10/09/2009 - 00:18
Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.
E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.
Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.
Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.
PELAS OROPA
A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.
E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.
A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.
Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.
Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.
E LOS HERMANOS…
Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.
Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.
Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Diego Tardelli, Dunga, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Maradona, Nilmar
21/06/2009 - 18:17

Não foi um show, mas, quase. Tivesse o Brasil mantido no segundo tempo o mesmo ritmo do primeiro, e a goleada seria inevitável. Mas, que diabo!, com 3 a 0 no placar, depois de uma primeira etapa exemplar, em que a Itália sequer chegou a ameaçar a meta de Júlio César.
E os gols vieram naturalmente, como consequência do maior volume de jogo do Brasil, da imensa superioridade técnica da maioria dos nossos, e da proverbial precaução italiana: Luís Fabiano – alguém ainda duvida do nosso artilheiro? – duas vezes e Dossena, contra, em cruzamento de Robinho, montaram o placar definitivo do jogo. Todos os gols de bola rolando, lances trabalhados a partir do meio-de-campo, o que revela claramente o avanço desse time brasileiro em relação ao que é o verdadeiro jogo da bola.
Isso, sem falar nas várias chances criadas e desperdiçadas ou conjuradas por Buffon, que poderiam ter elevado o placar, o que seria inconcebível numa disputa entre os dois maiores campeões do mundo.
Assim, o Brasil passa sem sustos e com louvor para a semifinal da Copa das Confederações, enquanto a Itália amarga a desclassificação antecipada, já que os EUA bateram, com folga, o Egito, e levaram a vaga dos italianos.
Como? Os destaques da Seleção Brasileira neste jogo histórico? Maicon, mais uma vez, Felipe Melo, novamente impecável no meio-de-campo, Luís Fabiano, implacável na frente, e Robinho e Kaká, pela multiplicidade de ações do meio à frente. Ah, sim, e Lúcio, uma barreira lá atrás.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Copa das Confederações, felipe Melo, Itália, Luís Fabiano, Seleção Brasileira
20/06/2009 - 15:30
Brasil e Itália têm uma pinimba especial, quando se trata de futebol. Na verdade, ao longo da história, um costuma ser a antítese do outro, quando não, em certos momentos, se confundem.
Os italianos sempre deram ênfase à força, à marcação cerrada, e ao contragolpe como arma letal para construir um acervo de conquistas só inferior ao do Brasil, em termos de Mundiais – são quatro deles e cinco nossos.

Em contrapartida, o Brasil encantou o mundo pela leveza de nosso jogo, nossa criatividade, a habilidade e em fazer arabescos inesperados com a bola, essas coisas que eles chamam de fantasias.
E tudo começou na França, em 1938, quando tínhamos um timaço, com Domingos da Guia, Leônidas da Silva e o diabo, e eles já eram campeões do mundo, com seus Piolas e Meazzas, quatro ícones daquela geração.
Pois Leônidas, machucado, não disputou aquela célebre semifinal da Copa do Mundo, e, como Niginho, seu substituto imediato, estava impedido de entrar em seu lugar por questões burocráticas, tivemos de improvisar nosso ataque, e perdemos por 2 a 1, graças a um pênalti, que, por pouco, não provocou declaração de guerra entre os dois países: Domingos, o Divino da Guia, pai de Ademir da Guia, considerado o maior zagueiro brasileiro de todos os tempos, quintessência da técnica, deu um pontapé intempestivo em Piola, dentro da área.
O juiz deu cal. O diabo é que os brasileiros, durante todos estes anos, juram que a bola estava já fora de campo, o que impediria o juiz de marcar pênalti. Podia até expulsar Domingos, mas, pênalti, nunca!
Enfim… Enfim, a Itália foi bi e nós tiramos o terceiro lugar, goleando a Suécia por 4 a 2, já com Leônidas, artilheiro da Copa, em campo.
O reencontro deu-se décadas depois. Precisamente, na desastrosa excursão brasileira à Europa, em 1956: 3 a 0 para os italianos, com um gol contra de De Sordi e dois de Giuseppe Virgilli, o Pecos Bill, uma referência ao pioneiro herói em quadrinhos italiano, um cowboy americano capaz de laçar a lua.
Foi a mais humilhante derrota brasileira, além daquela para a Inglaterra, na mesma aventura, por 4 a 2, quando Gilmar dos Santos Neves defendeu dois pênaltis.
Mas, três meses depois da derrota em San Siro, o Brasil recebeu a Itália no Maracanã, na primeira transmissão direta pela tv no Brasil entre Rio e São Paulo, uma aventura da TV Record dos Carvalhos, que mereceria um livro por tudo o que passaram os técnicos que montaram o link entre os dois estados (não havia satélite naquela época).
Resultado: 2 a 0 para o Brasil, gols de Canário, que, mais tarde integraria o ataque histórico do Real Madrid, e de Ferreira, dois pontas do Ameriquinha do Trajaninho, na volta triunfal de Mestre Ziza à Seleção Brasileira, que acabou com o jogo.
A pátria, enfim, estava de alma lavada, e o próximo encontro pra valer deu-se na final da Copa do México, quando a melhor de todas as seleções nacionais da história meteu 4 a 1 na Itália de Rivera (eleito pelos italianos como o melhor jogador de seu país do século) e Sandrino Mazzola, com sobras físicas e técnicas.
Depois, sobreveio a tragédia de Sarriá: o Brasil, que todos – brasileiros e estrangeiros – consideravam o melhor time do planeta, perdeu a chance de disputar o título, ao perder para a Itália (um excelente time, mas que vinha tropeçando durante a competição, dividido, e sob severas críticas da própria imprensa italiana), por 3 a 2, quando o empate nos classificaria pra fase seguinte, três gols de Rossi, que vinha, por sinal, há um ano de estiagem.

Essa foi uma derrota emblemática, pois, com o passar dos anos, mudou até mesmo o nosso jeito de jogar. Viramos mais italianos do que brasileiros, o que ainda se reflete na Seleção de Dunga, que jogou na Itália no período em que esse conceito vigorava com força absoluta.
É o tal de futebol de resultados. Jogue mal, defensivamente, mas ganhe, esse passou a ser o slogan universal. E foi assim que o Brasil, em 94, levantou a taça nas fuças dos italianos, na primeira final da Copa decidida nos pênaltis, depois de modorrento jogo no tempo regulamentar.
Brasil e Itália enfrentaram o mesmo Egito nesta Copa das Confederações. O Brasil, jogando meio que à italiana, privilegiando a marcação, a defesa e o contra-ataque, tomou um totó do Egito, que tocou a bola, e só se salvou no finalzinho, com aquele gol de pênalti de Kaká, num 4 a 3 implausível.
O mesmo toque de bola que enredou a Itália, na derrota para o Egito, por 1 a 0.
A Itália de Lippi busca um futebol mais ofensivo, e o Brasil, com Ramires, mudou o braço da viola.
Vejamos no que vai dar. O Brasil, depois das mudanças e da boa vitória sobre os EUA, está melhor, mas a Itália é a Itália. E desta vez, tem dois Rossis. Algo me diz, porém, que dá Brasil, nem que seja no empate.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Copa das Confederações, Itália, Seleção Brasileira
10/02/2009 - 19:23
Para quem só valoriza a eficiência, como os pragmáticos de plantão, Robinho foi simplesmente decisivo: espie aquela enfiada para Elano, que lha tocara de calcanhar, antes de se infiltrar área adentro e encobrir o goleiro, no primeiro gol do Brasil sobre a Itália, em Londres.
E o segundo, então? Pirlo saía de sua entrada da área, tranquilo, quando Robinho deu o bote por trás, recuperou, invadiu a área, pedalou diante de três beques italianos, e bateu no canto cruzado.
Robinho à parte, porém, o Brasil jogou bem, sobretudo no primeiro tempo, quando vários dos nossos se destacaram: Elano, jogando mais adiantado; Gilberto Silva; a dupla de zaga, Lúcio-Juan; esse goleiraço Júlio César, que, na etapa final, pegou finalização impossível de Tony; Marcelo, que voltou muito bem à Seleção etc.
Assim como o estreante Felipe Mello, que tomou conta do meio-campo com elegância, classe e eficácia nos desarmes e nos passes, como se fosse velho frequentador da Seleção.
Quem perdeu a chance de timbrar seu nome ilustre foi Ronaldinho Gaúcho, que jogou muito abaixo do que é capaz, sem, porém, comprometer. E Maicon, que está voando na Inter, mas, na Seleção, esteve muito acanhado. De qualquer forma, uma vitória significativa. Ah, sim, houve aquele gol legítimo de Grosso, no início, que poderia ter dado outro rumo ao jogo.
Isso, porém, entra na equação imponderável do “se”, que, como todos nós sabemos, não joga.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Itália, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Seleção Brasileira
09/02/2009 - 17:09
O jogo em si não passa de um caça-níqueis, e as duas equipes que se enfrentarão em Londres não inspiram grandes expectativas de que tenhamos um desses momentos deslumbrantes do futebol.
Mas, Brasil e Itália carregam na alma a rivalidade dos deuses.
O Brasil é pentacampeão do mundo e a Itália tetracampeã. São, pois, nove títulos mundiais em campo. Isso, porém, não basta, pois não são essas similaridades que explicam a profunda rivalidade, mas, sim, as diferenças.
A Itália já praticava o Calcio na Florença de Maquiável, Da Vinci e Michelangelo, lá pelos 1500, Renascença em flor. Por isso mesmo, os italianos torcem o nariz quando os ingleses se apresentam como os inventores do futebol, embora o Calcio medieval pouca relação tinha, segundo os historiadores, com o jogo hoje praticado no mundo todo, sob as regras inglesas estabelecidas basicamente no final do século 19.
Aquelas eram disputas em torno de uma bexiga de boi inflada até mesmo por dejetos, com 22 pelejadores de cada lado e sob um clima de intensa violência, praticamente uma guerra.
Restaram na memória coletiva italiana a expressão Calcio, pra designar futebol, e esse espírito guerreiro, tático, defensivo, herdado talvez daqueles tempos em que a fragmentada Itália em cidades-estados, reinos, cidades-papais, vivia em pé de guerra, e a turma só pensava naquilo: defender seu próprio burgo do ataque vizinho.
Tanto que, para os italianos, uma partida de futebol raramente é chamada de giuoco – jogo, como nos é comum -, que possui um significado mais lúdico, divertido. E, sim, de gara – disputa, competição, rivalidade.
Assim como Calcio, em seu primeiro sentido, é pontapé, coice, não exatamente o que sugere o nosso futebol abrasileirado do inglês foot-ball, pé na bola, numa tradução literal.
Mesmo porque, se os italianos deram os primeiros chutes na Europa e os ingleses organizaram a bagunça, coube aos brasileiros, já no século passado, transformar esse jogo em arte, brilhante combinação entre competição e espetáculo, jogo coletivo e liberdade de criação individual.
É verdade que, a partir dos anos 90, com a globalização, regredimos muito nesse sentido, absorvendo mais o espírito italiano de gara e utilizando menos os ensinamentos deixados pela escola brasileira de jogar bola, embora continuemos sendo o maior produtor de craques do mundo, em quantidade e qualidade.
Portanto, desconfio que o jogo desta terça-feira, em Londres, será mais à italiana do que à brasileira, o que é sempre desagradável aos olhos daqueles que conheceram as diferenças em sua plenitude e agora são obrigados a conviver com as similaridades.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Emirates Stadium, Itália
01/02/2009 - 14:30
A convocação de Amauri para o amistoso com a Itália, dia 10, em Londres, foi um equívoco que tende a se desdobrar numa ópera bufa, com a negativa da Juventus em ceder o jogador, sob a alegação de que sua convocação pela CBF foi fora do prazo previsto para as circunstâncias. É verdade. Foi além do prazo estipulado pela Fifa nesses casos.
Mas, obviamente, isso é apenas um pretexto. De fato, a Juve decidiu pelo jogador, dividido entre dois desejos atrozes: o de defender o Brasil, como uma volta por cima no futebol de seu país que o rejeitou no início de carreira, e o de esperar o timbre oficial de sua segunda cidadania e atender à chamada da Azzurra, que já lhe foi prometida pelo técnico Lippi.
Na Seleção Brasileira, suas chances de atuar pra valer são muito menores do que a de ganhar cadeira cativa na Itália. E a Copa do Mundo, auge da carreira de qualquer jogador, está aí, a um beiço. Logo…
É um bom atacante, nada excepcional, goleador implacável, na contida medida do calcio em geral, e só. Não é nenhum Ronaldo Fenômeno, nenhum Romário, dos bons tempos, longe disso.
Portanto, nada justifica a CBF insistir na convocação de Amauri. Muito mais útil para o time canarinho seria Dunga abrir uma exceção na regra imposta para esse amistoso e convocar um atacante brasileiro que atue por aqui. É só escolher: Nilmar, Kleber Pereira, o menino Keirrison, se quiser iniciá-lo nos segredos da Seleção etc.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Amauri, Brasil, Itália, Juventus, Londres
27/01/2009 - 16:43
O caso é sério, mas a ameaça é ridícula.
O caso Cesare Battisti – o marginal que virou terrorista, condenado a prisão perpétua pela justiça italiana, por ter matado quatro pessoas, fugitivo da prisão de lá e livre como passarinho por aqui – ameaça o secular bom relacionamento diplomático entre Brasil e Itália.
Isso, porque o governo brasileiro decidiu dar asilo político a Battisti, considerando que seus atos não foram de terrorismo e, sim, de subversão, tênue linha semântica, mas significativa.
Por sua vez, o governo italiano se sente extremamente melindrado – não sem boa dose de razão -, considerando que a atitude brasileira é uma condenação automática ao seu sistema judiciário, que julgou e condenou o réu dentro de todas as normas legais comuns à maioria dos países democráticos do mundo. A ponto de chamar de volta à Itália seu embaixador no Brasil.
Ridícula, porém, é a ameaça feita pelo subsecretário das Relações Exteriores, Alfredo Mantica, de que o jogo amistoso entre Brasil e Itália, em Londres, deveria ser cancelado.
Ora, por que simplesmente um jogo de futebol? Um jogo desses é um intercâmbio comercial como outro qualquer, entre empresas brasileiras e italianas. Nesse caso, não seria muito mais importante cortar os liames comerciais, digamos, entre a Fiat italiana e a Fiat brasileira?
Se Dr. Mantica acha que esse gesto abalará os sentimentos do brasileiro comum, forçando-o a pressionar o Itamarati, Lula e a justiça tapuia a mudar sua decisão, está duplamente enganado.
Entre outras coisas, porque o brasileiro comum, neste momento, nem está aí para a Seleção Brasileira, muito menos para o caso Battisti. No máximo, espia com um olho só a crise que já chegou pra valer em terras tupiniquins.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Brasil, Cesare Battisti, Itália
24/11/2008 - 14:29
Esse negócio de bi, tri, hexa, passa mais pela quantidade do que pela qualidade. O número 6 (hexa) é simplesmente o dobro de 3 (tri). Logo, a torcida tricolor sai por aí cantando vitória quase certa de véspera: “Hexa! Hexa!”.
Antes do hexa, vêm o penta, o tetra e o tri, e aqui paramos para um mergulho nas origens dessas denominações tão em voga hoje em dia no mundo do futebol.
Até a conquista do Tri, no México, essas expressões só se restringiam às séries seqüenciais, ano a ano – dois campeonatos seguidos, bi; três, tri e assim por diante. Isso, claro, com referência aos campeonatos estaduais, que representavam a base do calendário nacional. Vale lembrar que não havia campeonatos brasileiros, a não ser o Rio-São Paulo, por um período, depois transformado em Robertão, a par da Copa do Brasil, que era um mata-mata que só foi ganhar dimensão quando o Santos de Pelé se defrontou com o Cruzeiro de Tostão, briga de cachorro grande.
Em Copas do Mundo, jogada de quatro em quatro anos, esse negócio de bi só era usado para duas seleções nacionais; a Itália, bi em 34/38; e o Brasil, bi em 58/62. Mas, então, por que o Tri do México, já que 66 nos separava do bi convencional?
Em primeiro lugar, porque era a primeira seleção a conquistar três títulos, ainda que alternadamente. Em segundo lugar, porque, pelo regulamento da Fifa, quem levantasse a taça por três vezes, ainda que não sucessivamente, a levaria definitivamente para casa.
Era, pois, uma exceção, um instante histórico que jamais se repetiria, já que a Taça Jules Rimet não mais entraria em disputa até o fim dos tempos. Por isso mesmo, quando se fala da conquista do México, grafa-se o Tri com T maiúsculo.
Aliás, houve tremendo debate a respeito, na época: uns, contra essa denominação; outros, a favor, por sua excepcionalidade.
Mas, o que era exceção acabou virando regra aqui entre nós, sobretudo nas últimas décadas. E o pessoal passou a falar grego sempre que se referia aos títulos brasileiros obtidos por seu clube, mesmo fora de seqüência.
Pergunto, porém, ao tricolino amigo que já festeja antecipadamente o hexa que não veio ainda: o que vale mais? – os seis títulos alternados, ou os três sequenciais? Vai que o São Paulo, por um desses acidentes de percurso, perfeitamente possível, perca o título deste ano. Se ganhar o do próximo ano, será igualmente hexa.
Mas, tri, assim, um atrás do outro? Esse será um feito único, histórico, que, pelo andar da carruagem, levará muito tempo para deixar de ser exclusivo, dado o equilíbrio natural do futebol brasileiro.
Mais ainda para o São Paulo, que tem uma relação amarga com essa palavrinha mágica – tri. Basta dizer que é o único dos grandes paulistas que jamais conseguiu ser tri nas competições estaduais. Bateu na trave várias vezes – em 47, 50, 72, 82, sei lá quantas mais. Em 50, por exemplo, estava cinco pontos na frente do Palmeiras, e, nas últimas três rodadas, perdeu seis pontos e cedeu o empate para o Verdão, que levantou a taça, naquele 1 a 1 célebre.
Na Libertadores, tão cara aos torcedores mais jovens, idem, com batatas.
Logo, amigo tricolino, se quiser cantar vitória antes da hora, seja mais comedido e grite: “Tri! Tri! Neste caso, menos vale mais.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Brasil, Copa do Mundo, Cruzeiro, hexacampeonato, Itália, México, MOrumbi, Rio-SP, São Paulo, Tostão, tricampeonato
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