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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 20:01

OS FILHOS PRÓDIGOS

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Essa história do filho pródigo que à casa torna, no futebol, é tão antiga quanto à bíblica.

Já lá pelos anos 20 e 30, uma legião de brasileiros, quase todos oriundi (descendentes de italianos) partiram para a Bota, tiveram êxito – alguns serviram à Seleção Italiana -, e, depois voltaram, com saudades da feijoada, da batucada, essas coisas.

Só para lembrar: Filó, De Maria, Ministrinho, os irmãos Fantoni, Gambarotta, sei lá quantos mais.

O caso mais patético foi o do mineiro Niginho, que, ao voltar da Itália, foi convocado como reserva de Leônidas da Silva para a disputa da Copa do Mundo de 38, na França. Sucedeu que Leônidas se machucou às vésperas do jogo pelas semifinais com a Itália. E, quando o técnico Ademar Pimenta resolveu escalar Niginho, só então ficou sabendo que o jogador estava vetado pela Fifa por não ter rescindido seu contrato oficialmente com o clube italiano que detinha seu passe, creio que a Lazio.

Resultado: o meia-direita Romeu Pelliciari foi deslocado para o comando do ataque, no lugar de Leônidas, e Luizinho – Luiz Mesquita de Oliveira -entrou na meia, embora fosse ponta-direita de origem e vocação.

O Brasil perdeu e toda a ira nacional recaiu sobre Leônidas, acusado de ter se vendido ao ouro de Mussolini, o ditador italiano na época.

Já nos anos 50, depois da Guerra, vários brasileiros partiram para a Europa. Dentre eles, Julinho, o Júlio Botelho. Em 55, foi para a Fiorentina, que não ganhava um campeonato desde que Da Vinci e Michelangelo faziam suas diabruras.

Rodada decisiva do campeonato italiano, a Fiorentina vai a Bolonha, e está tomando de 2 a 0, lá pelos 35 minutos do segundo tempo. Pois, Julinho recebe, parte para cima dos adversários, dribla meio time e reduz. Para 2 a 1. Bola no centro, Julinho recupera, tabela, e rede! Nova saída, bola pra Julinho, que se livra de um, de dois, e fuzila. Fiorentina, campeã, pela última vez em sua história.

Julinho foi carregado nos ombros dos torcedores de Bolonha a Florença, onde até hoje preserva-se uma placa de bronze ao lado da mesa que ele frequentava na cidade das flores, em que se inscreve: “Aqui, comeu Julio Botelho, o Sr. Tristeza”.

Sr. Tristeza porque, como se diz, ele deixou a Penha, bairro da zona Leste de São Paulo, mas a Penha nunca o deixou. Por isso, apesar do imenso sucesso na Itália, Julinho voltou em 1959, para o Palmeiras e para protagonizar outro episódio épico.

Jogo Brasil e Inglaterra, Maracanã lotado à espera de ver os dribles demoníacos do Anjo das Pernas Tortas, Garrincha. Pois, quem entrou com a camisa 7 em campo foi Julinho para receber a vaia mais sonora do templo do futebol.

Pra resumir: fez um e deu outro para Henrique, centroavante do Fla, marcar os 2 a 0 finais. O Maracanã, em pé, depois da vaia histórica, aplaudiu Julinho em pé.

Se listar aqui todos os que foram, fizeram fama e fortuna, e voltaram para ainda mais enriquecer nosso futebol, ocuparia todos os bytes da paciência do internauta. Assim, como os que foram, falharam e voltaram para se reerguer aqui.

Não há regras nem receitas. Há apenas o balanço das circunstâncias, que o amigo pode chamar de destino.

Liedson, já
Consolo para a Fiel, se isso ainda for possível depois da tragédia recente: Liedson chega e pode entrar já no time que dará outra feição ao ataque corintiano.

Acabei de vê-lo em ação, pelo Sporting, contra o Naval, no empate por 3 a 3. Liedson não só fez dois dos três gols de sua equipe como revelou estar, fisicamente, nos trinques. Basta dizer que, um minuto antes de marcar o terceiro gol, aos 44 minutos do segundo tempo, deu um pique de quarenta metros e quase chega para fazer.

Na verdade, a Fiel terá um impacto com a presença de Liedson no lugar de Ronaldo Fenômeno. Sem ter a mesma técnica e habilidade de Ronaldo, Liedson é sua antítese: magrinho, leve, rápido e oportunista, por certo, será mais eficaz do que o craque histórico.

E, não valesse essa observação pontual, bastava constatar as tantas homenagens que lhe prestou a torcida do Sporting, com retratos e dísticos de agradecimento ao artilheiro que partia.

Liedson deixou sua marca em Portugal, e, certamente, remarcará sua lembrança lisonjeira do breve tempo em que usou a camisa alvinegra.

Notas relacionadas:

  1. O FENÔMENO E O DIAMANTE NEGRO
  2. PACAEMBU SETENTÃO
  3. O CERTO QUE DEU ERRADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 11 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 16:30

RONALDINHO E A FESTA

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E Ronaldinho, finalmente, botou o preto no branco com o Rubro-Negro. Já não era sem hora. Mesmo porque nesse vai e vem e volta e tal e cousa e lousa e maripousa, o craque consumiu um bom par de dias para se dedicar aos treinamentos da já tão curta pré-temporada.

É verdade que ele vem da Itália, onde o campeonato já rolava a toda. Mas, lá, ele vinha mais esquentando banco do que jogando. Depois, vieram as Festas de Natal e Ano Novo, os exageros naturais desse período, enfim, hay que entrenar, muchacho, hay que entrenar.

A propósito, tempos atrás, quando o futebol de Ronaldinho começou a declinar ainda no Barça, conversando a respeito com o técnico Muricy, colhi dele uma observação interessante: “Não é a cabeça, as noitadas, nada disso: são os músculos (bateu nas próprias coxas)”.

E explicou: toda aquela magia de dribles, assistências e gols antológicos que fizeram Ronaldinho Gaúcho duas vezes o melhor do mundo, sem discussões, advêm da força muscular para arrancar, brecar, arrancar de novo, rodar, mudar de curso subitamente, essas coisas.

Saber driblar, servir o companheiro, bater na bola com manha e destreza, tudo isso Ronaldinho sabe de cor e salteado e jamais desaprenderá. Mas, para executar com êxito todos esses movimentos e invenções, carece de que os músculos da coxa, sobretudo, respondam no ato, sem vacilar.

Muricy, pra quem não sabe, foi um meia desses. Certamente, sem todo o prodígio de Ronaldinho, mas quase. Portanto, sabe bem o que fala, mesmo à distância.

Bem, de qualquer forma, o que está feito não se desfaz. Cabe, agora, a Ronaldinho correr atrás de sua melhor forma física para atender aos enormes anseios da nação rubro-negra. E entrar nessa festa sem par entre os torneios estaduais do Brasil, que é o Campeonato Carioca, com todos os seus dribles, passes, assistências e gols com que nos deslumbrou em tempos recentes.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
  2. RONALDINHO, O MELHOR DA DÉCADA
  3. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 24 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 17:52

DÁ PRA GANHAR, É O QUE IMPORTA

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Direto de Johanesburgo – Nesta quinta-feira, em Durban, um treino leve e a quase certeza de que Elano está mesmo fora do jogo com Portugal, além, claro, das já proverbiais diatribes do técnico Dunga que pediu desculpas, não aos jornalistas ofendidos por ele (Alex Escobar e Carlos Maranhão), mas ao público em geral.

Ora, a massa tudo perdoa aos vencedores. Sobretudo, quando o ofendido foi o vizinho, não ela.

Mas, enfim, ao que interessa realmente: o Brasil tem tudo para passar por Portugal, mesmo sem Kaká e apesar de Dunga.

Primeira imagem

A imagem que me restou do primeiro encontro entre Brasil e Portugal foi aquela estampada em cores pela falecida Manchete Esportiva: o centroavante Gino, marcando o gol de bicicleta, no Estádio do Jamor, na excursão de 1956 que decretou a grande virada no futebol brasileiro, resultando na conquista de 58, na Suécia.

O gol foi uma beleza, mas o que mais encantou foi o gramado do Jamor, com suas largas listras verdes, esmeralda e musgo, alternadamente.

Hoje, isso é comum, até no Brasil. Mas, naquela época, em que nossos campos eram um lixo, a imagem calou fundo.

Afinal, o Pacaembu era um pasto, assim como a maioria dos campos brasileiros, com exceção, talvez, do gramado do Nacional, na Comendador Souza, sempre bem cuidado.

Lembro esse momento mágico da minha infância por causa de reportagem que li sobre o gramado do estádio de Durban, todo esburacado, a ponto de a Fifa proibir o Brasil de fácil o tradicional reconhecimento do campo de jogo.

Não dá pra entender que a Fifa, tão zelosa com as condições dos estádios a ponto de descartar, por exemplo, o Morumbi para a Copa de 2014, com tanta antecedência, não tivesse devidamente fiscalizado o estádio de Durban, com tempo necessário para evitar a realização de um jogo de Copa do Mundo num gramado devastado, justamente o piso, o palco, do espetáculo, enfim, o que de mais importante existe num jogo de futebol, além da bola e dos jogadores.

ITÁLIA, FORA

A Itália sempre vai tropeçando, tropeçando e chega lá. Desta vez, tropeçou, tropeçou e desabou diante da Eslováquia, um time de segunda, que só por sua própria incompetência permitiu que o jogo ganhasse contornos dramáticos no final.

Os eslovacos foram melhores, de cabo a rabo da partida. A não ser na ponta do rabo, quando permitiram aos italianos sonharem com a classificação. A Eslováquia havia aberto 2 a 0, com Vittek, mas não soube segurar a jabulani aos seus pés. Nem mesmo se aproveitar do desespero italiano, quando, por várias vezes, cercou a área inimiga com três contra três. Mesmo assim, ampliou para 3 a 1, já no fim da partida, com Kopunek, que acabar de entrar em campo, mas permitiu a Quagliarella reduzir, com golaço de fora da área.

Na verdade, esse time italiano é muito fraco. Seus dois únicos jogadores de alta classe são Buffon, que, machucado, ficou bufando no banco, e Pirlo, que só entrou no segundo tempo, quando a vaca já havia se afundado no brejo. Assim, é o segundo campeão do mundo que volta para a casa antes da hora.

HOLANDA E JAPÃO

Assim, a Holanda, que bateu Camarões por 2 a 1, vai pegar uma moleza na próxima fase. É verdade que a Holanda venceu, mas não encantou. Só desencantou depois que Robben entrou em campo, lá pelos 30 minutos, quando o jogo estava 1 a 1, gols de Van Persie e Eto’o, de pênalti. Afinal, Foi ele que meteu a bola no poste, que Huntelaar, no rebote, concluiu para as redes vazias.

Ao mesmo tempo, o Japão, jogando o fino, destruiu a Dinamarca, por 3 a 1, com dois gols de falta que marcam a passagem de Zico por lá. Que diria?

Notas relacionadas:

  1. GOLEADA COM RUGAS
  2. CRIATIVIDADE E EFICIÊNCIA
  3. BOA ESTREIA, UFA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 20 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:24

BELA VITÓRIA

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Logo ao primeiro minuto, Robinho escapa e dispara por cima, raspando o travessão. Parecia que esse seria o jogo: a Costa do Marfim, empurrada por Eboué e Yayá Touré no meio de campo, iria explorar o contragolpe rápido com Robinho, Kaká e Luís Fabiano, com o apoio de Maicon pela direita.

Mas, o tempo foi passando e os marfinenses mantiveram-se com o domínio da bola e dos espaços, embora não tivessem força nem habilidade para ultrapassar a firme defesa brasileira, onde Lúcio e Juan mantinham-se impecáveis, protegida com ciência, sobretudo, por Felipe Melo.

Kaká seguia perdendo passes e jogadas, enquanto Robinho longe estava daquele jogador cheio de truques a que estamos acostumados, o que deixava Luís Fabiano abandonado lá na frente, presa fácil da defesa adversária.

Sucede que justamente esses três definiriam o placar da primeira etapa, aos 24 minutos, quando Robinho, pela meia-direita serviu Luís Fabiano, que tabelou de calcanhar com Kaká para receber na frente e disparar um canhão no ângulo esquerdo de Barry: 1 a 0.


Fabuloso Luís
Quando parecia que o segundo tempo correria no mesmo leito do primeiro, entrou em cena, mais uma vez, Luís Fabiano, o nosso Luís Fabuloso: logo aos cinco minutos da etapa complementar, recebeu lá pelo bico direito da grande área inimiga, deu dois chapéus nos adversários que se atreveram a brecar-lhe os passos, ajeitou com o antebraço direito e bateu para as redes.

Golaço! O mais bonito até aqui na Copa. Tanto, que até o juiz, com um sorriso maroto, justificou o lance batendo no próprio peito, como se um lance desses não merecesse ser punido com toque: 2 a 0.

Bem, a partir daí, o Brasil se soltou, Kaká entrou finalmente no jogo, e, numa daquelas arrancadas pela esquerda que viviam nos últimos tempos apenas na nossa memória, cruzou para Elano ampliar o placar: 3 a 0.

Foi então que os marfinenses passaram a distribuir pancadas. E a primeira vítima foi Elano, que recebeu uma solada criminosa, cujo estalo ouviu-se em Pirituba – e não era o martelar do virtual estádio. Elano saiu de maca e em seu lugar entrou Daniel Alves.

Nessas alturas, o técnico Eriksson já havia desfeito o malfeito, botando em campo Gervinho, seu jogador mais hábil. E coube a Gervinho produzir o primeiro lance mais agudo de seu time. Arrancou do meio de campo e, quando se preparava, já na grande área para concluir, Juan corta espetacularmente. Mas, a bola ainda fica com Gervinho, que atrasa para um companheiro lançar na cabeça de Drogba: 3 a 1.

Aí, o tempo esquenta e, em poucos minutos, Kaká recebe dois cartões amarelos seguidos e vai para o chuveiro. Confesso que, pelo que vi e até segunda ordem, o segundo cartão não foi merecido.

De qualquer forma, era o momento, mais uma vez, de Júlio César dizer que veio, pois, em dois ataques sucessivos – um chute traiçoeiro de longe e um cruzamento fatal para Drogba – teve de livrar a cara da turma, com preciosas intervenções.

Há que se lastimar, claro, a perda de Kaká para o confronto com Portugal, justamente quando nosso craque dava sinais de que escapava daquele círculo de giz que o imobilizava há um bom tempo.

Mas, há, sobretudo, que saudar a bela vitória e a classificação inevitável para a próxima fase da Copa do Mundo.


ITALIA MIA!
Italia, Italia mia!, soltavam o dó de peito os antigos tenores italianos, em extensões inconcebíveis, há décadas substituídos pelos roufenhos declamadores atuais. Talvez, a Azzurra devesse recorrer aos velhos tenores pra ver se desperta nesta Copa em que caminha aos tropeços e se expressa num tom roufenho, quase inaudível.

Acaba de empatar por 1 a 1, creia, com a Nova Zelândia, seleção de quinta categoria, com todo o respeito. Jogou melhor, é verdade. Ou, pelo menos, teve mais posse de bola e criou duas boas possibilidades, além do gol de pênalti. Muito pouco, quase nada para um time com tantos galardões e história tão rica.

Sei bem que a Itália, em quase todas as Copas, é assim: tropica aqui, ali, mas acaba, no fim, celebrando uma campanha digna. Desta vez, porém, está exagerando. Mesmo porque sempre teve um ou dois craques que salvavam a pátria no momento decisivo, tipo Del Piero ou Totti, para citar os mais recentes. Mas, agora, nem isso.

Ao som da guarânia, o Paraguai vai fazendo bonito na Copa. Meteu 2 a 0 na Eslováquia, com a maior segurança. E, curioso, não foi aquele tradicional Paraguai retrancado, jogando no erro do adversário, nada disso. Jogou de peito aberto, criou suas chances e converteu as duas que lhe ofereceram de bandeja. Pelo visto, os sul-americanos, quebrando a tradição das Copas, caminham em bloco para a próxima fase.

Notas relacionadas:

  1. BELA VITÓRIA
  2. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  3. E A COSTA DO MARFIM?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 19 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 19:03

E A COSTA DO MARFIM?

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Direto de Joanesburgo – O sábado foi mais um dia marcado pelas pinimbas entre Dunga e a imprensa aqui presente. À tarde, um rachão, parcialmente secreto, seguido de uma coletiva obrigatória do técnico, que não acrescentou nada do já estabelecido. Entre outras coisas, porque, pelo visto, o barco segue com o timão amarrado e apontando para a mesma direção: mesmo esquema, mesmo time, mesma atitude, como a turma gosta de dizer.

Bem, se deu certo até aqui – isto é, se os resultados foram positivos –, por que cargas d’água mudar, não é mesmo?

Sim, claro, nossa Seleção não conseguiu desenvolver um futebol dos sonhos contra a Coreia. Ao contrário: jogou na conta do chá, sem correr maiores riscos, a não ser no finalzinho, quando poderia ter sofrido o empate inesperado pelo andamento moroso e sob controle na maior parte do jogo.

Mas, é esse o futebol de resultados, quer gostemos ou não.

Até Dunga, depois daquela partida, disse que precisávamos melhorar. E, tudo indica que seremos melhores neste domingo contra a Costa do Marfim. Se não, por uma progressão trabalhada da nossa equipe, ao menos porque, supõe-se, a Costa do Marfim, pelo perfil de seus jogadores, haverá de oferecer mais espaços do que o determinado e militarizado futebol norte-coreano.

Eles arriscam mais, e, se o Brasil mantiver a postura defensiva, num contragolpe, com Robinho, Maicon ou Luís Fabiano, pode chegar lá e até abrir a porteira para um placar mais compatível com nossas tradições.

A não ser que tudo desande e Drogba faça a festa. Uma possibilidade, não uma probabilidade.

drogba em treino da costa do marfim

Drogba, a arma mais conhecida da Costa do Marfim

COPA DAS DECEPÇÕES

Os grandes favoritos, afora a Argentina, andam decepcionando nesta Copa.

A Alemanha começou com tudo e, em seguida, kaput! A Inglaterra, então, nem se fala. E a Espanha, Diós! Por fim, a Holanda, que estreou vencendo bem, penou como um cão danado pra vencer o modesto Japão por 1 a 0, gol de Sneijder.

A Itália… Bem, a Itália é sempre assim: começa tropicando, mas chega lá, Deus sabe como.

E a França, que não era favorita de coisa alguma, entrou pela porta dos fundos e sai por ali mesmo, destroçada moral e tecnicamente, a ponto de cortar um de seus principais jogadores – Anelka – que xingou o técnico de tudo quanto é nome no intervalo do último jogo.

A verdade é que esta Copa do Mundo mais decepciona do que encanta.

LÚCIA E PACHAMÉ

Outro dia falei de Lúcia, mulher do silencioso mestre das palavras, Luis Fernando Veríssimo. E falei também de Pachamé, meu querido e velho amigo Pablo Forlán, campeoníssimo pelo Peñarol, São Paulo e Cruzeiro, nos anos 60/70.

Agora, junto ambos em torno de um foto histórica, impressa em página dupla num magnífico álbum de fotos de Pelé, patrocinado pela Coca-Cola que Lúcia recebeu de um amigo, executivo da multinacional: Pelé, com a camisa do Santos, perna esquerda estendida pra frente, esquerda pra trás, a, sei lá, uns dois metros do chão, vazando entre Forlán e Figueroa, com a gloriosa camisa do Peñarol dos bons tempos.

Plástico e elástico flagrante de um jogo memorável, segundo o próprio Forlán, emocionado com a lembrança captada não sei por Domício Pinheiro, Reginaldo Manente, Armando Rosário, Alberto Ferreira, Alberto Jacob, Luís Carlos Barreto, os fotógrafos oficiais do Rei.

Só sei que a foto tocou o coração guerreiro de Pachamé, que passou a exibi-la por todo o hotel, lotado de uruguaios, dentre eles, a sua família inteira. E ele mesmo ia explicando: foi num jogo entre o campeão da América e do mundo, em 69, vencido pelo Santos, claro.

Jogo ainda mais memorável  para Forlán porque foi a única vez em sua longa carreira que trocou camisa com um adversário, justamente Pelé.

Por quê?

- Porque, para mim, adversário era inimigo. Não tem gentileza, não.

Mas, Pelé está acima disso tudo. Forlán espia o Rei em plena ação e suspira:

- Foi, sem dúvida, o melhor de todos. Maradona, Cruyjff, Pedro Rocha, todos eles foram admiráveis. Pero, El Negro…

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. O VALOR DA TANZÂNIA
  3. A VEZ DO MALANDRO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 14 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 18:15

CRIATIVIDADE E EFICIÊNCIA

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Direto de Joanesburgo – Depois do reconhecimento de terreno no estádio Ellis Park, palco da estreia do Brasil contra a Coreia do Norte, Dunga deu uma entrevista protocolar, exigida pela Fifa, nessas ocasiões.

E, novamente voltou a investir sobre os críticos, que, há tempos, vêm reclamando um pouco mais de criatividade no nosso meio de campo. Entende-se a revolta do técnico, como parte da natureza humana. Afinal, seus números à frente da Seleção são significativos, coisa de 77,5 por cento de aproveitamento, um dos maiores índices da história, se não for o maior.

Mas, Dunga escorrega quando cita os 108 gols marcados em 55 jogos (entre oficiais e amistosos), o que dá, em média, quase dois gols por partida, como prova de que seu time é criativo, sim, senhor.

Criatividade é uma coisa; eficiência, outra. Um time que, diante de um adversário reconhecidamente inferior, técnica e historicamente, cria três chances e converte duas, por exemplo, ao longo de 90 minutos, é, sem dúvida eficiente, mas não criativo.

Assim como, invertendo os fatores, um time que cria dez chances e não faz nenhum, é criativo, mas não eficiente.

O Brasil de Dunga é, sem sombra de dúvida, eficiente: tem uma defesa sólida, graças, sobretudo, ao nosso goleirão, que, nas horas críticas, respondeu positivamente, sempre. Tem um meio de campo equilibrado na marcação, mas reticente na criação, e um ataque, que, quando acionado, cumpre seu papel.

Não foram poucas as partidas, neste período todo, em que nosso time ficou lá atrás encolhido, sem fluência para sair tocando e envolver o adversário, mesmo diante de adversários frágeis.

Assim como é pura verdade que o time cumpriu dois ou três desempenhos dignos de nossa história, diante de adversários fortíssimos, como Itália e Argentina, o que, aliás, foi aplaudido até com o justo estardalhaço que os feitos mereciam pela imensa maioria da crônica esportiva brasileira.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E, tanto é mais verdade que Dunga está atento ao problema do meio de campo que não tem feito outra coisa, nos treinos a que pude ter acesso, se não incentivar a circulação de bola no setor, seja nos treinos alemães, seja nos coletivos.

Mesmo porque, diante da correria que se espera dos norte-coreanos, na estreia desta terça-feira, esse será um expediente precioso – esconder a bola dos pequeninos, que, numa pedalada de Robinho, uma investida de Kaká, um impacto de Luís Fabiano, o gol acaba saindo. Ou, na pior das hipóteses, numa cobrança de falta de Elano ou Michel Bastos. É o que basta para aumentar ainda mais o índice de aproveitamento de Dunga e seus discípulos.

Kaká e colegas no último treino brasileiro antes da estreia

Kaká e colegas no último treino brasileiro antes da estreia

Holanda sem Robben

O técnico holandês, na véspera, disse que a jabulani faz coisas engraçadas no ar, mas, rasteirinha, ela será amiga fiel de seu time, que gosta mesmo é de tocá-la pra cá e pra lá, até achar a brecha para a vitória

E não deu outra. Mesmo sem Robben, sua principal estrela, a Holanda passou fácil pela Dinamarca: 2 a 0, fora mais umas três ou quatro boas oportunidades. E o gol de abertura, uma clara travessura da bola cruzada na área dinamarquesa que Polsen tocou de cabeça contras as próprias redes.

Não que fosse uma atuação de gala dos laranjas, nada disso. Mesmo porque a Dinamarca é outro departamento em relação aos adversários de estreia dos mais sérios candidatos ao título.

Claro, longe está daquela Dinamáquina de Olsen e os irmãos Michael e Bryan, mas jogou sério, marcou pra valer e dificultou ao máximo as ações dos holandeses, chegando, por duas vezes, a ameaçar o gol inimigo.

Olho nesses holandeses, sobretudo se Robben voltar com todo aquele fogo e o talento que demonstrou nos últimos tempos pelo Bayern de Munique.

Mamma mia!

Confesso que esperava um jogo ainda mais ranheta, coroado por um zero a zero gigantesco. Afinal, era a Itália do catenaccio contra o Paraguai da retranca. Até que não chegou a tanto, embora, tecnicamente, tenha sido um horror, com certa prevalência dos italianos, a partir de seu gol de empate.

Sim, porque, acredite: se houve um gol de empate, houve obviamente um gol de abertura: duas bolas alçadas na área, de um lado e de outro.

Quer dizer, então, que a Itália já pode ser descartada na corrida pelo título?

Nem pensar, os italianos são sempre assim: iniciam tropeçando nos próprios pés, vão indo, vão indo e acabam fondo, como dizia aquele filólogo dos gramados.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. PRA FRENTE, DUNGA!
  3. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 10 de setembro de 2009 Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 00:18

NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR

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Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.

E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.

Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.

Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.

PELAS OROPA

A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.

E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.

A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.

Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.

Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.

E LOS HERMANOS…

Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.

Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.

Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, NILMAR E RAMIRES
  2. HORA DA CONFIRMAÇÃO
  3. AGORA, A ÁFRICA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

domingo, 21 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 18:17

SHOW? QUASE

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Não foi um show, mas, quase. Tivesse o Brasil mantido no segundo tempo o mesmo ritmo do primeiro, e a goleada seria inevitável. Mas, que diabo!, com 3 a 0 no placar, depois de uma primeira etapa exemplar, em que a Itália sequer chegou a ameaçar a meta de Júlio César.

E os gols vieram naturalmente, como consequência do maior volume de jogo do Brasil, da imensa superioridade técnica da maioria dos nossos, e da proverbial precaução italiana: Luís Fabiano – alguém ainda duvida do nosso artilheiro? – duas vezes e Dossena, contra, em cruzamento de Robinho, montaram o placar definitivo do jogo. Todos os gols de bola rolando, lances trabalhados a partir do meio-de-campo, o que revela claramente o avanço desse time brasileiro em relação ao que é o verdadeiro jogo da bola.

Isso, sem falar nas várias chances criadas e desperdiçadas ou conjuradas por Buffon, que poderiam ter elevado o placar, o que seria inconcebível numa disputa entre os dois maiores campeões do mundo.

Assim, o Brasil passa sem sustos e com louvor para a semifinal da Copa das Confederações, enquanto a Itália amarga a desclassificação antecipada, já que os EUA bateram, com folga, o Egito, e levaram a vaga dos italianos.

Como? Os destaques da Seleção Brasileira neste jogo histórico? Maicon, mais uma vez, Felipe Melo, novamente impecável no meio-de-campo, Luís Fabiano, implacável na frente, e Robinho e Kaká, pela multiplicidade de ações do meio à frente. Ah, sim, e Lúcio, uma barreira lá atrás.

Notas relacionadas:

  1. ASSIM, SIM!
  2. BELA VITÓRIA
  3. RAMIRES, UM PASSO À FRENTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

sábado, 20 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 15:30

BRASIL E ITÁLIA, UMA VELHA PINIMBA

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Brasil e Itália têm uma pinimba especial, quando se trata de futebol. Na verdade, ao longo da história, um costuma ser a antítese do outro, quando não, em certos momentos, se confundem.

Os italianos sempre deram ênfase à força, à marcação cerrada, e ao contragolpe como arma letal para construir um acervo de conquistas só inferior ao do Brasil, em termos de Mundiais – são quatro deles e cinco nossos.

Romário na final de 1994

Em contrapartida, o Brasil encantou o mundo pela leveza de nosso jogo, nossa criatividade, a habilidade e em fazer arabescos inesperados com a bola, essas coisas que eles chamam de fantasias.

E tudo começou na França, em 1938, quando tínhamos um timaço, com Domingos da Guia, Leônidas da Silva e o diabo, e eles já eram campeões do mundo, com seus Piolas e Meazzas, quatro ícones daquela geração.

Pois Leônidas, machucado, não disputou aquela célebre semifinal da Copa do Mundo, e, como Niginho, seu substituto imediato, estava impedido de entrar em seu lugar por questões burocráticas, tivemos de improvisar nosso ataque, e perdemos por 2 a 1, graças a um pênalti, que, por pouco, não provocou declaração de guerra entre os dois países: Domingos, o Divino da Guia, pai de Ademir da Guia, considerado o maior zagueiro brasileiro de todos os tempos, quintessência da técnica, deu um pontapé intempestivo em Piola, dentro da área.

O juiz deu cal. O diabo é que os brasileiros, durante todos estes anos, juram que a bola estava já fora de campo, o que impediria o juiz de marcar pênalti. Podia até expulsar Domingos, mas, pênalti, nunca!

Enfim… Enfim, a Itália foi bi e nós tiramos o terceiro lugar, goleando a Suécia por 4 a 2, já com Leônidas, artilheiro da Copa, em campo.

O reencontro deu-se décadas depois. Precisamente, na desastrosa excursão brasileira à Europa, em 1956: 3 a 0 para os italianos, com um gol contra de De Sordi e dois de Giuseppe Virgilli, o Pecos Bill,  uma referência ao pioneiro herói em quadrinhos italiano, um cowboy americano capaz de laçar a lua.

Foi a mais humilhante derrota brasileira, além daquela para a Inglaterra, na mesma aventura, por 4 a 2, quando Gilmar dos Santos Neves defendeu dois pênaltis.

Mas, três meses depois da derrota em San Siro, o Brasil recebeu a Itália no Maracanã, na primeira transmissão direta pela tv no Brasil entre Rio e São Paulo, uma aventura da TV Record dos Carvalhos, que mereceria um livro por tudo o que passaram os técnicos que montaram o link entre os dois estados (não havia satélite naquela época).

Resultado: 2 a 0 para o Brasil, gols de Canário, que, mais tarde integraria o ataque histórico do Real Madrid, e de Ferreira, dois pontas do Ameriquinha do Trajaninho, na volta triunfal de Mestre Ziza à Seleção Brasileira, que acabou com o jogo.

A pátria, enfim, estava de alma lavada, e o próximo encontro pra valer deu-se na final da Copa do México, quando a melhor de todas as seleções nacionais da história meteu 4 a 1 na Itália de Rivera (eleito pelos italianos como o melhor jogador de seu país do século) e Sandrino Mazzola, com sobras físicas e técnicas.

Depois, sobreveio a tragédia de Sarriá: o Brasil, que todos – brasileiros e estrangeiros – consideravam o melhor time do planeta, perdeu a chance de disputar o título, ao perder para a Itália (um excelente time, mas que vinha tropeçando durante a competição, dividido, e sob severas críticas da própria imprensa italiana), por 3 a 2, quando o empate nos classificaria pra fase seguinte, três gols de Rossi, que vinha, por sinal, há um ano de estiagem.

Paolo Rossi x Júnior

Essa foi uma derrota emblemática, pois, com o passar dos anos, mudou até mesmo o nosso jeito de jogar. Viramos mais italianos do que brasileiros, o que ainda se reflete na Seleção de Dunga, que jogou na Itália no período em que esse conceito vigorava com força absoluta.

É o tal de futebol de resultados. Jogue mal, defensivamente, mas ganhe, esse passou a ser o slogan universal. E foi assim que o Brasil, em 94, levantou a taça nas fuças dos italianos, na primeira final da Copa decidida nos pênaltis, depois de modorrento jogo no tempo regulamentar.

Brasil e Itália enfrentaram o mesmo Egito nesta Copa das Confederações. O Brasil, jogando meio que à italiana, privilegiando a marcação, a defesa e o contra-ataque, tomou um totó do Egito, que tocou a bola, e só se salvou no finalzinho, com aquele gol de pênalti de Kaká, num 4 a 3 implausível.

O mesmo toque de bola que enredou a Itália, na derrota para o Egito, por 1 a 0.

A Itália de Lippi busca um futebol mais ofensivo, e o Brasil, com Ramires, mudou o braço da viola.

Vejamos no que vai dar. O Brasil, depois das mudanças e da boa vitória sobre os EUA, está melhor, mas a Itália é a Itália. E desta vez, tem dois Rossis. Algo me diz, porém, que dá Brasil, nem que seja no empate.   

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 19:23

BELA VITÓRIA

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Para quem só valoriza a eficiência, como os pragmáticos de plantão, Robinho foi simplesmente decisivo: espie aquela enfiada para Elano, que lha tocara de calcanhar, antes de se infiltrar área adentro e encobrir o goleiro, no primeiro gol do Brasil sobre a Itália, em Londres.

E o segundo, então? Pirlo saía de sua entrada da área, tranquilo, quando Robinho deu o bote por trás, recuperou, invadiu a área, pedalou diante de três beques italianos, e bateu no canto cruzado.

Robinho à parte, porém, o Brasil jogou bem, sobretudo no primeiro tempo, quando vários dos nossos se destacaram: Elano, jogando mais adiantado; Gilberto Silva; a dupla de zaga, Lúcio-Juan; esse goleiraço Júlio César, que, na etapa final, pegou finalização impossível de Tony; Marcelo, que voltou muito bem à Seleção etc.

Assim como o estreante Felipe Mello, que tomou conta do meio-campo com elegância, classe e eficácia nos desarmes e nos passes, como se fosse velho frequentador da Seleção.

Quem perdeu a chance de timbrar seu nome ilustre foi Ronaldinho Gaúcho, que jogou muito abaixo do que é capaz, sem, porém, comprometer. E Maicon, que está voando na Inter, mas, na Seleção, esteve muito acanhado. De qualquer forma, uma vitória significativa. Ah, sim, houve aquele gol legítimo de Grosso, no início, que poderia ter dado outro rumo ao jogo.

Isso, porém, entra na equação imponderável do “se”, que, como todos nós sabemos, não joga.

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