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21/09/2009 - 16:08

VERDÃO, CELEBRANDO, ATÉ…

O Verdão, que passou o fim-de-semana celebrando os tropeços de seus rivais mais próximos na tabela do Brasileirão, afia suas armas para enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, nesta quarta.

Além da tradição de sua camisa e do time que tem hoje, o Cruzeiro é favorito,  por jogar em casa. Mas, o Palmeiras, embora declinando neste segundo turno em relação ao primeiro, é forte o suficiente para virar esse jogo e livrar mais uns pontinhos de São Paulo e Inter, que seguem nos seus calcanhares. Depende, sobretudo, da formulação tática a ser adotada e do espírito de luta da equipe, claro.

Se entrar em campo só para evitar o pior, estará flertando com a derrota. Contudo, se entrar com a alma de um campeão e a postura tática de um vencedor, periga alcançar o máximo.

E olhe que Muricy teve tempo de sobra para armar esse time com vistas a esse jogo tão emblemático, pois está aí uma partida que pode servir de trampolim para o resto da temporada verde.

MEA CULPA DE MANO

O técnico Mano Menezes teve a altivez de assumir a responsabilidade pelo desastre corintiano diante do Goiás, no domingo. Disse que armou mal sua equipe, ao configurá-lo num modelo que considerava adequado para enfrentar especificamente o adversário da hora.

Assim, sem William, o grande líder de sua defesa, montou aquele setor com três zagueiros, fugindo de seu padrão habitual, com o lateral-direito Alessandro numa posição mais ofensiva, entre a ala e o meio-de-campo, que acabou se transformando numa zona cinzenta onde o jogador movia-se sem saber para onde nem por que.

E isso me remete a uma velha questão: até onde o treinador deve se arriscar a desfigurar o jogo de seu time, tentando ajustá-lo à marcação do eventual inimigo? Ou, não será sempre melhor (com as exceções de praxe) seguir o curso natural de sua equipe, deixando ao adversário a tarefa de inventar fórmulas para contê-lo?

Mestre Ziza, o grande Zizinho, um dos dois maiores craques que vi em ação (o outro foi Di Stefano – Pelé não conta) e técnico de breve carreira, pois estava anos-luz além da prática de seu tempo, costumava dizer que um time deve preocupar-se mais consigo mesmo do que com o adversário.

Claro, sempre há ajustes pontuais – uma marcação mais específica neste ou naquele jogador que faz a diferença e tal e cousa e lousa e maripousa.

A verdade, todavia, é que os grandes esquadrões da história impunham seu jogo, fosse qual fosse o adversário. E até hoje é assim, quando se pega um Barcelona, o campeão da Europa, como exemplo: seja onde for, contra quem seja, o Barça é sempre o mesmo.

Aliás, esse tem sido o grande mérito de Mano Menezes, que, mesmo com uma equipe em transição em meio ao campeonato, nunca alterou o padrão que lhe deu os títulos da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil. E assim o Corinthians manteve-se na órbita dos candidatos ao título do Brasileirão.

Meno male, para o Corinthians e para o técnico, que Mano Menezes tenha caído na real logo após dela ter dado uma escapulida.

PET E ADRIANO

Eis uma dupla que já está dando o que falar: Pet e Adriano, o arco e a flecha, como diria mestre Armando Nogueira.

Petkovic, exemplo singular de um iugoslavo (ele ainda se considera assim) que aportou, de repente, no Brasil e aqui construiu uma legenda, graças ao seu futebol inteligente, hábil e de extrema precisão nos passes e nos disparos a gol, transformou-se na pedra de toque do novo Flamengo.

Já se transformara num retrato pregado no álbum de recordações do futebol brasileiro, quando, por trama do destino e dos cartolas do Flamengo, voltou à Gávea, como parte do pagamento de atrasados que o clube lhe devia, numa dessas estranhas engenharias que só nossa cartolagem é capaz de engendrar.

À época, o técnico de plantão olhou-o com desdém, e nem sequer pensava em utilizá-lo pra valer. Mas, aos poucos, e, sobretudo com a ascensão de Andrade, Pet foi cavando seu lugar no time, e hoje é, sem dúvida, titular absoluto. Mais do que isso: fator decisivo para a recuperação do Flamengo. Entre outras coisas, porque é ele quem aciona na medida o artilheiro Adriano.

O mesmo Adriano que havia pendurado as chuteiras milionárias para arrastar seus chinelos entre sua gente humilde das quebradas do Rio. E, que, num ato de paixão, resolveu calçá-las novamente para defender seu Flamengo de coração.

Pet e Adriano, duas histórias tão distintas, que se cruzam na Gávea para reacender as esperanças rubro-negras, antes extintas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , ,
22/07/2009 - 15:36

E DEU MURICY NO PALESTRA

Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com todas as condições, pois, de brigar pelo título.

Dependendo dos resultados da rodada que se inicia hoje à noite, pode receber das mãos de Jorginho um Verdão líder isolado do Brasileirão.

Mesmo porque, mais do que os resultados obtidos até aqui, o Palmeiras tem revelado um futebol leve, envolvente e agressivo, agradável de se ver. Dizem que em razão da afinidade do elenco com o técnico interino. Aliás, não faltaram declarações dos jogadores nesse sentido nos últimos dias.

Mas, Muricy tem talento e personalidade para manter vivo esse vínculo com seus comandados.

Basta tocar o barco com leme firme, sem grandes desvios, que pode chegar lá.

MAIS UM NA JANELA

Outro corintiano que está com um pé sobre o batente da janela escancarada para o mundo é Douglas, um desses raros meias canhotos de toque refinado, tão pródigos no passado e tão escassos no presente futebol brasileiro.

Douglas, por isso mesmo, tem sido um ícone do Corinthians de Mano de tantas conquistas recentes. Representa a aposta de um técnico que ousou ir na contramão do estabelecido no futebol brasileiro destes tempos sombrios, arejando seu esquema e iluminando seu meio-de-campo com jogadores que jogam bola, antes de tudo o mais, sem perder a consistência defensiva. Ao contrário, o Corinthians, mesmo jogando com uma formação muito mais ofensiva do que os demais, é dono de uma defesa forte, nada vulnerável, como preconizariam os pragmáticos de plantão.

Joga e não deixa jogar, o lema mais verdadeiro de tantos que o futebol cultiva há mais de século.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Treinadores Tags: , , , , ,
06/07/2009 - 13:04

TIMÃO E RACISMO

Por Milton Trajano
Veja mais charges no blog do Milton Trajano

Para encarar a Libertadores nas regras das artes, antes de tudo, o Corinthians precisa esquecer a Libertadores, já. Sobretudo, porque daqui até lá, haverá tantos imprevistos de toda sorte, sem falar no curso normal das coisas, o que em futebol significa qualquer coisa.

Certo mesmo é que o Corinthians terá de chegar à Libertadores assentado, equilibrado emocionalmente, pelo menos. Para tanto, não pode relaxar agora, pois se o fizer correrá o sério risco de chegar lá fragmentado, portanto, vulnerável.

Faz bem, pois, Mano Menezes em eleger o Brasileirão como um alvo absolutamente prioritário. Não só porque esse título seria a terceira coroa a fechar com chave de ouro um ano até aqui prodigioso para o Timão. Mas, sim, para manter o time ligado, aceso, já com vistas ao objetivo maior – a Libertadores.

Claro, é normal, ao fim de uma campanha em que o Corinthians aumentou o seu acervo de glórias com o Paulistão e a Copa do Brasil, que sobrevenha um certo relaxamento, aquela sensação de prazer satisfeito, o desejo a siesta, cochilo reparador e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, o lema que tem impulsionado esse Corinthians é aquele que vem da galera: Não pára, não pára, não pára

RACISMO NO FUTEBOL

O racismo é um desses demônios que devem ser erradicados de vez da alma humana. Mas, o bicho é resistente. Alimentado pela ignorância e a impotência dos homens, sobrevive há milênios – às vezes, abertamente; às vezes, nas sombras da dissimulação.

Nem sei se não é, enfim, a tal Marca de Caim, impressa na alma humana até a eternidade. Mas, de qualquer forma, é preciso combatê-lo sempre, em todos os quadrantes, para que, ao menos, finjamos que somos civilizados.

Da segunda metade do século passado até aqui, o mundo avançou muito nesse sentido, apesar dos bolsões de resistência de bandos de estúpidos espalhados por esse planeta afora. Mas, ainda há muito o que avançar nesse caminho civilizatório.

E o futebol, talvez a mais abrangente expressão esportiva mundial, que se insere nos corações mais recônditos, passa a ser um alvo prioritário nessa luta.

A Fifa, a Uefa e as federações nacionais da Europa já se deram conta disso, e baixaram medidas disciplinares, não apenas sobre jogadores e clubes que eventualmente recorram a tal método odioso, como também sobre as torcidas que manifestem sua idiotia nas arquibancadas com ritos e cânticos racistas.

Mas, o que fizeram até aqui a Conmebol e a CBF a respeito? Zero!

Vez por outra, jogadores entram em campo com faixas condenando essa prática malsã. E só.

Não basta. Devem ir fundo nessa questão, estabelecendo punições severas sobre as torcidas e seus respectivos clubes que adotem tal postura nos estádios.

É absolutamente inaceitável, neste nosso Brasil mulato, cafuz, mameluco, onde Ocidente e Oriente se fundiram tão profundamente que é impossível distinguir um nissei de um descendente de índio, manifestações como as de parte da torcida do Grêmio chamando jogadores do Cruzeiro de macacos.

Na fauna simiesca, sabemos, há macacos negros, marrons, brancos, cinzas, de todos os tamanhos e formatos. O traço comum entre eles, porém, é a imitação.

Tanto, que no linguajar popular, quando se refere a um imitador, diz-se que parece macaco.

Desde o início da rivalidade entre os brancos argentinos e os mulatos e negros brasileiro, nas primeiras décadas do século passado, eles nos chamam, abertamente, de macaquitos.

Se for por causa da nossa cor, é ofensa. Se for porque parte dos nossos os imitam em tudo nas arquibancadas, então, é apenas uma constatação: macacos são aqueles os imitam, sem nenhuma originalidade nem vergonha.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , ,
02/07/2009 - 15:33

A ESCOLHA CERTA

Por Milton TrajanoTudo, na verdade, começou com a ousada escolha do estilo de jogo que o Corinthians deveria adotar para a disputa da Segunda Divisão do Brasileirão do ano passado.

Os clichês estampavam um modelo único, aquele que se traduzia assim, em palavras: Segundona é coisa de macho, que exige muita raça e pouca técnica.

Pois bem, Mano Menezes escolheu o caminho inverso e montou um time essencialmente técnico, num claro 4-3-3, tão desprezado pela imensa maioria dos nossos treinadores, o que confere ao time, dependendo da escolha dos jogadores, uma ofensividade muito maior do que esse ramerrão que anda por aí no futebol brasileiro há tanto tempo.

Pego como exemplo o meia Douglas, canhoto hábil e inteligente, desses que encantam pelo toque de bola, pelo passe arriscado, cujo nome, se posto à mesa, de 99 por cento dos nossos treinadores, provocará um esgar seguido do inevitável: ah, mas não marca ninguém.

Pois, Douglas foi o principal articulador de um time que jogou com dois beques de área, dois laterais ofensivos, um volante de ofício (Cristian), outro mais versátil (Elias) e três atacantes.
Assim, o Corinthians levantou a taça com um brilho e uma folga jamais vista até então.

No início do ano, Mano recebeu um presente que, para muito treinador brasileiro, seria de grego: Ronaldo Fenômeno, uma incógnita absoluta, mais problema latente do que solução técnica.

Ronaldo integrou-se, recuperou-se o suficiente para ser decisivo na campanha pelo título paulista, e a expectativa de que ainda produzirá muito mais segue em alta.

Nesse momento, Douglas machuca-se, volta reticente ao time, alterna boas e más partidas, reacendendo o velho vezo aos meias de habilidade. Qualquer outro técnico, o teria defenestrado. Mas, Mano manteve Douglas no time, até que o jogador conseguisse se reabilitar. Assim como manteve seu esquema faceiro, como dizem alguns, ofensivo, porém, equilibrado, por isso mesmo. A ponto de ser uma das defesas menos vazadas do país, e um ataque altamente positivo, além dos títulos conquistados.

Todo mundo se deliciou com a serenidade com que o Corinthians driblou em campo todas as pressões exteriores no Beira-Rio.
O fato é que o equilíbrio emocional baseou-se, sobretudo, no equilíbrio técnico e tático da equipe. Na capacidade de alternar o ritmo de jogo de acordo com as circunstâncias. No conjunto de um time que joga junto praticamente desde que Mano assumiu o seu comando.

Sim, claro, individualidades se sobressaíram, de Felipe a Dentinho. Todos tiveram seus momentos de brilho nessa campanha gloriosa. Mas, Jorge Henrique e Dentinho foram emblemáticos.

Explico: ambos, atacantes natos, jogadores de porte e estilo leves, romperam o velho chavão de que os avantes brasileiros, por cultura insuperável, não sabem marcar, nem têm disposição para tanto.

Trata-se de outro estúpido preconceito, gerado pelo medo dos nossos treinadores de arriscarem um sistema mais ofensivo, para garantir seus empregos, com aquela legião de beques e volantes de contenção.

Enfim, mais do que ganhar dois títulos importantes em seis meses, o grande mérito desse Corinthians é ter sinalizado para um novo (eterno) rumo para o futebol brasileiro, onde não há mais lugar para frases feitas, conceitos superados, medos e retrancas.

A não ser para os que pensam pequeno, apesar da grandeza dos clubes que dirigem.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , ,
12/04/2009 - 19:14

TIMÃO, FLA E GALO

Resumo da ópera: ganhou aquele que entrou em campo programado para ganhar, num jogo emocionante em que o Corinthians foi dominante do início ao fim.

Sim, porque Mano Menezes escalou sua equipe com apenas um volante – Cristian -, justamente o que deu a vitória nos últimos segundos da partida, dois zagueiros, dois laterais que avançaram o tempo todo, dois meias e três atacantes.

Já o São Paulo, pela ausência de Zé Luís, voltou ao esquema com três zagueiros de ofício e dois atacantes de ofício, o que enfraqueceu seu meio de campo, inteiramente controlado pelo Corinthians.

Apesar disso, quem saiu na frente foi o Tricolor, graças à jogada de bola parada, sua infalível e recorrente arma: aos 25 minutos do primeiro tempo, na cobrança de bola presa por Dentinho, em dois lances, Jorge Wagner (sempre ele!) levantou para Miranda desviar de cabeça.

Em menos de quatro minutos, porém, Elias, em bela jogada pessoal, passou no meio de dois defensores e tocou de canhota no canto de Rogério Ceni.

Um prêmio para Elias, que acabou se transformando no melhor em campo, não apenas pelo gol marcado, tampouco pelo gol salvo em cima da linha, em novo cabeceio de Miranda, no finzinho da etapa inicial.

Nessas alturas, o Tricolor já havia perdido Arouca, machucado, trocado por Joílson, o que acabou dando um certo equilíbrio ao time, já que Arouca como ala direito é uma escolha equivocada do técnico Muricy – o rapaz não tem velocidade, nem habilidade para essa função.

Mas, não houve muito tempo para essa substituição surtir algum efeito, pois, logo aos 11 minutos do segundo tempo, André Dias foi expulso e, em seguida, Joílson foi substituído por Renato Silva.

O fato é que o Corinthians continuou jogando em cima do São Paulo e as chances se multiplicaram, inclusive pelas falhas e defesas oportunas de Rogério Ceni, sobretudo no duelo direto com Ronaldo.

O mesmo Ronaldo, que fez duas ou três jogadas de alto nível, tomou um amarelo justo pela entrada sobre André Dias e, mesmo perdendo três boas oportunidades, semeia todas as esperanças na Fiel para o jogo decisivo.

Assim, o cenário inverteu: o Corinthians é que ficou com a vantagem do empate no jogo do Morumbi. Porém, isso não é tudo.

FLA-FLU RUBRO-NEGRO

O Flamengo passou pelo Fluminense por 1 a 0, placar enganoso, já que os rubro-negros criaram cerca de meia dúzia de chances incríveis para ampliar o resultado, quase todas conjuradas por Fernando Henrique.

O mais irônico, contudo, é que o gol de Juan foi fruto de uma falha do goleiro tricolor. Azar de goleiro.

Assim, o Flamengo volta a encarar o Botafogo numa decisão carioca. Parece replay.

O GALO DE LEÃO 

Em Minas, Diego Tardelli deu o tom, ao marcar o primeiro gol do Galo, na vitória por 2 a 0 sobre o Rio Branco de Andradas (o segundo foi de Eder Luís). E aqui vale repisar sobre o óbvio: com Leão, Diego Tardelli é fera. Foi assim no São Paulo e está agora sendo no Atlético.

E é aqui que quero prestar minhas homenagens ao técnico Leão, com quem tenho bicado muitas vezes. O maior mérito de um treinador, a meu modesto ver, não é o de inventar sistemas, táticas mirabolantes, manter a tropa em formação militar, nada disso. É dar uma espiada no elenco e nos jogadores disponíveis no mercado, e escolher os que têm mais potencial para jogar. Por fim, tendo-os sob seu comando, armar esquemas que permitam explorar o máximo de cada um. Leão é um dos poucos treinadores brasileiros que fazem isso.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , , , , , ,
16/02/2009 - 15:33

FUTEBOL E TECNOLOGIA

O técnico Mano Menezes, depois do jogo, insinuou claramente que a expulsão de Túlio só aconteceu porque um espírito de orelha soprou lá de fora o lance não constatado pelo quarteto de arbitragem.

Pode ser, pode não ser. E, se fosse, qual o problema? Ao juiz é conferida tamanha autoridade dentro das quatro linhas de jogo, que, se quiser, o bicho pode até consultar o gandula, em caso de dúvida. Assim como pode aceitar a recomendação até do técnico ou de um jogador, se considerar razoável.

Por que não ouvir, então, a advertência de quem esteja diante de um aparelho de tv, com todas aquelas imagens em vários ângulos captando o lance não observado?

Ainda neste fim de semana, no jogo entre Manchester United e Derby County, houve uma jogada que suscitou a mesma dúvida: o bandeirinha e o juiz teriam obedecido a uma observação do quarto árbitro, ou a um comando teleguiado de fora?

O lance foi assim: bola espichada da defesa do Manchester para Cristiano Ronaldo, na metade adversária do círculo central, em posição duvidosa. O português disparou, bola colada aos pés, sendo acompanhado pelo auxiliar, com a bandeira abaixada. Só depois de Cristiano Ronaldo finalizar a jogada, quando já comemorava o gol, o bandeirinha resolveu levantar seu instrumento de trabalho, como diziam os antigos locutores.

Obviamente, a infração – se houve mesmo, pois até agora estou em dúvida – não foi detectada nem pelo bandeira, que estava a na linha direta do atacante, quando este recebeu a bola, nem pelo juiz que deixou vida seguir. Teria sido o quarto árbitro o autor da advertência? Como saber, com tantos fones espalhados por aí?

O fato é que não dá mais para a Fifa brigar com a tecnologia hoje integrada definitivamente na vida de cada um de nós. É uma briga, desde já, perdida.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Futebol internacional Tags: , , , , , , ,
03/02/2009 - 16:47

OS HUMORES DO TIMÃO E DO TRICOLOR

Corinthians e São Paulo voltam aos campos do Paulistão com humores distintos: um, alegre; outro, irritado.

O Timão vem de vitória categórica sobre o Oeste, por 4 a 1, naquela que o técnico mano Menezes considerou, não sem razão, a melhor atuação do time neste ano, e pega o Paulista em Jundiaí, um dos quatro pequenos que brigam com os quatro grandes nas primeiras posições da tabela.

O diabo é que não poderá contar com Cristian, lesionado. Mas, tem lá Túlio e Fabinho, dois volantes de bom nível, para Mano escolher.

Já o Tricolor, que vem de derrota para o Santo André, na sua pior exibição do ano, quando perdeu invencibilidade 22 jogos no Morumbi não contará com Miranda, expulso, fato raro na carreira desse zagueiro exemplar, que, porém, parece ter entrado o ano com o pé esquerdo.

Seria uma boa chance para Muricy mudar o braço da viola e testar uma nova formação com apenas dois zagueiros  (André Dias e Rodrigo) e um meio-campista com um pouco mais de ginga e passe certo, tipo Arouca.

Não custa nada. Afinal, não é para isso mesmo que o Paulistão está servindo ao São Paulo?

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , , , , , , , , ,
25/10/2008 - 18:04

TÁ TODO MUNDO LOCO

Foi uma festa como nunca se viu. Porque nunca antes o Corinthians vivera esse lapso entre a suprema humilhação e a glória da volta por cima.

Era uma volta anunciada desde as primeiras rodadas da Série B, quando o Timão plantou sua bandeira no centro do gramado e passou a ditar as regras da competição.

Isso porque, contrariando a voz corrente, segundo a qual deveria armar um time guerreiro, lutador, esquecer a técnica e apostar na força, pois esta seria a norma da Série B, montou uma equipe tecnicamente muito bem qualificada, sob o comando de um treinador esclarecido e lúcido, Mano Menezes, que fez a turma jogar sem medo de fazer bonito.

E, ao longo da jornada, houve momentos inexcedíveis desse Corinthians, que pôs a bola no chão, trocou passes, jogou ofensivamente, destemido, e não apenas foi acumulando pontos como ofereceu um espetáculo digno da Fiel.

Sim, claro, também oscilou, caiu de produção, obteve resultados pífios, sobretudo quando se aproximava a hora da definição. Mas, comparando, é brincadeira. E os números dizem tudo: defesa menos vazada, ataque mais positivo e uma diferença de pontos abismal em relação aos seus mais próximos perseguidores.

Afora isso, no plano individual, apontou, pelo menos, dois jogadores em nível de Seleção Brasileira, mesmo disputando a Segundona: o lateral-esquerdo André Santos e o meia Douglas, um desses raros canhotos de habilidade, técnica e senso de organização incomum nos tempos atuais.

Mas, teve também outros heróis: o goleiro Felipe, os zagueiros William e Chicão, o tardio Morais, Herrera, Dentinho etc.

Todos eles impecáveis na vitória por 2 a 0 sobre o Ceará, neste sábado, num Pacaembu delirante, gols de Douglas, depois de bela trama do ataque, e de William, colhendo rebote do goleiro em falta cobrada por Cristian.

Enfim, tá todo mundo loco, na mais pura razão kantiana.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
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