MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
O que é do hóme o bicho não come, como diz o caipira. E vai e vem e vorta e tal e cousa e lousa e maripousa, acabou dando Mano Menezes, o nome mais veiculado pela imprensa desde a queda de Dunga como técnico da Seleção Brasileira.
Surpresa foi o convite a Muricy, perfeitamente justificável por seu currículo extraordinário nos últimos anos, mas a coisa emperrou na recusa do Fluminense em liberar seu treinador, e, sobretudo, na retidão de caráter de Muricy, que se negou a romper o contrato apalavrado com o clube das Laranjeiras.
Nesse caso, quem ficou mal, mais uma vez, foi o presidente da CBF, que revelou falta de tato, de percepção, de inteligência mesmo na condução do processo de sucessão de Dunga. E a Seleção, claro, que perde os préstimos de um profissional de alta performance.
Mas, ganha, de outro lado, com a chegada de Mano Menezes, que não tem o mesmo cartel de Muricy, é verdade, entre outras coisas, porque está há bem menos tempo na parada. Ganha, pelo menos, no que tange ao equilíbrio emocional, atributo que sobra em Mano na mesma proporção que carece em Muricy.
O amigo vai dizer que isso não conta. Vale mesmo é a competência do cara na beira do gramado, no convívio com os jogadores, essas coisas mais práticas. Bem, isso é o que conta mais, é verdade. Mas, não custa nada agregar à competência específica para treinar uma equipe de futebol serenidade, articulação nos discursos públicos e um grau considerável de versatilidade na aplicação de esquemas ou táticas de jogo.
Mano, ex-zagueirão do interior gaúcho, com diploma de professor de educação física na parede, galgou todos os degraus da vida de um treinador – veio lá de baixo até chegar ao Grêmio e ao Corinthians, duas potências do futebol. E, embora se derreta diante de um chimarrão, já provou dos mais sofisticados vinhos internacionais.
O que quero dizer com essa metáfora é que Mano, mesmo sendo fruto da dura escola gaúcha, que já nos deu muitos treinadores ilustres, de Brandão a Felipão, passando por Ênio Andrade e tantos outros, revelou naquele Corinthians campeão da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil, ano passado, que tem olhos para as variações esquemáticas que o moderno-eterno aconselha. Isto é: um jogo altamente ofensivo, cujo princípio é o velho lema – quem tem de se preocupar é o adversário comigo, não eu com ele.
Teve uma recaída, é certo, neste ano, por causa da Libertadores, quando abraçou o clichê de que essa competição é tão diferente das demais que exigia um elenco e um esquema mais defensivos e cadenciados. Caiu do pingo. E, como um sujeito esperto, certamente aprendeu a lição. Tanto, que botou o Timão neste Brasileirão a jogar mais de acordo com as necessidades atuais do futebol. Resultado: está lá na vice-liderança, depois de pontear por várias rodadas.
Se vai dar certo, se está ali apenas tapando o buraco a ser preenchido no futuro por Felipão, Muricy ou mesmo Luxemburgo, não dá pra saber. Só o tempo dirá. Mas, acho uma solução adequada neste momento.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Mano Menezes, Muricy Ramalho, Seleção Brasileira






