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quarta-feira, 12 de outubro de 2011 Seleção Brasileira | 01:23

VALEU PELA REAÇÃO

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Valeu, sobretudo, pelo poder de reação do Brasil, que perdia por 1 a 0 para o México, e, mesmo com um jogador a menos em campo conseguiu virar no segundo tempo para 2 a 1, com um gol simplesmente espetacular de Marcelo.

No primeiro tempo, tudo parecia conspirar contra a Seleção de Mano Menezes. Embora jogando melhor do que contra a Costa Rica – o que não é nenhum feito, convenhamos -, a Seleção Brasileira repetia a mesma incapacidade de criar jogadas mais agudas, mesmo com Hulk no lugar de Fred.

E, pior: tomou um gol-contra de David Luís, que, ao cortar cruzamento da direita, mandou para suas próprias redes uma bola que certamente Jefferson conjuraria sem maiores problemas.

Para completar a desdita, no finalzinho da fase inicial, Daniel Alves comete pênalti e é expulso. Eis que Jefferson defende a penalidade máxima e sinaliza para tempos melhores na etapa seguinte.

A virada, então, começou com a magnífica cobrança de falta de Ronaldinho e foi sacramentada no lance mais cintilante da partida, quando Marcelo, junto à lateral-esquerda, quase na risca do centro, cortou um contragolpe adversário e partiu em direção à área mexicana. Tabelou com Neymar, aprofundou-se, varando toda a defesa inimiga, e disparou a canhota fatal: 2 a 1.

Como? Se jogamos bem e merecemos a vitória? Sim, merecemos a vitória e jogamos… mais ou menos, para não cairmos nem no exagero da euforia, nem na descrença sombria da depressão.

O importante é que o time revelou, pela primeira vez, nesta fase da preparação, alma e personalidade para mudar a cara da adversidade. E isso não é pouco, ainda que não o bastante.

Notas relacionadas:

  1. SELEÇÃO, PAIXÃO E FLORES
  2. SELEÇÃO PREVISTA
  3. MARCELO, UMA DAS NOVIDADES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 14:45

O BRASIL E SUA CARA

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O Brasil volta a campo, em Torreón, contra o México, muito mudado em relação ao fiasco de San José da Costa Rica.

Entram no time o goleiro Jefferson, os laterais Dani Alves e Marcelo, os volantes Lucas Leiva e Fernandinho, e, no lugar de Fred, Hulk. Mais de meio time, como se vê.

Se vai funcionar, quem sabe? Sim, porque essa Seleção, apesar dos talentos que lá estão e da mistura de jovens promessas e craques consumados, não consegue decolar, nem contra os grandes, nem contra os pequenos. E o México está a meio caminho de uns e outros, numa posição capaz de nos criar problemas sérios sempre que o enfrentamos nos últimos tempos.

É óbvio que não se pode exigir de um time em formação – mais campo de experiência de individualidades por parte do técnico do que de afinação de um conjunto propriamente dito – um jogo coletivo de alto padrão, com os craques soltos nas asas da imaginação e da improvisação, que sempre foram nossa marca.

Mesmo porque não há tempo para treinar devidamente. Assim como, por conta desse odioso e insano calendário brasileiro, quase nunca o técnico pode convocar todos os jogadores que povoam suas expectativas.

Ora, são só os de fora; ora, os de casa; ora, com os olhos postos na Copa de 2014; ora, nas Olimpíadas. Enfim, um cipoal por onde o técnico Mano Menezes tem de se mover com cuidado e ao mesmo tempo ousadia, carregando nos ombros o peso eterno dos resultados.

Tudo isso, creio, acaba se refletindo na cara da Seleção, um rosto sem expressão definida, sem personalidade, onde se sobressaem mais as rugas da incerteza do que o ar desabrido do desejo de conquistas.

Diante disso, impossível prever o que acontecerá em Torreón amanhã à noite (e aqui não excluo até uma derrota humilhante).

Se Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Neymar jogarem o que sabem, em harmonia resultante dos jogos recentes em que atuaram juntos, podemos até fazer bonito. Caso contrário, será aquela inhanha de sempre.

Nesse sentido, a presença de Fernandinho, o menos votado dos que entram no time, pode vir a ser catalisadora. Não que Fernandinho seja um craque ungido pelos deuses, longe disso. Mas, é um volante mais ativo do que Luiz Gustavo e Hernanes, que ocuparam essa vaga na vitória sobre a Costa Rica, e dono de passe suficientemente bom para servir bem os companheiros lá da frente.

Além do mais, Dani Alves e Marcelo, por certo, darão maior suporte pelos lados do campo do que o fizeram Fábio e Adriano no jogo de sexta.

E Hulk? Bem, apesar do físico taludo, o atacante do Porto não é um centroavante de ofício.  Na verdade, prefere mais é atuar pela direita, apesar de canhoto. Em compensação, movimenta-se muito mais do que Fred e tem um disparo longo potente, o que, em muitos casos, é o melhor caminho para um time sem o devido entrosamento.

Suponho que, com a entrada de Hulk, Lucas seja deslocado para o meio, partindo mais detrás, próximo a Ronaldinho. É onde o menino mais gosta de jogar, como um meia ofensivo, não como ponta.

Por fim, Jefferson, a par da contusão que desligou Júlio César da delegação, já está merecendo uma sequência de jogos no arco brasileiro, em razão de suas excelentes atuações no Botafogo nestas duas últimas temporadas.

É de se ver no que vai dar tudo isso.

TIMÃO FAVORITO?

Nem o mais fanático fiel alvinegro, do fundo da alma, cravaria neste momento com absoluta convicção o Corinthians como a um passo do título brasileiro. Como pode, num campeonato doidinho, doidinho, como esse?

Mas, se há hoje um time que possa ser chamado de favorito, esse é o Corinthians, sem dúvida. Não porque esteja na tabela um degrauzinho acima dos mais próximos concorrentes, como Vasco, São Paulo e Botafogo. E, sim, porque dentre tantos vacilantes candidatos à faixa de campeão, tem sido o que menos vacila. Ou melhor: quando entra naquele limbo da hesitação constante, não despenca de vez.

Fica ali, esperando a hora de o vento mudar de rumo. Vento a favor, dispara, e recupera a liderança que ocupou a maior parte do campeonato.

E olhe que mesmo sob fogo cerrado da Fiel contra Tite e alguns jogadores do time. Não é fácil.

Pois, se há um fator importante nisso tudo, sem dúvida, é a barragem criada pela diretoria corintiana em torno de Tite, que, se não é nenhum gênio, nada fica devendo a seus pares.  Com algo mais: o equilíbrio emocional que lhe permite atravessar sem chiliques os momentos mais cruciais na caminhada do seu time.

Deve-se também essa, digamos, estabilidade num torneio tão instável ao elenco corintiano, capaz de suprir ausências significativas ao longo da competição.

Pegue-se o jogo de domingo como exemplo. Sem Liedson, sem Emerson e com Adriano pró-forma, nunca em forma, o ataque corintiano conseguiu se virar sem um artilheiro de ofício, a ponto de disparar 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

Os meias Alex e Danilo se revezaram naquela função final tão bem que a defesa goiana se viu órfã de uma referência e desestruturou-se toda.

São pequenos detalhes que formam um todo, no fim das contas. Mas que o Corinthians e a Fiel não considerem desde já esses números favas contadas. Ainda virá por aí muita trepidação.

Notas relacionadas:

  1. MASCATE BRASIL
  2. O BRASIL E AS ESTATÍSTICAS
  3. BRASIL EM SEGREDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 29 de setembro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 16:55

DE OLHO NO FUTURO

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Na verdade, o que mais me chamou a atenção na vitória brasileira sobre os argentinos nem foi tanto o golaço de Lucas, ou a bela estreia de Cortês, tampouco, as seguras e plásticas intervenções de Jefferson, quando exigido, esses destaques todos do Brasil nessa partida.

Tudo isso faz parte, claro. Lucas, por exemplo, sei que merece de Mano um cuidado especial, enquanto Cortês passou-me a sensação que terá futuro mais promissor na Seleção até do que o tão decantado Marcelo, do Real. E Jefferson, nessa toada (e é bom sempre lembrar que a tendência do goleiro é melhorar com o passar dos anos), acabará tomando conta da posição.

Entretanto, o que mais tocou minha expectativa com relação ao futuro da Seleção foi, além da formação mais ofensiva do time, com apenas dois volantes de ofício, em certos momentos, a química que se criou entre Neymar, Lucas e Ronaldinho, aquela conversa cifrada dos craques, um código fora do nosso  entendimento, pobres mortais.

Foram poucos e rápidos lances, mas que sugerem muito para o futuro do time de Mano, quando o treinador puder afiar o conjunto com mais acuro e tempo.

Falo desses três, mas vale lembrar que Borges e Diego Souza, quando entrou, também mostraram sintonia com esse estilo de jogo. Assim como, certamente o farão Robinho, Kaká, que começa a recuperar sua forma no Real, Ganso, enfim, esses caras que jogam e pensam o jogo.

Isso, sem falar nos craques que ainda estão por florescer no futebol brasileiro até a Copa do Mundo. Pegue-se como exemplo esse Cortês, que, no início do ano era um Zé Ninguém, escondido nos interiores fluminenses. E, de repente, surge no Botafogo como uma estrela nascente.

Desde que Mano aposte, contra grandes ou pequenos, amistosos ou torneios pra valer – como a Copa das Confederações que se avizinha -, numa formação com quatro jogadores de frente, entre meias e atacantes, de alta qualidade técnica, mais cedo ou mais tarde, nos reencontraremos com nosso verdadeiro desígnio. E, aí, sim, será uma festa.

O CASO BRENO

O caso Breno é confrangedor. Poucas vezes vi um zagueiro-menino revelar tão cedo tanto potencial. Alto, forte, bom no cabeceio, atrás e na frente, veloz, dono de técnica rara, ainda garoto de tudo, assumiu um lugar entre os titulares do São Paulo, tomou conta da área, foi chamado para a Seleção e via diante de si um futuro deslumbrante.

Aos 17 anos, foi para o Bayern de Miunique, e…sucumbiu à reserva, ao empréstimo para o Nuremberg e, na volta a Munique, à uma contusão que o prendeu à enfermaria do clube por mais de dez meses, sem perspectivas à vista.

Dizem que o rapaz naufragou na depressão, pela contusão renitente, por um casamento infeliz, por isso, por aquilo, aquelas todas adversidades que nos esperam traiçoeiramente atrás da próxima esquina.

Resultado: acabou algemado e preso, acusado de ter ateado fogo em sua própria casa, num momento de desespero.

Nem sei se isso tem fundamento, pois o caso está sob averiguação policial e dos peritos em incêndios. Confesso que tenho minhas dúvidas se Breno viveria esse constrangimento, sendo culpado ou não, fosse branco e instruído alemão.

Segundo algumas parcas informações que nos chegam de Munique, foi constatada uma alta dosagem de álcool no sangue do craque, o que nos permite supor que a coisa toda tenha sido acidental.

De porre, acossado pela solidão na casa vazia, deprimido por eventual separação da mulher e dos filhos, pela lesão que não se cura, pela redução drástica de seu salário, pelos malfeitos do destino, enfim, Breno poderia ter posto fogo no navio em alto mar – a casa, seu último reduto firme e seguro num mar de incertezas mortais.

De qualquer forma, é óbvio que Breno carece menos da prisão do que de uma clínica especializada em depressões.

E, aqui, só nos resta torcer pra que consiga renascer das cinzas, pois a vida, meu caro, é dolorosamente longa, mas, cheia de momentos prazerosos também.

Notas relacionadas:

  1. OLHO NA ESQUERDA
  2. DE VOLTA AO FUTURO
  3. BI MESSI
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 14 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores, Seleção Brasileira | 15:47

CHEGOU A HORA DO PEIXE

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Depois de tantas peripécias – vai de avião, de ônibus (olha a cinza aí, meu!) -, o Santos, finalmente, desembarcou em Montevidéu para a primeira parte da decisão da Libertadores, contra o Peñarol.

Agora, resta Muricy definir o esquema e o time que vai jogar, sem Edu Dracena, Léo, Jonathan e Ganso, que até queria embarcar, mas os médicos vetaram, achando melhor o craque ficar pela Vila se cuidando para estar nos trinques no jogo da volta.

Quanto à tática a ser adotada, seja num 3-5-2, seja num 4-4-2 ou qualquer variação em torno desses temas, é quase certo que o Santos será mais cauteloso do que ousado. É natural, nesses casos. Mas, nem sempre aconselhável, sobretudo porque o Peñarol, se é meio estabanado na defesa, tem lá na frente um trio de respeito – Martinuccio, pretendido pelo Palmeiras, Míer e Oliveira.

Se deixar essa turminha manobrar a bola peto de sua área, o Peixe corre sérios riscos, sobretudo pela ausência de Edu Dracena, seu capitão e experiente zagueirão.

Mas, a verdade é que o Peñarol, mesmo em casa, não é de sair muito para o jogo, velha tradição uruguaia.

Por seu turno, o Santos tem ninguém menos do que Neymar, capaz de, sozinho, infernizar qualquer defesa, ainda mais aquele bando de mal-humorados botinudos, comandados por nosso velho conhecido Lugano.

Prevejo, pois, um embate renhido, com boas chances, porém, de o Peixe voltar de lá com suas escamas intactas.

DANILO NA MIRA DE MANO

Isso mesmo: Danilo, o volante e lateral do Santos, de excelente participação naquela conquista dos Sub-20 de Ney Franco, e que segue sendo o mais dinâmico parceiro de Arouca, no meio-campo peixeiro, está na alça de mira do técnico da Seleção, Mano Menezes.

Se continuar nesse pique, não me surpreenderia se fosse chamado na primeira convocação após a Copa América.

Essa revelação saiu de uma pergunta que lhe fiz, na resenha do Lellis, depois do Bem,Amigos, sobre as chances de Arouca ser chamado.

- Pô, não posso levar o time inteiro do Santos! Mas, o Danilo… Esse tem juventude, técnica, força e velocidade.

Arouca também tem. Mas deixe pra lá. Como diz Mano, as coisas vão se ajeitando com o tempo, um passo de cada vez, em direção à Copa de 2014. Passos que, segundo ele, conduzirão nosso time a um futebol mais ofensivo, com dois volantes, dois meias autênticos (um, armador; outro, mais ofensivo) e dois atacantes.

É mais do que uma promessa – uma convicção.

Que assim seja, pois.

A MORTE DO BRASIL

É  comum a turma aí me chamar de saudosista, ônus da idade e do tempo de serviço. Mas, garanto que estou ligado no meu tempo. Caso contrário, não estaria aqui e sim pedindo esmola na primeira esquina.

Pois, enfurnado na minha caverna de Ibiúna, passei esta tarde plúmbea e fria, como diria o poeta naquela noite na taverna refletindo sobre os mistérios da vida e da morte diante de um cálice de absinto, de olho na tv, assistindo à vitória da Dinamarca sobre a Bielorússia, pela Eurocopa Sub-21, acredite.

E o que vi? Um jogo interessante, sem ser nada excepcional. Interessante porque revela uma nova faceta do futebol mundial. Isto é: regiões do mundo onde até outro dia a bola era tratada com casca e tudo, hoje, é trabalhada com mais ciência e habilidade. As duas equipes buscando o gol, com esta ou aquela jogada individual de alta classe, como o gol de Jorgessen, que passou por três defensores adversários e tocou no canto, com categoria.

Em contrapartida, a publicação esportiva inglesa – 4-4-2 – decreta , em sólido artigo, a morte do futebol brasileiro. Quer dizer: aquele futebol brasileiro do imaginário europeu, em que a criatividade, a habilidade e a compulsão ofensiva se sobrepunham até mesmo às táticas e estratagemas, engendradas nos mais sofisticados laboratórios europeus.

Agora, sinto o tempo pesar sobre os meus ombros ao me ver ao lado de Thomaz Mazzoni, o Olympicus, que, há cinco, seis décadas atrás, investia contra os técnicos brasileiros, que ele chamava na extinta Gazeta Esportiva de alquimistas. Ou do comentarista sardônico do rádio e maior narrador de futebol da tv, Mário Moraes, o Leão, que preferia chamá-los de químicos.

O futebol no Brasil não morreu, é evidente. Mas, o futebol brasileiro, como espelho de suas mais caras tradições, agoniza há algum tempo, até mesmo quando levanta taças.

Não empolga, não anima a torcida ao ponto do paroxismo, seja nas exibições dos clubes, seja nas da Seleção. A última exceção foi aquele Santos do primeiro semestre do ano passado. De resto, é um lugar-comum frustrante, até para inglês ver.

A QUEM  INTERESSAR

Quero declarar, com carimbo oficial de cartório, que não viajo por twitter , face-book ou qualquer outra das tantas vertentes da Internet. Nunca invadi as áreas das tais redes sociais, além do blog que mantenho há anos no IG.

Tudo que tenho a dizer, expresso neste blog, na coluna no Diário de S. Paulo e nas participações nos programas da Sportv, Bem, Amigos e Arena, na qualidade de convidado remunerado.

Nada mais.

Digo isso porque outro dia recebi uma mensagem de um bloguista me esculhambando por ter tripudiado sobre o cadáver do Coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança nos tempos da ditadura militar.

Nunca o fiz, embora tivesse todo o direito, quando ele estava vivo, de fazê-lo, pois estávamos em lados opostos da vida. Sucede que, abstraindo-se as imensas diferenças ideológicas, tínhamos algo em comum: a boemia e o gosto pelo futebol. E, quando cruzávamos na noite, sobrepunha-se a cortesia, sem muita intimidade, claro, mas selada pelo simples fato de que ele era meu leitor assíduo e sempre queria comentar algo sobre minhas colunas.

Agora, é um bloguista que me cobra um absurdo, algo referente a eventual crítica minha a Pernambuco, misturando o bravo estado de Pernambuco a homicídios e tráfico de drogas. Nunca, jamais, fiz essa combinação em textos ou falas públicas, Nem particulares, porque nada tem a ver.

Algum calhorda anda se utilizando de meu nome nas tais redes sociais. Pois, aviso aos navegantes desse caótico mar da Internet: só respondo pelo que escrevo neste blog do IG, nas crônicas do Diário de S. Paulo e no que falo na tv. E só.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quarta-feira, 8 de junho de 2011 Seleção Brasileira | 00:57

AS DUAS FESTAS E O FIM DE FESTA

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Até o início do segundo tempo, foi uma festa só. Festa de despedida de Ronaldo e festa da bola nos pés dos brasileiros diante dos romenos. Depois, foi um fim de festa.

Ronaldo desperdiçou a chance de se despedir com o aceno de sua vida gloriosa – o gol esteve aos seus pés por duas vezes; numa, o goleiro pegou; noutra, o Fenômeno mandou-a para fora.

Mas, nas duas oportunidades, Ronaldo relembrou um dos seus atributos mais marcantes: o senso de colocação na área. Senso que Fred, seu antecessor nos 30 minutos iniciais de partida, também revelou, ao colher aquela bola bem tramada entre Maicon, Jadson e Neymar, aos 21 minutos de jogo, E que Nilmar, seu sucessor não demonstrou nas duas boas ocasiões criadas por Maicon e Neymar, no segundo tempo.

Mas, se concentrarmos todas as nossas atenções sobre a Seleção, abstraindo-se Ronaldo, seu antecessor e seu sucessor no jogo, veremos que o técnico Mano Menezes voltou ao ponto inicial de sua proposta para o time: ainda sem Ganso, em vez de escalar mais um volante por ali, preferiu dar uma chance completa para Jadson.

E Jadson foi aprovado com louvor no trabalho de organizar o time, sobretudo no primeiro tempo, quando nosso time deslizou em direção ao ataque, criou várias chances de marcar e fez só aquele gol de Fred.

É a velha questão do homem certo no lugar certo. Na meia, um meia, meu! Não precisa ser um Didi, um Zizinho, um Gérson, um Ademir da Guia, um Zidane ou qualquer monstro sagrado da posição para exercer essa função. Basta que o sujeito tenha cacoete para a coisa – bom passe, boa visão de jogo e molejo para se mexer ali naquela zona congestionada da intermediária adversária sem grandes embaraços.

Já o segundo tempo se desenrolou num clima de fim de festa, em boa parte por conta do cansaço – físico e emocional – de um grupo de jogadores cuja maioria joga na Europa. Portanto, em tempo de férias, não de trabalho.

Por fim, a convocação final para a Copa América segue dentro dos parâmetros estabelecidos por Mano até aqui, na esperança de que Ganso e Pato estejam nos trinques até lá.

Com o tempo de que disporá Mano para afiar a equipe com vistas à Copa América, há uma boa margem de esperança, embora seja ajuizado mantermos a cabeça fria: lá, com Messi e cia. bela, a Argentina é e sempre será a favorita. Mas, temos chances, sim.

> Leia mais sobre Ronaldo e seleção brasileira

Notas relacionadas:

  1. SEM FESTA, NEM CHORO
  2. UMA DECISÃO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 6 de junho de 2011 Ex-jogadores, Seleção Brasileira | 17:17

DO FENÔMENO À ENCRENCA

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Nunca um apelido coube tão bem num jogador de futebol como o Fenômeno do Ronaldo. Fenômeno de superação nas adversidades intermitentes sofridas em sua cintilante carreira. Fenômeno no trato com a bola e na intimidade com o gol. Fenômeno na quebra de tantos recordes. Fenômeno de marketing, capaz de tirar de letra várias situações constrangedoras, suficientes para arranhar a imagem pública de qualquer um, definitivamente. E, por aí, vai.

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Mano orienta Neymar na véspera de Brasil x Romênia: técnico não está preocupado com festa para Ronaldo, mas sim com a Copa América (AFP)

Portanto, nada mais justa do que essa homenagem que lhe será prestada amanhã, no Pacaembu, na sua despedida oficial da Seleção Brasileira, no amistoso contra a Romênia.

Mas, passados os dez, quinze minutos de tributo ao craque, voltemos nossos olhos para a Seleção de Mano, que inicia sua entrada no funil em direção à Copa América.

Nosso time sofrerá várias mudanças, sobretudo na defesa, com as dispensas de Júlio César, Daniel Alves e Lúcio. Até aí, nenhum problema aparente. Os três goleiros reservas – Victor, Fábio e Jefferosn – estão prontos para substituir Júlio César a qualquer momento.

Maicon, um dos destaques da Inter, reassume simplesmente o posto que foi seu no período todo em que Dunga esteve comando o time nacional. E David Luiz, guindado à zaga titular por Mano, na fase em que Lúcio não vinha sendo chamado, não só foi muito bem com a canarinho, como acaba de ser eleito uma das grandes revelações do futebol inglês.

Assim como a dupla de volantes – Lucas Leiva e Ramires – tem dado conta do recado.

A encrenca começa aqui, no chamado terceiro homem de meio de campo, onde Ganso tem cadeira cativa, desde que possa jogar. Afinal, foi o único meia autêntico, com poder de organização e de criação superior, que entrou no time e resolveu logo de cara.

Mano, seguindo o roteiro por ele estabelecido no início de seu trabalho, na ausência forçada de Ganso, passou a testar alguns meias que poderiam fazer esse papel: Douglas, Renato Augusto e Jadson, se não me escapam outros, por exemplo. Não funcionou.

Então, animado pelo ótimo desempenho de Elano nos três primeiros meses da temporada, na sua volta ao Santos, Mano resolveu dar um passo atrás na sua proposta, escalando um terceiro volante por ali.

Há quem garanta ser Elano um meia genuíno. Não concordo. Mas, nem talvez seja esse o caso, pois Elano tem bom passe, experiência, e bate na bola como poucos de longa e média distâncias, assim como é mestre em bolas paradas. Mas, já nos últimos tempos vem revelando lentidão excessiva e pouca participação nos jogos, seja defendendo, seja armando.

Se quiser reornar ao caminho inicial, cabe ao treinador brasileiro, escolher entre estas alternativas para a posição, no elenco atual: Anderson ou Thiago Neves.

Anderson leva a vantagem de ser mais solidário na marcação e no fechamento dos espaços na nossa intermediária. Thiago, porém, é aquele canhoto de drible fácil e chute potente.

Há, porém, outra possibilidade: Lucas, que tem atuado, mais ou menos, como esse meia no São Paulo, embora não seja seu perfil futebolístico. Lucas é mais chegado ao drible e à condução de bola.

Na cabeça de Mano, a posição ideal de Lucas é no ataque, ali pela direita, fechando para o meio, quando o time estiver sem a bola. Bem pensado. Isso, porém, implicaria ou na saída de Robinho, ou na ausência de um centroavante típico.

Quanto a este, Fred desperdiçou sua chance diante da Holanda. Portanto, a hora, agora, é de Leandro Damião. O certo mesmo é que Neymar segue firme lá na frente. E nem poderia ser de outra maneira.

De qualquer jeito, não gostaria de estar nas botas de Mano, como diria aquele velho texano.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. SELEÇÃO PREVISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 4 de junho de 2011 Sem categoria | 18:57

MANO E O LUGAR-COMUM

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Por Milton TrajanoO Brasil começou e terminou o jogo contra a Holanda, sob vaias da torcida no Serra Dourada, com três volantes. Quer dizer, só não terminou com três volantes porque Ramires foi expulso. E, na maior parte do tempo, foi aquele ramerrão, muito pega-pega no meio de campo e raras emoções no ataque.

Houve, apenas um breve momento em que a Seleção Brasileira quebrou o lugar-comum e criou uma série de boas oportunidades, com Robinho, Neymar etc., no início do segundo tempo, sobretudo, depois da entrada de Lucas no lugar de Elano.

Mas, logo, Mano retornou ao esquema com três volantes, ao trocar Robinho por Sandro, o que animou a Holanda  a se aventurar ao ataque.

Ao assumir a Seleção, Mano deu sinais de que não só promoveria uma reformulação de elenco, mas, principalmente, de mentalidade, mudando a forma de nosso time jogar. Mas, aos poucos, começou a refluir para o clichê convencional de nossos times e até mesmo da Seleção que disputou a Copa do Mundo na África.

Fórmula que contraria inclusive sua maneira de pensar. Ainda é tempo de Mano escapar dessa armadilha ardilosa, aquela que recomenda não correr riscos para não criar marolas. Ao contrário: as vaias do Serra Dourada refletem bem que o torcedor brasileiro já está de saco cheio com esses sistemas em que a cautela pragmática submete a aventura e a imaginação, atributos eternos de nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO
  2. O MODERNO E O ANTIGO
  3. E PODE?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 19 de maio de 2011 Seleção Brasileira | 14:38

A SELEÇÃO DE MANO

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O mais importante é que Mano Menezes, ao convocar a Seleção para os amistosos com Holanda e Romênia – uma lista bem mais extensa do que as habituais –, deixa aberta a possibilidade de novas inclusões, no desdobrar dos acontecimentos futuros.

Razão: nosso futebol é tão pródigo em revelar novos valores que é sempre bom deixar uma margem para o aproveitamento dessa turminha que aí virá, inevitavelmente.

fred fabio thiago neves

Fred, Fábio e Thiago Neves, novidades na convocação

É o caso, por exemplo, desse menino Wallyson, atacante do Cruzeiro de 22 anos de idade, liso feito quiabo, goleador, que cabe bem no estilo implantado por Mano na Seleção Brasileira. Se continuar jogando o que jogou até agora, por certo, será lembrado mais á frente.

Não sei se já para a Copa América, mas não vai demorar muito, não. Como ele, outros ainda surgirão nos próximos três anos, e o técnico deverá estar sempre atento para não repetir o erro de Dunga, ao não chamar Ganso e Neymar para a Copa da África.

Quanto à convocação de hoje, vale louvar a inclusão do goleiro Fábio, do Cruzeiro, que Parreira, em seu início do Vasco, saudou como o melhor da sua posição no país. Fábio não teve, porém, as chances devidas, mas está em tão magnífica forma que merecia essa chamada, ao lado de Júlio César, Victor e Jefferson.

Assim como esperar de Fred e de Thiago Neves, as outras duas novidades, um rendimento à altura de suas respectivas possibilidades.

Fred é um centroavante artilheiro, mas que trata a bola com mais intimidade do que a maioria de seus pares. Resta esperar que as recorrentes contusões do craque não o impeçam de seguir adiante. E Thiago Neves, aquele canhoto hábil e incisivo que anda fazendo falta à Seleção, capaz tanto de atuar na armação quanto no ataque.

Há, porém, dois pontos nessa convocação que me incomodam: a insistência com Jadson, apesar da brilhante participação de seu Shakhtar na Liga dos Campeões, e o excesso de volantes em detrimento de mais meias de fato, embora esse desequilíbrio possa vir a ser corrigido na hora dos cortes.

De resto, são mais ou menos os mesmos nomes que a sensatez aconselha neste momento.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  3. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 26 de março de 2011 Seleção Brasileira | 13:25

MANO E OS VOLANTES

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Mano virou, mexeu, remexeu e acabou caindo no lugar-comum ao escalar nossa Seleção com três volantes contra a Escócia: Lucas Leiva. Ramires e Elano.

Sei bem que Elano não é exatamente um volante típico. Tampouco, um meia-armador de ofício e estilo, muito menos um meia ponta-de-lança, hoje chamado de meia-atacante. Fica num meio-termo entre um e outros, que rende quando atua pela direita, quase como um ala, de onde dispara centros perfeitos e tiros certeiros a gol, além de distribuir passes exatos, mas não necessariamente surpreendentes.

É lento nos movimentos e na resolução das jogadas, mas tem excelente senso de colocação e outros méritos com a bola parada. Para compensar isso, Ramires chega bem de trás, com velocidade e arrojo, como cansou de demonstrar no Cruzeiro e, agora, no Chelsea.

Mesmo porque quem deve fazer a função de armador nesse time brasileiro será Jadson, que cumpre tal tarefa no Shaktar, a grande surpresa da Liga dos Campeões da Europa.

Particularmente, para essa posição de meia-direita, gostaria de ver o menino Lucas desde o início. Não só porque é veloz, hábil e tem fúria ofensiva, atributos básicos pra se romper uma retranca histórica com a escocesa. Mas, sobretudo, para dar-lhe um tempo de estreia antes de um segundo em que o garoto possa realmente produzir o que sabe.

Assim como para redirecionar a Seleção em direção aos rumos propostos por Mano ao assumir nosso: os da renovação de nomes e tática.

Afora isso, teremos a oportunidade de ver em ação o lateral-esquerdo Marcelo, que vem esmerilhando no Real, e a novidade do prodigioso salto de Leandro Damião, do noviciado auspicioso no Inter para a titularidade da Seleção.

Por fim, a volta de Lúcio, senhor da área da Inter, campeã do mundo e outros bichos. Lúcio já entrou para a  história do nosso futebol como um dos maiores zagueiros de todos os tempos. Logo, se convocado, tem de ser escalado. O diabo é que a dupla David Luís e Thiago tem funcionado tão bem que é um pecado desfazê-la agora.

De qualquer forma, prepare-se o amigo para um jogo difícil, pegado, se não tedioso nesta manhã de domingo.

EDER E MICHAEL

Na véspera das celebrações dos 75 anos de idade de Eder Jofre, o Galo de Ouro, o primeiro campeão brasileiro do mundo e ícone do nosso boxe, o iniciante Michael Oliveira, menino de vinte anos sobre o qual repousa enorme expectativa, enfrentou Abel Adriel, outra promessa do boxe argentino.

Ambos se equivalem em idade, peso e cartéis. A diferença é o poder de punch – enquanto o brasileiro é pegador emérito, o argentino, em dez lutas, só obteve dois nocautes, o que revela sua baixa potência nos golpes.

O argentino, porém, foi muito superior tecnicamente ao brasileiro. E somou tantos pontos, mesmo para os que não são especialistas no assunto, que a vitória de Michael, ao final dos dez rounds, soou como um esbulho. Sobretudo, pela contagem dos juízes, que, em média, deram de cinco a seis pontos de diferença para o brasileiro.

Michael é extremamente resistente, mas não sei se o teria sido diante de um adversário mais potente nos golpes. Sua esquerda baixa permitiu ao oponente desferir uma infinidade de cruzados de direita que o deixou com o lado esquerdo do rosto com fortes hematomas, ao fim do combate.

Já o gringo saiu ileso da refrega.

Michael terá de se esmerar muito na sua técnica, melhorando sua guarda e os cruzadinhos de esquerda e direita, disparados quase sempre com o lado interno da luva e não como manda a cartilha com os punhos. Além de enxugar seu tórax e sua linha de cintura, já tão cedo acumulados de gordurinhas preocupantes.

Muito provavelmente nunca chegará a ser um novo Eder Jofre. Isso seria exigir demais do garoto. Eder foi um fenômeno como poucos  na história do boxe mundial. Tanto que é o único brasileiro a inscrever seu nome na galeria dos imortais do Hall da Fama de Nova York, como o melhor peso galo da história do boxe planetário.

Não só era perfeito tecnicamente, fosse na defesa, fosse no ataque, como tinha um poder incrível de assimilação dos golpes do inimigo, e batia – sobretudo com a esquerda – com a potência de duas categorias acima da sua, num tempo em que a divisão de pesos era menos fluida.

Além do talento natural para a coisa, embora gostasse mesmo de ser ponta-esquerda do Peruche e desenhista nas horas vagas, Eder teve o privilégio de ser treinado desde a mais tenra infância por seu pai, o inesquecível Kid Jofre, o grande escultor de campeões de sua época.

Acompanhei sua trajetória desde quando amador, época em que pensou seriamente em abandonar o boxe, simplesmente porque não gostava de bater nos outros.

A não ser em duas ocasiões especiais, já quando profissional.

Quando enfrentou o colombiano Bernardo Caraballo, que lhe arrancara a chance de disputar o título olímpico, por inferência dos juízes. E quando defendeu seu título mundial diante do galês John Caldwell, no Ginásio do Ibirapuera, que havia desfeito do brasileiro na imprensa mundial.

Nesses dois casos, Eder adiou o nocaute o quanto pôde, só para se comprazer com as sucessivas quedas dos oponentes.

Assim como viva está na memória a antológica disputa com o argentino Ernesto Miranda, quando Eder teve de recorrer a um truque dramático para finalmente colocar o gringo na lona.

Miranda era um lutador de pouca potência, mas lisol feito quiabo. Alto, esguio, braços longos e pernas ágeis, na primeira luta, no Pacaembu, manteve Eder à distância o tempo todo. No Luna Park, de Buenos Aires, na revanche, idem com batatas. Os dois confrontos, pois, terminaram empatados.

Na negra, aqui, a coisa rolava do mesmo jeito até que Eder, ao receber um direto de Miranda, bambeou no centro do ringue e recuou até as cordas, como se estivesse grogue. Miranda, argentino malandro, ainda hesitou um pouco: será? Por fim, resolveu acreditar na cena, e partiu pra cima de Eder, encurtando a distância o suficiente para o brasileiro desferir um daqueles petardos de esquerda que mandou Miranda à lona definitivamente.

Depois, vieram os filipinos Leo Espinosa e Danny Kidd, ambos nocauteados, e a série em Los Angeles diante de Joe Medel e Eloy Sanches, em disputa pelo título mundial aberto pelo abandono do boxe por outro mexiano, Joe Becerra, desgostoso por ter matado um adversário em luta anterior. Bateu ambos, embora tenha sofrido diante de Medel.

Mas, o que me deu certeza de que Eder seria um boxeador singular foi uma de suas primeiras lutas como profissional, contra o argentino Raul Castro. Estava ali na fila do gargarejo, e vi o gringo desferir um upper de direita na ponta do queixo de Eder, golpe mortal pra qualquer lutador. Eder permaneceu em pé, embora seu olhar estivesse mortiço. Nocauteado, mas em pé. Por puro instinto, disparou vários golpes para manter o adversário longe até o gongo soar.

Na volta, atirou o gringo por entre as cordas.

E nunca me saiu da memória o ensinamento de Kid Jofre, o pai: “O verdadeiro campeão tem um cabide na alma que não o deixa cair, nem quando está nocauteado”.

Parabéns, Eder.  E obrigado por tudo.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. PAPO COM MANO
  3. OS CAMINHOS DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 24 de março de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 16:52

OS CAMINHOS DE MANO

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O Brasil pega a Escócia, num amistoso em Londres, ainda à procura de uma opção para Ganso, como meia-armador, essa entidade expurgada do nosso futebol há duas décadas desde a instituição dos dois ou três volantes, que faz a cabeça dos nossos treinadores até hoje.

Infelizmente, não há outro com todos os atributos de Ganso para essa função. Antigamente, e aqui estendo esse tempo dos anos 30 aos 80, sobravam craques nessa posição, de Romeu e Tim a Zizinho e Jair Rosa Pinto, passando por Didi, Rubens – o Dr. Rúbis do Flamengo -, Gérson e o diabo a quatro.

Qualquer time pequeno ou médio tinha lá seu armador de escol. Hoje, o que temos por aqui são três gringos que sequer atuam pela seleção de seu país: Montillo, D’Alessandro e Conca. Palmas para eles, e vergonha para nós.

Mas, voltando à vaca fria. Nesse jogo contra a Escócia, Mano Menezes deverá testar Renato Augusto nessa função. O rapaz tem talento para tanto, mas não sei se tem estofo Vai ter de provar.

De qualquer forma, espero que mano não escale ao seu lado mais um volante, além de Lucas e Ramires, tipo Elano ou Elias, pois vai enfrentar uma retranca histórica, que exige habilidade e velocidade para rompê-la. Alguém como Lucas, o menino do São Paulo.

Justamente porque esse é o período de experiências em que Mano deve tentar o máximo do potencial do elenco convocado.

O FLU E ABEL

Tive boa impressão do atual presidente do Flu, no contato que mantivemos durante o programa Arena Sportv, na quarta. Mas, veja o amigo em que camisa de força se meteu o cartola em, ao vivo, no ar, se comprometer com Abel Braga, que falava pelo telefone das arábias.

E se o interino Endesron Moreira, que atuou com esmero na heroica virada do Flu diante do América do México, seguir reproduzindo tal desempenho?

O rapaz foi firme e providencial nas substituições dos jogadores certos naquele jogo, o que é essencial para qualquer treinador. Ao colocar Deco e Araújo em campo, no segundo tempo, projetou, com ciência, seu time ao ataque e chegou ao resultado que parecia improvável, pelo andar da carruagem até então.

Vai que o bicho pegue no breu, ponha seu time para jogar ofensivamente, como queremos todos, dê a volta por cima na Taça Rio e ainda consiga avançar na Libertadores nesses dois meses que antecedem à chegada de Abel?

Abel está muito fora do nosso futebol, e já anunciou de lá que, por exemplo, Edinho é seu titular, sem dúvidas. Ora, Edinho é bom jogador, como volante ou zagueiro, mas nada excepcional.

Digamos que dê na telha de Enderson escalar o meio de campo do Flu com Diguinho, um volante que sai pro jogo, Souza, Deco e Conca, mais Emerson ou Araújo e Fred. E que esse time desembeste, como na teoria o sugere, a meter gols mais gols nos adversários. Onde Abel encaixará Edinho? Só se for de zagueiro.

Aí, tudo bem.

A VOLTA DE LINCOLN

Felipão continua reticente quanto ao aproveitamento de Lincoln ao lado de Valdívia, Patrik e Kleber. Posso ainda acrescentar mais um: Luan.

“Os quatro, não, pois teremos problemas com a marcação”. Só porque quer. Ou melhor: porque não quer compactar o time, com os zagueiros mais avançados, próximos dos dois volantes – Marcos Assunção e Márcio Araújo.

Esse é o vezo dos treinadores brasileiros: só conhecem uma fórmula de jogar, de preferência, a mais segura no seu modo de ver, e dela não arredam pé, nem que o destino lhe ofereça algo maior.

Lincoln estava há  dois meses afastado do time. Voltou e esmerilhou num setor em que o Palmeiras é mais carente do que o do centroavante por que Felipão tanto clama.

Já passou da hora de a turma avançar, em todos os sentidos.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. VALEU, MANO!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

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