OS CAMINHOS DE KAKÁ
O Milan anuncia que receberia Kaká com toda a pompa que merece o Príncipe de Milão, mas não na mesma circunstância, pois teria de baixar seu vertiginoso salário, no máximo, ao nível do que recebe Ibrahimovic, o mais caro do clube.
Kaká deixou uma legenda em Milão, com uma série de partidas memoráveis, desde sua surpreendentemente rápida adaptação ao futebol italiano. Chegou e abafou, e acabou sendo negociado por valor inconcebível com o Real, onde foi abatido pela séria lesão que carregava desde o início do ano passado, se não muito antes.
Levou meio ano se recuperando, e, a volta tem sido assim um tanto frustrante, intermitente: entrou em algumas partidas; numas, teve bons momentos; noutras, passou em branco.
Jornais espanhóis insinuam que Kaká e o técnico Mourinho já não se bicam. O craque, em seu twitter, desmente. Mas, o fato é que, por exemplo, o jogo do fim de domingo contra o Racing estava na medida para Kaká. O Real vencia fácil e dominava o jogo, sem correr maiores riscos e tal e cousa e lousa e maripousa.
Mourinho fez as três substituições de praxe. E, nada de Kaká.
Segundo a assessoria do Real, há um acordo entre o jogador e o técnico para que ele estenda seu período de recondicionamento atlético antes de voltar definitivamente à equipe.
Bem, pelo sim, pelo não, do jeito que está jogando o Real, mesmo em forma, não será fácil Kaká reconquistar uma vaga, por exemplo, no lugar do alemão Özil, que vem esmerilhando com aquela canhotinha hábil e inteligente.
Benzema voltou a ter a confiança dos seus tempos de ídolo francês, e passou a marcar gols após gols. Di Maria luta, articula, dá assistências essenciais e também faz seus gols. E Cristiano Ronaldo, obviamente, é intocável.
Mas, não pense o amigo que Kaká, numa eventual volta ao Milan, atual líder do Campeonato Italiano, teria vida mais fácil.
Lá, Robinho, Pato e Ibra dão as cartas e jogam de mão. São os artilheiros e aqueles que dão o toque de classe à equipe, num futebol onde abrir mão de três volantes é simplesmente um anátema.
Aliás, se varrermos com o olhar os grandes da Europa, veremos que não há lugar garantido para o estilo e a função de Kaká em nenhum deles.
Remeto-me, então, a uma conversa que tive com Kaká antes da Copa de 2006, em Teresópolis, quando, prevendo a trajetória que o destino lhe reservava, perguntei-lhe se não estava na hora de o craque ir pensando em se adaptar a uma nova função, a de meia-armador, aquele meia que joga um tanto mais atrás, descortinando o jogo para os companheiros. Posição de que o futebol brasileiro, sobretudo, carecia e muito.
Afinal, ele tem técnica e inteligência para tanto. E, carregando a bola em rushes vertiginosos estaria mais exposto a sérias contusões.
A resposta de Kaká foi enfática: de jeito nenhum!
Quem sabe não esteja na hora dele repensar a respeito, hein?
Ataque a Felipão
Leio que há, nas entranhas do Palmeiras, uma frente unida contra Felipão e todos os altos custos assumidos pelo clube em vários departamentos. Mas, só vejo o nome de Gilto Avallone sendo citado a respeito.
Ora, conheço Gilto de outros carnavais. Durante um par de anos dividimos a mesma mesa do restaurante Giovanni Bruno, ali na rua Martinho Prado, ao lado do Rayola, do Primo e tutti quanti. Buona gente, mas um corneteiro irreprimível, atávico, genético, da velha banda de cornetas do Parque Antárctica.
Sempre está na oposição, seja qual for a situação. E, embora estridente, sua corneta não soa como a flauta de Hamlin. Não congrega, não agrega. Mas, agita (quase escrevi agilta).
E agita porque o Palmeiras está realmente nessa encruzilhada: afundado em dívidas, ou consegue obter um aporte imensurável de grana com possíveis investidores, ou terá de reduzir drasticamente seus custos.
E essa decisão cabe ao recém empossado presidente, Arnaldo Tirone Filho, que está como aquele menino holand~es, com o dedo enfiado no buraco do dique fatal.
Barça e Arsenal
Já disse e repito que o destino foi ingrato ao escolher por sorteio que Barcelona e Arsenal se cruzariam nesta fase da Liga dos Campeões. Ambos, que praticam o futebol mais agradável de se ver, deveriam decidir o título, isso, sim.
Mas, que fazer?
No Emirates, no jogo de ida, o Barça ganhava por 1 a 0 e tinha o controle do jogo, até tomar a virada, no fim, bem ao estilo inglês que, desde os tempos da Rainha Virgem, até o minuto final, não se curva à Esquadra Invencível.
O Barça, porém, não é de entregar o ouro espanhol antes da hora. Joga em casa, e, embora não venha praticando o futebol dos sonhos nas últimas rodadas de seu certame, tem bola para revirar a situação, nesta terça-feira.
São dois times jogando diante do espelho. Ambos, valorizam a posse de bola, o envolvimento como tom maior, a marcação a partir do campo adversário e um futebol ofensivo por essência.
Desconfio que o Barça se safa dessa. Mas, é apenas uma desconfiança, baseada no fato de que o Arsenal, na hora H, mia. Pelo menos, tem sido assim. Não sei seguramente se será. Mas, que vença o melhor. Qualquer um deles será uma celebração ao melhor futebol.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Felipão, José Mourinho, Kaká, Milan, Palmeiras, Real Madrid



