Garrincha | Blog do Alberto Helena Jr.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 20:01

OS FILHOS PRÓDIGOS

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Essa história do filho pródigo que à casa torna, no futebol, é tão antiga quanto à bíblica.

Já lá pelos anos 20 e 30, uma legião de brasileiros, quase todos oriundi (descendentes de italianos) partiram para a Bota, tiveram êxito – alguns serviram à Seleção Italiana -, e, depois voltaram, com saudades da feijoada, da batucada, essas coisas.

Só para lembrar: Filó, De Maria, Ministrinho, os irmãos Fantoni, Gambarotta, sei lá quantos mais.

O caso mais patético foi o do mineiro Niginho, que, ao voltar da Itália, foi convocado como reserva de Leônidas da Silva para a disputa da Copa do Mundo de 38, na França. Sucedeu que Leônidas se machucou às vésperas do jogo pelas semifinais com a Itália. E, quando o técnico Ademar Pimenta resolveu escalar Niginho, só então ficou sabendo que o jogador estava vetado pela Fifa por não ter rescindido seu contrato oficialmente com o clube italiano que detinha seu passe, creio que a Lazio.

Resultado: o meia-direita Romeu Pelliciari foi deslocado para o comando do ataque, no lugar de Leônidas, e Luizinho – Luiz Mesquita de Oliveira -entrou na meia, embora fosse ponta-direita de origem e vocação.

O Brasil perdeu e toda a ira nacional recaiu sobre Leônidas, acusado de ter se vendido ao ouro de Mussolini, o ditador italiano na época.

Já nos anos 50, depois da Guerra, vários brasileiros partiram para a Europa. Dentre eles, Julinho, o Júlio Botelho. Em 55, foi para a Fiorentina, que não ganhava um campeonato desde que Da Vinci e Michelangelo faziam suas diabruras.

Rodada decisiva do campeonato italiano, a Fiorentina vai a Bolonha, e está tomando de 2 a 0, lá pelos 35 minutos do segundo tempo. Pois, Julinho recebe, parte para cima dos adversários, dribla meio time e reduz. Para 2 a 1. Bola no centro, Julinho recupera, tabela, e rede! Nova saída, bola pra Julinho, que se livra de um, de dois, e fuzila. Fiorentina, campeã, pela última vez em sua história.

Julinho foi carregado nos ombros dos torcedores de Bolonha a Florença, onde até hoje preserva-se uma placa de bronze ao lado da mesa que ele frequentava na cidade das flores, em que se inscreve: “Aqui, comeu Julio Botelho, o Sr. Tristeza”.

Sr. Tristeza porque, como se diz, ele deixou a Penha, bairro da zona Leste de São Paulo, mas a Penha nunca o deixou. Por isso, apesar do imenso sucesso na Itália, Julinho voltou em 1959, para o Palmeiras e para protagonizar outro episódio épico.

Jogo Brasil e Inglaterra, Maracanã lotado à espera de ver os dribles demoníacos do Anjo das Pernas Tortas, Garrincha. Pois, quem entrou com a camisa 7 em campo foi Julinho para receber a vaia mais sonora do templo do futebol.

Pra resumir: fez um e deu outro para Henrique, centroavante do Fla, marcar os 2 a 0 finais. O Maracanã, em pé, depois da vaia histórica, aplaudiu Julinho em pé.

Se listar aqui todos os que foram, fizeram fama e fortuna, e voltaram para ainda mais enriquecer nosso futebol, ocuparia todos os bytes da paciência do internauta. Assim, como os que foram, falharam e voltaram para se reerguer aqui.

Não há regras nem receitas. Há apenas o balanço das circunstâncias, que o amigo pode chamar de destino.

Liedson, já
Consolo para a Fiel, se isso ainda for possível depois da tragédia recente: Liedson chega e pode entrar já no time que dará outra feição ao ataque corintiano.

Acabei de vê-lo em ação, pelo Sporting, contra o Naval, no empate por 3 a 3. Liedson não só fez dois dos três gols de sua equipe como revelou estar, fisicamente, nos trinques. Basta dizer que, um minuto antes de marcar o terceiro gol, aos 44 minutos do segundo tempo, deu um pique de quarenta metros e quase chega para fazer.

Na verdade, a Fiel terá um impacto com a presença de Liedson no lugar de Ronaldo Fenômeno. Sem ter a mesma técnica e habilidade de Ronaldo, Liedson é sua antítese: magrinho, leve, rápido e oportunista, por certo, será mais eficaz do que o craque histórico.

E, não valesse essa observação pontual, bastava constatar as tantas homenagens que lhe prestou a torcida do Sporting, com retratos e dísticos de agradecimento ao artilheiro que partia.

Liedson deixou sua marca em Portugal, e, certamente, remarcará sua lembrança lisonjeira do breve tempo em que usou a camisa alvinegra.

Notas relacionadas:

  1. O FENÔMENO E O DIAMANTE NEGRO
  2. PACAEMBU SETENTÃO
  3. O CERTO QUE DEU ERRADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 Ex-jogadores | 15:24

ALMIR, GARRINCHA, SÓCRATES…

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Fico pensando nas grandes contratações já realizadas pelo Corinthinas, ao longo da história, e a primeira que me vem à memória foi a de Hércules, ponta-esquerda de hercúleo peito e petardo de canhota, revelado pelo Juventus, que jogou no São Paulo, na Seleção Paulista, ganhou fama no Fluminense, disputou a Copa do Mundo de 38, mas cuja estréia foi ofuscada justamente pela estréia de Leônidas no São Paulo, em 42, quando o Pacaembu recebeu a maior torcida de todos os tempos.

Em seguida, Domingos da Guia, o Divino, pai de Ademir da Guia, considerado até hoje, pelos historiadores como o mais perfeito zagueiro de todos os tempos, em qualquer quadrante.

Mas, esses estão nos compêndios, não na minha memória, que não vai tão longe.

De que me lembre, a primeira bombástica contratação do Corinthians, um clube que se orgulhava de produzir jogadores em suas camadas inferiores, sob o comando do técnico Rato, foi Almir, o Pernambuquinho.

Conhecido como o Pelé Branco, Almir era um meia-direita de muita habilidade e fino artilheiro, que alcançou notoriedade no mundo formando naquela linha de ataque histórica do Vasco: Sabará, Almir, Vavá, Walter Marciano (depois Rúbens) e Pinga. Almir era craque, mas briguento que só ele.

Sua contratação, por tudo que implicava, foi um estupor. Por 6,5 milhões de cruzeiros (não dá para calcular o que seria em reais atuais), uma fortuna na época – dizem que saídos dos milionários bolsos de Vicente Matheus – Almir chegou ao Parque São Jorge sob alarido geral em 60 e partiu em 61, como uma imensa frustração, para ser campeão do mundo pelo Santos no ano seguinte.

Na seqüência, Garrincha, em 66. Dispensável falar da fama de Garrincha. O fato é que o bicho chegou já com os joelhos bichados, numa época em que esse tipo de tratamento era complicado, e prestes a encerrar a carreira, o que aconteceu logo em seguida, numa frustrada experiência no Flameng.

Ah, sim e há o caso de Sócrates, hoje considerado o maior ídolo do Corinthians, segundo recentes pesquisas. Pois aqui, me permite o amigo, prestara um testemunho pessoal.

Sócrates jogava pelo Botafogo de Ribeirão Preto, enquanto cursava a Faculdade de Medicina. E não se sabia se, findo o curso, Sócrates optaria pela medicina ou pelo futebol.

Nessa época, o futebol paulista estava perdendo suas grandes revelações para os cariocas, como Guina, do Comercial de RP, e Paulinho , centroavante do XV, que foram para o Vasco.

Num papo na Federação Paulista, entre Henry Aidar, presidente do São Paulo, Metidieri, presidente da FP, meti a colher, dizendo que não se poderia perder tantas revelações para o futebol de outros Estados. E que Sócrates seria o grande jogador brasileiro em pouco tempo, como acabou sendo.

Aidar, então, ligou para o presidente do Boatfogo RP, Benedini, e fechou a prioridade para a contração de Sócrates pelo São Paulo.

Dias depois, recebo o convite de formatura de Sócrates, com o seguinte recado: “Muito pelo que você tem falado de mim, resolvo pendurar o diploma e calçar as chuteiras”.

Nesse momento, o Cornthians queria contratar o falecido e querido volante Chicão, do São Paulo. Publiquei, então, na minha coluna Bola de Papel, no JT, que o São Paulo estava negociando a venda do passe de Chicão por 5 milhões de cruzeiros. E, com esse dinheiro compraria os passe de Sócrates e do zagueiro Nei, ambos do Botafogo.

O técnico do Corinthians, José Teixeira, leu e levou a Matheus uma nova proposta: em vez de contratar Chicão por que não trazer para o Parque Sócrates?

- Sóscrate? É bom esse Sóscrate?

Teixeira confirmou no ato. E, no almoço no Jóquei Clube, em que o novo presidente do São Paulo, Antônio Nunes Leme Galvão, e Vicente Matheus discutiriam a transação de Chicão, Matheus disfarçou e soltou na mesa a questão essencial: o São Paulo abriria mão da prioridade sobre Sócrates. Sim, sem dúvida, para o o presidente tricolor, cujo objetivo era contratar Pita, do Santos.

Resultado: com o dinheiro que Matheus gastaria com Chicão comprou Sócrates, o maior investimento do clube até hoje, pois, numa época em que o dólar estava a12 cruzeiros, pagou 5 milhões de cruzeiros, ganhou três títulos, e o craque foi negociado por 5 milhões de dólares (doze vezes mais do que custou) para a Fiorentina.

 

 

Notas relacionadas:

  1. O MUNDO COLORIDO DO NOSSO FUTEBOL
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 16:29

O BOTAFOGO E O DESTINO

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O presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, diz que está desanimando diante dos problemas financeiros de seu clube.

Bebeto, ex-craque e técnico vitorioso no vôlei, é um sujeito íntegro, apaixonado pelo Botafogo como poucos, mas tem demonstrado uma passionalidade que mais deprime do que exalta.

Bebeto de Freitas
Como todo botafoguense, Bebeto de Freitas “sempre espera o pior”

O PC do V, meu querido Paulo César Vasconcelos, que conhece muito bem as entranhas da alma alvinegra, garante que botafoguense é assim mesmo – um torturado, sempre esperando o pior, como se o traço negro do destino fosse mais forte do que o alvo em General Severiano.

O Botafogo, a exemplo do Santos de Pelé, foi um perdulário nos momentos de glória extrema, aqueles proporcionados por Garrincha, Nilton Santos, Didi e a geração seguinte, de Jairzinho, Paulo César etc.  Ou melhor: imprevidente. deixou-se deslizar pelo deslumbramento das históricas exibições daqueles times memoráveis, e não cuidou de encher o pé de meia para os tempos futuros, quando a maré reflui. E sempre ela reflui, meu caro.

Da mesma forma que, logo depois de Pelé, o Santos perdeu o Parque Balneário, o Botafgo perdeu General Severiano, que recuperaria mais tarde, mas a que custo!

O Santos, de uma forma ou outra, conseguiu, ao menos preservar a Vila, e, mais recentemente, arranjou um jeito de criar seu próprio CT e outros bichos. Mas, o Bota, embora tenha recebido de mão beijada o Engenhão, até agora não soube como bem explorar esse benefício, tampouco controlar seus gastos.

Há coisas que só acontecem com o Botafopgo, reza a surrada máxima. Mas, alguém já pensou seriamente sobre as razões dessas insólitas incidências do destino sobre General Severiano? 

 

 

Notas relacionadas:

  1. QUE CAMPEONATO É ESSE?
  2. A ROLETA GIRANDO
  3. E O SÃO PAULO CHEGOU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,