CHORO DEPOIS DA BRIGA
Leio que o menino Maurício chorou depois daquele entrevero com Obina.
Talvez, ainda mais comovido pelo fato de a diretoria verde ter dado um basta na vida dos dois no Parque. Atitude, cá entre nós, impensada e impensável, partindo de uma turma, em geral, muito equilibrada, apesar das recentes diatribes do presidente Belluzzo contra o juiz Simon.
Tudo bem: a diretoria até poderia chegar a essa decisão. Mas, não sem antes esfriar a cuca e consultar todos os interessados – comissão técnica, jogadores etc. Mesmo porque nem Obina, nem Maurício têm um histórico de indisciplinas no clube e até mesmo na carreira.
Resumindo, baixou a Calábria no Palestra Itália, quando mais conveniente seria ter baixado a Sicília, onde a vingança é sempre um prato a ser digerido frio.
E OS OUTROS?
Bem, cabe a São Paulo, Flamengo, Galo e Inter manterem-se eretos na rodada deste fim de semana, pois mais um tropeção e o Palestra volta à cena, já um tantinho revigorado, talvez na esperança de que alguém lá em cima esteja velando por ele.
Dizem por aí que, no tocante a São e Paulo e Flamengo, a tarefa mais árdua é a do Tricolor que terá de vencer o desesperado Botafogo lá no Engenhão, entre outras coisas, porque jogará desfalcado de cinco titulares.
Pode ser Aliás, acho até muito provável. Mas, é sempre bom lembrar que a grande vantagem do São Paulo neste campeonato é ter um elenco muito equilibrado: nenhum craque de linha desses de arrancar suspiros, mas todos bons jogadores, titulares e reservas, o que lhe confere a regularidade, razão principal de sua liderança.
Quanto ao Mengão, que pega um Goiás, em queda livre, apesar da última vitória, leva a vantagem de jogar num Maracanã delirante, sob o empuxe daquela torcida inigualável. Isso, sem falar em Pet, Adriano e cia.
Mas, depois de tudo que vi até agora no campeonato, sigo sem arriscar nenhum palpite.
TRIBUTO Á RAÇA NEGRA
Esta quinta é feriado, Dia da Raça Negra. Então, permita-me, neguinha, prestar um singelo tributo a esses negros e mulatos maravilhosos que nos encantaram campos afora com seu talento inexcedível, escalando uma seleção de todos os tempos que vi em ação: Dida ou Barbosa. Djalma Santos, Luís Pereira, Aldair e Leovigildo Júnior. Bauer, Zizinho e Pelé; Garrincha, Leônidas da Silva e Canhoteiro.
Isso, sem falar na legião de tantos outros, imensos craques, como Didi, Tesourinha, Coutinho, Edu, Paulo César Caju, Jairzinho, o Furacão da Copa, Luís Pereira, Ademir da Guia, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Romário etc.
Claro que estou deixando de fora alguns monstros sagrados de nossa história que não cheguei a ver jogar, a não ser, eventualmente, em alguma seleção de veteranos, como é o caso de Domingos da Guia, o Divino. Pude vê-lo, ainda menino, defendendo a Seleção Brasileira, em 53, num Campeonato Sul-Americano de Veteranos, realizado no Pacaembu, em 1953.
Domingos não foi apenas, segundo os relatos da época e o testemunho impecável de alguns contemporâneos, simplesmente único. Não só pela bola que jogava. Mas, também, por impor sua negritude sobre os cartolas da época, um gesto singular num tempo em que ainda se ouviam o tilentar das correntes na Senzala disfarçada de urbanidade. Fenômeno semelhante ao a tra´gica figura de Fausto, a Maravilha Negra, que morreu jovem, de tuberculose, praticamente em campo.
E, sim, Arthur Friedenrech, esse mulato de olhos verdes, filho de um comerciante alemão e uma cozinheira negra, primeiro ídolo nacional,que reinou no futebol brasileiro durante vinte anos, nas primeiras décadas do século passado, sem o apoio de uma rede de comunicações como a de hoje, com fidalguia e talento incomparáveis.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: Campeonato Brasileiro, Maurício, Obina, Palmeiras