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Posts com a Tag Júlio César

domingo, 12 de junho de 2011 Sem categoria | 22:04

NA ESTREIA DE ABEL, DEU TITE

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Na estreia de Abel Braga, o messias esperado há tento tempo nas Laranjeiras, o Fluminense perdeu por 2 a 0 do Corinthians, no Pacaembu.

Perdeu, sobretudo, no primeiro tempo, quando o Corinthians foi mais incisivo e categórico, criando boas chances a partir das descaídas de Danilo pela esquerda. Tanto que dali nasceu o gol de abertura de Willian, autor também do segundo, de pênalti, fruto de falha do goleiro Berna em chute longo de Paulinho.

O Flu também sofreu a perda de Deco, que vinha de duas excelentes exibições, ainda na primeira etapa, e só foi se recuperar, no segundo tempo, com a entrada de Souza, que dinamizou aquele meio campo até então amorfo.

Mas, aí, esbarrou em Júlio César.

Assim, o Timão assume a vice-liderança do Brasileirão e acena com boas perspectivas, principalmente depois da incorporação de Alex no time.

PÍFIO FLAMENGO

Nem mesmo o empate por 1 a 1 com o Atlético PR pode aliviar o mal-estar na Gávea, sob o prático argumento de que o jogo foi disputado na casa do inimigo. Pois o Furacão não passou de leve brisa soprando na Arena da Baixada, num dos piores jogos dos últimos tempos. E o Flamengo, nem mesmo um suspiro.

Que o Atlético jogue o que jogou é compreensível, pela ausência de um elenco mais qualificado. Mas, o Flamengo, com seus Ronaldinhos e Thiagos? Meu Deus!

A LA FELIPÃO

E não é que o Verdão foi ao Beira-Rio e voltou com um empate bem maneiro por 2 a 2 com o Inter de Falcão, o que lhe permitiu ascender para a terceira posição da tabela?

A la Felipão, o Palmeiras fechou sua marcação sobre o Inter, e apostou nas bolas paradas de Assunção, que, por um triz, não marca por duas vezes. Já o Inter, embora com a bola nos pés, não soube contornar essa situação. Tanto, que os dois primeiros gols foram contra, de Márcio Araújo e Rodrigo.

Luan, canhoto pouco valorizado nesse time, ainda que decisivo por várias vezes e muito participante o tempo todo, em jogada pessoal, virou, para Damião empatar já no apito final.

Já passou da hora de o Internacional reagir na competição. Quanto ao Palmeiras, tá bom demais, na medida do possível.

BOA, BOTA!

O Glorioso sofreu diante do excelente Coritiiba, que abriu o placar no Engenhão logo de cara e terminou o jogo aplicando um sufoco no adversário.

Mas, entre esses dois momentos cruciais, o Botafogo teve bola e organização para virar um balaio de três sobre o Coxa, graças a Elkeson, Maicossuel e Alex.

O Botafogo, muito remoçado, ainda oscila dentro da partida, o que é natural. Mas, com Maicossuel voltando à melhor forma, mais Elkeson e Alex, a chegada de Renato (ex-Santos), por certo, dará mais consistência ao meio de campo alvinegro, credenciando-o a fazer boa figura neste Brasileirão.

BAHIA E GALO

Hmmm…, que pênalti é esse, meu! Bola disparada a um metro do zagueiro atleticano, que se vira de perfil para evitar o choque de frente, evidentemente bate no braço colado ao corpo. Não há o menor vestígio de intenção do atleticano em levar o braço à bola, única situação que se configura faltosa em lances desse tipo.

De qualquer forma, Souza abriu o placar para o Bahia, num Pituaçu delirante, e o Galo empatou com Berola, na estreia de Ricardinho no Bahia.

Não vi o jogo, mas, quem lá esteve garante que o Galo foi melhor, criou várias chances e foi barrado pelo goleiro Marcelo Lomba.

O Galo promete e o Bahia começa a ter um contorno interessante, com Jobson, Ricardinho e Lulinha, sob o comando de Renê Simões.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS, BRASIL AFORA
  2. CLÁSSICO DE VERDADE
  3. FLA, TIMÃO E TRAVESTIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 20:46

PERDEMOS, OUTRA VEZ

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A justíssima expulsão de Hernanes, que atingiu o peito de Benzema ainda no primeiro tempo, virou o jogo de cabeça pra baixo. Até então o Brasil estava com o controle da bola e dos espaços. Basta dizer que detinha 66 por cento do domínio de bola.

Não chegou, é verdade, a criar grandes chances de gol. A França, com Benzema, num isolado contragolpe, foi mais incisiva nesse sentido,

Mas, a partir dessa nova realidade, o Brasil só somou equívocos, embora os franceses também não chegassem a se aproveitar devidamente da vantagem de um homem a mais. Até Benzema marcar o gol da vitória da França, mais uma, nessa série invicta de quase vinte anos.

O primeiro equívoco foi Mano retirar de campo Robinho. Não que Robinho estivesse jogando bem, nada disso. Mas, trata-se de um jogador veloz, múltiplo, que podia compensar a desvantagem de um mais,

O segundo equívoco foi optar por Sandro, um volante especificamente de contenção, em vez de Anderson, mais versátil, que tanto marca quanto avança.

Mas, tudo isso flutua entre o que foi e o que poderia ser, uma zona imprecisa que cai no absoluto subjetivismo.

Som, claro, o Brasil poderia ter empatado esse jogo, em duas oportunidades (pouco), assim com ao França teve chances de ampliar o marcador, e só não o fez graças a Júlio César, o goleirão que voltou em plena forma à Seleção.

De resto, é louvar a participação de Júlio César, mais uma vez, e a de André Santos, que anulou o mais incisivo francês, Menez,  a não ser no lance que antecedeu gol, quando o francês passou de passagem pelo brasileiro. Mas, nesse lance, a jogada era de Robinho, que acompanhou o adversário até o momento final, e desistiu na hora H.

Quanto aos estreantes – afora Hernanes, que vinha bem, mas resvalou na falta absurda -, Renato Augusto vinha jogando razoavelmente antes da expulsão do companheiro, E Jadson, que entrou em seu lugar, só fez um passe esperto para Pato, que não se completou.

Dado a tantas alternativas que ficaram de fora na convocação – Neymar, Ganso etc. – a perda de mais um jogo para a França, nessas circunstâncias, não é nenhuma tragédia.

Digamos que, apenas, algo desagradável.

Quase lá

Foi apertado, mas foi: 1 a 0, gol de Casemiro, de cabeça, outra vez. E o Brasil passou pelo Equador, no Sul-Americano Sub-20 e está a um passo de Londres, que é o que interessa.

Sem Neymar e a dupla de zagueiros titular, nossos meninos dominaram o primeiro tempo, quando poderiam ter ampliado o placar, e seguraram as pontas no segundo, quando estiveram a pique de entregar o ouro.

O importante, porém, foi passar por um obstáculo que poderia ter sido fatal para nosso sonho olímpico.

Ah, Flu…

Confesso que esperava muito mais do Fluminense, nessa estreia na Libertadores, contra o Argentino Juniors, no Engenhão.

Claro que Fred fez falta, embora seu substituto, o He Man, Rafael Moura, tivesse salvado o Tricolor com dois gols. Mas, esse nem foi o caso. O caso foi que o Fluminense jogou em ritmo de valsa, quando a batida exigia um samba rasgado.

Esse empate por 2 a 2 foi um alerta para o Flu, que terá de se desdobrar daqui pra frente.

Duas vezes Liedson

A estreia de Liedson no Corinthians não poderia ser mais auspiciosa. O artilheiro, que desembarcou no Parque na véspera, entrou em campo de imediato, fez dois gols e deu ao ataque do Corinthians a energia que vinha faltando desde quando Ronaldo, há dois anos, deixou de ser decisivo.

Se a vitória apertada sobre o Palmeiras, no fim de semana, serviu para apaziguar os ânimos no Parque, a goleada por 4 a 0 sobre o Ituano, por certo, haverá de infundir novo ânimo à equipe, daqui pra frente.

Notas relacionadas:

  1. RESERVA POR RESERVA…
  2. BRASIL PROTAGONISTA
  3. VALEU PELA RAÇA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 4 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira, Treinadores | 11:07

UNIÃO É GRUPO

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Direto de Joanesburgo – Dunga partiu mudo e chegou calado ao Brasil. Já seu parceiro Jorginho desembarcou no Rio dizendo que tudo foi feito dentro dos conformes, que repetiria item por item a programação dos últimos três anos e meio e que o grande saldo positivo foi a união do grupo. Secundaram-no vários jogadores.

Esse me parece outro mito a ser derrubado na Seleção, a tal da união de grupo, um clichê  repetido até a exaustão não só pelos técnicos da Seleção como dos clubes.

Nem por isso, tão verdadeiro. Nos clubes, ainda se compreende, pois os jogadores convivem durante uma temporada inteira, em geral, quando não mais, estão todos os dias da semana juntos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, seleção, pela sua própria natureza, expressa até no nome, é a reunião temporária, de tempos em tempos, dos melhores jogadores em atividade, naquele exato momento. Logo, se seguida à risca sua meta, não se deve buscar um time, um grupo fechado num período tão longo, durante o qual os jogadores oscilarão tecnicamente, serão vítimas de contusões e tudo o mais que a vida reserva a todos nós.

Ao contrário, o técnico da Seleção deve, isso sim, estar aberto para todas as alternativas o tempo todo.

Lições dos mestres

Mesmo porque há dois ensinamentos de dois mestres que colhi e abrigo na memória a respeito desse assunto. De Telê Santana: “Essa história de grupo unido é conversa fiada. Grupo só está unido na vitória”. De Rubens Minelli: “Futebol é momento”.

Se seleção é fruto da escolha dos melhores, é evidente que está implícita a reunião de individualidades díspares. Mais que isso: de celebridades, jogadores habituados a certas regalias e reverências que não são comuns aos demais mortais. Logo, o choque de vaidades estará sempre latente em qualquer seleção que se preze pelo nome.

Cabe ao comandante, o técnico, ter percepção, jogo de cintura, inteligência, enfim, para controlar esses níveis de conflitos iminentes, evitando-os e procurando sedimentar no grupo um sentido de solidariedade suficiente para que o elenco não se esfacele.

Caso contrário, se eleger como prioritária a tal união de grupo, terá de abdicar da excelência técnica máxima em favor de um grupo formado por jogadores medianos que aceitam, submissos, as regras impostas pelo comando.

Então, não teremos uma seleção de verdade, e sim um conglomerado de jogadores escolhidos mais pos suas personalidades subservientes do que por craques de bola.

É evidente que, nesse processo, o técnico se debaterá com craques de personalidades deletérias, que, em favor do espírito de equipe, terá de descartar ao longo de sua gestão. Mas, essas são exceções, não regra geral.

Momento de unir

E, como futebol é momento, o técnico da Seleção deverá sempre optar por aqueles que, no momento da convocação, estão melhores. Sobretudo, às vésperas de uma Copa do Mundo, torneio de tiro curto, em que prevalecerá sempre o estado atlético, anímico e técnico dos que entrarem em campo. O que foi ou o que poderá vir a ser conta muito pouco nesses casos.

Aí, sim, já nos dias de preparação para o grande certame, caberá ao técnico injetar na moçada o tal espírito de equipe, a união do grupo etc.

O QUE ACONTECEU AFINAL?

Passados alguns dias do impacto da derrota para a Holanda, vale tentar compreender o que houve naquele jogo, em que o Brasil virou do vinho para água: um primeiro tempo primoroso seguido de uma derrocada no segundo.

Claro que a falha de Júlio César, o goleiro que nunca falha, pesou muito no ânimo da tropa. Assim como a expulsão de Felipe Melo também contribuiu muito para a quebra emocional do nosso time, impedindo-o de reagir à virada holandesa.

Mas colho na Internet uma declaração do auxiliar técnico Frank de Boer, extraordinário ex-zagueiro do Ajax campeão do mundo e da Seleção Holandesa em duas Copas, que pode nos dar pista para outra explicação: “No intervalo, nosso técnico disse para nós voltarmos e jogarmos nosso jogo”.

Simples, direto, e imensamente revelador. No primeiro tempo, a Holanda não jogou seu jogo. Morreu de medo do Brasil, cometeu uma série inaudita de faltas, enfim, foi a anti-Holanda, um futebol historicamente técnico e ofensivo. No segundo, a Holanda voltou a ser a Holanda, botou a bola no chão e deu no que deu.

Justamente ao contrário do Brasil, que nega sua própria identidade, em favor de um jogo mais defensivamente e burocrático. E que assume, no fundo, o medo que os outros têm de nós, há décadas. Acorda, Brasil!

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. FINAL FELIZ
  3. A VEZ DO MALANDRO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 13 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 13:37

BRASIL EM SEGREDO

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Direto de Johanesburgo –  Para completar o gesto, Dunga tornou também secreto o treino deste domingo à noite.
Nada contra treinos secretos. Esse é um expediente utilizado há muito tempo, não só pela Seleção Brasileira como pelas demais, inclusive por clubes do mundo inteiro.

E tem lá suas vantagens. Permite ao técnico treinar algumas jogadas-surpresa, que não gostaria chegassem aos ouvidos dos adversários, além de conferir mais liberdade de ação aos jogadores, para que seus erros ou súbitas desavenças não corram as manchetes dos jornais.

Por outro lado, sonega do público e da história momentos que podem vir a ser marcantes.

Certa vez, o escritor e filósofo Aldous Huxley disse que a humanidade só atingiria a perfeita felicidade quando o último livro do mundo fosse queimado. Ironia típica de inglês. Afinal, a ignorância absoluta acabaria com o conflito de ideias, eliminaria a reflexão e o bicho homem viraria um vegetal feliz a alimentar-se da terra e do sol.

Na Idade Média, a Igreja tomou para si o monopólio do conhecimento e a humanidade regrediu séculos antes do esplendor greco-romano, até que, na esteira da Renascença, um tal de Guttemberg inventou a prensa, o que permitiu a democratização do conhecimento em níveis jamais conhecidos antes.

De Guttemberg à Internet, muita água rolou, e a informação disseminou-se de maneira avassaladora, para o bem ou para o mal, como, aliás, toda obra humana. Hoje em dia, qualquer um abre um site, um blog, um twiter, seja lá o que for, e passa a discutir com eventuais internautas os assuntos mais diversos.

Se isso traz felicidade para alguém, não sei. Só sei que o progresso, pelo menos, está intimamente ligado à livre circulação de ideias. A busca pelo conhecimento é que move o nosso mundinho, não as leis misteriosas do universo.

A paradinha… de Didi

Voltando à vaca fria, porém, lembro-me da preparação brasileira para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando nos sagramos campeões do mundo pela primeira vez.

O time ficou um tempão treinando nas estâncias mineiras, especialmente Araxá, de onde a TV Record transmitia ao vivo, em preto e branco, cada movimento de nossos craques. Uma proeza para a época anterior às transmissões por satélite.

Pois, então, numa sessão de cobranças de pênalti, estes velhos e cansados olhos – à época, jovens e expeditos – captaram um lance que entraria para a história e que, ainda hoje, é motivo de tanta discussão.

Didi, mestre em batidas de faltas e pênaltis, entre outras tantas virtudes, partiu para a bola, e, de súbito, estancou; Gilmar saltou para a esquerda, e Didi empurrou a bola, rasteira, no canto direito. Nascia naquela tarde a paradinha.

Pelé, na sequência, repetiu o mesmo movimento, incorporando-o daí pra frente ao seu vasto repertório de jogadas geniais. E recebeu, pela persistência, a patente da invenção

de Didi.

Se a história acabou sendo contada de outra forma, deve-se à ignorância do fato real. Mas, este foi devidamente flagrado pelas câmeras de TV de uma época que precedeu até mesmo ao vídeo-tape, num prosaico treino da Seleção perdido na memória coletiva.

Frangos e Júlio César

O frango inacreditável de Green, no empate por 1 a 1 entre Inglaterra e EUA, um dos melhores dessas primeiras rodadas da Copa, que tem se pautado por resultados modestos e um futebol extremamente pragmático, criou escola.
No dia seguinte, Chaouchi, goleiro da Argélia, enterrou seu time numa falha absurda: num chute longo, deixou a bola quicar e ficou com as penas nas mãos.

E isso me remete a Júlio César, talvez o maior trunfo da Seleção Brasileira nesta Copa. Sim, porque, se o amigo fizer um retrospecto do time de Dunga até aqui, verá que, nos momentos mais críticos da Seleção, Júlio César foi a tábua salvadora.

Não afirmo que nosso paredão esteja isento de cometer uma dessas besteiras, pois nesse joguinho caprichoso que é o futebol, tudo é possível. Mas, baseado em tudo o que ele fez, seja no Flamengo, seja na Inter ou na Seleção, é muito improvável. Júlio César domina todos os fundamentos da sua posição como poucos no mundo, inclusive jogar com os pés, e não me lembro de ter tomado um frango desses. Deve ter tomado, mas não me lembro.

De qualquer forma, com ele, estamos garantidos lá atrás.

A prima africana

Foi a primeira vitória dos africanos na Copa da África: Gana 1, Sérvia 0, gol de pênalti, já no finzinho da partida, quando os sérvios estavam reduzidos a dez jogadores em campo.

E olhe que os ganeses meteram uma bola no poste, num jogo movimentado, mas, como os demais, de técnica limitada, embora as duas escolas primam por jogadores de habilidade.

Há, porém, em todos os casos, que se descontar o nervosismo da estreia, que pega jogadores de todas as cores e latitudes, experientes ou não.

Primeira goleada

A Alemanha aplicou a primeira goleada da Copa na Austrália: 4 a 0, fechada com o primeiro gol de um brasileiro, Cacau.

Jogo dominado inteiramente pela Alemanha, que ainda teve um gol marcado por um polonês, Klose.

Isso me remete a um lance perdido na enxurrada de impropérios que recebi no post anterior, quase todos tisnados de um nacionalismo anacrônico, quando não perigoso.

Tão perigoso que, a certa altura do bombardeio, alguém chamou alguém de nazista. E, na sequência, uma jovem (suponho) pergunta: o que é nazista?

Bem, para reduzir a história, nazista é quem professa a cartilha do nazismo (Nazional Socialism, que de socialismo só tem o apelo às classes trabalhadoras), partido que assumiu o poder na Alemanha dos anos 30 e que levou o mundo à maior conflagração de sua história.

Essa nefanda ideologia se baseava num nacionalismo exacerbado, conduzido por um líder carismático, quando não patético, chamado Adolf Hitler, que defendia ser a raça ariana superior e que todas as demais deveriam se submeter a ela.

Para provar sua teoria, eliminou cerca de 6 milhões de judeus e eliminaria o resto de outras etnias, se tivesse ganhado a guerra.

Mas, a primeira vítima, nesse processo, foi a imprensa livre. Quem pensasse, falasse ou escrevesse contra o regime totalitário deveria ser calado, ou eliminado literalmente.

Só prevalecia uma idéia, um conceito, um líder. Fora disso, era antipatriotismo, traição, era torcer contra o grande destino da raça ariana e da Alemanha do Fuhrer.

Seu poder de persusão nasceu da frustração alemã pela perda da Primeira Grande Guerra e pelos insucessos práticos dos governos que a sucederam. E tomou vulto, na terra que havia gerado gênios como Beethoven, Einstein, Kant e Karl Marx, com a blitz krieg – uma guerra relâmpago, que incorporou à Alemanha o Soweto (não confundir com este daqui), parte da antiga Tchecoslováquia, e, em seguida, a Polônia, a França, e assim ia até que os Aliados – Inglaterra, EUA e União Soviética -brecassem o avanço alemão.

Hitler suicidou-se no seu bunker em Berlim, e Mussolini, seu parceiro de estrepolias, foi pendurado de cabeça pra baixo num poste de Milão ou Roma, não me lembro bem.

Mas, lembro que esses princípios totalitários e nacionalisteiros sobrevivem até hoje. Nós mesmos sofremos desse mal por duas vezes na história pós-Império: a Era Vargas e a Ditadura Militar, quando o slogan adotado por boa parte da população brasileiro era o famigerado Ame-o ou Deixei-o. Isto é: ou você ama o Brasil, ou vá embora. Amar o Brasil, então, era aceitar calado e submisso todas as mazelas praticadas pelo ditador de plantão, geralmente um general de poucas luzes e muita ambição.

Isso é nazismo, minha cara. Um movimento popular baseado nos mais primitivos instintos do ser humano, revestido de nacionalismo bocó e insuflado por um idiota qualquer que sabe, por esperteza, como manipular a massa ignara.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Antipatriotismo

Para os que me acusam de torcer contra o Brasil, de ser antipatriota, repito: quem torce é torcedor; jornalista não torce, nem a favor, nem contra, pois jornalista que torce, a favor ou contra, não é jornalista.

A propósito, vou além. Nessa linha canhestra e sinistra de raciocínio, de tachar quem faz ressalvas à Seleção Brasileira – nada mais do que um time de futebol que defende antes de tudo o escudo da CBF, uma entidade privada-, vale dizer que antipatriota é quem troca o samba pelo rock, quem se entope das porcarias fast-food importadas, que está transformando o esbelto povo brasileiro numa legião de balofos como os norte-americanos, quem despreza o seu próprio idioma, adotando rapidamente todas as fórmulas estrangeiras, quem desconhece sua própria história, quem nunca ouviu falar de Portinari, Villa Lobos, César Lattes, Noel Rosa, quem nunca leu Machado, Rosa e tantos outros gênios brasileiros.

E quem acha que essa bola jogada no Brasil e pelo Brasil é brasileiro.

Prefiro mesmo seguir o dístico adotado pelo meu avô catalão e por mim herdado: minha pátria é o mundo todo; meu povo, a humanidade; minha bandeira, o sol.

Notas relacionadas:

  1. VIVA O BRASIL!
  2. BRASIL NAS ALTURAS
  3. O BRASIL E AS ESTATÍSTICAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 10 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:33

A VEZ DO MALANDRO

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Direto de Joanesburgo - Como versava o velho samba, agora é que eu quero ver/ quem é malandro não pode correr.

Na verdade, malandragem, nessa Seleção do Dunga, está fora. Nem a saudável malandragem do passado, que se confundia com inventividade, habilidade e ousadia. Muito menos a deletéria, aquela feita de furtivas escapadas noturnas, de indisciplinas geradas pela vaidade ou pela indolência deste ou daquele.

A turma é disciplinada, coesa e come na mão do técnico, que rosna para toda sombra que passar à porta da concentração, amiga ou inimiga. Esquema, táticas, escalação, até mesmo as possíveis alterações estão devidamente delineados na prancheta do professor, que os jogadores seguem à risca.

Obviamente, muito melhor do que a bagunça. Mas, não tão edificante como alternativas mais transparentes e criativas sugerem.

A entrevista de Elano, nesta quinta-feira revela bem esse espírito. Justamente ele, que deveria dividir o setor de criação de jogadas do time, prefere se autodefinir como um eterno coadjuvante.

De fato, são todos coadjuvantes, talvez com exceção de Kaká e Robinho, que quebrou a lei do silêncio imposta pelo treinador para dar uma entrevista à Rede Globo, no dia de folga dos jogadores.

Mas, enfim, como em todas as Copas que entramos, desde 38, o Brasil é um dos favoritos à conquista. E isso é bem possível.

Raciocine comigo, companheiro: o jogador médio brasileiro é, em regra, superior, tecnicamente, ao jogador médio estrangeiro. A maioria das seleções é composta de jogadores médios.

Logo, se, por acidente qualquer, um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Rooney, um Drogba, um desses poucos craques que desequilibram em seus times, estiver de fora na hora do confronto com o Brasil, nossas chances de vitória triplicam.

Portanto, como dizia o sambista maior, Cyro Monteiro, sempre que adentrava um recinto, quem é de bênção, bênção! Quem é de saravá, saravá!

charge daniel alves messi

Charge com Daniel Alves e Lionel Messi, por Milton Trajano

Treino secreto

O céu de Joanesburgo amanheceu com algumas nuvens brancas e esparsas, anunciando o frio que invadiria o dia e a noite. De manhã, nossos craques participaram de um treino secreto, que, segundo consegui apurar, na verdade, foi um coletivo.

Detalhes? Só consultando um oráculo.

À tarde, um treino alemão, em que o campo foi reduzido à metade e cinco equipes de quatro ou cinco jogadores, se revezavam, cada um vestindo uma cor diferente: branco, azul, verde, vermelho e verde.

O frio, já então, era de rachar, mas a moçada mexeu-se pra valer.

O mais importante da história toda é que Júlio César treinou com tudo, sem revelar nenhuma restrição aos seus movimentos.

Ao contrário, houve um lance em que ele foi simplesmente espetacular, defendendo três bolas atiradas cara a cara, em sequência. Coisa de cinema!

Melhor boa nova não poderia haver, pois nossa defesa é excelente, sem dúvida. Mas, muito da sua proficiência se deve ao goleiraço Júlio César, um paredão, como gostava de dizer o saudoso e até hoje insuperável Mário Moraes.

Bafanas em alta

África do Sul e México abrem a Copa nesta sexta-feira. Não se trata, claro, de um espetáculo inesquecível, a não ser pelo ritual próprio do maior torneio de futebol do mundo.

Os bafana-bafana estão entusiasmados com sua seleção, que é, tecnicamente, fraca. Mas, que, sob o comando de Parreira e incentivada pela galera pode surpreender um México que outro dia vi enfrentando a Inglaterra e me decepcionou. Os mexicanos, porém, são guerreiros e jogo de Copa é outro departamento.

França em baixa

Em seguida, o Uruguai pega uma França desacreditada. Ambos campeões do mundo, feitos, porém, distantes no tempo. A  França, mesmo sem ter um Zidane, um Platini ou um Kopa, que a conduziram a um patamar superior na história, tem alguns jogadores que merecem respeito.

Henry, sua maior estrela, está em plena decadência. É reserva no Barça, pra não dizer mais. Benzema, a jovem promessa, não conseguiu se firmar no Real. Restarão, pois, Ribéry, astro do Bayern, Malouda e Anelka, que ressurgiram no Chelsea para que a França tente, nesta Copa, apagar a má campanha na Eurocopa.

Ingleses e argentinos

No sábado, entram em campo mais dois dos sérios candidatos ao título. A Argentina, imprevisível, por conta de seu treinador maluquete, Maradona, enfrenta a Nigéria, e a Inglaterra pega os EUA, uma pedreira, não pela qualidade do time norte-americano, mas, principalmente, por sua determinação. Contudo, se Messi e Rooney acertarem o pé, fatura resolvida.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. O VALOR DA TANZÂNIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 6 de junho de 2010 Boxe, Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 13:16

O VALOR DA TANZÂNIA

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Direto de Joanesburgo – O Brasil pega a Tanzânia, nesta segunda-feira, no seu segundo e último jogo-treino na África, antes de a bola rolar no Mundial. E tudo que se espera é que ninguém saia lesionado da partida, pois sistema de jogo, time titular, estilo e tal e cousa lousa e maripousa, estão devidamente delineados pelo técnico Dunga.

A maioria das outras seleções está realizando confrontos mais duros, com equipes mais qualificadas das que couberam ao Brasil nesta fase de preparação. Mas, confesso que não sei se isso é melhor ou pior do que a estratégia adotada pela nossa Seleção.

Em princípio, fazendo um joguinho de festa por aqui contra um time de baixo rendimento, o risco de contusões é sempre menor. E o resultado a favor é, de hábito, mais provável, o que evita traumas desnecessários às vésperas do maior torneio de futebol do planeta.

Contudo, mesmo as seleções do grupo de elite têm jogado em boa parte com seus times recheados de reservas. A própria Holanda, que obteve o resultado mais significativo, ao bater a Hungria por 6 a 1, poupou sua estrela maior – Robben -, no primeiro tempo. E, mesmo assim, teve de viajar pra cá sem o craque, baleado nesse jogo.

O amigo pode responder com Júlio César, que sentiu dores lombares e teve de se retirar ainda no primeiro tempo, na partida contra Zimbábue, outro dia, e ainda está em recuperação.

Parece que a coisa não é nada grave. Ainda bem, pois não consigo imaginar o Brasil sem seu goleiraço, um dos dois ou três melhores do mundo no momento. Mesmo porque, confesso, seus dois reservas – Gomes e Doni – não me inspiram muita confiança.

Zagallo e Pepe em 1958 em charge de Milton Trajano

Zagallo e Pepe em 1958 em charge de Milton Trajano

Bem, tudo pode acontecer nesse caprichoso universo do futebol. Ainda ontem, papeando com a rapaziada por aqui, lembrava o caso de Pepe, às vésperas do Mundial de 58, na Suécia. Titular absoluto, depois da dispensa de Canhoteiro, que chegara à concentração de madrugada, Pepe entrou debaixo do chuveiro calçando tamancos; torceu o tornozelo, e viu do banco Zagallo jogar duas Copas campeãs no seu lugar.

O jeito, pois, é torcer pra quem ninguém torça nada, nem antes, nem durante a Copa.

SHOW AMEAÇADO

Bem, o Brasil de Dunga, Kaká e demais palestrantes nas entrevistas coletivas aqui em Joanesburgo, já deixou bem claro que show é levantar a taça. O resto, aquele negócio de jogar bonito, ao estilo bem brasileiro de fazer da bola um objeto de arte, é coisa de cronista poeta que não tem o que fazer a não ser dar palpite infeliz no trabalho dos outros.

Talvez seja esse também os desejos dos deuses da bola, que lá do Olimpo do Futebol, estão atirando suas setas invisíveis sobre os possíveis astros do imenso e luminoso show da Copa.

Kaká, o maior do mundo, há três anos, está em fase de recuperação, cuja extensão nem ele mesmo sabe qual será. O mesmo se dá com Wayne Rooney, outro candidato ao título de melhor da Copa e do mundo, por consequência.

Robben, que vinha matando a pau no Bayern e na Seleção Holandesa, acaba de baixar enfermaria, assim como Drogba. Restam, em plena forma, apenas Cristiano Ronaldo e Messi, os dois últimos eleitos melhores do mundo pela Fifa. Olho neles.

APARTHEID SOCIAL

O abominável apartheid político foi abolido há um par de décadas. Mas, o social está presente aqui em todos os cantos. Ainda no sábado, era evidente a separação entre brancos e negros no hotel da Seleção, que é também um clube de golfe: todos os servidores, negros; os fregueses, brancos. Sem uma única exceção.

Nas ruas, tente flagrar um casal misto. Quase impossível. Mas, na escolinha onde o Brasil treina, já se vê adolescentes de ambas as cores confraternizando-se, o que é um bom sinal.

BOXE NA MADRUGADA

Acordei neste domingo, às cinco da matina, só pra ver a noite de gala do boxe, no Madison Square Garden, lotado (75 mil pessoas), que reabriu seus ilustres portões para o embate entre o portorriquenho Miguel Cotto, campeão mundial, e a nova estrela de Davi, Yuri Foreman, judeu do Brooklin, que luta sob a bandeira de Israel, fato inusitado na história dos ringues americanos.

Foreman, mais alto, excelente postura, bom jogo de pernas, passou os seis primeiros rounds mantendo Cotto à distância. Assim mesmo, o campeão, mais sólido, compacto, fechadinho, quando acertava seus poderosos golpes fazia um estrago no adversário. Luta equilibrada que literalmente se desequilibrou quando Foreman torceu o joelho direito e mal conseguia manter-se em pé.

Aí, no oitavo assalto, ocorreu algo jamais visto: o manager de Foreman jogou a toalha no ringue, sinal de abandono. Mas, o juiz, simplesmente, se negou a encerrar o combate. Devolveu a toalha e mandou seguir a luta, que se encerrou definitivamente no nono round, quando Foreman foi abatido por um hook de esquerda no fígado. Tá loco, seu!

BOXE NA MADRUGADA

Acordei neste domingo, às cinco da matina, só pra ver a noite de gala do boxe, no Madison Square Garden, lotado (75 mil pessoas), que reabriu seus ilustres portões para o embate entre o portorriquenho Miguel Cotto, campeão mundial, e a nova estrela de Davi, Yuri Foreman, judeu do Brooklin, que luta sob a bandeira de Israel, fato inusitado na história dos ringues americanos.

Foreman, mais alto, excelente postura, bom jogo de pernas, passou os seis primeiros rounds mantendo Cotto à distância. Assim mesmo, o campeão, mais sólido, compacto, fechadinho, quando acertava seus poderosos golpes fazia um estrago no adversário. Luta equilibrada que literalmente se desequilibrou quando Foreman torceu o joelho direito e mal conseguia manter-se em pé.

Aí, no oitavo assalto, ocorreu algo jamais visto: o manager de Foreman jogou a toalha no ringue, sinal de abandono. Mas, o juiz, simplesmente, se negou a encerrar o combate. Devolveu a toalha e mandou seguir a luta, que se encerrou definitivamente no nono round, quando Foreman foi abatido por um hook de esquerda no fígado. Tá loco, seu!

Notas relacionadas:

  1. NERVOS NO BICO DA CHUTEIRA
  2. E SE KAKÁ MIAR?
  3. COMEÇO ANIMADOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 28 de maio de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 11:29

COMEÇO ANIMADOR

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Direto de Johanesburgo – O primeiro dia de treinamentos da Seleção Brasileira amanheceu luminoso como tem sido por aqui, desde que cheguei. E o mesmo ar leve nos recebeu no campinho simpático e antiquado onde os três goleiros, do lado esquerdo, eram afiados por Wendell e Taffarel, enquanto Dunga e Jorginho ensaiavam os 20 jogadores de linha, à nossa direita.

Isto, claro, visto de uma pequena arquibancada de cimento, coberta por um telhado de zinco, situado ao fim de um corredor margeado à esquerda por velhas construções de madeira, que parecem remontar aos anos 20, se não antes.
O gramado é uma beleza, e nossos atletas se movimentam sobre ele com muita energia e desembaraço. Não chega a ser um treino-alemão, pois não conta com aquelas balizas anãs típicas desse exercício.

De início, rola um bobinho com dez jogadores de cada lado do campo. Em seguida, dez contra dez na metade direita da nossa posição. Não se trata de treino alemão, dada a ausência daquelas balizas anãs. É mais um exercício para aglutinar os jogadores e acelerar o passe entre eles, cortados por lançamentos mais longos de cá pra lá, tanto no sentido horizontal quanto no vertical do retângulo verde.

A turma está animada e muito falante, o que é bom sinal. Os passes, sobretudo de Elano e Nilmar, saem medidos, e a movimentação é intensa. Até surpreendente para um exercício que se supunha apenas como o que se costuma chamar de “tirar o avião do campo”.

Nada disso: já é, imagino, o primeiro estágio da preparação no sentido de compactar a equipe e conferir-lhe o devido sincronismo.

E o mais auspicioso é ver que Kaká e Luís Fabiano, os dois que chegaram baleados à Seleção, atuaram com desenvoltura, sem sinais aparentes de se ressentirem de suas lesões.

Auspicioso porque Kaká é o craque da equipe, ao lado de Robinho. Mais do que isso: o único meia de ofício na Seleção. 

Luís Fabiano, o artilheiro.

O treino durou cerca de três horas, e me pareceu muito proveitoso.

E, para nós, jornalistas, que esperávamos uma recepção mais dolorosa, o clima desanuviou-se, como este céu de anil gentil que cobre este pedacinho do Brasil na África Negra.

Papo de goleiro
Logo depois do almoço, já no Clube de Golfe onde está hospedada nossa Seleção, foi a vez dos três goleiros concederem a entrevista coletiva de praxe. Mas, o que dava um ar ainda mais ilustre à cena era a presença de Taffarel, nosso campeão do mundo, goleiro brasileiro em três Copas e gauchão simpático e até humilde, ao lado de Wendell, o treinador oficial nessa área tão delicada de qualquer time.

Taffarel, então, explicou que foi chamado por Dunga, que é quem comanda tudo nesse time, para cumprir a tarefa de olheiro. Mas, aqui chegando, não resistiu: vestiu o calção, calçou chuteiras e foi pra campo, ajudar na preparação dos goleiros.

Destes, claro, a estrela é Júlio César, considerado com inteira justiça como um dos dois melhores arqueiros do mundo na atualidade.  Título que ele logo vai descartando num papo descontraído e empático:
- Não sou estrela coisa nenhuma. Sou mais um aqui, apaixonado pela Seleção.
Discurso que certamente se repetirá em cada entrevista, seja de quem for, para gáudio de Dunga, claro.
Mas, para o riso da plateia, valeu a avaliação que Júlio César fez da bola da Copa que ele deverá agarrar sempre.
-Horrível. Parece essa bola que se compra em supermercado. Mas, essa é a sina do goleiro: tudo contra, nada a favor.
Acrescento: a não ser o talento de cada um. E o de Júlio César é transcendental.

Notas relacionadas:

  1. HABEMUS TIME?
  2. O BRASIL QUE EU GOSTARIA
  3. CRÍTICA E TORCIDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

sábado, 22 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 23:10

AS SURPRESAS DA RODADA

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O placar mais surpreendente, sem dúvida, foi esse do Palmeiras sobre o Grêmio: 4 a 2 para o Verdão. Surpreendente porque o Grêmio, apesar da desclassificação recente nas semifinais da Copa do Brasil e de um início hesitante no Brasileirão, vem de vento em popa ao longo da temporada, enquanto o Palmeiras não conseguia sair da depressão herdada do ano passado.

Mas, a jogada mais surpreendente da rodada deste sábado foi o entrevero entre o menino Caio e o veterano Herrera, dois atacantes do Botafogo, que resultou na expulsão de ambos. Surpreendente, sobretudo, porque o Botafogo metia 3 a 0 no Goiás, no Engenhão, assumindo a liderança provisória do Brasileirão.

Por falar em expulsões, na sessão final do Palestra Itália, que vai sofrer uma cirurgia plástica, o cartão vermelho mostrado para Marcos Assunção e Douglas, no finzinho do primeiro tempo, definiu o jogo.

Sim, porque o Gêmio, mesmo perdendo por 2 a 1 para o Verdão, dois gols de Ewerthon contra o de Jonas, foi melhor na primeira fase, sob o comando de Douglas, que organizava tudo em seu time. Com sua saída, o Grêmio perdeu a clarividência no meio de campo. Ou melhor: entregou-a a Cleiton Xavier, que conduziu o Palmeiras à vitória espetacular por 4 a 2, gols de Hugo (Grêmio), Maurício Ramos e o próprio Cleiton Xavier, em jogada inspirada do menino Vinicius, de 16 anos de idade.

Já o que poderia ser outra grande surpresa da rodada: a vitória do mistão do Santos sobre o Atlético Goianiense, no Serra Dourada. Isso, porque os meninos pisaram na bola, na véspera, e ficaram na Vila de castigo. Sem Neymar, Ganso, André e Madson, punidos por chegarem tarde à concentração, e Robinho, na Seleção, o Peixe vacilou um pouco no primeiro tempo, mas disparou no segundo, bem ao seu estilo: fez 2 a 0 com Wesley (a cada jogo, melhor e mais importante para sua equipe) e Zé Eduardo; deu o nome do jogo ao goleiro adversário, Márcio e só tomou um, de Boka, já no finalzinho.

Confesso que, para mim, neste caso, não houve nenhuma surpresa, pois o elenco do Santos é bom, embora pouco afamado. E o técnico Dorival Júnior adotou de vez o estilo ofensivo dos Meninos da Vila e o mantém, com eles ou sem eles.

INTER PAPA-TUDO

O técnico José Mourinho chegou a Milão prometendo mudar a cara do futebol italiano, dando-lhe o toque de graça e agressividade ofensiva de que tanto carece o jogo da Bota.

Pois, acaba de levantar a taça da Europa jogando mais à italiana do que Trappatoni, por exemplo. Diante de um Bayern mais versátil e ofensivo, fechou-se lá atrás, e, em dois contragolpes mortíferos do argentino Diego Milito fez o placar que deu a Mourinho o terceiro título do ano, feito memorável, diga-se.

De resto, contou com a presença impressionante do goleiro brasileiro Júlio César, como sempre, quando não com a sorte ou os erros de finalização de seu ataque, que se ressentiu da ausência do francês Ribéry.

De qualquer forma, a Inter tem, além dos brasileiros Júlio César, Maicon e Lúcio, todos da Seleção, um elenco de elite, o que lhe confere equilíbrio, até mesmo quando exagera na defesa, e merece, claro, o título de campeão europeu desta temporada.

Notas relacionadas:

  1. RODADA DECISIVA, COMO TODAS
  2. RODADA DE FOGO
  3. RODADA DE FOGO? MORNA…
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domingo, 6 de setembro de 2009 Seleção Brasileira, Sem categoria | 00:27

SANTA RETRANCA!

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Congelei na tela da tv o close de Maradona: os traços e a expressão lembravam uma daquelas máscaras mortuárias dos nativos andinos feitas para rituais mágicos e de sacrifício.

Exangue, pois toda sua energia se voltara para as vésperas do grande jogo, fatal para os argentinos: promoveu uma guerra psicológica contra os brasileiros, reuniu sua tropa, infundiu-lhes vigor pátrio, desafiou-os a entregar seus corações nessa partida, levou-os à igreja, fê-los ajoelhar-se aos pés da Cruz, acendeu uma vela a San Gená, conduziu Brasil e Argentina para o campo de Rorsário, onde a pressão seria maior do que no estádio de Nuñes, dançou um tango e jogou uma flor à estrela da manhã, nas suas primeiras cintilações.

Só não cuidou de dar um mínimo de segurança à sua defesa, que geme ao mais leve toque do adversário.

Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que nada fez para tanto, a não ser defender-se com precisão quase cirúrgica, enquanto os argentinos tomavam conta da bola de cabo a rabo da partida, sem, contudo, conseguirem levá-la à meta adversária. E, nas raras vezes em que o conseguiram, lá estava Júlio César, um paredão.

Sim, houve uma pálida oportunidade que deu certo – um disparo longo e certeiro de Datolo, no ângulo esquerdo de Júlio César. Mas, aí, la vaquita já se embrenhara no brejo até o pescoço.

Pois, o Brasil, ainda no primeiro tempo, em duas pontadas obtivera seus dois gols, em jogadas nascidas de cobranças de faltas por Elano. Na primeira, Luisão surge só e lampeiro para meter de cabeça. Na segunda, a bola espirra na barreira, cai nos pés de Kaká, na esquerda, que centra rasteiro, e, pebolim!, Luís Fabiano, livre e solto, empurra para as redes vazias.

E, para maiores pecados de Maradona e cia., os argentinos sequer tiveram tempo de celebrar aquele gol de Datolo, que prenunciava a virada épica, pois Kaká recebe na meia-direita, pela intermediária gringa, uma daquelas bolas solitárias que escapavam da nossas defesa, domina, mira e executa passe milimétrico para Luís Fabuloso tocar por cima do goleiro.

O amigo sabe que tenho a maior aversão por retrancas que enfeiam o jogo e enfumaçam o brilho de uma vitória. Mas, para tudo, há exceção. E a exceção foi essa retranca brasileira deste sábado luminoso. Afinal, não se tratava de um jogo qualquer, nem mesmo apenas um dos tantos clássicos com nosso mais feroz adversário. Resumia em si toda a campanha de quase quatro anos de Dunga à frente da Seleção e a conquista, com antecipação inédita, da vaga à próxima Copa do Mundo.

Ali, naquela hora, diante de um adversário cuja potência ofensiva é notável, não havia espaço para nenhum outro pensamento a não ser fechar todos os espaços. Sobretudo, depois de ter aberto dois gols de vantagem.

Ora, somos o único futebol do planeta que nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. E não seria agora que poríamos em risco mais essa láurea do brasileiro.

OS HERÓIS DO JOGO

Sem dúvida, Júlio César encabeça a lista dos heróis de Rosário, pelas três defesas sensacionais que praticou, duas, cara-a-cara.

Mas, ao seu lado, sem dúvida, Luisão, absolutamente imbatível, por baixo ou por cima. Além do mais, autor do gol que abriu caminho para a vitória. Pensando bem, passo Luisão para o topo da lista.

Seu parceiro, Lúcio, foi outro esteio, enquanto André Santos portou-se de forma tão magnífica, tanto defendendo como apoiando (muito menos do que habitualmente o faz, por força das circunstâncias), que dificilmente perderá a camisa titular para outro qualquer na Copa.

Por fim, Kaká, por ter estado na origem de dois gols e por ter sido o mais lúcido de nossos jogadores, embora longe de suas melhores atuações, o que é natural numa hora dessas. E Luís Fabiano, que, mesmo isolado pelo esquema e pela ausência de Robinho, cumpriu com louvor sua principal função. Ou seja, marcar gols, não um, que já seria de bom tamanho, mas, dois.

Notas relacionadas:

  1. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
  2. QUE VERGONHA…
  3. SHOW? QUASE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sábado, 6 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 18:26

VITÓRIA HISTÓRICA

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Foi uma vitória histórica, dessas para entrar nos almanaques do futebol: depois de trinta e três anos sem conseguir vencer o Uruguai em Montevidéu, metemos 4 a 0 neles, placar, aliás, que poderia ter se multiplicado, se considerarmos que foi pênalti em Luís Fabiano, não marcado pelo juiz, o mesmo Luís Fabiano que teve mais dois gols a seus pés, conjurados pelo goleiro Vieira, autor de um frango tão enorme, no chute longo de Daniel Alves, que daria para alimentar todo o Cone Sul.

Mas, se desviarmos o olhar para a nossa meta, então, veremos que Júlio César foi o grande pilar dessa conquistas, com meia-dúzia de defesas incríveis, além dos dois gols salvos por Daniel Alves, no primeiro tempo.

Esse gol, porém, em vez de se aproveitar da natural depressão que se abateu sobre a Celeste, por um breve momento, recuou, e o Uruguai passou a pressionar. Mesmo assim, aos 35 minutos, Juan foi lá e, em duas cabeçadas certeiras ampliou.

Contudo, só na segunda etapa, quando Luís Fabiano marcou o terceiro gol brasileiro, numa boa trama entre Robinho, Kaká, Elano e o artilheiro, que acertou belo tiro cruzado, sem ângulo, nós conseguimos botar a bola no chão esburacado do estádio Centenário.

E esse foi um fator decisivo para que o Brasil não tocasse a bola melhor e por mais tempo, envolvendo o adversário, ao nosso estilo tradicional.  Não o único, porém: a presença de três volantes de contenção também influiu estruturalmente nessa clara dificuldade do time brasileiro ao longo da maior parte do jogo.

Mas, o que ficará para a história é o placar de 4 a 0, raro em confrontos desse tipo, fechado por pênalti sofrido e convertido por Kaká.

Por Milton Trajano

OS DESTAQUES

 Júlio César, sem dúvida, foi espetacular, porque interveio nos momentos mais críticos, de forma sensacional.

A dupla de zaga – Lúcio e Juan – foram impecáveis, enquanto Daniel Alves fez um gol e salvou outros dois.

No meio-de-campo, Felipe Mello confirmou sua presença, marcando e armando mais do que seus outros dois parceiros de setor – Elano e Gilberto Silva.

Kaká, embora abaixo de suas habituais performances, pontuou jogadas decisivas, e Luís Fabiano foi o mais pontiagudo de nossos atacantes, como sempre, aliás. O diabo é que acabou sendo expulso injustamente, pois pulou sobre o goleiro e perdeu, na sequência, o equilíbrio, cena interpretada erroneamente como tentativa de cavar pênalti, pelo juiz.

E Robinho? Robinho errou passes como todos os demais jogadores em campo, mas ajudou muito (incrível, como as pessoas não vêem isso!) na marcação, roubou bolas preciosas até na área brasileira, deu um passe esperto para Elano, que não soube aproveitar, puxou o contragolpe que resultou no gol de Luís Fabiano, aquele que definiu de vez a vitória, e tal e cousa e lousa e maripousa. A turma, porém, continua atirando pedras no rapaz, dizendo que ele tentou enfeitar cada bola que recebia.

É, como sempre, o chavão imperando sobre a visão e a reflexão.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE AMAURI
  2. BELA VITÓRIA
  3. NAS NÉVOAS DE TERESÓPOLIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última