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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 17:09

CALCIO E FUTEBOL

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O jogo em si não passa de um caça-níqueis, e as duas equipes que se enfrentarão em Londres não inspiram grandes expectativas de que tenhamos um desses momentos deslumbrantes do futebol.

Mas, Brasil e Itália carregam na alma a rivalidade dos deuses.

O Brasil é pentacampeão do mundo e a Itália tetracampeã. São, pois, nove títulos mundiais em campo. Isso, porém, não basta, pois não são essas similaridades que explicam a profunda rivalidade, mas, sim, as diferenças.

A Itália já praticava o Calcio na Florença de Maquiável, Da Vinci e Michelangelo, lá pelos 1500, Renascença em flor. Por isso mesmo, os italianos torcem o nariz quando os ingleses se apresentam como os inventores do futebol, embora o Calcio medieval pouca relação tinha, segundo os historiadores, com o jogo hoje praticado no mundo todo, sob as regras inglesas estabelecidas basicamente no final do século 19.

Aquelas eram disputas em torno de uma bexiga de boi inflada até mesmo por dejetos, com 22 pelejadores de cada lado e sob um clima de intensa violência, praticamente uma guerra.

Restaram na memória coletiva italiana a expressão Calcio, pra designar futebol, e esse espírito guerreiro, tático, defensivo, herdado talvez daqueles tempos em que a fragmentada Itália em cidades-estados, reinos, cidades-papais, vivia em pé de guerra, e a turma só pensava naquilo: defender seu próprio burgo do ataque vizinho.

Tanto que, para os italianos, uma partida de futebol raramente é chamada de giuoco – jogo, como nos é comum -, que possui um significado mais lúdico, divertido. E, sim, de gara – disputa, competição, rivalidade.

Assim como Calcio, em seu primeiro sentido, é pontapé, coice, não exatamente o que sugere o nosso futebol abrasileirado do inglês foot-ball, pé na bola, numa tradução literal.

Mesmo porque, se os italianos deram os primeiros chutes na Europa e os ingleses organizaram a bagunça, coube aos brasileiros, já no século passado, transformar esse jogo em arte, brilhante combinação entre competição e espetáculo, jogo coletivo e liberdade de criação individual.

É verdade que, a partir dos anos 90, com a globalização, regredimos muito nesse sentido, absorvendo mais o espírito italiano de gara e utilizando menos os ensinamentos deixados pela escola brasileira de jogar bola, embora continuemos sendo o maior produtor de craques do mundo, em quantidade e qualidade.

Portanto, desconfio que o jogo desta terça-feira, em Londres, será mais à italiana do que à brasileira, o que é sempre desagradável aos olhos daqueles que conheceram as diferenças em sua plenitude e agora são obrigados a conviver com as similaridades.

Notas relacionadas:

  1. JOGANDO COM A ESPERANÇA
  2. CASO SÉRIO E AMEAÇA RIDÍCULA
  3. CORRIGINDO O EQUÍVOCO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

domingo, 1 de fevereiro de 2009 Seleção Brasileira | 14:30

CORRIGINDO O EQUÍVOCO

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A convocação de Amauri para o amistoso com a Itália, dia 10, em Londres, foi um equívoco que tende a se desdobrar numa ópera bufa, com a negativa da Juventus em ceder o jogador, sob a alegação de que sua convocação pela CBF foi fora do prazo previsto para as circunstâncias. É verdade. Foi além do prazo estipulado pela Fifa nesses casos. 

Mas, obviamente, isso é apenas um pretexto. De fato, a Juve decidiu pelo jogador, dividido entre dois desejos atrozes: o de defender o Brasil, como uma volta por cima no futebol de seu país que o rejeitou no início de carreira, e o de esperar o timbre oficial de sua segunda cidadania e atender à chamada da Azzurra, que já lhe foi prometida pelo técnico Lippi.

Na Seleção Brasileira, suas chances de atuar pra valer são muito menores do que a de ganhar cadeira cativa na Itália. E a Copa do Mundo, auge da carreira de qualquer jogador, está aí, a um beiço. Logo…

É um bom atacante, nada excepcional, goleador implacável, na contida medida do calcio em geral, e só. Não é nenhum Ronaldo Fenômeno, nenhum Romário, dos bons tempos, longe disso.

Portanto, nada justifica a CBF insistir na convocação de Amauri. Muito mais útil para o time canarinho seria Dunga abrir uma exceção na regra imposta para esse amistoso e convocar um atacante brasileiro que atue por aqui. É só escolher: Nilmar, Kleber Pereira, o menino Keirrison, se quiser iniciá-lo nos segredos da Seleção etc.

Notas relacionadas:

  1. PODE, COMO NÃO PODE
  2. A VEZ DE AMAURI
  3. BRAVO, MENINOS!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

terça-feira, 27 de janeiro de 2009 Futebol internacional | 16:43

CASO SÉRIO E AMEAÇA RIDÍCULA

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O caso é sério, mas a ameaça é ridícula.

O caso Cesare Battisti – o marginal que virou terrorista, condenado a prisão perpétua pela justiça italiana, por ter matado quatro pessoas, fugitivo da prisão de lá e livre como passarinho por aqui – ameaça o secular bom relacionamento diplomático entre Brasil e Itália.

Isso, porque o governo brasileiro decidiu dar asilo político a Battisti, considerando que seus atos não foram de terrorismo e, sim, de subversão, tênue linha semântica, mas significativa.

Por sua vez, o governo italiano se sente extremamente melindrado – não sem boa dose de razão -, considerando que a atitude brasileira é uma condenação automática ao seu sistema judiciário, que julgou e condenou o réu dentro de todas as normas legais comuns à maioria dos países democráticos do mundo. A ponto de chamar de volta à Itália seu embaixador no Brasil.

Ridícula, porém, é a ameaça feita pelo subsecretário das Relações Exteriores, Alfredo Mantica, de que o jogo amistoso entre Brasil e Itália, em Londres, deveria ser cancelado.

Ora, por que simplesmente um jogo de futebol? Um jogo desses é um intercâmbio comercial como outro qualquer, entre empresas brasileiras e italianas. Nesse caso, não seria muito mais importante cortar os liames comerciais, digamos, entre a Fiat italiana e a Fiat brasileira?

Se Dr. Mantica acha que esse gesto abalará os sentimentos do brasileiro comum, forçando-o a pressionar o Itamarati, Lula e a justiça tapuia a mudar sua decisão, está duplamente enganado.

Entre outras coisas, porque o brasileiro comum, neste momento, nem está aí para a Seleção Brasileira, muito menos para o caso Battisti. No máximo, espia com um olho só a crise que já chegou pra valer em terras tupiniquins.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 14:29

TRI, MAIS DO QUE HEXA

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Esse negócio de bi, tri, hexa, passa mais pela quantidade do que pela qualidade. O número 6 (hexa) é simplesmente o dobro de 3 (tri). Logo, a torcida tricolor sai por aí cantando vitória quase certa de véspera: “Hexa! Hexa!”.

Antes do hexa, vêm o penta, o tetra e o tri, e aqui paramos para um mergulho nas origens dessas denominações tão em voga hoje em dia no mundo do futebol.

Até a conquista do Tri, no México, essas expressões só se restringiam às séries seqüenciais, ano a ano – dois campeonatos seguidos, bi; três, tri e assim por diante. Isso, claro, com referência aos campeonatos estaduais, que representavam a base do calendário nacional. Vale lembrar que não havia campeonatos brasileiros, a não ser o Rio-São Paulo, por um período, depois transformado em Robertão, a par da Copa do Brasil, que era um mata-mata que só foi ganhar dimensão quando o Santos de Pelé se defrontou com o Cruzeiro de Tostão, briga de cachorro grande.

Em Copas do Mundo, jogada de quatro em quatro anos, esse negócio de bi só era usado para duas seleções nacionais; a Itália, bi em 34/38; e o Brasil, bi em 58/62. Mas, então, por que o Tri do México, já que 66 nos separava do bi convencional?

Em primeiro lugar, porque era a primeira seleção a conquistar três títulos, ainda que alternadamente. Em segundo lugar, porque, pelo regulamento da Fifa, quem levantasse a taça por três vezes, ainda que não sucessivamente, a levaria definitivamente para casa.

Era, pois, uma exceção, um instante histórico que jamais se repetiria, já que a Taça Jules Rimet não mais entraria em disputa até o fim dos tempos. Por isso mesmo, quando se fala da conquista do México, grafa-se o Tri com T maiúsculo.

Aliás, houve tremendo debate a respeito, na época: uns, contra essa denominação; outros, a favor, por sua excepcionalidade.

Mas, o que era exceção acabou virando regra aqui entre nós, sobretudo nas últimas décadas. E o pessoal passou a falar grego sempre que se referia aos títulos brasileiros obtidos por seu clube, mesmo fora de seqüência.

Pergunto, porém, ao tricolino amigo que já festeja antecipadamente o hexa que não veio ainda: o que vale mais? – os seis títulos alternados, ou os três sequenciais? Vai que o São Paulo, por um desses acidentes de percurso, perfeitamente possível, perca o título deste ano. Se ganhar o do próximo ano, será igualmente hexa.

Mas, tri, assim, um atrás do outro? Esse será um feito único, histórico, que, pelo andar da carruagem, levará muito tempo para deixar de ser exclusivo, dado o equilíbrio natural do futebol brasileiro.

Mais ainda para o São Paulo, que tem uma relação amarga com essa palavrinha mágica – tri. Basta dizer que é o único dos grandes paulistas que jamais conseguiu ser tri nas competições estaduais. Bateu na trave várias vezes – em 47, 50, 72, 82, sei lá quantas mais. Em 50, por exemplo, estava cinco pontos na frente do Palmeiras, e, nas últimas três rodadas, perdeu seis pontos e cedeu o empate para o Verdão, que levantou a taça, naquele 1 a 1 célebre.

Na Libertadores, tão cara aos torcedores mais jovens, idem, com batatas.

Logo, amigo tricolino, se quiser cantar vitória antes da hora, seja mais comedido e grite: “Tri! Tri! Neste caso, menos vale mais.

Notas relacionadas:

  1. QUE CAMPEONATO É ESSE?
  2. A ROLETA GIRANDO
  3. E O SÃO PAULO CHEGOU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última