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quarta-feira, 11 de maio de 2011 Copa do Brasil, Futebol internacional, Libertadores | 17:34

PEIXE, ALÉM DAS ADVERSIDADES

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Diante de todas as adversidades que o Santos teve de enfrentar, a vitória por 1 a 0 sobre o Once Caldas, em Manizales valeu por uma goleada. Sobretudo, porque o Peixe, a maior parte do tempo, pôs a bola no chão, envolveu o adversário, correu poucos riscos, a não ser aquela pressãozinha de final de jogo, natural nessas circunstâncias, e até poderia ter ampliado o placar em dois lances, pelo menos.

Falo, claro, daquela chegada de Alan Patrick diante do goleiro e da cobrança de falta por Elano que se chocou com a trave.

Quanto ao gol marcado, mais uma vez nasceu da clarividência de Neymar, que percebeu a entrada pela esquerda de Alan Patrick e serviu-lhe de colher para o substituto de Ganso mandar a bola às redes colombianas.

O mesmo Neymar, que, apesar do evidente cansaço, protagonizou os lances mais inventivos, quando não hilariantes, da partida, além de ter dado a assistência para o gol e provocado a expulsão de Calle, o que, óbvio, facilitou as coisas para o Santos.

A propósito, aliás, vale dar os parabéns ao técnico Muricy, que, além de armar bem seu time, principalmente, o sistema defensivo, só foi apelar para o terceiro zagueiro já lá perto dos acréscimos, quando Elano arriara de vez.

Agora, resta reunir as tais forças extras para decidir o Paulistão na Vila com o Corinthians e pegar, em seguida, o Once Caldas, no jogo da volta, reavivando na memória a trágica noite de quarta do Cruzeiro, frente ao mesmo time.

Depois, se tudo der certo, aí, sim, celebrar, e juntar os cacos para o que der e vier..

A CARROÇA E O BONDE

A Carroça sem Freio abalroou o Bonde sem Freio, acreditem!, e tirou o técnico Luxemburgo dos trilhos, que saiu atirando sobre o juiz e o chefe da arbitragem da CBF.

E olhe que o Flamengo teve a classificação às semifinais da Copa do Brasil a seus pés até a metade do primeiro tempo, quando disparou 2 a 0, ambos de Thiago Neves (o primeiro, um primor de técnica e reflexos).

Momentos em que Ronaldinho Gaúcho, o R-10, produziu seu melhor futebol desde que desembarcou na Gávea. Dentre eles, o passe pelo alto para Thiago Neves marcar o primeiro gol.

Mas, aos poucos, sobretudo depois da entrada de Osvaldo no lugar de Vicente, o Ceará reagiu, sob o comando do veteraníssimo Geraldo, o G-10 do Ceará – um canhoto prodigioso que até hoje não sei por que nunca foi contratado por um dos grandes do Rio, de Minas, do Rio Grande ou de São Paulo.

E, via Washington, aquele mesmo ex-Palmeiras e tantos outros clubes, empatou o jogo, placar suficiente para seguir adiante na Copa do Brasil.

A propósito das extremadas reclamações do técnico Luxemburgo e dos jogadores flamenguistas, quero dizer que não vi irregularidade nenhuma no segundo gol do Ceará, tampouco questiono a expulsão de Angelim, pelo segundo cartão amarelo que avermelhou o defensor rubro-negro.

Foi, de qualquer forma, um jogo disputado no fio da navalha, que poderia ter sido vencido por um dos dois sem causar espanto algum. Mas, o mais comovente foi realmente a participação da torcida do Ceará – um show de empolgação e alegria.

QUEDA DO ULTIMO INVICTO

Claro, não se podia esperar que o Palmeiras conseguisse, no mínimo, alcançar o mesmo placar bizarro obtido pelo Coritiba no Paraná. Mas, jogando no Pacaembu, ainda que pleno apenas de protestos das tais torcidas uniformizadas, bem que o Palmeiras poderia fazer o que fez – vencer o Coxa, por 2 a 0, quebrando a histórica sequência de vitórias dos paranaenses.

Foi na base de muito empenho e pouca técnica, mas foi. Não compensa, nem consola, mas, pelo menos, ameniza.

Pior para o Palmeiras não é a lembrança da goleada passada, mas do nebuloso futuro em relação ao sagrado Jardim Suspenso em ruínas.

Não é crível que cartolas de um clube que já foi exemplo de administração num passado remoto e empreiteiros de renome cheguem a esse extremo: derrubar um estádio, com o objetivo  de construir outro em seu lugar, e, por falta de entendimento entre as partes, o que deveria estar definido, tim-tim por tim-tim antes da primeira marretada, no papel e nas mentes dos dois contratantes, tudo estanca e o futuro fica pendurado no ar.

Um absurdo jamais visto em lugar nenhum.

BARÇA, TU É O MAIÓ!*

De nada valeu o Real golear o Getafe na véspera, a não ser impulsionar Cristiano Ronaldo para a liderança da tabela dos artilheiros, com seus quatro gols no jogo.

Pois, o Barça sacramentou o título espanhol, o terceiro em seguida, diga-se, com o empate por 1 a 1 contra o Levante. Empate, aliás, fruto de duas ciladas do destino: a falha de Piqué, o impecável Piqué, no gol de Caicedo, do Levante, e aquela bola no poste de Messi, que, depois de driblar quatro adversários, tocou no canto, por baixo do goleiro.

Seria o gol mais emblemático, a coroar a conquista do melhor time do mundo nos pés do melhor jogador do mundo, em jogada que ele reproduziu à exaustão ao longo de toda a temporada.

Como emblemático foi o gol do Barça, o passe pelo alto de Xavi, o centro nervoso dessa maravilhosa equipe, para o cabeceio de Keita. Esse Xavi que passa meses sem errar um passe, justamente o mais fundamental requisito de jogo da bola.

Aliás, a troca de passe, um-dois, sincronizado, hipnótico, de uma constância inalterada, seja em casa ou no campo inimigo, em qualquer competição, é o atributo mágico desse campeão histórico, pois, inscreve-se já na galeria dos maiores times de todos os tempos.

Veja só o amigo. O Barça jogava por um empate para levantar a taça, contra o pequeno Levante, mas no campo adversário, acossado pela aproximação do maior rival, o Real. Contudo, em nenhum momento da partida, recuou suas linhas, para jogar pelo resultado. Nem quando abriu o placar, nem quando tomou o gol de empate.

Só no finalzinho do jogo, ficou ali na sua intermediária trocando passes, mesmo porque o Levante não esboçava o menor interesse em mudar o cenário já estabelecido, com medo de levar o gol de desempate.

De resto, postou-se, como sempre, lá na frente, naquele toque-toque proverbial, em busca da brecha perfeita para tentar a conclusão. Apelar? Jamais! Basta isto: já lá pelos 23 minutos do segundo tempo, jogo empatado, sabe quantas faltas o Barça havia cometido? Três. Isso mesmo, três faltas num jogo decisivo e no campo do oponente.

Ah, sim, e com Mascherano no time, meu!

Se vai exorcizar os Diabos Vermelhos, no sagrado templo de Wembley, não sei, pois o Manchester United é outro departamento. Mas, que merece, ah, disso não tenho a menor dúvida.

*Esse era o bordão do saudoso Brandão Filho no popularíssimo humorístico do rádio e da tv dos anos 50/60, Balança, Mas, nao Cai. No Rio, era Mngo, tu é o maió! Em São Paulo: Curintia, tu é o maió!

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  3. PEIXE, UFA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

terça-feira, 3 de maio de 2011 Libertadores | 15:48

PEIXE, UFA!

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O Peixe passou, mas, que sufoco, meu!

Não fossse a noite inspirada do jovem goleiro Rafael, tão criticado por parte da torcida, e o América do México teria ficado com a vaga ma Libertadores, em Querétaro. Basta dizer que fez, por baixo, umas cinco defesas providenciais, sem falar na bola no poste, no primeiro tempo.

Em contrapartida, o Santos só atirou aquela bola na trave, em cobrança de falta de Ganso, no início do segundo tempo. De resto, ficou lá atrás, em bloco, se defendendo. Atitude que tem lá suas razões: além da estafante viagem, a ausência de Elano, a contusão de Arouca e a pressão do empate que lhe abriria passagem para a próxima fase.

O importante foi a calssificação. Agora, é respirar fundo e partir para a decisão do Paulistão contra o Corinthians.

Ufa!

OS MILAGREIROS

Dos quatro brasileiros que entram em campo, pela Libertadores nesta quarta-feira, os dois mais a perigo, claro, são Grêmio e Fluminense, entre outras coisas porque jogam fora. E, dentre esses dois, a tarefa parece mais árdua caberá ao Grêmio, porque, vai pegar um adversário qualificado, o Universidad Católica, que, por sinal, bateu outro dia o Tricolor Gaúcho por 2 a 1, em pleno Olímpico.

Pior ainda, o Grêmio carrega para o Chile a perda recente da Taça Farroupilha para seu eterno rival, o Inter, e com seu artilheiro, Borges, sob intenso bombardeio, pela expulsão no jogo com os chilenos e a perda de pênalti na decisão contra o Colorado.

Não é mole, não, meu camaradinha. Mas, é sempre bom lembrar que o Grêmio, em sua história mais recente, tem produzido alguns milagres que lhe valeram o título de Imortal. Como tal…

Assim como o Fluminense, que já parecia morto e enterrado na Libertadores, e, de súbito, renasce das cinzas vai para o Paraguai com a vantagem de dois gols sobre o Libertad e todas as esperanças do mundo.

Pena que deixasse na esteira, no Rio, o múltiplo Souza, por mera questão de “otoridade” do técnico iniciante, Enderson Moreira. Souza sempre foi boquirroto, mas, numa hora dessas, o verdadeiro chefe bota os interesses do time acima de suas próprias susceptibilidades, e tira de letra qualquer mal-entendido. E, o Flu, nessa caminhada pela Libertadores, não poderia abrir mão de um jogador tão experiente e versátil como Souza. Enfim…

Cruzeiro, o melhor time da América, recebe em Sete Lagoas, o Once Caldas, enquanto o Inter, que vai tomando forma nas mãos de Falcão, estimulado pela conquista da Taça Farroupilha diante do Grêmio, pega o Peñarol, no Beira-Rio.

Favas contadas? Praticamente. Sempre, porém, dando aquele espaço para o tal de imponderável se movimentar em campo, quando menos se espera.

O Cruzeiro, além de contar com a vantagem dos 2 a 1 obtidos lá, leva pra campo esse desejo insopitável de marcar gols, quanto mais, melhor. Isso é sempre muito animador.

Quanto ao Inter, basta-lhe um empate por zero a zero para seguir em frente. Pouco, mas pode ser o suficiente, pois, se o primeiro tempo, no estádio Centenário, foi todo do Peñarol, no segundo, o Colorado ergueu a fronte e Leandro Damião cuidou de empatar tudo em 1 a 1, sobretudo depois da entrada do menino Oscar no lugar de Sobis.

Algo, porém, me diz que o Inter não jogará pelo empate de zero a zero, e chegará até a uma vitória convincente. Tem time pra isso.

A ESTREIA DO FABULOSO

Ele ainda não está nos trinques, recuperando-se de lesão no joelho. Talvez, nem aguente os 90 minutos. Mas, trata-se de Luís Fabiano, o Fabuloso para a torcida tricolor, que estreia nesta quarta-feira contra o Avaí, pela Copa do Brasil, no Morumbi.

E estreia ao lado de Dagoberto, em fase esplêndida, mas sem o apoio de Lucas, o menino-sensação do Tricolor, que segue no estaleiro.

São Paulo e Avaí vêm de frustradas tentativas nos estaduais – o Avaí empatou com o Chapecoense e ficou de fora da disputa do título catarinense, e o São Paulo levou chumbo do Santos e também saiu do páreo pela faixa de campeão paulista.

A diferença é que o Avaí vem destroçado pelas punições impostas a seus jogadores – sobretudo, Marquinhos, o cérebro do time –, em razão da briga generalizada com seus colegas do Botafogo, no último confronto pela Copa do Brasil.

Visto assim, o jogo está muito mais para o Tricolor paulista.

EM CAMPO, A REAÇÃO

Furacão e, como querem os mais jovens, Gigante da Colina fazem o outro jogo da quarta pela Copa do Brasil. Ambos ainda tentam cicatrizar as feridas das eliminações recentes em seus respectivos campeonatos estaduais, diante dos principais rivais.

O Vasco, que vinha em franca ascensão, entregou o ouro ao Flamengo, nos pênaltis, e o Atlético PR se remói de inveja do seu tradicional adversário, o Coritiba, que vai somando recordes impressionantes nesta temporada.

Os dois, portanto, encaram este jogo como a grande oportunidade de dar uma volta por cima em grande estilo. Afinal, a Copa do Brasil leva à Libertadores, enquanto os estaduais são apenas um prazer passageiro.

A princípio, dependendo das escalações, o Vasco é melhor, tecnicamente. Mas, o Furacão joga em casa e tem bala para começar sua recuperação antes do Brasileirão. Afinal, lá estão Kleberson, Madson, Robston (todos suecos?), jogadores capazes de fazer isso ou aquilo.

BARÇA, IRRESISTÍVEL

Se há um time neste planeta, pela força e versatilidade de seu elenco, que possa encarar o Barça, esse é o Real. Esse Real mais desabrido do que aquele que Mourinho vinha escalando nos jogos posteriores, traumatizado pela goleada de cinco no primeiro turno do campeonato espanhol.

Tanto, que, até os 20 minutos do primeiro tempo, nesta decisão pela Liga dos Campeões, o Real, com uma escalação devida, foi melhor do que o Barça. E, no final, 1 a 1, com gols de Pedrito e o nosso Marcelo.

Mas, o Barça é simplesmente irresistível, com aquele toque-toque hipnótico, que começou a aplicar a partir desse momento. Pois, o Barça é assim: se o adversário partir pra cima, como partiu o Real, fica na moita, à espera da perda de concentração do inimigo no tocante à marcação implacável a Xavi, Iniesta e Messi, seu tripé mágico.

Aí, na medida da perda de foco do inimigo, vai tomando conta do jogo e criando suas chances.

Consulto minhas anotações, e verifico que, entre os 25 minutos do primeiro tempo e o intervalo, o Barça criou cinco chances claras de gol. Uma ou duas, convertidas em gol. definiriam a história.

Nesse mesmo primeiro tempo, o Barça teve 69 por cento de posse de bola, cometeu apenas quatro faltas e sofreu catorze.

Os números não mentem, sobretudo diante do que nossos olhos veem. E a proporção foi praticamente a mesma no segundo tempo: 65 por cento de domínio do Barça e 31 a 10, no número de faltas contra o Real.

Talvez, se Mourinho não tivesse, nesse percurso, mudado tanto o braço da viola, o Real pudesse, no seu porte histórico, estar agora celebrando sua passagem para a final da Liga dos Campeões. Talvez.

Notas relacionadas:

  1. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  2. RAPOSA E PEIXE, SÓ ALEGRIA
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 2 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores | 18:42

A LONGA JORNADA DO PEIXE

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O Santos, que sábado ganhou do São Paulo e foi às finais do Paulistão, viajou dezesseis horas para chegar a Querétaro, distante mais de duzentos quilômetros da Cidade do México, não sem antes levar um susto danado: o avião, ao tentar descer na capital mexicana, por causa de forte chuva, teve de arremeter e fazer uma parada técnica em Acapulco.

Somem-se a esses contratempos a ausência de Elano e o placar apertado do jogo na Vila (1 a 0) e já podemos dimensionar de antemão o tamanho da encrenca. Aliás, a lesão muscular de Elano já era mais ou menos esperada, assim como possíveis outras baixas provocadas pelo estresse a que está submetido o Peixe neste período em que luta pelo Paulistão e pela sequência na libertadores.

Por tudo isso, valendo-se do empate por qualquer placar, não me causaria nenhuma surpresa se Muricy entrasse em campo com seus já tradicionais três zagueiros. E, mais: não o recriminaria por isso, apesar da minha aversão por esse sistema, na esperança de que seja apenas uma alternativa diante das circunstâncias.

O CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

Em cena, nesta terça-feira, mais um Real-Barça, o terceiro da série de quatro dos clássicos dos clássicos, porque a rivalidade, como todos sabemos, não se restringe ao campo do jogo. Mas, este é o que vale ouro: a vaga para as finais da Liga dos Campeões, o maior torneio do mundo.

José Mourinho, técnico do Real Madrid e um dos maiores personagens do clássico espanhol (EFE)

Se o Barça, que no Santiago Bernabeu meteu 2 a 0 no Real, simplesmente empatar ou perder por 1 a 0, estará lá. Fosse o Barça de Guardiola o Real de Mourinho dos jogos recentes, poderíamos imaginá-lo retrancado, cheio de volantes e zagueiros, pra cumprir o regulamento.

Mas, não é. O Barça segue à risca o dístico dos dois grandes de Espanha: “No hay que ganar, hay que desfrutar”, Ou seja: o importante não é ganhar, mas desfrutar de um belo futebol.

E o Barça, nas últimas temporadas, tem ganhado quase tudo produzindo belos espetáculos. Nem sabe fazer diferente, se quisesse. Pior: não tem, em seu elenco prodigioso, jogadores de defesa (volantes ou zagueiros) capazes de montar uma retranca feroz. Perdeu o francês Abidal, em fase esplêndida, numa maca de cirurgia, e seus dois laterais esquerdos, os brasileiros Maxwell e Adriano, machucados, o que obrigou o central Puyol a deixar a cama da enfermaria para quebrar um galho por ali.

Tanto, que o volante Mascherano tem se revezado na quara-zaga com outro volante, Busquets.

De seu lado, o Real, que tem um precioso elenco, nos últimos confrontos com o Barça, tem preferido jogar como um rato diante de um leão, no dizer de Di Stefano, o maior ícone da história merengue.

Bem, de qualquer jeito, Mourinho terá de mudar o braço da viola, pois o zagueiro Pepe, travestido de volante, não poderá jogar, expulso que foi no jogo anterior.

E, se resolver bater ficha, escalando um time compatível com a qualidade de seu elenco, bem que pode tirar a diferença, em pleno Camp Nou. Ou levar outra goleada de cinco, como no primeiro turno do Espanhol. Mas, no mínimo, não será execrado pelo torcida merengue.

JUIZADA

Paulo César Oliveira, o juiz que apitou o clássico entre Palmeiras e Corinthians, até prova em contrário, é um sujeito honestíssimo. Pode ser vítima das fraquezas humanas, como qualquer um de nós. Erro de avaliação, sopro de alguma paixão reprimida, enfim, toda a gama de sentimentos humanos.

A questão não é essa. Mesmo porque sua atuação no jogo foi impecável, com exceção daquela expulsão de Danilo, que achei excessiva, mas que se respalda na lei: carrinho, por frente, ou por trás, com força desproporcional, vermelho! Assim como cartão vermelho mereceria ser dado, no caso, para Liedson, que entrou com o pé por cima, certamente num gesto de defesa, mas, igualmente reprovável.

Contudo, o que quero dissertar é sobre a questão que vira-e-mexe, nessas ocasiões voltam à tona; a profissionalização dos árbitros.

Há muito tempo defendo isso. Mas, sempre que o faço, lembro o saudoso Álvaro Paes Leme, jornalistas e professor da Escola de Árbitros da FPF.

Quando colocado diante dessa questão, Paes Leme, com sua voz tonitruante, rebatia que, para garantia da honestidade da arbitragem, sempre seria melhor o juiz ter uma atividade básica, que lhe permitisse resistir às tentações do momento. E citava, como exemplo, Arnaldo César Coelho, bem sucedido profissional na área do mercado financeiro.

Um cara como esse estaria mais blindado a quaisquer ofertas eventuais deste u daquele clube.

É a tese, por exemplo, que prevalece na Fifa, contra a profissionalização dos juízes de futebol.

E, cá entre nós, não é sem fundamento. A tese da profissionalização dos árbitros, baseia-se no fato de que o preparo físico dos jogadores atingiu níveis tão prodigiosos que exigiria dos árbitros algo próximo, só atingível se ele dedicasse sua vida a esse ofício.

O princípio tem sentido. Mas, comparar um juiz a um jogador começa a me parecer inadequado.  O jogador, em dez, quinze anos, de carreira tem uma infinidade de oportunidades para fazer seu pé de meia, Aqui e no exterior. E o juiz?

Imagine que um jovem tenha vocação e habilidade para ser juiz de futebol. E que ele consiga um espaço nobre aos 20/25 anos de idade. Terá, no máximo, mais vinte anos de carreira, antes de ser jubilado. Digamos que cinco desses profissionais tenham condições, por suas excelências técnicas e retidão de caráter, de acumular uma fortuna suficiente para uma aposentadoria decente, aos quarenta e poucos anos de idade.

E os demais? Aqueles tantos que atuam por esse Brasil afora?

Se não têm um ofício normal, que lhes dê a devida segurança no futuro, por certo, serão presas fáceis do suborno.

Jogador de futebol pode ir pra cá, pra lá, no Brasil, no Exterior, e fazer seu pé de meia. Juiz, não. No máximo pode rodar de um estado a outro, nem sempre por salários milionários.

Vale refletir a respeito.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
  3. RAPOSA E PEIXE, SÓ ALEGRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 30 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais | 19:39

E DEU PEIXE!

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O que dá pra rir dá pra chorar, diz o velho samba. Breque: e vice-versa! Foi mais ou menos isso o que aconteceu no Morumbi, nesta tarde de sábado, pelas semifinais do Paulistão: o São Paulo, com seus três tradicionais zagueiros, acabou dominando o Santos, com dois, durante o primeiro tempo.

Diante disso, Muricy resolveu retomar o caminho que sempre lhe foi mais familiar e retrucou, no intervalo, com Bruno Aguiar no lugar de Zé Love. E não é que deu Santos?

Quer dizer: o Santos, que poderia ter escolhido outras alternativas para quebrar o controle do adversário, diga-se, bateu ficha – mesmo esquema do adversário, o que encaixou a marcação, como gostam de ensinar os professores da bola.

E, a partir daí, sobressaiu o maior talento de Ganso e Neymar, esses dois craques incomuns. Aos 16 minutos da etapa final, Ganso recebe de Neymar na área, e, com a frieza e exatidão de um Ademir da Guia, um Zidane, mete na medida na cabeça de Elano: 1 a 0.

E, aos 28, Ganso lança Neymar que invade a área, pisa na bola e conta o tempo para Ganso chegar à marca fatal da finalização, justamente entre beque e goleiro: 2 a 0.

Como? Se estou me rendendo ás mágicas do 3-5-2? Nem pensar! Sucede que esse recurso é um como outro qualquer, a que o técnico pode recorrer neste ou naquele momento, de acordo com sua leitura do jogo. Nada contra isso, pois o futebol é dinâmico e amorfo, muda de forma e conteúdo de uma hora pra outra.

O que me exaspera é quando o treinador se agarra a um só modelo e dele não larga mão nem quando a realidade clama por uma alteração evidente. Como, no caso presente, em relação ao São Paulo, que diante da virada da música, não soube mudar o braço da viola.

Carpegiani, ao tirar o volante Casemiro, que vinha fechando os espaços de Ganso, em vez de um zagueiro, para a entrada de Fernandão, abriu a porteira para o craque santista decidir a partida.

E o campeão, que já é, na pior das hipóteses, vice, só espera o clássico de amanhã para saber com quem vai brigar pelo bi.

Charge de Milton Trajano com os técnicos de São Paulo e Santos

GALOOO!

Foi uma virada emocionante do Galo sobre o América MG, pelas semifinais do Campeonato Mineiro, sobretudo, por ter sido perpetrada com dez jogadores contra onze. Sim, pois logo no começo do segundo tempo, na primeira bola que disputou, Richarlyson foi expulso. Reclamação? Foi o que pareceu.

Aí, num vacilo fatal de Guilherme Santos, o América abriu o placar, o que não bastava para sequer levar o jogo aos pênaltis. Mas, o Galo, nos ombros de Serginho e nos pés oportunistas de Magno Alves, partiu para o revide, depois de um tempo de hesitação: Giovani escalou pela direita e serviu para Magno girar em direção às redes americanas, e, logo depois, numa arrancada prodigiosa, Serginho recebeu de Magno Alves e guardou.

E lá vai o Galo ciscando em direção ao título, se a Raposa não invadir seu terreiro, claro.

MILAN, QUASE

O Milan, com um gol de Flamini, em passe esperto de Robinho, venceu o Bolonha por 1 a 0 e está a dois passos do título italiano, embora perseguido por Napoli e Inter, de perto.

Sem Pato e Ibrahimovic, seus dois artilheiros, o Milan segue em frente, entre outras coisas, graças a Robinho, que está jogando o fino.

FOGO INGLÊS

Pegou fogo o Campeonato Inglês, que parecia definido há tempos pelo Manchester United, que chegou a botar dez pontos de diferença do Chelsea, diferença reduzida  a três, na última rodada.

Claro, os Diabos Vermelhos, diante da perspectiva de disputar a Liga dos Campeões da Europa, onde praticamente estão nas finais, relaxaram no campeonato nacional. E, agora, estão sob séria ameaça do Chelsea e até do Arsenal, que os venceram por 1 a 0 neste domingo, no Emirates.

Mas, cá entre nós, acho que o Manchester não deixará essa. E periga levar a outra também.

MISTÕES NO ESPAÇO

Real e Barça levaram ferro neste sábado, pelo Campeonato Espanhol.

Ambos estão de olho só naquilo: a decisão pelas semifinais da Liga dos Campeões. A diferença foi a que o Real perdeu para o Zaragoza jogando mal, enquanto o Barça manteve a mesma postura habitual, na virada que sofreu do Real Sociedad, no fim.

BELA CAMISA

Estava assistindo ao jogo entre Manchester City, fissurado na camisa do Weste Ham, que me remeteu à primeira imagem que tive de um time inglês, lá na virada dos anos 40 para os 50, quando o Arsenal nos visitou, numa daquelas excursões que já não existem mais.

Houve um encanto geral pelo uniforme do Arsenal: uma espécie de suéter vermelho, com mangas e golas brancas. Design que, apesar de sedutor, não se espalhou pelo mundo.

Muito menos por aqui, onde apenas um time já extinto arriscou um modelito similar.

Refiro-me ao São Caetano, não esse Azulão, de recente criação. Falo do São Caetano, fruto da fusão entre o Comercial, alvirrubro da Capital, e o azul e branco São Bento, de São Caetano, lá nos finais dos anos 50.

Pois, esse São Caetano, de breve existência, adotou essa camisa, com a jaqueta vermelha e as mangas e golas azuis. O visual era bonito, mas o time…

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, NO MERGULHO
  2. PEIXE, DISPARADO
  3. PEIXE, VERDÃO, FLA E GRÊMIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 23 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais | 18:33

A RAPOSA QUE VIROU DRAGÃO

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Isso já deixou de ser uma raposa, virou dragão, daqueles que expelem fogo pelas narinas e devoram montanhas. Sim, é verdade, o América TO já dera sinais de fragilidade ao levar de 7 a 1 do Galo, na semana passada. Mas, ali, o time já estava classificado e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, agora, valia o direito de ir à final do Mineirão, algo que nem o mais fanático americano supunha ser possível ainda neste século. E o resultado foi esse: 8 a 1 para o Cruzeiro, o melhor time do Brasil e da América. E olhe que, segundo os relatos, o Cruzeiro jogou a meio vapor no primeiro tempo e só foi disparar a goleada histórica na etapa final.

Jogo da volta pra quê?

CORAÇÃO NA BOCA

Quando o juiz apitou o final do jogo, a Fiel estava com o coração na boca, pois nos minutos finais o Oeste resolveu fazer o que não havia feito o resto da partida – foi pra cima, até com seu goleiro de quase dois metros de altura.

Mas, cá entre nós, era para o Corinthians ter enfiado um saco no Oeste. Foi melhor de cabo a rabo, criou meia dúzia de oportunidades e só marcou dois gols, com Liedson e William, este, um golaço, por circunstâncias

O problema é que, num dos dois únicos chutes a gol do Oeste no primeiro tempo, em falha de Chicão e frango de Júlio César, surgiu o empate inesperado que poderia ter complicado a vida do Timão, caso perdesse o controle dos nervos, como costuma acontecer nesses momentos.

O Timão, porém, acelerou o jogo, mas não perdeu o tino. Chegou à vitória, apesar do breve sufoco final, e já está nas semifinais à espera de Palmeiras ou Mirassol. Palmeiras, né?

Charge de Milton Trajano sobre o que Tite diria depois da vitória corintiana

SUFOCO SINTÉTICO

O Grêmio não sofreu apenas com a grama sintética do campo do São José. Sofreu muito mais com o Cruzeiro, a grande surpresa deste campeonato gaúcho, que saiu na frente, tomou a virada, mas foi buscar o empate e só jogou a toalha no finzinho, com aquele gol de Rafael.

A par disso e das hesitações do Grêmio, valeu ver esse menino Leandro, ainda de fraldas, entrar num jogo decisivo como esse e fazer aquele gol de alta classe. Olho nele!

VASCÃO NA FINAL

Nem se pode dizer que o Vasco tenha sofrido um sufoco diante do Olaria. Só que não conseguiu jogar o que vinha jogando. Ou melhor: não revelou a mesma constância das últimas partidas.

Mas, fez um gol legal, com Eder Luís, bem ao seu estilo, na conclusão de veloz neyescapada pelo meio, e ainda se deu ao luxo de perder um pênalti, sofrido e batido por Bernardo.

De qualquer forma, aí está o Almirante, engalanado, na final da Taça Rio, o que não acontecia há muito tempo.

NEYMAR NELES!

- Meu pai sempre diz: “Escureceu, chuta forte”.

E foi o que fez o menino Neymar, seguindo os conselhos de Neymar pai – escureceu, chutou forte. Recebeu de Elano um rebote de escanteio, limpou um, de direita, e, de canhota, bateu no ângulo o gol que colocou o Santos nas semifinais do Paulistão.

Bem que a Ponte complicou o jogo, como se esperava. Marcou muito bem, enquanto o Peixe procurava ser mais cauteloso do que de hábito. Claro, num jogo só, qualquer vacilo pode ser fatal.

O Santos não vacilou, a não ser numa única bola, no segundo tempo, em que Gil antecipou-se a Durval e bateu no poste esquerdo.

De resto, não foi um show do Santástico da Vila, embora o Peixe fosse melhor o tempo todo, com exceção dos últimos minutos, quando, apesar de pressionado, criou uma chance incrível de ampliar o placar, em jogada de  Neymar mal finalizada por Keirrison. Sozinho, ele, a bola e a meta.

O Santos, além da fluência ofensiva natural, está ficando cada vez mais cascudo, bem ao gosto de Muricy.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  2. FÓRMULAS E EUFORIAS
  3. RAPOSA E A COPA PELA METADE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 5 de abril de 2011 Clubes brasileiros | 19:12

MURICY É TRABALHO

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Muricy é trabalho, não genialidade. Perseverante, inteligente, embora sem diploma na parede ou papo rebuscado, perspicaz, mas um tanto teimoso, herança da Vila Sonia e do contágio transmitido por seu mestre, Telê Santana. Mas, não é aquele tipo raro de treinador capaz de chegar, e, numa palestra antes do jogo incendiar a alma da equipe, ou, de, num passe de mágica, mexer uma peça e arrumar todo o conjunto.

O que quero dizer com isso é o seguinte: bem que Muricy poderia ter abreviado suas férias a tempo de trabalhar esse time do Santos para o jogo decisivo contra o Colo Colo, nesta quarta-feira, na Vila, pela Libertadores.

De qualquer forma, cedo ou tarde, finalmente Santos e Muricy se acertaram, como estava escrito nas estrelas desde que o treinador abandonou as Laranjeiras, de repente.

E, para que essa parceria dê certo, será preciso que ambas as partes cedam um pouquinho em suas pretensões e visão sobre o que deverá ser o novo time, sob o comando de Muricy.

O treinador, em entrevistas anteriores, já se disse disposto a buscar uma formatação ofensiva, obedecendo ao perfil histórico do Peixe. Que assim seja, para o bem de todos.

Já a torcida e a diretoria deverão entender que, apesar da permanência da dupla Ganso-Neymar, o atual Santos está longe de reproduzir aquele futebol mágico do primeiro semestre do ano passado.

As perdas, de lá pra cá, foram muitas e extremamente significativas: Arouca, que foi o mais brilhante volante da temporada passada, baixou enfermaria por longo tempo e só agora está voltando a bater bola; Wesley, aquele volante múltiplo, veloz e hábil que fazia a ligação vertiginosa com o ataque, se pirulitou, assim como o centroavante André e o ágil e inventivo Robinho, além de Madson, que sempre dava uma sacudida no time quando entrava no segundo tempo, e Marquinhos, organizador por excelência.

Ganso está voltando de longa inatividade, com um talhe mais robusto do que nos tempos de relampejante ascensão, e levará algumas rodadas ainda para readquirir a forma ideal.

Quanto a Neymar, de quem se pode falar o que quiser menos falta de empenho, uma coisa é jogar com Robinho, atazanando o adversário do outro lado; Ganso, em forma, metendo-lhe bolas inimagináveis, e a dupla Arouca-Wesley chegando a toda hora, em velocidade. Outra, muito diferente, é ter de fazer praticamente sozinho tudo isso, mais os gols salvadores.

Vieram, em contrapartida, Elano, Keirrison e Jonathan, que só sai do estaleiro para dar uma voltinha. O centroavante, desde que desembarcou na Vila, jamais conseguiu reproduzir a bola que lhe deu breve fama no Coritiba e no Palmeiras. E Elano é a antítese de Wesley: lento, dono de bom passe e mestre nas bolas paradas, confere ao time outro ritmo, outra concepção de jogo.

Um time de futebol é a síntese das características de cada jogador. São elas que, no fim, acabam determinando o padrão de jogo.

Logo, se o Santos, nas mãos de Muricy, não conseguir atingir aquele parâmetro do primeiro semestre do ano passado, que a torcida não acrescente aos problemas atuais a adoção do clichê de retranqueiro a Muricy.

A não ser, claro, que ele, por teimosia ou convicção, escale três zagueiros, dois volantes de contenção e adote o contragolpe como único recurso. Aí, ninguém segura a galera peixeira.

Isso, claro, se o time não vencer todas, o que também é bem possível.

LIGA DOS CAMPEÕES

Foi, sem dúvida, a jogada mais espetacular dos últimos tempos, e uma daquelas pra entrar na antologia do futebo. Lançamento para Milito, que chegaria sozinho à área, interceptado por providencial peixinho do goleiro do Schalke, fora da área. Sucede que a bola cai nos pés de Stankovic, no meio-círculo, e o jogador interista faz o que Pelé não fez: mete a bola nas redes alemãs, com uma precisão de vídeo-game.

Isso, aos 23 segundos de bola rolando, o quinto recorde na história dos gols relâmpagos da Liga dos Campeões. Mas, pra quê? Só pra atiçar a alma germânica, que, no fim das contas, conseguiu a proeza de virar um caminhão de repolhos sobre o time de Leonardo, que está de orelha ardendo: 5 a 2, pode?

E olhe que o goleiro Júlio César nem pode ser culpado pela goleada inesperada. Pegou bolas incríveis, até em alguns gols do adversário.

Mas, o tom quem deu foi Raúl, esse veterano e ainda extraordinário atacante, que já atingiu a prodigiosa marca de setenta gols em jogos da Liga, afora os tantos mais que fez pelo Real em campeonatos nacionais.

Já o Real Madrid, em casa, vestiu a camisa virtual do Barça e botou o Tottenham na roda. Dominou do início ao fim, e ganhou folgado, com dois de cabeça de Adebayor, em mais um dia inspirado de Marcelo, que vem se transformando numa estrela do constelado Real.

FRONTEIRA EM PÉ DE GUERRA

Os gaúchos Inter e Grêmio vão à guerra nos dois próximos dias.

O Colorado pega o Juagares, lá, o que não é nenhuma moleza. Mas, com D’Alessandro e Oscar jogando o que estão, a parada fica menos difícil.

Depois, será a vez do Grêmio, que não está bem, nem mal no torneio. Mas, que ficará beleza se passar pelo Juniors Barranquilla, no Olímpico.

É só ter cuidado com aquele cabeludinho, meia-esquerda, deles, e apostar no talento do menino Leandro, a grande sensação tricolor nesta temporada, que a coisa toda se ajeita.

Notas relacionadas:

  1. A QUEDA DE MURICY
  2. O SONHO DE MURICY
  3. MURICY E A VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 8 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 16:06

FLU: O QUE É E O QUE PODERIA TER SIDO

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Caso curioso esse do líder Fluminense. Você espia o time jogando, franze a testa e dirá lá consigo: ora, isso não é futebol de campeão. Contudo, aí está o Fluminense líder durante quase todo o campeonato e a três passos de empalmar o título. Um time cascudo, como gosta de dizer seu técnico Muricy, mestre em conquistas desse tipo.

Mas, se o amigo se afastar a uma distância crítica, e puser a imaginação para funcionar, verá um outro Fluminense em campo, praticando um futebol envolvente, ofensivo, bola no chão, até mesmo revestido de alguns arabescos bem ao gosto do futebol brasileiro, apesar de tão combatidos.

Basta escalar esse time com o que ele tem de melhor e jamais pôde colocar em campo – o quarteto formado por Conca, Deco, Fred e Emerson. Seria justamente o oposto do atual Fluminense, e estaríamos aqui todos encantados com a certeza de que ainda há vida inteligente nos campos brasileiros.

Digamos assim: tivemos um primeiro semestre deslumbrante com o Santos de Ganso, Neymar e cia. bela. E teríamos nos deslumbrado igualmente com este segundo semestre do Tricolor carioca.

Desgraçadamente, Muricy não pôde armar seu time nessa linha dos sonhos nem uma vez sequer ao longo de toda a competição, e teve de recorrer ao jogo prático e funcional que as circunstâncias lhe exigem.

Bem, nem tudo rola como a gente quer. Muito menos essa bola tão cheia de caprichos que se confunde com o próprio destino.

Torcida distorcida

O amigo pode não acreditar. Sei que é quase impossível para o torcedor de futebol admitir que quem ama esse esporte não torça de fato por um time qualquer. Faz parte do espírito grupal que guia nossos passos desde a infância da humanidade.

Portanto, não direi que não tive um time de coração no passado ou que sou absolutamente isento diante de uma partida de futebol., um jogo que me fascina desde menino.

Mas, ao contrário da maioria, deixei de torcer por uma camisa, um escudo, um nome específico há um bom tempo. Digamos, um tanto pedantemente, que torço, sim, por uma ideia, um conceito de jogar, seja qual for o uniforme em campo, algo muito próximo da exata combinação de competição e arte.

Resumindo: torço pelo melhor, nunca contra este ou aquele, movido por essa paixão perversa de colher no escritório, na oficina, nos bares, a humilhação do derrotado da vez.

Estou falando essas bobagens porque se há algo que me causa indignação é essa mania recente do torcedor de futebol concentrar todos os seus ressentimentos sobre um rival antigo, a ponto de clamar para que seu time perca um jogo só para não beneficiar a campanha de outro.

Isso é fato recorrente, sobretudo no Brasil. E é o que se verifica agora, quando torcedores do Palmeiras e do São Paulo encetam verdadeira campanha para que seus times entreguem os jogos diante do Fluminense, só para evitar que o Corinthians eventualmente possa ser o campeão.

Trocam-se os sinais em campeonatos recentes – ora, é o corintiano pedindo para que o Timão perca com o objetivo de prejudicar o São Paulo ou o Palmeiras, e assim vai -, mas o sentimento é o mesmo – algo muito próximo da indigência do espírito que permeia o nosso tempo.

Notas relacionadas:

  1. O CLÁSSICO QUE PODERIA SER
  2. PALMEIRAS, HERÓICO
  3. NOITE TRICOLOR
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Treinadores | 22:50

NO TÚNEL DO TEMPO

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Era como se tivesse mergulhado no túnel do tempo e emergido na Vila dos anos 60, para assistir a mais uma noite de gala daqueles meninos de então. E lá estavam Dorval, Coutinho, Lima, Pepe, Zito, Pelé, sim senhor, incorporados por inteiro ou em parte em Robinho, Neymar, Ganso, Wesley, André e cia. bela.

A bola rolava em alta velocidade, tocada com malícia e ciência de pé em pé, quando não sob as pernas dos adversários,  e os gols iam se suceddendo: dois de Robinho, dois de André, um de Wesley (que bola está jogando esse garoto!), vá somando, seis? Isso mesmo: 6 a 3 no Bragantino.

E até nisso o espetáculo desta noite de quinta se fundiu aos da memória rediviva, pois aquele Santos não era time que se vexasse de levar três gols de um ataque como o do Bragantino, o melhor do campeonato até então.

Isso era irrelevante, como sempre deveria ser.

Charge do Santos, por Milton Trajano

Charge do Santos, por Milton Trajano

NÃO DEU LIGA

O Palmeiras, depois do desastre da noite de Quarta-Feira de Cinzas, foi rápido no gatilho: demitiu Muricy e contratou Antônio Carlos, ex-zagueiro do São Paulo, do Palmeiras, da Roma, Corinthians, Santos, que, ao pendurar as chuteiras assumia a gerência do Corinthians e, ultimamente, era técnico do São Caetano, justamente o algoz do Verdão.

Na verdade, a contagem regressiva de Muricy no Palmeiras começou no dia em que foi contratado. E isso nada tem a ver com sua competência como treinador de futebol vitorioso: campeão pernambucano, gaúcho, vice-brasileiro pelo inter e tricampeão pelo São Paulo, entre outros títulos, Muricy ostenta um dos mais irretocáveis currículos do futebol brasileiro.

Divertido às vezes, malcriado na maioria das outras, Muricy não é fácil, como ele mesmo diria.

Mas, não foi por nada disso que Muricy foi demitido. Foi porque, além de carregar nos ombros a carga de suas raízes tricolores para o Parque Verde, pegou o time voando nas mãos de Jorginho, então, técnico interino, após a saída de Luxemburgo.

Muricy, então, não resistiu e resolveu imprimir suas digitais num time que estava redondinho . Mudou o sistema para três zagueiros, o time oscilou, tentou voltar, não deu certo, e o Palmeiras declinou da liderança para fora da zona da Libertadores nas últimas rodadas do Brasileirão.

Isso vincou definitivamente uma ruga profunda na testa do palestrino sempre que ouvia o nome de Muricy. A diretoria tentou segurá-lo, na esperança de que, ano novo, vida nova, com o técnico podendo montar o time ao seu gosto. Mas, a torcida expulsou Vágner Love e a empresa parceira recuou nos investimentos, dado ao novo cenário, e Muricy ficou com o que tinha: um bom time, capaz de ser excelente, mas de elenco reduzido.

E até que começou bem, com seus dois zagueiros e Sacconi ajudando Cleiton Xavier na armação e tal e cousa e lousa. Chegou, porém, Edinho, um beque-volante, seu peixinho no Inter, ao mesmo tempo em que Sacconi batia e voltava no Nantes.

Com Edinho, falsamente atuando como volante, mas, de fato, um terceiro zagueiro, levou um passeio do São Caetano no primeiro tempo, que chegou a 3 a 0 mas poderia ter sido mais.

Voltou no segundo tempo com Sacconi, mas, de imediato, tomou o quarto gol. Tudo isso em pleno Palestra Itália. E, embora melhorasse sensivelmente no segundo, com Sacconi, não chegou a evitar a suprema humilhação de levar de 4 a 1 para o São Caetano.

Foi a gota d’água, num copo entornado, boa parte pela incúria da direção e boa parte pela incapacidade de Muricy obter os resultados mínimos para sua sobrevivência no Parque.

Resumindo: como diria o próprio Muricy – não deu liga.

Notas relacionadas:

  1. RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO
  2. E DEU MURICY NO PALESTRA
  3. ESSES MENINOS…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 10 de julho de 2009 Clubes brasileiros, Treinadores | 15:11

RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO

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Imagino a torcida colorada rubra de vergonha e indignação por mais uma perda significativa do Inter neste semestre: depois da Copa do Brasil, para o Corinthians, a Recopa, diante da pálida LDU, em Quito. Nem tanto pela derrota em si, mas, sobretudo, pela forma como o Inter se conduziu lá, sem um pingo de força ou talento, dois quesitos que chegaram a elevar o time à condição de melhor elenco do país ainda outro dia.

Dá-se, então, que o Inter volta a campo neste domingo, diante do Furacão, na Arena da Baixada, numa situação insólita: embora líder do Brasileirão, com todas as chances de levantar essa taça, jogará, sem dúvida, sob pressão extrema. Principalmente, o técnico Tit, ainda mais à sombra de Muricy, xodó do Inter, que acabou não caertando sua eventual ida para o Palmeiras.

Como todos sabemos, nessas circunstâncias, apesar de todas as declarações em contrário da diretoria do Inter, quem sempre paga a conta é o treinador de plantão, seja ele Tite, Muricy ou Luxemburgo.

MURICY E O PALMEIRAS

Confesso que me surpreendi com esse desfecho decepcionante da novela Muricy-Palmeiras, embora fosse clara certa relutância do treinador em pular assim de cara o muro que separa o CT do São Paulo do CT do Palmeiras, na Barra Funda.

Entre outras coisas porque sua profunda identificação com o São Paulo seria uma pedra no sapato constante: a qualquer tropeço, a já exigente torcida verde, sem falar nos tradicionais cornetas do Parque, jogariam na cara do treinador essa pecha.

Por outro lado, não me espantaria se o Palmeiras, ao longo da espera de um contato decisivo com Muricy, passou o tempo refazendo suas contas. Afinal, uma das razões fundamentais da demissão de Luxa, técnico com cartel muito superior ao de Muricy, era o alto preço que o Verdão pagava a Luxemburgo e sua corte, com retorno bem inferior ao esperado.

Resta, agora, ao Palmeiras procurar uma alternativa mais econômica. um desses treinadores menos badalados mas que emergem com boa figura no cenário nacional. Alguém como Dorival Jr., de passado ligado ao clube, como ex-jogador e sobrinho de um dos imortais do Palestra Itália – Dudu. Mas, Dorival está em plena atividade no comando do Vasco. Quem sabe, Silas, do Avaí?

Mas, algo me diz que os astros conspiram para dar a Jorginho, o interino, um tempo suficiente para acabar se acomodando no cargo. Se assim for, nosso Cantinflas terá de aproveitar bem a chance deste sábado, em casa, contra o Náutico. Uma vitória convincente poderá ser a primeira pedra do degrau. Nunca se sabe, pois tão volúvel é a alma do cartola como do torcedor.

PASSO ATRÁS?

Falando de Muricy, Palmeiras e São Paulo, é ijnevitável chamar à roda o novo técnico tricolor, Ricardo Gomes, que chegou ao Morumbi para mudar o braço da viola de Muricy. Tentou duas vezes, ganhou uma, perdeu outra, e agora parece estar disposto a dar um passo atrás nessa busca de uma nova maneira de o Tricolor jogar.

O São Paulo recebe o Flamengo no Morumbi. Um Flamengo motivado por já rondar o G-4, embora venha desfalcado de Ibson (despediu-se já dos companheiros), seu principal articulador de jogadas de meio-campo, de Juan, machucado, e, talvez, de Kleberson. mas, vem com o Imperador comandando a tropa lá na frente.

Talvez, até mesmo por temor da potência ofensiva de Adriano, é que Ricardo Gomes cogite da volta ao esquema com três zagueiros de ofício. Aliás, a bem da verdade, com a presença de Eduardo Costa á frente da zaga, no fundo, no fundo, o esquema com Ricardo Gomes não diferia muito daquele que Muricy aplicava nos seus últimos tempos de São Paulo.

Sim, claro, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A não ser quando a prudência se confunde com medo e o caldo de galinha, já passado, provoque azia. mesmo porque quem vai e volta a toda hora, acaba não saindo do lugar. E o lugar ocupado pelo São Paulo na tabela é, no mínimo, preocupante.

HORA H

Este é um clássico emblemático para os dois: para o Corinthians, o momento de dar o grande salto no Brasileirão, que lhe permitirá chegar definitivamente á zona de luta pelo título do Brasileirao; para o Grêmio, a oportunidade de fincar sua primazia no Olímpico, espantar eventuais fantasmas que rondam o clube neste semestre, além de pular para uma posição mais digna em relação à sua força e à sua tradição.

Afinal, o Grêmio, vencendo, daria um tapa de luva de pelica no eterno rival Inter, que acaba de perder a Copa do Brasil justamente para esse Corinthians, como ganharia um moral extra por bater aquele que é considerado o melhor time da temporada no país, até agora.

Quanto ao Timão, uma vitória mobilizaria ainda mais elenco, comissão técnica e torcedores nessa eventual arrancada em direção à terceira coroa.

Embora o Corinthians me pareça mais arrumado e incisivo do que o Grêmio, em clássicos desse porte, ainda mais sob o apoio delirante da torcida azul, nunca se sabe. 

 

 

 

 

Notas relacionadas:

  1. O TEATRO DO FUTEBOL
  2. MUITA VISAGEM E POUCA SUBSTÂNCIA
  3. HABEMUS TIME?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sábado, 20 de junho de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores | 12:52

MUITA VISAGEM E POUCA SUBSTÂNCIA

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Fico só imaginando a cena: ao clarim da alvorada seguinte à queda de Muricy, Coronel Juju reúne a tropa, digo, a imprensa, saca do bolso do colete virtual um cartãozinho azul com bordas douradas, no mais rebuscado estilo rococó, onde se lê o nome do ungido a técnico do São Paulo - Ricardo Gomes -, e dispara, cabeleira branca esvoaçante ao vento da manhã gelada desta província altaneira e garbosa:

- Postura! – e repete, elevando o tom como se, fronte erguida, aumentasse alguns centímetros de altura, sobre um imaginário salto Luís XV – Postura!

É isso. Está desvendado o mistério da queda de Muricy, tricampeão brasileiro, feito inédito na história gloriosa do clube: postura, eis a palavra-chave.

Todos conhecem, se divertem ou se irritam, com a postura de Muricy, craque de refinadas criações com a bola, técnico vitorioso por onde tenha passado, mas tipo povão, desbocado, espontâneo, transparente, um tanto brega, que se expressa com as palavras que, ao longo da vida, colheu nas ruas, nos bares, nas intermináveis concentrações. Oh, como isso incomoda certa cartolagem de novos-ricos – alguns com diploma na parede -, que tanto aspiram a uma anacrônica aristocracia de botequim.

Agora, espie o amigo seu sucessor: cavalheiro de fina estampa, que fala francês e um português correto, veste-se na moda, e homem de caráter sem jaça, como diria Coronel Juju. Como figura humana, exemplar, sem a menor dúvida. E foi, é verdade, um excelente quarto-zagueiro, de nível de Seleção Brasileira.

Mas, e como técnico. Bem, é aí que a porca torce o rabo: dirigiu uma pá de times brasileiros, dentre os quais, Fluminense e Flamengo, além dos franceses PSG, Bordeaux e Mônaco. Em nenhum deu-se bem, sem falar naquele rotundo fracasso com a Seleção Brasileira Pré-Olímpica da qual tanto se esperava.

Sim, claro, todos devem ter outra ou mais chances. Muricy não teve: ao primeiro percalço, rua! Ricardo Gomes terá sua enésima chance, quem sabe, aquela que lhe dará impulso definitivo no ofício de treinador de futebol. Espero que sim, pela pessoa que é.

Mas, no fundo, no fundo, é tudo visage, que o malandro brasileiro traduziu para visagem, um truque de imagem destinada a enganar o otário de plantão.

Muita pose e pouca substância.

Notas relacionadas:

  1. O TRICOLOR E O CINZA
  2. DUAS GERAÇÕES DE CAMPEÕES
  3. A QUEDA DE MURICY
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última