NÓS, NA LIBERTADORES
Definida a última vaga na Libertadores, então teremos dois gaúchos, dois paulistas, um mineiro e um carioca representando o futebol brasileiro na principal competição do continente
Apesar da heroica campanha do Goiás na Copa Sul-Americana, melhor do que o Independiente em mais de três quartos da soma dos jogos (e prorrogação) finais, convenhamos, o Grêmio me parece mais habilitado a melhor representar nossa bandeira na Libertadores.
Tem mais camisa, experiência nesse tipo de disputa e vem num embalo impressionante desde o início do segundo turno do Brasileirão.
Mas, o que esperar de Corinthians e Santos, os dois paulistas que estarão em ação?
É cedo para fazer uma projeção mais exata, pois ambos começaram agora a mexer os pauzinhos para se reforçar com vistas à próxima temporada.
O Corinthians, ainda sob o impacto da brusca queda para o terceiro lugar no Brasileirão, o que o obrigará a disputar a pré-Libertadores, ele que sonhava com o título, acaba de perder Elias, um dos dois esteios do time nas últimas temporadas. E até o vice-presidente de futebol se demitiu.
Além do mais, não sabe o que esperar de Ronaldo Fenômeno, e parece mais preocupado em se livrar do que restou da legião de contratados equivocadamente para a Libertadores passada – Danilo, Iarley etc. – do que em acertar o alvo nas eventuais novas contratações.
Fixado em trazer Adriano, não revela outras opções mais exequíveis. Como, por exemplo, a volta do He Man, que anda em estado de graça no Goiás.
Já o Santos dá sinais de que está mais lúcido na parada.
Zé Roberto, que teve tão auspiciosa passagem pela Vila, tempos atrás, diz que pretende, sim, voltar para o Peixe, a fim de formar um meio-campo de se tirar o chapéu: ele, Arouca, Elano e Ganso.
Mas, ainda há a possibilidade de Fabrício trocar o Cruzeiro pelo Santos de Adílson, seu ex-treinador, aquele que o fez renascer para o futebol na Toca da Raposa.
De qualquer forma, fica faltando um homem a mais lá na frente, para dividir com Neymar a tarefa de encher de gols as redes inimigas. Quem sabe uma possível volta de André? Seria a sopa no mel.
Já o Cruzeiro, mesmo que perca Fabrício, tem um elenco sólido, como o Inter, que está em plena disputa do título Mundial. E este pode ser um divisor de águas. Uma eventual perda da faixa de campeão mundial, pode abalar o Inter, já que é favorito na disputa, num momento muito ruim de seu xará de Milão.
Quanto ao Flu, está nadando de braçada, com o título brasileiro e a possibilidade de, na pré-temporada colocar nos triqnues seu quarteto de escol – Deco, Conca, Fred e Emerson. Mas, bem que caberia um volante de alta classe para apoiar essa turma. Só Diguinho é pouco.
A expectativa, porém, do0 múltiplo Richarlyson já é um alento.
Ronaldinho no Palestra
O Palmeiras parece mesmo empenhado em tentar trazer para o Palestra Itália o nosso Ronaldinho Gaúcho, que, depois de uma breve recuperação no início do ano, caiu novamente em desgraça no Milan.
Seria, sem dúvida, a maior atração do Ano Novo no futebol brasileiro.
Mas, tenho minhas dúvidas se viria a ser a grande solução para esse Palmeiras tão fragmentado em todos os setores e sentidos.
A não ser que Felipão consiga o milagre de injetar-lhe um novo ânimo para jogar bola, e só jogar bola.
Sucede que a caixa de milagres de Felipão parece estar com a tampa enferrujada nos últimos tempos: perdeu a Eurocopa em casa, para a modestíssima Grécia, com a maior geração de craques portugueses desde os tempos de Eusébio e Coluna; teve pífia e breve passagem pelo Chelsea, e, no regresso ao Palmeiras, apostou tudo na Sul-Americana e acabou sendo desclassificado pelo rebaixado Goiás.
Mas, Ano Novo, vida nova. Espero.
O cartola Ronaldo
Ronaldo Fenômeno revelou uma faceta desconhecida de sua personalidade naquele fórum produzido por Carlos Alberto Parreira, no Rio. Não só acertou na mosca ao culpar o calendário brasileiro pelos maiores problemas do nosso futebol, como se dispôs a ter uma atuação decisiva na luta em favor da imensa maioria de jogadores profissionais que, ao contrário dele próprio e alguns poucos escolhidos pela sorte e talento, ganham uma mixaria por esses brasis afora.
Festival de reservas
Falando em calendário, um lembrete aos amigos que acham o sistema híbrido de pontos corridos e mata-mata a grande solução para evitar que este ou aquele time entre em campo com seus reservas, por conta da disputa simultânea em outra competição, como fizeram Palmeiras, Galo, Inter e Goiás na reta final do Brasileirão: a última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões foi um festival de reservas em campo. E daí?
O brasuca Conca
O quê? O argentino Conca com a camisinha canarinho? Pois, olhe que pode até ser, já que o craque tricolor está providenciando sua naturalização brasileira. E, como nunca jogou pela Seleção Argentina, não haveria empecilhos burocráticos para sua inscrição pelo Brasil.
Pelo que sei, seria o primeiro estrangeiro a defender o Brasil nos campos do futebol. Já houve no passado, lá pela virada dos anos 70 para os 80, um outro estrangeiro cogitado para jogar pelo Brasil: o uruguaio Dario Pereyra. Mas, a coisa não andou. Agora, seria um tapa de luva de pelica nesses treinadores brasileiros da base e das divisões profissionais que preferem taludos volantes a meias de habilidade como Conca.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasil, Goiás, Grêmio, Libertadores, Palmeiras, Ronaldinho



