JOGADAS SECRETAS (?)
Direto de Johanesburgo - Outro dia, a Fifa passou um sabão na CBF por causa dos tais treinos secretos. Não por razões nobres, tipo direito à informação, transparência, essas coisinhas que elevaram o homem à condição de cidadão. Nada disso: a justificativa da Fifa era meramente mercantil – fechando os treinos, Dunga não permitia que a TV divulgasse os patrocinadores da Seleção e da Copa.
Logo, Dunga achou o meio-termo adequado: abriu para imagens quinze minutos de um treinamento inócuo, e fechou para todos a parte fundamental de seu exercício.
Quem sabe Dunga esteja preparando algo especial para surpreender a Costa do Marfim que não queira seja divulgado pela imprensa inimiga. Ou seja: nós. Algo além daqueles treinos todos que executou até agora à vista de todos, que, diga-se, nada tiveram de original. Além dos tradicionais bobinhos, treinos alemães, cruzamentos para a área, coletivos convencionais.
Nenhuma jogada ensaiada com a bola correndo, tipo, sei lá, fulano e beltrano trocam bola aqui e, de repente, Lúcio parte de surpresa e recebe ali para chegar à cara do gol. Vamos tentar uma vez, duas, três, quatro, até que a jogada seja devidamente assimilada por todos.
Essas coisas, quando acontecem – e acontecem – são, em geral, fruto do instinto dos jogadores, não de exaustivos treinamentos, secretos ou não.
De resto é aquela jogada de ultrapassagem do lateral, combinada como o meia, que Cláudio Coutinho sistematizou há mais de trinta anos.
Espero que, desta vez, a coisa tenha mudado de figura.
ROBINHO ARMANDO?
Robinho disse outro dia que topa assumir o papel de organizador de jogo do time brasileiro.
Se bem pensado, no elenco atual, com Kaká rendendo muito abaixo do que sabe e pode, eis uma alternativa interessante. Aliás, já me referi a essa possibilidade tempos atrás: Robinho recuaria, digamos, para o lugar de Elano ou de Felipe Melo, passando Elano para a posição de segundo volante, neste caso (o mesmo se aplica na eventual saída de Gilberto Silva, ficando Felipe Melo na função de primeiro volante e Elano na de segundo, por exemplo).
E, ao lado de Luís Fabiano, o lépido Nilmar. Hipótese: Felipe Melo ou Gilberto Silva, Elano, Robinho e Kaká; Nilmar e Luís Fabiano.
Robinho, embora não seja um jogador cerebral, como a função exige, participa demais no combate ao adversário (é bom ladrão de bolas), movimenta-se muito, e sempre se posiciona em posição de receber a bola e dar sequência à jogada. E, se não é exemplar no passe, é capaz de surpreender com bolas bem endereçadas aos seus companheiros, como naquele gol de Elano contra a Coréia do Norte.
E não perderíamos suas proverbiais pedaladas lá na frente, porque Robinho é veloz e logo chega ao ataque, pelo meio ou pelos flancos.
É no que dá não termos um especialista no setor.
KAPUT!
A Alemanha, que estreou tão bem, goleando a Austrália, caiu diante da Sérvia num bom jogo de bola, por 1 a 0, gol de Jovanovic, um dos melhores sérvios, ao lado de Stankovic e Zigic, um grandalhão lá na frente, que faz bem o pivô, sobretudo de cabeça, mas não é bobo com a bola nos pés, não.
Em contrapartida, o craque alemão, Podolski, pode-se dizer, enterrou o seu time, ao bater nas mãos do goleiro pênalti cometido, surpreendentemente, por Vidic, um dos melhores zagueiros do mundo. Na verdade, Podolski não perdeu apenas o pênalti. Desperdiçou mais três grandes chances de empatar com a bola rolando.
É fato que a Alemanha, embora perdendo um jogo que teve três bolas na trave (duas da Sérvia) e muita movimentação, teve de superar a expulsão um tanto rigorosa de Klose, ainda no primeiro tempo. E, mesmo assim, teve o controle do jogo.
Caiu, mas não morreu, não.
SEM ZIDANE…
Ao longo destes quatro anos tenho dito aqui que a França campeã do Mundo e da Europa, na virada do milênio, era, essencialmente Zinedine Zidane, um dos mais inteligentes e talentosos jogadores que vi em campo até hoje.
Assim como havia sido nos anos 50 sob o comando de Kopa, e, nos 70, à sombra de Platini. Três craques extraordinários, que tiveram, sim, alguns companheiros de escol, como Fontaine e Piantoni, em 58; Trésor e Tigana, nos 70; e Blanc, Desailly, Henry, nos 90/2000.
Prova disso é que a França só conseguiu classificar-se para esta Copa com aquele gol absurdamente ilegal de Henry, em pleno declínio, onde cumpre campanha desoladora nesta primeira fase: um empate tedioso por 0 a 0 com o Uruguai e a derrota para o México, por 2 a 0, o que deixa os franceses com as calças nas mãos em seu grupo, pois basta Uruguai e México não passarem do meio do campo que ambos seguem em diante e a França volta pra casa.
Talvez, o que desande a marmelada seja o temor de ambos – se é que existe – de enfrentar a Argentina na fase seguinte.
Mas, esse cenário me faz lembrar a Copa de 54, na Suiça, quando Brasil e Iugoslávia se defrontaram num jogo em que o empate classificaria os dois. O diabo era que os brasileiros desconheciam o regulamento, e se esfalfavam em campo, enquanto os iugs tentavam dizer-lhes para sossegar o pito.
O ponta Maurinho, interpretando os gestos dos iugoslavos como afronta, quis partir pra briga e quase foi expulso.
Ah, sim, o jogo acabou empatado e coube ao Brasil enfrentar a Hungria. No fim das contas, Maurinho estava certo.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Alemanha, felipe Melo, Gilberto Silva, Jovanovic, Kaká, Podolski, Robinho, Seleção Brasileira