fora de combate, e o que resta a Mano Menezes é encontrar-lhe um clone.

Difícil, nesta quadra da vida do futebol brasileiro, tão voltada a produzir volantes e meias ofensivos, passando por cima dos armadores.

Mas, insisto: gostaria de ver um jogo inteiro com a camisa canarinho titular o menino Oscar nessa função, que tão bem desempenhou no Mundial Sub-20, embora não jogue assim no Inter.

De qualquer forma, neste futebol sem sintonia fina, esse quarteto ofensivo do Brasil pode nos proporcionar momentos de êxtase até. Bola, essa turma tem, sem dúvida.

Ou, pelo menos, mais sugestiva do que aquela formação com três volantes, um meia e dois atacantes convencionais.

É, na teoria, um encontro entre o discurso inicial de mano Menezes e sua aplicação em campo. Se vai dar certo, é outro departamento.

MAIS UM

Sandro Moreyra, pra quem não sabe, foi um dos grandes cronistas esportivos do pedaço. E um tremendo gozador.

Certa tarde, vagávamos pelo centro de Lisboa, quando Sandro estancou diante de um teatro, cujo cartaz anunciava a atração da noite: “Não perca. Esta noite, o Quarteto+1”.

Sandro, olhinhos vibrando de sacanagem, de imediato, enveredou em direção ao balcão de recepção, atrás do qual repousava um velho de boné xadrez conversando com outro, de terno e chapéus pretos, encostado à parede.

Sandro interrompeu o papo, com toda gentileza do mundo, e lançou a pergunta fatal: “Ó, patrício, diga-me, por que o Quarteto mais um? Não seria um quinteto?”

O velho lançou rápido olhar ao companheiro, teso, colado à parede, pensou um instante e respondeu: “Pois, sim. O quinteto! Deveria ser o Quinteto”

Quando saíamos, ouvi do amigo de preto repreender o velho: “Que diabos! São mais dois brasileiros a chamar-nos de burros!”

Não era o caso, pois é praxe essa expressão quando um quarteto de cordas recebe o apoio de um instrumento de sopro, flauta, sax etc.

E o que isso tem a ver com nosso assunto banal? Nada e muito.

Pois, para que o quarteto de ataque da Seleção dê certo é fundamental que mais um cumpra sua função. No caso, Luiz Gustavo, que estreia desde o início com a camisa canarinho.

Aliás, isso também vai depender da reação do estreante na Seleção – o volante Luiz Gustavo, que terá sua primeira chance como titular desde o início.

Ao contrário de Ramires, que ocupou essa posição a maior parte do comando de Mano, Luiz Gustavo é mais lento nos movimentos. Mas, o craque do Bayern de Munique tem outras compensações. É mais exato no passe e possui um excelente senso de colocação.

Vindo de trás, pode muito bem ajudar Ronaldinho na construção das jogadas de ataque.

Só vendo.

Notas relacionadas:

  1. ROBINHO OU JÚLIO BAPTISTA?
  2. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  3. NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 1 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 22:04

JOGO DE CAMPEÕES

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Foi um jogo lancinante entre o campeão brasileiro e o da América, que terminou sobre o fio da navalha naquele gol redentor de Márcio Rosário, já nos descontos.

E, se o primeiro tempo foi lá e cá, com gols de Neymar para o Santos e de Marquinho para o Flu, o segundo seguia mais manso, até as mudanças feitas pelos dois treinadores e a expulsão de Digão.

No Flu, a entrada de Deco instilou uma dose de talento extra no meio de campo tricolor, e a de Sóbis, mais contundência ao ataque – não por acaso, o gol de desempate veio do pé direito de Sóbis, uma bomba no ângulo, de fora da área.

No Peixe, Renteria e Ibson dinamizaram a armação e o setor de finalização da equipe. Também não foi por acaso que Renteria acertou aquele tiro rasteiro no canto de Cavallieri, estabelecendo o empate que parecia ser o placar final.

Mas, aí, já nos descontos, veio a bola alçada em escanteio por Sóbis que Rosário subiu no meio de seis defensores santistas e cabeceou sem pressão no cantinho de Rafael.

Assim, o Flu se aproxima da zona da Libertadores, enquanto o Peixe cai naquela região cinzenta onde não habitam nem o perigo, nem a ambição.

REINO DA INTRIGA

O jogo em si e seu resultado opaco – 1 a 1 – não provocou emoções extremas, nem para o bem, nem para o mal. O Verdão, na volta de Valdívia, enquanto o chileno teve fôlego, até que praticou um futebol de razoável pra bom, e conseguiu seu gol da maneira habitual – cobrança de falta de Assunção que o zagueiro desviou das mãos do goleiro.

E o lanterninha América fez o que pôde e colheu um resultado aceitável, enfim, no Canindé.

O que, porém, tomou conta da cena pós-jogo foi, mais uma vez, esse ti-ti-ti todo em torno da lei do silêncio imposta pelo Palmeiras a seus jogadores.

Sou de um tempo em que não havia essas frescuras, com o perdão da palavra. Imprensa, jogadores, cartolas, técnicos, trocavam ideias livremente, quando não confidências. Estas, obviamente passavam pelo crivo da consciência do repórter, que buscava mais acumular informações para entender a realidade e transmiti-la à opinião pública na sua versão mais verdadeira, do que em espalhar fofocas, até mesmo deformando declarações destes ou daqueles para obter repercussão cada vez maior.

Ah, sim, também havia os fofoqueiros de plantão, os comentaristas do escândalo, que emitem opiniões bombásticas só para colher a repercussão, e tal e cousa e lousa e maripousa. Isso, sempre houve e haverá.

Hoje, com a interatividade oferecida pelas tais redes sociais, então…

Nessas circunstâncias, pode até se explicar essa lei do silêncio imposto na Academia Verde, que vive sob o reinado da intriga há muito tempo.

Inaceitável, porém. Ainda mais por se tratar, na verdade, de uma pegadinha, uma cilada armada para capturar e exterminar aquele jogador que, por acaso, não reze na cartilha do técnico.

Isso, Felipão deixou bem claro na entrevista depois do jogo, ao enfatizar que nenhum jogador está proibido de falar à imprensa fora dos portões da Academia. Melifluamente, incitou até os repórteres a apelarem para esse expediente. E acrescentou: de fato, quer é saber quem vai dizer algo que fuja ao que está estabelecido por ele e pela diretoria.

Isto é: o que seria água vira lenha jogada na fogueira da intriga que arde na Academia.

Uma pobreza de espírito que rasteja abaixo até do padrão técnico da equipe.

A VOLTA DO FABULOSO

Luís Fabuloso está confirmadíssimo para o clássico com o Flamengo, num Morumbi lotado, e o Imperador Adriano, depois de cogitado para jogar meia horinha, ao menos, foi vetado para a partida contra o Vasco, que vale a liderança e muito mais, dependendo de seu desdobramento.
Seriam duas atrações extras da rodada de fogo do Brasileirão que começa a entrar em sua reta final. Dois centroavantes de Copa do Mundo que vêm de longa recuperação de graves lesões.

Pelo que se sabe, Luís Fabiano está um passo adiante de Adriano nessa corrida pela plena reabilitação. Já vem treinando com bola há umas duas semanas e andou marcando gols em coletivo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, evidentemente, não estará nos trinques totais. Haverá de faltar-lhe ritmo de jogo, além de certa preocupação com possíveis lesões musculares decorrentes do longo tempo sem atividade regular, muito comum nesses casos.
Mas, o bicho é uma máquina de fazer gols, esteja ou não na plenitude de sua forma física e técnica.

Ademais, a sua simples presença em campo, por estilo e função, muda a face do Tricolor. Embora se movimente muito, Fabuloso é um centroavante genuíno, daqueles que estão sempre a postos para dar o golpe fatal na área, seja por baixo, seja pelo alto.

O técnico Adílson Batista esconde a nova formação do time que começará o jogo vital para as pretensões tricolores em relação ao título, mesmo porque poderá contar novamente com Dagoberto, o artilheiro da equipe até aqui. E, com Lucas, ainda mais animado pela bela participação na vitória do Brasil contra a Argentina, quando marcou um golaço.

Não creio, pois, que Adílson seja tão cauteloso a ponto de colocar no banco um desses dois, que, por certo, dariam suporte maior ainda a Luís Fabiano, lá na frente. Mesmo porque o Tricolor joga em casa, diante de uma torcida delirante, e precisando vencer para permanecer na cola dos líderes.

Denílson está disponível; Casemiro é essencial; Carlinhos Paraíba e Wellington dinamizam o meio de campo tricolor; Cícero é o que mais se assemelha a um meia-armador, carência crônica do São Paulo; e ainda temos aí Rivaldo, inflado pela torcida e pelos gols estratégicos marcados neste Brasileirão, que clama por jogar desde o início.

Some aí, amigo: seis para três vagas.

Êta dilema delicioso! Mas, igualmente, traiçoeiro, se o técnico errar na conta.

VALE LIDERANÇA

Quanto ao aproveitamento de Adriano em São Januário,  Tite preferiu adiar a estreia do Imperador, mesmo porque, se não terá o Xeique, vítima e réu daquela expulsão estúpida no último jogo, poderá contar com Liedson, liberado pelo tribunal do segundo jogo de suspensão. E isso conta muito.

Não sei, entretanto, se a simples presença do artilheiro bastará para inverter o favoritismo do Vasco, que ainda ontem pôde já contar com Felipe, Alecssandro e Eder Luís no seu treinamento. Três reforços de peso que se juntarão a Juninho Pernambucano, Diego Souza, em fase esplêndida, e cia. bela.

Não vai ser fácil a vida do time na Colina. Todavia, se conseguir vencer e recuperar a liderança.
Aí, então, com Adriano já mais readaptado ao time e à bola, a história do Brasileirão poderá muito bem ter outro desfecho.

Notas relacionadas:

  1. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
  2. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
  3. JOGO FATAL
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 29 de setembro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 16:55

DE OLHO NO FUTURO

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Na verdade, o que mais me chamou a atenção na vitória brasileira sobre os argentinos nem foi tanto o golaço de Lucas, ou a bela estreia de Cortês, tampouco, as seguras e plásticas intervenções de Jefferson, quando exigido, esses destaques todos do Brasil nessa partida.

Tudo isso faz parte, claro. Lucas, por exemplo, sei que merece de Mano um cuidado especial, enquanto Cortês passou-me a sensação que terá futuro mais promissor na Seleção até do que o tão decantado Marcelo, do Real. E Jefferson, nessa toada (e é bom sempre lembrar que a tendência do goleiro é melhorar com o passar dos anos), acabará tomando conta da posição.

Entretanto, o que mais tocou minha expectativa com relação ao futuro da Seleção foi, além da formação mais ofensiva do time, com apenas dois volantes de ofício, em certos momentos, a química que se criou entre Neymar, Lucas e Ronaldinho, aquela conversa cifrada dos craques, um código fora do nosso  entendimento, pobres mortais.

Foram poucos e rápidos lances, mas que sugerem muito para o futuro do time de Mano, quando o treinador puder afiar o conjunto com mais acuro e tempo.

Falo desses três, mas vale lembrar que Borges e Diego Souza, quando entrou, também mostraram sintonia com esse estilo de jogo. Assim como, certamente o farão Robinho, Kaká, que começa a recuperar sua forma no Real, Ganso, enfim, esses caras que jogam e pensam o jogo.

Isso, sem falar nos craques que ainda estão por florescer no futebol brasileiro até a Copa do Mundo. Pegue-se como exemplo esse Cortês, que, no início do ano era um Zé Ninguém, escondido nos interiores fluminenses. E, de repente, surge no Botafogo como uma estrela nascente.

Desde que Mano aposte, contra grandes ou pequenos, amistosos ou torneios pra valer – como a Copa das Confederações que se avizinha -, numa formação com quatro jogadores de frente, entre meias e atacantes, de alta qualidade técnica, mais cedo ou mais tarde, nos reencontraremos com nosso verdadeiro desígnio. E, aí, sim, será uma festa.

O CASO BRENO

O caso Breno é confrangedor. Poucas vezes vi um zagueiro-menino revelar tão cedo tanto potencial. Alto, forte, bom no cabeceio, atrás e na frente, veloz, dono de técnica rara, ainda garoto de tudo, assumiu um lugar entre os titulares do São Paulo, tomou conta da área, foi chamado para a Seleção e via diante de si um futuro deslumbrante.

Aos 17 anos, foi para o Bayern de Miunique, e…sucumbiu à reserva, ao empréstimo para o Nuremberg e, na volta a Munique, à uma contusão que o prendeu à enfermaria do clube por mais de dez meses, sem perspectivas à vista.

Dizem que o rapaz naufragou na depressão, pela contusão renitente, por um casamento infeliz, por isso, por aquilo, aquelas todas adversidades que nos esperam traiçoeiramente atrás da próxima esquina.

Resultado: acabou algemado e preso, acusado de ter ateado fogo em sua própria casa, num momento de desespero.

Nem sei se isso tem fundamento, pois o caso está sob averiguação policial e dos peritos em incêndios. Confesso que tenho minhas dúvidas se Breno viveria esse constrangimento, sendo culpado ou não, fosse branco e instruído alemão.

Segundo algumas parcas informações que nos chegam de Munique, foi constatada uma alta dosagem de álcool no sangue do craque, o que nos permite supor que a coisa toda tenha sido acidental.

De porre, acossado pela solidão na casa vazia, deprimido por eventual separação da mulher e dos filhos, pela lesão que não se cura, pela redução drástica de seu salário, pelos malfeitos do destino, enfim, Breno poderia ter posto fogo no navio em alto mar – a casa, seu último reduto firme e seguro num mar de incertezas mortais.

De qualquer forma, é óbvio que Breno carece menos da prisão do que de uma clínica especializada em depressões.

E, aqui, só nos resta torcer pra que consiga renascer das cinzas, pois a vida, meu caro, é dolorosamente longa, mas, cheia de momentos prazerosos também.

Notas relacionadas:

  1. OLHO NA ESQUERDA
  2. DE VOLTA AO FUTURO
  3. BI MESSI
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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 00:33

SEM NEYMAR, 0 A 0, CLARO

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charge do iG Esporte

Neymar sucumbiu à marcação cerrada dos beques do Peñarol e, sobretudo, do juiz paraguaio. Logo, o empate por 0 a 0 era inevitável. Melhor para o Santos do que para o Peñarol, claro., pois aumentam as chances de o Peixe, no Pacaembu, levantar a taça continental pela terceira vez em sua existência.

Mesmo porque, no jogo da volta, deverá ter novamente Ganso em campo. E Ganso anda fazendo uma falta danada, apesar dos bons resultados obtidos pelo Santos na sua ausência.

Nesta noite de quarta, então, isso não podia ser mais flagrante. Sem Neymar infernizando lá na frente, restava o jogo coletivo com algumas centelhas ao menos e criatividade no meio de campo, já que a defesa cumpria estoicamente seu papel. E foi justamente o que faltou, embora Arouca, Danilo e Alex Sandro, sempre que possível, investiam pelo meio ou pela ala esquerda com propriedade.

Mas, esse é um jogo feito de espasmos, não aquele envolvente toque de bola, os passes exatos, essas coisas que diferem o time de excelência do time normal.

Claro, houve duas chances claras de gol perdidas por Zé Love, assim como outras duas por parte dos uruguaios, além daquele gol anulado com precisão pelo bandeirinha. Mas, pouco para partida de tamanha importância, principalmente para o Peñarol, que jogava no seu campo esburacado, embora digam que ele atue melhor fora de casa.

De qualquer forma, vale ressaltar, além dos três já citados, a presença serena e atenta de Rafael sob a trave, serenidade até surpreendente para tão jovem goleiro.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR FILHO POR NEYMAR PAI
  2. O CASO NEYMAR
  3. CASABLANCA, NEYMAR E GANSO
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segunda-feira, 6 de junho de 2011 Ex-jogadores, Seleção Brasileira | 17:17

DO FENÔMENO À ENCRENCA

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Nunca um apelido coube tão bem num jogador de futebol como o Fenômeno do Ronaldo. Fenômeno de superação nas adversidades intermitentes sofridas em sua cintilante carreira. Fenômeno no trato com a bola e na intimidade com o gol. Fenômeno na quebra de tantos recordes. Fenômeno de marketing, capaz de tirar de letra várias situações constrangedoras, suficientes para arranhar a imagem pública de qualquer um, definitivamente. E, por aí, vai.

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Mano orienta Neymar na véspera de Brasil x Romênia: técnico não está preocupado com festa para Ronaldo, mas sim com a Copa América (AFP)

Portanto, nada mais justa do que essa homenagem que lhe será prestada amanhã, no Pacaembu, na sua despedida oficial da Seleção Brasileira, no amistoso contra a Romênia.

Mas, passados os dez, quinze minutos de tributo ao craque, voltemos nossos olhos para a Seleção de Mano, que inicia sua entrada no funil em direção à Copa América.

Nosso time sofrerá várias mudanças, sobretudo na defesa, com as dispensas de Júlio César, Daniel Alves e Lúcio. Até aí, nenhum problema aparente. Os três goleiros reservas – Victor, Fábio e Jefferosn – estão prontos para substituir Júlio César a qualquer momento.

Maicon, um dos destaques da Inter, reassume simplesmente o posto que foi seu no período todo em que Dunga esteve comando o time nacional. E David Luiz, guindado à zaga titular por Mano, na fase em que Lúcio não vinha sendo chamado, não só foi muito bem com a canarinho, como acaba de ser eleito uma das grandes revelações do futebol inglês.

Assim como a dupla de volantes – Lucas Leiva e Ramires – tem dado conta do recado.

A encrenca começa aqui, no chamado terceiro homem de meio de campo, onde Ganso tem cadeira cativa, desde que possa jogar. Afinal, foi o único meia autêntico, com poder de organização e de criação superior, que entrou no time e resolveu logo de cara.

Mano, seguindo o roteiro por ele estabelecido no início de seu trabalho, na ausência forçada de Ganso, passou a testar alguns meias que poderiam fazer esse papel: Douglas, Renato Augusto e Jadson, se não me escapam outros, por exemplo. Não funcionou.

Então, animado pelo ótimo desempenho de Elano nos três primeiros meses da temporada, na sua volta ao Santos, Mano resolveu dar um passo atrás na sua proposta, escalando um terceiro volante por ali.

Há quem garanta ser Elano um meia genuíno. Não concordo. Mas, nem talvez seja esse o caso, pois Elano tem bom passe, experiência, e bate na bola como poucos de longa e média distâncias, assim como é mestre em bolas paradas. Mas, já nos últimos tempos vem revelando lentidão excessiva e pouca participação nos jogos, seja defendendo, seja armando.

Se quiser reornar ao caminho inicial, cabe ao treinador brasileiro, escolher entre estas alternativas para a posição, no elenco atual: Anderson ou Thiago Neves.

Anderson leva a vantagem de ser mais solidário na marcação e no fechamento dos espaços na nossa intermediária. Thiago, porém, é aquele canhoto de drible fácil e chute potente.

Há, porém, outra possibilidade: Lucas, que tem atuado, mais ou menos, como esse meia no São Paulo, embora não seja seu perfil futebolístico. Lucas é mais chegado ao drible e à condução de bola.

Na cabeça de Mano, a posição ideal de Lucas é no ataque, ali pela direita, fechando para o meio, quando o time estiver sem a bola. Bem pensado. Isso, porém, implicaria ou na saída de Robinho, ou na ausência de um centroavante típico.

Quanto a este, Fred desperdiçou sua chance diante da Holanda. Portanto, a hora, agora, é de Leandro Damião. O certo mesmo é que Neymar segue firme lá na frente. E nem poderia ser de outra maneira.

De qualquer jeito, não gostaria de estar nas botas de Mano, como diria aquele velho texano.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. SELEÇÃO PREVISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 4 de junho de 2011 Sem categoria | 18:57

MANO E O LUGAR-COMUM

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Por Milton TrajanoO Brasil começou e terminou o jogo contra a Holanda, sob vaias da torcida no Serra Dourada, com três volantes. Quer dizer, só não terminou com três volantes porque Ramires foi expulso. E, na maior parte do tempo, foi aquele ramerrão, muito pega-pega no meio de campo e raras emoções no ataque.

Houve, apenas um breve momento em que a Seleção Brasileira quebrou o lugar-comum e criou uma série de boas oportunidades, com Robinho, Neymar etc., no início do segundo tempo, sobretudo, depois da entrada de Lucas no lugar de Elano.

Mas, logo, Mano retornou ao esquema com três volantes, ao trocar Robinho por Sandro, o que animou a Holanda  a se aventurar ao ataque.

Ao assumir a Seleção, Mano deu sinais de que não só promoveria uma reformulação de elenco, mas, principalmente, de mentalidade, mudando a forma de nosso time jogar. Mas, aos poucos, começou a refluir para o clichê convencional de nossos times e até mesmo da Seleção que disputou a Copa do Mundo na África.

Fórmula que contraria inclusive sua maneira de pensar. Ainda é tempo de Mano escapar dessa armadilha ardilosa, aquela que recomenda não correr riscos para não criar marolas. Ao contrário: as vaias do Serra Dourada refletem bem que o torcedor brasileiro já está de saco cheio com esses sistemas em que a cautela pragmática submete a aventura e a imaginação, atributos eternos de nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO
  2. O MODERNO E O ANTIGO
  3. E PODE?
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  1. Primeira
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