SÃO TANTOS NO PÁREO…
Não há, meninos, no mundo, campeonato nacional como este. Não por suposta excelência técnica, pela organização, pela eventuial presença maciça de público nos estádios, pela força de seu poder econômico, nada disso. Ao contrário: nesses quesitos todos perdemos para vários países, não só da Europa, como também das Américas – no caso, o México.
O que temos e eles não é a participação no mesmo torneio de dez, doze clubes grandes o suficiente para serem considerados, de fato, candidatos ao título nacional. Lá fora, são dois, três, no máximo quatro grandes que se revezam na disputa real da faixa de campeão.
Por isso mesmo, se explica o cenário atual da competição brasileira: o Flu e o Corinthians chegaram a abrir uma vantagem sobre os demais que parecia inalcançável, até que dois, três tropeços de ambos, somados ao embalo de outros, configura um quadro absolutamente novo na tabela, com Botafogo e Cruzeiro chegando lá, e Inter e Santos ainda com possibilidades de apertarem a disputa.
Santos e Inter (assim como o Corinthians) têm um jogo a menos e, de certa forma, estão remontando suas equipes ainda nesta fase do campeonato. E, se tivessem vencido neste fim de semana, o que não seria nada improvável, já estariam no bolo do topo da tabela.
Então, conte aí comigo: Flu, Corinthians, Bota, Cruzeiro, Inter e Santos, meia dúzia de sérios pretendentes ao título, já no início do segundo turno.
De todos eles, o Botafogo é o que vem cumprindo a melhor performance, justamente aquele que, de início, era o menos badalado, embora ostentasse o título de campeão carioca, o que não é pouco.
Talvez por isso mesmo, Seo Natalino teve tranquilidade para ajustar ainda mais esse time, ao incorporar os novos reforços – Maicosuel, Jobson etc.
E o Cruzeiro de Cuca parece ter se revestido daquela carapaça que lhe faltou em temporadas anteriores, então, um time de alta técnica e pouca transpiração.
Contudo, da mesma forma que Fluminense, depois de uma arrancada fulminante no primeiro turno, naturalmente passou a oscilar, a exemplo do Corinthians, dificilmente Bota e Cruzeiro conseguirão manter o mesmo nível de resultados.
Isso é absolutamente normal, num campeonato em que até o lanterna é capaz de dar sufoco em muitos cancãs da parada.
Portanto, nada de euforia, tampouco de depressão. O jogo está na mesa e continuará tenso até a última cartada, creia.
O caso Neymar
A fuga patética para o vestiário daquele marginal travestido de polícia, na hora do bololô depois do jogo entre Ceará e Santos, é mais esclarecedora do que o resultado de qualquer inquérito policial sobre o caso.
Certa vez, perguntaram ao extraordinário escritor alagoano Graciliano Ramos se havia gostado de tal livro. Resposta: “Não li e não gostei”.
Pois bem, não vi a agressão em Marquinhos – pelo menos as imagens da tv não a mostraram claramente, Não vi, mas estou convencido de que ela aconteceu, até prova em contrário, claro.
Mas, esse foi o epílogo do episódio, que começou com Neymar discutindo com um adversário, um dos tantos que lhe desceram porradas ao longo da partida. Um dos tantos que lhe descem porradas por onde o menino vá exibindo sua bola redonda, inventiva e desconcertante por esse brasis afora.
Reveja aquele lance espetacular em que ele junta os calcanhares na bola e a faz dar uma pirueta por cima do marcador, e, quando tenta alcançá-la à frente é interceptado pelo braço do adversário em sua garganta. Falta, clara, insofismável. Está na regra: não se pode usar os braços para impedir que o jogador contrário passe ao largo.
Pela imagem da tv está nítido que o juiz vê o lance e ignora a infração olimpicamente, como se ele pudesse passar ao largo da lei do jogo por insondáveis motivos.
Ah, mas o Neymar é muito cai-cai, vive simulando faltas. Por isso, os juízes já estão de olho nele e preferem castigá-lo não marcando as faltas que ele sofreu realmente.
Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que Neymar é um jogador franzino, veloz e dono de uma habilidade incomum, além de ser um garoto ainda. A velocidade, por si só, já é um fator de desequilíbrio do corpo – qualquer esbarrão pode levar um Adriano, em plena carreira, ao chão, quanto mais um peso mosca como Neymar.
E sua notória habilidade já predispõe o adversário, pelo sim, ou pelo não, antevendo a possibilidade de levar um drible humilhante, partir direto para o corpo do craque, atalho mais garantido para matar a jogada.
Logo, muitas das tais simulações de Neymar não são simulações, nem necessariamente faltas cometidas por seus marcadores de plantão.
Portanto, é absolutamente injustificável o comportamento de juízes como esse do jogo com o Ceará.
Eu pago o pay-per-view pra ver futebol, jogadas deslumbrantes, gols espetaculares essas coisas, não pra ver trombadas, pontapés, cotoveladas, socos e encontrões. Pra isso, prefiro o boxe, o rúgbi, a luta livre, essas coisas.
Então, como consumidor me sinto lesado pelo juiz que não marcou a falta sobre Neymar, naquele lance de plástica e genialidade excepcionais. Já imaginou o amigo se, com medo da punição, o beque cearense não comete a falta e Neymar completa a jogada, quem sabe até mesmo fazendo a bola chegar ao gol?
Teria sido um momento mágico, único no álbum de recordações do futebol eterno.
Com que direito alguém me rouba esse prazer que talvez nunca mais se repita?
Estou prensando em processar por perdas e danos esse juiz incompetente, que acha o amigo?
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: arbitragem, Campeonato Brasileiro, Castelão, Ceará, Corinthians, Fluminense, Marquinhos, Neymar
