A MAGIA DOS DIABOS VERMELHOS
O gol de Rooney, aos 27 minutos do segundo tempo sobre a LDU, campeã sul-americana, na decisão da Copa do Mundo de Clubes, exemplifica bem a posição singular dos Diabos Vermelhos neste cenário futebolístico da primeira década do século 21.
Rooney começou a trabalhar a bola lá na sua lateral-esquerda, aquém da risca do meio de campo. Serviu a Carrick, que passou para Anderson, que enviou a bola a Rooney, já na ponta-esquerda. De Rooney, para Carrick, que mandou para Cristiano Ronaldo na meia-esquerda, já à entrada da área. Cristiano, com o gênio que a Providência lhe concedeu, diante de dois marcadores, passou o pé direito sobre a bola duas vezes antes de tocar de canhota um passe leve e exato para Rooney, da esquerda, de pé direito, bater cruzado no canto oposto ao do goleiro. A propósito, mais uma espetacular apresentação de Rooney, que não entendo fora da lista dos cinco melhores da Fifa, na eleição do fim-de-ano.
Foi o gol do Mundial, o gol histórico, obtido quando o Manchester estava com um jogador a menos, fruto da expulsão de Vidic, jutsa, diga-se, logo no comecinho do segundo tempo.
Mas, apesar dessa desvantagem, o Manchester de Sir Ferguson, jamais abdicou daquela postura ofensiva que tem marcado o seu time nos últimos anos. E a troca de bola sucessiva, longa, embora rápida, que antecedeu a finalização, é a marca dos grandes times em todas as épocas.
Foi como se o destino quisesse limitar essa conquista histórica a um único gol, pois o Manchester poderia ter enfiado três ou quatro ainda no primeiro tempo, quando teve pleno domínio do jogo e criou, por baixo, meia dúzia de oportunidades claras.
Por fim, mesmo vencendo por 1 a 0, com um jogador a menos em campo, o Manchester jamais deixou de atacar um adversário que jogava o tal futebol pragmático, basicamente defensivo, do início ao fim, empatando ou perdendo. Tanto, que, quando o juiz apitou o fim do jogo, a bola rondava a área dos equatorianos, nos pés mágicos de Cristiano Ronaldo, campeão da Inglaterra, campeão da Liga dos Campeões da Europa, campeão do mundo, e o melhor jogador do planeta, certamente eleito pela Fifa nos próximos dias.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Anderson, Manchester United, Mundial de Clubes, Rafael
