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22/11/2009 - 22:17

TROPEÇOS E ALÍVIOS

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Bem, se esse jogo com o Botafogo era a chave para o São Paulo chegar ao título, no fim das contas deste domingo, o Tricolor conseguiu a proeza de seguir líder, mesmo perdendo, graças ao empate do Flamengo em casa com o Goiás e a derrota do Galo para o Inter, no seu terreiro do Mineirão.

Aliás, quem mais saiu aliviado ao cabo desta rodada, na verdade, foi o Palmeiras, que viu reacender uma ponta de esperança, depois de já ter jogado a toalha em relação à disputa de campeão.

O fato é que, no Engenhão, tivemos um jogo incrível, disputado sobre o fio da navalha e cheio de alternâncias. Ora, era o Botafogo que jogava melhor e conseguia seu gol, logo aos 14 do primeiro tempo, com exímio disparo de Jobson de fora da área; ora era o São Paulo, que passava a dominar, empatando e virando o placar, com Washington e Jorge Wagner, sem tempo para celebrar, pois, na recarga, o Glorioso empatou novamente com Renato, com participação discutível de Jobson – o atacante estava em posição de impedimento, quando a bola lhe veio ricocheteada para ser lançada a Renato, que, de cabeça, concluiu.

Houve, então, a expulsão de Richarlyson, e, no finalzinho, Jobson, o nome do jogo, desempatou, logo após Hernanes meter uma bola trave (a segunda do São Paulo).

Enfim, um jogo emocionante, cujo resultado tirou o Botafogo da zona do rebaixamento e manteve o Tricolor na liderança, embora nada esteja garantido neste campeonato dos tropeções.

Já o Flamengo, que perdeu a chance de pular para o topo da tabela, numa arrancada fulminante neste segundo turno, o que lhe daria a vantagem de só depender de si nas duas rodadas restantes, frustrou a imensa e festiva galera que lotou o Maracanã, pelas mesmas razões que vêm fazendo os demais candidatos ao título tropeçarem tanto: a ansiedade de vencer, que desvia o passe, o chute e o foco da melhor alternativa para a jogada certa.

O Goiás, movido ou não por estímulos extras, jogou pra valer, marcou muito bem e soube explorar essa ansiedade rubro-negra em várias pontadas perigosas, do início ao fim da partida.

Além do mais, no instante em que o Flamengo deveria apresentar todas as suas armas, lá pela metade do segundo tempo, cansou, como, aliás, vem ocorrendo nas suas últimas apresentações.

Sobretudo, seus principais jogadores, dentre eles, claro, o mais veterano, Petkovic. É natural, mas pode vir a ser fatal nas duas rodadas restantes do campeonato.

LÁ FORA

O jogo foi espetacular. No primeiro tempo, o Cagliari começou melhor, abriu a contagem, o Milan virou e tomou o empate, antes de revirar tudo com um golaço de Pato, em assistência genial de Ronaldinho, que ampliou de pênalti, para o Cagliari diminuir mais tarde: 4 a 3.

Mas, mais do que os sete gols num futebol atavicamente avaro nesse quesito, vale ressaltar o singelo fato de que Leonardo está recolocando o Milan na linha de sua história: um time mais solto, ofensivo, criativo, o que explica o crescimento de Ronaldinho e Pato, que estão jogando o fino.

Outro dia, o veterano Del Piero, lídimo herdeiro de Rivera, Sandrino Mazzola, Baggio e outros meias históricos do futebol italiano, declarou que a Itália sem Totti não é a Itália. Pois, Totti voltou à Roma diante do Bari, marcando nada menos do que três gols.

Não, nunca espere de Totti um lance a La Ronaldinho, em que a habilidade supere a lógica. Mas, a exemplo de Del Piero, é um jogador de técnica irrepreensível no passe, na visão de jogo, e, sobretudo no remate a gol. Sem dúvida, a Itália sem Totti não é a Itália.

No Campeonato Inglês, a disputa vai se polarizando entre o líder Chelsea e o vice Manchester United. Ambos venceram sues jogos deste fim de semana: o Chelsea goleou o Wolverhampton por 4 a 0, enquanto os Diabos Vermelhos batiam por 3 a 0. O Chelsea dá a impressão de mais compacto, mas o Manchester é o Manchester, e muita água ainda vai rolar nesse eterno Tâmisa.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
29/08/2009 - 19:09

O CLÁSSICO ESCONDIDO

Como prever o que poderá ocorrer no clássico decisivo entre São Paulo e Palmeiras se os dois treinadores escondem os times que entrarão em campo? Técnicos, esquemas, tradições, camisas, retrospectos, campo, tudo isso pesa, sim, num clássico desses. Mas, quem resolve mesmo a parada são os jogadores. Um deles colocado em posição errada, outro que fique de fora, podem fazer a grande diferença, no fim das contas.

Pegue o exemplo de Cleiton Xavier: joga, não joga? Se não jogar, Muricy optará por um volante tipo Sandro Silva ou Jumar, ou preferirá Deyvid Sacconi, que até hoje não se frmou no time, mas que leva mais jeito do titular do que os demais? ou terá uma recaída e escalará um terceiro zagueiro, pra bater ficha com o esquema do adversário, que herdou esse time dele mesmo, Muricy?

Já Ricardo Gomes, embora esconda o jogo, não dá sinais de que está muito preocupado com esses detalhes, pois deve ir com o sistema de jogo e a escalação que deram certo até à última rodada. Mas, deveria. Se, com seus três zagueiros, der espaço para o Palmeiras dominar o meio de campo, a coisa pode ficar preta – ou melhor: verde.

PELAS OROPA

Que sábado, nas Oropa, parceiro!

A começar pelo clássico inglês vencido pelo Manchester United por 2 a 1 sobre o Arsenal. Jogo mais emperrado do que se esperava, mesmo porque ambos cuidaram de reforçar a marcação no meio de campo, extraindo o poder de criação dos dois.

O Arsenal, embora tivesse o domínio das ações a maior parte do tempo, jamais foi aquele time de toque de bola hipnótico, muito por causa da ausência de Fabregas – Song, Eboué e Diaby, que prencheram o setor ao lado de Denílson, preferem a condução de bola e o drible. Mesmo assim, abriu o placar com Arshavin, e poderia ter ampliado com um tiro na trave de Van Persie, em cobrança de falta, e outra, diante do gol, perdida.

O Manchester, sentindo muito a perda de Ronaldo Cristiano, virou, em pênalti, sofrido e cobrado por Rooney, e num gol contra absurdo de Diaby.

Por falar em Cristiano Ronaldo, o português foi muito discreto na estreia do Real no Campeonato Espanhol, vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña. Kaká já foi um tanto melhor, e marcou presença com um passe genial para Benzema disparar no poste e Raúl marcar, no rebote. Enfim, o Real foi muito melhor mas ainda está longe de ser aquele timaço que poderá vir a ser.

Quem deixou o galáctico Real para refazer sua fama foi o holandês Robben, que entrou no segundo tempo contra o Wolsfburg para se transformar na sensação do Bayern de Munique, que recuperopu também o francês Ribéry: fez dois gols (num deles, deixou o beque deitado na área, num corte esperto) e algumas jogadas de alta classe.

Por fim, no clássico de Milão, Dio Mio1: 4 a 0 para a Inter, num jogo fogoso, em que Ronaldinho Gaúcho correu muito mas produziu pouco. Pelo andar da carruagem, a Inter vai levar o penta no beiço.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
08/08/2009 - 21:43

QUE AVAÍ É ESSE, MEU?

Claro, o peixeiro amigo está aí maldizendo seu time, que vencia por 2 a 0, já segundo tempo avançando, e acabou cedendo o empate para o Avaí. Mesmo porque o Santos perdeu umas duas chances de ouro para ampliar o marcador, sobretudo com seu artilheiro Kleber Pereira.

Mas, há que admitir a espetacular arrancada do Avaí, que somou na Vila sua oitava partida consecutiva sem perder, largando a lanterna outro dia para vir aquecer-se ao sol de muitas esperanças já lá pra além do meio da tabela.

E muito deve o Avaí, nessa espetacular. reação ao seu meia Marquinhos, aquele Marquinhos Paraná que surgiu anos atrás como grande revelação do futebol paranaense, mas que passou obscuro por São Paulo, Flamengo, uma dezena de clubes, para ressurgir agora no Avaí de Silas.

Marquinhos é um daqueles meias serenos, que sabem fazer a bola circular, quando não a metem na medida para um companheiro em posição de concluir na cara do gol, tão raros no nosso atual futebol. Nao é nenhum craque excepcional, nada disso. Mas, sabe jogar. Ou mais do que isso: sabe fazer seu time jogar.

Quanto ao Santos… Bem, ou Luxa volta aos seus antigos conceitos, ou irá seguindo nesse passo: um pra frente, um pra trás.

KAKÁ E EUSÉBIO

Kaká estreou no Real, na goleada sobre o Toronto, em amistoso preparatório para temporada européia prestes a se iniciar. Jogou só o primeiro tempo, não marcou nenhum gol, mas teve boa movimentação, entrando em sincronia com seus ilustres parceiros de ataque: Cristiano Ronaldo, Raúl e Benzema.

A propósito, vale esperar pra ver se o técnico Pellegrini vai apostar mesmo nesse quarteto ofensivo para os jogos de verdade. Será uma ousadia inusitada até mesmo para o futebol europeu que avançou muito nesse sentido nos últimos anos.

Já o Milan, que Kaká deixou outro dia, que desastre… Empatou por 1 a 1 com o Benfica no Estádio da Luz, é verdade, e só perdeu nos pênatis. Mas, não jogou um tostão de bola. Foi envolvido inteiramente pelo Benfica de Ramires, Aimar e cia. bela ao longo de toda a partida, e só não levou um saco porque a dupla de zaga Nesta-Thaigo Silva salvou tudo no último momento.

Nos pênaltis, o Benfica saiu vencedor, graças, entre outros, a Ronadinho Gaúcho, que havia entrado no segundo tempo e que desperdiçou sua cobrança, e ficou com a Taça Eusébio.

Kaká e Eusébio… De súbito, a linha da memória atravessa quatro décadas unindo um ao outro, pelas semelhanças e diferenças. As semelhanças: ambos, meias-ofensivos, destros, donos de arrancadas incontroláveis e um irrepreensível senso de profissionalismo. A diferença: Eusébio foi gênio, goleador implacável, que aduzia às arrancadas impetuosas uma capacidade singular no cabeceio; Kaká é craque, grande estrela, mas ainda não pode ser chamado de gênio.

Na verdade, de todos os imensos craques que vi em campo, Eusébio foi o que mais se aproximou de Pelé, no estilo e eficiência, embora entre um e outro haja um abismo.

Outra diferença: Kaká, neste futebol tão carente de meias-armadores, tem que ser arco e flecha, ponto de partida e de chegada, enquanto Eusébio teve atrás de si, tanto no Benfica bicampeão mundial, quanto na Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa da Inglaterra, a genialidade do passe mágico de Coluna.

De resto, é bola que segue, na esteira dos craques de ontem, de hoje, de amanhã, de sempre.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
30/07/2009 - 00:47

VERDÃO SOBE E FLU DESCE

Na estreia de Muricy, o Palmeiras manteve o embalo e passou pelo Fluminense, no Palestra Itáli, por 1 a 0, com gol de Diego Souza, em passe inspirado de Cleiton Xavier, os dois que dão o tom afinado do time que segue na ponta do campeonato.

E, se o Palmeiras dorme líder, o Flu passa outra noite em claro, assombrado pela linha do rebaixamento que, a um degrau de seus pés. Mas, ainda há muito tempo para a recuperação, mesmo porque Renato Gaúcho acaba de desembarcar nas Laranjeiras.

TEMPO DE DESMANCHE

Já o Corinthians, em pleno desmanche, sem meia dúzia dos que lhe deram títulos e fama nos últimos tempos, não conseguiu ir além de um empate com o Santo André, por 1 a 1, gols de Marcelinho Carioca, de falta, e de Chicão, de pênalti.

É hora de mudança, hora de sofrimento.

INTER E CRUZEIRO, UFA!

Mais uma vez a sombra da decepção passou pelo Beira-Rio, pois, novamente, depois de fazer 2 a 0 sobre o Barueri, o Inter cedeu o empate, no fim. Mas, a sombra se afastou antes de o juiz apitar o final da partida: Andrezinho, de falta, no travessão e, no rebote, Sorondo provocou aquele ufa! geral na torcida colorada.

Situação parecida com a vivida pelo Cruzeiro, no Mineirão, contra o Sport, agravada pela expulsão do menino Renan. Mesmo assim, Kleber, o Gladiador, no finalzinho recebeu, deu um corte na zaga e bateu pra definir o placar e elevar o seu time acima da zona de perigo do rebaixamento.

SANTOS E GOIÁS

O Santos foi ao Aflitos e conseguiu sofrida recuperação, ao bater o Náutico, que não consegue largar a lanterna, por 2 a 1. E até que, no primeiro tempo, o Peixe se impôs e só não alcançou placar mais folgado porque o goleiro Gledson estava esperto.

Por seu lado, o Goiás, no Serra Dourada, folgou diante do Atlético-PR: 3 a 0, o que confirma sua história no Brasileirão: quando parece que vai mal, arranca e quase sempre termina em posição digna.

LÁ FORA

Esses torneios preparatórios que rolam na Europa, nesta pré-temporada, são muito mais sugestivos do que os campeonatos regionais que nossos cartolas impingem aos clubes brasileiros nas fórmulas esdrúxulas das disputas domésticas.

Ainda ontem estava vendo a Audi Cup, na Alemanha, em rodada dupla, que o Manchester United bateu o Boca, por 2 a 1, com direito a golaço de falta de Anderson, e o Bayern meteu um chocolate no Milan de Leonardo, por 4 a 1, fora o baile.

Claro, tudo isso quer dizer pouco em relação ao futuro mais próximo dessas equipes. É mais treino do que jogo. A não ser para o Boca, que jogou tudo, com Riquelme e tudo o mais, mas não resistiu ao Manchester com cerca de oito reservas, quando fez o placar. Depois, com vários titulares, já além da metade do segundo tempo, o Manchester tomou conta do jogo e ainda poderia ampliar.

Já o Milan, que desastre! O Bayern, mesmo desfalcado de Ribéry (vai ou não vai para o Barça?), Klose  etc, botou na roda o Milan, sob o comando de Van Bommel. O Milan, apesar da boa presença do nosso Thiago Silva, na zaga geriátrica do time milanês, não foi capaz de armar uma jogada sequer na base da inteligência e do talento (Ronaldinho Gaúcho foi simplesmente invisível).

Em outro torneio, a Copa da Paz, a Juve fez bonito, com um gol de alta classe de Diego, que merecia estar na Seleção Brasileira, no lugar de tantos volantes convocados por Dunga.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , , , , , , ,
10/06/2009 - 16:21

KAKÁ E O DUCE

Quando um chefe de Estado da importância de um Sílvio Berlusconi, o novo Duce da Itália e senhor absoluto do Milan, atribui a derrota nas eleições gerais de seu país aos escândalos matrimoniais e, sobretudo, à venda de Kaká para o Real, significa que uma das mais antigas civilizações do mundo está em crise séria.

É a quintessência do populismo de direita, que, em geral, costuma perdoar o chefão por seus pulinhos fora de casa, prova do machismo típico desses eleitores, afora os bolsões mais catolicamente conservadores. Mas, jamais perdoarão o ídolo caído.

Portanto, há de se concluir que a saída de Kaká do Milan teve importância maior no resultado das eleições italianas do que as estripulias de alcova do manda-chuva de plantão. Quer dizer: o pessoal vota como se participasse de um blog de futebol. Aliás, não foi por acaso que Berlusconi condicionou o negócio com o Real à divulgação oficial do fato para só depois das eleições. O bicho conhece seu eleitorado.

Traduzindo: a turma não vota no programa dos partidos, nos planos do governo, nada disso, mesmo porque isso não fez parte do repertório de Berlusconi e da fascistóide Lega Lombarda, que passou o tempo todo se defendendo de seus desvarios.

Quanto a Kaká, fustigado por críticas de Boban, ex-craque do Milan, e de grande parte da mídia, por ter declarado seu amor eterno ao Milan, antes de assinar com o Real, é bom lembrar que ele sempre condicionou sua permanência no rossonero ao desejo do clube em mantê-lo. Quem quis se desfazer de Kaká, em troco de uma grana sentida, foi o Milan, não Kaká.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional Tags: , , ,
02/06/2009 - 17:18

NOITE DE DECISÕES

Nesta noite de quarta, vamos conhecer os dois finalistas da Copa do Brasil, atalho mais suave para a Libertadores.

No Pacaembu, o Corinthians recebe o Vasco, precisando de uma vitória simples. Simples, não? Nem pensar, pois o Vasco está se encorpando nas mãos de Dorival Júnior, e, com esse Pimpão mais do que nunca pimpão e iluminado, ao lado de Elton, bom centroavante, com Carlos Alberto e Jefferson na armação, o Almirante chega com grandes chances de afundar o barco corintiano, já que o empate por mais de dois gols lhe assegura a ida às finais.

O Timão, porém, é mais time, mais escolado e justo. E terá Ronaldo Fenômeno lá na frente, o que representa o infinito.

Desconfio que, com o apoio da Fiel, dá Corinthians. Mas…

Já o Inter não terá sua vibrante torcida colorada a seu favor. Ao contrário: nesse quesito, o Coritiba dará de goleada.

Todavia, o Inter já pisa o gramado com uma vantagem significativa pela vitória categórica no jogo do Beira-Rio. Além do que, tem um elenco e um time bem mais afinado do que o Coxa.

KAKÁ MERENGUE

No exato instante em que Leonardo assume a direção técnica do Milan, anunciando que contará com Kaká e Ronaldinho para aplicar um futebol mais ofensivo na sua equipe, os jornais espanhóis dão como certa a transferência de Kaká para o Real, pela bagatela de 65 milhões de euros.

Acho pouco provável que o negócio mele, pois atende ao interesse duplo: do Milan, que está no vermelho, e de Kaká, que vê nessa negociação a possibilidade de multiplicar seu patrimônio e ainda por cima jogar num clube de ponta do mundo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
26/04/2009 - 12:38

RONALDINHO E A AMBIÇÃO

Um time que tem, do meio de campo pra frente, Pirlo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Schevchenko, Inzaghi, Seedorf, Pato, sei lá quem mais, não pode, sob pena de lesar o futebol, se acomodar como o Milan o fez diante de um Palermo entregue, ao fazer o placar de 3 a 0, dois gols de pênalti de Kaká e um, de cabeça, de Inzaghi.

Veja se Barça, Manchester United, Arsenal, Liverpool, Chelsea, até mesmo o Real, renunciam à ambição de golear se a situação se apresenta como a deste domingo? Nem mortos! Ainda mais que o Milan precisa, desesperadamente, recuperar a grandeza perdida há um ano, por baixo.

Sim, claro, melhorou muito em relação ao que estava sendo nesta temporada, mas é evidente a falta de tesão do time – joga na medida do necessário, o que é pouco pelos recursos que tem.

E, bem, nesse quesito, ninguém supera Ronaldinho Gaúcho, que entrou no segundo tempo e ficou ali tentando tocar a bola de ladinho e nem isso conseguiu produzir com efeito.

Não sei o que se passa com esse rapaz, que, nesta quadra de sua vida – coisa de 28/29 anos de idade – deveria estar no auge da produtividade. Jogar bola, ele sabe, todo mundo sabe. Mas, simplesmente, passa a sensação de que abdicou disso.~

Não sei se há algum problema físico que tolhe seus movimentos, ou se apenas perdeu qualquer interesse no jogo.

O fato é que há três anos, no Barça e agora no Milan, não revela a mínima intenção de tentar, ao menos, recuperar seu estágio anterior. Uma pena, em nome do futebol.

Já o Arsenal, que bateu o Middelsbrough por 2 a 0, pelo Campeonato Inglês, exibe uma enorme vontade de golear, mas não consegue. Toca a bola com um refinamento semelhante ao do Barça, mas, na hora da conclusão… huuumm…

Tanto, que os dois gols foram feitos pelo volante-meia Fabregas, ambos fruto de belas tramas e invenções pessoais. É verdade que o artilheiro Adebayor passou a maior parte do tempo no banco, poupado certamente para o confronto do meio de semana, pela Liga dos Campeões.

Contudo, se não goleia, diverte, com seu toque-toque lépido e inteligente.   

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional Tags: , , , , , , , , , , , ,
23/03/2009 - 16:06

OS MONSTROS E A SELEÇÃO

Sou de um tempo em que a Seleção Brasileira não ganhava nada – era um Sul-Americano aqui; outro ali, em meio século de futebol implantado em terras tapuias – se tanto. De resto, éramos fregueses contumazes de argentinos e uruguaios e carregávamos na alma o peso sombrio do Maracanazo, em 50.

E mesmo assim, o país se enrolava na bandeira da CBD (antiga CBF) a cada convocação do time nacional. E aguardava tenso pelo jogo que se aproximava, fosse um mero amistoso, fosse jogo de torneios continentais, fosse jogo de Copa do Mundo.

Vale observar que não era simplesmente por puro fanatismo nacionalista, essas fascistóides exibições de pretensas superioridades, não. Era, sobretudo, pelo prazer de ver reunidos num mesmo time os craques maiores que se espalhavam pelos clubes brasileiros, apesar de todas as desavenças geradas pelo regionalismo, o Rio-São Paulo eterno que dividia a opinião pública quanto à escolha desses jogadores. 

Hoje, às vésperas de duas partidas importantíssimas, pelas Eliminatórias da Copa, há uma forte corrente contrária à Seleção, passando de boa parte da mídia para o torcedor – e vice-versa -, que despreza nosso time porque a elite dos jogadores brasileiros está além de nossas fronteiras.

Dizem que, ao cruzar o grande mar, o sujeito perde a alma verde-amarela, sugada, provavelmente, por um daqueles mitológicos monstros marinhos que tanto atrasaram a chegada de Colombo ao Novo Mundo. É mesmo?

Então, podemos dizer que Ronaldo Fenômeno e Rivaldo devem ser elevados à categoria de heróis míticos, verdadeiros Ulisses do século 21, pois fizeram a fatídica travessia e mesmo assim nos deram um título mundial, o quinto de nossa história, em terras do Japão.

Há os que sugerem, como receita para combater o mal da desalma dos nossos craques exportados, que a Seleção só abrigue, doravante, os que aqui estão. Haja seleções… Sim, porque basta o jogador ser chamado hoje para a Seleção que, no dia seguinte, já estará arrumando suas malas, espiando o outro lado do mar grande. Mesmo porque as sereias cantam sua sedução é aqui mesmo, em terra firme, emitindo sons muito semelhantes ao do tilintar de moedas.

Claro que a Seleção Brasileira não tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de brio e técnica, embora levante mais Copas Américas do que no passado distante, e vença mais do que perde, nos últimos cinquenta anos de sua história. Claro que o negócio futebol, em que o jogador é a grande moeda de troca, ganhou vulto inconcebível nesta era, o que semeia dúvidas no coração e nas mentes do torcedor e de boa parte da mídia quanto aos reais motivos de possíveis deserções e maus desempenhos dos mais célebres dentre os convocados.

Toda dúvida, aliás, é sempre bem-vinda, no futebol ou na vida. Mas, quando se transforma em verdade absoluta, clichê, lugar-comum para explicar o inexplicável, vira fanatismo, o pior de todos os males de que sofre a raça humana. E a Internet, esse maravilhoso instrumento de comunicação entre as pessoas de todos os recantos do mundo, tem contribuido muito para disseminar essas dúvidas, obras sinistras dos monstros virtuais que substituem aqueles dos mares antigos.

De repente, um anônimo qualquer inventa uma conspiração aqui, uma desventura ali, e, pronto!, a patuléia engole e passa a expelir essa excrescência como a mais pura das verdades.

E o pior é que até mesmo prestigiosos membros da crônica esportiva embarcam nessa onda e são devorados por esses mesmos monstros.

A moda, agora, é dizer-se que Kaká é mais um desses zumbis sem alma, que vagam por entre o luxo e a riqueza, sem destino. Ou melhor: que se negam a cumprir seu destino patriótico, recusando-se a servir à Seleção.

Ora, o rapaz, que recusou outro dia proposta mirabolante do futebol inglês só para ficar no Milan, há um bom tempo não joga pelo seu clube, vítima de séria lesão. Voltou, semana passada, jogou vinte minutos e saiu mancando de campo, no exato momento em que o Milan precisa desesperadamente de seus préstimos.

O craque está machucado, gente! Por que é tão impossível acreditar nesse simples e trivial fato do futebol, inventando suposto desinteresse de Kaká em jogar pela Seleção Brasileira?

E veja o amigo que Kaká nem pediu dispensa, apenas tempo para ver se consegue se recuperar até os jogos pelas Eliminatórias. Por conta de tamanha pressão, nunca saberemos ao certo, caso Kaká jogue, se o estará fazendo no sacrifício ou numa boa.

Mesmo porque, se ele disser que foi no sacrifício, responderão que não passa de um fingido, que apenas está valorizando sua volta e desculpando-se de eventual mau desempenho. Se disser que havia se recuperado plenamente, a turma, então, plantará nos lábios aquele sorriso cínico e sentenciará: “Estão vendo? Não tinha nada, apenas queria tirar o corpo fora da Seleção”.

Pois é, e os monstros estão bem mansos e solidários lá no fundo do oceano primevo, onde o ser humano começou sua própria gestação. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , ,
16/03/2009 - 16:15

O MENINO E A BOLA

O menino corre atrás da bola. Quando a alcança, do outro lado da rua, já é um velho, que deixou na esteira apenas a poeira da memória, feita de grãos tão minúsculos que se torna invisível. Assim é a vida. Passa com o estalar de dedos, o piscar de olhos, zas!, e, pronto, se foi.

Não estou dizendo nenhuma novidade. Todos nós sabemos disso. E todos nós não o sentimos de fato. Só o percebemos quando já atravessamos a rua.

Assim é o futebol, esse simulacro do cotidiano de todos nós, fugaz centelha que tentamos inutilmente capturar e represar em verdades eternas. Nada. O que existe é só aquele momento, que pode ou não se reproduzir mais adiante, nunca exatamente igual.

Digo essas obviedades pensando no menino Neymar e em todos os dedos que o cercam. Sim, porque é recorrente na voz do povo e da mídia, sempre que surge um talento como esse, o clamor da grave advertência: cuidado, estão enchendo a bola do garoto; amanhã, cai do cavalo e como é que fica?

Ora, ora, fica como está: mais um que pintou bem e não deu certo.

Isso, porém, aconteceu, acontece e acontecerá também com muitos que seguiram à risca todos os preceitos da prudência e da temperança. Cada um é cada um, e quem está na chuva é pra se queimar, como dizia o sábio Matheus.

Ainda outro dia, uma dessas ondas de proteção ao futuro de um menino-craque levantou-se em torno de Alexandre Pato, lembram-se? Pois é: estávamos, aqueles que celebravam de pronto o aparecimento de um fora-de-série, perigosamente açodados com o advento do craque colorado, de 17 anos, a mesma idade de Neymar hoje.

Pois, taí Pato deslumbrando a Itália, no Milan.

O que eu quero dizer é o seguinte: o brasileiro, tão negligente nas coisas mais importantes de suas próprias existências, espia o futebol com os pudores e os cuidados de uma velha tia, que passou a vida espiando o mundo pela janela, sem se arriscar a pisar a calçada.

Um jogo vibrante, uma campanha magnífica de um time, uma jogada criativa de um craque, tudo isso, segundo essa olhar solene, não merece mais do que um econômico destaque, já que, amanhã, o jogo poderá ser uma porcaria, o time desandar e perder o título nas rodadas finais, o craque tropeçar no lance seguinte e tal e cousa e lousa e maripousa.

Ora, o futebol, repito, é uma centelha, um brilho, um instante, que deve ser celebrado, sim, naquele momento. Depois, ninguém sabe. A não ser quem já esteja do outro lado da rua, olhando a poeira que ficou na esteira de sua corrida.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , ,
16/03/2009 - 15:32

QUEM NO LUGAR DE KAKÁ

Na hipótese de Kaká não se recuperar a tempo, o que parece ser a mais provável, quem Dunga deveria chamar?

Sempre lembrando que a escolha exclui os que estão lá fora, por questões de prazo, embora negociações sejam viáveis, por exemplo, para trazer Diego, do Werder, em grande fase lá na Alemanha e que já foi convocado várias vezes por Dunga justamente por ser um dos poucos que atuam na posição específica de Kaká – a de meia mais avançado. Ou mesmo Alex, ex-Inter, que começava a pavimentar seu caminho na Seleção antes de se transferir para o exterior.

Se a escolha, porém, se restringir apenas aos que jogam por aqui, vale fazer uma varredura em busca do nome ideal dentro dessas especificações – um meia-ofensivo, que joga no Brasil atualmente, levando em conta que não0 encontraremos nenhum outro com as mesmas características de Kaká, nem aqui, nem lá.

No Sul, temos dois nomes: o menino Andrezinho, do Inter, e o já escolado Souza, do Grêmio, dois que atuam mais ou menos na mesma posição de Kaká.

Em Minas, Wagner, do Cruzeiro, embora Ramires, ainda que volante de origem, seja até mais agressivo e incisivo do que Wagner.

No Rio, temos Thiago Neves, que já esteve a Seleção.

E, em São Paulo, Diego Souza, do Palmeiras, é único que preenche esses requisitos básicos.

O problema é que, nos grandes centros futebolísticos do Brasil perdura essa sucata do 3-5-2, abandonada pelos principais clubes e seleções da Europa há muito tempo, o que reduz o espaço para meias autênticos.

Tanto, que o São Paulo, por exemplo, traveste o volante Hernanes de meia tão bem que o próprio Dunga se convenceu desse equívoco: quando perguntado por que não convocava Hernanes, respondeu que era porque o volante tricolor, na verdade, jogava na posição de Kaká. Só isso bastaria para receber da CBF o bilhete azul por justa causa.

Mas, enfim, por coerência, então, o nome é Hernanes, que, a exemplo de Ramires merece demais uma chamada, mas para suas reais funções.

De qualquer forma, seja quem for chamado agora, apenas esquentará banco, pois a tendência natural é Dunga escalar Ronaldinho Gaúcho por ali, entre a linha de volantes (Elano, Gilberto Silva e Anderson) e a dupla de ataque (Robinho e Luís Fabiano).

Depois, seja o que Deus quiser.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , ,
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