27/04/2009 - 15:49
Quer dizer, então, que depois dos jogos iniciais das decisões em São Paulo e Minas, está tudo resolvido?
Quase, pelo menos, em São Paulo, onde o resultado de 3 a 1 para o Corinthians oferece, obviamente, mais chances de ser recuperado pelo Santos do que a goleada de 5 a 0 do Cruzeiro sobre o Galo.
Goleada, aliás, que revelou uma superioridade da Raposa sobre o Galo ainda maior do que se supunha. Que o Cruzeiro era melhor, nunca restou dúvida. Mas, a sensação, ao longo do Campeonato Mineiro, era a de que essa diferença havia diminuído, oferecendo campo para o Atlético até surpreender.
E não é que o Galo tenha eivado o Mineirão de erros primários, nada disso. Até tomar o segundo gol, encarou o Cruzeiro. Fez, enfim, o que estava ao seu alcance, naquelas circunstâncias. Mas, o Cruzeiro é que se impôs, com o refino dos seus jogadores e objetividade ímpar. Diria, grosso modo, que a Raposa converteu coisa de 80 por cento das chances criadas, o que é um índice de se tirar o chapéu, convenhamos.
Já o Campeonato Paulista parece estar mais decidido no aspecto anímico do que no plano dos números. Os peixeiros estão de crista baixa, depois da derrota em casa, sobretudo pela montanha de gols desperdiçados por ninguém menos que o seu artilheiro Kléber Pereira. Em contrapartida, o Timão flutua nas nuvens, com as asas de Ronaldo, o Fenômeno, na expectativa de confirmar no Pacaembu uma campanha histórica – campeão invicto, o que já foi, mas num passado remoto.
Baixando a bola para o duro chão da realidade, porém, há um ponto de interrogação plantado ali no meio da zaga corintiana, com a ausência de Chicão. Sim, porque o beque Chicão não é apenas seu principal defensor, mas é também o artilheiro do time.
E, se o amigo fizer um cotejo desapaixonado entre os dois times, jogador por jogador, verá que, com exceção da exceção chamada Ronaldo, ambos se equilibram. Digo: não há assim uma supremacia absoluta de um sobre o outro, embora, nem de longe se possa comparar as campanhas de ambos ao longo do campeonato.
Mas, equilíbrio mesmo, pra valer, se verifica no Rio, onde Flamengo e Botafogo deixaram em aberto a decisão, com o empate de 2 a 2 no jogo inicial. Não apenas pelo placar igual, mas, sobretudo, pela equivalência dos dois times, ainda que o Botafogo tenha sido melhor na soma dos dois turnos.
O que assusta General Severiano, porém, é a iminente ausência de Maicosuel, jogador-chave no esquema de Ney Franco e aquele meia-atacante que cumpre desempenho excepcional nesta temporada carioca.
Mas, é sempre jogo pra mais de metro.
GRÊMIO DANDO A VOLTA
O Grêmio, que tem amargado sucessivas derrotas para o eterno rival Inter, em fase de esplendor, está a um passo de fechar esta fase da Libertadores como líder geral da competição: basta vencer o Chicó, em pleno Olímpico desvairado, o que passa do provável.
Com isso, o Tricolor teria a vantagem de mando de campo pelo resto do torneio, quesito sempre valioso numa disputa difícil como essa.
E só a eventual conquista da Libertadores é que tirará do gremista esse gosto de fel na boca. Daqui pra frente, no Olímpico, é tudo ou nada.
A LIGA DOS SONHOS
Começam nesta terça-feira as quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, com Barcelona e Chelsea, numa perna, e, noutra, Manchester United e Arsenal, jogo lá e cá.
O Barça recebe o Chelsea, no Camp Nou, com uma campanha absurdamente exemplar até aqui: foi o líder dos quatro finalistas na fase de classificação, com dez gols de saldo, e aquele time que apresentou a melhor defesa e o futebol mais deslumbrante de todos, um toque hipnótico a partir do meio de campo em direção ao trio atacante mais implacável do futebol mundial no momento: Messi, Eto’o e Henry.
Mas, quando se trata de enfrentar um dos quatro grandes da Inglaterra é sempre bom fazer o placar em casa, mesmo porque o Chelsea, depois dos vacilos dos tempos de Felipão, sob o comando do holandês Hiddink vem em plena ascensão.
Quanto ao Manchester, que declinou neste final de temporada, parece ter retomado aquela auto-confiança letal, ao virar de forma espetacular o último jogo do Campeonato inglês.
Pega o Arsenal, de belas tramas mas pouca conclusão, em Old Trafford, e, apesar de ser um clássico britânico, não deve deixar escapar essa chance.
Confesso que não sou de torcer por times, mas, sim, pelo futebol superior deste ou daquele, neste ou naquele tempo, mas gostaria muito que a final se desse entre Barça e Manchester, como prêmio pela campanha excepcional de ambos na temporada toda, seja na Liga, seja em seus respectivos campeonatos nacionais.
Aí, sim, que vença o melhor entre os melhores.
De qualquer forma, a simples conjunção desses quatro times na fase decisiva da Liga já representa uma vitória sensacional do futebol na sua mais viva expressão, aquele jogado pra frente, sob o signo da técnica e da habilidade, em que cada um, com suas próprias característica, é digno exemplo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Sem categoria
Tags: Atlético-MG, Botafogo, Chicão, Corinthians, Cruzeiro, Diego Tardelli, Flamengo, Grêmio, Kléber, Kléber Pereira, Maicosuel, Ronaldo, Santos
11/04/2009 - 21:05
Santos e Palmeiras, na Vila, produziram um autêntico espetáculo de futebol, um jogo com a cara do futebol brasileiro que há tempos se arrasta, em geral, numa tediosa disputa de defesa contra defesa. E defesa, aqui, inclui meio de campo e até ataque.
De início ao fim, os dois times buscaram jogar bola, nas regras da arte, e foi um tá lá, tá cá, o tempo todo, com maior predomínio do Peixe, animado por sua torcida, que devolvia ao campo a emoção que o campo gerava.
Logo aos 3 minutos, Diego Souza mete bola magistral para Keirrison, que obriga Fábio Costa a uma defesa difícil. Aos 7, Neymar cruza na boca da meta, e, por um triz, Kleber Pereira não faz. E, um minuto após, Diego Souza serve Cleiton Xavier que coloca Keirrison na cara do gol: Fábio Costa rebate o tiro à queima-roupa, para K-9 encaçapar de cabeça: 1 a 0.
E assim foi até que Kleber Pereira, colhendo bola solta em cobrança de córner disparasse para empatar, aos 18 minutos.
O Palmeiras respondeu, no contragolpe, com um cabeceio de Keirrison cuja bola foi ao poste.
No segundo tempo, o jogo seguiu na mesma embolada, e, logo aos 3 minutos, o menino Neymar, batendo da entrada da área, definiu o placar para o Santos: 2 a 1.
Fiz aqui um resumo que está longe de reproduzir o que foi essa partida lancinante, cheia de chances perdidas pelos dois lados, jogadas de alto nível, enfim, tudo aquilo que faz do futebol um espetáculo, não uma disputa mesquinha pelo resultado que mais convém a este ou aquele.
Ganso, Neymar, Kleber Pereira, Souto, Fabão e Fábio Costa deram o tom para o Santos, enquanto Marcos, Pierre, Cleiton Xavier, Diego Souza e Keirrison se destacaram no Palmeiras.
Quer dizer: sim, senhor, é muito possível, com os jogadores que aí estão disponíveis no Brasil, fazer-se um jogo competitivo, numa decisão, ao mesmo tempo combativo e atraente. Basta não ser refém do medo, como não o foram Luxa e Mancini.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais
Tags: Keirrison, Kléber Pereira, Neymar, Palmeiras, Santos, Vila Belmiro
19/03/2009 - 00:08
Na conta do chá – belo passe de Jean, que Borges, sempre ele, aproveita de canhota no ângulo -, o São Paulo foi a Montevidéu e volta com uma preciosa vitória sobre o Defensor.
De resto, foi aquele tédio de sempre: o Tricolor lá atrás, defendendo-se de um time de qualidade discutível, mal conseguindo trocar dois passes além da sua própria intermediária, Rogério Ceni pegando bolas vesgas, e seja lá o que Deus quiser.
E Deus quer, pelo visto.
Já o Cruzeiro, mesmo sem exibir aquela bola redondinha de hábito, bateu o Sucre por 2 a 0, dois gols de Wellington Paulista. Mas, ali tem, e o Cruzeiro tem muito mais a apresentar.
Enquanto isso, na Copa do Brasil, o Santos, de Neymar e Kléber Pereira pela primeira vez juntos, goleou, mesmo sem exibir um futebol de gala. Mas, o bastante, ao menos, para que o torcedor peixeiro bote fé nesse ataque que ainda dará muito o que falar.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores
Tags: Borges, Cruzeiro, Defensor, Jean, Kléber Pereira, Mineirão, Neymar, Santos, São Paulo, Vila Belmiro, Wellington Paulista
03/02/2009 - 16:49
O Santos, que perdeu para o Ituano, num jogo inusitado de sete bolas nas traves (seis disparadas pelo Santos e uma pelo Ituano), enfrenta amanhã o São Caetano, na Vila, com direito a re-estreia de Léo, lateral canhoto destaque daquele timaço de Robinho, Diego, Elano, Renato e cia. bela.
Não sei como anda Léo, que passou esse tempo todo no Benfica, entre altos e baixos. Se ainda tiver a mesma flama, a mesma velocidade e técnica dos seus tempos da Vila, será, sem dúvida, a alternativa pela esquerda perdida com a queda de ímpeto de Kleber, que já se foi, e a chegada acanhada de Triguinho.
De resto, conta a volta de Fabiano Eller, que faz uma falta danada lá atrás e a esperança de maior entrosamento de Bolaños com Kleber Pereira, lá na frente.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros
Tags: Diego, Elano, Fabiano Eller, Kléber, Kléber Pereira, Léo, Renato, Robinho, Santos, Vila Belmiro
25/01/2009 - 20:20
O Corinthians, sem Douglas e Jorge Henrique, foi a Bragança e arrancou uma vitória apertada, no placar, mas que não reflete o universo de chances perdidas pelo Timão: 1 a 0, gol de Lulinha.
Mas, isso não quer dizer que o Corinthians chegou a praticar aquele futebol envolvente que dele se espera. Ao contrário: foi um time convencional, sem brilho nem, fluência.
Assim como o São Paulo, que, no Canindé, meteu 2 a 0 na Lusa, dois gols do estreante Washington. Valeu pela força na marcação, pela disciplina tática da equipe, mas não fez nada que empolgasse, como de hábito, diga-se.
Quanto ao Santos, que fez um péssimo primeiro tempo contra o Noroeste, em Bauru, valeu a espetacular virada no segundo tempo, quando o técnico Márcio Fernandes avançou seu time e Souto e Kleber Pereira, de pênalti, garantiram a liderança por pontos para o Peixe.
Mas, tudo isso é ainda apenas o começo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais
Tags: Bauru, Bragantino, Corinthians, Douglas, Jorge Henrique, Kléber Pereira, Noroeste, Portuguesa, Santos, São Paulo, Washington