Kaká | Blog do Alberto Helena Jr.

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Posts com a Tag Kaká

segunda-feira, 7 de março de 2011 Futebol internacional | 15:36

OS CAMINHOS DE KAKÁ

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O Milan anuncia que receberia Kaká com toda a pompa que merece o Príncipe de Milão, mas não na mesma circunstância, pois teria de baixar seu vertiginoso salário, no máximo, ao nível do que recebe Ibrahimovic, o mais caro do clube.

Kaká deixou uma legenda em Milão, com uma série de partidas memoráveis, desde sua surpreendentemente rápida adaptação ao futebol italiano. Chegou e abafou, e acabou sendo negociado por valor inconcebível com o Real, onde foi abatido pela séria lesão que carregava desde o início do ano passado, se não muito antes.

Levou meio ano se recuperando, e, a volta tem sido assim um tanto frustrante, intermitente: entrou em algumas partidas; numas, teve bons momentos; noutras, passou em branco.

Jornais espanhóis insinuam que Kaká e o técnico Mourinho já não se bicam. O craque, em seu twitter, desmente. Mas, o fato é que, por exemplo, o jogo do fim de domingo contra o Racing estava na medida para Kaká. O Real vencia fácil e dominava o jogo, sem correr maiores riscos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mourinho fez as três substituições de praxe. E, nada de Kaká.

Segundo a assessoria do Real, há um acordo entre o jogador e o técnico para que ele estenda seu período de recondicionamento atlético antes de voltar definitivamente à equipe.

Bem, pelo sim, pelo não, do jeito que está jogando o Real, mesmo em forma, não será fácil Kaká reconquistar uma vaga, por exemplo, no lugar do alemão Özil, que vem esmerilhando com aquela canhotinha hábil e inteligente.

Benzema voltou a ter a confiança dos seus tempos de ídolo francês, e passou a marcar gols após gols. Di Maria luta, articula, dá assistências essenciais e também faz seus gols. E Cristiano Ronaldo, obviamente, é intocável.

Mas, não pense o amigo que Kaká, numa eventual volta ao Milan, atual líder do Campeonato Italiano, teria vida mais fácil.

Lá, Robinho, Pato e Ibra dão as cartas e jogam de mão. São os artilheiros e aqueles que dão o toque de classe à equipe, num futebol onde abrir mão de três volantes é simplesmente um anátema.

Aliás, se varrermos com o olhar os grandes da Europa, veremos que não há lugar garantido para o estilo e a função de Kaká em nenhum deles.

Remeto-me, então, a uma conversa que tive com Kaká antes da Copa de 2006, em Teresópolis, quando, prevendo a trajetória que o destino lhe reservava, perguntei-lhe se não estava na hora de o craque ir pensando em se adaptar a uma nova função, a de meia-armador, aquele meia que joga um tanto mais atrás, descortinando o jogo para os companheiros. Posição de que o futebol brasileiro, sobretudo, carecia e muito.

Afinal, ele tem técnica e inteligência para tanto. E, carregando a bola em rushes vertiginosos estaria mais exposto a sérias contusões.

A resposta de Kaká foi enfática: de jeito nenhum!

Quem sabe não esteja na hora dele repensar a respeito, hein?

Ataque a Felipão

Leio que há, nas entranhas do Palmeiras, uma frente unida contra Felipão e todos os altos custos assumidos pelo clube em vários departamentos. Mas, só vejo o nome de Gilto Avallone sendo citado a respeito.

Ora, conheço Gilto de outros carnavais. Durante um par de anos dividimos a mesma mesa do restaurante Giovanni Bruno, ali na rua Martinho Prado, ao lado do Rayola, do Primo e tutti quanti. Buona gente, mas um corneteiro irreprimível, atávico, genético, da velha banda de cornetas do Parque Antárctica.

Sempre está na oposição, seja qual for a situação. E, embora estridente, sua corneta não soa como a flauta de Hamlin. Não congrega, não agrega. Mas, agita (quase escrevi agilta).

E agita porque o Palmeiras está realmente nessa encruzilhada: afundado em dívidas, ou consegue obter um aporte imensurável de grana com possíveis investidores, ou terá de reduzir drasticamente seus custos.

E essa decisão cabe ao recém empossado presidente, Arnaldo Tirone Filho, que está como aquele menino holand~es, com o dedo enfiado no buraco do dique fatal.

Barça e Arsenal

Já disse e repito que o destino foi ingrato ao escolher por sorteio que Barcelona e Arsenal se cruzariam nesta fase da Liga dos Campeões. Ambos, que praticam o futebol mais agradável de se ver, deveriam decidir o título, isso, sim.

Mas, que fazer?
No Emirates, no jogo de ida, o Barça ganhava por 1 a 0 e tinha o controle do jogo, até tomar a virada, no fim, bem ao estilo inglês que, desde os tempos da Rainha Virgem, até o minuto final, não se curva à Esquadra Invencível.

O Barça, porém, não é de entregar o ouro espanhol antes da hora. Joga em casa, e, embora não venha praticando o futebol dos sonhos nas últimas rodadas de seu certame, tem bola para revirar a situação, nesta terça-feira.

São dois times jogando diante do espelho. Ambos, valorizam a posse de bola, o envolvimento como tom maior, a marcação a partir do campo adversário e um futebol ofensivo por essência.

Desconfio que o Barça se safa dessa. Mas, é apenas uma desconfiança, baseada no fato de que o Arsenal, na hora H, mia. Pelo menos, tem sido assim. Não sei seguramente se será. Mas, que vença o melhor. Qualquer um deles será uma celebração ao melhor futebol.

Notas relacionadas:

  1. KAKÁ E O DUCE
  2. O QUE HÁ COM KAKÁ?
  3. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

sábado, 15 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional | 22:17

TIMÃO E TRICOLOR, IGUAIS

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Timão e Tricolor começaram bem, mas não excepcionalmente. Também, não era pra ser diferente. Afinal, os times grandes de São Paulo não tiveram o mesmo tempo de preparação dos pequenos. E, no futebol atual, o quesito força passou a ser muito mais importante do que o era antigamente.

O Corinthians passou pela Lusa, no primeiro clássico paulista do ano, por 2 a 0, com direito a gol olímpico de Roberto Carlos, que, segundo ele mesmo, levou 25 anos para executar essa jogada com êxito.

Há quem reclame a volta ao campo de Paulinho, no exato momento da cobrança. Nada a reclamar. O meu querido Arnaldo César Coelho já repetiu à exaustão no Bem, Amigos, que o jogador pode voltar a campo, sem autorização do juiz, na sequência da jogada. Foi o que aconteceu.

A par disso, em cobrança de corner não há impedimento. Está na lei.

De qualquer jeito, o Timão foi melhor, ainda que ligeiramente, e mereceu a vitória.

Assim como o São Paulo, que venceu o Mogi, lá, também por 2 a 0, na volta de Marcelinho Paraíba, que deu novo ânimo à equipe no segundo tempo, além de finalizar o placar, de cabeça.

Mas, isso tudo é só o começo do início.

Peixe goleia

O campeão  meteu 4 a 1 no redivivo Linense, que há cinquenta e cinco anos não frequentava os campos de elite do futebol paulista. Mas, cá entre nós, não jogou à altura do placar.

Soube aproveitar bem as chances que criou ou surgiram, ao contrário do Linense, que pressionou mais, sem conseguir chegar lá na mesma proporção.

Até isso, contudo, favorece o Peixe. Sim, porque se jogando com, sei lá, dez desfalques, e sem render tudo o que sabe, imagine quando estiver completo e nos trinques, fisicamente.

Já o Palmeiras, nem jogou bem, nem criou chances, tampouco conseguiu mexer no placar diante do Botafogo de Ribeirão, no Pacaembu, que empacou no zero a zero.

No fim, a pequena torcida verde que se aventurou ao estádio clamou em coro o famoso “Queremos jogadores!”.

Mas, isso, só depois das eleições no clube, que serão realizadas na semana entrante. Se der…

Robben e Kaká

Dois craques que poderiam estar entre os cinco melhores do mundo, mas que praticamente perderam o ano no estaleiro, acabam de voltar aos campos.

O brasileiro Kaká e o holandês Robben, ambos baleados durante a Copa do Mundo e que só agora começam a se recuperar.

Kaká voltou ao Real, há três jogos, entrando no segundo tempo e deu sinais de plena recuperação, até fazendo um gol.

Robben teve sua chance neste sábado, no empate do seu Bayern de Munique contra o Wolfsburg, por 1 a 1, e foi a pedra de toque que despertou seu time amorfo no primeiro tempo com suas investidas inventivas e três disparos de canhota que quase chegam lá.

É sempre bom saudar a presença de craques desse nível em tempos tão sombrios.

Arsenal e City

O Manchester City assustou, de início, diante do Wolveshampton. Tomou um gol, levou certo sufoco, mas, em seguida, despejou um caminhão de melancias sobre o adversário: 4 a 1, que se reduziu para 4 a 3, num jogo lancinante.

Já o Arsenal não tomou conhecimento do West Ham, mesmo na casa do inimigo: 3 a 0, naquele toque-toque tradicional da era Wenger. O diabo é que aquele toque de bola hipnótico parece hipnotizar o próprio time do Arsenal, que vai tramando, tramando, entra na área e, na hora da finalização, continua tramando.

É a síndrome de Penélope á espera de seu Ulisses amado.

Copinha

Ufa, até que enfim os novos Meninos da Vila desencantaram diante do América de natal: 5 a 0.

Até agora, o Peixe, conhecido por sua usina de jovens promessas na Vila, vinha capengando na Copinha. Basta dizer que chegou à fase atual com um gol contra – e que gol contra!, o beque sozinho, de de frente para sua meta, dá uma puxeta que pega no bico da chuteira e entra no ângulo de seu goleiro.

Já o Flamengo passou na fita, vencendo o Cruzeiro, um dos favoritos do torneio, nos pênaltis, depois de empate por 2 a 2. Ambos são dois tradicionais reveladores de novos valores e a coisa toda foi briga de cachorro grande.

O Fla, ungido pelos últimos acontecimentos, segue em frente.

E, agora terá de cruzar com o São Paulo, outro que vem cumprindo magnífica campanha. Neste sábado, o Tricolorzinho venceu o Olé Brasil! Por 2 a 0, mas poderia ter feito mais uns dois, caso mantivesse o mesmo ritmo o jogo todo.

Será um jogaço, não tenho dúvidas.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, TRICOLOR E PEIXE
  2. OS HUMORES DO TIMÃO E DO TRICOLOR
  3. TIMÃO, INTER, MENGÃO E TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 4 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 15:03

RONALDINHO NA ENCRUZILHADA

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Ronaldinho, literalmente, está na encruzilhada de sua vida, talvez, a última em sua brilhante carreira. Aos 30 anos de idade, marca fatal para um craque que atingiu o ápice há quatro ou cinco anos, eleito o melhor do mundo por duas vezes, campeão mundial pelo Brasil, sem falar nos tantos títulos nacionais e continentais conquistados em seus tempos gloriosos de Barcelona, antes de tudo, o craque terá que conversar consigo mesmo para definir se quer mesmo tentar um salto derradeiro em sua carreira, ou deixar o barco vogar ao sabor dos ventos afortunados do passado.

Resolvida essa questão existencial, então, caberá escolher um dos três caminhos que se abrem à sua frente: o que o levará de volta ao calor do berço do Olímpico; o que o conduzirá aos braços de uma nação em vermelho e preto, na Gávea; ou aquele que lhe permitirá acrescentar mais uma pequena fortuna à sua já recheadíssima conta bancária, com possibilidade de se transformar num dos maiores ídolos do Palestra Itália de todos os tempos.

Até onde se sabe, a proposta do Palmeiras, financeiramente, é a mais tentadora, tanto para o Milan quanto para o agente do craque, seu irmão Assis.

Mas, o Flamengo, gente, é o Flamengo! Aquele abraço! Aquele embalo sem fim. As noites cariocas, sol, mar, o barquinho vai, a tardinha cai…

Contudo, nenhum dos dois participará da Libertadores, a grande vitrine continental, título que falta ao rico acervo de troféus de Ronaldinho. Além do mais, dos três que oferecem a mão ao craque, é justamente ao qual Ronaldinho tem uma dívida de gratidão, por sua traumática saída do time que forjou sua vida de craque e que ficou a ver navios na sua ríspida partida para o PSG.

Por fim, é o Grêmio aquele time mais ajustado tecnicamente e animado pela súbita e exitosa reação no Brasileirão, em que Ronaldinho cairia como a cereja no bolo, sem tanta responsabilidade de ser o salvador da pátria, papel que parece não se encaixar em seu perfil, diga-se.

Essa, pois, é a hora da verdade para Ronaldinho. Só espero que faça a escolha certa, para ele e os amantes de seu futebol inigualável, do qual todos sentimos saudade.

A volta de Kaká

Ele entrou aos 30 minutos do segundo tempo, quando o Real batia o Getafe por 3 a 1. E entrou, para minha surpresa, com tudo, dando aqueles piques pelo meio e pela esquerda que lhe fizeram fama e fortuna, além do título de melhor do mundo, nos tempos do Milan.

E por pouco não deixou sua marca nas redes do Getafe, numa bola que lhe enfiou de jeito o português Cristiano Ronaldo.

Kaká é um desses jogadores por quem a gente torce de graça, seja por seu talento indiscutível, seja por seu temperamento do qual a sensatez só se evadiu em dois lances: a associação já desfeita com aquela dupla suspeita do templo que frequentava e pela investida contra Juquinha, o Traquinas, na Copa da África, negando o que depois se confirmou: a lesão no joelho que o afastou por mais de meio ano dos gramados.

Mas, isso são águas passadas. Agora, é hora de celebrar a expectativa de que, com o novo ano, vida nova. Ou melhor: renovada, verdadeiramente.

Campeão reforçado

O campeão brasileiro, Fluminense, salta na frente dos demais candidatos brasileiros à Copa Libertadores, ao levar para as Laranjeiras dois jogadores preciosos: o goleiro Diego Cavalieri, que não sei até hoje por que cargas d’água não deu certo na Itália, onde arqueiros, como Doni, por exemplo, de menor talento conseguiram êxitos inesperados, e o múltiplo Souza, meia, volante, lateral, o que queiram que seja.

Ah, sim, e ainda estão engatilhados mais dois; Edinho, de extrema utilidade por poder jogar tanto de zagueiro quanto de volante de contenção, bem ao gosto de Muricy, e Araújo, aquele atacante driblador, incisivo, goleador, revelado pelo Goiás, anos atrás.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
  2. RONALDINHO, O MELHOR DA DÉCADA
  3. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 17 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Libertadores | 15:35

INTER, COM AS MÃOS NA TAÇA

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Não posso sequer imaginar o Inter perdendo o título da Libertadores em pleno Beira-Rio. E o Beira-Rio, tingido de vermelho, sem dúvida, estará pleno nesta noite de quarta-feira, quando o Colorado enfrentará o Chivas.

Antes de mais nada, porque o Inter é um time de primeira e está um aço, tanto na alma quanto na bola. Prova disso, a maneira descontraída e envolvente com que atuou na vitória sobre o Chivas, lá. Depois, porque o Chivas não chega a ser lá essas coisas, apesar da eficiente campanha no torneio continental.

Ânimo, Palestra!

Agora, sim, Felipão está no seu papel preferido: escudado na primeira vitória do Palmeiras sob seu comando, busca levantar o moral da tropa e conclama a torcida a apoiar com fé seu time na tarefa quase impossível de meter 3 a 0 no Vitória, no Pacaembu, e seguir em frente na Sul-Americana na noite desta quinta-feira.

Quase impossível porque, além da vantagem de dois gols, o Vitória é um excelente time, bem regido pelo veterano Ramón e com esse esperto Elkeson lá na frente.

Uma vitória, mesmo que não com o placar desejado, porém, já servirá para, pelo menos, manter em alta o ânimo da moçada. E esse é o grande entrave do Palmeiras, desde o final desastroso da temporada passada.

Que desânimo, Peixe…

Já o Santos, tão conturbado pelo assédio de outros clubes sobre seus principais jogadores, pega o Avaí, na Ressacada, nesta quarta, praticamente sem chances de seguir avante na Copa Sul-Americana.

Aqueles desastrosos 3 a 1 no jogo do Pacaembu, semana passada foram excessivos para a esperança de um time em plena turbulência, cheio de desfalques e medos. Isso, sem falar no valor do Avaí, que está ciscando no G-4 do Brasileirão desde o começo do campeonato.

Craques sensíveis

A reação de Ronaldo Fenômeno no seu twitter, apoiado por Kaká, revela como os jogadores atuais perderam o contato com a realidade: não há um ser vivo que duvide do talento de Ronaldo e de Kaká. Nem mesmo o poder de recuperação dos dois craques, sobretudo Ronaldo que renasceu das cinzas várias vezes em sua brilhante carreira. O que há é apenas a constatação do momento. E, neste momento, ambos estão fora de combate. Ponto.

Temporizo essa susceptibilidade excessiva, porque no passado não era bem assim.

Lembro que critiquei, pontualmente, gênios da bola como Carlos Alberto Torres, Rivellino, Zico, entre outros, e nunca nenhum deles teve uma palavra sequer de mágoa ou rancor. Aliás, somos amigos até hoje.

Técnicos do porte de um Oswaldo Brandão, um Zagallo, um Parreira foram alvos de muitas críticas deste cronista menor, e jamais me negaram um aperto de mão efusivo.

As coisa mudanrono munto, si mudarono, como dizia o carcamano interpretado pelo saudoso Vicente Leporace, no rádio antigo.

Notas relacionadas:

  1. INTER, VASCO E GALO
  2. INTER, LÂMINA AFIADA
  3. INTER EM SINTONIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sexta-feira, 9 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:57

AS CERTEZAS DE UM PATRIOTA

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Dunga, finalmente, abriu a boca, no Jornal da Tarde. Pra dizer que não se arrepende de nada e que repetiria passo a passo sua caminhada à frente da Seleção Brasileira. Por fim, exaltou o patriotismo demonstrado por seus jogadores.

Já disse um célebre pensador que o patriotismo é o refúgio dos velhacos. Entre outras coisas, porque toca a corda mais sensível de um povo, quando em crise, fazendo-a vibrar tão alto que ensurdece a razão.

Não digo que Dunga seja um velhaco, longe disso. Acho mesmo que crê piamente nessas coisas, em pleno século da globalização, em que os mais caros valores culturais de seu país são dilapidados vertiginosamente, sem que nem ele mesmo perceba.

Dentre eles, a escola brasileira de jogar futebol, que o próprio Dunga é um dos ícones da sua progressiva destruição.

Bem, pra quem não sabe se a escravidão e a ditadura militar foram mesmo um mal na história do Brasil, seu discurso final faz todo o sentido.

O CRAQUE DA COPA

A Fifa divulgou a lista dos dez candidatos ao título de melhor jogador da Copa. Nenhum brasileiro está lá inscrito.

Elano, Kaká e Felipe Melo

Veja bem o amigo: nenhum jogador da maior usina de craques do mundo, desde sempre, país que já escalou cinco melhores do mundo nos últimos anos: Romário, Ronaldo Fenômeno (duas vezes), Ronaldinho Gaúcho (duas vezes), Rivaldo e Kaká. Isso, porque a FIFA só elege quem joga na Europa. E, sem falar em Pelé, eleito o maior atleta do século XX.

O quer isso dizer? Quer dizer que não levamos pra lá craques suficientes para, ao menos, um deles entrar na lista. Tirando-se Kaká, fora de forma, e Robinho, quem restaria, além dos zagueiros Lúcio e Juan?

Em contrapartida, a Espanha, que joga ao nosso desprezado estilo do passado, inclui Xavi, Iniesta e Villa, dois armadores e um goleador. E a Holanda, a outra finalista, está representada por dois meias de alto nível técnico e de muita habilidade – Robben e Sneijder.

Já a Alemanha, que disputa o terceiro lugar com o Uruguai de Forlán, um dos indicados, com toda justiça, pois carregou a Celeste na Copa em sua melhor performance das últimas Copas, tem dois escolhidos, dois meias de habilidade: Schweinsteiger e o menino Ozil (Muller merecia estar na lista, no lugar de Messi ou de Gyan, uma clara homenagem ao futebol africano e só).

Traduzindo: dos dez, sete meias (armadores ou mais ofensivos), exatamente o que nos faltou em meio à legião de volantes que Dunga levou para a África.

Justamente pelo que a mídia em geral – eleita por  Dunga  como a grande inimiga do Brasil -, implorou de joelhos ao técnico brasileiro, tão patriota e soberbo em  suas certezas incompatíveis com a realidade brasileira. E do mundo da bola.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. ASSIM, SIM!
  3. COERÊNCIA, SENSIBILIDADE E…ROBERTO CARLOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 28 de junho de 2010 Copa do Mundo | 17:30

VITÓRIA CATEGÓRICA

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Até que no comecinho do jogo, o Chile botou as manguinhas de fora, avançou suas linhas e tocou a bola no campo brasileiro por alguns minutos.

Mas, bastou Gilberto Silva dar aquele disparo de fora da área, obrigando o goleiro a jogar para escanteio, e nosso time tomou o controle da partida. Pelo menos, o controle do espírito do jogo, pois a bola seguiu dividida entre ambos.

Aos 27, porém, Lúcio sofre pênalti que o juiz não deu. Não deu? Pois tome esta: corner da direita, Juan alcança as nuvens e mete a jabulani nas redes, aos 34 minutos: 1 a 0.

E, três minutos depois, se tanto, Robinho recebe na esquerda, serve Kaká pelo meio, que, de primeira, coloca Luís Fabiano na cara do gol. Fabuloso limpa o goleiro e guarda: 2 a 0.

El Loco Bielsa só fazia abraçar uma virtual camisa de força, desesperado, enquanto Dunga vibrava do outro lado.

O fato é que Ramires e Daniel Alves, mais velozes e incisivos do que os titulares Felipe Melo e Elano, conferiam um apoio intensivo a Kaká, Robinho e Luís Fabiano, ao contrário de partidas anteriores.

Tanto, que coube a Ramires, logo aos 14 minutos do segundo tempo cortar uma bola no meio de campo e partir com a bichinha colada aos pés até a entrada da área inimiga, quando rolou para Robinho finalizar: 3 a 0.

A partir daí, placar definido, Dunga tratou de ir tirando o pó de alguns reservas como Nilmar, Kleberson e Gilberto. Saíram os três – Luís Fabiano, Kaká e Robinho.

Ah, sim, antes que passe em branco: que partidaço da dupla Lúcio e Juan, o que não é novidade, mas vale sempre ressaltar.

Agora, é respirar fundo e partir pra cima da Holanda, que o bicho não é tão feio como parecia, não.

Notas relacionadas:

  1. BOA ESTREIA, UFA!
  2. BELA VITÓRIA
  3. UM ENORME ZERO PARA OS DOIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 24 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 17:52

DÁ PRA GANHAR, É O QUE IMPORTA

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Direto de Johanesburgo – Nesta quinta-feira, em Durban, um treino leve e a quase certeza de que Elano está mesmo fora do jogo com Portugal, além, claro, das já proverbiais diatribes do técnico Dunga que pediu desculpas, não aos jornalistas ofendidos por ele (Alex Escobar e Carlos Maranhão), mas ao público em geral.

Ora, a massa tudo perdoa aos vencedores. Sobretudo, quando o ofendido foi o vizinho, não ela.

Mas, enfim, ao que interessa realmente: o Brasil tem tudo para passar por Portugal, mesmo sem Kaká e apesar de Dunga.

Primeira imagem

A imagem que me restou do primeiro encontro entre Brasil e Portugal foi aquela estampada em cores pela falecida Manchete Esportiva: o centroavante Gino, marcando o gol de bicicleta, no Estádio do Jamor, na excursão de 1956 que decretou a grande virada no futebol brasileiro, resultando na conquista de 58, na Suécia.

O gol foi uma beleza, mas o que mais encantou foi o gramado do Jamor, com suas largas listras verdes, esmeralda e musgo, alternadamente.

Hoje, isso é comum, até no Brasil. Mas, naquela época, em que nossos campos eram um lixo, a imagem calou fundo.

Afinal, o Pacaembu era um pasto, assim como a maioria dos campos brasileiros, com exceção, talvez, do gramado do Nacional, na Comendador Souza, sempre bem cuidado.

Lembro esse momento mágico da minha infância por causa de reportagem que li sobre o gramado do estádio de Durban, todo esburacado, a ponto de a Fifa proibir o Brasil de fácil o tradicional reconhecimento do campo de jogo.

Não dá pra entender que a Fifa, tão zelosa com as condições dos estádios a ponto de descartar, por exemplo, o Morumbi para a Copa de 2014, com tanta antecedência, não tivesse devidamente fiscalizado o estádio de Durban, com tempo necessário para evitar a realização de um jogo de Copa do Mundo num gramado devastado, justamente o piso, o palco, do espetáculo, enfim, o que de mais importante existe num jogo de futebol, além da bola e dos jogadores.

ITÁLIA, FORA

A Itália sempre vai tropeçando, tropeçando e chega lá. Desta vez, tropeçou, tropeçou e desabou diante da Eslováquia, um time de segunda, que só por sua própria incompetência permitiu que o jogo ganhasse contornos dramáticos no final.

Os eslovacos foram melhores, de cabo a rabo da partida. A não ser na ponta do rabo, quando permitiram aos italianos sonharem com a classificação. A Eslováquia havia aberto 2 a 0, com Vittek, mas não soube segurar a jabulani aos seus pés. Nem mesmo se aproveitar do desespero italiano, quando, por várias vezes, cercou a área inimiga com três contra três. Mesmo assim, ampliou para 3 a 1, já no fim da partida, com Kopunek, que acabar de entrar em campo, mas permitiu a Quagliarella reduzir, com golaço de fora da área.

Na verdade, esse time italiano é muito fraco. Seus dois únicos jogadores de alta classe são Buffon, que, machucado, ficou bufando no banco, e Pirlo, que só entrou no segundo tempo, quando a vaca já havia se afundado no brejo. Assim, é o segundo campeão do mundo que volta para a casa antes da hora.

HOLANDA E JAPÃO

Assim, a Holanda, que bateu Camarões por 2 a 1, vai pegar uma moleza na próxima fase. É verdade que a Holanda venceu, mas não encantou. Só desencantou depois que Robben entrou em campo, lá pelos 30 minutos, quando o jogo estava 1 a 1, gols de Van Persie e Eto’o, de pênalti. Afinal, Foi ele que meteu a bola no poste, que Huntelaar, no rebote, concluiu para as redes vazias.

Ao mesmo tempo, o Japão, jogando o fino, destruiu a Dinamarca, por 3 a 1, com dois gols de falta que marcam a passagem de Zico por lá. Que diria?

Notas relacionadas:

  1. GOLEADA COM RUGAS
  2. CRIATIVIDADE E EFICIÊNCIA
  3. BOA ESTREIA, UFA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 21 de junho de 2010 Copa do Brasil, Seleção Brasileira | 12:00

SAI KAKÁ. ENTRA…

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Direto de Johanesburgo – Dunga não é de inventar moda. Portanto, é lícito esperar que, no lugar de Kaká, suspenso, entre seu reserva imediato, Júlio Baptista, contra Portugal.

Kaká e Júlio Baptista não guardam entre si o mesmo estilo, todos sabemos. Kaká, em forma, mexe-se muito mais, incluindo suas descaídas para os flancos, como no lance que precedeu o gol de Elano contra a Costa do Marfim, é mais técnico e hábil do que Júlio Baptista.

Contudo, ambos têm algo em comum: as arrancadas com a bola nos pés desde o meio de campo, lance em que Júlio Baptista, neste exato momento da fase de recuperação de Kaká, pode oferecer algo mais do que o titular, por conta de suas melhor condição atlética.

O xis da questão, porém, nem é esse, do ponto de vista técnico ou físico. É algo que transita na fronteira do esotérico até: Júlio Baptista foi, num determinado momento do percurso da Seleção de Dunga, um talismã, um amuleto, aquele jogador de quem pouco se esperava que, de súbito, resolveu jogos decisivos.

Mas, se Dunga optar por outra solução, duas assomam a cena das especulações. A primeira, a entrada de Daniel Alves por ali. Não é jogador da mesma posição, mas, com sua movimentação, sua habilidade e seu chute forte de média e longa distância, pode quebrar um galhaço. A segunda, recuar Robinho para a meia e encaixar lá na frente, ao lado de Fabuloso, o lépido Nilmar.  Sobretudo, no caso de Elano não se recuperar daquela entrada criminosa do marfinense.

Ah, sim, sei, existe também a possibilidade de Dunga aproveitar Ramires, que, na definição do técnico, é meia, não volante, assim como Kleberson (?). Afinal, todos estão lá no grupo, e o grupo, como todos estão cansados de saber, é um só, unido e inquebrantável.

A GOLEADA DA COPA

Dificilmente teremos, ao longo da Copa, goleada como essa que Portugal aplicou na Coréia do Norte: 7 a 0, como quem toma um copo d’água na varanda de casa em fim de tarde de verão.

Foi um passeio que poderia ter culminado num placar estratosférico, pois, além dos 7 gols convertidos, os portugueses perderam mais um caminhão de melancias. Só Cristiano Ronaldo, que cansou de servir os companheiros, desperdiçou umas três oportunidades – numa delas, um tiro de longe, a jabulani foi certinho no ângulo esquerdo do goleiro, ainda pregado no chão, e no último segundo, a caprichosa bichinha balançou a cabeleira e chocou-se com o travessão.

Há quem veja nessa goleada estrondosa de Portugal a prova de que fomos péssimos na estreia contra a mesma Coreia do Norte. Discordo. Estreia é estreia, muito diferente do segundo jogo, quando a alma já está mais amansada pelo batismo.

De qualquer forma, isso, somado ao bom desempenho brasileiro contra a Costa do Marfim, reveste o próximo confronto, entre Portugal e Brasil, de uma expectativa extra, que transcende à mera disputa pela classificação, já obtida pelos brasileiros e praticamente definida para os lusitanos.

Notas relacionadas:

  1. ASSIM, SIM!
  2. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
  3. E SE KAKÁ MIAR?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 20 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:24

BELA VITÓRIA

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Logo ao primeiro minuto, Robinho escapa e dispara por cima, raspando o travessão. Parecia que esse seria o jogo: a Costa do Marfim, empurrada por Eboué e Yayá Touré no meio de campo, iria explorar o contragolpe rápido com Robinho, Kaká e Luís Fabiano, com o apoio de Maicon pela direita.

Mas, o tempo foi passando e os marfinenses mantiveram-se com o domínio da bola e dos espaços, embora não tivessem força nem habilidade para ultrapassar a firme defesa brasileira, onde Lúcio e Juan mantinham-se impecáveis, protegida com ciência, sobretudo, por Felipe Melo.

Kaká seguia perdendo passes e jogadas, enquanto Robinho longe estava daquele jogador cheio de truques a que estamos acostumados, o que deixava Luís Fabiano abandonado lá na frente, presa fácil da defesa adversária.

Sucede que justamente esses três definiriam o placar da primeira etapa, aos 24 minutos, quando Robinho, pela meia-direita serviu Luís Fabiano, que tabelou de calcanhar com Kaká para receber na frente e disparar um canhão no ângulo esquerdo de Barry: 1 a 0.


Fabuloso Luís
Quando parecia que o segundo tempo correria no mesmo leito do primeiro, entrou em cena, mais uma vez, Luís Fabiano, o nosso Luís Fabuloso: logo aos cinco minutos da etapa complementar, recebeu lá pelo bico direito da grande área inimiga, deu dois chapéus nos adversários que se atreveram a brecar-lhe os passos, ajeitou com o antebraço direito e bateu para as redes.

Golaço! O mais bonito até aqui na Copa. Tanto, que até o juiz, com um sorriso maroto, justificou o lance batendo no próprio peito, como se um lance desses não merecesse ser punido com toque: 2 a 0.

Bem, a partir daí, o Brasil se soltou, Kaká entrou finalmente no jogo, e, numa daquelas arrancadas pela esquerda que viviam nos últimos tempos apenas na nossa memória, cruzou para Elano ampliar o placar: 3 a 0.

Foi então que os marfinenses passaram a distribuir pancadas. E a primeira vítima foi Elano, que recebeu uma solada criminosa, cujo estalo ouviu-se em Pirituba – e não era o martelar do virtual estádio. Elano saiu de maca e em seu lugar entrou Daniel Alves.

Nessas alturas, o técnico Eriksson já havia desfeito o malfeito, botando em campo Gervinho, seu jogador mais hábil. E coube a Gervinho produzir o primeiro lance mais agudo de seu time. Arrancou do meio de campo e, quando se preparava, já na grande área para concluir, Juan corta espetacularmente. Mas, a bola ainda fica com Gervinho, que atrasa para um companheiro lançar na cabeça de Drogba: 3 a 1.

Aí, o tempo esquenta e, em poucos minutos, Kaká recebe dois cartões amarelos seguidos e vai para o chuveiro. Confesso que, pelo que vi e até segunda ordem, o segundo cartão não foi merecido.

De qualquer forma, era o momento, mais uma vez, de Júlio César dizer que veio, pois, em dois ataques sucessivos – um chute traiçoeiro de longe e um cruzamento fatal para Drogba – teve de livrar a cara da turma, com preciosas intervenções.

Há que se lastimar, claro, a perda de Kaká para o confronto com Portugal, justamente quando nosso craque dava sinais de que escapava daquele círculo de giz que o imobilizava há um bom tempo.

Mas, há, sobretudo, que saudar a bela vitória e a classificação inevitável para a próxima fase da Copa do Mundo.


ITALIA MIA!
Italia, Italia mia!, soltavam o dó de peito os antigos tenores italianos, em extensões inconcebíveis, há décadas substituídos pelos roufenhos declamadores atuais. Talvez, a Azzurra devesse recorrer aos velhos tenores pra ver se desperta nesta Copa em que caminha aos tropeços e se expressa num tom roufenho, quase inaudível.

Acaba de empatar por 1 a 1, creia, com a Nova Zelândia, seleção de quinta categoria, com todo o respeito. Jogou melhor, é verdade. Ou, pelo menos, teve mais posse de bola e criou duas boas possibilidades, além do gol de pênalti. Muito pouco, quase nada para um time com tantos galardões e história tão rica.

Sei bem que a Itália, em quase todas as Copas, é assim: tropica aqui, ali, mas acaba, no fim, celebrando uma campanha digna. Desta vez, porém, está exagerando. Mesmo porque sempre teve um ou dois craques que salvavam a pátria no momento decisivo, tipo Del Piero ou Totti, para citar os mais recentes. Mas, agora, nem isso.

Ao som da guarânia, o Paraguai vai fazendo bonito na Copa. Meteu 2 a 0 na Eslováquia, com a maior segurança. E, curioso, não foi aquele tradicional Paraguai retrancado, jogando no erro do adversário, nada disso. Jogou de peito aberto, criou suas chances e converteu as duas que lhe ofereceram de bandeja. Pelo visto, os sul-americanos, quebrando a tradição das Copas, caminham em bloco para a próxima fase.

Notas relacionadas:

  1. BELA VITÓRIA
  2. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  3. E A COSTA DO MARFIM?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 18 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 11:23

JOGADAS SECRETAS (?)

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Direto de Johanesburgo -  Outro dia, a Fifa passou um sabão na CBF por causa dos tais treinos secretos. Não por razões nobres, tipo direito à informação, transparência, essas coisinhas que elevaram o homem à condição de cidadão. Nada disso: a justificativa da Fifa era meramente mercantil – fechando os treinos, Dunga não permitia que a TV divulgasse os patrocinadores da Seleção e da Copa.

Logo, Dunga achou o meio-termo adequado: abriu para imagens quinze minutos de um treinamento inócuo, e fechou para todos a parte fundamental de seu exercício.

Quem sabe Dunga esteja preparando algo especial para surpreender a Costa do Marfim que não queira seja divulgado pela imprensa inimiga. Ou seja: nós. Algo além daqueles treinos todos que executou até agora à vista de todos, que, diga-se, nada tiveram de original. Além dos tradicionais bobinhos, treinos alemães, cruzamentos para a área, coletivos convencionais.

Nenhuma jogada ensaiada com a bola correndo, tipo, sei lá, fulano e beltrano trocam bola aqui e, de repente, Lúcio parte de surpresa e recebe ali para chegar à cara do gol. Vamos tentar uma vez, duas, três, quatro, até que a jogada seja devidamente assimilada por todos.

Essas coisas, quando acontecem – e acontecem – são, em geral, fruto do instinto dos jogadores, não de exaustivos treinamentos, secretos ou não.

De resto é aquela jogada de ultrapassagem do lateral, combinada como o meia, que Cláudio Coutinho sistematizou há mais de trinta anos.

Espero que, desta vez, a coisa tenha mudado de figura.

ROBINHO ARMANDO?

Robinho disse outro dia que topa assumir o papel de organizador de jogo do time  brasileiro.

Se bem pensado, no elenco atual, com Kaká rendendo muito abaixo do que sabe e pode, eis uma alternativa interessante. Aliás, já me referi a essa possibilidade tempos atrás: Robinho recuaria, digamos, para o lugar de Elano ou de Felipe Melo, passando Elano para a posição de segundo volante, neste caso (o mesmo se aplica na eventual saída de Gilberto Silva, ficando Felipe Melo na função de primeiro volante e Elano na de segundo, por exemplo).

E, ao lado de Luís Fabiano, o lépido Nilmar. Hipótese: Felipe Melo ou Gilberto Silva, Elano, Robinho e Kaká; Nilmar e Luís Fabiano.

Robinho, embora não seja um jogador cerebral, como a função exige, participa demais no combate ao adversário (é bom ladrão de bolas), movimenta-se muito, e sempre se posiciona em posição de receber a bola e dar sequência à jogada. E, se não é exemplar no passe, é capaz de surpreender com bolas bem endereçadas aos seus companheiros, como naquele gol de Elano contra a Coréia do Norte.

E não perderíamos suas proverbiais pedaladas lá na frente, porque Robinho é veloz e logo chega ao ataque, pelo meio ou pelos flancos.

É no que dá não termos um especialista no setor.

KAPUT!

A Alemanha, que estreou tão bem, goleando a Austrália, caiu diante da Sérvia num bom jogo de bola, por 1 a 0, gol de Jovanovic, um dos melhores sérvios, ao lado de Stankovic e Zigic, um grandalhão lá na frente, que faz bem o pivô, sobretudo de cabeça, mas não é bobo com a bola nos pés, não.

Em contrapartida, o craque alemão, Podolski, pode-se dizer, enterrou o seu time, ao bater nas mãos do goleiro pênalti cometido, surpreendentemente, por Vidic, um dos melhores zagueiros do mundo. Na verdade, Podolski não perdeu apenas o pênalti. Desperdiçou mais três grandes chances de empatar com a bola rolando.

É fato que a Alemanha, embora perdendo um jogo que teve três bolas na trave (duas da Sérvia) e muita movimentação, teve de superar a expulsão um tanto rigorosa de Klose, ainda no primeiro tempo. E, mesmo assim, teve o controle do jogo.

Caiu, mas não morreu, não.

SEM ZIDANE…

Ao longo destes quatro anos tenho dito aqui que a França campeã do Mundo e da Europa, na virada do milênio, era, essencialmente Zinedine Zidane, um dos mais inteligentes e talentosos jogadores que vi em campo até hoje.

Assim como havia sido nos anos 50 sob o comando de Kopa, e, nos 70, à sombra de Platini. Três craques extraordinários, que tiveram, sim, alguns companheiros de escol, como Fontaine e Piantoni, em 58; Trésor e Tigana, nos 70; e Blanc, Desailly, Henry, nos 90/2000.

Prova disso é que a França só conseguiu classificar-se para esta Copa com aquele gol absurdamente ilegal de Henry, em pleno declínio, onde cumpre campanha desoladora nesta primeira fase: um empate tedioso por 0 a 0 com o Uruguai e a derrota para o México, por 2 a 0, o que deixa os franceses com as calças nas mãos em seu grupo, pois basta Uruguai e México não passarem do meio do campo que ambos seguem em  diante e a França volta pra casa.

Talvez, o que desande a marmelada seja o temor de ambos – se é que existe – de enfrentar a Argentina na fase seguinte.

Mas, esse cenário me faz lembrar a Copa de 54, na Suiça, quando Brasil e Iugoslávia se defrontaram num jogo em que o empate classificaria os dois. O diabo era que os brasileiros desconheciam o regulamento, e se esfalfavam em campo, enquanto os iugs tentavam dizer-lhes para sossegar o pito.

O ponta Maurinho, interpretando os gestos dos iugoslavos como afronta, quis partir pra briga e quase foi expulso.

Ah, sim, o jogo acabou empatado e coube ao Brasil enfrentar a Hungria. No fim das contas, Maurinho estava certo.

Notas relacionadas:

  1. PRA FRENTE, DUNGA!
  2. BELA VITÓRIA
  3. AGORA, A ÁFRICA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

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