Muricy Ramalho | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011 Clubes brasileiros | 17:15

O PEIXE E AS ORIGENS

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Não estou aqui para defender, nem atacar o técnico Muricy, por quem tenho apreço pessoal e admiração profissional pelo craque que foi e treinador de futebol que é.

Mas, apenas para fazer algumas reflexões em cima dos murmúrios na Vila sobre sua eventual investida contra o DNA do Peixe, como bem propalou o presidente Luís Álvaro. E aqui já se inicia uma arqueologia ontológica. DNA é a estrutura básica do ser humano, representada graficamente como uma escadinha em caracol que, até onde se sabe, determina quem é quem.

E o Peixe simboliza o início da espécie humana, vinda da água para se transformar, ao longo dos milênios, no rei do planeta. Por isso mesmo, talvez, o símbolo do cristianismo, que, segundo seus prosélitos, representava o renascimento, um novo começo para a humanidade.

Se tentarmos uma simbiose dos dois, poderíamos chegar à conclusão de que o DNA do Peixe significa um recomeço, uma volta às origens do futebol brasileiro, feito da exata combinação entre a eficiência e a arte.

Mas, deixemos de lado essas abstrações, que podem perfeitamente não passar de uma bobageira, e voltemos à vaca fria, que, se devidamente assada, cozida ou frita, nos deu energia para chegarmos até aqui.

Pois bem. Quem somos para invadir a alma de Muricy e saber o que lá reside, seus mais recônditos desejos, essas coisas?

Seus atos dizem por si, de acordo com as circunstâncias e as necessidades. No São Paulo, por exemplo, foi um grande vencedor, adotando uma postura mais defensiva. No Flu, foi campeão buscando um jogo mais franco, embora não tenha podido chegar ao paroxismo de escalar ao mesmo tempo Conca, Deco, Emerson e Fred, nem uma única e escassa vez, no período em que esteve nas Laranjeiras.

Mas, esse era seu desejo óbvio. Se tivesse conseguido isso, com todos os craques em plena forma, talvez esse Fluminense campeão brasileiro teria entrado para a história como um exemplo bem acabado dessa combinação de eficiência e arte.

Ao desembarcar na Vila, o que Muricy encontrou? Um sistema defensivo falho, um armador do tamanho de Ganso voltando de longa recuperação e prestes a cair de novo na enfermaria, como ocorreu, e, lá na frente, apenas Neymar, um fora de série. E, na reserva dessa turminha de elite, só alguns meninos de futuro promissor mas incerto.

Isso, sem tempo para respirar, pois era uma decisão atrás da outra, em duas frentes de batalha: o Paulistão e a Libertadores.

O que fez Muricy? O óbvio. Fechou seu time e atirou sobre Neymar toda a responsabilidade de decidir as coisas lá na frente. E, Neymar, com seus gols e assistências, até agora, tem resolvido.

Muricy, pois, fez o que qualquer técnico, do passado ou do presente faria.

O termo técnico define tudo, pois, segundo o velho livro, antes do peixe e de toda a Criação, veio o Verbo, a palavra. E técnico designa  aquele cara pragmático, que resolve problemas pontuais quando eles se oferecem.

Muricy não tem cabedal nem espírito para vagar pelas ondas da teoria. No seu íntimo, imagino, bem que gostaria de montar um time que deslumbraria o mundo, como o Santos de Pelé ou o Barça de Messi, para citarmos dois tempos tão distantes entre si..

Mas, entre isso e a necessidade de escapar do jogo seguinte, prevalece a segunda hipótese.

Dessa forma, não está agindo em nada diferente dos seus mais ilustres predecessores.

Raríssimos foram os treinadores na história do futebol brasileiro que ergueram a cabeça além do horizonte dos resultados. Pode-se contar no dedo um Flávio Costa, autor da Diagonal, que prevaleceu durante os anos 40/50; um Zezé Moreira, que implantou a marcação por zona, hoje adotada no mundo inteiro, nessa mesma época.

Mas, paramos por aí. De resto, sempre foi a busca pela vitória por qualquer preço, inclusive Telê, mestre de Muricy, basicamente um treinador que buscava sempre um futebol, tecnicamente, bem jogado. Uns mais toscos; outros mais ousados.

O desconhecimento teórico sobre o desenvolvimento histórico das táticas e estratagemas, entre os atuais técnicos, mesmo os tidos como “estudiosos”, é espantoso, para quem, como este aprendiz de escriba, os ouve com certa frequência.

São técnicos, práticos, em geral, ex-jogadores, alguns ex-craques, outros nem tanto. Caras que conhecem os mistérios das quatro linhas e até desenvolveram treinamentos específicos eficazes para montar e manter uma equipe.

Mas, não estão ligados na evolução da espécie. Muito menos na volta às suas origens.

Notas relacionadas:

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  2. FLU E PEIXE NO MESMO BECO
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

domingo, 10 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Copa do Brasil | 21:48

A EFICIÊNCIA DO FLA

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O clássico carioca esteve longe das suas tradições, distante das expectativas atuais, mas dentro da realidade atual das duas equipes. Quer dizer: um Botafogo de elenco apenas razoável e em fase de transição, com a chegada do novo treinador, Caio Jr., e um Flamengo estrelado, de campanha irrepreensível na temporada, mas que não consegue brilhar.

Assim, venceram os números, o desempenho: 2 a 0 para o Flamengo, dois gols de Thiago Neves, uma das estrelas rubro-negras que ainda não conseguiu encantar, embora venha sendo altamente eficiente.

A ESTREIA DE MURICY

Muricy, finalmente, sentou no banco do Santos, em Americana. E o que viu em campo, por certo, não lhe deu felicidade.

Com Ganso, poupado, a seu lado, Muricy certamente viu um Santos inoperante, embora tivesse o domínio da maior parte do jogo. Nem tão firme na defesa como ele pretende, nem tão ofensivo como vinha sendo em passado recente.

Melhorou um pouco com a entrada de Ganso, no segundo tempo, mas nada que justificasse placar maior do que o zero a zero final. Aliás, quem esteve mais perto de marcar, na verdade, foi o Americana. Ou melhor: marcou, mas o juiz anulou.

SHOW TRICOLOR

Curioso esse detalhe: mesmo desfalcado de vários titulares, dentre eles o menino Lucas, sua principal atração, e com dois zagueiros apenas, o São Paulo foi a Bauru, deu um show de bola e meteu quatro gols no Noroeste.

Vale destacar aqui as atuações de Carlinhos Paraíba, Dagoberto, mais uma vez, Marlos e Jean, como autêntico lateral-direito.

Ah, sim, vá somando mais um gol de Rogério, de pênalti.

FALCAO E A GOLEADA

Obviamente, nada tem a ver a contratação de Falcão para o lugar de Celso Roth com a súbita goleada do Inter sobre o Universidade, pelo Gauchão: 6 a 2!

Mas, não foi assim, uma moleza, não. O Universidade saiu na frente, com 2 a 0, e o Colorado teve de correr para virar um caminhão de melancia sobre o adversário.

Quanto a Falcão, é só desejar-lhe toda sorte do mundo, que merece.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  2. FLA E JOEL
  3. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 5 de abril de 2011 Clubes brasileiros | 19:12

MURICY É TRABALHO

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Muricy é trabalho, não genialidade. Perseverante, inteligente, embora sem diploma na parede ou papo rebuscado, perspicaz, mas um tanto teimoso, herança da Vila Sonia e do contágio transmitido por seu mestre, Telê Santana. Mas, não é aquele tipo raro de treinador capaz de chegar, e, numa palestra antes do jogo incendiar a alma da equipe, ou, de, num passe de mágica, mexer uma peça e arrumar todo o conjunto.

O que quero dizer com isso é o seguinte: bem que Muricy poderia ter abreviado suas férias a tempo de trabalhar esse time do Santos para o jogo decisivo contra o Colo Colo, nesta quarta-feira, na Vila, pela Libertadores.

De qualquer forma, cedo ou tarde, finalmente Santos e Muricy se acertaram, como estava escrito nas estrelas desde que o treinador abandonou as Laranjeiras, de repente.

E, para que essa parceria dê certo, será preciso que ambas as partes cedam um pouquinho em suas pretensões e visão sobre o que deverá ser o novo time, sob o comando de Muricy.

O treinador, em entrevistas anteriores, já se disse disposto a buscar uma formatação ofensiva, obedecendo ao perfil histórico do Peixe. Que assim seja, para o bem de todos.

Já a torcida e a diretoria deverão entender que, apesar da permanência da dupla Ganso-Neymar, o atual Santos está longe de reproduzir aquele futebol mágico do primeiro semestre do ano passado.

As perdas, de lá pra cá, foram muitas e extremamente significativas: Arouca, que foi o mais brilhante volante da temporada passada, baixou enfermaria por longo tempo e só agora está voltando a bater bola; Wesley, aquele volante múltiplo, veloz e hábil que fazia a ligação vertiginosa com o ataque, se pirulitou, assim como o centroavante André e o ágil e inventivo Robinho, além de Madson, que sempre dava uma sacudida no time quando entrava no segundo tempo, e Marquinhos, organizador por excelência.

Ganso está voltando de longa inatividade, com um talhe mais robusto do que nos tempos de relampejante ascensão, e levará algumas rodadas ainda para readquirir a forma ideal.

Quanto a Neymar, de quem se pode falar o que quiser menos falta de empenho, uma coisa é jogar com Robinho, atazanando o adversário do outro lado; Ganso, em forma, metendo-lhe bolas inimagináveis, e a dupla Arouca-Wesley chegando a toda hora, em velocidade. Outra, muito diferente, é ter de fazer praticamente sozinho tudo isso, mais os gols salvadores.

Vieram, em contrapartida, Elano, Keirrison e Jonathan, que só sai do estaleiro para dar uma voltinha. O centroavante, desde que desembarcou na Vila, jamais conseguiu reproduzir a bola que lhe deu breve fama no Coritiba e no Palmeiras. E Elano é a antítese de Wesley: lento, dono de bom passe e mestre nas bolas paradas, confere ao time outro ritmo, outra concepção de jogo.

Um time de futebol é a síntese das características de cada jogador. São elas que, no fim, acabam determinando o padrão de jogo.

Logo, se o Santos, nas mãos de Muricy, não conseguir atingir aquele parâmetro do primeiro semestre do ano passado, que a torcida não acrescente aos problemas atuais a adoção do clichê de retranqueiro a Muricy.

A não ser, claro, que ele, por teimosia ou convicção, escale três zagueiros, dois volantes de contenção e adote o contragolpe como único recurso. Aí, ninguém segura a galera peixeira.

Isso, claro, se o time não vencer todas, o que também é bem possível.

LIGA DOS CAMPEÕES

Foi, sem dúvida, a jogada mais espetacular dos últimos tempos, e uma daquelas pra entrar na antologia do futebo. Lançamento para Milito, que chegaria sozinho à área, interceptado por providencial peixinho do goleiro do Schalke, fora da área. Sucede que a bola cai nos pés de Stankovic, no meio-círculo, e o jogador interista faz o que Pelé não fez: mete a bola nas redes alemãs, com uma precisão de vídeo-game.

Isso, aos 23 segundos de bola rolando, o quinto recorde na história dos gols relâmpagos da Liga dos Campeões. Mas, pra quê? Só pra atiçar a alma germânica, que, no fim das contas, conseguiu a proeza de virar um caminhão de repolhos sobre o time de Leonardo, que está de orelha ardendo: 5 a 2, pode?

E olhe que o goleiro Júlio César nem pode ser culpado pela goleada inesperada. Pegou bolas incríveis, até em alguns gols do adversário.

Mas, o tom quem deu foi Raúl, esse veterano e ainda extraordinário atacante, que já atingiu a prodigiosa marca de setenta gols em jogos da Liga, afora os tantos mais que fez pelo Real em campeonatos nacionais.

Já o Real Madrid, em casa, vestiu a camisa virtual do Barça e botou o Tottenham na roda. Dominou do início ao fim, e ganhou folgado, com dois de cabeça de Adebayor, em mais um dia inspirado de Marcelo, que vem se transformando numa estrela do constelado Real.

FRONTEIRA EM PÉ DE GUERRA

Os gaúchos Inter e Grêmio vão à guerra nos dois próximos dias.

O Colorado pega o Juagares, lá, o que não é nenhuma moleza. Mas, com D’Alessandro e Oscar jogando o que estão, a parada fica menos difícil.

Depois, será a vez do Grêmio, que não está bem, nem mal no torneio. Mas, que ficará beleza se passar pelo Juniors Barranquilla, no Olímpico.

É só ter cuidado com aquele cabeludinho, meia-esquerda, deles, e apostar no talento do menino Leandro, a grande sensação tricolor nesta temporada, que a coisa toda se ajeita.

Notas relacionadas:

  1. A QUEDA DE MURICY
  2. O SONHO DE MURICY
  3. MURICY E A VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 22 de março de 2011 Clubes brasileiros | 15:44

A DANÇA DO DIABO

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Há muitos anos, o ex-técnico José Sarno, que, nos anos 50 foi zagueiro e lateral do Palmeiras, Santos, Botafogo,  entre tantos outros, escreveu um dos raros livros sobre futebol na época: Futebol, a Dança do Diabo.

Falava, sobretudo, da vida cigana dos treinadores de futebol de sua geração, uma dança eterna da cadeira – esse entra e sai, essa troca de cadeiras constante nos clubes brasileiros. A única diferença está na conta corrente dos mais famosos – ganha-se muito mais hoje do que antigamente, claro.

Enfim, Papai Joel deixou o Botafogo chorando, enquanto a turma do Flu sorri com a possibilidade de levá-lo de imediato às Laranjeiras, sobretudo depois de ter sido recusado por uma pá de treinadores, até mesmo do iniciante Kleina, da Ponte.

E olhe que, com seu jeitão paterno e parceiro, bem que Joel pode dar um jeito no Flu.

Já Adílson, dispensado outro dia pelo Santos, um dos tantos que recusaram o Flu, pode desembarcar em General Severiano para sentar na cadeira de Joel, sem prancheta, óbvio.

Enquanto isso, o vizinho aqui do lado da minha caverna em Ibiúna, Muricy, de papo pro ar, uma Bohemia gelando no balde, só espera o tempo passar mais um pouco para assinar com o Santos.

Contudo, apressou-se em remover um eventual obstáculo, ao anunciar publicamente que pretende respeitar o DNA do Santos, como gosta de dizer o presidente Luís Álvaro. Ou seja: respeitará a vocação ofensiva do time.

Mas, todo esse cenário pode virar de cabeça pra baixo se Abel Braga, lá das arábias, enviar um e-mail do tipo “sim, quero voltar”. Aí, todos os clubes cairão sobre ele feito urubus esfomeados. Nem só os sem-técnicos. Que moral, hein?

O FLU, AGORA

Falando em Fluminense, se ainda não conseguiu um técnico efetivo, já contratou um interino. Trata-se de Enderson Moreira, ex-Inter B, aquele projeto abortado recentemente pelo Colorado.

Não sei dos dotes do moço. Mas, ao escalar o Flu para o confronto com o América do México, amanhã, pela Libertadores, pareceu-me bem focado, ao escalar o novo meio-campo e o velho ataque tão sonhado pelos tricolores: Valencia, Diguinho, Souza e Conca; Emerson e Fred, com Deco, ainda não refeito de todo de grave lesão, no banco.

Essa formação sugere um time mais articulado, capaz de, se todos jogarem o que sabem, passar sem grandes sustos pelos mexicanos. Mas, será preciso suar sangue para tanto. E, principalmente, ter cuca fresca.

LEANDRO DAMIÃO

Leandro Damião, centroavante do Inter  badaladíssimo pela crônica gaúcha, extasiada por sua volúpia de gols, um atrás do outro, é chamado por Mano para ocupar o lugar de Pato, que por sua vez recupera-se de lesão nos braços da filha do Duce Berlusconi, dono do Milan e das noites de Milão.

Como me disse ainda ontem o meu querido Professor, Ruy Carlos Ostterman, o menino não é de prosopopeias com a bola. Mas, tem todas as técnicas de um artilheiro de respeito: bate bem com as duas, cabeceia como poucos, sabe fazer a parede lá na frente para os companheiros e tudo o mais do gênero.

Confesso que vi Leandro Damião em ação poucas vezes. Mas, do que vi, gostei.

PROTAGONISTAS & FIGURANTES

No Bem, Amigos de ontem, o Galvão Bueno, lá de Lisboa, levantou a bola que anda quicando por aí: há uma legião de excelentes jogadores brasileiros na Europa, mas nenhum deles é protagonista, uma dessas estrelas que brilharam por lá nos últimos anos, tipo Ronaldo Fenômeno, Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, o último dos moicanos, todos eleitos o melhor do mundo pela Fifa, alguns deles, mais de uma vez.

E, pode-se transferir isso até para a Seleção de Mano, onde não temos um nome que carregue a bandeira do melhor futebol do mundo.

O que, afinal, está acontecendo com nossos craques?

Simples: estamos num processo de transição de gerações.

Ou melhor: mais do que mera transição, passagem natural, essas coisas, mas, sim, um salto sobre o vácuo formado pela abrupta queda de rendimento de Ronaldinho Gaúcho e de Kaká, que deveriam, pela idade e currículo, estar neste momento no auge de seus respectivos brilhos.

Kaká, pela séria lesão que o deixou praticamente um ano fora de cena. Lesão, aliás, que inclusive não lhe permitiu cumprir uma Copa do Mundo à altura das expectativas. Na verdade, duas. E, Ronaldinho, sei lá por que, não chega aos pés daquele Ronaldinho mágico do Barça.

O fato é que ambos deixaram a bola pingando no vazio, nesse campo dos sonhos.
E os que podem retomá-la em alto estilo não estão na Europa e sim aqui no Brasil, segundo as avaliações dos dois craques incomparáveis, convidados do programa, Rogério Ceni e Marcos, que logo listaram três nomes: Ganso, Neymar e Lucas.

Todos, porém, começaram ontem suas carreiras. E, apesar do evidente potencial de cada um, ainda não dá para prever com exatidão o alcance do êxito futuro, embora, particularmente, eu creia que chegarão lá, mais cedo ou mais tarde.

Pena, por exemplo, que nossa apressada e um tanto leviana mídia tenha estigmatizado Neymar, por algumas irresponsabilidades próprias de menino, como indisciplinado. A ponto de um jornal espanhol estampar o seguinte sobre o interesse do Barça pelo garoto: “Gênio, mas indisciplinado”.

Foi, em apenas um episódio. Não é, necessariamente. Aliás, Ney Franco que com ele conviveu durante dois meses, durante a campanha vitoriosa do Sul-Americano Sub-20, foi enfático – o quanto enfático pode ser um autêntico mineiro – que não constatou um traço sequer de indisciplina no caráter e no comportamento do jogador. Ao contrário: descreveu-o como parceiro e alegremente integrante do grupo, nos bons e maus momentos.

Mas, enfim, é o que temos: três meninos carregando o pendão da esperança, à espera de que o tempo cumpra seus desígnios.

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  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
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  3. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 21 de março de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Libertadores | 15:09

SAÍDA PARA O FLU

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O jogo crítico com o América do México vem aí e o Fluminense segue à deriva, sem técnico e com os nervos abalados pelos últimos resultados, especialmente a derrota por 2 a 0 para o Boa vista, no fim de semana, pela Taça Rio.

Levir Culpi agradeceu o convite, mas disse que, neste momento trágico no Japão, não pretende escafeder-se de lá. Gesto de nobreza e caráter que se ajustam bem à personalidade de Levir.

Fala-se em Adílson Batista e até em Caio Jr., dois bons nomes, sem dúvida, embora Adílson, depois de longo período no Cruzeiro, em breve tempo pulou do Corinthians para o Santos, e, da Vila, para o limbo provisório.

De qualquer forma, nenhum deles teria tempo para acrescentar nada ao Flu até quarta-feira, dia do confronto com o América.

Eis, pois, o momento em que jogadores e torcida terão de extrair algo mais de suas almas inseguras e magoadas.

É chegada a hora de provar em campo que esse negócio de união do grupo existe mesmo, sobretudo na desdita. Cabe ao elenco,, principalmente os mais experientes, tomar as rédeas do jogo, baixar o nível de ansiedade e aumentar o da autoconfiança e partir pra cima dos mexicanos como se fosse a última vez, como no verso do bolero histórico.

Quanto à torcida, é preciso engolir as frustrações e a indignação, e devolver todos esses sentimentos num estimulo incessante de noventa minutos. Depois, se o resultado for mais uma vez for desafortunado, aí sim cabe a vaia ululante.

Não há outra saída.

O CAMINHO DO IMPERADOR

O presidente do Corinthians, que através de Ronaldo Fenômeno já tentou levar Adriano para o Parque São Jorge, parece ter jogado a toalha – se não for despiste, claro -, ao dizer publicamente que Adriano estaria indo ou para o Flamengo ou para o Botafogo.

A eventual ida do Imperador a General Severiano tem duas pedras no caminho: o alto preço da empreitada e a barreira da dupla Mercosul – Herrera e Loco Abreu, sobretudo o uruguaio, ídolo da torcida e centroavante de estilo similar ao de Adriano.

Por tanto, só resta uma seta indicando para a Gávea. Sabe-se que tanto o técnico Luxemburgo quanto a presidenta do Mengo não esperam o Imperador com tapete vermelho estendido á porta do clube.

Mas, parte da torcida – especialmente aquela que tem muita influência nos destinos do clube – quer porque quer a volta do Imperador. E quer porque o craque é prata da casa e o filho pródigo que, na volta, lhe deu o título brasileiro quando não restava ao Flamengo nenhuma esperança na época.

Acima de tudo, porém, quer porque o Flamengo não tem aquele goleador de escol para aproveitar as possíveis invenções de Ronaldinho e Thiago Neves a partir do meio de campo.

Mais ou menos o seguinte: ruim com ele, pior sem ele.

ARTILHARIA PESADA

Pois não é que o Cruzeiro, de artilharia tão pesada nesta temporada, ainda quer mais poder de fogo? Sim, porque acaba de desembarcar na Toca o goleador Brandão, aquele grandão que fez fama e fortuna no Shaktar e que estava no Olimpique de Marselha.

Muitos grandes do Brasil quiseram nestes anos todos repatriar o artilheiro, sem êxito. Desconfio que a volta por empréstimo tenha algo a ver com a acusação de estupro sofrida pelo craque lá na França.

Mas, o fato é que o Cruzeiro ganha mais um centroavante de nível internacional em meio à penca de artilheiros que já lá estão. Às vezes, isso é um tiro no pé. Mas, em princípio, vale uma salva de canhão na recepção ao goleador.

AS DÚVIDAS DO PROFESSOR

Carpegiani apreciou muito a participação de Marlos na vitória do São Paulo sobre o Prudente. Tanto, que entrou em parafuso: como voltar com Dagoberto e Fernandinho, que vinham jogando muito bem, e sacar Marlos?

Simples. Basta trocar um dos três zagueiros. Então, poderia montar sua equipe com Rogério; Jean, Alex, Miranda e Juan; Casemiro, Carlinhos Paraíba, Lucas e Marlos; Dagoberto e Fernandinho.

Para os adversários seria como tentar segurar a água com os dedos.

Ah, mas e a defesa? Ora, com um goleiraço da estirpe de Rogério, dois zagueiros de altíssimo nível, mais a proteção de Casemiro e Carlinhos, sem contar com a participação dos dois laterais na marcação também, qual o problema?

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  2. VIRADA INACREDITÁVEL
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

domingo, 20 de março de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 02:17

FLU E PEIXE NO MESMO BECO

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Os dois melhores times brasileiros da temporada passada, justamente os que se insinuavam como os inevitáveis melhores neste início de ano, entraram pelo cano, aquele que deságua no beco sem saída.

Fluminense e Santos, os únicos brasileiros a perigo na Libertadores, seguem sem técnicos efetivos – um se demitiu, outro foi demitido – e já começam a tropeçar seriamente nos respectivos estaduais.

Neste sábado, o Santos, com Ganso, Neymar e Elano, as estrelas da cia., o Santos perdeu para o Bragantino, em Bragança, por 2 a 1. E, a não ser que São Paulo, Palmeiras e Corinthians percam também seus jogos no domingo, já não mais será líder como seus ilustres adversários, por pontos ganhos.

Nada trágico, é verdade, pois o Santos não chegou a realizar uma partida absolutamente desastrosa, daquelas que levam o torcedor pedir a dispensa do time inteiro, junto com as cabeças do técnico e do presidente.

Obviamente, não jogou bem, sobretudo no primeiro tempo, quando a partida terminou empatada por 1 a 1. Mas, melhorou no segundo, criou chances de passar á frente no placar, e acabou tomando um gol de cabeça, em bola parada, no finzinho.

Percebe-se, porém, que o time todo está muito instável, mais propenso à irritação do que à autoconfiança. E isso exige medidas imediatas para que a coisa toda não vire um novelo sem fio de meada.

O Fluminense, idem, com batatas. Acaba de levar 2 a 0 do Boa Vista, aquele mesmo olho gordo que lhe tirou a possibilidade de disputar com o Flamengo o título da Taça Guanabara. Derrota que o coloca em situação delicada no seu grupo, na disputa pela Taça Rio, última chance de brigar pelo título carioca.

O curioso nessa história toda é que o Santos tem toda a infra que o Fluminense não tem, motivo pelo qual Muricy abandonou as Laranjeiras, despertando a cobiça da turma da Vila. Ambos têm bons elencos, camisa e torcida. Só perderam o encanto e a sintonia fina, troço difícil de recuperar quando as coisas desandam.

Mas, perfeitamente possível, nos dois casos.

PS – Peço zilhões de desculpas pela confusão que fiz no texto sobre o Cruzeiro. Realmente, confundi André Dias, do Cruzeiro, pelo Alex Dias que jogou com Thiago Ribeiro, no São Paulo, por brevíssimo período.

Nunca fiquem velhos, meus jovens.

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  1. PEIXE, NO MERGULHO
  2. O PEIXE E O RISCO
  3. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

segunda-feira, 14 de março de 2011 Clubes brasileiros | 15:03

MURICY E A VILA

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Providencial a entrevista de Paulo César Vasconcelos com Muricy, no Arena Sportv, para esclarecer o motivo central da saída de Muricy do Flu: o nó foi o vazamento para a imprensa, constante e detalhado, do convívio privado do técnico com a equipe. Isso é veneno puro, pois desperta suspeitas e desagrega o ambiente, o que se refete na produção da equipe em campo.

Bem, mas Muricy saiu fora e anunciou que ficará trinta dias de molho, antes de pensar nos novos rumos de sua carreira. Já o Santos tem pressa… mas não tanta.

Na verdade, imagino, o presidente Luís Álvaro quer esperar pra ver no que vai dar o comando do interino Martelotte, sobretudo, no jogo com o Colo-Colo, em Santiago, jogo decisivo para as pretensões do Peixe na Libertadores.

Vai que o time ganhe e ainda por cima dê uma daquelas exibições dos bons tempos recentes, o que não é nada impossível com Ganso em campo, mesmo a  meio-pau. Seria sábio trocar o interino por Muricy?

Nem de longe pretendo cotejar as competências dos dois treinadores. Muricy é um vencedor como poucos na história do nosso futebol, trabalha feito mouro, conhece o metiê, como se dizia antigamente, é sério, honesto e tudo o mais. Martelotte não passa de um aprendiz com algumas qualidades evidentes.

Mas, quem conhece a história do Santos – remota e presente -, sabe que se trata de um clube peculiar, voltado pra si como nenhum outro.

Duvido que haja outro clube brasileiro tão insistente na utilização de ex-jogadores como técnicos. Dá pra escalar um time inteiro de treinadores do Santos que vestiram a camisa alvinegra, do goleiro Manga ao ponta-esquerda Pepe, passando por Ramiro, Mauro, Formiga, Urubatão, Ramos Delgado – extraordinário beque argentino que nos deixou outro dia -, sei lá quantos mais.

Aliás, o grande Santos das décadas de 50/60 teve apenas dois treinadores: Lula, que começara treinando a Briosa, e Antoninho Fernandes, craque dos anos 40/50. Dois eméritos praieiros.

Outro detalhe: é muito recente a retomada do time santista com sua identidade original, vocacional, de um jogo ofensivo, leve, moleque, irreverente. Tanto, que a torcida não aceita menos do que isso. Que o diga Adílson, o último dispensado da Vila.

Ora, Muricy tem fama – verdadeira ou não – de apostar no seu tal time cascudo, aguerrido, preocupado antes de tudo com a marcação, essas coisas.

Sei bem que Muricy tem expediente para trabalhar com qualquer sistema ou estilo. Mesmo no Flu campeão brasileiro, ele deu uma forte guinada em relação ao que aplicou no São Paulo, tricampeão.

Mas, o torcedor trabalha com clichês, não com reflexões serenas. E o clichê é definitivo: Fulano é isso; Beltrano é aquilo. E ponto final. Só muda de pensar quando diante de fatos irrefutáveis, ao sabor das ondas que vão e vêm.

Pela experiência, pelo currículo invejável e pela competência inegável, Muricy seria a melhor pedida para o Santos agora. Mas, o Santos é mais complicado do que isso.

Martelotte, por sua vez, adotou o discurso do torcedor, que combina, aliás, com o pensamento dos jogadores, embora não tenha ainda reproduzido em campo seu ideário.

Com Ganso e a volta de Arouca, dois jogadores essenciais para configuração desse estilo de jogo tão desejado pela torcida e pelos amantes do bom futebol, quem sabe o interino não possa atingir seus objetivos, e a Vila volte ao agitado sossego de sempre.

É esperar pelo balanço das ondas.

Um lugar para Fabuloso

O próprio Luís Fabiano, em seu twitter, já escalou o São Paulo com ele: Rogério; Jean, Alex, Miranda e Juan; Casemiro, Carlinhos Paraíba e Lucas; Dagoberto, ele e Fernandinho.

Nada mais moderno, nem tão sugestivo do que essa formação para o atual São Paulo, não fosse a resistência do técnico Carpegiani, ainda apegado àquele conceito superado dos três zagueiros ou dos três volantes no meio de campo.

Num dos dois casos, o técnico teria de sacrificar ou Dagoberto ou Fernandinho. Dagoberto atravessa a melhor fase de sua carreira desde os tempos do Furacão. E Fernandinho tem sido vital naquelas pontadas pela esquerda.

Mas, enfim…

Felipão e a pulguinha

Depois da vitória do Palmeiras sobre o São Bernardo, Felipão plantou uma pulguinha atrás da orelha dos repórteres. Ao responder sobre as vaias da torcida pelas substituições erradas no segundo tempo, Felipão disse que achava isso até bom, pois poderia apressar certas decisões suas.

Traduzindo: se o forte vínculo com a torcida se quebrar também, no clima pesado já criado por cartolas em torno de seu alto salário, então não restará a Felipão senão pegar o boné e pirulitar do Parque de vez.

É o que cochicha em nosso ouvido a pulguinha plantada pelo treinador.

Notas relacionadas:

  1. A QUEDA DE MURICY
  2. O SONHO DE MURICY
  3. MAIS UM FORA DA VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 11 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 16:30

RONALDINHO E A FESTA

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E Ronaldinho, finalmente, botou o preto no branco com o Rubro-Negro. Já não era sem hora. Mesmo porque nesse vai e vem e volta e tal e cousa e lousa e maripousa, o craque consumiu um bom par de dias para se dedicar aos treinamentos da já tão curta pré-temporada.

É verdade que ele vem da Itália, onde o campeonato já rolava a toda. Mas, lá, ele vinha mais esquentando banco do que jogando. Depois, vieram as Festas de Natal e Ano Novo, os exageros naturais desse período, enfim, hay que entrenar, muchacho, hay que entrenar.

A propósito, tempos atrás, quando o futebol de Ronaldinho começou a declinar ainda no Barça, conversando a respeito com o técnico Muricy, colhi dele uma observação interessante: “Não é a cabeça, as noitadas, nada disso: são os músculos (bateu nas próprias coxas)”.

E explicou: toda aquela magia de dribles, assistências e gols antológicos que fizeram Ronaldinho Gaúcho duas vezes o melhor do mundo, sem discussões, advêm da força muscular para arrancar, brecar, arrancar de novo, rodar, mudar de curso subitamente, essas coisas.

Saber driblar, servir o companheiro, bater na bola com manha e destreza, tudo isso Ronaldinho sabe de cor e salteado e jamais desaprenderá. Mas, para executar com êxito todos esses movimentos e invenções, carece de que os músculos da coxa, sobretudo, respondam no ato, sem vacilar.

Muricy, pra quem não sabe, foi um meia desses. Certamente, sem todo o prodígio de Ronaldinho, mas quase. Portanto, sabe bem o que fala, mesmo à distância.

Bem, de qualquer forma, o que está feito não se desfaz. Cabe, agora, a Ronaldinho correr atrás de sua melhor forma física para atender aos enormes anseios da nação rubro-negra. E entrar nessa festa sem par entre os torneios estaduais do Brasil, que é o Campeonato Carioca, com todos os seus dribles, passes, assistências e gols com que nos deslumbrou em tempos recentes.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
  2. RONALDINHO, O MELHOR DA DÉCADA
  3. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 17:12

O SONHO DE MURICY

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Muricy revelou que, na véspera do jogo final do Brasileirão, sonhou com Telê Santana sorrindo-lhe e dando-lhe um fraternal abraço. Quando acordou, Muricy teve a doce sensação de que se sagraria mais uma vez campeão brasileiro.

Telê, que conheci tão bem, nunca perdeu a oportunidade de exaltar a figura de Zezé Moreira, seu técnico e mentor nos tempos em que ele era o Fio da Esperança do Fluminense.

Íntegro, trabalhador, Zezé, que nunca abandonou o terno e gravata discretos ao longo de toda a sua vitoriosa carreira, era tido como um disciplinador austero. Mas, apesar de ter sido um lateral impetuoso, a ponto de ser cunhado como Zé Cavalo, cultivava certa sensibilidade na armação tática de suas equipes.

Basta dizer que Zezé inventou o sistema de marcação por zona, num tempo em que predominava a marcação individual, o que acabou se constituindo numa prática geral até agora. E que levou o Cruzeiro ao título da Libertadores, perdendo o Mundial para aquele Bayern inconcebível de Beckenbauer e cia., base da Seleção Alemã campeã de 1974.

Construiu, entre outros, aquela histórica equipe do Fluminense, o Timinho, campeão carioca de 1951. Chamado de Timinho, porque enfrentou e venceu os timaços do Vasco, do Flamengo, do Botafogo e do América, num torneio inesquecível para os tricolores cariocas.

Mas, um Timinho que tinha, entre outros, Didi, Orlando Pingo de Ouro, Carlyle e Telê Santana, um ponta-direita de múltiplas funções, de técnica irrepreensível e de incansável colaboração coletiva.

Telê voltava para marcar e atacava para definir ou colocar seus companheiros em condições excepcionais para finalizar, seja cruzando na medida ou enfiando bolas exatas.

Telê não era, como os pontas de sua época, um driblador emérito, embora aplicasse suas fintas e dribles essenciais. Era, antes de tudo, um servidor, um assistente, para os craques da equipe. E, sobretudo, um auxiliar na marcação ao adversário, como Zagallo, mais tarde, o seria para o Flamengo, Botafogo e Seleção Brasileira no bimundial de 58/62.

Ao pendurar as chuteiras, Telê começou a acumular títulos pelo Brasil afora. Foi campeão pelo Flu, pelo Grêmio, pelo Palmeiras, acho que pelo Sport, enfim, campeão de Norte a Sul do país, o que fez o presidente da CBF na época o escolher como técnico da Seleção Brasileira, numa história cumprida que já contei e recontarei outro dia.

Enfim, para resumir, Telê foi técnico em duas Copas do Mundo – 82 e 86 -, e campeão mundial de clubes pelo São Paulo duas vezes, enfrentando na final nenhum outro senão Barcelona e Milan.

E, Muricy, que havia sido um craque para rivalizar com ninguém menos do que Zico, o que não ocorreu por uma contusão letal no joelho, acabou á sombra de Telê, como técnico auxiliar, responsável pelo chamado, na época, Expressinho Tricolor, campeão da Taça Conmebol.

De Telê, como havia recebido os ensinamentos de Minelli, quando jogador, Muricy herdou a integridade pessoal e os talentos táticos que o tornaram no técnico da década ; em seis Brasilerões, quatro conquistados, um vice e outro que bateu na trave.

Zezé, Telê e Muricy, uma linhagem, cujo emblema é a integridade, antes de tudo, além da competência e do talento.

Notas relacionadas:

  1. E DEU MURICY NO PALESTRA
  2. O FLU DE MURICY, TELÊ E ZEZÉ
  3. RECOMPENSA PARA MURICY
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

domingo, 5 de dezembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 20:41

O CAMPEÃO DA PARCERIA

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A cena daquele bando de jogadores do Flu dando o banho da vitória em Muricy em plena entrevista coletiva do treinador, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Guarani, resume bem o segredo do campeão brasileiro – a parceria fechada entre o elenco e o treinador. Parceria sedimentada a partir do instante em que Muricy, lá atrás, preferiu cumprir sua palavra ao Flu a assumir a Seleção Brasileira, a maior honra para qualquer treinador brasileiro. Além de honra, o pote de ouro ao pé do arco-íris, claro.

Tal gesto teve a força de atrair para o treinador, definitivamente, a alma do elenco tricolor. Quem, em sã consciência, diante de tamanha retidão, se atreveria a fazer mau juízo de Muricy ou deixar de acompanhá-lo nessa gloriosa jornada em direção ao título?

O fato é que o Fluminense, se não foi um time deslumbrante, refletiu em campo o espírito de Muricy, feito de muita transpiração e concentração absoluta.

Varou a maior parte do campeonato como líder, e encerrou a caminhada com uma vitória sofrida mas luminosa diante de um Guarani aguerrido, no Engenhão delirante em três cores. Gol de Emerson, em cruzamento de Carlinhos desviado por Washington já quando a tensão atingia o paroxismo na galera tricolor.

Espírito que foi encarnado, sobretudo, por esse maravilhoso gringo, Dario Conca, o craque de jogo refinado que se entrega ao coletivo por inteiro, jogo após jogo, ao longo das 38 partidas disputadas pelo seu time. Um prodígio de regularidade e persistência.

Eis, enfim, um título limpo, transparente, alva flor brotando nesse lodo todo atirado em torno do futebol brasileiro por meia dúzia de desocupados que conseguem ainda influenciar boa parte da mídia esportiva.

Ô, Timão…

Perder o título na última rodada é sempre lastimável. Mas, perder desse jeito…

Falo obviamente do Corinthians, que foi a um Serra Dourada pintado de alvinegro, e não conseguiu ir além de pálido empate por 1 a 1 com os reservas do Goiás, cujos titulares, diga-se, acabam de ser rebaixados nesse mesmo Brasileirão.

Claro, se aquele chute de Ronaldo entrasse, em vez de se chocar com o poste, nem assim o Corinthians levaria a taça. Mas, pelo menos, encerrava o ano de seu centenário de forma menos melancólica.

Contudo, nem se trata do resultado em si, mas, sobretudo, da maneira como o Timão enfrentou esse último desafio. Era pra entrar de cabeça sobre o Goiás, rasgar o coração e comer a bola, criando uma infinidade de chances de gol e tal e cousa e lousa e maripousa.

O que se viu, porém, foi um time jogando uma bolinha convencional, sem criatividade nem ousadia. Era como se cumprisse tabela apenas.

Que tristeza…

Prêmio de consolação

O Cruzeiro sofreu diante dos reservas do Palmeiras, em Sete Lagoas, mas teve bola e força espiritual para virar o jogo e encerrar a temporada com o prêmio de consolação: o vice-campeonato.

Não é tudo, mas também não é nada como o brasileiro costuma encarar essa nobre posição em qualquer torneio. É sempre o reconhecimento da bela campanha da Raposa no campeonato  e um alento para a disputa da Libertadores que aí vem.

Notas relacionadas:

  1. E DEU MURICY NO PALESTRA
  2. O FLU DE MURICY, TELÊ E ZEZÉ
  3. FLU: O QUE É E O QUE PODERIA TER SIDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

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