05/11/2009 - 00:15
Se no primeiro tempo o 1 a 1, gols de Rafael e Dagoberto, mais ou menos refletiu o equilíbrio das duas equipes, no segundo, as circunstâncias levaram o São Paulo a celebrar o empate como um grande feito.
Afinal, quando o juiz apitou o encerramento da partida, o Tricolor estava com oito jogadores contra onze. E nem mesmo levou um daqueles sufocos tradicionais – bolas nas traves e tal e cousa e lousa e maripousa.
Assim, acabou sendo um placar até favorável ao Tricolor paulista, embora correndo o risco de perder a liderança para o Verdão, no fechamento da rodada, no fim-de- semana. Sobretudo, porque tudo isso serviu para forjar ainda mais a alma tricolor na disputa pelo título.
AMARELINHA QUE AMARELA
Os meninos da Argentina, alguns como Villalva e Araujo de primeira categoria, venciam, já no segundo tempo, por 2 a 0 a Colômbia, pelo Mundial de 17. Mas, a Colômbia, virou para 3 a 2, com merecimento e dando de lambuja um pênalti convertido e anulado pelo juiz, sob a alegação de que houve invasão.
Confesso que espiei bem o lance e não vi a tal da invasão, antes da cobrança do pênalti.
Aproveito, então, para mandar um recadinho ao meu chapa, grande repórter e âncora da Jovem Pan, Wanderley Nogueira, detrator contumaz dos nossos meninos em favor dos hermanos: pelo visto, a camisa amarela da Colômbia bastou para amarelar os nossos irmãos do sul, como tem acontecido há anos entre os marmanjos.
ALÁ, MEU BOM ALÁ!
O Barça, no seu toque-toque, não conseguiu varar a retranca absoluta do Rubin Kazan, pela Liga dos Campeões.
O técnico adversário montou um ferrolho com onze dentro da sua grande área, e, lá na frente, apenas Alá e Maomé, Seu Profeta, invocados sempre pelo rosário entrelaçados nos dedos. A coisa, com todo respeito, deve funcionar, pois o Barça, apesar do domínio absurdo de bola, coisa de 90 por cento, meteu uma bola no poste, com Ibrahimovic, e desperdiçou, por baixo, mais umas quatro oportunidades claras de abrir a contagem, que se fechou até o final.
Em contrapartida, o Arsenal, a versão inglesa do Barça sem o mesmo resultado, goleou o holandês AZ, em casa, numa exibição de gala de Fabregas, volante que vira meia e vira artilheiro assim como quem está tomando um copo d’água.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Argentina, Arsenal, Barcelona, Grêmio, Liga dos CAmpeões, Mundial Sub-17, São Paulo
04/11/2009 - 00:30
O São Paulo vai ao Olímpico não apenas em busca de uma vitória, mas, sobretudo, atrás de gols suficientes para tirar a vantagem do Palmeiras, nas contas finais da liderança. Até agora, são três gols a mais do Paleiras. No resto, estão rigorosamente empatados.
Como até mesmo essa diferença é pequena, corremos o risco de esse campeonato ser decidido pelo quesito fair-play. Ou seja: ganha quem tiver menos cartões amarelos e vermelhos.
Pelo senso comum, não deve ser sobre o Grêmio, no reino encantado do Tricolor gaúcho, que o Tricolor paulista deverá tirar essa diferença. Ao contrário, se voltar de lá com um empatezinho maneiro já será um alívio.
Mas, pela lógica perversa deste Brasileirão, tudo é possível, até uma goleada, de qualquer dos Tricolores em ação.
Caso estranho
Muito estranho esse caso: Val Baiano, o implacável artilheiro do Barueri, que foi para a geladeira na derrota do seu time para o São Paulo, por causa daquela história mal contada sobre suposta viagem da mala branca, volta já no próximo jogo, juntamente com Renê, outro citado de viés nesse episódio.
Na prática, só o São Paulo levou vantagem em todo o imbroglio.
Liga dos Campeões
Milan e Real fizeram um jogo emocionante e de boa técnica, no San Siro, com destaque para kaká e Marcelo, pelo Real, e de Ronaldinho e Pato, pelo Milan.
Ah, dirá o amigo mais cético, o cara está puxando a sardinha para os brasileiros. Não, nada disso, caso contrário elogiaria também Dida, que pegou algumas bolas difíceis, mas que falhou em vários outros lances.
De fato, os brasileiros citados jogaram bem, e Ronaldinho marcou para o Milan, de pênalti, enquanto Marcelo e Kaká construiram a jogada do gol de rebote de Benzema.
Mas, as melhores jogadas foram realizadas por Pato, que marcou um gol belíssimo anulado inexplicavelmente pelo juiz, que deve ter dado toque, num lance em que o brasileiro carregou a bola claramente com o o peito.
Por seu lado, o Manchester United classificou-se para a próxima fase da liga dos Campeões ao empatar com o CSKa por 3 a 3, numa reação fulminante, depois de estar perdendo por 3 a 1.
Muito desfalcado, o Manchester não se achava em campo até a água bater no queixo. Aí, já pela metade do segundo tempo, encetou a reação que deixou tudo igual e lhe garantiu a vaga.
A turma precisa aprender que inglês e alemão só para de jogar quando o juiz apita o fim da partida. Antes, não, em quaisquer circunstâncias.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Grêmio, Liga dos CAmpeões, São Paulo
19/10/2009 - 17:01
Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.
Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.
Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.
Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.
Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.
Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.
Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.
Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…
Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.
Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.
VELHINHOS PIMPÕES
Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.
Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.
Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.
Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.
Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.
Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.
Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Brasileirão, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, galo, Goiás, Grêmio, INTER, Internacional, Muricy Ramalho, Palmeiras, Tricolor, Vitória
11/10/2009 - 00:06

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Bem, se o São Paulo não parece estar tão a fim de brigar pelo título, a ponto de perder tantas chances para se aproximar do líder Palmeiras, o Flamengo está sedento por uma vaga na Libertadores, no mínimo.
E, no Maracanã, recuperou-se do empate com o Vitória no Barradão, no meio de semana, metendo 2 a 1 no São Paulo, de virada.
O placar em si está dentro da lei das probabilidades, já que se tratava de um clássico, disputado na casa do vencedor, por uma diferença mínima de gols. A diferença está na forma como ambos encararam a partida e como se comportaram em campo.
O Flamengo, com sua formação ofensiva, leve, insinuante, em que Petkovic é sempre o centro nervoso da equipe, jogou pra ganhar, mesmo quando perdia, vítima daquele gol de Hernanes no primeiro tempo.
Por isso mesmo, no segundo tempo, inverteu o placar, com pênalti cobrado em dobro por Pet, o mesmo Pet que, aos 35 enfiou bola surpreendente para Zé Roberto escapar pela esquerda e fuzilar Rogério, de canhota.
Portanto, mais do que merecida a vitória rubro-negra.
Já no Pacaembu, o Corinthians bateu o Grêmio, entre outras coisas, por causa de Ronaldo Fenômeno. Veterano, gordo, trilionário, emerso de sei lá quantas cirurgias nos joelhos que teriam encerrado a carreira de muita gente, Ronaldo, claro, participou pouco do jogo.
Só que essa reduzida participação resultou nos dois gols do seu time. No primeiro, recebeu nas cercanias da área, balançou diante de dois adversários e disparou de canhota bola que repicou no beque e enganou o goleiro. No segundo, partiu do meio de campo, tabelou com um companheiro recebeu na área, limpou e serviu Elias de bandeja.
Pet e Ronaldo, o sal da rodada até aqui
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Corinthians, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Petkovic, Ronaldo, São Paulo
20/09/2009 - 20:50

Milton Trajano
Tudo indicava que seria uma rodada tricolor. Pois, acabou sendo alvi-verde, sem que o Palmeiras tivesse de entrar em campo.
Aliás, dos tricolores famosos, o único que se deu bem foi o Grêmio. E como! Meteu 5 a 1 no Tricolor carioca, assim, ó, de letra. E dessa forma já se achegou ao grupo de cima, com bola para aspirar muito mais ainda neste campeonato.
Quanto ao Tricolor paulista, aquele que, na teoria, enfrentaria o obstáculo mais frágil, tropeçou diante do Santo André, em pleno Morumbi.
E olhe que aquele golaço de Jean, no início do jogo, deveria ter pavimentado o caminho para uma vitória tranquila.
Sucede que o Santo André, combinado com o recuo inexplicável do São Paulo, foi tomando conta das ações de meio de campo, e, aos 27 minutos do segundo tempo, Pablo Escobar, que entrara no lugar de Marcelinho Carioca (machucado), empatou.
Aliás, diga-se, por pouco o Santo André não chega à vitória.
Assim, o São Paulo perdeu a chance de liderar, ainda que temporariamente, já que o Palmeiras completa a rodada na próxima quarta-feira, mas chegou lá na ponta, mantendo-se à tona da disputa, já que o Inter perdeu, no sábado, para o Vitória.
Por fim, o Corinthians, na volta de Ronaldo Fenômeno, que desastre!
Com uma linha e zaga deformada e inconsistente, durante o primeiro tempo, o Corinthians foi um pastiche de time.
Disso se aproveitou o Goiás, bem armado, lúcido e incisivo, com Fernandão mais próximo de Iarley, iniciou a goleada, com gols um de cada.
No segundo, com a entrada de Bill no lugar de Chicão, machucado, o Corinthians melhorou, mas só depois do terceiro gol verde, com Iarley. Mas, diminuiu com Dentinho, e encetou uma blitz, que se esboroou quando João Paulo emplacou o quarto gol.
Vida que segue, mais amena para o Goiás, que deu uma belíssima volta por cima no período de estiagem que vivia.
INTER, NA RODA
Perdeu é uma forma cortês de me referir àquele jogo, onde o Vitória foi tão superior ao Colorado no segundo tempo, sobretudo, que chegou a dar um breve olé.
Bem que o Inter tentou todas as fórmulas para enquadrar o Vitória, mas os baianos foram espertos, hábeis e serenos para dar a volta por cima, envolver o adversário em toques de bola precisos, e partir pra cima com desenvoltura, principalmente através de Apodi, esse serelepe pela direita, e com Neto Berola, a revelação do campeonato, pela esquerda.
E, quando o Inter conseguia furar a defesa bem postada do Vitória, lá estava Viáfra pra pegar tudo.
AH, GALO…
Outro que patinou na rodada foi o Galo, ao empatar por 0 a 0 com o Náutico, nos Aflitos.
Na verdade, o time do Náutico não é tão frágil como pode sugerir sua periclitante posição na tabela. Apesar isso, para um time como o Atlético, nesta quadra do campeonato, não poderia perder pontos, pois tem bala para mais do que isso.
BARÇA, REAL, MANCHESTER
Barça e Real seguem flanando no campeonato espanhol. No sábado, o Barcelona goleou o Atlético de Madri por 5 a 2, em mais uma exibição de gala de Messi. No dia seguinte, o Real enfiou 5 a 0 no caçula Xerez, quando Cristiano Ronaldo, autor de dois gols, e Kaká deram os primeiros sinais de que começam a se entrosar: ambos fizeram duas ou três combinações de alto nível. É só o começo.
Mas, o grande jogo do domingo europeu foi, sem dúvida, o Derby de Manchester, vencido pelo United por 4 a 3, com direito a gol da vitória de Owens, aos 50 minutos do segundo tempo.
Jogo de gente grande, lá e cá: 1 a 0, 1 a 1, 2 a 1, 2 a 2, 3 a 2, 3 a 3… e assim foi até o apito final, E o nome da partida foi o veteraníssimo e craque imensurável, o canhoto Giggs, autor de três assistências primorosas.
É verdade que o City jogou desfalcado de seu artilheiro Adebayor e de Robinho, que vai ter de brigar por uma posição no time quando se recuperar da lesão que o afastou das duas últimas partidas. Mesmo porque o veterano Bellamy, autor de dois golaços, vem jogando bem.
Na Itália, o Milan mais uma vez decepcionou, com um jogo emperrado, sem brilho nem contundência. Venceu, é certo, com um gol de Seedorf, mas longe está de despertar muitas esperanças na sua torcida.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Corinthians, Grêmio, INTER, Palmeiras, Sçao paulo
17/09/2009 - 16:35
Pelo visto, espiando assim a tabela, a rodada do fim-de-semana sugere que será tricolor.
Sim, porque São Paulo, que enfrenta o Santo André em pleno declínio em campo neutro, e o Grêmio, que recebe o lanterna Fluminense no Olímpico, são os grandes favoritos dessa rodada.
O Inter vai ao Barradão pegar o forte Vitória, o Galo terá de superar o Náutico nos Aflitos, enquanto o Corínthians se confronta com o Goiás, que, depois de tantos dissabores, está na hora de se recuperar (e tem time para isso).
Claro, falo em tese, pois, no campo, a história nem sempre segue o roteiro original.
E, se alguém pensar que o Palmeiras, líder, está isento, engana-se. O Verdão folga no fim-de-semana, mas, na quarta vai ter de encarar o Cruzeiro no Mineirão.
Já pensou?
ILUSTRE VISITA
Desde sábado, tenho uma ilustre companhia para os fins de tarde na varanda deste meu refúgio em Ibiúna.
Ele está aqui ao lado, em carne e osso. Ou melhor: em papel maché. Pernas cruzadas equilibrando-se num banquinho giratório – o mesmo sobre o qual passava os dias engendrando os mais singelos brinquedinhos de madeira e arames, entre os quais o célebre Trem das Onze – paletó marron, calças e meias amarfanhadas no tornozelo, cinzentas, sapatos marrons, a indefectível gravata borboleta vermelha sobre o colarinho branco, e, claro, o chapéu de feltro marron inclinado à esquerda. Bem em frente à mesa de bilhar, com o taco de sinuca repousando na parede ao lado.
Seu olhar parece contemplar a dança do colibri furta-cor e da mariposa azul que se revezam sobre as flores brancas da trepadeira que serpenteia a viga de madeira do teto da varanda, enquanto um sorriso maroto se aperta entre os lábios finos encimados pelo bigodinho bem aparado.
Talvez, se lembrando de dois de seus motes antológicos: a mariposa que, quando chega o frio, fica dando vortas e vortas em torno das lâmpida pra se esquentá, e o colibrí que marchava nos carnavais passados desse gênio da raça.
Já sabe, meu amigo, que estou falando de seu João Rubinatto, o seu Barbosa, nosso Adonirã Barbosa, ator, compositor, cantor, o Espírito Santo da Santíssima Trindade do Samba Paulistano (os outros são Paulinho Vanzolin e Geraldo Fiúme), comprovando seu refrão, segundo o qual, assim que nóis vai, assim que nóis vorta.
E voltou ao meu convívio, já que fomos tão ligados por um bom período antes de sua morte, por obra e desgraça da incúria nacional.
Essa estátua em papel maché, esculpida por uma artista plástica que reverencio no anonimato, faz parte do acervo da vida e obra do Véio: caixas e caixas dos restos de uma vida voltada à criação e a enriquecer nossa cultura tão dilapidada, despejado do MIS (Museu da Imagem e do Som), onde ele deveria ocupar lugar de destaque.
Como ele, Mato Grosso e o Joca, despejados da Saudosa Maloca, recolhido por Celso Campos Jr., autor de alentada e refinada biografia do mestre, esse acervo caiu em minhas mãos pelo tempo necessário para a construção da Casa do Adonirã, a ser instalada na Nova Luz.
Como tudo não cabia aqui em casa, dividi a guarda com o casal de vizinhos, Néia e Alfredo, o tempo necessário para construir um galpão aqui ao lado.
Faço tais confidências apenas para que o amigo saiba como é tratada a memória nacional pelo poder público. Mas, isso não é nenhuma novidade. Então, apague tudo o que escrevi aqui.
Aliás, apague tudo, até a luz no fim do túnel.
PS: Ilustre Visita é o título de um dos mais inpsirados sambas de outro gênio da raça – Noel Rosa, como Adonirã, um cronista do cotidiano de fina sensibilidade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Santo André, São Paulo
14/09/2009 - 15:50
O técnico Muricy, depois do tropeço do líder Palmeiras no Barradão, disse que o Palmeiras sofreu muito pela ausência de Diego Souza, considerado, com razão, um dos melhores jogadores do Brasileirão na atualidade.
É verdade. Diego Souza faria falta a qualquer time nesta quadra auspiciosa de sua carreira. Assim como Cleiton Xavier, seu ilustre parceiro na armação desse Palmeiras.
Contudo, ainda outro dia, ao perder Xavier num jogo, Muricy simplesmente o substituiu por Deyvid Sacconi, um meia de talhe parecido (não igual, parecido), e o time seguiu fluentemente em direção à vitória.
Já, domingo, na falta de Diego Souza, Muricy preferiu substituí-lo por um terceiro zagueiro, o que deixou Cleiton Xavier sozinho, nu e com a mão no bolso, no meio de campo estéril do seu time.
Diego é imprescindível, sim. Mas, não insubstituível, desde que a escolha seja mais judiciosa.
GRÊMIO CHEGANDO
Com a vitória por 2 a 0 sobre o Náutico, nos Aflitos, o Grêmio não apenas exorcizou o fantasma que o assombra fora de casa como deu um passo significativo para juntar-se aos quatro ou cinco vanguardeiros (se o Corinthians vencer o jogo atrasado com o Coritiba, passa a ser o quinto do bloco da frente).
O Grêmio tem tradição e time para brigar pelo título, sim, senhor. Mas, pelo que vi no jogo dos Aflitos, precisa de mais confiança para impor seu estilo nesses cotejos, pois passou os últimos quinze minutos só lá atrás, rebatendo tudo.
É verdade que perdeu Souza, seu grande articulador, ao lado de Tcheco, pouco antes do sufoco, o que explica em parte esse comportamento, que já não é mais a praia do Grêmio, com a atual formação, onde Fábio Rochemback caiu como uma luva, na marcação e apoio.
O GALO VOLTOU
O Atlético Mineiro, que depois de súbita ascensão teve uma recaída, voltou ao G-4, com a queda progressiva do Goiás, onde Fernandão ainda não se acertou.
Já Renteria, no Galo, começa a dar sinais de que está disposto a recuperar aquele futebol dos tempos de júnior, quando foi a sensação de um desses campeonatos sub-qualquer-coisa, na defesa de sua Seleção.
Com Diego Tardelli jogando muito e ainda tendo a alternativa de Eder Luís para compor um eventual trio de atacantes, o Galo, no mínimo, se credencia a assegurar essa vaga na Libertadores. No máximo, a brigar pela faixa de campeão brasileiro. Ainda mais que vem gente aí, novos reforços e Márcio Araújo, essencial no meio-de-campo, recuperando-se de lesão.
Dos novos contratados, sem dúvida, o de maior nomeada é Ricardinho, meia-esquerda que fez fama no Corinthians, campeão do mundo em 2002, e que andava pela Turquia.
Não sei como está Ricardinho hoje, física e tecnicamente. Sei, porém, que se trata de um desses raros meias armadores autênticos de que tanto carecem alguns dos mais sérios candidatos ao título.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Armadores, Atlético-MG, Diego Souza, Diego Tardelli, Grêmio, Muricy Ramalho, Palmeiras, Ricardinho
24/08/2009 - 16:08
Desculpe o atraso na postagem destes comentários, pois fui vítima de um crepe nos meus equipamentos, justamente na noite de domingo, e só agora eles puderam ser reabilitados.
O fato é que, se nomeio de semana o São Paulo foi o grande beneficiário da combinação de resultados, neste final de semana os astros apontaram para o Palmeiras, que, no sábado, venceu o Inter, em jogo de seis pontos, e celebrou, no domingo, os tropeços de três dos outros chamados grandes, concorrentes mais próximos - São Paulo, Galo e Corinthians.
As exceções foram Goiás e Avaí, que derrubaram com folga Santos e Flamengo, em seus próprios estádios.
Aliás, duas exceções magníficas, sobretudo o Avai, por quem não se dava um tostão furado nas primeiras rodadas e que, de repente, criou asas, e alçou vôo da zona do rebaixamento ao G-4, com a marca inacreditável de onze partidas inictas.
Claro, o Flamengo, em plena fase de transição, jogou muito desfalcado. Mas, o Avaí, ao seu estilo, botou a bola no chão, sob o comando de Marquinhos, um dos dois ou três melhores jogadores do campeonato até agora, e poderia ter alcançado um placar ainda mais sonoro.
Além de Goiás, vice-líder, agora já com Fernandão estreando, o que lhe dará certamente mais força ofensiva, ao lado de Léo Lima e um pouco atrás de Iarley e Felipe, e de Avaí, vale ressaltar o renascimento do Atlético PR nas mãos do experiente Antonio Lopes, cujo batismo de fogo seria esse jogo contra o ascendente São Paulo. Resultado: 1 a 0, com clara predominância do Furacão, num jogo de extração técnica mediana.
Já Corinthians e Botafogo ofereceram emoções redobradas no Pacaembu, num empate de 3 a 3, eivado de erros da arbitragem. Abstraindo-se isso, o que é quase impossível, pois muitos desses erros influiram diretamente no resultado, a partida foi muito movimentada, e mais positiva para o Botafogo, que luta para escapar da degola, enquanto o Corinthians vai tentando se rearmar de olho apenas na Libertadores, embora possa, sim, senhor, chegar ao G-4, pelo menos.
Por fim, a impiedosa goleada do Grêmio sobre o Galo – 4 a 1, no Olímpico. E eis aquestão: no Olímpico, o Grêmio, com seus Tchecos e Souzas, é rei. Fora, tem sido um mero súdito.
De qualquer forma, essas alternâncias, de rodada a rodada, é que fazem o sal desse campeonato de pontos corridos, uma decisão a cada jogo, para todos.
O GRINGO CHEGOU
Nesta ssegunda-feira, o argentino De Federico desembarcou em Congonhas, posou com a camisa do Corinthians, e prometeu dar um brilho extra ao seu novo time.
Bem, confesso que não vi de seu futebol mais do que as imagens divulgadas pelas emissoras de TV, o que basta para impressionar. Mas, o amigo sacumé essa história de DVD de jogador de futebol. Podem apenas revelar as exceções de um desempenho, na média, bem inferior.
Fio-me, porém, na imprensa argentina que, há tempos, vem enaltecendo a bola desse garoto recém-promovido à elite do futebol de seu país, defendendo o Huracán, sensação do último campeonato de lá.
Canhoto, habilidoso e incisivo é o mínimo que se fala dele. O máximo, é que se trata de um novo Messi. Se conseguir ser, ao menos, um Douglas já estará de bom tamanho para o Corinthians.
VASCOOO!
Foi simplesmente emocionante ver a torcida vascaína invadir o Maracanã para empurrar seu Vasco em direção à goleada por 4 a 0 sobre o Ipatinga, em jogo pela Segundona, que o Almirante comanda do alto da proa.
Curiosa essa reação recorrente nas torcidas dos grandes clubes brasileiros que amargam a queda para a divisão inferior. Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Corinthians e outros tantos que viveram essa experiência provam que o torcedor se irmana ao clube na desgraça e passa a jogar junto para vê-lo novamente na Série A, seu verdadeiro patamar histórico.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Série B
Tags: Avaí, Botafogo, Corinthians, DVD, Goiás, Grêmio, Palmeiras, Vasco
20/08/2009 - 00:25

A grande vitória da rodada foi, sem dúvida, a do Corinthians sobre o Inter no Beira-Rio, por 2 a 1, placar, aliás construído em cima dos erros da arbitragem, já que os três gols foram marcados irregularmente.
O fato, porém, é que o Timão, devastado por lesões e punições, nem assim perdeu a pose: entrou no Beira-Rio com sua formação mais ousada do que a maioria dos demais times, e duelou mano a mano (sem trocadilho) com um dos principais pretendentes ao título (também desfalcado, mas não tanto) e concluiu mais a gol do que o adversário, o que é, afinal, a essência do jogo.
Em contrapartida, a grande derrota foi a do líder Palmeiras para o Coritiba, na casa do inimigo. Isso, claro, sempre ameniza a pena. Mas, mesmo sem Diego Souza e Marcos, suas duas estrelas mais cintilantes, era de se esperar mais desse Palmeiras que viveu apenas do brilho e do esforço de Xavier, o que não foi suficiente desta vez.
Por fim, o São Paulo, na volta de Rogério Ceni ao palco de sua gloriosa vida, o Morumbi, cumpriu sua parte, com extrema discrição: 1 a 0, belo gol de Richarlyson, sobre o Fluminense que já não sabe mais onde cavar sua vergonha, e saltou provisoriamente para a vice-liderança, nessa arrancada espetacular sob o comando de Ricardo Gomes.
Pouco antes, o Santos havia derrotado o Grêmio na Vila, num jogo arrastado, com gol de cabeça de Ganso. Nada mal para o Santos, que aspira apenas ganhar um posto mais honroso na tabela e muito ruim para o Grêmio, que entrou para brigar pelo título e não consegue dar um salto significativo.
Assim, a abertura do segundo turno já prenuncia a briga de foice que se travará lá no topo da tabela, até o fim. E ainda há quem diga que pontos-corridos é um tédio.
JANELA PRA LÁ E PRA CÁ
A janela escancarada para a turma doida por pular em busca do Eldorado europeu, está atraindo mais exilados do que os desterrados. Agora mesmo, o Inter anuncia a contratação de Cleber Santana, ex-Santos, que estava na Espanha. Desconfio que seja a mais significativa repatriação, já que se trata de um volante com cacoete de meia e chute de atacante.
Vi alguns jogos de Santana no Campeonato Espanhol, e fiquei com a sensação de que continua o mesmo excelente jogador dos tempos da Vila, embora atuasse mais à frente de sua real posição.
Outro que volta aos Pagos é o lateral-esquerdo Lúcio, ex-Palmeiras, São Paulo e Grêmio. Dizem que, fisicamente, o rapaz não está nos trinques. Mas, se superar rapidamente esse problema (se é que ele existe), será um reforço inestimável para o Tricolor gaúcho.
É verdade que muita gente boa deverá partir através da fresta final do fechamento da tal janela. Isso porque os clubes europeus costumam só se voltar para os nossos campos depois de esgotarem as possibilidades na sua própria praia. Não porque desprezem nossos talentos. Mas, porque preferem aqueles que já estejam acostumados a atuar por lá há algum tempo. Só resta esperar pra ver como vai terminar essa melódia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Corinthians, Coritiba, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo
06/08/2009 - 23:49

Foi um jogo lancinante, em pelo menos três quartos de seu desenrolar, em que o Palmeiras teve um desempenho exemplar nos primeiros trinta minutos, quando marcou seu gol, com Cleiton Xavier, de cabeça, e o Grêmio virou do avesso nos minutos seguintes, ao empatar com Maxi López e obrigar Marcos a praticar duas defesas difíceis.
E, logo no início do segundo tempo, o Grêmio seguiu pressionando, a ponto de Wendell salvar um gol sobre a risca fatal. Em meio ao vaivém das trocas de jogadores e de esquema, pelos dois técnicos, Rever sofreu grave lesão na cabeça, e os gaúchos refluíram no final, quando o Verdão partiu para o sufoco, em vão.
Assim, o Palmeiras soma um ponto mais de distãncia em relação ao vice, Goiás, e ao terceiro, Atlético Mineiro, que folgou na tabela e tem um jogo a menos, mas deixou uma certa apreensão na torcida, que já vinha se acostumando com vitórias mais ou menos folgadas, embora um clássico contra o Grêmio é sempre dureza, lá ou cá.
GOLEADAS REDENTORAS
Demorou, mas o Flu tirou a barriga da miséria, ao golear o Sport por 5 a 1, no Maracanã, com um primeiro tempo singular de Roni, autor de um gol e de duas assistências para o menino Kieza. há tempos que a nação tricolor esperava isso, algo que a anime a acreditar que o Flu sáirá dessa incólume.
Assim como o Barueri, depois de bela campanha, vinha numa fase descendente, até meter 4 a 0, na Arena, no Vitória, que passou a patinar, após digna performance nas dez/doze primeiras rodadas do Brasileirão.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Barueri, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Sport, Vitória
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