RODADA DECISIVA, COMO TODAS
Évem, como dizem as baianinhas de saia de roda e penduricalhos de muito axé, mais uma rodada decisiva do Brasileirão. Isso mesmo: decisiva, pois, em campeonatos por pontos corridos, lá e cá, cada rodada é decisiva, cujos pontos disputados serão saudados ou lamentados lá na frente, na reta final.
E o Vitória de Carpegiani, por quem elas suspiram com graça e fervor, precisa se reabilitar diante do Barueri, quinta, na Arena, da derrota recente para o São Paulo, o que não parece nada improvável, desde que o adversário anda capengando, depois de bela campanha até três rodadas atrás.
Mesmo porque periga o Vitória ter mais torcida na Arena do que o Barueri, pelo simples fato de a Grande São Paulo ser a maior cidade nordestina do país, sobretudo de baianos natos e seus descendentes diretos.
Já o São Paulo, que venceu o Vitória na rodada passada, enfrenta uma pedreira maior até, ao receber o Botafogo, que enceta uma reação na tabela nas mãos de Ney Franco. Não só pela força da camisa do Glorioso, mas pela arrancada recente que o despregou da zona de rebaixamento para o limiar da Sul-Americana.
Mas, o Tricolor começa a se ajeitar nas mãos de Ricardo Gomes, ainda que no velho esquema dos três zagueiros. Passou a marcar mais à frente, e está conseguindo fazer a bola circular com ciência no meio-de-campo, graças a pequenas, porém, fundamentais mudanças: o recuo de Hernanes à posição de volante, onde o rapaz se sente muito mais à vontade do que atuando como meia, e o visível crescimento do futebol de Dagoberto, herói das duas últimas vitórias tricolores, entre outras coisas.
O São Paulo, porém, apesar dos bons sinais, ainda não chegou ao formato ideal – talvez, nem chegue -, mas caminha nessa direção.
TIMÃO NOS AFLITOS
Ainda sem Ronaldo, mas com Edu no time, o Corinthians vai aos Aflitos enfrentar o Timbu lanterna, que na rodada anterior arrancou heróico empate do Flamengo, em pleno Maracanã. Aliás, nem tão pleno assim, onde a nota destoando foi protagonizada por Léo Moura, xingando a torcida.
A ausência de Ronaldo segue sendo uma lacuna impossível de ser preenchida, embora Souza, já no empate com o Avaí, tenha apresentado evolução significativa desde sua estréia no Corinthians.
E a presença de Edu implica num passe mais exato e em maior segurança para a defesa corintiana. Além de empurrar Elias mais à frente, onde o meia se dá tão bem como segundo volante. Acrescente aí a volta de Dentinho, e, tudo indica, teremos um Timão mais forte do que o do fim-de-semana. Com a cabeça fria, o Corinthians haverá de se moldar em novo time.
LÍDER IMPREVISÍVEL
Muricy, mal assumiu o comando do líder Palmeiras, e já imprimiu suas digitais no time. As digitais de um tricampeão brasileiro, o que vale ouro, sem dúvida. Mas, que descaracterizou o time até então em plena ascensão.
Se a justificativa de Muricy para impingir o esquema com três zagueiros contra o Sport, na pior exibição do time nas últimas sete/oito partidas anteriores, era porque o adversário usava o mesmo esquema, contra o Grêmio, nesta quinta, no Palestra Itália, isso cai por terra, já que o Tricolor gaúcho de Paulo Autuori mudou o braço da viola e joga com apenas dois zagueiros.
De qualquer forma, o Verdão tem todas as chances de acumular mais uma vitória, pois a recente goleada do Grêmio sobre o Cruzeiro, embora lídima, prejudica qualquer análise pelas expulsões de dois adversários.
Mas, se optar pelo sistema em que Muricy está aferrado, grandes são as possibilidades de o Grêmio, com seus Túlios, Adilsons, Tchecos e Souzas, dominar o meio de campo e ditar o ritmo do jogo.
Mais importante, porém, no caso, é celebrar os 36 anos de idade do goleiraço Marcos, na minha opinião, o maior da história gloriosa do Palmeiras, com todo o respeito a Oberdã, outro ícone, e a Leão, Valdir de Moraes, Primo e tantos que ali brilharam.
Idade de trinta e seis anos para um goleiro do porte de Marcos é nada , quando sabemos que seus nobres parceiros de outras eras, no mundo todo, passaram dos quarenta jogando uma enormidade, como Carrizzo, Manga etc.
A propósito, pelo talento e pelo caráter de Marcos, se estiver nessa mesma forma às vésperas da Copa da África, teria um lugar na nossa Seleção, nem que seja para a reserva de Júlio César, que anda fechando o gol na Inter e na Seleção como poucos, diga-se.
TEMPO DO GOIÁS
O Goiás, em franca ascensão e celebrando a volta do filho pródigo, Fernandão, recebe no Serra Dourada um Flamengo machucado pelo empate com o Náutico no Maracanã, e cheio de dedos pela incompatibilidade entre Léo Moura, um dos seus principais jogadores, e a torcida, justamente no dia em que Andrade foi efetivado como treinador da equipe.
O Goiás, possivelmente, deverá ter de volta vários dos titulares que estiveram ausentes na heróica virada sobre o Santo André em São Caetano, o que aumenta em muito suas possibilidades.
O diabo é que o Goiás tem apresentado um resultado muito superior fora de casa do que no Serra Dourada: coisa de 78 por cento contra apenas 50.
É hora de virar esse jogo, se quiser seguir brigando pelo título.
RAPOSA, PEIXE, AVAÍ E FLU
O Peixe, por causa de seu jogo adiado com o Inter, teve um bom espaço para Luxemburgo prepará-lo com vistas ao jogo contra o Coritiba, no Couto Pereira, coisa rara nesse calendário opressivo do futebol brasileiro.
Luxa, que é errático e exaustivo nos seus discursos, sabe como nenhum outro armar seus times, treiná-los devidamente, motivá-los e tal e cousa e lousa e maripousa. Vale verificar se isso ainda funciona.
Quanto ao Coritiba, que, depois de uma arrancada prodigiosa para longe da zona do rebaixamento, refluiu, esse é um daqueles jogos em que não pode bobear. Confesso que não apostaria nem em um, nem em outro.
Já o Avaí, nessa virtuosa escalada desde a lanterna, jogando em casa, dificilmente deverá deixar escapar um belo resultado diante de um Santo André em crise. Basta evitar que Marcelinho Carioca tenha uma daquelas chances de cobrança de falta perto da área em que o veterano craque costuma transformar em pênalti.
E a Raposa, a que veio? Bem, o Cruzeiro ainda carrega nos nervos os eflúvios da frustrante perda da Copa Libertadores da América. Tem time para se reerguer, embora já nem almejando o título. E esse é o momento de readquirir o equilíbrio, jogando no Mineirão contra um Furacão que não passa de brisa leve neste campeonato.
Por fim, o Fluminense, em plena reformulação administrativa, com a saída do gerente Alexandre Faria, a provável volta de Branco (fala-se, também, em Parreira para uma função dessas) e a chegada de Valdir Espinosa como apoio a Renato Gaúcho, que já começa a ter sua cabeça a prêmio.
Tudo lá em cima. E, no campo? No campo, o Flu é um time frágil, que transita pela zona do rebaixamento há muito tempo, e que recebe o Sport, outro desesperado. É jogo de vida ou morte, já que disputado entre dois que brigam para sair do bloco dos desesperados.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Avaí, Barueri, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiá, Palmeiras, pontos corridos, Santos, São Paulo, Vitória