SAI KAKÁ. ENTRA…
Direto de Johanesburgo – Dunga não é de inventar moda. Portanto, é lícito esperar que, no lugar de Kaká, suspenso, entre seu reserva imediato, Júlio Baptista, contra Portugal.
Kaká e Júlio Baptista não guardam entre si o mesmo estilo, todos sabemos. Kaká, em forma, mexe-se muito mais, incluindo suas descaídas para os flancos, como no lance que precedeu o gol de Elano contra a Costa do Marfim, é mais técnico e hábil do que Júlio Baptista.
Contudo, ambos têm algo em comum: as arrancadas com a bola nos pés desde o meio de campo, lance em que Júlio Baptista, neste exato momento da fase de recuperação de Kaká, pode oferecer algo mais do que o titular, por conta de suas melhor condição atlética.
O xis da questão, porém, nem é esse, do ponto de vista técnico ou físico. É algo que transita na fronteira do esotérico até: Júlio Baptista foi, num determinado momento do percurso da Seleção de Dunga, um talismã, um amuleto, aquele jogador de quem pouco se esperava que, de súbito, resolveu jogos decisivos.
Mas, se Dunga optar por outra solução, duas assomam a cena das especulações. A primeira, a entrada de Daniel Alves por ali. Não é jogador da mesma posição, mas, com sua movimentação, sua habilidade e seu chute forte de média e longa distância, pode quebrar um galhaço. A segunda, recuar Robinho para a meia e encaixar lá na frente, ao lado de Fabuloso, o lépido Nilmar. Sobretudo, no caso de Elano não se recuperar daquela entrada criminosa do marfinense.
Ah, sim, sei, existe também a possibilidade de Dunga aproveitar Ramires, que, na definição do técnico, é meia, não volante, assim como Kleberson (?). Afinal, todos estão lá no grupo, e o grupo, como todos estão cansados de saber, é um só, unido e inquebrantável.
A GOLEADA DA COPA
Dificilmente teremos, ao longo da Copa, goleada como essa que Portugal aplicou na Coréia do Norte: 7 a 0, como quem toma um copo d’água na varanda de casa em fim de tarde de verão.
Foi um passeio que poderia ter culminado num placar estratosférico, pois, além dos 7 gols convertidos, os portugueses perderam mais um caminhão de melancias. Só Cristiano Ronaldo, que cansou de servir os companheiros, desperdiçou umas três oportunidades – numa delas, um tiro de longe, a jabulani foi certinho no ângulo esquerdo do goleiro, ainda pregado no chão, e no último segundo, a caprichosa bichinha balançou a cabeleira e chocou-se com o travessão.
Há quem veja nessa goleada estrondosa de Portugal a prova de que fomos péssimos na estreia contra a mesma Coreia do Norte. Discordo. Estreia é estreia, muito diferente do segundo jogo, quando a alma já está mais amansada pelo batismo.
De qualquer forma, isso, somado ao bom desempenho brasileiro contra a Costa do Marfim, reveste o próximo confronto, entre Portugal e Brasil, de uma expectativa extra, que transcende à mera disputa pela classificação, já obtida pelos brasileiros e praticamente definida para os lusitanos.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasil, cartão vermelho, Dunga, Júlio Baptista, Kaká, substituto, suspensão

