O CLÁSSICO QUE PODERIA SER
Pena que o Inter entre com seu time reserva diante do líder Fluminense, pois este seria, sem dúvida, o clássico da rodada de domingo. Mas, mesmo tão desfalcado, o Colorado pode surpreender, embora o Tricolor seja franco favorito.
Não só porque é líder e está jogando, mas, sobretudo, porque está embalado emocionalmente, com a chegada de Deco, logo depois da ida às Laranjeiras de Washington, o que confere ao Flu um poder ofensivo raro neste campeonato.
O outro grande clássico nacional do domingo é São Paulo e Cruzeiro, que vem revistido de um fato novo: a estreia do garoto Sérgio Baresi como técnico interino – quem sabe, definitivo – do Tricolor.
Garoto porque é de ontem a lembrança dele jogando como zagueiro dos juniores do São Paulo. Mas, já técnico das categorias de base por um bom tempo, o que lhe confere certa experiência para tentar mudar o braço da viola desse time que se repete à exaustão.
Nem repito a voz comum que diz que esse time não renovou. Renovou-se, sim. Só para esta temporada, o São Paulo contratou uma penca de novos jogadores. Não mudou foi seu jeito de jogar – aquele velho esquema de se defender antes de tudo, contragolpear em lances longos e nunca tentar envolver o adversário no toque de bola, que é o sal do jogo.
De resto, é esperar pra ver.
Luz nas trevas
Aos poucos, vai se lançando luzes sobre as trevas que cercaram a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África.
Cada vez mais me convenço que, por trás da grosseria fascista que blindou nosso time na África, havia um toque de esperteza: impedir que a imprensa invadisse os segredos guardados a sete chaves por Dunga e cia.
Peitar a toda poderosa Globo – um elefante em loja de louças -, com tanta rejeição por aí, eleger a imprensa – em geral, condenada por grande parcela de uma opinião pública que não lê nem faz reflexões – como a grande inimiga, e exaltar o tal fervor nacional como única alternativa pra quem seja patriota, fazia parte de um plano, ainda que tosco, para desviar a atenção do torcedor para as reais questões da Seleção.
Durante meses, advertimos para o risco de irmos à Copa com apenas um meia – Kaká, evidentemente baleado, seja pelos problemas pubianos, seja pelas sequelas dessa lesão básica. Em vão. Kaká foi como nosso único meia, não produziu metade do que é capaz e agora vem a público confessar que jogou sob infiltrações no joelho para aplacar as dores atrozes que o consumiam.
Esses idiotas, que desdenham da história por desconhecê-la, nunca vão aprender que a verdade, mais cedo ou mais tarde sempre vem à tona. E eles, de heróis temporais, acabam sempre se transformando em vilões eternos.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasileirão, Fluminense, Globo, Internacional, Seleção Brasileira, Washington



