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30/10/2009 - 14:00

VERDÃO E TRANSPARÊNCIA

“Poeirá/ Ô, ô/ Poeirá/ Eu caí, sacudi/ Poeirá”. Esse é um dos arquétipos do samba de roda, matriz de nossa maior e mais lídima expressão musical – o samba.

Pois, foi o que fez o Palmeiras, ao golear o Goiás e resgatar a liderança do Brasileirão: depois de uma sequência de insucessos, quando apertado sob o último nó, o Palestra ressurgiu.

Mas, não tentem jogar poeira nos nossos olhos, para conferir outros valores à vitória espetacular, que ninguém nasceu ontem, nem acreditamos no poder mágico da heroína dos quadrinhos, Jane, clone da clássica Alice do País das Maravilhas, que rezava a quadrinha da infância – “Areia da grossa/ Areia da fina/ Areia me faça ficar pequenina” – para adentrar um mundo de fantasia.

Refiro-me a esse discurso canhestro do técnico Muricy e de alguns jogadores palestrinos, segundo o qual, o Palmeiras vinha praticando um futebol “romântico”, “bonito”, e só perdia. Quando mudou o braço da viola, goleou.

Que conversa é essa? O Palmeiras só jogou bonito e venceu naquele breve período em que o modesto, mas inteligente, Jorginho assumiu interinamente o comando do time, entre Luxa e Muricy, dois autênticos astros do ofício. Foi a série de sete jogos invictos (seis vitórias e um empate) que não só levou o Palmeiras à liderança como abriu vantagem para o seu sucessor tocar o barco sem maiores esforços.

Depois disso, o Verdão passou a jogar o tal futebol pragmático, feio, mais preocupado em se defender do que em atacar, com os becões esticando a bola ao ataque, e começou, progressivamente, a perder a gordura acumulada, até chegar quase no mano-a-mano com os demais pretendentes ao título. E, quando ganhou, ganhou jogando mal. Isto é fato, não papo de artista.

Muricy, por quem tenho uma admiração especial, seja como ex-jogador – excepcional -, seja como técnico – um vencedor como poucos – , seja como pessoa – parceiro e gente fina -, melhor faria se assumisse  claramente sua vocação irrefreável para a retranca do que tentar jogar poeira em nossos olhos. Não porque isso possa afetar sua brilhante carreira, cujos resultados são incontestáveis: um vice e três – quem sabe, quatro –  títulos nacionais, afora todos os estaduais. Mas, porque ele é um paradigma na atual fase do futebol brasileiro, que tanto carece de sair dessa mesmice e almejar algo superior.

Mesmo porque o maior patrimônio de Muricy é a honestidade, além da capacidade de armar seu time de acordo com as suas reais convicções.

Só o que peço é transparência. Não aquela poeira que esconde a realidade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
19/10/2009 - 17:01

A PERPLEXIDADE DE MURICY

Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.

Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.

Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.

Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.

Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.

Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.

Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.

Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…

Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.

Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.

VELHINHOS PIMPÕES

Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.

Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.

Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.

Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.

Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.

Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.

Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
18/10/2009 - 19:38

PET, DEEEZZZ!

No intervalo do jogo, o goleirão Marcos foi, como sempre, direto ao ponto:

- Se sabíamos que o Pet era importante? Sabíamos. Se treinamos para anular o Pet? Treinamos. Mas, no campo, Pet fez a diferença, por causa de seu talento.

E essa era só a metade da história, pois Pet, que havia sido anulado por Edmilson até os 24 minutos do primeiro tempo, tabelou com Juan pela esquerda, invadiu a área, limpou dois zagueiros do Palmeiras e tocou no lado esquerdo da meta verde, fora do alcance de Marcos.

A outra metade deu-se aos 17 do segundo tempo, quando Pet cobrou um córner da esquerda, e transformou-o em gol olímpico, com Marcos embaralhando-se com a bola dentro da meta.

Assim, o Flamengo meteu 2 a 0 no Palmeiras, quebrando a invencibilidade do líder no Palestra Itália, e chegou-se às proximidades do G-4, com grandes chances de ganhar uma vaga na Libetradores e até de disputar o título brasileiro, já que os demais candidatos insistem em patinar.

O Inter, por exemplo, não conseguiu ir além de um empate por 2 a 2 com o lanterna Fluminense, fora de casa.

Mas, voltando ao jogo do Palestra, fica estabelecido que Petkovic foi o herói da jornada. Aos 37 anos de idade, dado como sepultado para o futebol ainda outro dia, o sérvio, que se considera iugoslavo apesar das mudanças geopolíticas, Pet segue sendo uma dos mais técnicos e hábeis jogadores do futebol brasileiro.

E foi sua presença que transformou o Flamengo, um time, até então, comum.

Às vésperas da partida, o foco se centrava em Diego Souza e Adriano, as duas maiores expressões de Palmeiras e Fla. E quem assumiu o centro do palco foi Petkovic, não é fácil num torneio tão difícil como o Brasileirão.

Podem os técnicos criar qualquer esquema, que, no fim, prevalece o craque.

Toró anulou iego Souza, é verdade. Maurício marcou bem Adriano, e Edmílson tentou até às entranhas impedir que Pet jogasse. Conseguiu em parte. Parte que não conseguiu, definiu o placar.

Claro, não foi uma tragédia para o Palmeiras, que segue líder, com quatro pontos de vantagem sobre o Galo, vice-lder. Mas, se não der uma volta por cima, corre sério risco de ser desbancado na hora final.

Veja mais charges no blog de Milton Trajano

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PEIXE, TIMÃO E DIABOS

O Santos já jogou a toalha há tempos, tanto em relação ao título quanto a uma vaga na Libertadores. O time é limitado, embora tenha alguns bons jogadores, mas não deu liga. Obviamente, melhorará com a volta de Ganso, mas não o suficiente para mudar o panorama. Quanto a Luxemburgo, que ele se dedique as 24 horas do dia a remontar esse Peixe. Caso contrário, o investimento nele não valeu nada.

A derrota do Goiás para o Avaí, de virada, praticamente tira o verde da disputa pelo título e, quem sabe, até de um lugar para a Libertadores, já que o Flamengo embalou. Uma pena para um clube bem estruturado e que contava com a volta de fernadão para dar aquele salto de qualidade.

E o Corinthians, hein? Não consegue mesmo se rearmar depois da perda de André Silva, Douglas e Cristian. Nenhum dos substitutos deu sinais de que cumpriria o papel dos que saíram. E, sem Ronaldo, a coisa fica ainda mais complicada, como vimos na derrota para o Sport, em Recife.

No Campeonato Inglês, o mais charmoso do mundo hoje em dia, o Manchester United caminha com segurança para a conquista de uma glória inédita num futebol mais do que secular: o tetra pra valer, quatro títulos em sequência, mesmo sem sua maior estrela, Cristiano Ronaldo, negociado com o Real. E até mesmo sem Wayne Rooney, seu melhor jogador, como foi na vitória por 2 a 1 sobre o Bolton. Os Diabos Vermelhos são o diabo mesmo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
21/09/2009 - 16:08

VERDÃO, CELEBRANDO, ATÉ…

O Verdão, que passou o fim-de-semana celebrando os tropeços de seus rivais mais próximos na tabela do Brasileirão, afia suas armas para enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, nesta quarta.

Além da tradição de sua camisa e do time que tem hoje, o Cruzeiro é favorito,  por jogar em casa. Mas, o Palmeiras, embora declinando neste segundo turno em relação ao primeiro, é forte o suficiente para virar esse jogo e livrar mais uns pontinhos de São Paulo e Inter, que seguem nos seus calcanhares. Depende, sobretudo, da formulação tática a ser adotada e do espírito de luta da equipe, claro.

Se entrar em campo só para evitar o pior, estará flertando com a derrota. Contudo, se entrar com a alma de um campeão e a postura tática de um vencedor, periga alcançar o máximo.

E olhe que Muricy teve tempo de sobra para armar esse time com vistas a esse jogo tão emblemático, pois está aí uma partida que pode servir de trampolim para o resto da temporada verde.

MEA CULPA DE MANO

O técnico Mano Menezes teve a altivez de assumir a responsabilidade pelo desastre corintiano diante do Goiás, no domingo. Disse que armou mal sua equipe, ao configurá-lo num modelo que considerava adequado para enfrentar especificamente o adversário da hora.

Assim, sem William, o grande líder de sua defesa, montou aquele setor com três zagueiros, fugindo de seu padrão habitual, com o lateral-direito Alessandro numa posição mais ofensiva, entre a ala e o meio-de-campo, que acabou se transformando numa zona cinzenta onde o jogador movia-se sem saber para onde nem por que.

E isso me remete a uma velha questão: até onde o treinador deve se arriscar a desfigurar o jogo de seu time, tentando ajustá-lo à marcação do eventual inimigo? Ou, não será sempre melhor (com as exceções de praxe) seguir o curso natural de sua equipe, deixando ao adversário a tarefa de inventar fórmulas para contê-lo?

Mestre Ziza, o grande Zizinho, um dos dois maiores craques que vi em ação (o outro foi Di Stefano – Pelé não conta) e técnico de breve carreira, pois estava anos-luz além da prática de seu tempo, costumava dizer que um time deve preocupar-se mais consigo mesmo do que com o adversário.

Claro, sempre há ajustes pontuais – uma marcação mais específica neste ou naquele jogador que faz a diferença e tal e cousa e lousa e maripousa.

A verdade, todavia, é que os grandes esquadrões da história impunham seu jogo, fosse qual fosse o adversário. E até hoje é assim, quando se pega um Barcelona, o campeão da Europa, como exemplo: seja onde for, contra quem seja, o Barça é sempre o mesmo.

Aliás, esse tem sido o grande mérito de Mano Menezes, que, mesmo com uma equipe em transição em meio ao campeonato, nunca alterou o padrão que lhe deu os títulos da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil. E assim o Corinthians manteve-se na órbita dos candidatos ao título do Brasileirão.

Meno male, para o Corinthians e para o técnico, que Mano Menezes tenha caído na real logo após dela ter dado uma escapulida.

PET E ADRIANO

Eis uma dupla que já está dando o que falar: Pet e Adriano, o arco e a flecha, como diria mestre Armando Nogueira.

Petkovic, exemplo singular de um iugoslavo (ele ainda se considera assim) que aportou, de repente, no Brasil e aqui construiu uma legenda, graças ao seu futebol inteligente, hábil e de extrema precisão nos passes e nos disparos a gol, transformou-se na pedra de toque do novo Flamengo.

Já se transformara num retrato pregado no álbum de recordações do futebol brasileiro, quando, por trama do destino e dos cartolas do Flamengo, voltou à Gávea, como parte do pagamento de atrasados que o clube lhe devia, numa dessas estranhas engenharias que só nossa cartolagem é capaz de engendrar.

À época, o técnico de plantão olhou-o com desdém, e nem sequer pensava em utilizá-lo pra valer. Mas, aos poucos, e, sobretudo com a ascensão de Andrade, Pet foi cavando seu lugar no time, e hoje é, sem dúvida, titular absoluto. Mais do que isso: fator decisivo para a recuperação do Flamengo. Entre outras coisas, porque é ele quem aciona na medida o artilheiro Adriano.

O mesmo Adriano que havia pendurado as chuteiras milionárias para arrastar seus chinelos entre sua gente humilde das quebradas do Rio. E, que, num ato de paixão, resolveu calçá-las novamente para defender seu Flamengo de coração.

Pet e Adriano, duas histórias tão distintas, que se cruzam na Gávea para reacender as esperanças rubro-negras, antes extintas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , ,
14/09/2009 - 15:50

DIEGO DEPENDÊNCIA

O técnico Muricy, depois do tropeço do líder Palmeiras no Barradão, disse que o Palmeiras sofreu muito pela ausência de Diego Souza, considerado, com razão, um dos melhores jogadores do Brasileirão na atualidade.

É verdade. Diego Souza faria falta a qualquer time nesta quadra auspiciosa de sua carreira. Assim como Cleiton Xavier, seu ilustre parceiro na armação desse Palmeiras.

Contudo, ainda outro dia, ao perder Xavier num jogo, Muricy simplesmente o substituiu por Deyvid Sacconi, um meia de talhe parecido (não igual, parecido), e o time seguiu fluentemente em direção à vitória.

Já, domingo, na falta de Diego Souza, Muricy preferiu substituí-lo por um terceiro zagueiro, o que deixou Cleiton Xavier sozinho, nu e com a mão no bolso, no meio de campo estéril do seu time.

Diego é imprescindível, sim. Mas, não insubstituível, desde que a escolha seja mais judiciosa.

GRÊMIO CHEGANDO

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Náutico, nos Aflitos, o Grêmio não apenas exorcizou o fantasma que o assombra fora de casa como deu um passo significativo para juntar-se aos quatro ou cinco vanguardeiros (se o Corinthians vencer o jogo atrasado com o Coritiba, passa a ser o quinto do bloco da frente).

O Grêmio tem tradição e time para brigar pelo título, sim, senhor. Mas, pelo que vi no jogo dos Aflitos, precisa de mais confiança para impor seu estilo nesses cotejos, pois passou os últimos quinze minutos só lá atrás, rebatendo tudo.

É verdade que perdeu Souza, seu grande articulador, ao lado de Tcheco, pouco antes do sufoco, o que explica em parte esse comportamento, que já não é mais a praia do Grêmio, com a atual formação, onde Fábio Rochemback caiu como uma luva, na marcação e apoio.

O GALO VOLTOU

O Atlético Mineiro, que depois de súbita ascensão teve uma recaída, voltou ao G-4, com a queda progressiva do Goiás, onde Fernandão ainda não se acertou.

Já Renteria, no Galo, começa a dar sinais de que está disposto a recuperar aquele futebol dos tempos de júnior, quando foi a sensação de um desses campeonatos sub-qualquer-coisa, na defesa de sua Seleção.

Com Diego Tardelli jogando muito e ainda tendo a alternativa de Eder Luís para compor um eventual trio de atacantes, o Galo, no mínimo, se credencia a assegurar essa vaga na Libertadores. No máximo, a brigar pela faixa de campeão brasileiro. Ainda mais que vem gente aí, novos reforços e Márcio Araújo, essencial no meio-de-campo, recuperando-se de lesão.

Dos novos contratados, sem dúvida, o de maior nomeada é Ricardinho, meia-esquerda que fez fama no Corinthians, campeão do mundo em 2002, e que andava pela Turquia.

Não sei como está Ricardinho hoje, física e tecnicamente. Sei, porém, que se trata de um desses raros meias armadores autênticos de que tanto carecem alguns dos mais sérios candidatos ao título.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
29/08/2009 - 19:09

O CLÁSSICO ESCONDIDO

Como prever o que poderá ocorrer no clássico decisivo entre São Paulo e Palmeiras se os dois treinadores escondem os times que entrarão em campo? Técnicos, esquemas, tradições, camisas, retrospectos, campo, tudo isso pesa, sim, num clássico desses. Mas, quem resolve mesmo a parada são os jogadores. Um deles colocado em posição errada, outro que fique de fora, podem fazer a grande diferença, no fim das contas.

Pegue o exemplo de Cleiton Xavier: joga, não joga? Se não jogar, Muricy optará por um volante tipo Sandro Silva ou Jumar, ou preferirá Deyvid Sacconi, que até hoje não se frmou no time, mas que leva mais jeito do titular do que os demais? ou terá uma recaída e escalará um terceiro zagueiro, pra bater ficha com o esquema do adversário, que herdou esse time dele mesmo, Muricy?

Já Ricardo Gomes, embora esconda o jogo, não dá sinais de que está muito preocupado com esses detalhes, pois deve ir com o sistema de jogo e a escalação que deram certo até à última rodada. Mas, deveria. Se, com seus três zagueiros, der espaço para o Palmeiras dominar o meio de campo, a coisa pode ficar preta – ou melhor: verde.

PELAS OROPA

Que sábado, nas Oropa, parceiro!

A começar pelo clássico inglês vencido pelo Manchester United por 2 a 1 sobre o Arsenal. Jogo mais emperrado do que se esperava, mesmo porque ambos cuidaram de reforçar a marcação no meio de campo, extraindo o poder de criação dos dois.

O Arsenal, embora tivesse o domínio das ações a maior parte do tempo, jamais foi aquele time de toque de bola hipnótico, muito por causa da ausência de Fabregas – Song, Eboué e Diaby, que prencheram o setor ao lado de Denílson, preferem a condução de bola e o drible. Mesmo assim, abriu o placar com Arshavin, e poderia ter ampliado com um tiro na trave de Van Persie, em cobrança de falta, e outra, diante do gol, perdida.

O Manchester, sentindo muito a perda de Ronaldo Cristiano, virou, em pênalti, sofrido e cobrado por Rooney, e num gol contra absurdo de Diaby.

Por falar em Cristiano Ronaldo, o português foi muito discreto na estreia do Real no Campeonato Espanhol, vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña. Kaká já foi um tanto melhor, e marcou presença com um passe genial para Benzema disparar no poste e Raúl marcar, no rebote. Enfim, o Real foi muito melhor mas ainda está longe de ser aquele timaço que poderá vir a ser.

Quem deixou o galáctico Real para refazer sua fama foi o holandês Robben, que entrou no segundo tempo contra o Wolsfburg para se transformar na sensação do Bayern de Munique, que recuperopu também o francês Ribéry: fez dois gols (num deles, deixou o beque deitado na área, num corte esperto) e algumas jogadas de alta classe.

Por fim, no clássico de Milão, Dio Mio1: 4 a 0 para a Inter, num jogo fogoso, em que Ronaldinho Gaúcho correu muito mas produziu pouco. Pelo andar da carruagem, a Inter vai levar o penta no beiço.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
22/07/2009 - 15:36

E DEU MURICY NO PALESTRA

Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com todas as condições, pois, de brigar pelo título.

Dependendo dos resultados da rodada que se inicia hoje à noite, pode receber das mãos de Jorginho um Verdão líder isolado do Brasileirão.

Mesmo porque, mais do que os resultados obtidos até aqui, o Palmeiras tem revelado um futebol leve, envolvente e agressivo, agradável de se ver. Dizem que em razão da afinidade do elenco com o técnico interino. Aliás, não faltaram declarações dos jogadores nesse sentido nos últimos dias.

Mas, Muricy tem talento e personalidade para manter vivo esse vínculo com seus comandados.

Basta tocar o barco com leme firme, sem grandes desvios, que pode chegar lá.

MAIS UM NA JANELA

Outro corintiano que está com um pé sobre o batente da janela escancarada para o mundo é Douglas, um desses raros meias canhotos de toque refinado, tão pródigos no passado e tão escassos no presente futebol brasileiro.

Douglas, por isso mesmo, tem sido um ícone do Corinthians de Mano de tantas conquistas recentes. Representa a aposta de um técnico que ousou ir na contramão do estabelecido no futebol brasileiro destes tempos sombrios, arejando seu esquema e iluminando seu meio-de-campo com jogadores que jogam bola, antes de tudo o mais, sem perder a consistência defensiva. Ao contrário, o Corinthians, mesmo jogando com uma formação muito mais ofensiva do que os demais, é dono de uma defesa forte, nada vulnerável, como preconizariam os pragmáticos de plantão.

Joga e não deixa jogar, o lema mais verdadeiro de tantos que o futebol cultiva há mais de século.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Treinadores Tags: , , , , ,
14/07/2009 - 17:22

CRUZEIRO, NOSSO GUIA

O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.

É o nosso Cruzeiro do Sul, guia dos timoneiros sem bússola, um rumo que deveria ser seguido por todos os demais times brasileiros, no sentido de que é um dos raros a preservarem em campo suas identidade histórica.

Basta dizer que, nestas seis décadas em que acompanho o futebol, seja como amante da arte, seja por dever de ofício, não me lembro de um Cruzeiro que não praticasse um jogo técnico, ofensivo, rigorosamente dentro dos ensinamentos da brilhante e vitoriosa escola brasileira.

Não receba, por favor, o amigo estas palavras como fruto de chauvinismo, patriotismo, ufanismo, ou qualquer outro desses ismos que não me tocam nem de longe. É apenas uma constatação.

Não sei se os azuis vão levar a taça, nesta noite de quarta, ninguém sabe na véspera o que esse jogo tão caprichoso nos reserva para o dia seguinte.

Afinal, o Estudiantes é um bom time, que sabe tocar a bola bem ao estilo argentino do toco y me voy, orquestrado por um maestro no meio-de-campo, o eterno Verón.

Mas, desconfio que dá Cruzeiro, com gol de Kléber, o Gladiador, e outro, de despedida de Ramires. Pelo menos, torço, confesso, que assim seja.

DANÇA DO DIABO

Quem acompanha o futebol por um bom tempo não mais se surpreende com essa Dança do Diabo, como intitulou seu antigo livro de memórias o ex-técnico Francisco Sarno.

A surpresa é que, apesar de tantas vagas abertas, treinadores do porte e fama de Luxemburgo, Parreira e Muricy estejam por aí à deriva, assim como o emergente Mancini, que caiu sob uma chuva de ovos, o que me remete à velha máxima lusitana repetida pelo saudoso Oto Glória: sem ovos, não se faz omelete. (Os ovos a que ele se referia eram aqueles que entram em campo, não os que a torcida fez explodir nas janelas do ônibus santista).

A explicação é mais simples do que parece: grana. Grana e um certo desfastio desses técnicos.

Sim, porque os clubes começam a desconfiar que, com o nosso calendário, com tão pouco espaço oferecido ao técnico para treinar adequadamente suas equipes, mais os cofres vazios por tantas razões, o melhor é transferir os vultosos investimentos nos chamados treinadores de ponta para reforçar o elenco, abrindo espaços para interinos ou emergentes que possam tocar o barco mais ou menos da mesma maneira a um custo infimamente menor.

Mas, enfim, isso tudo pode ser apenas circunstancial. Amanhã, o Muricy assume o Santos; Parreira, o Palmeiras; Luxa, o Inter, ou até se associe com um clube de menor expressão, essas coisas, e tudo volta ao normal.

O problema todo é que, com o advento do Brasileirão por pontos corridos, mais o renascimento da Libertadores para nossos clubes (a Copa do Brasil se insere nesse cenário continental), os chamados clubes grandes brasileiros ainda não caíram na nova realidade, muito diferente daquela dos tempos em que os estaduais eram reis.

Naqueles tempos, eram de dois a quatro clubes disputando o título principal da temporada, em cada estado. No máximo, o jejum seria de três anos.

Hoje, são, por baixo, dez clubes dos grandes centros, sem contar as eventuais surpresas, competindo pelo cetro nacional. Pela lei das probabilidades, cada um poderia levar a taça de nove em nove anos. Uma eternidade para nossa cabecinha.

Acrescente aí o risco de rebaixamento, suprema vergonha para os bambambans do pedaço.

Cartola, mídia e torcida nem de longe enxergam as campanhas dos grandes sob essa perspectiva. Ao contrário, se tal clube, que investiu numa comissão técnica de nível e em alguns bons jogadores, não vestir a faixa de campeão, no mínimo, é um fracasso retumbante, mesmo que seja vice.

Só o tempo mudará essa ótica. Se mudar. Enquanto isso, todos continuaremos a seguir os passos da Dança do Diabo.

E AÍ VEM MAIS

Vem aí a décima primeira rodada do Brasileirão, com boas possibilidades de novas cabeças rolarem Ou, de algumas periclitantes se salvarem.

É o caso do interino Jorginho, no Palmeiras. Vai que o Verdão faça bela figura diante do Mengão, no Maracanã, cujo gramado foi destroçado pelo show do Roberto Carlos.

Se o presidente do Palmeiras já começa a acalentar a ideia de mantê-lo até onde der, terá de se render às evidências e soldar a permanência do atual treinador, que, cá entre nós, só precisa de um tempo para provar sua competência.

Afinal, o Flamengo vem muito bem, obrigado, e joga em casa, o que é sempre um grande negócio para os rubro-negros.

Outro que poderá se firmar um pouco mais, no conceito da mídia e da torcida, é Ricardo Gomes, cujo São Paulo vai ao Mineirão pegar nada menos do que o Galo forte, vingador e líder isolado do torneio.

Para tanto, muito contribuirá se o técnico tricolor olhar mais adiante e configurar seu time nos padrões mais modernos, com apenas dois zagueiros e um meio de campo mais ágil e hábil.

E Tite, desse Inter tão decantado no início da temporada e que, além das quedas na Copa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, vem de derrota para o Furacão? Dizem que se u prazode validade vai até o Grenal. Mas, se fizer fiasco diante de um Fluminense acéfalo, na zona do rebaixamento e tal e cousa e lousa e maripousa, sei não se Tite chega até lá.

Por fim, quem não tem que provar nada é Mano Menezes (nem podia ser diferente), que recebe no Pacaembu o Sport, time de campanha mediana no campeonato.

Mas, atenção, pode perfeitamente enfrentar certa turbulência, pois o Corinthians jogará desfalcado de sete titulares, dentre eles, Elias, que o Fenômeno, outra noite, no Bem, Amigos, classificou como o melhor jogador brasileiro da atualidade.

Será a chance de Jucilei, de tantas expectativas, comprovar que está apto a assumir o lugar do titular, um dos cogitados, aliás, para pular pela janela européia de contratações.

Elias, embora tenha jogado muito pouco na derrota por 3 a 0 para o Grêmio, tem sido uma das âncoras do Corinthians, nesta gloriosa campanha do seu time. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Libertadores, Treinadores Tags: , , , , ,
29/06/2009 - 15:27

HABEMUS TIME?

Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.

Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica e técnica entre os dois times.

Épico, porém, não significa excelência técnica. Nesse aspecto, o Brasil não cumpriu – a não ser em breves momentos do segundo tempo – seus altos desígnios. Foi muito mais guerreiro, determinado do que qualquer outra coisa. Claro que esse atributo é também essencial, mas jogar bola, esse, sim, é o nosso destino. 

Mas, virar um placar de 2 a 0 contra, numa decisão qualquer, nas condições em que isso ocorreu, com o adversário inteiro até o final, sem pênaltis ou gols ilícitos (ao contrário: aquela bola de Kaká entrou e o juiz não deu), é, sem dúvida, um feito épico.

Mas, passando de pato a ganso – e, neste momento, estou vendo três patinhos brancos deslizando no regato que banha meu jardim, como a saudar a vitória brasileira -, então, quer dizer que já temos o time da Copa e que Dunga está mais firme do que as Muralhas da China no comando da Seleção?

Bem, a não ser que advenha uma catástrofe irremediável, Dunga selou sua passagem para a Copa do Mundo, não apenas pela conquista da Copa das Confederações, com cinco vitórias – uma delas, sobre a Itália, campeã do mundo, mas, também, pela reação nas Eliminatórias nos jogos que precederam a ida à África do Sul.

Quanto ao time, não há nenhuma garantia, pois, até lá, sempre haverá a possibilidade de lesões, queda acentuada de rendimento deste ou daquele jogador, aparecimento súbito de um craque desses que estão acima de qualquer suspeita e tal e cousa e lousa e maripousa.

Esse time mesmo já teve bons e maus momentos, mesmo no curso das vitórias recentes. Isso faz parte. Mesmo porque há outros fatores, além dos técnicos e táticos, que contribuem para tanto – cansaço, falta de tempo para treinamento adequado, má fase deste ou daquele jogador etc.

Mas, digamos, como um exercício de imaginação, que essa turma toda chegue na Copa do Mundo nos trinques, o que ficará ainda faltando? Estou convencido de que falta uma alternativa tática confiável para quando as coisas não correrem do jeitinho que a gente gosta.

Na defesa e no ataque, não há muito o que se cogitar: os últimos convocados se suprem na medida do necessário. Mas, no meio-de-campo é que a porca torce o rabo. Há volantes demais e meias de menos.

Não custa nada Dunga trocar dois ou três volantes por dois ou três meias habilidosos. Vai que precisa, não é mesmo?

MURICY RETICENTE

Não tenho conversado com Muricy nos últimos tempos, apesar de vizinhos aqui em Ibiúna, onde ele descansa e reflete sobre seu futuro. Desconfio que ele anda agastado comigo, o que lastimo mas entendo. Afinal, passei, por baixo, este ano e meio pedindo para que Muricy mudasse o braço da viola, escapasse daquele círculo de giz que ele mesmo riscou ao seu redor, fixando-se num sistema que tornava seu time previsível, repetitivo e sem brilho.

A propósito, alguns internautas me cobram coerência: como, depois de tantas críticas, venho aqui condenar a demissão de Muricy do São Paulo?

Poderia, simplesmente, responder-lhes como o sábio: coerência é apanágio dos idiotas. Mas, não o farei, pois, não é esse o caso: ao mesmo tempo em que critiquei a postura tática inflexível do São Paulo de Muricy, antes mesmo, muitos anos atrás, venho repetido que se trata da maior vocação para técnico de futebol de que me lembro nas últimas décadas.

Uma coisa é o sistema adotado por Muricy; outra coisa é seu potencial como treinador de futebol, sua honradez, sua disposição de trabalhar de sol a sol na montagem de uma equipe, seus conhecimentos sobre os segredos do futebol, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade.

O fato é que passei agora pouco pela frente do seu condomínio e me deaprei com uma fila de pretendentes aos seus serviços técnicos que atravessava a estrada.

Qual o clube que não quer Muricy, tricampeão brasileiro?

O primeiro a saltar na frente foi o Palmeiras, que, aliás, só se desfez de Luxemburgo, o mais vitorioso técnico brasileiro, depois que soube que Muricy estava na praça.

Muricy, porém, está reticente: aceita ou não aceita o convite? Pediu uns dias para pensar.

Num prato da balança está o pudor de assumir o grande rival do São Paulo, clube que está entranhado na sua alma simples e direta. No outro, o desejo da família de que ele continue mesmo por aqui, na rota São Paulo-Ibiúna-Guarujá.

Ora, se Muricy estivesse pensando em trocar o São Paulo pelo Palmeiras por vontade própria, por uma oferta irrecusável etc., esse sentimento de lealdade se justificaria plenamente. Mas, não é o caso. Muricy foi simplesmente defenestrado do Morumbi. Logo, ninguém poderia condená-lo por aceitar uma oferta do Palmeiras nessas circunstâncias.

O homem, porém, é a soma de seus desejos e hábitos, muitas vezes conflitantes. E o que Muricy gostaria mesmo, lá no fundo, era suspirar feito Greta Garbo: Leave me alone! 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Seleção Brasileira, Treinadores Tags: , , , , , , , ,
27/06/2009 - 15:46

VAI SER DURO

Quer saber, meu amigo? Preferia que o nosso adversário na decisão da Copa das Confederações fosse Espanha ou Itália, menos esses EUA que aí estão.

Isso mesmo: um time com muito mais tradição do que os americanos, que jogasse o jogo, o que sempre nos dá a vantagem das individualidades mais refinadas e decisivas.

Esse time americano, porém, parece uma máquina desenvolvida em Detroit, destinada a não deixar o adversário jogar, mesmo porque carece de jogadores de alta qualidade. Tirando-se aí Dempsey e Donovan, descole o amigo um outro que tenha algo mais a oferecer.

Ah, mas passamos por ele, na fase de grupos, com facilidade, no placar e no jogo jogado: 3 a 0. É verdade, mas, agora, eles vêm ainda mais determinados, aplicados, envoltos na bandeira americana e inspirados nas palavras de Obama – aquele patriotismo único que fazem os americanos hastearem a bandeira nacional em cada casa dos subúrbios, de norte a sul do país.

Além do mais, parecem estar mais descansados do que os nossos, quase todos em fim de temporada, o que nos torna presa mais fácil à marcação cerrada e dobrada que certamente exercerão. Vide o jogo com a África do Sul, quando não conseguimos escapar ao pertinaz combate dos adversários. 

Sim, porque, nesses casos, para fazermos prevalecer nossas técnica e habilidade superioras, é preciso que a turma da frente, sobretudo, se movimente muito, mesmo sem a bola. Haja gás para isso.

Apesar de tudo, mesmo se for um jogo chato, cansativo, emprenhado, sou muito mais Brasil.

A QUEDA DE LUXA

Claro que a demissão de Luxemburgo, na madrugada de sábado, não se deveu apenas à suposta quebra de hierarquia nas palavras explodidas pelo técnico em entrevista em que a negociação de Keirrison com o Barça era o foco, embora o discurso de Luxa tivesse excedido ao tom natural nessas circunstâncias.

A verdade, desconfio e posso estar equivocado, é que o desgaste de Luxemburgo no Palmeiras já havia atingido um ponto de saturação.

Em primeiro lugar, porque os resultados obtidos, comparados ao volume do investimento no técnico e sua comissão de auxiliares, e mesmo ao currículo excepcional do treinador, vinha sendo muito inferior à expectativa.

Em segundo lugar, porque é insuportável para a cartolagem ouvir e ler todos os dias que Luxemburgo mandava prender e mandava soltar no Parque, a seu bel prazer. Por mais equilibrado e comedido que seja o dirigente, chega uma hora que isso fere muito mais do que qualquer coisa.

Mas, o diabo era se livrar de um vencedor nato como Luxemburgo numa hora dessas. Pois, deu-se a conjunção, quando Muricy levou um pé nos fundilhos do São Paulo.

Muricy passou a ser o objeto de desejo de vários grandes do Brasil, dentre eles o Internacional, em crise técnica, o Flamengo, com quem Cuca mantém um relacionamento atado a um fio muito tênue etc. A hora, então, era essa, antes de Muricy subir num barco do qual, todos sabem por sua biografia, que só desembarcará ao final do contrato, ou se for demitido, fato raro em sua carreira.

O problema é que Muricy passa a sensação de estar um tanto abalado ainda – menos pela demissão em si, e mais pelo fato de o São Paulo, nas suas mãos, neste primeiro semestre, não ter dado sinais claros de recuperação.

Aliás, saiu do Morumbi dizendo que queria mesmo era descansar por uns tempos, o que é muito compreensível, para quem vem numa balada de conquistas, desde o Sport, São Caetano, Inter e São Paulo.

Resta, pois, à direção do Palmeiras convencê-lo, acenando-lhe com algo que realmente o comova, a ponto de voltar imediatamente à ativa. Seria muito bom para ambos.

Quanto a Luxemburgo, se o Inter fizer aquele sinalzinho do dedo indicador voltado pra dentro, indo e vindo, também seria uma boa solução, imagino. Somaria um elenco de escol a um técnico de alta competência, coisa bem a gosto de Luxa.

Por fim, a saída de Keirrison para o Barça era inevitável, já que essa possibilidade estava tramada antes mesmo de o craque se transferir do Coritiba para o Palmeiras. Tanto, que constava do contrato de K-9 com o Verdão como uma cláusula específica.

Acho que é cedo para um salto desses. Mas, quem sabe?

ESTRÉIA DE RICARDO GOMES

Na estréia de Ricardo Gomes no lugar de Muricy, o São Paulo foi outro, diante do Náutico. Não apenas por ter vencido com o placar de 2 a 0, gols do zagueiro Rolt, de cabeça, em cobrança de falta de Hernanes, que marcou o segundo, também de falta, com desvio do zagueiro do Timbu.

É que, jogando com apenas dois zagueiros, e três volantes, o time ficou um pouco mais equilibrado, e, embora tenha sofrido contragolpes perigosos do Náutico, manteve melhor fluência na saída para o jogo e criou maior número de chances para abrir a contagem.

Melhorou ainda mais depois das entradas dos meias Jorge Wagner e Oscar, o que provocou a volta de Hernanes a seu lugar ideal – segundo volante.

Sim, levou duas bolas nas traves e meteu uma, mas, pelo menos, mudou o braço da viola.

SURPRESA

A grande surpresa desta rodada de sábado, sem dúvida, foi a derrota do líder Atlético Mineiro para o Barueri, na casa do inimigo: 4 a 2, quem diria?

E olhe que o Galo, depois de sofrer dois gols no início – um deles, em falha do goleiro Aranha, ao tentar devolver com os pés bola pressionada pelo atacante do Barueri -, chegou ao empate, com dois pênaltis convertidos por Diego Tardelli. Mas, a expulsão do beque Wesley e a determinação dos jogadores do Barueri acabaram por decretar a goleada no finalzinho da partida.

Assim, o Galo perdeu a invencibilidade, mas não perdeu a liderança.

Já a derrota do Corinthians para o Furacão, na Arena da Baixada, não chega a surpreender ninguém.

Afinal, Mano Menezes escalou todo o time reserva, além do banco, poupando seus principais jogadores para a decisão da Copa do Brasil diante do Inter.

Com magnífica cobrança de falta de Paulo Baier, o Atlético PR livrou-se da lanterna. Por enquanto. E o Timão segue ali rondando o G-4, o que não é mau negócio.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira, Treinadores Tags: , , , , , , , , ,
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