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Posts com a Tag Maradona

segunda-feira, 23 de maio de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Futebol internacional | 17:02

DOIS PRA CÁ, DOIS PRA LÁ

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O Santos, que descansou o time principal neste fim de semana com os olhos postos no jogo com o Cerro Porteño, pelas semifinais da Libertadores, está em vias de anunciar oficialmente a contratação do centroavante Borges do Grêmio.

O cara certo no lugar certo, pois Borges é daqueles centroavantes que sabem jogar, não apenas marcar gols. Seu estilo encaixa-se, pois, perfeitamente ao da  molecada da Vila, que prima pelo toque de bola e ligeireza nas ações. Será o reforço de que tanto carece o Peixe, desde a saída de André, incluindo a chegada de Keirrison, sobre a qual depositei muitas esperanças, em vão.

Já o Flamengo finaliza as negociações com o São Paulo para levar o lateral-esquerdo Júnior César. Embora Egídio tenha jogado bem na goleada sobre o misto do Avaí, no sábado, essa é uma posição em aberto na Gávea. Luxa já experimentou por ali Renato Abreu, Ronaldo Angelim, Egídio, sei lá quan tos mais, sem os resultados esperados. Júnior César me parece o nome certo.

No Corinthians, que segue na espera de contar um dia com o Imperador, desembarcou Emerson Xeique, um avante incisivo e de boa técnica, de excelente participação no Flamengo, mas, de pouca utilidade no Fluminense, em razão das recorrentes contusões de que foi vítima durante as duas últimas temporadas. Se conseguir dar a volta por cima nas lesões intermitentes e entrar em forma, por certo, será ótimo substituto de Dentinho, que já se foi.

Ah, sim, e Alex, extraordinário reforço. Mas, o craque, por razões burocráticas, só entrará em ação depois da janela do meio do ano. Uma pena.

Por falar em Flu, as Laranjeiras na festa da esperança, só aguarda a chegada do messias – o técnico Abel Braga -, enquanto o Vasco torce para que Juninho Pernambucano, um dos maiores ídolos de São Januário, volte rap idamente.

Como Ricardo Gomes vai encaixá-lo num time que já tem, do meio de campo pra frente, Bernardo, Felipe, Alecssandro, Diego Souza e Eder Luís, não faço ideia, mas, num campeonato longo e exaustivo como o Brasileirão, é sempre melhor pecar por excesso do que por escassez.

No São Paulo, é só desova. Partiram Marcelinho Paraíba, Cleber Santana, agora Júnior César. E o grande contratado repousará ainda por um bom tempo na enfermaria – Luís Fabiano. A vantagem é que o São Paulo está aproveitando bem a garotada da base, embora sofra da carência crônica de um meia-armador, sobretudo com a prolongada ausência de Lucas, que cumpre parte dessas funções, durante a disputa da Copa América.

O Grêmio, de sua parte, fala no repatriamento de Gilberto Silva, o veterano herói brasileiro da Copa de 2002, mas que, há muito, deixou de ser aquele volante versátil dos bons tempos. Quem sabe, n ?

Enfim, na dança das contratações, que ganhará um compasso de batucada no meio do ano, a coisa caminha em ritmo de bolero – dois pra cá, dois pra lá.

MARADONA E O DOPING

Maradona disparou sua metralhadora giratória e atingiu não só o presidente da AFA, Julio Grondona, como todos os jogadores e comissão técnica da Seleção Argentina que participaram das Eliminatórias da Copa de 94.

Disse que todo mundo participou da festa da bolinha no café veloz servido antes do jogo com a Austrália. E que Grondona não apenas sabia como estimulou o golpe, garantindo que não haveria exame antidoping depois do jogo que levou os argentinos à Copa dos EUA.

Alguém aí se surpreende?

O RECORDE DO MURRUGA

Cristiano Ronaldo, convenhamos, é um portento. Já foi eleito o melhor do mundo e perdeu o cetro para Messi nos últimos dois anos. Mas, não deixou de ser aquele craque decisivo que já havia sido no futebol português e no Manchester United.

Hábil, veloz, capaz de se mover com naturalidade tanto na esquerda quanto na direita ou pelo meio, dribla fácil, bate forte e certeiro com ambas as pernas, além de ser emérito cobrador de faltas e cabeceador  implacável, graças à excelente estatura e impulsão.

Pois, o murruga bateu mais um recorde neste fim de semana. Com 40 gols no Campeonato Espanhol, acaba de se sagrar o maior artilheiro na história desse centenário torneio, por onde atuaram muitos dos maiores atacantes que o mundo já viu, de Di Stefano a Ronaldo Fenômeno, passando por Cruyjff, Romário e cia. bela.

É pra se dançar o vira, regado a vinho verde, oh pá!

Notas relacionadas:

  1. DIGNO FLA-FLU
  2. E SILAS CAIU. QUAL A NOVIDADE?
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 29 de julho de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Fórmula 1 | 13:59

VÃO VER SE ESTOU NA ESQUINA

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Confesso que fiquei pasmo diante da linha de perguntas de nossa jovem imprensa na entrevista coletiva com Dorival Jr., depois da vitória santista na Vila.

O Peixe acabara de realizar uma partida impecável e venceu com sobras o Vitória, dando espetáculo e distribuindo criatividade em campo.

Eis, então, que lá vem a metralhadora de bílis dos mal-humorados repórteres: que você vai fazer com Neymar, que errou o pênalti?; não foi muita irresponsabilidade do jogador?; como vai ser no Barradão, lá é fogo; Ganso deixou o campo contrariado?; e assim foi, como se o Santos acabara de levar um baile do Vitória em plena Vila Belmiro e o título da Copa do Brasil já tivesse ido pelo ralo.

Ora, vão ver se estou na esquina.

CLÁSSICO NO AR

O clássico paulista a ser travado domingo já está no ar. Será a estreia de Adilson Batista no Corinthians contra Felipão em busca da sua primeira vitória desde que reassumiu o Palmeiras.

Com a ausência de Roberto Carlos, Adilson parece disposto a improvisar o zagueiro central Castan por ali, talvez como um lateral-esquerdo recuado ou mesmo um terceiro zagueiro. Huummm…  Já o desafio para Felipão é montar seu time de maneira que o meio de campo consiga reter mais a bola e afiar o passe para que a bichinha chegue mais redonda ao ataque. Pelo menos, houve tempo para treinar isso. Vejamos no que dá.

SHOW DE MARADONA

Maradona não poderia se retirar de cena sem um número performático como esse: meteu a boca  no presidente da Associação Argentina de Futebol, Júlio Grandona, seu fã até a morte, e disse que foi traído pelo supervisor Billardo, de quem foi capitão na conquista da Copa de 86. Billardo respondeu prometendo revelar intimidades comprometedoras de Maradona à frente da Seleção Argentina.Virou cortiço.

MASSA E O TRAMBIQUE

Felipe Massa prometeu não mais repetir a vergonhosa atitude do último GP de Fórmula-1. Quer dizer: admitiu publicamente o que todo mundo viu: deixou Alonso passar, propositalmente, por ordem da escuderia. Logo, não restará à FIA puni-lo severamente, juntamente com a Ferrari e Alonso, o beneficiário da manobra, irregular, segundo os regulamentos da Fórmula-1.

O fato é que essa praxe – a de favorecer mais a equipe do que os pilotos -, tão antiga e conveniente para as escuderias, acaba se sobrepondo, na prática, até mesmo ao regulamento e à ética básica da competição.

Notas relacionadas:

  1. O BRASILEIRÃO E AS BOTAS DO TEXANO
  2. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
  3. TARDE DE VINGANÇAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 12 de junho de 2010 Copa do Brasil | 13:39

O CARTÃO DE VISITAS DE MESSI

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Direto de Johanesburgo – Era tudo o que Dunga queria: um incidente banal entre Júlio Baptista e Daniel Alves, no treino de sexta-feira – desses que ocorrem corriqueiramente em qualquer clube ou seleção do mundo -, foi tratado com certo estardalhaço por parte da mídia; consequentemente, de imediato, o técnico fechou a única fresta que nos restava para espiar como vai se preparando o Brasil para a estreia contra a Coréia do Norte.

Se o amigo quer saber, até agradeço, por me dar o pretexto de poder ver o que me interessa de fato – futebol.

Plantei-me, pois, diante da TV, e vi os pequeninos sul-coreanos passarem por cima daqueles Colossos de Rodes, gigantescas estátuas de mármore gregas erigidas diante da área inimiga, sem função alguma – Karathea e Cia. Ltda.

Sim, porque a Coréia do Sul, veloz e versátil, sob o comando de Park, aquele do Manchester United, fez 2 a 0 e poderia ter dobrado a parada.

O chuá, porém, estava por vir: Argentina versus Nigéria. Como se comportaria, afinal, o time de Maradona, na estreia da Copa? Na véspera ouvira de um repórter argentino, que lós hermanos viriam com um time fechadinho: quatro zagueiros de área, mais dois volantes e apenas três jogadores mais ofensivos.

Mas, a Argentina que entrou em campo era exatamente a antítese dessa: com apenas dois zagueiros típicos de área, o volante Gutierrez deslocado para a lateral-direita e Heinze, que faz a dupla função (mal, por sinal) pela esquerda; apenas Mascherano de volante-volante; Verón  e Di Maria, na armação; e três atacantes – Messi, Higuain e Tevez -, na frente.

Não chegou a ser um show dos argentinos, que venceram pelo placar mínimo, gol conquistado logo no início do jogo por Heinze, de cabeça, embora me ficasse a impressão de desvio de outro argentino na pequena área.

Mas teria sido um placar bizarro em Copa do Mundo, pois os argentinos poderiam ter saído de campo com uma goleada de 7 ou 8, e Messi, sobre o andor de artilheiro disparado da Copa, com, por baixo, cinco gols. Cinco chances dessas que ele cria e finaliza certo no Barça, chupando picolé, a cada cinco minutos.

Apesar das oportunidades perdidas, ou conjuradas espetacularmente pelo goleiro nigeriano, Messi, nesse jogo, exorcizou todos os fantasmas que o perseguiam na Seleção Argentina. Armou, driblou, passou, fez umas quatro assistências primorosas para Tevez e Higuain, enfim, botou pra quebrar, insinuando que esta será sua Copa.

Sim, sei, a jabulani mal começou a rolar e é muito cedo para qualquer julgamento definitivo. Mas, o cartão de visita…

Notas relacionadas:

  1. DE BARCELONA A SANTOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 25 de março de 2010 Futebol internacional | 15:54

O SIGNIFICADO DE MESSI

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É verdade: Messi esteve opaco na vitória do Barça sobre o Osasuna por 2 a 0, na quarta-feira. Mas, vem brilhando há muito tempo. Quer dizer: matou a pau na temporada passada, quando recebeu o título de melhor do mundo, e teve um declínio no último semestre para voltar com tudo neste início de temporada. Que o digam os onze gols em cinco jogos que precederam este contra o Osasuna.

Não só isso, a inventiva do garoto, seu domínio de bola perfeito, os passes, os dribles, a antevisão da jogada, tudo, enfim, que fazem de Messi um craque tão excepcional que se insere naquele seleto clube dos que confundem pelada com jogo de campeonato. Ou seja: brinca, jogando sério, pois não é do tipo cai-cai, não-me-toques, que desperdiçam mais energia carregando o peso da máscara do que jogando bola.

Matéria de Paulo Passos no iG nos informa que o currículo de conquistas de Messi, aos 22 anos de idade, só perde para o de Pelé na mesma idade. Pelé não vale, claro. Como sempre diz Pepe, ele é o maior artilheiro da história do Santos, pois o Pelé de mais de mil gols é de outro planeta. Ganha de todos os outros mitos, como Maradona, Cruyff, Platini, até Zidane, entre outros.

Não sei nada de números, mas se compararmos com Maradona, seu ilustre compatriota, veremos que, tecnicamente se equivalem. Para o técnico do Barça, Guardiola, Messi é mais completo. Atua com a mesma desenvoltura, em várias zonas do campo, ao contrário de Maradona, que, como Zico, tinha território definido – ali pelo meio, da intermediária adversária á área inimiga.

Ah, mas Messi não costuma ter esse magnífico desempenho do Barça na Seleção Argentina, enquanto Maradona deu um Mundial para sua gente. Certo. Sucede que Messi não tem na Seleção a mesma assessoria em campo que tem no Barça e que tinha Maradona no seu tempo.

Falta-lhe um título mundial de seleções, é verdade. Título, aliás, que poderá definir o eleito para Melhor do Mundo pela Fifa deste ano. E, na sua cola estão dois extraordinários craques: o inglês Wayne Rooney e o holandês Arjien Robben, este com um perfil mais semelhante ao seu – canhoto, driblador e definidor, que gosta de explorar o flanco direito, como Messi.

Mas, a diferença maior entre Maradona e Messi me parece ser a da imagem. Maradona é e foi a tradução mais exata da alma argentina: ao mesmo tempo em que pícaro, na sua gestão com a bola, trágico, na sua vida. Personagem de tango acabado, refilado até as últimas estâncias.

Já Messi, embora argentino de nascimento, talvez por temperamento, talvez por ter ido para Barcelona ainda púbere, é mais catalão – divertido, livre de quaisquer complexos de inferioridade ou complexidade. Apenas um menino saudável, sorridente, que vai fazendo gols atrás de gols, assistências atrás de assistências. Não um imigrante de origem italiana, como Messi, pobre, criado na zona mais brava de Buenos Aires, tendo o futebol como única alternativa para trocar a miséria pela fortuna.

Se traduzirmos ambos para a música, Maradona é Gardel; Messi, Maria del Mar Bonnet.

PS: Para os mais jovens, Carlos Gardel é o maior cantor de tangos da história. Maria del Mar Bonnet, a maior intérprete do sentimento catalão. Pelo menos, que eu tenha ouvido até hoje.

Notas relacionadas:

  1. KUBALA, MARADONA E RONALDINHO
  2. BECKHAM, MESSI E ROBBEN
  3. ENCONTRO EM MARSELHA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 10 de setembro de 2009 Seleção Brasileira | 19:29

DUNGA NO RUMO CERTO

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Depois do jogo, Cleiton Xavier confidenciou que Dunga garantiu a ele e a Diego Souza que ambos ainda terão chance para provar seu valor na Seleção. Só isso basta para mostrar que Dunga está no caminho certo.

Apesar de todos os feitos recentes do atual elenco, o técnico brasileiro não está adotando aquela postura tacanha, na base de o grupo está fechado e é com esse que eu vou, até cair no chão, lembrando a velha marchinha-de-carnaval.

Mesmo porque a Copa é um torneio de tiro curto, mata-mata, em que os jogadores devem estar nos trinques, naquele exato momento, nem antes, nem depois.
O passado de cada um conta e muito, claro.

Mas, não é tudo nesse caso.

Ora, se esse mesmo elenco que nos deu Copa América, Copa das Confederações e a classificação para o Mundial com antecipação inédita estiver em plena forma às vésperas da convocação final, tudo bem. Mas, até lá, quem sabe?

Ainda assim, acho que Dunga desconfia que está faltando um retoque final nesse grupo: um reserva para Kaká, com perfil técnico mais próximo do titular do que Júlio Baptista, e um outro meia, mais de armação, para compensar a presença de tantos volantes. Pouca coisa, mas fundamental.

DANIEL ALVES

Esse foi o trunfo que Dunga tirou da manga, na hora H, repetindo, aliás, experi~encia por ele mesmo já feita tempos atrás.

Na verdade, Daniel Alves, de todo o elenco que estava na Bahia é o que tem o melhor talhe físico e técnico para atuar por ali, uma espécie de meia aberto mais pela direita: é veloz, sabe receber a bola de costas e fazer o giro rápido, cruza bem e tem um disparo potente e bem direcionado a gol, além de muita resistência e aplicação.

Não é à toa que ainda outro dia foi selecionado como um dos cinco jogadores do Barça candidatos ao título de melhor da Europa, empalmado por Messi, claro.

O fato é que deu uma boa dinâmica ao setor, em combinação com Maicon, lembrando as experiências feitas por Claudio Coutinho há mais e três décadas, com o seu célebre overlaping (ultrapassagem), com Nelinho e Toninho Baiano, dois laterais revezando-se ali pelo lado direito da defesa e do ataque.

Errou muitos passes, é verdade. Fruto justamente da velocidade com que pretende resolver a jogada, uma postura mais intuitiva do que cerebral. Mas, nada que prejudicasse demais sua atuação.

Sucede que temos opções melhores, mais bem dotadas de técnica e habilidade, para esse setor específico. E é nisso que Dunga deve se deter daqui pra diante.

Ali, na função de meia, Daniel será sempre uma alternativa, nunca uma solução definitiva e programada.

A ARGENTINA VAI?

Bem, pelo que tem jogdo o time de Maradona… Apesar de contar com um seleto grupo de jogadores (Zanetti, Verón, Mascherano, Messi, Aguero, Tevez e Dátolo, por exemplo), os argentinos são uma banda de rock em que cada um desafina mais à medida em que o conjunto se esgarça na absoluta falta de uma pauta geral.

Mas, creio ainda que consegue chegar em quinto, o que lhe seria até muito conveniente com vistas à Copa. Caindo na repescagem, haverá tempo e juízo para a AFA redirecionar seus planos: cai Maradona, entra alguém que consiga infundir mais confiança a esse elenco evidentemente humilhado e sem um pingo de auto-confiança e que lhe confira um conceito tático básico, ao menos.

Se isso acontecer, a Argentina até pode chegar à Copa, e, lá, supreender os que a consideram carta fora do baralho.

Notas relacionadas:

  1. A SELEÇÃO DE DUNGA
  2. A VOLTA DO IMPERADOR
  3. DIEGO E CLEITON, UMA BOA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 00:18

NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR

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Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.

E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.

Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.

Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.

PELAS OROPA

A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.

E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.

A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.

Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.

Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.

E LOS HERMANOS…

Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.

Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.

Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, NILMAR E RAMIRES
  2. HORA DA CONFIRMAÇÃO
  3. AGORA, A ÁFRICA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

domingo, 6 de setembro de 2009 Seleção Brasileira, Sem categoria | 00:27

SANTA RETRANCA!

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Congelei na tela da tv o close de Maradona: os traços e a expressão lembravam uma daquelas máscaras mortuárias dos nativos andinos feitas para rituais mágicos e de sacrifício.

Exangue, pois toda sua energia se voltara para as vésperas do grande jogo, fatal para os argentinos: promoveu uma guerra psicológica contra os brasileiros, reuniu sua tropa, infundiu-lhes vigor pátrio, desafiou-os a entregar seus corações nessa partida, levou-os à igreja, fê-los ajoelhar-se aos pés da Cruz, acendeu uma vela a San Gená, conduziu Brasil e Argentina para o campo de Rorsário, onde a pressão seria maior do que no estádio de Nuñes, dançou um tango e jogou uma flor à estrela da manhã, nas suas primeiras cintilações.

Só não cuidou de dar um mínimo de segurança à sua defesa, que geme ao mais leve toque do adversário.

Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que nada fez para tanto, a não ser defender-se com precisão quase cirúrgica, enquanto os argentinos tomavam conta da bola de cabo a rabo da partida, sem, contudo, conseguirem levá-la à meta adversária. E, nas raras vezes em que o conseguiram, lá estava Júlio César, um paredão.

Sim, houve uma pálida oportunidade que deu certo – um disparo longo e certeiro de Datolo, no ângulo esquerdo de Júlio César. Mas, aí, la vaquita já se embrenhara no brejo até o pescoço.

Pois, o Brasil, ainda no primeiro tempo, em duas pontadas obtivera seus dois gols, em jogadas nascidas de cobranças de faltas por Elano. Na primeira, Luisão surge só e lampeiro para meter de cabeça. Na segunda, a bola espirra na barreira, cai nos pés de Kaká, na esquerda, que centra rasteiro, e, pebolim!, Luís Fabiano, livre e solto, empurra para as redes vazias.

E, para maiores pecados de Maradona e cia., os argentinos sequer tiveram tempo de celebrar aquele gol de Datolo, que prenunciava a virada épica, pois Kaká recebe na meia-direita, pela intermediária gringa, uma daquelas bolas solitárias que escapavam da nossas defesa, domina, mira e executa passe milimétrico para Luís Fabuloso tocar por cima do goleiro.

O amigo sabe que tenho a maior aversão por retrancas que enfeiam o jogo e enfumaçam o brilho de uma vitória. Mas, para tudo, há exceção. E a exceção foi essa retranca brasileira deste sábado luminoso. Afinal, não se tratava de um jogo qualquer, nem mesmo apenas um dos tantos clássicos com nosso mais feroz adversário. Resumia em si toda a campanha de quase quatro anos de Dunga à frente da Seleção e a conquista, com antecipação inédita, da vaga à próxima Copa do Mundo.

Ali, naquela hora, diante de um adversário cuja potência ofensiva é notável, não havia espaço para nenhum outro pensamento a não ser fechar todos os espaços. Sobretudo, depois de ter aberto dois gols de vantagem.

Ora, somos o único futebol do planeta que nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. E não seria agora que poríamos em risco mais essa láurea do brasileiro.

OS HERÓIS DO JOGO

Sem dúvida, Júlio César encabeça a lista dos heróis de Rosário, pelas três defesas sensacionais que praticou, duas, cara-a-cara.

Mas, ao seu lado, sem dúvida, Luisão, absolutamente imbatível, por baixo ou por cima. Além do mais, autor do gol que abriu caminho para a vitória. Pensando bem, passo Luisão para o topo da lista.

Seu parceiro, Lúcio, foi outro esteio, enquanto André Santos portou-se de forma tão magnífica, tanto defendendo como apoiando (muito menos do que habitualmente o faz, por força das circunstâncias), que dificilmente perderá a camisa titular para outro qualquer na Copa.

Por fim, Kaká, por ter estado na origem de dois gols e por ter sido o mais lúcido de nossos jogadores, embora longe de suas melhores atuações, o que é natural numa hora dessas. E Luís Fabiano, que, mesmo isolado pelo esquema e pela ausência de Robinho, cumpriu com louvor sua principal função. Ou seja, marcar gols, não um, que já seria de bom tamanho, mas, dois.

Notas relacionadas:

  1. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
  2. QUE VERGONHA…
  3. SHOW? QUASE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 17:14

NERVOS NO BICO DA CHUTEIRA

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Essa é a grande chance de a bola rolar catita nas pés dos argentinos, já cansados de correr atrás dos brasileiros nas últimas décadas, em vão.

A inchada estará maciça apoiando seu time no campinho de Rosário, e, viva!, lá estarão Messi, Aguero, Tevez, Mascherano, o maestro Verón e tal e cousa e lousa e maripousa.

Depois dos disparos verbais contra nosso time, Maradona recolheu-se com sua turma ao silêncio do templo, aos pés da Cruz, na esperança de que os céus também colaborem para a vitória redentora.

Afinal, para os argentinos, esse é um jogo que pode levá-los ao paraíso ou ao inferno.

Já os brasileiros estão numa boa, praticamente classificados para a Copa, time escalado – o mesmo que se tem saído bem nas últimas exibições -, nenhuma dúvida atroz (apenas Juan parece não estar nos trinques), e nenhum problema maior à vista, a não ser o circo formado em torno do campo de treinamento em Teresópolis e a acidez habitual de Dunga em relação à mídia.

No plano emocional, portanto, o Brasil dá claros sinais de que está mais bem preparado do que a Argentina, que, pelas circunstâncias, se atirará ao jogo com os nervos na ponta das chuteiras, o que sempre se assemelha a uma faca de dois gumes: tanto pode levar o time a uma conquista épica, quanto afundá-lo no desespero, a partir do primeiro percalço, para usar uma expressão bem portenha.

E isso se reflete também no plano tático, o que sugere uma Argentina, desde o início, bem mais ofensiva do que o Brasil, sobretudo se Maradona escalar os três avantes – Messi, Aguero e Tevez -, como parece ser sua inclinação, com Verón armando por trás, ao lado de Mascherano.

Do meio de campo pra frente, uma potência!

Mas, atrás, Dios, que lástima…

E aqui entramos no plano técnico. Há muitos anos os argentinos deixaram de ser uma escola de goleiros de fazer inveja ao mundo. Basta dizer que o Carrizzo de hoje nem limparia as luvas do Carrizzo de ontem, o grande Amedeo.

A zaga, então, qualquer que seja a opção de Maradona, é de dar dó. Ainda mais se o técnico cumprir a ameaça de escalar Sebá, aquele mesmo que afundou o Corinthians algumas vezes nos
tempos de Kia e cia.

E, nós? Bem, nada de excepcional, claro, a não ser a presença ameaçadora de Adriano no banco, fantasma que os argentinos tentam exorcizar com todas as magias possíveis.

Pelo gosto e tradição de Dunga temos um time habituado ao contragolpe, com a velocidade de Kaká e de Robinho e a agudeza de Luís Fabiano. Se jogar Ramires, acrescente mais um a esse grupo seleto de contragolpistas.

Logo, grandes são nossas chances de voltarmos de Rosário com um sorriso iluminado no rosto.
Um sorriso em que haverá de cintilar uma centelha de malícia, como aquele que se expressava nos lábios argentinos em décadas passadas, quando éramos freguês de caderneta deles.

INTER, TIMÃO ETC.

O Inter, ao bater, com olé e tudo, o Galo, por 3 a 0, e o Timão, que virou na raça o clássico com o Santos, estão na fita. O Inter, campeão virtual do primeiro turno, a um ponto do Palmeiras, e o Corinthians, roçando o G-4.

Juntam-se, pois ao líder Palmeiras, ao Goiás e ao São Paulo na luta direta pelo título. Mais o Inter, claro, do que o Timão, que precisará de uma arrancada prodigiosa para chegar lá em cima, o que parece improvável mas não impossível.

Possível, porque o Corinthians tem alguns trunfos na manga: a volta de Ronaldo Fenômeno e de vários outros titulares, mais as inserções de Marcelo Matos e de Defederico, recém contratados.

Mas, se espiarmos a tabela, veremos que o Palmeiras, provavelmente já com Love no ataque, periga disparar na liderança, já que recebe em casa o Barueri, Jogo duro, mas palatável.

Em contrapartida, o São Paulo pega o Cruzeiro no Mineirão, e o Inter terá de ir a Florianópolis enfrentar o Avaí, sequioso de recuperar a pose perdida outro dia.

Enquanto isso, o Corinthians ficará treinando até a próxima quarta, quando terá de encarar o Coritiba, de Marcelinho Paraíba, na casa do inimigo.

É uma vantagem significativa, convenhamos, num torneio tão parelho, e de calendário tão avaro no tempo de treinamentos.

De qualquer forma, no quadro atual, Palmeiras, Inter e São Paulo, principalmente pela tradição, seguem sendo os maiores favoritos. Quanto ao Goiás, resta recuperar aquele jogo envolvente e agudo que lhe deu tão honrosa classificação até agora.

Notas relacionadas:

  1. MÁRIO E OS DEUSES DO FUTEBOL
  2. NAS NÉVOAS DE TERESÓPOLIS
  3. A VOLTA DO IMPERADOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 1 de abril de 2009 Futebol internacional | 19:03

HERMANOS, UI!

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Que biaba, meu Deus! Coisa de derrubar Maradona e Messi do mesmo altar, num piparote: 6 a 1 para a Bolívia, placar que um historiador futuro, distraído, trocará de mão, por certo.

Claro, a altitude deve ter influenciado e muito. Digamos que a altitude marcou três gols. Mas, o resto foi obra exlcusiva dos bolivianos e da frágil defesa argentina, calcanhar de Aquiles desse time há muito tempo.

Intrigante, pois os argentinos foram, durante décadas e décadas, mestres na produção de grandes goleiros (Vacca, Amedeo Carrizzo – não confundir com o seu homônimo atual -, Roma, Cejas, Fillol, o nosso Poy etc.) e zagueiros de altíssimo nível, como Salomón, Delacha, Ramos Delgado, Perfumo, Passarella e tantos outros.

Mas, de uns tempos pra cá, têm sido um fracasso absoluto nessa grande área.

De qualquer forma, nada justifica um placar tão amplo, a não ser o prosaico fato de que o deus Maradona não foi capaz de dar o devido conjunto à equipe alvi-celeste. Nem mesmo quando a Argentina goleou a frágil Venezuela em Buenos Aires, outro dia. Ganhou aquela, sim, com folga, mas em nenhum momento seu jogo coletivo convenceu.

Notas relacionadas:

  1. MARADONA E OS HÚNGAROS
  2. KUBALA, MARADONA E RONALDINHO
  3. ENCONTRO EM MARSELHA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quinta-feira, 19 de março de 2009 Ex-jogadores, Seleção Brasileira | 18:57

MÁRIO E OS DEUSES DO FUTEBOL

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Estava aqui, no meu doce auto-exílio da caverna de Ibiúna, relendo Os Filhos da Candinha, coletânea de crônicas de Mário de Andrade, Pai do Modernismo, para desgosto do magnífico escritor e cronista Carlos Heitor Cony, que, por força de seu carioquismo-anti-paulista, considera que a literatura brasileira só avançou depois de ter tomado o suco de caju, com garapa e água de coco, batido por Zé Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado etc., quando deparo como suelto intitulado Brasil e Argentina.

Mário descreve, então, um jogo entre Brasil e Argentina. Pela Copa Roca, em 1939, em São  Januário, período em que o autor de Macunaíma, a eterna rapsódia sobre o caráter do brasileiro, viveu no Rio.

Eram tempos em que os argentinos viviam nos dando sovas homéricas. E não ficou por menos, nesse jogo: 5 a 1, com dois gols de Moreno, que, até o aparecimento de Maradona e o desaparecimento das testemunhas do meia do River, era considerado o maior jogador argentino de sempre.

E olhe que lá estavam, entre os brasileiros, alguns dos monstros sagrados do nosso futebol, como Domingos da Guia, o Divino, Leônidas, Tim, Romeu etc.

Mas, o que nos interessa é o seguinte. Mário, que na crônica havia sentido a fisgada de um amigo urugaio pró-Argentina, de repente, compara os dois times a um trator massacrando beija-flores. O trator eram os argentinos; os beja-flores, os brasileiros.

E encerra sua crônica assim:

Era Minerva dando palmada num Dionísio adolescente e já completamente embriagado. Mas, que razões Dionísio inventava para justificar sua bebedice, ninguém pode imaginar! Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos, uma coisa radiosa, pânica, cheia das mais sublimes promessas! E, até o fim, não parou de prometer… Minerva, porém, ia chegando com jeito, com uma segurança infalível, baça, vulgar, sem oratória nem lirismo, e, juque!, fazia gol.”

Minerva, a deusa da sabedoria, era o time argentino daqueles tempos; Dionísio, o deus da criatividade e da esbórinia, éramos nós.

Ah, sim, no jogo seguinte, o Brasil meteu 3 a 2 na Argentina, com aquele pênalti célebre de Perácio cobrado sem goleiro, pois os argentinos abandonaram o jogo.

O  certo é que, passados setenta anos desse evento, nem os argentinos não são mais Minerva, nem os brasileiros, Dionísio. Simplesmente, o Olimpo se dissipou na névoa do passado, e todos somos igualmente meros e insípidos mortais, com uma ou outra exceção.

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