QUE VERGONHA…
Confesso que, em seis décadas acompanhando jogos da Seleção, quatro por ofício, não me lembro de termos sofrido tal domínio e tamanho sufoco de qualquer outro time do mundo na história.
Nem a Hungria de 54, nem a Holanda de 74, em nenhuma de nossas antológicas derrocadas, revelamos tanto temor, tanta covardia, tanta incompetência para sair da defesa ao ataque, ao menos. Muito menos a Itália, em 82.
O Equador, de início ao fim, tomou conta da bola, dos espaços e do espírito do jogo, criou uma infinidade de chances, mas o desempenho espetacular do goleiraço Júlio César, a trave e as imperfeições nas conclusões dos equatorianos evitaram que saíssemos de Quito com uma goleada histórica.
Aliás, fomos além: arrancamos um empate, com aquele gol de Júlio Baptista, passe de Robinho, numa das raras vezes em que chegamos à área inimiga.
Como, porém, há sempre um fiapo de justiça em qualquer jogo, Luís Fabiano perdeu outra grande chance e Noboa não desperdiçou aquela bola que pingou no rebote na pequena área.
De qualquer forma, se o empate nos favoreceu, sobretudo nessas circunstâncias, foi uma vergonha para o nível que o futebol brasileiro atingiu ao longo de sua história.
RONALDINHO GAÚCHO
Não há quem mais tenha defendido a presença de Ronaldinho Gaúcho na Seleção Brasileira, desde sempre. Mas, jogo a toalha. Rendo-me aos que o querem fora do time nacional, pelo menos enquanto estiver jogando essa bola e com esse espírito leniente, disperso, alheio.
Mesmo porque o baixíssimo rendimento, praticamente ausência em campo, de Ronaldinho Gaúcho nos jogos da Seleção, em geral, sobretudo nos últimos tempos, não me parece mero fruto de falta de ritmo de jogo, processo de recuperação física, nada disso, embora tudo isso também influa.
A sensação que me passa é de absoluta falta de força anímica, vontade mesmo de jogar o que jogava. Fica por ali batendo ponto, como um funcionário relapso e preguiçoso, esperando a hora de sair.
A não ser que Ronaldinho seja vítima de um mal físico oculto, maior, é hora de a Seleção dar-lhe um tempo para reflexão. E oferecer sua vaga a outro qualquer, mesmo sem igual talento, porém, mais disposto a jogar o jogo.
