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Posts com a Tag Mano Menezes

sábado, 24 de julho de 2010 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 15:41

MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE

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O que é do hóme o bicho não come, como diz o caipira. E vai e vem e vorta e tal e cousa e lousa e maripousa, acabou dando Mano Menezes, o nome mais veiculado pela imprensa desde a queda de Dunga como técnico da Seleção Brasileira.

Surpresa foi o convite a Muricy, perfeitamente justificável por seu currículo extraordinário nos últimos anos, mas a coisa emperrou na recusa do Fluminense em liberar seu treinador, e, sobretudo, na retidão de caráter de Muricy, que se negou a romper o contrato apalavrado com o clube das Laranjeiras.

Nesse caso, quem ficou mal, mais uma vez, foi o presidente da CBF, que revelou falta de tato, de percepção, de inteligência mesmo na condução do processo de sucessão de Dunga. E a Seleção, claro, que perde os préstimos de um profissional de alta performance.

Mas, ganha, de outro lado, com a chegada de Mano Menezes, que não tem o mesmo cartel de Muricy, é verdade, entre outras coisas, porque está há bem menos tempo na parada. Ganha, pelo menos, no que tange ao equilíbrio emocional, atributo que sobra em Mano na mesma proporção que carece em Muricy.

O amigo vai dizer que isso não conta. Vale mesmo é a competência do cara na beira do gramado, no convívio com os jogadores, essas coisas mais práticas. Bem, isso é o que conta mais, é verdade. Mas, não custa nada agregar à competência específica para treinar uma equipe de futebol serenidade, articulação nos discursos públicos e um grau considerável de versatilidade na aplicação de esquemas ou táticas de jogo.

Mano, ex-zagueirão do interior gaúcho, com diploma de professor de educação física na parede,  galgou todos os degraus da vida de um treinador – veio lá de baixo até chegar ao Grêmio e ao Corinthians, duas potências do futebol. E, embora se derreta diante de um chimarrão, já provou dos mais sofisticados vinhos internacionais.

O que quero dizer com essa metáfora é que Mano, mesmo sendo fruto da dura escola gaúcha, que já nos deu muitos treinadores ilustres, de Brandão a Felipão, passando por Ênio Andrade e tantos outros, revelou naquele Corinthians campeão da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil, ano passado, que tem olhos para as variações esquemáticas que o moderno-eterno aconselha. Isto é: um jogo altamente ofensivo, cujo princípio é o velho lema – quem tem de se preocupar é o adversário comigo, não eu com ele.

Teve uma recaída, é certo, neste ano, por causa da Libertadores, quando abraçou o clichê de que essa competição é tão diferente das demais que exigia um elenco e um esquema mais defensivos e cadenciados. Caiu do pingo. E, como um sujeito esperto, certamente aprendeu a lição. Tanto, que botou o Timão neste Brasileirão a jogar mais de acordo com as necessidades atuais do futebol. Resultado: está lá na vice-liderança, depois de pontear por várias rodadas.

Se vai dar certo, se está ali apenas tapando o buraco a ser preenchido no futuro por Felipão, Muricy ou mesmo Luxemburgo, não dá pra saber. Só o tempo dirá. Mas, acho uma solução adequada neste momento.

Notas relacionadas:

  1. A SELEÇÃO DE MURICY
  2. A QUEDA DE MURICY
  3. O CIVILIZADO MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

terça-feira, 20 de julho de 2010 Campeonato Brasileiro | 16:27

PEPINOS ALVINEGROS

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O líder Corinthians volta a campo nesta noite de quarta-feira diante do lanterna Atlético Goianiense. Dito assim, até parece que o Timão passeará à noite pelas alamedas de Goiânia, aspirando um ar mais puro do que o da Marginal do Tietê.

Nada disso, pois o Corinthians carrega para lá uma chuva de pepinos que desabou sobre o Parque nestes dois dias.

O primeiro deles, o processo com que o goleiro Felipe ameaça o clube, por “assédio moral”. O jogador quer rescindir seu contrato e a diretoria prefere mantê-lo no clube, a pão e água.

O segundo vem lá do Rio, da redação de O Globo, onde meu mui considerado Maurício Fonseca, repórter de ponta e companheiro de fé, garante que Mano Menezes está na fita para ser escolhido como novo técnico da Seleção Brasileira, muito provavelmente na próxima terça-feira. Quando, então, a CBF anunciaria também a contratação de Parreira para o cargo deixado vago (graças a Deus!) por Américo Faria, como superintendente, ou coisa do gênero, com poderes ampliados, porém.

Se isso ocorrer mesmo, será uma solução interessante, imagino.

Parreira já cumpriu seu ciclo como treinador da Seleção. Mas, tem muito a dar ainda num cargo desses, se estiver disposto (acho que está).

E Mano Menezes, já tem cancha suficiente para encarar essa parada, além de ser um tipo civilizado, capaz de engendrar essa passagem do antigo para o moderno – ou eterno – no time nacional.

Não creio, porém, que esses pepinos venham a prejudicar a digestão noturna do time, que vai bem de saúde, embora ainda careça de um substituto para Ronaldo Fenômeno, o craque em eterna recuperação. Quem sabe esse Gilmar, que despontou tão bem no Náutico, ano passado, resolva a questão. Com o fechamento abreviado da janela para brasileiros e estrangeiros que venham de fora, o rapaz já poderá ser aproveitado mais cedo do que se esperava.

JANELA INDISCRETA

A janela fechou, atendendo aos interesses de boa parte dos clubes contratantes, mas deixou uma fresta por onde se esgueira a sombra das suspeitas sobre o real motivo da decisão de Ricardo Teixeira.

Pelo menos, é como avalia o São Paulo, que vê na manobra da CBF mais uma punhalada nas suas costas, pois libera para o jogo da Libertadores o goleiro Renan e o atacante Sóbis (Tinga é outro papo: está suspenso para esse jogo desde alguns anos, quando expulso de sua última partida pelo Inter na Libertadores).

Não duvido nada do que venha daquelas bandas da CBF de Ricardo Teixeira, que mantém na alça de mira de seu rancor pessoal o São Paulo, o Fluminense e outros que não votaram em Kleber Leite, seu candidato à presidência do Clube dos Treze.

Politicalha de baixo nível, em cuja esteira nem vale seguir.

Mesmo porque o São Paulo, que acaba de demitir de maneira abjeta o fisiologista Turíbio – um quarto de século prestando relevantes serviços ao clube -, tem de pensar antes na sua recuperação no Brasileirão, diante do Grêmio Prudente.

Não está fácil, não, tricolino amigo.

ÁGUAS TURVAS

O Santos, através de seu presidente, rejeitou proposta de cerca de 30 milhões de reais do Chelsea por Neymar. Diz que só libera o jogador pelo preço da multa rescisória do contrato, coisa por volta do dobro disso. Pelo jeito, começa a queda de braço, o que contagia inevitavelmente jogador, técnico e torcida. Até agosto, quando fechar a janela lá fora, o Peixe terá de nadar em águas turvas.

E GRANA?

Já o Palmeiras encara nesta quinta o Botafogo, no Pacaembu. Dois grandões que patinam no Brasileirão em busca da estabilização. Felipão já bufou: os meninos têm futuro, mas o futuro não é agora. Agora, precisa de uns quatro reforços, por baixo. E lá vai o Verdão tateando os cofres já vazios atrás de grana pra cumprir essa sua sina interminável.

COM A CORDA NO PESCOÇO

Situação crítica também é a do Grêmio, que recebe o Vasco, um dos maiores beneficiários do súbito fechamento da janela brasileira, precisando desesperadamente de uma boa vitória para tirar o pescoço do técnico Silas da forca. É verdade que o presidente do clube tricolor já passou um pito público na sua própria torcida e na mídia que investe nas críticas ao treinador. Mas, essas coisas, sacumé…

E olhe aí o que me veio à cabeça neste instante, como um fecho ao estilo da cobra mordendo o próprio rabo, esotérico símbolo que vale tanto para o bem quanto para o mal: na eventual saída de Mano para a Seleção e da demissão de Silas do Grêmio, o Timão aproveitaria essa chance?

Notas relacionadas:

  1. E DEU MURICY NO PALESTRA
  2. GALO E TIMÃO, QUE SUFOCO!
  3. RODADA DE FOGO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

domingo, 18 de julho de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:44

MAIS LÍDER AINDA

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Não foi fácil, mas foi justa a vitória do Corinthians sobre o Galo ,no Pacaembu, por 1 a 0, gol de Bruno, tiro que desviou no zagueiro atleticano e foi às redes de Fábio Costa. Isso, já lá pelo segundo tempo.

O Galo manteve sempre a crista alta, o que dificultou muito a ação do Timão, que continua se ressentindo demais da ausência de um homem de área á altura do resto do time.

Mesmo assim, teve o domínio do espírito do jogo e poderia ter ampliado o placar, antes ou depois, embora o Atlético tenha obrigado o goleiro Júlio César a praticar, por baixo, duas defesas providenciais. Mas, digamos que se Chicão tivesse convertido aquele pênalti logo no começo da partida, as coisas pudessem ter sido mais fáceis para o Corinthians.

Entre outras coisas, porque, se o Corinthians de Mano Menezes está definido, ainda que com a ausência crônica de Ronaldo Fenômeno, o Atlético de Luxemburgo busca sua melhor formação, depois da saída de alguns jogadores, como Correa, por exemplo, e a chegada de outros, como Diego Souza.

O fato é que, com a derrota do Ceará para o Inter, o Corinthians segue líder, agora, isolado do Brasileirão, o que não é pouco para um dos times candidatos ao título nacional, embora muito caminho haja que ser percorrido até lá.

Estreia aziaga

Felipão, finalmente, estreou no banco do Palmeiras. Resultado: 4 a 2 para o Avaí, na Ressacada.

Claro que uma coisa não é consequência da outra. Simplesmente, trata-se da primeira tomada de posição de Felipão nessa sua volta ao Palmeiras, cercada de tantas esperanças.

Mesmo porque o Palmeiras saiu na frente, tomou a virada e soube reagir para chegar ao empate, antes de levar os dois gols fatais já nos acréscimos da partida. E até que não se pode dizer que o Verdão jogou mal.

Nada disso. Apenas, o Avaí foi melhor, ou mais oportuno na hora de decidir o jogo.

O que não cabe é esse espírito messiânico que cerca a volta de Felipão, como se a sua simples presença bastasse para transformar a água em vinho.

Milagres não existem. Existe trabalho, isso, sim. E talento. Só a combinação de ambos farão do Palmeiras um time como sempre foi no passado, com Felipão, ou antes de Felipão.

Flu, vice

Foi uma vitória heroica do Fluminense, que, na Vila, desdobrou-se em campo para vencer o Santos por 1 a 0, gol de Alan, numa das raras escapadas que deram certo.

De resto, foi o Santos cercando a área tricolor, naquele seu estilo, sob o comando de Ganso, com seus passes medidos, suas enfiadas de bola geniais e tal e cousa e lousa e maripousa, sem, contudo, chegar ao que realmente interessa – o gol.

Teve bola na trave, defesas providenciais de Fernando Henrique, e, no fim, a vice-liderança para o time de Muricy, que vai cumprindo excelente campanha.

Quanto ao Santos, mesmo quando perde, dá espetáculo. E isso já é um grande consolo para os amantes do verdadeiro futebol.

Notas relacionadas:

  1. MAIS VERDÃO?
  2. A BOLA COM VERDÃO E GALO
  3. AINDA LÍDER
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

terça-feira, 6 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 19:14

O CIVILIZADO MANO

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Felipão já disse que pretende cumprir seu compromisso com o Palmeiras até 2012, quando, então pensará na possibilidade de dirigir uma seleção para a Copa do Mundo no Brasil.

Claro, macaco velho, sabe que quem entrar agora no lugar de Dunga, terá de enfrentar um bombardeio da opinião pública imenso, Mesmo porque passará os próximos dois anos testando um novo grupo, o que é sempre mais arriscado do que herdar um time já ajustado. Felipão, porém, por sua personalidade, reforçada pela aprovação praticamente unânime da crônica e do torcedor, seria a tábua de salvação para o presidente Ricardo Teixeira, inteiramente envolvida nas questões de preparação da próxima Copa. É entregar a rapadura para Felipão, e deixar a vida lhe levar.

Se realmente, Felipão não assumir a Seleção, resta como segunda alternativa outro gaúcho: Mano Menezes, já que Luxemburgo – tecnicamente, o melhor de todos, mas tão enrolado em outros tantos negócios que é sempre um pacote complicado, na cabeça do cartola e da mídia – parece fora do páreo, por enquanto.

Mano é um sujeito civilizado, e com experiência suficiente para assumir o cargo e selecionador do Brasil.
Talvez, seja, no momento, a melhor solução. Depois, só Deus sabe.

Fala-se em Leonardo, se não para técnico do Brasil, pelo menos como um coordenador de seleções. Não me parece má ideia. De qualquer forma, a Seleção Brasileira carece, ao menos, de um diretor de futebol, alguém com autoridade, competência e visão para mudar todo aquele esquema já desgastado da comissão técnica.

Alguém que tenha um nível de conhecimento sobre futebol que transcenda esse ramerrão vigente. Que mude a perspectiva fechada em resultados. Capaz, enfim, de retornar a Seleção ao caminho que lhe é devido: um time que jogue de acordo com nossa gloriosa história. E que tenha peito para segurar essa onda, nas vitórias e nas derrotas.

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Mano Menezes e Felipão em charge de Milton Trajano

HOLANDA, CLARO

O Uruguai rasgou o coração, mas deu Holanda, claro. Parodiando o Poetinha, raça é importante, mas, que me perdoem os pragmáticos de plantão, técnica é fundamental.

E a Holanda é, tecnicamente, mais bem dotada do que o Uruguai, que, por força das circunstâncias (muitos desfalques) teve de recorrer ao seu velho chavão: um time todo fechadinho lá atrás, à espera de uma chance de contragolpear mortalmente o adversário.

E assim foi. A Holanda com a bola nos pés, dominando cerca de dois terços da partida, com poucas chances reais de gol, é verdade, mas cevando o momento certo de dar o golpe fatal.

E isso se deu logo aos 17 minutos do primeiro tempo, com um disparo de canhota fenomenal de Von Bronckhorst lá do meio da rua, no ângulo esquerdo do goleiro.

Bem que o Uruguai, que deu seu primeiro chute a gol aos 35 minutos, chegou ao empate, com Forlán, também num tiro longo em que o goleirão holandês bobeou.

Mas, em dois minutos, no segundo tempo, dos 26 aos 28, os holandeses definiram a vitória, com Sneijder e Robben, de cabeça.

Sim, é verdade, o Uruguai pressionou no finzinho, depois do gol de Max Pereira, já aos 46 minutos, mas nada que colocasse em risco a vitória holandesa, justa e merecida.

Assim, os holandese vão para sua terceira final de Copa do Mundo, o que é um prodígio para um futebol que praticamente só se profissionalizou no final dos anos 60, embora o praticasse desde sempre, mas num nível quase amadorístico.

Já o Uruguai, que teve seu apogeu nos anos 20/30/40/50, pela primeira vez nas últimas décadas chega tão longe numa Copa do Mundo.

E chegou justamente porque trocou a retranca dos últimos tempos, essa aposta furada no machismo, na marcação, na violência até, por um jogo mais arejado, ofensivo, claro, dentro de suas limitações.

Quando teve de voltar ao lugar-comum, dançou.

ALEMANHA OU ESPANHA?

Alemanha ou Espanha? Confesso, meu coração balança. Balança entre o jogo fluente, técnico e ofensivo da Alemanha e o toque-toque da Espanha, herdado do nosso futebol, via Barcelona.

Se Fábregas, sob observação médica, puder jogar, a Espanha terá mais chance de impor seu jogo envolvente, quase hipnótico. Não perderá tanto, nesse sentido, se o escalado for David Silva, um canhoto habilidoso que compõem bem a parceria com Iniesta e Xavi no meio de campo.

Mas, se Del Bosque insistir com Torres lá na frente, sou capaz de apostar uma maria-mole que Khedira, Schweinsteiger, Ozil e Muller tomarão conta do setor e os espanhóis sofrerão o fogo do inferno.

De qualquer forma, um jogo de se assistir com o champanha gelando ao lado.

Notas relacionadas:

  1. SERÁ PATOLÓGICO?
  2. SEM FELIPE, JOSUÉ?
  3. DOIS JOGAÇOS À VISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

segunda-feira, 21 de setembro de 2009 Campeonato Brasileiro | 16:08

VERDÃO, CELEBRANDO, ATÉ…

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O Verdão, que passou o fim-de-semana celebrando os tropeços de seus rivais mais próximos na tabela do Brasileirão, afia suas armas para enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, nesta quarta.

Além da tradição de sua camisa e do time que tem hoje, o Cruzeiro é favorito,  por jogar em casa. Mas, o Palmeiras, embora declinando neste segundo turno em relação ao primeiro, é forte o suficiente para virar esse jogo e livrar mais uns pontinhos de São Paulo e Inter, que seguem nos seus calcanhares. Depende, sobretudo, da formulação tática a ser adotada e do espírito de luta da equipe, claro.

Se entrar em campo só para evitar o pior, estará flertando com a derrota. Contudo, se entrar com a alma de um campeão e a postura tática de um vencedor, periga alcançar o máximo.

E olhe que Muricy teve tempo de sobra para armar esse time com vistas a esse jogo tão emblemático, pois está aí uma partida que pode servir de trampolim para o resto da temporada verde.

MEA CULPA DE MANO

O técnico Mano Menezes teve a altivez de assumir a responsabilidade pelo desastre corintiano diante do Goiás, no domingo. Disse que armou mal sua equipe, ao configurá-lo num modelo que considerava adequado para enfrentar especificamente o adversário da hora.

Assim, sem William, o grande líder de sua defesa, montou aquele setor com três zagueiros, fugindo de seu padrão habitual, com o lateral-direito Alessandro numa posição mais ofensiva, entre a ala e o meio-de-campo, que acabou se transformando numa zona cinzenta onde o jogador movia-se sem saber para onde nem por que.

E isso me remete a uma velha questão: até onde o treinador deve se arriscar a desfigurar o jogo de seu time, tentando ajustá-lo à marcação do eventual inimigo? Ou, não será sempre melhor (com as exceções de praxe) seguir o curso natural de sua equipe, deixando ao adversário a tarefa de inventar fórmulas para contê-lo?

Mestre Ziza, o grande Zizinho, um dos dois maiores craques que vi em ação (o outro foi Di Stefano – Pelé não conta) e técnico de breve carreira, pois estava anos-luz além da prática de seu tempo, costumava dizer que um time deve preocupar-se mais consigo mesmo do que com o adversário.

Claro, sempre há ajustes pontuais – uma marcação mais específica neste ou naquele jogador que faz a diferença e tal e cousa e lousa e maripousa.

A verdade, todavia, é que os grandes esquadrões da história impunham seu jogo, fosse qual fosse o adversário. E até hoje é assim, quando se pega um Barcelona, o campeão da Europa, como exemplo: seja onde for, contra quem seja, o Barça é sempre o mesmo.

Aliás, esse tem sido o grande mérito de Mano Menezes, que, mesmo com uma equipe em transição em meio ao campeonato, nunca alterou o padrão que lhe deu os títulos da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil. E assim o Corinthians manteve-se na órbita dos candidatos ao título do Brasileirão.

Meno male, para o Corinthians e para o técnico, que Mano Menezes tenha caído na real logo após dela ter dado uma escapulida.

PET E ADRIANO

Eis uma dupla que já está dando o que falar: Pet e Adriano, o arco e a flecha, como diria mestre Armando Nogueira.

Petkovic, exemplo singular de um iugoslavo (ele ainda se considera assim) que aportou, de repente, no Brasil e aqui construiu uma legenda, graças ao seu futebol inteligente, hábil e de extrema precisão nos passes e nos disparos a gol, transformou-se na pedra de toque do novo Flamengo.

Já se transformara num retrato pregado no álbum de recordações do futebol brasileiro, quando, por trama do destino e dos cartolas do Flamengo, voltou à Gávea, como parte do pagamento de atrasados que o clube lhe devia, numa dessas estranhas engenharias que só nossa cartolagem é capaz de engendrar.

À época, o técnico de plantão olhou-o com desdém, e nem sequer pensava em utilizá-lo pra valer. Mas, aos poucos, e, sobretudo com a ascensão de Andrade, Pet foi cavando seu lugar no time, e hoje é, sem dúvida, titular absoluto. Mais do que isso: fator decisivo para a recuperação do Flamengo. Entre outras coisas, porque é ele quem aciona na medida o artilheiro Adriano.

O mesmo Adriano que havia pendurado as chuteiras milionárias para arrastar seus chinelos entre sua gente humilde das quebradas do Rio. E, que, num ato de paixão, resolveu calçá-las novamente para defender seu Flamengo de coração.

Pet e Adriano, duas histórias tão distintas, que se cruzam na Gávea para reacender as esperanças rubro-negras, antes extintas.

Notas relacionadas:

  1. TARDE DE VINGANÇAS
  2. ADRIANO, GANSO E MARLOS
  3. TRÊS VEZES OBINA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 22 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Treinadores | 15:36

E DEU MURICY NO PALESTRA

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Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com todas as condições, pois, de brigar pelo título.

Dependendo dos resultados da rodada que se inicia hoje à noite, pode receber das mãos de Jorginho um Verdão líder isolado do Brasileirão.

Mesmo porque, mais do que os resultados obtidos até aqui, o Palmeiras tem revelado um futebol leve, envolvente e agressivo, agradável de se ver. Dizem que em razão da afinidade do elenco com o técnico interino. Aliás, não faltaram declarações dos jogadores nesse sentido nos últimos dias.

Mas, Muricy tem talento e personalidade para manter vivo esse vínculo com seus comandados.

Basta tocar o barco com leme firme, sem grandes desvios, que pode chegar lá.

MAIS UM NA JANELA

Outro corintiano que está com um pé sobre o batente da janela escancarada para o mundo é Douglas, um desses raros meias canhotos de toque refinado, tão pródigos no passado e tão escassos no presente futebol brasileiro.

Douglas, por isso mesmo, tem sido um ícone do Corinthians de Mano de tantas conquistas recentes. Representa a aposta de um técnico que ousou ir na contramão do estabelecido no futebol brasileiro destes tempos sombrios, arejando seu esquema e iluminando seu meio-de-campo com jogadores que jogam bola, antes de tudo o mais, sem perder a consistência defensiva. Ao contrário, o Corinthians, mesmo jogando com uma formação muito mais ofensiva do que os demais, é dono de uma defesa forte, nada vulnerável, como preconizariam os pragmáticos de plantão.

Joga e não deixa jogar, o lema mais verdadeiro de tantos que o futebol cultiva há mais de século.

Notas relacionadas:

  1. HABEMUS TIME?
  2. RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO
  3. A GRANDE VITÓRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 6 de julho de 2009 Libertadores | 13:04

TIMÃO E RACISMO

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Por Milton Trajano
Veja mais charges no blog do Milton Trajano

Para encarar a Libertadores nas regras das artes, antes de tudo, o Corinthians precisa esquecer a Libertadores, já. Sobretudo, porque daqui até lá, haverá tantos imprevistos de toda sorte, sem falar no curso normal das coisas, o que em futebol significa qualquer coisa.

Certo mesmo é que o Corinthians terá de chegar à Libertadores assentado, equilibrado emocionalmente, pelo menos. Para tanto, não pode relaxar agora, pois se o fizer correrá o sério risco de chegar lá fragmentado, portanto, vulnerável.

Faz bem, pois, Mano Menezes em eleger o Brasileirão como um alvo absolutamente prioritário. Não só porque esse título seria a terceira coroa a fechar com chave de ouro um ano até aqui prodigioso para o Timão. Mas, sim, para manter o time ligado, aceso, já com vistas ao objetivo maior – a Libertadores.

Claro, é normal, ao fim de uma campanha em que o Corinthians aumentou o seu acervo de glórias com o Paulistão e a Copa do Brasil, que sobrevenha um certo relaxamento, aquela sensação de prazer satisfeito, o desejo a siesta, cochilo reparador e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, o lema que tem impulsionado esse Corinthians é aquele que vem da galera: Não pára, não pára, não pára

RACISMO NO FUTEBOL

O racismo é um desses demônios que devem ser erradicados de vez da alma humana. Mas, o bicho é resistente. Alimentado pela ignorância e a impotência dos homens, sobrevive há milênios – às vezes, abertamente; às vezes, nas sombras da dissimulação.

Nem sei se não é, enfim, a tal Marca de Caim, impressa na alma humana até a eternidade. Mas, de qualquer forma, é preciso combatê-lo sempre, em todos os quadrantes, para que, ao menos, finjamos que somos civilizados.

Da segunda metade do século passado até aqui, o mundo avançou muito nesse sentido, apesar dos bolsões de resistência de bandos de estúpidos espalhados por esse planeta afora. Mas, ainda há muito o que avançar nesse caminho civilizatório.

E o futebol, talvez a mais abrangente expressão esportiva mundial, que se insere nos corações mais recônditos, passa a ser um alvo prioritário nessa luta.

A Fifa, a Uefa e as federações nacionais da Europa já se deram conta disso, e baixaram medidas disciplinares, não apenas sobre jogadores e clubes que eventualmente recorram a tal método odioso, como também sobre as torcidas que manifestem sua idiotia nas arquibancadas com ritos e cânticos racistas.

Mas, o que fizeram até aqui a Conmebol e a CBF a respeito? Zero!

Vez por outra, jogadores entram em campo com faixas condenando essa prática malsã. E só.

Não basta. Devem ir fundo nessa questão, estabelecendo punições severas sobre as torcidas e seus respectivos clubes que adotem tal postura nos estádios.

É absolutamente inaceitável, neste nosso Brasil mulato, cafuz, mameluco, onde Ocidente e Oriente se fundiram tão profundamente que é impossível distinguir um nissei de um descendente de índio, manifestações como as de parte da torcida do Grêmio chamando jogadores do Cruzeiro de macacos.

Na fauna simiesca, sabemos, há macacos negros, marrons, brancos, cinzas, de todos os tamanhos e formatos. O traço comum entre eles, porém, é a imitação.

Tanto, que no linguajar popular, quando se refere a um imitador, diz-se que parece macaco.

Desde o início da rivalidade entre os brancos argentinos e os mulatos e negros brasileiro, nas primeiras décadas do século passado, eles nos chamam, abertamente, de macaquitos.

Se for por causa da nossa cor, é ofensa. Se for porque parte dos nossos os imitam em tudo nas arquibancadas, então, é apenas uma constatação: macacos são aqueles os imitam, sem nenhuma originalidade nem vergonha.

Notas relacionadas:

  1. DEVAGAR TAMBÉM É PRESSA
  2. SÓ PODE, TRICOLOR…
  3. EMOÇÃO TRANSBORDA NAS COPAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

quinta-feira, 2 de julho de 2009 Copa do Brasil | 15:33

A ESCOLHA CERTA

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Por Milton TrajanoTudo, na verdade, começou com a ousada escolha do estilo de jogo que o Corinthians deveria adotar para a disputa da Segunda Divisão do Brasileirão do ano passado.

Os clichês estampavam um modelo único, aquele que se traduzia assim, em palavras: Segundona é coisa de macho, que exige muita raça e pouca técnica.

Pois bem, Mano Menezes escolheu o caminho inverso e montou um time essencialmente técnico, num claro 4-3-3, tão desprezado pela imensa maioria dos nossos treinadores, o que confere ao time, dependendo da escolha dos jogadores, uma ofensividade muito maior do que esse ramerrão que anda por aí no futebol brasileiro há tanto tempo.

Pego como exemplo o meia Douglas, canhoto hábil e inteligente, desses que encantam pelo toque de bola, pelo passe arriscado, cujo nome, se posto à mesa, de 99 por cento dos nossos treinadores, provocará um esgar seguido do inevitável: ah, mas não marca ninguém.

Pois, Douglas foi o principal articulador de um time que jogou com dois beques de área, dois laterais ofensivos, um volante de ofício (Cristian), outro mais versátil (Elias) e três atacantes.
Assim, o Corinthians levantou a taça com um brilho e uma folga jamais vista até então.

No início do ano, Mano recebeu um presente que, para muito treinador brasileiro, seria de grego: Ronaldo Fenômeno, uma incógnita absoluta, mais problema latente do que solução técnica.

Ronaldo integrou-se, recuperou-se o suficiente para ser decisivo na campanha pelo título paulista, e a expectativa de que ainda produzirá muito mais segue em alta.

Nesse momento, Douglas machuca-se, volta reticente ao time, alterna boas e más partidas, reacendendo o velho vezo aos meias de habilidade. Qualquer outro técnico, o teria defenestrado. Mas, Mano manteve Douglas no time, até que o jogador conseguisse se reabilitar. Assim como manteve seu esquema faceiro, como dizem alguns, ofensivo, porém, equilibrado, por isso mesmo. A ponto de ser uma das defesas menos vazadas do país, e um ataque altamente positivo, além dos títulos conquistados.

Todo mundo se deliciou com a serenidade com que o Corinthians driblou em campo todas as pressões exteriores no Beira-Rio.
O fato é que o equilíbrio emocional baseou-se, sobretudo, no equilíbrio técnico e tático da equipe. Na capacidade de alternar o ritmo de jogo de acordo com as circunstâncias. No conjunto de um time que joga junto praticamente desde que Mano assumiu o seu comando.

Sim, claro, individualidades se sobressaíram, de Felipe a Dentinho. Todos tiveram seus momentos de brilho nessa campanha gloriosa. Mas, Jorge Henrique e Dentinho foram emblemáticos.

Explico: ambos, atacantes natos, jogadores de porte e estilo leves, romperam o velho chavão de que os avantes brasileiros, por cultura insuperável, não sabem marcar, nem têm disposição para tanto.

Trata-se de outro estúpido preconceito, gerado pelo medo dos nossos treinadores de arriscarem um sistema mais ofensivo, para garantir seus empregos, com aquela legião de beques e volantes de contenção.

Enfim, mais do que ganhar dois títulos importantes em seis meses, o grande mérito desse Corinthians é ter sinalizado para um novo (eterno) rumo para o futebol brasileiro, onde não há mais lugar para frases feitas, conceitos superados, medos e retrancas.

A não ser para os que pensam pequeno, apesar da grandeza dos clubes que dirigem.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES NA COPA DO BRASIL
  2. TIMÃO, INTER E VASCO
  3. DECISÃO E PRESSÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

domingo, 12 de abril de 2009 Campeonatos Estaduais | 19:14

TIMÃO, FLA E GALO

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Resumo da ópera: ganhou aquele que entrou em campo programado para ganhar, num jogo emocionante em que o Corinthians foi dominante do início ao fim.

Sim, porque Mano Menezes escalou sua equipe com apenas um volante – Cristian -, justamente o que deu a vitória nos últimos segundos da partida, dois zagueiros, dois laterais que avançaram o tempo todo, dois meias e três atacantes.

Já o São Paulo, pela ausência de Zé Luís, voltou ao esquema com três zagueiros de ofício e dois atacantes de ofício, o que enfraqueceu seu meio de campo, inteiramente controlado pelo Corinthians.

Apesar disso, quem saiu na frente foi o Tricolor, graças à jogada de bola parada, sua infalível e recorrente arma: aos 25 minutos do primeiro tempo, na cobrança de bola presa por Dentinho, em dois lances, Jorge Wagner (sempre ele!) levantou para Miranda desviar de cabeça.

Em menos de quatro minutos, porém, Elias, em bela jogada pessoal, passou no meio de dois defensores e tocou de canhota no canto de Rogério Ceni.

Um prêmio para Elias, que acabou se transformando no melhor em campo, não apenas pelo gol marcado, tampouco pelo gol salvo em cima da linha, em novo cabeceio de Miranda, no finzinho da etapa inicial.

Nessas alturas, o Tricolor já havia perdido Arouca, machucado, trocado por Joílson, o que acabou dando um certo equilíbrio ao time, já que Arouca como ala direito é uma escolha equivocada do técnico Muricy – o rapaz não tem velocidade, nem habilidade para essa função.

Mas, não houve muito tempo para essa substituição surtir algum efeito, pois, logo aos 11 minutos do segundo tempo, André Dias foi expulso e, em seguida, Joílson foi substituído por Renato Silva.

O fato é que o Corinthians continuou jogando em cima do São Paulo e as chances se multiplicaram, inclusive pelas falhas e defesas oportunas de Rogério Ceni, sobretudo no duelo direto com Ronaldo.

O mesmo Ronaldo, que fez duas ou três jogadas de alto nível, tomou um amarelo justo pela entrada sobre André Dias e, mesmo perdendo três boas oportunidades, semeia todas as esperanças na Fiel para o jogo decisivo.

Assim, o cenário inverteu: o Corinthians é que ficou com a vantagem do empate no jogo do Morumbi. Porém, isso não é tudo.

FLA-FLU RUBRO-NEGRO

O Flamengo passou pelo Fluminense por 1 a 0, placar enganoso, já que os rubro-negros criaram cerca de meia dúzia de chances incríveis para ampliar o resultado, quase todas conjuradas por Fernando Henrique.

O mais irônico, contudo, é que o gol de Juan foi fruto de uma falha do goleiro tricolor. Azar de goleiro.

Assim, o Flamengo volta a encarar o Botafogo numa decisão carioca. Parece replay.

O GALO DE LEÃO 

Em Minas, Diego Tardelli deu o tom, ao marcar o primeiro gol do Galo, na vitória por 2 a 0 sobre o Rio Branco de Andradas (o segundo foi de Eder Luís). E aqui vale repisar sobre o óbvio: com Leão, Diego Tardelli é fera. Foi assim no São Paulo e está agora sendo no Atlético.

E é aqui que quero prestar minhas homenagens ao técnico Leão, com quem tenho bicado muitas vezes. O maior mérito de um treinador, a meu modesto ver, não é o de inventar sistemas, táticas mirabolantes, manter a tropa em formação militar, nada disso. É dar uma espiada no elenco e nos jogadores disponíveis no mercado, e escolher os que têm mais potencial para jogar. Por fim, tendo-os sob seu comando, armar esquemas que permitam explorar o máximo de cada um. Leão é um dos poucos treinadores brasileiros que fazem isso.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 Campeonatos Estaduais, Futebol internacional | 15:33

FUTEBOL E TECNOLOGIA

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O técnico Mano Menezes, depois do jogo, insinuou claramente que a expulsão de Túlio só aconteceu porque um espírito de orelha soprou lá de fora o lance não constatado pelo quarteto de arbitragem.

Pode ser, pode não ser. E, se fosse, qual o problema? Ao juiz é conferida tamanha autoridade dentro das quatro linhas de jogo, que, se quiser, o bicho pode até consultar o gandula, em caso de dúvida. Assim como pode aceitar a recomendação até do técnico ou de um jogador, se considerar razoável.

Por que não ouvir, então, a advertência de quem esteja diante de um aparelho de tv, com todas aquelas imagens em vários ângulos captando o lance não observado?

Ainda neste fim de semana, no jogo entre Manchester United e Derby County, houve uma jogada que suscitou a mesma dúvida: o bandeirinha e o juiz teriam obedecido a uma observação do quarto árbitro, ou a um comando teleguiado de fora?

O lance foi assim: bola espichada da defesa do Manchester para Cristiano Ronaldo, na metade adversária do círculo central, em posição duvidosa. O português disparou, bola colada aos pés, sendo acompanhado pelo auxiliar, com a bandeira abaixada. Só depois de Cristiano Ronaldo finalizar a jogada, quando já comemorava o gol, o bandeirinha resolveu levantar seu instrumento de trabalho, como diziam os antigos locutores.

Obviamente, a infração – se houve mesmo, pois até agora estou em dúvida – não foi detectada nem pelo bandeira, que estava a na linha direta do atacante, quando este recebeu a bola, nem pelo juiz que deixou vida seguir. Teria sido o quarto árbitro o autor da advertência? Como saber, com tantos fones espalhados por aí?

O fato é que não dá mais para a Fifa brigar com a tecnologia hoje integrada definitivamente na vida de cada um de nós. É uma briga, desde já, perdida.

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