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domingo, 7 de dezembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 18:45

CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO

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É campeão! Campeoníssimo, diga-se, porque seis vezes campeão brasileiro, alternadamente, o que vários podem vir a ser no passar dos anos. Mas, tri, assim, um atrás do outro, quero ver, num campeonato com tantos candidatos naturais ao título.

O fato é que o São Paulo, no Bezerrão, meteu 1 a 0 no Goiás, gol de Borges, em posição de impedimento, e levou o título. Como teria levado sem o gol de Borges, sem gol nenhum, já que o empate lhe bastava, apesar da vitória do Grêmio, seu mais próximo rival, por 2 a 0 sobre o Galo, no Olímpico encantado.

O São Paulo, ganhando ou empatando sem o gol discutido, jogou melhor do que o Goiás o tempo todo. Nada excepcional, mas dentro do padrão do Tricolor atual – marcação cerrada, e investidas rápidas, a partir de uma tarde inspirada de Jorge Wagner, que fez de tudo em campo.

E foi campeoníssimo por várias razões.

A primeira delas, a presença de Muricy, um técnico trabalhador, inteligente, sensível, vencedor pela própria natureza.

A segunda, o elenco, que, apesar de falhas na sua estrutura (a ausência de meias de qualidade), tem uma defesa muito firme e um ataque envolvente e eficaz.

E a terceira, a marca na testa de um clube, certamente o mais jovem de todos os grandes do Brasil, destinado desde de seus renascimentos a estar sempre ali, disputando os títulos, ganhando ou perdendo, mas ali.

O São Paulo não é apenas o clube mais vezes campeão brasileiro, o primeiro a ganhar o tri em seqüência. Não é apenas o grande campeão paulista, desde sua fundação. Não é apenas o clube brasileiro mais vezes campeão da Libertadores e do mundo. É também aquele que mais vezes bateu na trave nas mais significativas decisões.

E olhe que é preciso descontar-se os treze anos da construção do Morumbi, quando teve de abrir mão de um time altamente competitivo para erguer o, então, maior estádio particular do mundo.

Não é fácil, não, meu.

Notas relacionadas:

  1. E O SÃO PAULO CHEGOU
  2. TRI, MAIS DO QUE HEXA
  3. DEPOIS, ELES RECLAMAM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 16:43

DEPOIS, ELES RECLAMAM

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Não sei por que mapa se guiou a CBF para indicar o caminho do Bezerrão ao jogo decisivo entre Goiás e São Paulo. Até onde sei, o regulamento, em casos como esse (interdição do estádio), o mandante punido deve jogar a, no mínimo, 150 quilômetros de sua sede.

Mas, esse mesmo clube não perde o direito de mando. Isto é: segue sendo responsável pela segurança, recebe a maior cota, determina o valor do ingresso e tal e cousa e lousa e maripousa. E escolhe o estádio onde mandará seu jogo, dentro dos limites estabelecidos pelo regulamento.

Antes de seguir adiante, quero dizer ao amigo que há mais de trinta anos defendo a tese de que, nesses casos, a punição deveria ser automática: o clube perde o direito de mando do jogo seguinte à interdição, e a partida é transferida para o campo do adversário da hora. Entre outras coisas, porque este não pode ser punido, tendo de jogar, muitas vezes, em regiões ainda mais distantes de sua própria sede, arcando com todos os custos de traslado.

Ah, mas isso poderia prejudicar terceiros, interessados naquele jogo específico, como seria no caso presente: se o jogo fosse transferido para o Morumbi, o grande prejudicado seria o Grêmio, claro.

O fato é que não é assim. E o Goiás segue sendo o mandante, com direito a escolher o campo fora de sua sede. Falou-se o tempo todo em que o assunto rolou no tribunal, que o jogo seria em Itumbiara, do que se queixava o São Paulo, pensando, à época, na hipótese de ter de ganhar do Goiás num campinho acanhado.

Fosse hoje, nas atuais circunstâncias, em que o empate de zero a zero dá o título ao Tricolor paulista, tenho minhas dúvidas se Muricy não estaria esfregando as mãos de felicidade. Afinal, é sempre mais fácil defender o empate num campo pequeno do que num grande, óbvio. 

Mas, enfim, no vaivém dos escaninhos do tribunal, lavrada a sentença, da manga de alguém da CBF saiu um Bezerrão, no Distrito Federal. Não se sabe por instâncias de quem, embora seja sugestiva a presença, na longa reunião com os cartolas do Goiás para discutir o preço dos ingressos, do atual governador de Brasília, político prodigioso, capaz de trocar, em pouco tempo, a pecha de deputado cassado (não me lembro se renunciou antes da sentença, mas isso é irrelevante) por falta de decoro parlamentar pela láurea de supremo mandatário do Distrito Federal. Graças, diga-se, ao voto popular, o que só aumenta seu prodígio.

Agora, o Grêmio ameaça entrar no STJD com liminar, impedindo a realização desse jogo no Bezerrão, sob a alegação de que o São Paulo, por isto ou por aquilo, estaria sendo beneficiado indevidamente.

Desconfio que isso não irá muito adiante, mas é só um palpite.

De qualquer forma, mais uma vez, cartolas, políticos e o tribunal conseguem a proeza de manchar o momento mais decisivo do Brasileirão, principal competição do nosso futebol. Depois, ficam todos se lamentando que nossos craques, futuros craques, proto-craques, possíveis craques, craques ainda em cueiros, se mandam a cada dia, que os clubes vivem à míngua, que nosso campeonato é visto de relance no resto do mundo etc, etc.

Errata: Este texto foi corrigido, depois de sua publicação inicial, onde, inadvertidamente, eu culpava o tribunal pela escolha do Bezerrão como palco do jogo decisivo entre Goiás e São Paulo. Peço desculpas aos bloguistas e ao tribunal pelo erro.

Notas relacionadas:

  1. A ROLETA GIRANDO
  2. GRITO CORTADO NA GARGANTA
  3. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 14:05

EMOÇÃO EM DOBRO

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Há tempos venho repetindo o bordão de que, pelo equilíbrio técnico entre os concorrentes ao Brasileirão, o emocional passa a ter uma influência ainda maior do que a habitual.

E, mais uma vez, isso se confirmou no Morumbi lotado, domingo. O São Paulo deu claros sinais de ansiedade, que alguns confundem com dispersão ou falta de empenho extra. Já o Flu, ao contrário: foi de uma energia ímpar, centrado o tempo todo na retomada da bola a partir de seu meio-campo, livre do peso da responsabilidade de decidir um título ali mesmo, naquela hora.

Isso não quer dizer que o São Paulo jogou mal, não. Jogou mais ou menos o que vem jogando neste segundo turno, período em que acumulou expressiva série invicta e chegou ao topo da tabela, de onde não sairá mais, mesmo que perca o título.

Curiosa essa situação: na combinação de resultados do próximo domingo (derrota do São Paulo e vitória do Grêmio), os dois Tricolores terminam o campeonato em primeiro lugar, empatados em pontos conquistados. Mas, a taça vai para o Olímpico, pelo critério de desempate – uma vitória a mais.

Isso só reforçaria a justeza do sistema por pontos corridos em dois turnos.

O Grêmio foi o melhor no primeiro turno; o São Paulo, no segundo.

Não caberia, então, uma decisão em dois jogos, lá e cá, como apregoam os defensores de uma grande final? Por hipótese, até que sim, mas especificamente em casos como este, em que ambos cheguem empatados em primeiro lugar ao cabo de toda a disputa. Obviamente, não me refiro à decisão deste ano, em que as regras devem e serão cumpridas. Mas, para o futuro.

Sucede que, embora seja uma saída atraente para a mídia e torcidas eventualmente envolvidas nessa história, ainda assim será um golpe no espírito do sistema por pontos corridos. Ou seja: quem ganha mais, ao longo de todo o campeonato, leva.

Mas, voltando à vaca fria da importância do emocional nesses momentos decisivos, não resta dúvida de que o São Paulo saiu do cenário de festa abatido, apesar de um resultado rigorosamente dentro das normas do jogo entre dois grandes, enquanto o Grêmio, goleando o Ipatinga em casa, veste de novo seu manto de imortal.

E assim teremos não uma grane final, mas duas, no próximo domingo.

Notas relacionadas:

  1. OLHO, NINGUÉM ME RESPONDE
  2. PLANO DE VÔO DO GRÊMIO
  3. AS APARÊNCIAS ENGANAM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 14:29

TRI, MAIS DO QUE HEXA

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Esse negócio de bi, tri, hexa, passa mais pela quantidade do que pela qualidade. O número 6 (hexa) é simplesmente o dobro de 3 (tri). Logo, a torcida tricolor sai por aí cantando vitória quase certa de véspera: “Hexa! Hexa!”.

Antes do hexa, vêm o penta, o tetra e o tri, e aqui paramos para um mergulho nas origens dessas denominações tão em voga hoje em dia no mundo do futebol.

Até a conquista do Tri, no México, essas expressões só se restringiam às séries seqüenciais, ano a ano – dois campeonatos seguidos, bi; três, tri e assim por diante. Isso, claro, com referência aos campeonatos estaduais, que representavam a base do calendário nacional. Vale lembrar que não havia campeonatos brasileiros, a não ser o Rio-São Paulo, por um período, depois transformado em Robertão, a par da Copa do Brasil, que era um mata-mata que só foi ganhar dimensão quando o Santos de Pelé se defrontou com o Cruzeiro de Tostão, briga de cachorro grande.

Em Copas do Mundo, jogada de quatro em quatro anos, esse negócio de bi só era usado para duas seleções nacionais; a Itália, bi em 34/38; e o Brasil, bi em 58/62. Mas, então, por que o Tri do México, já que 66 nos separava do bi convencional?

Em primeiro lugar, porque era a primeira seleção a conquistar três títulos, ainda que alternadamente. Em segundo lugar, porque, pelo regulamento da Fifa, quem levantasse a taça por três vezes, ainda que não sucessivamente, a levaria definitivamente para casa.

Era, pois, uma exceção, um instante histórico que jamais se repetiria, já que a Taça Jules Rimet não mais entraria em disputa até o fim dos tempos. Por isso mesmo, quando se fala da conquista do México, grafa-se o Tri com T maiúsculo.

Aliás, houve tremendo debate a respeito, na época: uns, contra essa denominação; outros, a favor, por sua excepcionalidade.

Mas, o que era exceção acabou virando regra aqui entre nós, sobretudo nas últimas décadas. E o pessoal passou a falar grego sempre que se referia aos títulos brasileiros obtidos por seu clube, mesmo fora de seqüência.

Pergunto, porém, ao tricolino amigo que já festeja antecipadamente o hexa que não veio ainda: o que vale mais? – os seis títulos alternados, ou os três sequenciais? Vai que o São Paulo, por um desses acidentes de percurso, perfeitamente possível, perca o título deste ano. Se ganhar o do próximo ano, será igualmente hexa.

Mas, tri, assim, um atrás do outro? Esse será um feito único, histórico, que, pelo andar da carruagem, levará muito tempo para deixar de ser exclusivo, dado o equilíbrio natural do futebol brasileiro.

Mais ainda para o São Paulo, que tem uma relação amarga com essa palavrinha mágica – tri. Basta dizer que é o único dos grandes paulistas que jamais conseguiu ser tri nas competições estaduais. Bateu na trave várias vezes – em 47, 50, 72, 82, sei lá quantas mais. Em 50, por exemplo, estava cinco pontos na frente do Palmeiras, e, nas últimas três rodadas, perdeu seis pontos e cedeu o empate para o Verdão, que levantou a taça, naquele 1 a 1 célebre.

Na Libertadores, tão cara aos torcedores mais jovens, idem, com batatas.

Logo, amigo tricolino, se quiser cantar vitória antes da hora, seja mais comedido e grite: “Tri! Tri! Neste caso, menos vale mais.

Notas relacionadas:

  1. QUE CAMPEONATO É ESSE?
  2. A ROLETA GIRANDO
  3. E O SÃO PAULO CHEGOU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

domingo, 16 de novembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 18:54

TRICOLOR, FINCANDO O PÉ

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O São Paulo, num Morumbi em festa, não apenas cumpriu seu dever, ao bater o Figueira por 3 a 1, com dois gols de Borges e um de Hugo, contra o solitário de Cleiton Xavier, como fincou seu pé na liderança, de onde não pretende se afastar até o apito final do campeonato.

Já no primeiro tempo, jogando em alta velocidade sobre um Figueira acanhado desenhou a goleada que não se confirmou. Mas, ao voltar do intervalo, já com 2 a 1 no placar, deu sinais de tensão na sua defesa, onde Anderson revelava os efeitos da falta de jogo. E o Figueira andou criando embaraços, até que, aos 28 minutos, do segundo tempo, num contragolpe rápido, Joílson rolou para Hugo fechar o placar.

A verdade é que o São Paulo acertou o pé no momento exato para arrancar em direção ao topo da tabela quando os outros candidatos passaram a oscilar. Desalojá-lo de lá, agora, é tarefa árdua. Mas, não impossível.

Notas relacionadas:

  1. A ROLETA GIRANDO
  2. OLHO, NINGUÉM ME RESPONDE
  3. O TRICOLOR E O CINZA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última