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10/07/2009 - 15:11

RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO

Imagino a torcida colorada rubra de vergonha e indignação por mais uma perda significativa do Inter neste semestre: depois da Copa do Brasil, para o Corinthians, a Recopa, diante da pálida LDU, em Quito. Nem tanto pela derrota em si, mas, sobretudo, pela forma como o Inter se conduziu lá, sem um pingo de força ou talento, dois quesitos que chegaram a elevar o time à condição de melhor elenco do país ainda outro dia.

Dá-se, então, que o Inter volta a campo neste domingo, diante do Furacão, na Arena da Baixada, numa situação insólita: embora líder do Brasileirão, com todas as chances de levantar essa taça, jogará, sem dúvida, sob pressão extrema. Principalmente, o técnico Tit, ainda mais à sombra de Muricy, xodó do Inter, que acabou não caertando sua eventual ida para o Palmeiras.

Como todos sabemos, nessas circunstâncias, apesar de todas as declarações em contrário da diretoria do Inter, quem sempre paga a conta é o treinador de plantão, seja ele Tite, Muricy ou Luxemburgo.

MURICY E O PALMEIRAS

Confesso que me surpreendi com esse desfecho decepcionante da novela Muricy-Palmeiras, embora fosse clara certa relutância do treinador em pular assim de cara o muro que separa o CT do São Paulo do CT do Palmeiras, na Barra Funda.

Entre outras coisas porque sua profunda identificação com o São Paulo seria uma pedra no sapato constante: a qualquer tropeço, a já exigente torcida verde, sem falar nos tradicionais cornetas do Parque, jogariam na cara do treinador essa pecha.

Por outro lado, não me espantaria se o Palmeiras, ao longo da espera de um contato decisivo com Muricy, passou o tempo refazendo suas contas. Afinal, uma das razões fundamentais da demissão de Luxa, técnico com cartel muito superior ao de Muricy, era o alto preço que o Verdão pagava a Luxemburgo e sua corte, com retorno bem inferior ao esperado.

Resta, agora, ao Palmeiras procurar uma alternativa mais econômica. um desses treinadores menos badalados mas que emergem com boa figura no cenário nacional. Alguém como Dorival Jr., de passado ligado ao clube, como ex-jogador e sobrinho de um dos imortais do Palestra Itália – Dudu. Mas, Dorival está em plena atividade no comando do Vasco. Quem sabe, Silas, do Avaí?

Mas, algo me diz que os astros conspiram para dar a Jorginho, o interino, um tempo suficiente para acabar se acomodando no cargo. Se assim for, nosso Cantinflas terá de aproveitar bem a chance deste sábado, em casa, contra o Náutico. Uma vitória convincente poderá ser a primeira pedra do degrau. Nunca se sabe, pois tão volúvel é a alma do cartola como do torcedor.

PASSO ATRÁS?

Falando de Muricy, Palmeiras e São Paulo, é ijnevitável chamar à roda o novo técnico tricolor, Ricardo Gomes, que chegou ao Morumbi para mudar o braço da viola de Muricy. Tentou duas vezes, ganhou uma, perdeu outra, e agora parece estar disposto a dar um passo atrás nessa busca de uma nova maneira de o Tricolor jogar.

O São Paulo recebe o Flamengo no Morumbi. Um Flamengo motivado por já rondar o G-4, embora venha desfalcado de Ibson (despediu-se já dos companheiros), seu principal articulador de jogadas de meio-campo, de Juan, machucado, e, talvez, de Kleberson. mas, vem com o Imperador comandando a tropa lá na frente.

Talvez, até mesmo por temor da potência ofensiva de Adriano, é que Ricardo Gomes cogite da volta ao esquema com três zagueiros de ofício. Aliás, a bem da verdade, com a presença de Eduardo Costa á frente da zaga, no fundo, no fundo, o esquema com Ricardo Gomes não diferia muito daquele que Muricy aplicava nos seus últimos tempos de São Paulo.

Sim, claro, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A não ser quando a prudência se confunde com medo e o caldo de galinha, já passado, provoque azia. mesmo porque quem vai e volta a toda hora, acaba não saindo do lugar. E o lugar ocupado pelo São Paulo na tabela é, no mínimo, preocupante.

HORA H

Este é um clássico emblemático para os dois: para o Corinthians, o momento de dar o grande salto no Brasileirão, que lhe permitirá chegar definitivamente á zona de luta pelo título do Brasileirao; para o Grêmio, a oportunidade de fincar sua primazia no Olímpico, espantar eventuais fantasmas que rondam o clube neste semestre, além de pular para uma posição mais digna em relação à sua força e à sua tradição.

Afinal, o Grêmio, vencendo, daria um tapa de luva de pelica no eterno rival Inter, que acaba de perder a Copa do Brasil justamente para esse Corinthians, como ganharia um moral extra por bater aquele que é considerado o melhor time da temporada no país, até agora.

Quanto ao Timão, uma vitória mobilizaria ainda mais elenco, comissão técnica e torcedores nessa eventual arrancada em direção à terceira coroa.

Embora o Corinthians me pareça mais arrumado e incisivo do que o Grêmio, em clássicos desse porte, ainda mais sob o apoio delirante da torcida azul, nunca se sabe. 

 

 

 

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Treinadores Tags: , , ,
20/06/2009 - 12:52

MUITA VISAGEM E POUCA SUBSTÂNCIA

Fico só imaginando a cena: ao clarim da alvorada seguinte à queda de Muricy, Coronel Juju reúne a tropa, digo, a imprensa, saca do bolso do colete virtual um cartãozinho azul com bordas douradas, no mais rebuscado estilo rococó, onde se lê o nome do ungido a técnico do São Paulo - Ricardo Gomes -, e dispara, cabeleira branca esvoaçante ao vento da manhã gelada desta província altaneira e garbosa:

- Postura! – e repete, elevando o tom como se, fronte erguida, aumentasse alguns centímetros de altura, sobre um imaginário salto Luís XV – Postura!

É isso. Está desvendado o mistério da queda de Muricy, tricampeão brasileiro, feito inédito na história gloriosa do clube: postura, eis a palavra-chave.

Todos conhecem, se divertem ou se irritam, com a postura de Muricy, craque de refinadas criações com a bola, técnico vitorioso por onde tenha passado, mas tipo povão, desbocado, espontâneo, transparente, um tanto brega, que se expressa com as palavras que, ao longo da vida, colheu nas ruas, nos bares, nas intermináveis concentrações. Oh, como isso incomoda certa cartolagem de novos-ricos – alguns com diploma na parede -, que tanto aspiram a uma anacrônica aristocracia de botequim.

Agora, espie o amigo seu sucessor: cavalheiro de fina estampa, que fala francês e um português correto, veste-se na moda, e homem de caráter sem jaça, como diria Coronel Juju. Como figura humana, exemplar, sem a menor dúvida. E foi, é verdade, um excelente quarto-zagueiro, de nível de Seleção Brasileira.

Mas, e como técnico. Bem, é aí que a porca torce o rabo: dirigiu uma pá de times brasileiros, dentre os quais, Fluminense e Flamengo, além dos franceses PSG, Bordeaux e Mônaco. Em nenhum deu-se bem, sem falar naquele rotundo fracasso com a Seleção Brasileira Pré-Olímpica da qual tanto se esperava.

Sim, claro, todos devem ter outra ou mais chances. Muricy não teve: ao primeiro percalço, rua! Ricardo Gomes terá sua enésima chance, quem sabe, aquela que lhe dará impulso definitivo no ofício de treinador de futebol. Espero que sim, pela pessoa que é.

Mas, no fundo, no fundo, é tudo visage, que o malandro brasileiro traduziu para visagem, um truque de imagem destinada a enganar o otário de plantão.

Muita pose e pouca substância.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores Tags: , , ,
03/12/2008 - 16:43

DEPOIS, ELES RECLAMAM

Não sei por que mapa se guiou a CBF para indicar o caminho do Bezerrão ao jogo decisivo entre Goiás e São Paulo. Até onde sei, o regulamento, em casos como esse (interdição do estádio), o mandante punido deve jogar a, no mínimo, 150 quilômetros de sua sede.

Mas, esse mesmo clube não perde o direito de mando. Isto é: segue sendo responsável pela segurança, recebe a maior cota, determina o valor do ingresso e tal e cousa e lousa e maripousa. E escolhe o estádio onde mandará seu jogo, dentro dos limites estabelecidos pelo regulamento.

Antes de seguir adiante, quero dizer ao amigo que há mais de trinta anos defendo a tese de que, nesses casos, a punição deveria ser automática: o clube perde o direito de mando do jogo seguinte à interdição, e a partida é transferida para o campo do adversário da hora. Entre outras coisas, porque este não pode ser punido, tendo de jogar, muitas vezes, em regiões ainda mais distantes de sua própria sede, arcando com todos os custos de traslado.

Ah, mas isso poderia prejudicar terceiros, interessados naquele jogo específico, como seria no caso presente: se o jogo fosse transferido para o Morumbi, o grande prejudicado seria o Grêmio, claro.

O fato é que não é assim. E o Goiás segue sendo o mandante, com direito a escolher o campo fora de sua sede. Falou-se o tempo todo em que o assunto rolou no tribunal, que o jogo seria em Itumbiara, do que se queixava o São Paulo, pensando, à época, na hipótese de ter de ganhar do Goiás num campinho acanhado.

Fosse hoje, nas atuais circunstâncias, em que o empate de zero a zero dá o título ao Tricolor paulista, tenho minhas dúvidas se Muricy não estaria esfregando as mãos de felicidade. Afinal, é sempre mais fácil defender o empate num campo pequeno do que num grande, óbvio. 

Mas, enfim, no vaivém dos escaninhos do tribunal, lavrada a sentença, da manga de alguém da CBF saiu um Bezerrão, no Distrito Federal. Não se sabe por instâncias de quem, embora seja sugestiva a presença, na longa reunião com os cartolas do Goiás para discutir o preço dos ingressos, do atual governador de Brasília, político prodigioso, capaz de trocar, em pouco tempo, a pecha de deputado cassado (não me lembro se renunciou antes da sentença, mas isso é irrelevante) por falta de decoro parlamentar pela láurea de supremo mandatário do Distrito Federal. Graças, diga-se, ao voto popular, o que só aumenta seu prodígio.

Agora, o Grêmio ameaça entrar no STJD com liminar, impedindo a realização desse jogo no Bezerrão, sob a alegação de que o São Paulo, por isto ou por aquilo, estaria sendo beneficiado indevidamente.

Desconfio que isso não irá muito adiante, mas é só um palpite.

De qualquer forma, mais uma vez, cartolas, políticos e o tribunal conseguem a proeza de manchar o momento mais decisivo do Brasileirão, principal competição do nosso futebol. Depois, ficam todos se lamentando que nossos craques, futuros craques, proto-craques, possíveis craques, craques ainda em cueiros, se mandam a cada dia, que os clubes vivem à míngua, que nosso campeonato é visto de relance no resto do mundo etc, etc.

Errata: Este texto foi corrigido, depois de sua publicação inicial, onde, inadvertidamente, eu culpava o tribunal pela escolha do Bezerrão como palco do jogo decisivo entre Goiás e São Paulo. Peço desculpas aos bloguistas e ao tribunal pelo erro.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
20/11/2008 - 16:36

DUNGA, CAI OU NÃO CAI?

E, agora, Dunga não cai mais?

É possível. Não, definitivamente, até a Copa do Mundo. Mas, por mais um bom tempinho, provavelmente.

Nem tanto pela exibição do time e a subsequente goleada sobre Portugal. Isso não seria decisivo para alterar possível tendência da CBF em defenestrá-lo, caso a entidade fosse um colegiado racional, isento, capaz de computar em detalhes os prós e os contras sobre a manutenção ou substituição do treinador.

Mas, a CBF não é isso. A CBF é Ricardo Teixeira, que herdou de seu ex-sogro João Havelange não só o trono como a pose imperial. É ele, somente ele, quem decide o que fazer, de acordo com seu humor e todas as idiossincrasias que compôem a personalidade de cada um de nós.

E, como todo poderoso, gosta de contrariar o senso comum, pois isso o difere dos demais, mantendo a devida distância aos simples mortais que timbra ainda mais seu poder.

E, sobretudo, jubila-se ao negar a migalha da concordância aos que ele considera seus inimigos.

DUnga

O que eu quero dizer vai parecer tão bizarro como irrelevante para o amigo. Mas, relato a linha dos acontecimentos para tentar explicar-me.

Antes mesmo dos dois últimos jogos das Eliminatórias, recebi a confirmação, por parte de quem está nas entranhas da Seleção, de que Dunga já havia queimado seu filme na CBF. Não se trata de ilação, mas de informação. E que a comissão técnica não viraria o ano. Informação confirmada, mais tarde, por outra fonte muito ligada a Ricardo Teixeira, que me permito a preservar, na certeza de que estes anos todos de prática jornalista o sigilo nem de longe me leva à leviandade ou à ingenuidade.

Eis, porém, que meu chapinha Renato Maurício do Prado, em sua coluna n’O Globo, e, em seguida, no Bem, Amigos, revela detalhes da queda de Dunga e de seu sucessor, Muricy, com detalhes que escapam à pura imaginação, embora surpreendentes – Muricy seria anunciado na festa da entrega dos prêmios da CBF.

Tal revelação provoca um charivari do diabo nos meios de comunicação.

Na véspera do jogo com Portugal, Milton Neves, na Band, revela que, numa breve conversa telefônica com Ricardo Teixeira, recebeu do presidente da CBF enfática negativa: Dunga não sai!

Preste atenção: antes da bela exibição do Brasil e da goleada sobre Portugal.

Ora, quem conhece um tostão dos bastidores do futebol sabe muito bem que Renato Maurício do Prado não é dos jornalistas mais bem quistos por Ricardo Teixeira, como, de resto, este que aqui está, sem falar em Juca Kfouri, seu desafeto declarado e litigante.

Faço este relato um tanto longo para dizer que não me surpreenderia nem um pouco se a eventual prorrogação do mandato de Dunga no comando da Seleção se dê menos por convicção de Ricardo Teixeira sobre a excelência do trabalho do treinador do que para contrariar a informação adiantada por um seu inimigo.

Não, amigo, não sorria assim, com desdém. São tantos os exemplos em que as idiossincrasias do homem superam suas convicções, que nada disso é viagem de um outonal cronista em tarde primaveril.

Uma charge após Brasil 6 x 2 Portugal

Uma charge após Brasil 6 x 2 Portugal

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , ,
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