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Posts com a Tag Kaká

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 Futebol internacional | 19:18

SE NE VA KAKÁ?

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Desconfio que, se Kaká e seus representantes praticam aquele velho joguinho de arrancar do Milan um reajuste à altura da importância do craque para o clube, Berlusconi, o Duce lombardo, que, apesar da notória intimidade com a fortuna, sente uma coceirinha no bolso.

Afinal, fala-se em coisa de 140 milhões de euros oferecidos pelo Manchester City para os cofres do rossonero, que, nestes tempos de crise mundial, ganham alturas imensuráveis.

É desses bondes de ouro cravejado de diamantes que passam uma única vez na vida dos mais afortunados. Tanto para o Milan quanto para Kaká, que passaria a faturar, dizem, 1,6 milhão de reais por semana. Repito, por extenso: um milhão e seiscentos mil  reais por semana, nos próximos, digamos cinco anos. Equivale a, sei lá, uma mega-sena acumulada por mês, vezes cinco. Faça a conta.

Mas, onde a coisa empaca?

Em primeiro lugar, no cotejo entre um clube de tradição sólida, milionário desde antes Berlusconi dar o primeiro vagido, e um velho cavaleiro britânico que passou o século tentando escapar da Segunda Divisão, não é preciso dizer quem leva maior vantagem.

Aliás, a maior tradição do Milan, além de estar sempre no proscênio do futebol mundial, é a de cultivar seus ídolos até a morte. E Kaká é um dos mais caros ídolos desse time na história, embora curta seja sua presença em San Siro. Se quiser, fica no Milan para o resto da vida, mesmo depois de pendurar as chuteiras, num cargo nobre e bem remunerado, ele que já deve ter amealhado grana suficiente para não se preocupar com o futuro de seus netos.

Aí, meu, o cara fica nessa situação:  jovem de fina estampa, amado e reverenciado como um rei na sua aldeia, estará disposto a trocar os prazeres de Milão pela aridez de Manchester?

Mais do que isso: o que é o Manchester City, hoje em dia? É um clube sem nenhuma expressão, a não ser pela longa vida, que pretende ser o maior do mundo, graças aos caprichos de um príncipe árabe movido a petrodólares, que tem aquele mesmo Kia da MSI-Corinthians, de tão malfadada lembrança, como interlocutor.

Dá pra se atirar de cabeça numa aventura dessas?

E, se amanhã, o príncipe cansa do brinquedinho e tira seu time de campo?

Já me referi aqui ao livro do jornalista americano Steve Coll Os Bin Laden, que conta a saga de uma das famílias mais ricas do Oriente Médio e do mundo. São tão intrincados os negócios dessa gente, tão variados e oscilantes seus investimentos, que eles passam décadas no limiar entre o nirvana financeiro e a bancarrota. Perdem bilhões, ganham bilhões, e ninguém é capaz de capturar com certeza a fonte e o escoadouro desse manancial de grana que corre daqui pra lá, de lá pra cá.

Imagino que Kaká e seus conselheiros estão pesando tudo isso.

E o que vier será o que teria de vir. Digamos, o kismeth.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO, NA ESPERA
  2. EMOÇÃO NA ILHA
  3. BARÇA, O MAIÓ!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 Ex-jogadores | 15:48

O MUNDO COLORIDO DO NOSSO FUTEBOL

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 Por Milton Trajano

Um dos episódios mais marcantes da pequena obra-prima de Ugo Georgetti – Boleiros – é aquele em que meu chapa Aldo Bueno encarna o personagem de Paulinho Majestade, ex-craque famoso do Santos e da Seleção, negro altivo e elegante como o futebol que praticara pelos campos do mundo, que se nega a exibir a miséria em que passou a viver depois dos aplausos.

É uma história emblemática, com os dois pés fincados na pura realidade dessa secular relação entre o negro, o mulato, o cafuzo brasileiro e o futebol, ponto de fuga (e muitas vezes de retorno) para o salto que o distancie de vez da miséria atávica a que foi condenado desde sempre.

Mas, não pense o amigo mais desavisado que essa saída lhes foi concedida de mão-beijada pelo sinhôzinho de plantão, não. Esse escape foi cavado com os pés, o engenho e a plasticidade dessa gente bronzeada, como dizia o baiano Assis Valente, na marra e na manha, pois, de início, negro não tinha vez no futebol brasileiro.

Para entender essa história, tim-tim-por-tim-tim, tente achar um volume de O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho, um dos pilares da bibliografia esporiva deste país. É desses livros que deveriam ser reeditados todos os anos e distribuídos nas escolas.

Então, o amigo se encontrará com negros, mulatos e cafuzos, como Domingos da Guia, Fausto, a Maravilha Negra, Leõnidas da Silva e tantos outros, que peitaram cartolas e autoridades para impor seus valores.

Outros, tiveram que se humilhar, escondendo sua cor sob disfarces patéticos, para driblar os botinudos do racismo explícito. Uns, escamoteavam a carapinha sob redinhas ou gorros, enquanto outros cehgavam a passar pó-de-arroz no rosto, como no caso de Geraldo, que, ao trocar o América do Rio pelo Fluminense, nas primeiras décadas do século passado, acabou pregando no Tricolor o apelido de Time Pó-de-Arroz, o que virou um símbolo, diga-se, das Laranjeiras.

O fato é que, já na primeira década do Século 21, ainda a arte, a inteligência e a força dos negros e mestiços de todos os matizes, continuam comandando a massa nos campos de futebol. Pra cada Kaká, temos aí um Romário, um Ronaldo Fenômeno, um Rivaldo, um Ronaldinho Gaúcho, pra ficarmos com os últimos brasileiros eleitos melhores do mundo em anos recentes.

E, pra fechar esse tributo ao Dia da Consciência Negra, premita-me o amigo escalar aqui uma seleção de negros, mulatos e cafuzos que me encantaram com seu jogo plástico ou cerebral, mágico ou eficiente, ou tudo isso junto: Barbosa; Djalma Santos, Aldair, Djalma Dias e Júnior; Bauer, Zizinho, Didi e Pelé; Garrincha e Leônidas da Silva. No banco, Veludo e Dida; Cafu, Júlio César, Juan e Roberto Carlos; o curinga Lima, ´Jair Rosa Pinto, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo; Ronaldo Fenômeno e Romário.

E, comandando a trupe, com seu megafone, montado em uma escada à beira do campo, feito um Cecil B. de Mille retinto, o Moço Preto, Gentil Cardoso.

Quem quiser, que faça outra. Há ainda uma infinidade de talentos coloridos que merecem tais louros.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 Seleção Brasileira | 23:06

ASSIM, SIM!

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Nem Kaká, nem Cristiano Ronaldo – a noite foi mesmo de Luís Fabiano, autor de três gols, e Robinho, motor do time, nesse belo espetáculo de futebol que se encerrou quando o placar apontava 5 a 2 para o Brasil sobre Portugal, no estádio de Gama, lá pelos 20 minutos do segundo tempo.

Sim, porque a partir daí iniciou-se o festival de substituições e o jogo perdeu a identidade. E o gol de Adriano, no apito final, foi apenas a cereja no bolo.

Mas, enquanto durou foi ótimo, já que os dois times buscaram o ataque o tempo todo e os gols foram se sucedendo naturalmente, vários em jogadas bem trabalhadas, coisa que não se via na Seleção Brasileira há séculos.

E Dunga? Pois foi muito bem Dunga, ao escalar o time com uma formação mais ofensiva do que a habitual, o que possibilitou a vibrante exibição do Brasil.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. FESTA PARA O REI E O DELFIM
  3. PRA FRENTE, DUNGA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 18 de novembro de 2008 Seleção Brasileira | 23:22

PRA FRENTE, DUNGA!

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No treino da véspera, Dunga revelou um desejo inusitado de botar o Brasil pra frente. Pra frente, é nosso destino, mesmo porque mais atrás impossível, histórica e tecnicamente.

Enfim, Dunga, na primeira parte do treino, escalou seu time, do meio-de-campo em diante com Gilberto Silva, Elano, Kaká, Anderson, Robinho e Luís Fabiano. Sim, sei bem que Gilberto Silva destoa. Mas, dos males o menor, já que essa formação, se Dunga instruir seus jogadores no sentido de que, quando de posse da bola, os de trás passem pela linha da bola para dar alternativas ofensivas ao distribuidor, será grande a possibilidade de nosso time ter fluência ofensiva.

E, na segunda parte do treino, melhor ainda: Anderson recuou para o lugar de Elano e Diego entrou ao lado de Kaká.

Pra frente, Dunga! Mesmo porque esta, pelo visto, é sua última chance. Se ganhar opacamente, nada acrescentará a seu currículo. Mas, se perder jogando bem, grandes são as chances de salvar a cabeça, os dedos e os anéis.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. DUNGA E A GARRA
  3. FESTA PARA O REI E O DELFIM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 3 de novembro de 2008 Seleção Brasileira | 15:40

ESCALAR E ARRISCAR

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Dunga anunciou a lista dos convocados para o último jogo do Brasil no ano, um amistoso com Portugal. E lá estão, como novidades, a volta de Marcelo, do Real, à lateral-esquerda, e de Miranda, beque do São Paulo.

Marcelo foi um dos poucos que se salvaram da campanha olímpica, e joga numa posição carente desde o fim do ciclo Roberto Carlos. Não tem sido titular do Real, nas últimas rodadas, substituído pelo argentino Heinze, mas é jovem, bom de bola e merece ser melhor observado na Seleção.

E Miranda já deveria ter sido chamado há muito tempo, pois, trata-se de um zagueiro sólido, bem dotado tecnicamente, que faz poucas faltas e joga como recomendava a Enciclopédia do Futebol, mestre Nilton Santos – de pé.

Mas, tudo isso – o acerto ou desacerto nas escolhas dos 22 selecionáveis – passa a ser de certa forma irrelevante, a partir do instante em que o técnico escala o time titular e dá-lhe este ou aquele formato, infundido-lhe este ou aquele espírito tático.

Ele pode até escalar um time desabrido no papel, com jogadores de vocação ofensiva e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, se determina que a zaga não deve adiantar sua marcação além de três metros da grande área, se orienta seu meio-campo a estar com, pelo menos três aquém da linha da bola etc., o jogo certamente não fluirá com a agressividade sugerida pelo talhe técnico dos jogadores que estão em campo.

Nos tempos de um Zizinho, um Didi, um Gérson, para citar apenas três grandes maestros do meio-de-campo que uniam à técnica exemplar um poder de liderança ímpar, eles mesmos tratavam de remediar em campo o malfeito, e técnico nenhum no mundo os peitaria por isso.

Traduzindo: a imensa maioria dos jogadores atuais passa a sensação de que não tem iniciativa para mudar o estilo e o ritmo de uma equipe. Entra em campo, com a receita embaixo do braço, e tenta cumprir à risca o que lhe foi determinado. Em suma, fiz a minha parte, como o professor mandou, o resto é com eles.

Perceba o amigo a incoerência disso. Em nome do espírito de equipe, do grupo, do tal futebol solidário de resultados, estimula-se, por vias indiretas, o mais alto grau de individualismo, justamente no seu sentido mais negativo, aquele que nega a criatividade e a capacidade de interatividade da equipe, sob um comando real em campo, não o virtual, fora do campo. Apenas defende seu pirão.

Como resultado, temos esse futebol burocrático, insosso, chato, inconseqüente, apresentado de hábito pela nossa Seleção, o que acaba provocando o desinteresse do torcedor pelo time.

Esse desinteresse, na verdade, não é porque os jogadores vivem lá fora, nadando em dinheiro, e por isso perderam o amor pela camisa, o hino pátrio, o prazer de jogar bola e tantas outras baboseiras do tipo tão recorrentes na mídia e na opinião pública hoje em dia.

Isso contribui, sim, para um certo individualismo, mas de outro porte. O jogador de futebol, hoje, é uma empresa, cercada de tantos aparatos (empresários, assessores de imprensa, advogados, acólitos etc.) que tende a se isolar numa bolha de proteção. Mas, quando entra em campo, é outra história. Quer ganhar, fazer jogadas deslumbrantes, marcar gols históricos, volta, enfim, a ser menino da periferia, pobre e sonhador.

Mas, aí, baixa a tal da responsabilidade. Não pode errar, não pode contrariar as instruções do professor, não pode isso, não pode aquilo. Simplesmente, não pode mais do que pode.

Há, sim, os que arriscam quebrar o script. Um Kaká, de repente, arranca com a bola nos pés; se sai o gol, é o maior, mas se perde a bola no último drible, é um individualista que só pensa em fazer seu nome. Robinho sai por aí pedalando. Se acerta a jogada final, é gênio; se erra, um firuleiro inócuo. Mas, são poucos, raríssimos, os desse time. A maioria prefere não errar. E a melhor maneira de não errar é não arriscar, como se futebol não fosse um jogo, portanto, intrinsicamente, um risco permanente.

Tudo para que o professor, na entrevista coletiva após o jogo, exiba a cartela de resultados. Olhaqui: ganhamos mais do que perdemos. Como se o futebol brasileiro, com uma só perna, não ganhasse mais do que perdesse, ao longo de mais de século de existência.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. DUNGA E A GARRA
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terça-feira, 28 de outubro de 2008 Futebol internacional | 15:51

RONALDINHO, NA ESPERA

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Foi um papo agradável e elucidativo com Ronaldo Fenômeno, no Bem, Amigos, na volta do Galvão Bueno. Agradável porque o craque não foi nem dissimulado, nem esquivo: respondeu com humor e precisão, driblando-nos com suas pausas tranqüilas entre as frases, a todas as questões levantadas.

Resumindo o papo: se recuperar mesmo sua forma física, prefere recomeçar a carreira no Flamengo, seu time de coração; criticou a organização do Brasil na Copa de 2006, mas não tirou o corpanzil fora da reta; elegeu Kaká o melhor do mundo e garantiu que apenas sua mulher não o deixa esquecer da lambança daquela noite fatídica. Já passou. Na verdade, tudo passa. Só Ronaldo ainda está na expectativa.

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