09/10/2009 - 18:56
Parece que Dunga já definiu seu time para o jogo contra a Bolívia, a julgarmos os dois coletivos recentes na Granja Comary.
Nesse caso, dois são os pontos básicos: a passagem de Daniel Alves para o meio de campo, ao lado de Josué e Ramires, e a experiência com Diego Souza no lugar de Kaká, titular indiscutível.
A primeira, já foi alternativa de Dunga em vários jogos, e, talvez, se justifique pela enorme reserva energética do baiano, capaz de dobrar o problema da altitude. A segunda, uma escolha sábia para eventuais ausências de Kaká.
Afinal, nem Elano, nem Ramires, nenhum dos convocados anteriormente, tem um perfil técnivo capaz de substituir o titular. Era um dos poucos equívocos de Dunga em suas convocações. Quem sabe, Diego responda à altura. Espero.
Enfim, é esperar pra ver.
Assim como é de se ver como o Peru reagirá diante da Argentina, no jogo de Buenos Aires, dramático para os hermanos.
Sempre sobrará a lembrança amarga daquele jogo de 78 que nos impediu de decidir o título com a Holanda.
Eu estava lá, e nunca me esquecerei da entrada dos jornalistas peruanos na sala de imprensa, chorando e nos pedindo desculpas pela atuação ignóbil de sua seleção. Tempos depois, o ditador Alvarado condenou vários jogadores daquela equipe, e vários foram os testemunhos de jogadores peruanos, nos tribunais e na mídia, confessando a tramóia.
Mas, isso foi há mais de trinta anos. E não seria justo duvidar, hoje, dos peruanos, que, imagino, jogarão o que podem, o que não é muito, convenhamos.
Pelo sim, pelo não, porém…
BRASILEIRÃO
O grande clássico da rodada, sem dúvida, é o que será travado no Maracanã, entre Flamengo e São Paulo. Pois, os dois têm muito a perder e a ganhar.
Neste exato momento, o Flamengo dá sinais de estar melhor do que o São Paulo, embora a classificação na tabela diga o contrário. Além do mais, o Flamengo joga em casa, calculo, diante de uma multidão delirante.
Ah, mas o Mengão não terá Adriano, seu artilheiro e do campeonato, dirá o amigo mais cético. É verdade, mas aconselho o amigo a não desprezar a capacidade ofensiva dessa equipe, com Pet, Denis Marques e Zé Roberto, que voltou a ser aquele atacante arisco e habilidoso dos tempos do Juventus, do Cruzeiro e, principalmente, do Botafogo.
Já o São Paulo estará muito desfalcado, outra vez, embora tenha bola para encarar o Fla, lá, de igual para igual.
Aliás, é a chance, tantas vezes desperdiçadas, para o Tricolor se aproximar do líder Palmeiras, que vai aos Aflitos pegar o Náutico, em jogo problemático, Muito mais pel0s problemas do próprio Palmeiras do que pela eventual força do adversário, que joga em desespero.
Não apenas pela ausência sentida de Diego Souza, mas, acima de tudo, pela forma como o técnico Muricy encara a alternativa para surprir essa ausência. Em vez de apenas escalar alguém, como Devyvid Saconni, cujo estilo mais se aproxima ao do titular, prefere mudar o esquema de seu time, que, em geral, não funciona, com três zagueiros e tal e cousa e lousa e maripousa.
Quanto ao Galo, que dizer? Trata-se de um clássico histórico com o Cruzeiro, o que é sempre imprevisível, independendo do estágo em que esteja este ou aquele. E, sem Tradelli…
Dos integrantes do G-4, o que está melhor, novamente, na foto é o Inter, que vem de vitória, e pega em casa o Furacão em recuperação, mas nem tanto.
Eis a grande oportunidade de o Colorado voltar pra valer pela briga do título.
Sub-20
Na verdade, há um erro semântico na denominação desse torneio mundial. Não deveria ser chamado de Sub-20, desde que jogadores com a idade de 20 anos dele participam. Sub-20 seria de 19 anos pra baixo. Na verdade, é Sub-21. Mas, enfim, como ninguém mais dá bola pra essas coisas, vamos ao que interessa.
O Brasil, que deu um show na última participação, pega a Alemanha, que penou para vencer a Nigéria.
Mas, é aqui que a porca torce o rabo. Embora, o time brasileiro seja, tecnicamente, muito superiro, precisa ficar ligado no fato de que alemão não desiste até o último segundo. Aliás, foi assim que a Alemanha se classificou diante da Nigérias e é assim que se conta a história desse poderoso futebol, em todas as categorias.
Há uma forte tendência de o futebol brasileiro, desde os meninos, de, fazendo o placar, se acomodar. Diante dos alemães, não pode. Tem de jogar, pra valer, até o fim.
Jogar até o fim, por sinal, foi a palavra de ordem da Itália, que acabou caindo fora diante da Hungria, por 3 a 2, no tempo agregado – regulamentar e prorrogação. Mesmo com um jogador a menos – e, num breve momento, com dois – os italianos foram raça pura. Começaram perdendo por 1 a 0, empataram, sofreram o segundo gol já na prorrogação, empataram, e, depois de várias chances perdidas, acabaram sucumbindo, no final.
O jogo, na verdade, foi um porre, tecnicamente. Mas, uma festa emocional. Entre outras coisas, porque a Itália foi a de sempre, aquele time que pratica o calcio, não o futebol. Marca muito, sua muito e não é capaz de inventar nada.
Por seu lado, a Hungria, cuja glória passada se baseou na chamada Escola Danúbio, de muito toque e técnica refinada, foi uma Itália em ponto menor: marcou, errou passes à beça e jogou pouco.
São os novos tempos, infelizmente.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira
Tags: Diego Souza, Dunga, Flamengo, Kaká, Mundial Sub-20, São Paulo, Seleção Brasileira
30/09/2009 - 23:58
Uma vitória como essa, sem dúvida, injeta uma dose extra de força moral na caminhada do São Paulo em disputa do título.
Depois de um primeiro tempo apático, em que foi plenamente dominado pelo Naútico, nos Aflitos – que perdeu um pênalti, abriu o placar com Bruno Mineiro, e ganhou um jogador a mais, com a expulsão de Jr. César -, o Tricolor transfigurou-se no segundo, e o jogo correu sobre o fio da navalha até o apito final.
O Tricolor voltou ligado, e, logo após a entrada de Hugo, Hernanes empata, de falta. E, apesar da expulsão de Richarlyson, vira o jogo no finalzinho, com Hugo, em passe medido de Oscar, o menino que mudou a cara do time nos minutos finais. E fatais, para o Timbu.

Charge de Milton Trajano
LIGA E MUNDIAL
Na Liga dos Campeões, o Real passou fácil pelo Olympique de Marselha – 3 a 0, com dois gols de Cristiano Ronaldo e um, de pênalti, de Kaká, enquanto Bayern e Juve empatavam por 0 a 0 e o Manchester United batia, de virada, o Wolfsburg, por 2 a 1.
A nota da rodada foi um dos gols de Cristiano Ronaldo: bola lançada, quicou na saída do goleiro, que saltou esperando o toque por cobertura do português, que, ao contrário, bateu rasteirinha. Simples, óbvio, genial.
Já no Mundial Sub-20, o Brasil não foi além de um empate sem gols com a República Tcheca. Claro: o único chute a gol dos dois times foi disparado por Alex Teixeira, o melhor em campo, que se chocou com o travessão. De resto, foi um tediosos toque-toque interminável.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Cristiano Ronaldo, Kaká, Liga dos CAmpeões, Mundial Sub-20, Náutico, Real Madrid, São Paulo
07/09/2009 - 16:46
Lamento, mas é preciso repetir essa ladainha, dia após dia, porque vivemos tempos em que apenas o resultado interessa, e boa parte da mídia e da opinião pública vai no embalo dessa onda sem olhar para os lados, pra trás, e, sobretudo, pra frente, onde, enfim, esse barco vai encalhar.
Futebol não é só isso. É, também, claro, pois o resultado está no cerne da competição. Mas é muito mais, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade. Caso contrário, não seria tão devastadoramente apaixonante, único esporte de massa praticado em cada palmo de terreno deste mundão de Deus, e que circula como tema em todas as áreas da observação humana: desde tratados acadêmicos ao bate-boca nas padarias.
Seria o mesmo que resumir o ato de viver no saldo da conta bancária de cada um de nós. Parodiando o Príncipe da Viola, o futebol não é só isso que se vê; é um pouco mais… Pois, no fundo, no fundo, o segredo do êxito do futebol está no fato de que ele é a mais completa representação do cotidiano de todos nós numa praça esportiva.
Aceitar que resultado é tudo e se basta em si mesmo é a maneira mais simplista e tosca de ver e sentir o futebol, eis a grande verdade que precisa ser repetida à exaustão para que não se perca o encanto desse jogo feito de maravilhas.
Nesse contexto, a Seleção Brasileira passa a ser um paradigma, uma das raras reinvenções do brasileiro que o mundo todo venera e teme, desde aquele distante dia em que os jogadores do Paulistano de Friedenreich desembarcaram na França para ser aclamados, dois jogos após, como Les Rois du Footbal (Os Reis do Futebol).
De lá pra cá, perdemos e ganhamos, mas nunca deixamos de encantar com nosso jogo revestido de brilho incomum, inimitável.
Na verdade, não foram os resultados que nos colocaram no trono do futebol mundial, mas, sim, o brilho de nosso jogo, que precedeu de muito a tantas conquistas, como, por exemplo, o Penta Mundial.
Por isso, é dever do crítico, aquele que conhece um pouco de nossa história e que visa espiar um pouco além do mero placar final, exigir sempre da nossa Seleção muito mais do que o simples resultado, embora jamais possa descartar este, claro, óbvio, indiscutível.
Nosso time já beirou, ao longo da história, algumas vezes, a perfeição. Como dizia Gilberto Gil, a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro… da Seleção. Nesse sentido, literalmente, Júlio César se encaixa nos versos do baiano ilustre.
Mas, dali pra frente, o que temos? Uma linha de defesa sensacional, um meio-campo desequilibrado, já que excessivamente defensivo, e um ataque fulminante. Isso basta para ganharmos de qualquer outra seleção do mundo que nos enfrente. Mas, não basta para cumprir aqueles nosso mais altos desígnios. Ou seja: vencer, brilhando.
Digo todas essas filosofices baratas para dar os parabéns a Dunga pelos incríveis resultados obtidos à frente da Seleção: as conquistas das Copas América e das Confederações e a classificação ao Mundial com antecipação inédita na história das Eliminatórias desde sua reformulação.
Mas, me reservo o direito de seguir exigindo do técnico brasileiro uma formação de time e um jeito de jogar mais compatível com nossa identidade. E olhe o amigo que ele está a um passo disso. Basta trocar um dos três volantes por um meia de ofício, ao lado de Kaká. Pronto, Fiat Lux!
E AGORA?
O amigo é testemunha que venho cobrando de Dunga a presença de, pelo menos, mais um meia nato para compor esse grupo vencedor. Alguém, no mínimo, capaz de revezar com Kaká, embora o ideal fosse que nosso elenco dispusesse de outros dois, além desse, com características mais de armação do que de chegada à área.
Não precisa ser um craque, um malabarista, nada disso. Apenas um sujeito do ramo, que saiba receber a bola de costas no meio-de-campo, girar e iniciar a trama de ataque. Mesmo porque no no setor de meio-de-campo do Brasil, com exceção de Kaká, não há craques, apenas bons ou excelentes volantes, de acordo com a visão de cada um. Basta listar: Gilberto Silva, Felipe Melo, Lucas, Elano, Ramires, Júlio Baptista, Sandro, sei lá quantos mais. Com disse, todos bons ou excelentes… volantes, mas nenhum craque-craque.
Agora, perdemos Kaká para o jogo com o Chile. Tudo bem: é festa no Pelourinho. Já estamos classificados e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, não podemos dar sopa pro azar, nunca!
Bem, temos lá Júlio Baptista, moço instruído, articulado, bom jogador, dono de vitalidade invejável, mas de técnica reduzida. Pode até entrar no lugar de Kaká e acabar com o jogo, isso faz parte de seu repertório, mas é jogar com a sorte, não com a razão.
Melhor seria ter por ali um Diego, que está matando a pau na Juve, depois de brilhante passagem pelo futebol alemão. Ou, se quiserem, o outro Diego, o Souza do Palmeiras, que vem sendo o melhor jogador do Brasileirão nesta temporada, não só pela força, mas, sobretudo, pela técnica.
Quanto a um eventual chamado para o ataque, onde só restaram Nilmar e Adriano (só?), bem que Dunga poderia chamar para o jogo com o Chile Diego Tardelli, cujo estilo é o que mais se aproxima do de Robinho: velocidade, movimentação e drible fácil, além de ser emérito goleador e estar em plena forma.
Mas, enfim…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Armadores, Diego, Dunga, futebol de resultado, História, Júlio Baptista, Kaká, Volantes
06/09/2009 - 00:27

Congelei na tela da tv o close de Maradona: os traços e a expressão lembravam uma daquelas máscaras mortuárias dos nativos andinos feitas para rituais mágicos e de sacrifício.
Exangue, pois toda sua energia se voltara para as vésperas do grande jogo, fatal para os argentinos: promoveu uma guerra psicológica contra os brasileiros, reuniu sua tropa, infundiu-lhes vigor pátrio, desafiou-os a entregar seus corações nessa partida, levou-os à igreja, fê-los ajoelhar-se aos pés da Cruz, acendeu uma vela a San Gená, conduziu Brasil e Argentina para o campo de Rorsário, onde a pressão seria maior do que no estádio de Nuñes, dançou um tango e jogou uma flor à estrela da manhã, nas suas primeiras cintilações.
Só não cuidou de dar um mínimo de segurança à sua defesa, que geme ao mais leve toque do adversário.
Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que nada fez para tanto, a não ser defender-se com precisão quase cirúrgica, enquanto os argentinos tomavam conta da bola de cabo a rabo da partida, sem, contudo, conseguirem levá-la à meta adversária. E, nas raras vezes em que o conseguiram, lá estava Júlio César, um paredão.
Sim, houve uma pálida oportunidade que deu certo – um disparo longo e certeiro de Datolo, no ângulo esquerdo de Júlio César. Mas, aí, la vaquita já se embrenhara no brejo até o pescoço.
Pois, o Brasil, ainda no primeiro tempo, em duas pontadas obtivera seus dois gols, em jogadas nascidas de cobranças de faltas por Elano. Na primeira, Luisão surge só e lampeiro para meter de cabeça. Na segunda, a bola espirra na barreira, cai nos pés de Kaká, na esquerda, que centra rasteiro, e, pebolim!, Luís Fabiano, livre e solto, empurra para as redes vazias.
E, para maiores pecados de Maradona e cia., os argentinos sequer tiveram tempo de celebrar aquele gol de Datolo, que prenunciava a virada épica, pois Kaká recebe na meia-direita, pela intermediária gringa, uma daquelas bolas solitárias que escapavam da nossas defesa, domina, mira e executa passe milimétrico para Luís Fabuloso tocar por cima do goleiro.
O amigo sabe que tenho a maior aversão por retrancas que enfeiam o jogo e enfumaçam o brilho de uma vitória. Mas, para tudo, há exceção. E a exceção foi essa retranca brasileira deste sábado luminoso. Afinal, não se tratava de um jogo qualquer, nem mesmo apenas um dos tantos clássicos com nosso mais feroz adversário. Resumia em si toda a campanha de quase quatro anos de Dunga à frente da Seleção e a conquista, com antecipação inédita, da vaga à próxima Copa do Mundo.
Ali, naquela hora, diante de um adversário cuja potência ofensiva é notável, não havia espaço para nenhum outro pensamento a não ser fechar todos os espaços. Sobretudo, depois de ter aberto dois gols de vantagem.
Ora, somos o único futebol do planeta que nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. E não seria agora que poríamos em risco mais essa láurea do brasileiro.
OS HERÓIS DO JOGO

Sem dúvida, Júlio César encabeça a lista dos heróis de Rosário, pelas três defesas sensacionais que praticou, duas, cara-a-cara.
Mas, ao seu lado, sem dúvida, Luisão, absolutamente imbatível, por baixo ou por cima. Além do mais, autor do gol que abriu caminho para a vitória. Pensando bem, passo Luisão para o topo da lista.
Seu parceiro, Lúcio, foi outro esteio, enquanto André Santos portou-se de forma tão magnífica, tanto defendendo como apoiando (muito menos do que habitualmente o faz, por força das circunstâncias), que dificilmente perderá a camisa titular para outro qualquer na Copa.
Por fim, Kaká, por ter estado na origem de dois gols e por ter sido o mais lúcido de nossos jogadores, embora longe de suas melhores atuações, o que é natural numa hora dessas. E Luís Fabiano, que, mesmo isolado pelo esquema e pela ausência de Robinho, cumpriu com louvor sua principal função. Ou seja, marcar gols, não um, que já seria de bom tamanho, mas, dois.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira, Sem categoria
Tags: Argentina, Júlio César, Kaká, Lúcio, Luís Fabiano, Luisão, Maradona, retranca, Zaga brasileira
02/09/2009 - 18:05
O Brasil terá Kaká, a Argentina, Messi, dois jogadores considerados os que podem desequilibrar uma partida de futebol. Mas, quem é melhor?
Ambos, responderia sem nenhuma inclinação para subir no muro. Ambos, porque os dois podem jogar juntos num mesmo time sem que a função de um se sobreponha à do outro.
Kaká é um tipo é um tipo esguio, destro, meia-ofensivo, que opera mais naquela zona difusa entre a armação e a conclusão, a partir do meio-de-campo, que, embora caia pelos lados de seu ataque, tem como principal arma a arrancada com a bola colada aos pés.
Messi, baixinho, canhoto, é senhor de uma habilidade invulgar, e uma capacidade inventiva rara. Mas, prefere mesmo atuar pelo lado direito de seu ataque, ainda que circule bem pelo campo, a partir da intermediária adversária.
Os dois finalizam bem e marcam muitos gols, de hábito, sem contudo, se caracterizarem por esse quesito.
Messi, na Seleção, não tem sido o mesmo do Barça. Ao contrário de Kaká, que, em geral, atua bem com a camisa canarinho. Mas, quem vai decidir esse jogo só os deuses da bola podem responder.
ÊTA, DIEGO!
Vejo o treino da Seleção em Teresópolis, coisa leve, e busco um meia que possa se alternar com Kaká, numa eventualidade dessas corriqueiras no futebol.
Lembro, então, da atuação de Diego, ex-Santos, pela Juventus contra a Roma, no estádio Olímpico. Esqueça os dois gols de Diego – um deles, súmula perfeita da escola brasileira de jogar bola: balançou duas vezes diante do beque, que esteve prestes a quebrar a coluna, antes de bater firme. E fixe-se apenas na atuação do craque ao longo da partida: soberba!
Sim, sei bem, que Diego, nas tantas vezes convocado, não chegou a brilhar. Mas, nas últimas apresentações também não decepcionou. Aliás, é preciso levar em conta que Diego é muito jovem – revelou-se naquele Santos campeão brasileiro, ao lado de Robinho, aos 17 anos. E isso foi outro dia.
O tempo passa, como dizia o saudoso Edson Leite, e o sujeito vai incorporando novos conhecimentos, novos conceitos, novas atitudes. Aos 24 anos, Diego é um jogador mais ativo; movimenta-se pelo campo com maior desenvoltura; fecha espaços, dribla e passa com maior segurança. Foi eleito por dois anos consecutivos o melhor estrangeiro da Alemanha, e, agora, na Juve, já virou ídolo.
Falo de dois centros muito caros ao técnico Dunga – a Alemanha e a Itália, onde o técnico brasileiro fez longa carreira -, tidos como os mais duros na marcação do planeta. De resto, a relação de Diego com a bola excede em muito à da imensa maioria da legião de volantes convocados.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Armadores, Diego, Kaká, Messi
08/08/2009 - 21:43
Claro, o peixeiro amigo está aí maldizendo seu time, que vencia por 2 a 0, já segundo tempo avançando, e acabou cedendo o empate para o Avaí. Mesmo porque o Santos perdeu umas duas chances de ouro para ampliar o marcador, sobretudo com seu artilheiro Kleber Pereira.
Mas, há que admitir a espetacular arrancada do Avaí, que somou na Vila sua oitava partida consecutiva sem perder, largando a lanterna outro dia para vir aquecer-se ao sol de muitas esperanças já lá pra além do meio da tabela.
E muito deve o Avaí, nessa espetacular. reação ao seu meia Marquinhos, aquele Marquinhos Paraná que surgiu anos atrás como grande revelação do futebol paranaense, mas que passou obscuro por São Paulo, Flamengo, uma dezena de clubes, para ressurgir agora no Avaí de Silas.
Marquinhos é um daqueles meias serenos, que sabem fazer a bola circular, quando não a metem na medida para um companheiro em posição de concluir na cara do gol, tão raros no nosso atual futebol. Nao é nenhum craque excepcional, nada disso. Mas, sabe jogar. Ou mais do que isso: sabe fazer seu time jogar.
Quanto ao Santos… Bem, ou Luxa volta aos seus antigos conceitos, ou irá seguindo nesse passo: um pra frente, um pra trás.
KAKÁ E EUSÉBIO
Kaká estreou no Real, na goleada sobre o Toronto, em amistoso preparatório para temporada européia prestes a se iniciar. Jogou só o primeiro tempo, não marcou nenhum gol, mas teve boa movimentação, entrando em sincronia com seus ilustres parceiros de ataque: Cristiano Ronaldo, Raúl e Benzema.
A propósito, vale esperar pra ver se o técnico Pellegrini vai apostar mesmo nesse quarteto ofensivo para os jogos de verdade. Será uma ousadia inusitada até mesmo para o futebol europeu que avançou muito nesse sentido nos últimos anos.
Já o Milan, que Kaká deixou outro dia, que desastre… Empatou por 1 a 1 com o Benfica no Estádio da Luz, é verdade, e só perdeu nos pênatis. Mas, não jogou um tostão de bola. Foi envolvido inteiramente pelo Benfica de Ramires, Aimar e cia. bela ao longo de toda a partida, e só não levou um saco porque a dupla de zaga Nesta-Thaigo Silva salvou tudo no último momento.
Nos pênaltis, o Benfica saiu vencedor, graças, entre outros, a Ronadinho Gaúcho, que havia entrado no segundo tempo e que desperdiçou sua cobrança, e ficou com a Taça Eusébio.
Kaká e Eusébio… De súbito, a linha da memória atravessa quatro décadas unindo um ao outro, pelas semelhanças e diferenças. As semelhanças: ambos, meias-ofensivos, destros, donos de arrancadas incontroláveis e um irrepreensível senso de profissionalismo. A diferença: Eusébio foi gênio, goleador implacável, que aduzia às arrancadas impetuosas uma capacidade singular no cabeceio; Kaká é craque, grande estrela, mas ainda não pode ser chamado de gênio.
Na verdade, de todos os imensos craques que vi em campo, Eusébio foi o que mais se aproximou de Pelé, no estilo e eficiência, embora entre um e outro haja um abismo.
Outra diferença: Kaká, neste futebol tão carente de meias-armadores, tem que ser arco e flecha, ponto de partida e de chegada, enquanto Eusébio teve atrás de si, tanto no Benfica bicampeão mundial, quanto na Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa da Inglaterra, a genialidade do passe mágico de Coluna.
De resto, é bola que segue, na esteira dos craques de ontem, de hoje, de amanhã, de sempre.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Avaí, Kaká, Manuel Pellegrini, Milan, Real Madrid, Santos, Vanderlei Luxemburgo
10/06/2009 - 16:21
Quando um chefe de Estado da importância de um Sílvio Berlusconi, o novo Duce da Itália e senhor absoluto do Milan, atribui a derrota nas eleições gerais de seu país aos escândalos matrimoniais e, sobretudo, à venda de Kaká para o Real, significa que uma das mais antigas civilizações do mundo está em crise séria.
É a quintessência do populismo de direita, que, em geral, costuma perdoar o chefão por seus pulinhos fora de casa, prova do machismo típico desses eleitores, afora os bolsões mais catolicamente conservadores. Mas, jamais perdoarão o ídolo caído.
Portanto, há de se concluir que a saída de Kaká do Milan teve importância maior no resultado das eleições italianas do que as estripulias de alcova do manda-chuva de plantão. Quer dizer: o pessoal vota como se participasse de um blog de futebol. Aliás, não foi por acaso que Berlusconi condicionou o negócio com o Real à divulgação oficial do fato para só depois das eleições. O bicho conhece seu eleitorado.
Traduzindo: a turma não vota no programa dos partidos, nos planos do governo, nada disso, mesmo porque isso não fez parte do repertório de Berlusconi e da fascistóide Lega Lombarda, que passou o tempo todo se defendendo de seus desvarios.
Quanto a Kaká, fustigado por críticas de Boban, ex-craque do Milan, e de grande parte da mídia, por ter declarado seu amor eterno ao Milan, antes de assinar com o Real, é bom lembrar que ele sempre condicionou sua permanência no rossonero ao desejo do clube em mantê-lo. Quem quis se desfazer de Kaká, em troco de uma grana sentida, foi o Milan, não Kaká.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Kaká, Milan, Real Madrid, Silvio Berlusconi
02/06/2009 - 17:18
Nesta noite de quarta, vamos conhecer os dois finalistas da Copa do Brasil, atalho mais suave para a Libertadores.
No Pacaembu, o Corinthians recebe o Vasco, precisando de uma vitória simples. Simples, não? Nem pensar, pois o Vasco está se encorpando nas mãos de Dorival Júnior, e, com esse Pimpão mais do que nunca pimpão e iluminado, ao lado de Elton, bom centroavante, com Carlos Alberto e Jefferson na armação, o Almirante chega com grandes chances de afundar o barco corintiano, já que o empate por mais de dois gols lhe assegura a ida às finais.
O Timão, porém, é mais time, mais escolado e justo. E terá Ronaldo Fenômeno lá na frente, o que representa o infinito.
Desconfio que, com o apoio da Fiel, dá Corinthians. Mas…
Já o Inter não terá sua vibrante torcida colorada a seu favor. Ao contrário: nesse quesito, o Coritiba dará de goleada.
Todavia, o Inter já pisa o gramado com uma vantagem significativa pela vitória categórica no jogo do Beira-Rio. Além do que, tem um elenco e um time bem mais afinado do que o Coxa.
KAKÁ MERENGUE
No exato instante em que Leonardo assume a direção técnica do Milan, anunciando que contará com Kaká e Ronaldinho para aplicar um futebol mais ofensivo na sua equipe, os jornais espanhóis dão como certa a transferência de Kaká para o Real, pela bagatela de 65 milhões de euros.
Acho pouco provável que o negócio mele, pois atende ao interesse duplo: do Milan, que está no vermelho, e de Kaká, que vê nessa negociação a possibilidade de multiplicar seu patrimônio e ainda por cima jogar num clube de ponta do mundo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Futebol internacional
Tags: Corinthians, Coritiba, INTER, Kaká, Milan, Real Madrid, Vasco
26/04/2009 - 12:38
Um time que tem, do meio de campo pra frente, Pirlo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Schevchenko, Inzaghi, Seedorf, Pato, sei lá quem mais, não pode, sob pena de lesar o futebol, se acomodar como o Milan o fez diante de um Palermo entregue, ao fazer o placar de 3 a 0, dois gols de pênalti de Kaká e um, de cabeça, de Inzaghi.
Veja se Barça, Manchester United, Arsenal, Liverpool, Chelsea, até mesmo o Real, renunciam à ambição de golear se a situação se apresenta como a deste domingo? Nem mortos! Ainda mais que o Milan precisa, desesperadamente, recuperar a grandeza perdida há um ano, por baixo.
Sim, claro, melhorou muito em relação ao que estava sendo nesta temporada, mas é evidente a falta de tesão do time – joga na medida do necessário, o que é pouco pelos recursos que tem.
E, bem, nesse quesito, ninguém supera Ronaldinho Gaúcho, que entrou no segundo tempo e ficou ali tentando tocar a bola de ladinho e nem isso conseguiu produzir com efeito.
Não sei o que se passa com esse rapaz, que, nesta quadra de sua vida – coisa de 28/29 anos de idade – deveria estar no auge da produtividade. Jogar bola, ele sabe, todo mundo sabe. Mas, simplesmente, passa a sensação de que abdicou disso.~
Não sei se há algum problema físico que tolhe seus movimentos, ou se apenas perdeu qualquer interesse no jogo.
O fato é que há três anos, no Barça e agora no Milan, não revela a mínima intenção de tentar, ao menos, recuperar seu estágio anterior. Uma pena, em nome do futebol.
Já o Arsenal, que bateu o Middelsbrough por 2 a 0, pelo Campeonato Inglês, exibe uma enorme vontade de golear, mas não consegue. Toca a bola com um refinamento semelhante ao do Barça, mas, na hora da conclusão… huuumm…
Tanto, que os dois gols foram feitos pelo volante-meia Fabregas, ambos fruto de belas tramas e invenções pessoais. É verdade que o artilheiro Adebayor passou a maior parte do tempo no banco, poupado certamente para o confronto do meio de semana, pela Liga dos Campeões.
Contudo, se não goleia, diverte, com seu toque-toque lépido e inteligente.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Arsenal, Chelsea, Inzaghi, Kaká, Liverpool, Manchester United, Milan, Pato, Pirlo, Real Madrid, Ronaldinho Gaúcho, Schevchenko, Seedorf
02/04/2009 - 00:19
Foi mais ou menos o que se esperava: adversário fraco, abatido pela pífia campanha que cumpre nas Eliminatórias, num cenário decorado em verde e amarelo, e um Brasil contido nos limites de uma vitória segura.
E assim, tocando a bola de cá pra lá, sem arriscar um tostão, a Seleção foi cozinhando o Peru em água morna, até que, num lançamento de Daniel Alves, Kaká é derrubado na área. Pênalti, que Luís Fabiano converte. O mesmo Luís Fabiano recebeu outro bom passe de Daniel Alves e guardou: 2 a 0.
O terceiro viria só no segundo tempo, numa jogada de força de Felipe Mello: em dois pés-de-ferro, surgiu diante do goleiro, quando deu aquela cavadinha esperta: 3 a 0.
Como? E Kaká? Não fez diferença alguma. Mas, aguentou até o fim, o que já foi um grande negócio.
Assim como as entradas de Pato e Ronaldinho Gaúcho, tão solicitadas, não chegaram a alterar o quadro geral do Beira-Rio. Mas, ambos tiveram muito pouco tempo para mostrar algo mais do que uma ou duas jogadas de categoria.
Resumindo: nem se pode execrar, tampouco exaltar, esse desempenho brasileiro, embora a vitória seja louvada, pois nos mantém em situação privilegiada na tabela das Eliminatórias.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Beira-Rio, Brasil, Daniel Alves, felipe Melo, Kaká, Luís Fabiano, Peru, Ronaldinho Gaúcho
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