PEIXE NO FIO DA NAVALHA
O Santos segue na Libertadores caminhando sobre o fio da navalha. Se a formação do time na vitória por 1 a 0 sobre o Cerro Porteño, com quatro volantes e apenas Neymar lá na frente, já que Zé Love segue à sombra do jogo, sugere maior segurança, ao mesmo tempo, a falta de criatividade no meio de campo e de agressividade no ataque é um convite para o adversário ousar mais.
Sorte que Neymar está à toda, e tem pernas e mente para segurar as pontas lá na frente. Dribla, passa, tenta a tabela, o chute a gol, e, quando nada disso resulta em rede, mete uma assistência como aquela no finalzinho do primeiro tempo para Edu Dracena conferir de cabeça.
O diabo é que, até Ganso se recuperar e Borges tiver condições de jogo, a coisa vai rolar assim mesmo, quem sabe até o Peixe levantar a taça.
VASCÃO E COXA
Era mais ou menos o que se esperava se a bola rolasse dentro da lógica, o que nem sempre ocorre nesses jogos fatais: Vasco e Coritiba passaram por Avaí e Ceará e vão decidir a Copa do Brasil.
O Coritiba, por seu retrospecto cintilante neste início de temporada. O Vasco, pela recente ascensão.
Agora, diante da grande decisão, tiro o time de campo.
SEEDORF, PLUFT!
Pluft! Desfez-se o sonho holandês acalentado por Corinthians, Botafogo e Flamengo nas últimas semanas: Seedorf acaba de assinar novo contrato com o Milan.
Aliás, era o que se esperava mesmo. Em primeiro lugar, porque Seedorf voltou a jogar bem, depois de um período de encolha, e foi decisivo na conquista do título italiano nesta temporada. Depois, porque o Milan adora espremer seus velhinhos até a última gota.
Uma pena, para o futebol brasileiro, que perde a chance de ver por aqui um holandês com alma e estilo bem brasileiro de jogar bola.
OLHOS DE FALCÃO
Falcão disse no Bem, Amigos que pretende, mais à frente, passar a assistir os jogos de seu Inter lá de cima, na tribuna. Dessa forma, ele fica livre da crítica dos apaixonados torcedores e da mídia, que medem o trabalho de um treinador pela encenação que o dito cujo faz à beira do gramado. E, sobretudo, analisa melhor o comportamento de seu time e do adversário, e pode passar instruções mais precisas para seu auxiliar, no rés do chão, de onde, na verdade, não se vê nada dos movimentos coletivos dos dois times.
Aliás, até hoje não entendi por que os treinadores não adotam essa postura, ainda mais com as facilidades oferecidas hoje pela alta tecnologia nas comunicações em geral.
Lembro Rubens Minelli obrigado a dirigir o seu São Paulo, na decisão do título brasileiro de 77 contra o Atlético, de uma cabine de rádio no Mineirão. Depois do jogo, encontrei-o entre surpreso e eufórico: “Rapaz, que delícia dirigir um time lá de cima!”
Pois, é. Só que Minelli seguiu sua brilhante carreira vendo o jogo do banco de reservas mesmo.
Espero que Falcão consiga mudar esse braço da viola, com sucesso.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Coritiba, Falcão, Internacional, Milan, Neymar, Rubens Minelli, Santos, Seedorf, Vasco, Zé Eduardo
