O PRESENTE DE LÉO
Na minha Seleção do Santos que vi jogar até hoje, ele ocupa a lateral-esquerdo, ao lado de Gilmar, Carlos Alberto, Mauro Ramos de Oliveira e Ramos Delgado.
Mas, aos 36 anos de idade, prestes a pendurar as chuteiras, Léo era o último nome a ser lembrado para salvar a pele do Peixe nesse jogo de vida ou morte na Libertadores contra o Velez.
Sucede que o zero a zero fatal para o Santos escorria monotonamente segundo tempo adiante, sem grandes emoções a não ser aquela mistura amarga de ansiedade e desesperança, quando, aos 27 minutos, Muricy resolveu colocá-lo em campo no lugar de Juan, que realmente não estava dando conta do recado.
Até então, o Velez havia feito o primeiro tempo passar sob sua guarda, eficientíssimo na marcação avançada, impedindo a saída lúcida do Santos de sua defesa e anulando, mais uma vez, Neymar, em outra participação impecável do menino Peruzzi.
Bem que Neymar atirava-se ao jogo, apresentava-se para iniciar as jogadas de ataque de seu time, enfim, participava, mas não conseguia jogar. A grande chance surgiu naquela escapada que resultou na falta e subsequente expulsão do goleiro Baraveno, cobrança desperdiçada por Elano.
Com um a menos, o Velez, na etapa final, trocou a marcação por pressão no campo adversário por uma retranca bem armada aqui atrás, à espera do contragolpe mortífero, que não veio, diga-se.
O Santos, todavia, não conseguia romper esse ferrolho, a não ser naquele único lance em que Kardec, cara a cara, chutou sobre o goleiro. Isso, porém, aconteceu já com Leo em campo, dois minutos antes do lance decisivo.
Lance que começou, aos 32 minutos, com Ganso para Leo, de Leo para Ganso, que, então, executou aquele passe milimétrico entre dois zagueiros argentinos, para Leo, na entrada da área rolar em direção a Kardec, que, de canhota, meteu no canto esquerdo.
Eis, então, que vamos para a tortura da cobrança de pênaltis. Os argentinos erram um e o outro Rafael pega. A bola da classificação para as semifinais caiu diante de Léo, que, com extrema categoria, resolveu a questão.
Foi o presente do veterano craque ao clube que o consagrou nas celebrações do seu Centenário.
E que presente, ufa!
NO APITO FINAL
Os dois jogos decisivos das quartas de final da Libertadores foram decididos no apito final, o que dá a medida da tensão que cercou o Engenhão e o Pacaembu nesta noite de quarta-feira.
No Engenhão, até que o Fluminense conseguiu controlar os nervos, pôr a bola no chão, anular o sistema de armação do Boca (leia-se Riquelme) e transformar em realidade o sonho do pai de Carleto, que previu o filho marcando um gol de falta. Não deu outra, aos 17 minutos de bola rolando.
Como o Boca melhorasse um tantinho no segundo tempo, sem, contudo, ameaçar seriamente a meta de Cavalieri, e o Flu refluísse outro tanto, o jogo caminhava para a decisão por pênaltis.
Isso sem falar em dois gols feitos perdidos por Rafael Moura.
Mas, aos 45 minutos, Riquelme surge na entrada da área para dar um tapa em direção a Rivero, que disparou, e, no rebote de Cavalieri, Santiago Silva rematou.
E assim o sonho se desfez em cruel realidade.
No Pacaembu, Corinthians e Vasco correram o tempo todo sobre o fio da navalha. Tamanho era o nervosismo das duas equipes que o jogo se resumia em esticões da defesa para o ataque, inócuos chuveirinhos nas áreas e um troca-troca de passes errados incessante, do início ao fim da partida.
Momentos realmente críticos, apenas dois: aquela escapada de Diego Souza, aproveitando-se de falha de Alessandro, sozinho, diante de Cássio, que salvou pra corner, e o disparo no poste de Emerson, também desviado por Fernando Prass, de ponta de dedos.
Mesmo assim, a Fiel não desanimou em momento algum, até explodir em alegria quando Paulinho, aos 43 minutos do segundo tempo, acertou aquela cabeçada impecável, dentro das mais rigorosas regras da arte. Um prêmio para o maior jogador do Corinthians ao longo das duas últimas temporadas e a chance para o Corinthians disputar o direito de lutar diretamente pelo título da América, o sonho de muito tempo.
COPA DO BRASIL
Palmeiras, São Paulo e Coritiba, como se esperava, seguiram na noite desta quarta-feira em direção às semifinais da Copa do Brasil.
O Verdão, depois de um primeiro tempo em que foi subjugado pelo Furacão na Arena de Barueri, ao receber os reforços de Luan e Maikon Leite, na etapa final, definiu o placar de 2 a 0, mais do que suficiente para atingir seu objetivo.
Quem, porém, extrapolou foi o Coxa, que meteu 4 a 1 no Vitória, no Couto Pereira, e de virada, creia. Agora, espera o São Paulo, pra ver qual dos dois irá para a decisão do título do torneio, com direito a vaga na Libertadores.
O mesmo São Paulo que, diante do Goiás, no Serra Dourada, confirmou sua passagem para as semifinais do certame ao empatar por 2 a 2, com direito a bonito gol de Jadson.
Espera-se que tal resultado sossegue o pito do presidente do São Paulo e deixe Leão tocar esse barco até o fim, sem maiores sobressaltos.
PEIXE EM ÁGUAS TURVAS
A situação do Santos nesta quinta-feira de Libertadores não é nada confortável, ao levar a campo o placar adverso na partida de ida com o Velez.
Lá, perdeu por 1 a 0. Mas, o pior é que perdeu jogando mal, muito mal.
Segundo o técnico Muricy, além da boa organização defensiva dos argentinos, a culpa foi do cansaço de um time que não sossega o pito desde o início do ano, caminhando pela traiçoeira trilha da Libertadores e desviando-se ao mesmo tempo para empalmar a taça do Paulistão, o tri tão inusitado.
Se assim for, é de se esperar outro Santos na noite desta quinta-feira, contra o Velez, na Vila. Afinal, a moçada passou a semana de papo por ar, o que acabou lhe custando um tropeço logo na estreia no Brasileirão.
Desconfio, porém, que há algo mais nessa encrenca. Algo que já havia detectado aqui em jogos anteriores, até mesmo naquela goleada acachapante contra o Bolívar por 8 a 0.
Explico: com a deslocação necessária de Henrique para a lateral-direita, somada à saída de Íbson, o meio de campo do Santos esgarçou-se, perdendo o toque de bola que Muricy vem tentando impor desde a lição aprendida na derrota para o Barça.
Adriano é um típico cabeça-de-área, aquele médio protetor da zaga, que não escapa dos limites entre a linha da sua área e o inicio de sua intermediária. Elano, com participação reduzida, joga muito aberto pela direita, de onde prefere disparar lançamentos à frente, em vez de enfatizar o toque de bola envolvente.
Resultado: sobra pra dupla Ganso-Arouca a tarefa de namorar a girafa – vir aqui atrás pra fechar o setor, armar e chegar lá na frente para se juntar a Neymar e Kardec ou Borges.
Como os argentinos em geral (este Velez, em especial), são muito atentos na marcação e na disciplina tática, o negócio se complica ainda mais, meu.
Mas, vai que Neymar esteja com a macaca e Ganso, inspirado, às vésperas de mais uma cirurgia na joelho. Aí, o figurino é bem outro.
FORMIGA, ADEUS
Mário Filho, que dá nome ao Maracanã, grande cronista carioca e irmão do dramaturgo Nélson Rodrigues, comparou-o certa vez a Danilo Alvim. Não podia ser maior o elogio, naqueles meados dos anos 50, quando o Príncipe entrava em declínio e Formiga ascendia à cena principal do futebol brasileiro.
Elegante nos movimentos, tenaz no combate ao adversário, meticuloso no passe, Formiga fora capitão e figura central do Santos bicampeão paulista de 55/56, imortalizando uma das últimas linhas médias da nossa história: Ramiro, Formiga e Zito OU Urubatão.
Sim, porque Formiga foi um dos primeiros médios apoiadores ou centromédios a recuar para a linha de defesa, criando a figura do quarto-zagueiro – isto é, o quarto jogador a compor a zaga até então, no WM travestido de Diagonal, formada por apenas três: o beque central e os dois laterais.
Foi Peixe do início ao fim, com uma breve e infausta passagem pelo Palmeiras, vitimado por uma grave lesão no joelho. E, depois de pendurar as chuteiras, transformou-se em técnico vitorioso por vários clubes brasileiros, onde era chamado pelos jogadores por Seu Chico, tendo sido um dos pioneiros a explorar o árido futebol das Arábias.
Vai-se Formiga no ano do Centenário do seu Santos de sempre. A nota triste em meio às vivas celebrações na Vila.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Léo, Libertadores, Santos, Vélez Sarsfield




