Mano Menezes | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Copa do Brasil, Olimpíada, Sem categoria | 17:33

SORTE DE CAMPEÃO OU CIÊNCIA DO CRAQUE?

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Se é que existe mesmo essa tal de sorte de campeão, o Palmeiras já pode mandar confeccionar a faixa de campeão da Copa do Brasil, o primeiro título de importância nacional depois de doze anos de estio.

Sim, porque conseguiu superar a inesperada perda de seu artilheiro Barcos no dia do jogo decisivo com o Coritiba, vítima de apendicite, creia, pra começo de conversa.

Em seguida, resistiu o assédio do Coxa durante todo o primeiro tempo, evitando até mesmo uma contagem que poderia definir a situação de vez já nessa partida inicial, pois o Coxa perdeu cara a cara três gols feitos, num deles com dois atacantes, sozinhos, se atrapalhando diante do goleiro Bruno já com as mãos para os céus.

Eis que, aos 46 minutos de bola rolando, num dos raros avanços do Verdão, pênalti, que Valdívia converte. E, aos 19 do segundo tempo, quando o Coritiba pressionava, mas, já sem muitas esperanças, Thiago Heleno, de cabeça estabelece os 2 a 0 finais. Finais, porque Maikon Leite ainda perdeu chance de ouro, quando o Palmeiras já estava com um a menos, por conta da expulsão de Valdívia.

Ah, sim, houve um pênalti de Márcio Araújo em Tcheco, que o juiz não deu (a propósito, ô juizinho ruim de serviço, esse, meu!). Mas, do jeito que a coisa andava, perigava Bruno pegar o pênalti ou a bola ir pra fora, sei lá.

Só sei que a tal sorte de campeão, esse sortilégio, no fundo, no fundo, foi mesmo ajudado pela ciência de Marcos Assunção nas cobranças das faltas que provocaram o pênalti, no primeiro gol verde, e o cabeceio de Thiago Heleno, no segundo.

De qualquer forma, o Verdão leva para Coritiba uma vantagem significativa, se não definitiva. Só a sorte dirá. Ou a ciência do jogo, quem sabe, desta vez prevaleça.

OS DEZOITO DE MANO

Mano chamou os dezoito das Olimpíadas com Hulk como novidade entre os três acima de 23 anos de idade, pois Thiago Silva e Marcelo eram favas contadas. Assim como o era David Luís, que acabou cedendo sua vaga a Hulk, aprovado com louvor nos amistosos recentes. Mas, sobretudo, porque Juan, ao lado de Thiago Luís, teve bom desempenho também.

A presença de Hulk, porém, provoca uma questão instigante. Se vai, é pra jogar. E, se jogar, por certo, não será no lugar de Neymar, a estrela da cia. Como Neymar e Hulk jogam pelas beiradas, Mano terá de escalar um centroavante, seja Pato ou Leandro Damião.

Assim, sobrarão três vagas no meio de campo, onde a dupla de volantes – Rômulo e Sandro – é sagrada para o esquema do treinador. Logo, Ganso terá de disputar a posição de único meia autêntico com Oscar, que esmerilhou nas últimas partidas.

Uma das alternativas que Mano queria experimentar no período dos amistosos era a formação com ambos em campo, sem um centroavante genuíno. Mas, Ganso havia baixado novamente enfermaria e não foi possível.

Aliás, essa é a grande incógnita: como estará Ganso durante as Olimpíadas? Pelo que tem jogado no Santos depois da última cirurgia, só sairá do banco em caso extremo.

Uma pena, porque, se Ganso estivesse nos trinques, Mano poderia ir pras cabeças, com apenas um volante (Rômulo ou Sandro), dois meias (Oscar e Ganso) e o trio atacante Hulk ou Lucas, Pato ou Damião e Neymar.

Mas, nem tudo é azul na canarinho, não é mesmo?

JUJU NA MOSCA

A escolha não poderia ter sido a mais adequada. Ney Franco é um mineiro inteligente, discreto, trabalhador, jovem mas com respeitável bagagem à beira do gramado, e cultor de um futebol jogado nas regras da arte, pra frente, como manda o figurino, com as cautelas básicas, é claro.

Seu trabalho à frente das seleções sub-20, com as quais ganhou cinco títulos expressivos, foi estupendo, a ponto de ter montado o time que acabará servindo de base não só para as Olimpíadas como até mesmo para o Mundial de 2014, passando pela Copa das Confederações.

Só resta agora o Coronel Juju sentar-se na varanda, munido do sagrado copo dourado, e deixar o moço trabalhar em paz, quaisquer que sejam os resultados iniciais.

ENFIM, O CHIP

Demorou demais para a Fifa decidir implantar esse chip na bola que deixa dúvidas sobre a risca do gol – entrou, não entrou? O bichinho vai dizer com segurança na hora o que aconteceu de fato.

O olho humano é tão sensível a enganos e a tecnologia atingiu tal grau de sofisticação que não dá mais para desprezá-la nos campos do futebol.

Aliás, a propósito da falibilidade do olho humano, vale lembrar que isso serviu até para que um filósofo do passado criasse a teoria segundo a qual nossa realidade, de fato, é uma irrealidade, apenas um reflexo do mundo ideal, que está em outra dimensão, lá no céu, digamos.

E, para provar sua tese, basta o cara espiar a olho nu o tampo de uma mesa. A verá, então, lisa, marron etc. Aproximando essa superfície através de uma lupa perceberá que ela, na verdade, é uma soma depequenos orifícios, de cor amarelada. Se vista sob tal ângulo, é assim. De outro, assado, e lá vai o sábio provando que todos os nosssos sentidos – a visão, o olfato, o tato, o paladar – vivem nos pregando peças. Ora, se não poemos crer nas mensagens que eles nos enviam, em que acreditar, a não ser que tudo não passa de mera ilusão, ou projeção de uma realidade que está fora do nosso alcance.

Voltemos ao chip da bola que é algo bem mais palpável, não acha, meu?

Notas relacionadas:

  1. MANO E O LUGAR-COMUM
  2. QUEM PAGA A PIZZA É O PATO DE SEMPRE
  3. BRASIL SEM GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

terça-feira, 29 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira, Treinadores | 16:17

AS EXPERIÊNCIAS DE MANO

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A informação que nos chega dos EUA é a de que, num treino em campo reduzido, nove contra nove, Mano Menezes escalou o trio Hulk, Pato e Neymar, juntos, com Casemiro fazendo as funções de beque.

Não sei até onde essas experiências serão levadas a efeito no amistoso desta quarta-feira contra os norte-americanos. Mas, ainda é tempo de Mano testar em campo as ideias que porventura rondam sua cabeça.

A aparentemente mais estapafúrdia seria essa de escalar eventualmente Casemiro na zaga. Mas, a sugestão passa a ser mais válida se lembrarmos que Casemiro foi um dos esteios da Seleção Sub-20 campeã do mundo atuando várias vezes na função de líbero, lá atrás. Acrescente-se a isso o fato de que, pelas regras olímpicas, só poderemos inscrever dezoito jogadores para a competição, o que, certamente, obrigará Mano a se precaver em caso de improvisações necessárias nesta ou naquela partida.

Quanto ao trio atacante, não creio que Pato comece jogando no lugar de Damião. Mas, é preciso testá-lo pra valer nesses jogos preparatórios. Assim como Hulk, destaque da vitória sobre a Dinamarca, vai ganhando sua vaga na Seleção. Todavia, não nesta olímpica, a não ser como o terceiro jogador acima da idade permitida pela disputa. Desconfio, contudo, que Mano deverá guardar esse lugar para setores mais vulneráveis do time, como o gol e as laterais.

Mesmo porque, se levado para Londres, Hulk deveria ser titular, o que obstaria a evolução de Lucas, deslocada para a esquerda, contra a Dinamarca, posição em que o craque tricolor revelou-se desconfortável e improdutivo.

Certo mesmo é que Neymar volte ao time, e que Oscar terá a tarefa de lhe meter as bolas exatas no lugar de Ganso, o parceiro de sempre.

Assim como é certo que o Brasil não terá moleza diante dos EUA, time que, historicamente, só foi vencido por nós, bem e com facilidade, na estreia de Mano, Neymar e Ganso, lembram?

Entre outras coisas, porque os americanos vêm de uma vitória expressiva sobre a Escócia, por 5 a 1, com o veterano Donovan, autor de três gols, nos trinques.

Tudo bem: a Escócia, a exemplo da Dinamarca, não é lá essas coisas. Mas, se numa coisa os escoceses são bons, além do uísque e da gaita de fole, é justamente defender-se com unhas e dentes. Procure nos alfarrábios xadrezes que o amigo não encontrará facilmente outra goleada dessas sofrida pela Escócia ao longo de sua história.

OS NOSSOS GRINGOS

Falou-se um bocado da possibilidade de Guardiola assumir a Seleção Brasileira, numa eventual queda de Mano Menezes. E até o próprio técnico catalão, admirador confesso daquele nosso velho estilo de jogar bola tão desprezado por aqui nos últimos anos, sentiu a picada da mosca azul e andou espalhando por aí que, olhe!, é coisa pra se estudar.

O brasileiro em geral, como a maioria dos latinos, se entusiasma na mesma velocidade com que se decepciona, diante da sucessão de resultados. E o êxito de Guardiola no Barça foi fruto, sobretudo, da paciência, do tempo de trabalho em que ele passou burilando os garotos da base e os marmanjos de cima, dentro de um conceito de jogo estabelecido no clube há décadas.

Não sei se atingiria seus objetivos nesse vapt e vupt do nosso futebol, sobretudo na Seleção, que se junta hoje pra jogar amanhã, sob uma rede intrincada de interesses dos clubes, dos jogadores, da CBF, da tv, dos patrocinadores e outros bichos.

Mas, uma coisa é certa. Afora os tantos técnicos argentinos e uruguaios que moldaram taticamente nosso futebol feito basicamente de talentos individuais, nas décadas de 30, 40, 50 e 60, a passagem por aqui de dois húngaros, com a diferença de vinte anos, instilaram conceitos que criaram raízes e deram belos frutos.

O primeiro deles, o austro-húngaro Dori Kruschner, que, na segunda metade dos anos 30, trouxe o WM para o Brasil, em sua breve passagem pelo Flamengo. Até então, jogávamos na clássica formação de 2-3-5. Isto é: dois zagueiros de área – o back, que ficava na sobra, e o stopper, que partia pro combate -, a linha média de três e o ataque de cinco – dois extremas, dois meias e um centroavante.

O WM, criado no final dos anos 20 pelo britânico Herbert Chapman, por conta da mudança da lei do impedimento (antes, eram três, em vez dos dois atuais, entre o atacante e a linha de fundo), estabelecia três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios apoiadores, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante).

Flávio Costa, que era auxiliar de Kruschner nessa época, com a saída do gringo, fez uma leve alteração no posicionamento dos médios e meias, chamou isso de Diagonal, e implantou esse sistema, mais tarde na Seleção Brasileira. Todo mundo foi atrás, até o advento do quarto-zagueiro, já pra lá da metade dos anos 50.

Foi mais ou menos na época em que outro húngaro ilustre, Bella Gutman, um dos integrantes da comissão técnica da Seleção Húngara de Puskas, Kocsis e cia., o Barça daqueles tempos, assumiu o São Paulo, campeão paulista de 57.

Gutman, que falava uma estranha mistura de espanhol com italiano, resumiu seu conceito à mais simples onomatopeia: Tá-Tá-Tá. Traduzindo: três passes, chute a gol. Isso era o que faltava ao nosso futebol, tão artístico, tão elaborado na troca de passes, nos dribles, nas invenções de jogadas pessoais – objetividade. Ir logo direto ao assunto, o gol inimigo.

Vicente Feola, à época superintendente do São Paulo e técnico intermitente do clube, entendeu a proposta e aplicou-a com esmero na Seleção que ele mesmo dirigiu na Suécia, culminando com a vinda do nosso primeiro caneco.

Quero dizer o seguinte: não é necessário que Guardiola, por exemplo, assuma a Seleção Brasileira hoje para mudar o curso do nosso futebol. Nestes tempos de globalização, os conceitos voam de lá pra cá, num átimo, e, mais cedo ou mais tarde, começam a germinar, independentemente da presença física de seus autores.

Basta o amigo rever as entrevistas dos nossos principais treinadores, pelo menos, desde o passeio do Barça no Santos, na decisão do Mundial de Clubes. Todos passaram a falar na necessidade de reter a posse de bola por mais tempo, de avançar a linha de marcação, de fazer isso ou aquilo como o Barça.

Ora, nós sabemos que, por uma combinação singular de fatores, o Barça é o que é, e nenhum outro time no mundo será capaz de imitá-lo literalmente.

Nem se trata disso. Trata-se apenas de reavivar o conceito do jogo trabalhado, passando da defesa pelo meio de campo antes de chegar ao gol adversário, em vez da chamada ligação direta, do medo extremo de atacar para não perder a segurança lá atrás, da supremacia da técnica sobre a força bruta, essas coisas elementares que fazem do futebol, ao mesmo tempo, uma competição e uma arte.

Algo que dê prazer de ser visto, com emoção, sim, mas também com a razão.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. OS CAMINHOS DE MANO
  3. A SELEÇÃO DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quinta-feira, 10 de maio de 2012 Seleção Brasileira | 16:11

O POLICHINELO DA VILA

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Ganso e Neymar: presença certa na lista

Foi um show de bola na Vila? Nem tanto, pois o Santos insistiu demais nas bolas alongada, o que conferiu certa reticência a seu jogo.

Foi mesmo um show de gols – o mais bonito, o de Ganso, de calcanhar, colhendo passe do parceiro de sempre – e um show de Neymar, autor de dois tentos, três assistências e uma pré que resultou no toque genial de Ganso a Borges: 8 a 0 no Bolivar, pela Libertadores.

Show em que Neymar agradecia os aplausos da galera com aquele salamaleque típico do polichinelo (em napolitano, Pulecenella), personagem da commedia dell’arte, arteiro, provocador, cheio de manhas e ardis para desmoralizar os figurões e divertir o respeitável público.

Pois esse é o papel de Neymar no palco da bola – destruir os adversários com seu talento e divertir o público com suas artes feitas de riso infantil.

E assim vai o nosso Polichinelo da Vila fazendo vítimas e quebrando recordes. Só nesta noite, já ultrapassou de uma vez João Paulo e Chulapa, como o maior artilheiro do Santos pós-Pelé. E distribuiu gargalhadas em campo com seus carretéis, pedaladas, fieiras, dribles, passes de calcanhar, piruetas e tombos espetaculares, típicos do Pulecinella que habita em cada um de nós, louco pra se livrar dos laços das convenções que nos prendem ao lugar-comum de todo dia.

A VEZ DOS OLÍMPICOS

Nesta sexta-feira, o técnico Mano Menezes revela o nome dos 23 jogadores que formarão a Seleção Brasileira para os próximos amistosos, contra Dinamarca, México, EUA e argentina, já com vistas às Olimpíadas.

Portanto, é de se esperar nesta convocação a presença maciça de meninos abaixo dos 23 anos de idade, e, no máximo, meia dúzia de atletas acima desse limite. Dentre estes, os zagueiros de área David Luiz e Thiago Silva são favas contadas (Dedé, machucado, fica pra próxima), assim como é certa a ausência de Ronaldinho Gaúcho, algo que já estava decidido há algum tempo. Quanto ao resto, não sei.

Mas, sei que Oscar estará ao lado de Neymar, Ganso, Danilo, Alex Sandro, Fernando, volante do Grêmio, Sandro, Casemiro, Lucas, Leandro Damião, Wellington Nem, já recuperado, além do goleiro santista Rafael.

Leia mais: Presidente da CBF não quer Ronaldinho Gaúcho nas Olimpíadas de Londres

Aí já temos praticamente o time-base para esses amistosos: Rafael, Danilo, David Luís, Thiago Silva e Alex Sandro;  Sandro, Fernando e Ganso; Lucas, Damião e Neymar.

Mas, não me surpreenderia se jogarmos, em alguns momentos, sem o tal centroavante de referência, com Oscar formando dupla de armação com Ganso para Lucas ou Wellington Nem e Neymar, pois, desta vez, Mano terá tempo para treinar a equipe em modelos diferentes dos que estamos acostumados por aqui.

Por exemplo: não descarte o amigo a eventualidade de termos diante dos EUA uma formação ainda mais ousada, com Fernando, Oscar, Ganso, Lucas, Damião ou Wellington Nem e Neymar, todos juntos.

Gostaria muito de ver isso acontecer. Pode vir a ser um desastre, mas, se pegar no breu, que deslumbre! O importante, nesta hora, é escapar do lugar-comum que não nos tem levado a nada – nem aos resultados, nem ao deleite, as duas faces dessa mesma moeda chamada futebol.

Ronaldinho Gaúcho: em baixa no Flamengo e fora da lista que Mano divulga nesta sexta

A HORA DA GALERA

Tite declarou que o Vasco é o adversário que ele mais temia enfrentar, enquanto Juninho Pernambucano apontava para o Corinthians, no confronto fatal entre ambos pela próxima fase da Libertadores.

No fundo, trata-se daquele jogo de empurra, em que nenhum dos dois quer provocar a ira do outro na hora da decisão em 180 minutos.

Corinthians e Vasco disputaram o Brasileirão passado ali, ó, no pau a pau. E, se o Corinthians revela maior harmonia entre seus setores, com ênfase no sistema defensivo, o Vasco tem em Juninho e Felipe aqueles craques capazes de desequilibrar, justamente o que falta ao Timão tão coeso.

Veja também: Corinthians tem melhor defesa entre brasileiros na história da Libertadores

Em contrapartida, fora do campo, nas arquibancadas, o Corinthians leva a vantagem de a Fiel já ter superado suas desconfianças em relação ao trabalho de Tite, o que confere ao time mais tranquilidade para jogar o seu jogo de paciência. O contrário do que ocorre em São Januário, onde a torcida vascaína, depois de um período de namoro, passou a pegar no pé do técnico Cristóvão Borges, o que é sempre um fator negativo.

Numa disputa letal, de ida e volta, essas coisas contam muito, quando não são decisivas.

Leia ainda: Vasco tem tempo para descansar e volta fortalecido após triunfo na Argentina

LIGA BRAVA

É assim que os espanhóis denominam seu campeonato nacional, quase sempre dividido entre Real e Barça, o que leva muita gente boa a desqualificar a grandeza desses dois portentos da Europa, justificando-a com a pequenez dos demais times da Península.

Traduzindo: não é que Barcelona e Real Madrid sejam isso tudo; é que seus adversários domésticos não valem nada. Não valem? Pois veja o amigo aí a decisão da Liga Europa, o segundo mais importante torneio daquelas bandas, do qual participam mais de cem agremiações de todo o continente, inclusive os das Ilhas Britânicas, disputada pelos dois Atléticos, o de Madri e o de Bilbao, vencida pelos madrilenhos com três belos gols – dois do colombiano Falcão Garcia e pelo brasileiro Diego, ex-Santos.

Não fosse a surpresa da desclassificação de Real e Barça, por Bayern e Chelsea, nas semifinais da Liga dos Campeões, e teríamos duas decisões europeias com quatro clubes espanhóis.

O que estou querendo dizer é que Barça e Real dividem entre si os títulos espanhóis não por consequência da fragilidade excessiva de seus demais adversários caseiros. E, sim, por seu extremo poderio, tal que os faz serem considerados os dois melhores times da atualidade no planeta, apesar da queda na Liga dos Campeões.

A força de uns não implica necessariamente na fraqueza dos outros.

Notas relacionadas:

  1. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  2. A SELEÇÃO DE MANO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 6 de março de 2012 Sem categoria | 21:04

QUEM PAGA A PIZZA É O PATO DE SEMPRE

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Carta pra cá, carta pra lá, não foi bem isso o que eu quis dizer, desculpe. Tá desculpado, afinal, a carta que mandei pra Fifa pedindo sua cabeça acabou indo  pro COI, sacanagem da turma do Orlando (ou apenas incompetência?), mas não faça mais isso, tá? Tá.

E assim o tremendo impasse diplomático entre Brasil e Fifa, pelo voar dos pombos correios, termina em pizza (ou será um escaldante fondue  a la suisse?). Prova de que ninguém tem razão nesse imbróglio, independendo de qualquer desfecho – se Valcke segue desfilando sua empáfia por aqui ou não.

O francês, amigo do peito do Dr. Teixeira, porque vem fazendo joguinhos malandros desde o início das negociações, em troca sei lá do quê. Descartou o Morumbi em favor de uma obra que nem havia sido posta no papel, pela qual nós os contribuintes pagaremos mais de quatrocentos milhões de reais, entre outras coisas.

E o Brasil, porque não cumpre o cronograma de obras estruturais previstos nos cadernos de encargos, o único custo que realmente beneficiaria o cidadão brasileiro.

Traduzindo: será o nosso traseiro, como sempre, que pagará o pato no fim de tudo.

OLÍMPICOS

Vagando pelas Oropas, o técnico Mano Menezes declara à imprensa francesa que muito medalhão haverá de chorar sua ausência na Copa de 2014, pois o time das Olimpiadas é o que estará no Mundial do Brasil.

Bem, é o que venho repetindo aqui há tempos. Não só por fragmentos de conversas tidas tanto com Mano quanto com Ney Franco, que dirigiu a base desse time em duas conquistas históricas – o Sul-Americano e o Mundial sub-20 que nos levou direto a Londres.

Mas, sobretudo, porque é esse o cenário que aí está aí desenhado com traços fortes nos nossos campos, neste período de transição de uma geração para outra.

E basta  amigo fazer um levantamento das últimas convocações para a Seleção principal feitas por Mano para verificar que essa tem sido a clara tendência. Lá estão, com a maior frequência, Neymar, Pato, Leandro Damião, Lucas, Ganso (depois de se recuperar), Danilo, Alex Sandro, Rômulo, Sandro etc., todos em idade olímpica.

E o amigo pode acrescentar aí Fernando, do Grêmio, Casemiro, Oscar, Dudu, ex-Cruzeiro, Wellington Nem, Bernard e alguns mais que ainda podem surgir depois das Olimpíadas até.

De certo mesmo é que, nessa faixa de idade, nenhum zagueiro fez a cabeça de ninguém. Por isso, a zaga central será ocupada pela titular, formada por Thiago Silva e David Luís ou Dedé, se o vascaíno tomar o lugar do jogador do Chelsea, que não anda em boa fase.

Só como exercício de imaginação, mas baseado em sólidas informações, lá vai o time que deverá começar as Olimpíadas, se nada der errado: Rafael ou Neto; a lateral-direita fica em aberto pela séria contusão de Danilo, podendo inclusive entrar o terceiro acima dos 23 anos, Daniel Alves, talvez, se não for Galhardo, do Flamengo, reserva de Danilo na última sub-20; David Luís ou Dedé, Thiago Silva e Alex Sandro; Rômulo, Fernando, Oscar ou Lucas e Ganso; Leandro Damião e Neymar.

Certamente, não escaparemos muito disso, não – um time, diga-se, capaz de finalmente nos trazer uma medalha de ouro olímpica ou mesmo de chegar à Copa mais calejada, em caso de eventual infortúnio em Londres.

MILAN, UFA!

Por pouco o Milan não sofre no Emirates uma tragédia. Chegou montado com estilo nos 4 a 0 que havia pespegado no Arsenal em Milão, tomou três gols no primeiro tempo (o segundo, em falha primária de Thiago Silva), e, na etapa final, Van Persie, o artilheiro que não erra, perdeu na cara de Abiatti o gol que levaria o jogo para a prorrogação.

Ou, que inflamaria o Arsenal de tal forma que a detonação poderia vir antes do apito final do tempo regulamentar.

E olhe que, pelo volume de jogo dos ingleses, sobretudo no primeiro tempo, bem que eles mereciam.

No outro jogo desta terça pela Liga dos Campeões, o Benfica despachou o Zenit por 2 a 0, graças, principalmente, à atuação do brasileiro Bruno César, ex-Corinthians, que deu início à jogada do primeiro gol e o passe final para o segundo.

Outro desses canhotinhos hábeis de que tanta falta sentimentos por aqui, a pátria dos volantões.

Notas relacionadas:

  1. DIABOS, SÓ 1 A 0?
  2. TORCER POR QUEM OU POR QUÊ?
  3. MANO E O LUGAR-COMUM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 Seleção Brasileira | 19:06

VENCEMOS, MAS…

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Marcelo chuta e abre o placar

Até que o início foi promissor. Não apenas pelo gol de Marcelo logo aos 3 minutos de bola rolando, mas, sobretudo, porque o Brasil, pela primeira vez nos últimos anos, avançou sua linha de defesa e passou a pressionar a saída de bola do adversário.

Sistema que manteve até mesmo depois de levar o gol de empate, numa falha grosseira de David Luís na saída de bola, oferecendo-a de presente a Ibisevic. O bósnio, então, desferiu um disparo que varou o corpo de Júlio César, aos 13 minutos. E ainda criamos uma boa chance em que Hernanes foi obstado no momento fatal.

Mas, aos poucos, fomos refluindo, espicaçados por contragolpes rápidos e incisivos dos bósnios que erraram sempre na hora de finalizar.

A partir daí, evidenciou-se o principal equívoco de Mano: a escalação de um meio de campo com três volantes (Sandro, Hernanes e Fernandinho), deixando toda a criatividade nos pés de Ronaldinho Gaúcho que, quando aparecia no jogo, errava o passe, o lançamento, o toque, a matada de bola…

Quando o tédio começava a se transformar em sonolência, Elias entrou no lugar de Sandro. Um volante pelo outro, com um detalhe: Elias, ao menos, é mais ativo, ágil e versátil do que Sandro. Isso, combinado com a entrada de Ganso no lugar de Ronaldinho, conferiu mais velocidade e ciência no toque de bola do Brasil, que aumentou sua posse de bola e passou a circular mais próximo da área inimiga.

E, aos 28 minutos, depois de uma troca rápida e bem engendrada de Marcelo, Ganso e Elias, Neymar surgiu na cara do gol. Mas, o goleiro, esperto, pegou o chute do craque-menino, cujo futebol opaco ao longo do resto do jogo produziu apenas algumas centelhas até ser substituído por Jonas pouco antes do apito final.

Contudo, aí, o Brasil já safara a onça, com aquele cruzamento de Hulk da esquerda que o becão Papac tocou para as próprias redes, em gentil oferta ao adversário ilustre, já pra lá dos 45 minutos do segundo tempo.

É bom lembrar, porém, a origem da jogada de Hulk: Ganso sofreu falta na intermediária que ele mesmo bateu de primeira para o atacante brasileiro disparando pela esquerda. Isso, só para repisar o óbvio: a não ser que esteja com as duas pernas fraturadas, Ganso não pode ficar no banco desse time.

Brasil comemora vitória sobre a Bósnia em St. Gallen, na Suíça

CADA UM

JÚLIO CÉSAR – Praticamente não fez uma defesa sequer. Mesmo porque aquela que deveria ter feito passou por ele como se trespassasse um fantasma. Uma sombra do goleiraço que já foi até outro dia.

DANIEL ALVES – Uma de suas melhores partidas pela Seleção. Marcou e atacou o tempo todo e foi quem levou, aos trancos e barrancos, aquela bola para Marcelo abrir a contagem.

THIAGO – Impecável, como sempre. É ele e Dedé, meu.

DAVID LUÍS -  A pior partida dele na Seleção. Falhou no gol bósnio por duas vezes. Na primeira, ao entregar a bola para o atacante inimigo. Em seguida, por recuar, recuar, recuar, até que Ibisevic disparasse seu tiro fatal. Além disso, foi envolvido várias vezes no mano-a-mano.

MARCELO  – Ótimo, do início ao fim. Além de ter sido o autor do primeiro gol, tentou sempre a jogada ali pela esquerda, ou mesmo por dentro, conferindo agudeza a um ataque avesso a isso.

SANDRO – Joga muito mais do que vem jogando no Tottenham, quando entra em campo, e mais ainda do que jogou hoje. Diante da Bósnia foi apenas um volantão de marcação e burocrático com a bola nos pés.

ELIAS – Entrou no seu lugar e imprimiu outro ritmo à função. Muito bem.

HERNANES – Começou bem, nos limites de um volante de classe transformado em meia, mas, depois caiu, sobretudo quando foi deslocado lá para a ponta-direita, onde sumiu de vez.

FERNANDINHO – Acertou alguns passes interessantes, mas, no geral, não acrescentou nem comprometeu.

RONALDINHO GAÚCHO – Com todo respeito a seu passado cintilante, só se justifica sua chamada pra Seleção se estiver jogando, por baixo, a metade do que sabe. Hoje em dia, tanto no Flamengo quanto na Seleção, tem sido um ilustre ausente.

GANSO – Já entrou tarde, e, mesmo assim acertou o setor de armação da equipe, ainda que sem brilhar, fazendo a bola circular com mais velocidade e inteligência do que até então.

NEYMAR – Longe do capetinha do Santos, pelo menos, buscou o jogo, mesmo errando a maioria de suas tentativas. Teve a chance do segundo gol a seus pés, mas não concluiu com êxito. Um dos problemas de Neymar neste jogo, especificamente, foi que teve de ceder seu espaço habitual, ali pela esquerda, para Ronaldinho, o que, em boa parte do jogo, deixou de ser a flecha par virar arco. Não é ainda a sua praia.

LEANDRO DAMIÃO -  Foi quem mais tentou os chutes a gol, afinal, sua função precípua. Acabou prejudicado pela falta do passe exato detrás. Mas, também, não buscou a jogada pessoal que pudesse compensar isso.

HULK – Foi autor do cruzamento que resultou no gol contra dos bósnios. E só, o que não é pouco, convenhamos.

LUCAS E JONAS – Tiveram pouco tempo para mostrar alguma coisa. Lucas, ainda, conseguiu um belo giro no meio de dois beques, mas, a conclusão foi falha.

MANO – Errou na escalação inicial e acertou quando induziu seu time a marcar por pressão nos primeiros vinte minutos de jogo. Assim como acertou nas entradas de Elias e de Ganso. Falta-lhe, contudo, definir o conceito desse time. Ou melhor: aplicar em campo todo aquele discurso absolutamente correto com que nos brinda desde o dia em que assumiu a Seleção.

Notas relacionadas:

  1. SHOW DO BRASIL
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. A SELEÇÃO DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 12 de outubro de 2011 Seleção Brasileira | 01:23

VALEU PELA REAÇÃO

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Valeu, sobretudo, pelo poder de reação do Brasil, que perdia por 1 a 0 para o México, e, mesmo com um jogador a menos em campo conseguiu virar no segundo tempo para 2 a 1, com um gol simplesmente espetacular de Marcelo.

No primeiro tempo, tudo parecia conspirar contra a Seleção de Mano Menezes. Embora jogando melhor do que contra a Costa Rica – o que não é nenhum feito, convenhamos -, a Seleção Brasileira repetia a mesma incapacidade de criar jogadas mais agudas, mesmo com Hulk no lugar de Fred.

E, pior: tomou um gol-contra de David Luís, que, ao cortar cruzamento da direita, mandou para suas próprias redes uma bola que certamente Jefferson conjuraria sem maiores problemas.

Para completar a desdita, no finalzinho da fase inicial, Daniel Alves comete pênalti e é expulso. Eis que Jefferson defende a penalidade máxima e sinaliza para tempos melhores na etapa seguinte.

A virada, então, começou com a magnífica cobrança de falta de Ronaldinho e foi sacramentada no lance mais cintilante da partida, quando Marcelo, junto à lateral-esquerda, quase na risca do centro, cortou um contragolpe adversário e partiu em direção à área mexicana. Tabelou com Neymar, aprofundou-se, varando toda a defesa inimiga, e disparou a canhota fatal: 2 a 1.

Como? Se jogamos bem e merecemos a vitória? Sim, merecemos a vitória e jogamos… mais ou menos, para não cairmos nem no exagero da euforia, nem na descrença sombria da depressão.

O importante é que o time revelou, pela primeira vez, nesta fase da preparação, alma e personalidade para mudar a cara da adversidade. E isso não é pouco, ainda que não o bastante.

Notas relacionadas:

  1. SELEÇÃO, PAIXÃO E FLORES
  2. SELEÇÃO PREVISTA
  3. MARCELO, UMA DAS NOVIDADES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 14:45

O BRASIL E SUA CARA

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O Brasil volta a campo, em Torreón, contra o México, muito mudado em relação ao fiasco de San José da Costa Rica.

Entram no time o goleiro Jefferson, os laterais Dani Alves e Marcelo, os volantes Lucas Leiva e Fernandinho, e, no lugar de Fred, Hulk. Mais de meio time, como se vê.

Se vai funcionar, quem sabe? Sim, porque essa Seleção, apesar dos talentos que lá estão e da mistura de jovens promessas e craques consumados, não consegue decolar, nem contra os grandes, nem contra os pequenos. E o México está a meio caminho de uns e outros, numa posição capaz de nos criar problemas sérios sempre que o enfrentamos nos últimos tempos.

É óbvio que não se pode exigir de um time em formação – mais campo de experiência de individualidades por parte do técnico do que de afinação de um conjunto propriamente dito – um jogo coletivo de alto padrão, com os craques soltos nas asas da imaginação e da improvisação, que sempre foram nossa marca.

Mesmo porque não há tempo para treinar devidamente. Assim como, por conta desse odioso e insano calendário brasileiro, quase nunca o técnico pode convocar todos os jogadores que povoam suas expectativas.

Ora, são só os de fora; ora, os de casa; ora, com os olhos postos na Copa de 2014; ora, nas Olimpíadas. Enfim, um cipoal por onde o técnico Mano Menezes tem de se mover com cuidado e ao mesmo tempo ousadia, carregando nos ombros o peso eterno dos resultados.

Tudo isso, creio, acaba se refletindo na cara da Seleção, um rosto sem expressão definida, sem personalidade, onde se sobressaem mais as rugas da incerteza do que o ar desabrido do desejo de conquistas.

Diante disso, impossível prever o que acontecerá em Torreón amanhã à noite (e aqui não excluo até uma derrota humilhante).

Se Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Neymar jogarem o que sabem, em harmonia resultante dos jogos recentes em que atuaram juntos, podemos até fazer bonito. Caso contrário, será aquela inhanha de sempre.

Nesse sentido, a presença de Fernandinho, o menos votado dos que entram no time, pode vir a ser catalisadora. Não que Fernandinho seja um craque ungido pelos deuses, longe disso. Mas, é um volante mais ativo do que Luiz Gustavo e Hernanes, que ocuparam essa vaga na vitória sobre a Costa Rica, e dono de passe suficientemente bom para servir bem os companheiros lá da frente.

Além do mais, Dani Alves e Marcelo, por certo, darão maior suporte pelos lados do campo do que o fizeram Fábio e Adriano no jogo de sexta.

E Hulk? Bem, apesar do físico taludo, o atacante do Porto não é um centroavante de ofício.  Na verdade, prefere mais é atuar pela direita, apesar de canhoto. Em compensação, movimenta-se muito mais do que Fred e tem um disparo longo potente, o que, em muitos casos, é o melhor caminho para um time sem o devido entrosamento.

Suponho que, com a entrada de Hulk, Lucas seja deslocado para o meio, partindo mais detrás, próximo a Ronaldinho. É onde o menino mais gosta de jogar, como um meia ofensivo, não como ponta.

Por fim, Jefferson, a par da contusão que desligou Júlio César da delegação, já está merecendo uma sequência de jogos no arco brasileiro, em razão de suas excelentes atuações no Botafogo nestas duas últimas temporadas.

É de se ver no que vai dar tudo isso.

TIMÃO FAVORITO?

Nem o mais fanático fiel alvinegro, do fundo da alma, cravaria neste momento com absoluta convicção o Corinthians como a um passo do título brasileiro. Como pode, num campeonato doidinho, doidinho, como esse?

Mas, se há hoje um time que possa ser chamado de favorito, esse é o Corinthians, sem dúvida. Não porque esteja na tabela um degrauzinho acima dos mais próximos concorrentes, como Vasco, São Paulo e Botafogo. E, sim, porque dentre tantos vacilantes candidatos à faixa de campeão, tem sido o que menos vacila. Ou melhor: quando entra naquele limbo da hesitação constante, não despenca de vez.

Fica ali, esperando a hora de o vento mudar de rumo. Vento a favor, dispara, e recupera a liderança que ocupou a maior parte do campeonato.

E olhe que mesmo sob fogo cerrado da Fiel contra Tite e alguns jogadores do time. Não é fácil.

Pois, se há um fator importante nisso tudo, sem dúvida, é a barragem criada pela diretoria corintiana em torno de Tite, que, se não é nenhum gênio, nada fica devendo a seus pares.  Com algo mais: o equilíbrio emocional que lhe permite atravessar sem chiliques os momentos mais cruciais na caminhada do seu time.

Deve-se também essa, digamos, estabilidade num torneio tão instável ao elenco corintiano, capaz de suprir ausências significativas ao longo da competição.

Pegue-se o jogo de domingo como exemplo. Sem Liedson, sem Emerson e com Adriano pró-forma, nunca em forma, o ataque corintiano conseguiu se virar sem um artilheiro de ofício, a ponto de disparar 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

Os meias Alex e Danilo se revezaram naquela função final tão bem que a defesa goiana se viu órfã de uma referência e desestruturou-se toda.

São pequenos detalhes que formam um todo, no fim das contas. Mas que o Corinthians e a Fiel não considerem desde já esses números favas contadas. Ainda virá por aí muita trepidação.

Notas relacionadas:

  1. MASCATE BRASIL
  2. O BRASIL E AS ESTATÍSTICAS
  3. BRASIL EM SEGREDO
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 16:55

DE OLHO NO FUTURO

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Na verdade, o que mais me chamou a atenção na vitória brasileira sobre os argentinos nem foi tanto o golaço de Lucas, ou a bela estreia de Cortês, tampouco, as seguras e plásticas intervenções de Jefferson, quando exigido, esses destaques todos do Brasil nessa partida.

Tudo isso faz parte, claro. Lucas, por exemplo, sei que merece de Mano um cuidado especial, enquanto Cortês passou-me a sensação que terá futuro mais promissor na Seleção até do que o tão decantado Marcelo, do Real. E Jefferson, nessa toada (e é bom sempre lembrar que a tendência do goleiro é melhorar com o passar dos anos), acabará tomando conta da posição.

Entretanto, o que mais tocou minha expectativa com relação ao futuro da Seleção foi, além da formação mais ofensiva do time, com apenas dois volantes de ofício, em certos momentos, a química que se criou entre Neymar, Lucas e Ronaldinho, aquela conversa cifrada dos craques, um código fora do nosso  entendimento, pobres mortais.

Foram poucos e rápidos lances, mas que sugerem muito para o futuro do time de Mano, quando o treinador puder afiar o conjunto com mais acuro e tempo.

Falo desses três, mas vale lembrar que Borges e Diego Souza, quando entrou, também mostraram sintonia com esse estilo de jogo. Assim como, certamente o farão Robinho, Kaká, que começa a recuperar sua forma no Real, Ganso, enfim, esses caras que jogam e pensam o jogo.

Isso, sem falar nos craques que ainda estão por florescer no futebol brasileiro até a Copa do Mundo. Pegue-se como exemplo esse Cortês, que, no início do ano era um Zé Ninguém, escondido nos interiores fluminenses. E, de repente, surge no Botafogo como uma estrela nascente.

Desde que Mano aposte, contra grandes ou pequenos, amistosos ou torneios pra valer – como a Copa das Confederações que se avizinha -, numa formação com quatro jogadores de frente, entre meias e atacantes, de alta qualidade técnica, mais cedo ou mais tarde, nos reencontraremos com nosso verdadeiro desígnio. E, aí, sim, será uma festa.

O CASO BRENO

O caso Breno é confrangedor. Poucas vezes vi um zagueiro-menino revelar tão cedo tanto potencial. Alto, forte, bom no cabeceio, atrás e na frente, veloz, dono de técnica rara, ainda garoto de tudo, assumiu um lugar entre os titulares do São Paulo, tomou conta da área, foi chamado para a Seleção e via diante de si um futuro deslumbrante.

Aos 17 anos, foi para o Bayern de Miunique, e…sucumbiu à reserva, ao empréstimo para o Nuremberg e, na volta a Munique, à uma contusão que o prendeu à enfermaria do clube por mais de dez meses, sem perspectivas à vista.

Dizem que o rapaz naufragou na depressão, pela contusão renitente, por um casamento infeliz, por isso, por aquilo, aquelas todas adversidades que nos esperam traiçoeiramente atrás da próxima esquina.

Resultado: acabou algemado e preso, acusado de ter ateado fogo em sua própria casa, num momento de desespero.

Nem sei se isso tem fundamento, pois o caso está sob averiguação policial e dos peritos em incêndios. Confesso que tenho minhas dúvidas se Breno viveria esse constrangimento, sendo culpado ou não, fosse branco e instruído alemão.

Segundo algumas parcas informações que nos chegam de Munique, foi constatada uma alta dosagem de álcool no sangue do craque, o que nos permite supor que a coisa toda tenha sido acidental.

De porre, acossado pela solidão na casa vazia, deprimido por eventual separação da mulher e dos filhos, pela lesão que não se cura, pela redução drástica de seu salário, pelos malfeitos do destino, enfim, Breno poderia ter posto fogo no navio em alto mar – a casa, seu último reduto firme e seguro num mar de incertezas mortais.

De qualquer forma, é óbvio que Breno carece menos da prisão do que de uma clínica especializada em depressões.

E, aqui, só nos resta torcer pra que consiga renascer das cinzas, pois a vida, meu caro, é dolorosamente longa, mas, cheia de momentos prazerosos também.

Notas relacionadas:

  1. OLHO NA ESQUERDA
  2. DE VOLTA AO FUTURO
  3. BI MESSI
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terça-feira, 14 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores, Seleção Brasileira | 15:47

CHEGOU A HORA DO PEIXE

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Depois de tantas peripécias – vai de avião, de ônibus (olha a cinza aí, meu!) -, o Santos, finalmente, desembarcou em Montevidéu para a primeira parte da decisão da Libertadores, contra o Peñarol.

Agora, resta Muricy definir o esquema e o time que vai jogar, sem Edu Dracena, Léo, Jonathan e Ganso, que até queria embarcar, mas os médicos vetaram, achando melhor o craque ficar pela Vila se cuidando para estar nos trinques no jogo da volta.

Quanto à tática a ser adotada, seja num 3-5-2, seja num 4-4-2 ou qualquer variação em torno desses temas, é quase certo que o Santos será mais cauteloso do que ousado. É natural, nesses casos. Mas, nem sempre aconselhável, sobretudo porque o Peñarol, se é meio estabanado na defesa, tem lá na frente um trio de respeito – Martinuccio, pretendido pelo Palmeiras, Míer e Oliveira.

Se deixar essa turminha manobrar a bola peto de sua área, o Peixe corre sérios riscos, sobretudo pela ausência de Edu Dracena, seu capitão e experiente zagueirão.

Mas, a verdade é que o Peñarol, mesmo em casa, não é de sair muito para o jogo, velha tradição uruguaia.

Por seu turno, o Santos tem ninguém menos do que Neymar, capaz de, sozinho, infernizar qualquer defesa, ainda mais aquele bando de mal-humorados botinudos, comandados por nosso velho conhecido Lugano.

Prevejo, pois, um embate renhido, com boas chances, porém, de o Peixe voltar de lá com suas escamas intactas.

DANILO NA MIRA DE MANO

Isso mesmo: Danilo, o volante e lateral do Santos, de excelente participação naquela conquista dos Sub-20 de Ney Franco, e que segue sendo o mais dinâmico parceiro de Arouca, no meio-campo peixeiro, está na alça de mira do técnico da Seleção, Mano Menezes.

Se continuar nesse pique, não me surpreenderia se fosse chamado na primeira convocação após a Copa América.

Essa revelação saiu de uma pergunta que lhe fiz, na resenha do Lellis, depois do Bem,Amigos, sobre as chances de Arouca ser chamado.

- Pô, não posso levar o time inteiro do Santos! Mas, o Danilo… Esse tem juventude, técnica, força e velocidade.

Arouca também tem. Mas deixe pra lá. Como diz Mano, as coisas vão se ajeitando com o tempo, um passo de cada vez, em direção à Copa de 2014. Passos que, segundo ele, conduzirão nosso time a um futebol mais ofensivo, com dois volantes, dois meias autênticos (um, armador; outro, mais ofensivo) e dois atacantes.

É mais do que uma promessa – uma convicção.

Que assim seja, pois.

A MORTE DO BRASIL

É  comum a turma aí me chamar de saudosista, ônus da idade e do tempo de serviço. Mas, garanto que estou ligado no meu tempo. Caso contrário, não estaria aqui e sim pedindo esmola na primeira esquina.

Pois, enfurnado na minha caverna de Ibiúna, passei esta tarde plúmbea e fria, como diria o poeta naquela noite na taverna refletindo sobre os mistérios da vida e da morte diante de um cálice de absinto, de olho na tv, assistindo à vitória da Dinamarca sobre a Bielorússia, pela Eurocopa Sub-21, acredite.

E o que vi? Um jogo interessante, sem ser nada excepcional. Interessante porque revela uma nova faceta do futebol mundial. Isto é: regiões do mundo onde até outro dia a bola era tratada com casca e tudo, hoje, é trabalhada com mais ciência e habilidade. As duas equipes buscando o gol, com esta ou aquela jogada individual de alta classe, como o gol de Jorgessen, que passou por três defensores adversários e tocou no canto, com categoria.

Em contrapartida, a publicação esportiva inglesa – 4-4-2 – decreta , em sólido artigo, a morte do futebol brasileiro. Quer dizer: aquele futebol brasileiro do imaginário europeu, em que a criatividade, a habilidade e a compulsão ofensiva se sobrepunham até mesmo às táticas e estratagemas, engendradas nos mais sofisticados laboratórios europeus.

Agora, sinto o tempo pesar sobre os meus ombros ao me ver ao lado de Thomaz Mazzoni, o Olympicus, que, há cinco, seis décadas atrás, investia contra os técnicos brasileiros, que ele chamava na extinta Gazeta Esportiva de alquimistas. Ou do comentarista sardônico do rádio e maior narrador de futebol da tv, Mário Moraes, o Leão, que preferia chamá-los de químicos.

O futebol no Brasil não morreu, é evidente. Mas, o futebol brasileiro, como espelho de suas mais caras tradições, agoniza há algum tempo, até mesmo quando levanta taças.

Não empolga, não anima a torcida ao ponto do paroxismo, seja nas exibições dos clubes, seja nas da Seleção. A última exceção foi aquele Santos do primeiro semestre do ano passado. De resto, é um lugar-comum frustrante, até para inglês ver.

A QUEM  INTERESSAR

Quero declarar, com carimbo oficial de cartório, que não viajo por twitter , face-book ou qualquer outra das tantas vertentes da Internet. Nunca invadi as áreas das tais redes sociais, além do blog que mantenho há anos no IG.

Tudo que tenho a dizer, expresso neste blog, na coluna no Diário de S. Paulo e nas participações nos programas da Sportv, Bem, Amigos e Arena, na qualidade de convidado remunerado.

Nada mais.

Digo isso porque outro dia recebi uma mensagem de um bloguista me esculhambando por ter tripudiado sobre o cadáver do Coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança nos tempos da ditadura militar.

Nunca o fiz, embora tivesse todo o direito, quando ele estava vivo, de fazê-lo, pois estávamos em lados opostos da vida. Sucede que, abstraindo-se as imensas diferenças ideológicas, tínhamos algo em comum: a boemia e o gosto pelo futebol. E, quando cruzávamos na noite, sobrepunha-se a cortesia, sem muita intimidade, claro, mas selada pelo simples fato de que ele era meu leitor assíduo e sempre queria comentar algo sobre minhas colunas.

Agora, é um bloguista que me cobra um absurdo, algo referente a eventual crítica minha a Pernambuco, misturando o bravo estado de Pernambuco a homicídios e tráfico de drogas. Nunca, jamais, fiz essa combinação em textos ou falas públicas, Nem particulares, porque nada tem a ver.

Algum calhorda anda se utilizando de meu nome nas tais redes sociais. Pois, aviso aos navegantes desse caótico mar da Internet: só respondo pelo que escrevo neste blog do IG, nas crônicas do Diário de S. Paulo e no que falo na tv. E só.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quarta-feira, 8 de junho de 2011 Seleção Brasileira | 00:57

AS DUAS FESTAS E O FIM DE FESTA

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Até o início do segundo tempo, foi uma festa só. Festa de despedida de Ronaldo e festa da bola nos pés dos brasileiros diante dos romenos. Depois, foi um fim de festa.

Ronaldo desperdiçou a chance de se despedir com o aceno de sua vida gloriosa – o gol esteve aos seus pés por duas vezes; numa, o goleiro pegou; noutra, o Fenômeno mandou-a para fora.

Mas, nas duas oportunidades, Ronaldo relembrou um dos seus atributos mais marcantes: o senso de colocação na área. Senso que Fred, seu antecessor nos 30 minutos iniciais de partida, também revelou, ao colher aquela bola bem tramada entre Maicon, Jadson e Neymar, aos 21 minutos de jogo, E que Nilmar, seu sucessor não demonstrou nas duas boas ocasiões criadas por Maicon e Neymar, no segundo tempo.

Mas, se concentrarmos todas as nossas atenções sobre a Seleção, abstraindo-se Ronaldo, seu antecessor e seu sucessor no jogo, veremos que o técnico Mano Menezes voltou ao ponto inicial de sua proposta para o time: ainda sem Ganso, em vez de escalar mais um volante por ali, preferiu dar uma chance completa para Jadson.

E Jadson foi aprovado com louvor no trabalho de organizar o time, sobretudo no primeiro tempo, quando nosso time deslizou em direção ao ataque, criou várias chances de marcar e fez só aquele gol de Fred.

É a velha questão do homem certo no lugar certo. Na meia, um meia, meu! Não precisa ser um Didi, um Zizinho, um Gérson, um Ademir da Guia, um Zidane ou qualquer monstro sagrado da posição para exercer essa função. Basta que o sujeito tenha cacoete para a coisa – bom passe, boa visão de jogo e molejo para se mexer ali naquela zona congestionada da intermediária adversária sem grandes embaraços.

Já o segundo tempo se desenrolou num clima de fim de festa, em boa parte por conta do cansaço – físico e emocional – de um grupo de jogadores cuja maioria joga na Europa. Portanto, em tempo de férias, não de trabalho.

Por fim, a convocação final para a Copa América segue dentro dos parâmetros estabelecidos por Mano até aqui, na esperança de que Ganso e Pato estejam nos trinques até lá.

Com o tempo de que disporá Mano para afiar a equipe com vistas à Copa América, há uma boa margem de esperança, embora seja ajuizado mantermos a cabeça fria: lá, com Messi e cia. bela, a Argentina é e sempre será a favorita. Mas, temos chances, sim.

> Leia mais sobre Ronaldo e seleção brasileira

Notas relacionadas:

  1. SEM FESTA, NEM CHORO
  2. UMA DECISÃO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última