VALEU PELA RAÇA
Parece que estava escrito por mãos sinistras. Em menos de seis minutos de bola rolando, o Brasil já estava sem sua zaga titular – Bruno Uvini machucado e Juan expulso – e perdendo por 1 a 0, fruto de um pênalti infantil cometido por Juan.
Mesmo assim, nossos meninos se desdobraram em campo, assumiram o controle do jogo e atacaram, até chegar ao empate num golaço de Willian – tiro certeiro de fora da área.
Os argentinos, apesar da vantagem numérica, permaneciam encolhidos lá atrás, à espera de que o relógio disparasse antes da virada que se desenhava no ar com fortes traços.
Eis que, no entanto, numa bola ao chão, à altura de nossa intermediária, Casemiro toca, sem razão, para o meio, nos pés de um adversário, enquanto baixava um apagão em toda a zaga brasileira. Ora, como o menino Iturbe é bom de bola, ele partiu pra cima, limpou dois e tocou na saída do goleiro Gabriel.
Ainda assim, apesar de todas as provações, nossos meninos foram em frente, meteram uma bola na trave e criaram mais duas chances claras de gol.
Valeu pela determinação dos nossos garotos, com destaque especial para o volante Fernando e o meia Lucas, que estiveram no centro de quase todas as ações brasileiras, tanto atrás quanto na frente.
O diabo é que não só perdemos a liderança para o Uruguai, como não teremos Uvini pelo resto do torneio, nem Juan e Neymar para a partida contra o Equador.
Mas, se o time jogar com esse espírito, haverá de dar a volta por cima em todas as adversidades.
Alívio no Parque
Não foi a redenção, pois esta só vira quando e se o Corinthians levantar a taça da Libertadores. Mas, a vitória por 1 a 0, por certo, servirá para apaziguar um pouco os ânimos exaltados da Fiel.
Contudo, olhando para o futuro mais próximo, é bom lembrar que o Palmeiras jogou melhor, criou várias chances de virar o placar e esbarrou na ótima forma do goleiro corintiano Júlio César.
Isso quer dizer que o Timão terá ainda um bom caminho a percorrer para, ao menos, recuperar a dignidade e terminar o Paulistão em alta.
Para dar esse novo rumo, a diretoria acaba de contratar William, o ex-zagueiro e capitão da equipe, na função de gerente de futebol.
William me parece um moço inteligente, com plena ascendência sobre seus companheiros de ontem. Mas, embora com longa vivência no futebol, tenho minhas dúvidas de que já esteja preparado para esse cargo, que, no Bra sil, é ainda incipiente e de contornos imprecisos, o que costuma levar a mal-entendidos frequentes. Enfim, um cargo que vaga ao sabor das ondas do futebol: ora, é instituído; ora, destituído.
No fim de tudo, o que conta mesmo é o comportamento do time em campo. E, para que ele seja mais proveitoso do que tem sido, é fundamental que o técnico escolha um sistema de jogo, escale os jogadores ideais de que dispõe no elenco para executá-lo e pau na máquina!
O resto é conversa fiada pra boi dormir.
As três estrelas
Ronaldo Fenômeno, depois da investida no twitter, preferiu se eximir do clássico.
Já o Ronaldinho Gaúcho fez seu primeiro gol com a camisa do Fla. De pênalti, é verdade, mas batido com categoria. Ainda não foi o Ronaldinho que pode ser na Gávea, mesmo sem alcançar o patamar dos tempos áureos do Barça. Mas, deu alguns passes de classe, ensaiou esta ou aquela jogada de seu vast o repertório e tal e cousa e lousa e maripousa.
Está ainda claramente sem ritmo de jogo adequado. E isso só vira com o tempo e o exercício, claro.
Por fim, Rivaldo refluiu em relação à sua estreia no São Paulo. Na derrota por 2 a 1 para o Botafogo de RP, teve uma atuação discretíssima. Mas, é impossível avaliar o quanto dessa discrição se deve ao jogador, individualmente, ou á confusão tática armada pelo técnico Carpegiani.
Apesar disso, o Tricolor paulista até que poderia ter chegado, pelo menos, ao empate. Sobretudo, após a entrada de Marcelinho Paraíba, que dinamizou um pouco o meio-campo e o ataque de seu time.
Jogaço
Isso, sim, foi um clássico que honra as tradições do futebol carioca. Não só o passado, mas, principalmente, o presente de tantas realidades e expectativas.
Botafogo e Fluminense gastaram a bola na vitória por 3 a 2 do Glorioso. Pena que a arbitr agem tenha sido tão ruim, prejudicando os dois times em várias situações.
Ótimo para o moral do Botafogo, que alcança a liderança de seu grupo, batendo o melhor time do Brasil. E nem um pouco depreciativo para o Flu, que, mesmo na derrota, demonstrou suas altas qualidades.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Argentina, Botafogo, Bruno Uvini, Corinthians, Fluminense, Juan, Palmeiras, Ronado, sub 20


