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domingo, 6 de dezembro de 2009 Campeonato Brasileiro | 21:10

E DEU A LÓGICA

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E não é que deu a lógica neste tão ilógico Brasileirão, que ficou pingando nos pés de quatro times até a rodada final, sem que nenhum deles ousasse o chute fatal antes da hora?

O Inter goleou em casa o Santo André, e, por um breve momento teve a taça em suas mãos; o São Paulo meteu um chocolate no rebaixado Sport, no Morumbi, e o Flamengo, ufa!, virou o jogo contra o Grêmio, num Maracanã ao mesmo tempo tenso e delirante, e se sagrou campeão brasileiro, com todos os méritos.

Mas, que sufoco! Pois o Grêmio, que passou o campeonato todo sem ganhar fora, a não ser uma singela vez, desembarcou no Maracanã sob todas as suspeitas. Vinha com um time misto e o recado de sua torcida: não vencer para evitar que a faixa de campeão caísse no peito do eterno rival Inter.

Em campo, porém, o mistão do Grêmio lutou, correu, e, aos 21 minutos, o menino Robeson abriu o placar, provocando um frio na espinha não apenas da torcida rubro-negra, mas, sobretudo, na tricolor gaúcha.

Ouso dizer que nunca um gol do Grêmio foi tão amaldiçoado pela própria torcida que está onde o Grêmio estiver, menos ao lado do Inter.

O alívio, no entanto, viria nove minutos depois, com o zagueiro David fuzilando bola aparada por Adriano na área: 1 a 1.

Mas, foi só no segundo tempo que o Flamengo iria espantar a tensão e assumir a pose de verdadeiro campeão. Pet, o melhor jogador do campeonato e figura central da grande virada flamenguista no torneio, até então apagado, entrou em jogo, e seu time passou a atacar como é de sua vocação e estilo.

Resultado: aos 24 minutos, Pet cobra córner da esquerda, que Angelim, outro herói dessa jornada histórica, desvia de cabeça para as redes gremistas.

De resto, era tocar a bola, evitar qualquer surpresa e partir para o imenso abraço à nação rubro-negra em festa.

Mengo, tu é o maió!

Lá nos gloriosos tempos de Joel, Rúbens, Evaristo, Dida e Zagallo,havia um humorista de rádio e TV, se não me falha a memória, o saudoso Brandão Filho (ou seria o Lilico?), que entrava em cena sempre soltando o bordão: “Mengo, tu é o maió!”.

Talvez, nem fosse, já que, naquela época, havia esquadrões espalhados por esses brasis afora, mas era um timaço de fazer frente ao mítico Flamengo de Zico, Andrade e cia.

Hoje, nem tanto. Há um claro equilíbrio entre os principais clubes brasileiros, o que se reflete na classificação final do Brasileirão mais disputado da história: Flamengo campeão, com, apenas dois pontos à frente de Inter e São Paulo, com o Cruzeiro tomando a vaga da Libertadores do Palmeiras, que liderou por dezenove rodadas para terminar de maneira tão melancólica, ao perder por 2 a 1 para o Botafogo, que, por sua vez, safou-se do rebaixamento no último suspiro.

Mas, o Flamengo foi aquele que conseguiu conjugar a seus pés, por mais tempo e na hora H, aquele futebol que nos remete à tão desprezada Escola Brasileira, agora representada ao pé da letra por um sérvio de toques refinados e extrema inteligência já beirando os 40 anos de idade – Petkovic.

É pra fazer nossos pragmáticos de plantão, nosso alquimistas de botequim, como dizia o eterno Thomaz Mazzoni, ou químicos de fancaria, nas palavras de Mário Moraes, o rei dos comentaristas esportivos radiofônicos, pensarem um pouco sobre o valor inestimável da simplicidade.

O QUE DEU ERRADO?

O Palmeiras foi o clube que teve o maior respaldo financeiro para montar seu time este ano. Trouxe alguns jogadores de alto nível, como Cleiton Xavier, Armero e Wagner Love, por exemplo, e outros de qualidade técnica discutível.

Trocou de técnico no meio do caminho, ambos o que de melhor havia na praça – Luxemburgo, o treinador mais vencedor do país, e Muricy, que vinha de sequência impressionante (vice, com o Inter, e tricampeão, pelo São Paulo).

Mas, só conseguiu apresentar um futebol de primeira, somando longa série invicta, sob o comando do novato Jorginho, auxiliar tampão. Foi quando o Palmeiras soube explorar o que tinha de melhor, ganhou e jogou bonito, um futebol de bola trabalhada e voltado sempre em direção à meta adversária, algo mais ou menos parecido com o que aconteceu com Andrade no Flamengo.

Ponteou a competição por dezenove rodadas e foi o líder que conseguiu emplacar a maior vantagem de pontos lá na frente, cinco, pra ser mais preciso, já na reta final do torneio. O que deu errado, afinal? Nunca é uma coisa só. Mas, às vezes, é apenas o destino.

Já o São Paulo, a exemplo do Palmeiras, teve a taça na mão, e largou nas duas últimas rodadas, para, no fim, assegurar pelo menos um lugar na Libertadores. Já no Tricolor, a coisa é mais pontual: precisa se livrar de vez desse grilhão dos três zagueiros e contratar um meia de técnica, habilidade e inteligência, para pensar seu jogo tão frenético e repetitivo.

Por fim, o Inter, aclamado com razão o melhor elenco do Brasil, no início do ano, chegou a exibir um jogo empolgante a ponto de se qualificar como o principal candidato ao título brasileiro.

Mas, depois, refluiu, e oscilou tanto que sua chegada fulminante à última rodada, durante a qual por alguns minutos foi campeão, surpreendeu a todos. Surpresa maior porque Mário Sérgio, tão cioso dos sistemas defensivos de suas equipes, largou o bridão e deixou o Inter correr solto na grama do Beira-Rio para desespero do Santo André, que levou de quatro.

Notas relacionadas:

  1. A ROLETA GIRANDO
  2. ATÉ AGORA, SÓ O INTER
  3. A GANGORRA DO BRASILEIRÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 14:44

ENTRE A FÉ E A RAZÃO

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O São Paulo é conhecido, desde sempre como o Clube da Fé. Por várias razões fincadas na sua origem, a partir do nome do santo convertido na estrada de Damasco. E também porque foi uma fé inabalável que o fez renascer das cinzas por duas vezes: com a extinção do departamento de futebol do Paulistano, fruto do advento do profissionalismo, no início da década de 30,  ex-jogadores (dentre eles, Friedenreich, o primeiro grande ídolo nacional) e torcedores do clube alvirrubro resolveram fundar o São Paulo FC, mais conhecido como São Paulo da Floresta.

Campeão paulista em 31, esse São Paulo, um esquadrão, sucumbiu sob as dívidas arcadas com a aquisição da luxuosa sede no prédio Trocadero, para ser ressuscitado um ano depois, em 36, na mais extrema modéstia. Basta dizer que os torcedores saíam às ruas com bandeiras e lençóis, pedindo donativos para recolocar de pé o Tricolor (as cores da Bandeira das Treze Listras e também a soma do vermelho do Paulistano com o branco e o preto do Palmeiras da Floresta, com quem o antigo São Paulo se fundira).

Por fim, a figura central de Monsenhor Bastos a fundir sua imagem religiosa ao clube que ele ajudava a fundar novamente. Ajudava não apenas distribuindo bênçãos ao Clube da Fé, mas também transformando a Torre da Igreja da Consolação num claustro dos boêmios rapazes da época, às vésperas de cada jogo importante do São Paulo. Mais do que uma concentração de time de futebol, um retiro de fé.

Mas, a fé – aliás, traço comum entre todos os clubes de futebol e seus torcedores -, com o passar do tempo, foi cedendo espaço à razão. E aquele São Paulo perdulário da Floresta, transformou-se no esquadrão dos anos 40, para, na década seguinte empreender sua mais árdua jornada: a construção do Morumbi. E quem pagou o pato foi o time de futebol, tão modesto nos anos 60. Foram treze anos de estiagem.

Apesar dos reclamos dos torcedores mal habituados pelos timaços do passado, o São Paulo firmou-se na razão para erguer o estádio que lhe forneceria base para, a partir dos anos 70, voltar a formar grandes e vencedores times. 

Bem, de lá pra cá, a história é conhecida: foram títulos e mais títulos, e, quando não, sempre esteve ao redor de quase todas as disputas. E o que mais se ouve falar, quando se pretende desvendar o mistério desse São Paulo, é de que seu segredo está na estabilidade política do clube e na sua capacidade organizacional. Traduzindo: a razão acima da paixão.

É bem possível que assim seja. Mas, que, além da razão, o Tricolor precisou de muita fé e reza braba para tirar aqueles onze pontos de diferença em relação ao líder Grêmio, ah, disso precisou. 

Trocadilhando: o São Paulo segue sendo o Clube da Fé, com toda razão.

Notas relacionadas:

  1. TRI, MAIS DO QUE HEXA
  2. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
  3. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

domingo, 7 de dezembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 18:45

CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO

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É campeão! Campeoníssimo, diga-se, porque seis vezes campeão brasileiro, alternadamente, o que vários podem vir a ser no passar dos anos. Mas, tri, assim, um atrás do outro, quero ver, num campeonato com tantos candidatos naturais ao título.

O fato é que o São Paulo, no Bezerrão, meteu 1 a 0 no Goiás, gol de Borges, em posição de impedimento, e levou o título. Como teria levado sem o gol de Borges, sem gol nenhum, já que o empate lhe bastava, apesar da vitória do Grêmio, seu mais próximo rival, por 2 a 0 sobre o Galo, no Olímpico encantado.

O São Paulo, ganhando ou empatando sem o gol discutido, jogou melhor do que o Goiás o tempo todo. Nada excepcional, mas dentro do padrão do Tricolor atual – marcação cerrada, e investidas rápidas, a partir de uma tarde inspirada de Jorge Wagner, que fez de tudo em campo.

E foi campeoníssimo por várias razões.

A primeira delas, a presença de Muricy, um técnico trabalhador, inteligente, sensível, vencedor pela própria natureza.

A segunda, o elenco, que, apesar de falhas na sua estrutura (a ausência de meias de qualidade), tem uma defesa muito firme e um ataque envolvente e eficaz.

E a terceira, a marca na testa de um clube, certamente o mais jovem de todos os grandes do Brasil, destinado desde de seus renascimentos a estar sempre ali, disputando os títulos, ganhando ou perdendo, mas ali.

O São Paulo não é apenas o clube mais vezes campeão brasileiro, o primeiro a ganhar o tri em seqüência. Não é apenas o grande campeão paulista, desde sua fundação. Não é apenas o clube brasileiro mais vezes campeão da Libertadores e do mundo. É também aquele que mais vezes bateu na trave nas mais significativas decisões.

E olhe que é preciso descontar-se os treze anos da construção do Morumbi, quando teve de abrir mão de um time altamente competitivo para erguer o, então, maior estádio particular do mundo.

Não é fácil, não, meu.

Notas relacionadas:

  1. E O SÃO PAULO CHEGOU
  2. TRI, MAIS DO QUE HEXA
  3. DEPOIS, ELES RECLAMAM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,