30/10/2009 - 14:00
“Poeirá/ Ô, ô/ Poeirá/ Eu caí, sacudi/ Poeirá”. Esse é um dos arquétipos do samba de roda, matriz de nossa maior e mais lídima expressão musical – o samba.
Pois, foi o que fez o Palmeiras, ao golear o Goiás e resgatar a liderança do Brasileirão: depois de uma sequência de insucessos, quando apertado sob o último nó, o Palestra ressurgiu.
Mas, não tentem jogar poeira nos nossos olhos, para conferir outros valores à vitória espetacular, que ninguém nasceu ontem, nem acreditamos no poder mágico da heroína dos quadrinhos, Jane, clone da clássica Alice do País das Maravilhas, que rezava a quadrinha da infância – “Areia da grossa/ Areia da fina/ Areia me faça ficar pequenina” – para adentrar um mundo de fantasia.
Refiro-me a esse discurso canhestro do técnico Muricy e de alguns jogadores palestrinos, segundo o qual, o Palmeiras vinha praticando um futebol “romântico”, “bonito”, e só perdia. Quando mudou o braço da viola, goleou.
Que conversa é essa? O Palmeiras só jogou bonito e venceu naquele breve período em que o modesto, mas inteligente, Jorginho assumiu interinamente o comando do time, entre Luxa e Muricy, dois autênticos astros do ofício. Foi a série de sete jogos invictos (seis vitórias e um empate) que não só levou o Palmeiras à liderança como abriu vantagem para o seu sucessor tocar o barco sem maiores esforços.
Depois disso, o Verdão passou a jogar o tal futebol pragmático, feio, mais preocupado em se defender do que em atacar, com os becões esticando a bola ao ataque, e começou, progressivamente, a perder a gordura acumulada, até chegar quase no mano-a-mano com os demais pretendentes ao título. E, quando ganhou, ganhou jogando mal. Isto é fato, não papo de artista.
Muricy, por quem tenho uma admiração especial, seja como ex-jogador – excepcional -, seja como técnico – um vencedor como poucos – , seja como pessoa – parceiro e gente fina -, melhor faria se assumisse claramente sua vocação irrefreável para a retranca do que tentar jogar poeira em nossos olhos. Não porque isso possa afetar sua brilhante carreira, cujos resultados são incontestáveis: um vice e três – quem sabe, quatro – títulos nacionais, afora todos os estaduais. Mas, porque ele é um paradigma na atual fase do futebol brasileiro, que tanto carece de sair dessa mesmice e almejar algo superior.
Mesmo porque o maior patrimônio de Muricy é a honestidade, além da capacidade de armar seu time de acordo com as suas reais convicções.
Só o que peço é transparência. Não aquela poeira que esconde a realidade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Goiás, Muricy Ramalho, Palestra, Palmeiras
29/10/2009 - 23:08
Parodiando o grito da galera tricolor, o líder está de volta, em grande estilo, garota.
Mais do que os 4 a 0 sobre o Goiás, no Palestra Itália, e a recuperação da liderança do Brasileirão, o Palmeiras resgatou a confiança ao jogar bem. Isto é: jogou com autoridade, cuidando da defesa, que é de lei, mas buscando o resultado com fé e capacidade.
E, no centro de tudo, a figura, às vezes cômica, às vezes trágica, de Obina, autor dos três gols e de um passe genial de calcanhar para o gol de Sacconi.
Era tudo o que o Verdão precisava nesta reta final do campeonato, sobretudo porque o Galo perdeu para o Flu, que se superou e foi melhor a maior parte do jogo.

Charge de Milton Trajano
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Goiás, Obina, Palmeiras, São Paulo
19/10/2009 - 17:01
Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.
Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.
Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.
Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.
Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.
Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.
Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.
Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…
Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.
Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.
VELHINHOS PIMPÕES
Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.
Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.
Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.
Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.
Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.
Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.
Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Brasileirão, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, galo, Goiás, Grêmio, INTER, Internacional, Muricy Ramalho, Palmeiras, Tricolor, Vitória
08/10/2009 - 23:55

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E, no fim das contas, o que parecia uma tragédia para o São Paulo acabou sendo apenas uma decepção por não ter aproveitado a chance de se aproximar do Palmeiras, que tropeçou no Palestra diante do Avaí, assim como o Galo levava um sapeca inesperado do Botafogo, no Engenhão, e o Goiás levou de 3 a 0 do Cruzeiro, no Mineirão.
E olhe que o Verdão esteve a pique de perder de um Avaí arrumadinho, leve e incisivo, que chegou a abrir 2 a 0, sob o comando de Marquinhos, um desses veteranos que, ao lado de Marcelinho Paraíba, Ramón e Petkovic, vêm botando tempero especial neste Brasileirão.
Mas, o Palmeiras não é líder por acaso, e foi buscar força lá no seu interior para chegar ao empate e manter-se a uma distância ainda folgada do vice. Mas, não tanto que eventual revirolta esteja fora de questão.
O fato é que, no fim de tudo, apenas o Inter avançou, retomando seu lugar na zona da Libertadores. De resto, tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Atlético-MG, Avaí, Coritiba, Goiás, Marcelinho Paraíba, Marquinhos, Palmeiras, Petkovic, Ramon, São Paulo
01/10/2009 - 20:12
Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.
Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.
É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.
O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.
Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.
Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.
Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.
Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico
BRASIL OLÍMPICO
Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.
O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.
E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.
Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…
Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.
De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.
Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.
Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?
Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes
Tags: Atlético-MG, Atlético-PR, Barueri, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Goiás, Internacional, Náutico, Olimpíada, Oscar, Palmeiras, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, ´
28/09/2009 - 15:08
A tendência – tanto dos torcedores, quanto da mídia especializada -, ao se projetar um cenário final para o campeonato, é a de se excluir Goiás e Galo da disputa final, elegendo-se acima deles Palmeiras, São Paulo e Inter. O Goiás, por força da tradição, e o Galo porque não teria elenco suficiente para chegar lá nesta reta final do torneio.
Bem, vale lembrar que o Goiás, embora nunca tenha sido campeão brasileiro e tal e cousa e lousa e maripousa, é um dos clubes mais bem organizados do Brasil, muito mais do que vários dos que ostentam uma galeria de títulos e uma marca nacional revestida da mais gloriosa tradição.
Mas, história á parte, no aqui e agora, o Goiás se sustenta em campo em dois laterais de primeira linha – Vitor e Júlio César – e num ataque impiedoso, com iarley e Felipe, sem falar em Fernandão, que já começa a produzir o que sabe. Por fim, é uma equipe bem armada em campo. Portanto, nem de longe pode ser considerado carta fora do baralho.
Quanto ao Galo, tem sido vítima de um clichê, que, se até outro dia podia refletir uma realidade, agora, já não. Refiro-me à formação de elenco, reforçado recentemente pelas presenças importantes do goleiro uruguaio Carini, pelo volante Correa, que se encaixou perfeitamente ao lado do excelente Márcio Araújo; de Ricardinho e de Rentería.
Para completar, há Diego Tardelli, um dos artilheiros do Brasileirão, e que atravessa fase esplendorosa, ao lado de Eder Luís.
Ah, sim, vale lembrar que, de todos os vanguardeiros na tabela, é aquele que vem exibindo o futebol mais agradável de se ver, embora isso não conte muito em termos de resultado.
De qualquer forma, antes de entrar nesse barco furado, espero esperar para onde vai a maré de um campeonato que longe está para se definir de vez, ainda que o Palmeiras venha dando claros sinais de que está ungido, a ponto de vencer até mesmo quando joga mal e merecia perder, como aconteceu no sábado, diante do Furacão.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Atlético-MG, Diego Tardelli, Goiás
27/09/2009 - 20:48
A grande novidade da rodada, sem dúvida, além do Verdão se desgarrando na ponta da tabela, foi o salto do Goiás para a vice-liderança, ao bater o Grêmio, de virada, por 2 a 1, no Serra Dourada. Dobradinha verde no topo do campeonato.
E, como Inter e Flamengo naufragaram abraçados no Beira-Rio transformado em lagoa, o Verdão passou a flutuar na liderança ainda mais leve.
BRINDES NO MAJESTOSO

Sobretudo, porque São Paulo e Corinthians não foram além de um empate por 1 a 1 no Morumbi, em jogo tenso e de poucas chances claras de gol.
A do Corinthians, aos 20 minutos do primeiro tempo, foi fina cortesia de André Dias, assinada por Bosco, para Ronaldo apenas empurrar às redes vazias.
A do São Paulo, um presente do bandeirinha que não assinalou impedimento de Washington no passe magistral de Hernanes, aos 24 do segundo tempo.
De resto, no jogo jogado, o Tricolor foi superior ao Corinthias a maior parte do tempo. Contudo, aquela superioridade que não confluía em ações incisivas na direção da meta do adversário, que, por sua vez, preferia apenas defender-se, com esta ou aquela pontada de contragolpe.
Só no finalzinho, depois da expulsão de Washington, é que o Timão pressionou e quase marca em cruzamento de Bill para Dentinho chegar um átimo atrasado.
Ah, sim, e vale destacar a estréia (ufa!) do menino argentino Defederico. Abstraindo-se todos os problemas típicos de tais circunstâncias, me deixou boa impressão. Franzino, mas sabe trabalhar a bichinha.
BAILE CARIJÓ
Foi o baile do Galo Carijó no terreiro do Mineirão: 3 a 1 num Santos que só deu sinal de vida no segundo tempo, e, mesmo assim esporadicamente. Isso tudo com direito a estreia de Ricardinho, chamado a campo já pra lá de dois terços da partida.
Entrou, obviamente longe de sua melhor forma física e técnica, mas em três ou quatro tramas que executou pelo lado esquerdo, com Feltri, já sinalizou a que veio. Ricardinho é daqueles raros meias capazes de injetar no time a noção de alternância de jogo – ora, mais contido; ora, mais agressivo. E isso vai fazer muita diferença nesta reta final do campeonato.
Contudo, o nome do jogo foi mais uma vez Diego Tardelli, autor de dois gols e de várias jogadas de efeito e eficiência, a partir da intermediária adversária, em parceria com Eder Luís, que voltou a jogar livre e solto.
Outro grande destaque do Galo: o volante Correa, um desses médios de muita entrega mas que sabe o que fazer com a bola quando a tem sob seu domínio. Marcou, quitou, e saiu para o jogo com fluência e destemor.
Assim, o Galo volta a se juntar aos que brigam, no mínimo, uma vaga para a libertadores, mas com direito a sonhar mais alto. E o Santos, bem, segue ali naquela zona cinzenta do meio da tabela, sem força para subir, nem tanta fragilidade para despencar.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Atlético-MG, Corinthians, Goiás, Santos, São Paulo
25/09/2009 - 18:12
A rodada deste fim-de-semana se prenuncia tensa e agitada, com o líder Palmeiras jogando no sábado, em casa, contra o Atlético Paranaense e torcendo desesperadamente pela combinação de resultados favoráveis, no domingo, quando o São Paulo enfrenta o Corinthians no Morumbi, o Inter recebe o Flamengo no Beira-Rio, o Galo pega o Santos no Mineirão e o Goiás, no Serra Dourada, espera o Grêmio, todos ele, uns mais, outros menos, próximos do topo da tabela.
Aparentemente, a tarefa do Verdão é menos dura do que a dos demais. Mas, só aprantemente, pois o Furacão reagiu sob o comando de Antonio Lopes e o Palmeiras não poderá contar com um dos seus três principais jogadores – Cleiton Xavier (os outros, claro, são Marcos e Diego Souza). E, pior: não há no elenco um articulador de jogo de estilo semelhante ao de Xavier. O mais próximo é Deyvid Sacconi, que, no entanto, não parece merecer total confiança do técnico Muricy, por sua fragilidade na marcação.
Mesmo assim, estimulado pela virada heróica sobre o Cruzeiro no Mineirão, na quarta-feira passada, o Verdão tem a seus pés uma chance maior de, no mínimo, manter a distãncia de três pontos sobre o seu mais próximo concocorrente, o São Paulo.
O MAJESTOSO
Este, sim, é que deverá superar o tabu dos últimos sete jogos de insucessos diante do Corinthians, no Morumbi.
Além de jogar apoiado em 90 por cento da torcida que for ao estádio, o Tricolor leva a vantagem de ser um time já mais definido do que o Corinthians, em fase de transição ainda. Tanto, que só de última hora Mano Menezes soube que poderá contar com os mais recentes reforços – Edno e Defederico – depois de questões burocráticas. E, mesmo que possa tê-los na equipe, é impossível prever o comportamento de um ou de outro, por natural falta de entrosamento com os demais companheiros.
Mas, quando se trata de Majestoso, como o saudoso Olýmpicus cunhou esse clássico há mais de seis décadas, tudo é possível, como prova a história.
INTER E FLA
O Inter é o bão, mas o Flamengo é o marvado, como se diz por esse interiorzão afora.
Sim, porque o Colorado está lá em cima, enquanto o Flamengo ainda está escalando a tabela. Mas, o Inter, apesar de seu elenco de excelência, sei lá, na hora H, fura, a exemplo do que aconteceu ainda neste meio de semana jogando pela Copa Sul-Americana.
Já o Flamengo vem no embalo da dupla Pet-Adriano, de vento em popa. E, se conseguir uma vitória em pleno Beira-Rio, o que não é impossível, embora improvável, passará a incomodar seriamente os vanguardeiros da tabela.
Jogo de chispas e barulhos.
GALO E PEIXE
Essa o Galo não pode deixar escapar de seu terreiro. Não apenas porque se revigorou na última rodada, como porque o Peixe tem revelado extrema fragilidade, até mesmo no Alçapão da Vila. Ainda mais se Ricardinho estrear no Atlético, como está revisto.
Mesmo ainda desentrosado, se estiver bem física e tecnicamente, é aquele meia capaz de enfiar as bolas que farão a festa de Diego Tardelli e Eder Luís lá na frente.
NO SERRA DOURADA
Esse é o jogo em que o Goiás terá de provar que está lá em cima pra disputar mesmo o título e não para apenas assegurar uma vaga na Libertadores. Pois, recebe no Serra Dourada um Grêmio de camisa e bola para não só assumir seu posto no G-4 como arrancar em direção à disputa pra valer pela faixa de campeão.
O Goiás, porém, depois de um vacilo, parece ter recuperado a pose, e, com Fernandão já mais adaptado ao time, deverá ainda incomodar muita gente boa, se não ultrapassá-la.
PÊNALTIS E CIVILIDADE
Por princípio e formação, sou avesso a qualquer tipo de veto à expressão de ideias de qualquer um sobre qualquer assunto. Por isso mesmo, apesar das instâncias de alguns bloguistas amigos que se sentem desconfortáveis com alguns comentários estúpidos de eventuais leitores, o canal de interatividade com os frequentadores deste blog é mantido aberto, tanto para os prós quanto para os contras.
Porque, talvez ingenuamente, apesar da idade e dos golpes recebidos na vida, creia que essa é uma ínfima contribuição, um grão de areia na Praia Grande, no sentido de o cidadão brasileiro usufruir desse sagrado direito de expressão, com civilidade e juizo.
A maioria tem cumprido esse designio. Outros, porém, não conhecem os limites do diálogo público, e passam a despejar xingamentos pessoais ao cronista, seja pelos conceitos que emito, seja por omissões deste ou daquele detalhe, alguns importantíssimos. A estes devolvo todas as ofensas, em dobro, e lastimo que não tenham ainda conseguido sair de suas respectivas cavernas.
Aos outros, peço desculpas por não ter manifestado minha opinião acerca dos pêbaltis reclamados pelo Cruzeiro, na derrota para o Palmeiras, na última quarta-feira. E não o fiz, não por incúria ou por qualquer outro propósito mais escuso. Simplesmente, na pressa de escrever a minha crônica e na incerteza sobre os lances discutidos, preferi esperar para rever todos os lances com calma e acuidade, o que não me exime de cometer outros erros nessa avaliação final, humano que sou.
Enfim, lá vai: na minha maneira de ver, houve dois pênaltis a favor do Cruzeiro – em Fabrício e aquele, já nos descontos. Não é pouco, pois foram lances que poderiam alterar inteiramente o cenário desse jogo, para o bem ou para o mal de um ou de outro.
Ponto final.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Goiás, Internacional, Majestoso, Palmeiras, pênaltis, Rodada, São Paulo
06/09/2009 - 20:53

No sábado, o Palmeiras confirmou sua liderança isolada, batendo o Barueri por 2 a 1, na estreia de Vágner Love, que já logo foi fazendo o seu, de pênalti, em marcação, no mínimo, duvidosa.
Love ainda obviamente está buscando seu espaço ao lado dos novos companheiros, e o Palmeiras, mal no primeiro tempo, melhorou no segundo e mereceu o placar, embora, como se esperava, o Barueri fosse um osso duro de roer.
No domingo, o São Paulo foi ao Mineirão e arrancou uma vitória de ouro sobre o Cruzeiro, de virada: 2 a 1, graças às duas dubstituições feitas por Ricardo Gomes no segundo tempo: as entradas de Marlos e Borges, autores dos dois gols tricolores – o primeiro, de cinema.
E, enquanto o Goiás não conseguia superar o Coritiba em casa, o Inter foi a Florianópolis, venceu o forte Avaí e ainda por cima deu espetáculo, mesmo com dois jogadores a menos.
Mais do que isso: vai ratificando aquela ideia inicial de que se trata do melhor elenco do campeonato. Se vai ser campeão, é outro departamento. Mas, que tem bala para tanto, ah, disso não resta a menor dúvida.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Goiás, Internacional, Palmeiras, São Paulo
30/08/2009 - 20:47
Quem esperava um clássico histórico entre São Paulo e Palmeiras se frustrou. Foi apenas um jogo dentro dos padrões convencionais: muita tensão, extrema marcação, pouca emoção e nenhuma invenção.
O Verdão dominou os primeiros 20 minutos, até que o zageiro Maurício Ramos se machucasse. A partir daí, com a entrada de Marcão, Muricy mudou o braço da viola, e voltou ao seu amado sistema com três zagueiros. Três pra cá, três pra lá, e permita-me dar um bocejo, pois nada mais aconteceria nesse jogo.
Como, aliás, não aconteceu.
O São Paulo, é verdade, foi um pouco mais agudo, nos contragolpes, mas pouco para o nível de expectativa desse jogo que poderia alterar alguma coisa na ponta da tabela.
Se imaginarmos que são dois dos grandes favoritos ao título do Brasileirão, que pobreza…

FLA, TIMBU E AVAÍ
O Flamengo se recuperou diante do Santo André, sábado, no Maracanã. Não porque meteu 3 a 0 nos azuis do ABC.
mas, sobretudo, porque jogou bem, sob o comando de Petkovic, o nome do jogo, logo ele, de quem nada se esperava quando voltou à Gávea da semi-aposentadoria, só pra cumprir um acordo comercial.
Pois, Pet, em um ou dois jogos, já é uma das atrações do campeonato, graças à sua técnica inexcedível.
Já o Avaí caiu, depois da incrível série invicta de onze jogos, diante do Coritiba, fora de casa. Mas, se há um caso em que se pode dizer que caiu de pé é este. O Avaí, embora jogando no campo inimigo, ainda que
perdendo, jamais perdeu o juízo e o domínio da partida. Continuou tocando a bola e esperando a chance que não veio, afinal.
Quanto ao Coritiba, mais uma vez, todos os louros para Marcelinho Carioca, mais uma vez, o motor da vitória e autor de mais um golaço.
Por fim, o Timbu, que renasce nas mãos de Geninho, meteu três no Furacão, lá nos Alitos, com direito a golaço de Bala – uma parábula lá do meio da rua que o goleiro nem viu.
INTER DESBANCA GOIÁS
Claro que a expulsão de Fernandão, ainda no começo do jogo, foi significativa. Mas, o fato é que o Inter goleou o Goiás e já saltou para o terceiro lugar, com um jogo a menos, ultrapassando o Sao Paulo.
E o fez sem seu goleador Alecsandro, substituído pelo garoto Marquinhos, mas, sobretudo, escorado na dupla de veteranos zagueiros – Indio e Fabiano Eller -, que deu a segurança que faltava à defesa colorada.
O Inter, não resta dúvida, é um dos poucos candidatos pra valer ao título.
PEIXE E RAPOSA
Os meninos da Vila enterraram ainda mais o Fluminense: 2 a 0, gols de André e Ganso, que joga muito, meu povo. Os meninos, claro. com o apoio do veterano Emerson, aquele.
Quem, contudo, segue patinando é o Cruzeiro, que empatou por 3 a 3 com o Vitória no Barradão. Esse resultado, em tempos normais, seria perfeitamente digerível. mas, na situação atual…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Avaí, Campeonato Brasileiro, Cruzeiro, Flamengo, Goiás, INTER, Náutico, Palmeiras, Santos, São Paulo
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