Diante de todas as adversidades que o Santos teve de enfrentar, a vitória por 1 a 0 sobre o Once Caldas, em Manizales valeu por uma goleada. Sobretudo, porque o Peixe, a maior parte do tempo, pôs a bola no chão, envolveu o adversário, correu poucos riscos, a não ser aquela pressãozinha de final de jogo, natural nessas circunstâncias, e até poderia ter ampliado o placar em dois lances, pelo menos.
Falo, claro, daquela chegada de Alan Patrick diante do goleiro e da cobrança de falta por Elano que se chocou com a trave.
Quanto ao gol marcado, mais uma vez nasceu da clarividência de Neymar, que percebeu a entrada pela esquerda de Alan Patrick e serviu-lhe de colher para o substituto de Ganso mandar a bola às redes colombianas.
O mesmo Neymar, que, apesar do evidente cansaço, protagonizou os lances mais inventivos, quando não hilariantes, da partida, além de ter dado a assistência para o gol e provocado a expulsão de Calle, o que, óbvio, facilitou as coisas para o Santos.
A propósito, aliás, vale dar os parabéns ao técnico Muricy, que, além de armar bem seu time, principalmente, o sistema defensivo, só foi apelar para o terceiro zagueiro já lá perto dos acréscimos, quando Elano arriara de vez.
Agora, resta reunir as tais forças extras para decidir o Paulistão na Vila com o Corinthians e pegar, em seguida, o Once Caldas, no jogo da volta, reavivando na memória a trágica noite de quarta do Cruzeiro, frente ao mesmo time.
Depois, se tudo der certo, aí, sim, celebrar, e juntar os cacos para o que der e vier..
A CARROÇA E O BONDE
A Carroça sem Freio abalroou o Bonde sem Freio, acreditem!, e tirou o técnico Luxemburgo dos trilhos, que saiu atirando sobre o juiz e o chefe da arbitragem da CBF.
E olhe que o Flamengo teve a classificação às semifinais da Copa do Brasil a seus pés até a metade do primeiro tempo, quando disparou 2 a 0, ambos de Thiago Neves (o primeiro, um primor de técnica e reflexos).
Momentos em que Ronaldinho Gaúcho, o R-10, produziu seu melhor futebol desde que desembarcou na Gávea. Dentre eles, o passe pelo alto para Thiago Neves marcar o primeiro gol.
Mas, aos poucos, sobretudo depois da entrada de Osvaldo no lugar de Vicente, o Ceará reagiu, sob o comando do veteraníssimo Geraldo, o G-10 do Ceará – um canhoto prodigioso que até hoje não sei por que nunca foi contratado por um dos grandes do Rio, de Minas, do Rio Grande ou de São Paulo.
E, via Washington, aquele mesmo ex-Palmeiras e tantos outros clubes, empatou o jogo, placar suficiente para seguir adiante na Copa do Brasil.
A propósito das extremadas reclamações do técnico Luxemburgo e dos jogadores flamenguistas, quero dizer que não vi irregularidade nenhuma no segundo gol do Ceará, tampouco questiono a expulsão de Angelim, pelo segundo cartão amarelo que avermelhou o defensor rubro-negro.
Foi, de qualquer forma, um jogo disputado no fio da navalha, que poderia ter sido vencido por um dos dois sem causar espanto algum. Mas, o mais comovente foi realmente a participação da torcida do Ceará – um show de empolgação e alegria.
QUEDA DO ULTIMO INVICTO
Claro, não se podia esperar que o Palmeiras conseguisse, no mínimo, alcançar o mesmo placar bizarro obtido pelo Coritiba no Paraná. Mas, jogando no Pacaembu, ainda que pleno apenas de protestos das tais torcidas uniformizadas, bem que o Palmeiras poderia fazer o que fez – vencer o Coxa, por 2 a 0, quebrando a histórica sequência de vitórias dos paranaenses.
Foi na base de muito empenho e pouca técnica, mas foi. Não compensa, nem consola, mas, pelo menos, ameniza.
Pior para o Palmeiras não é a lembrança da goleada passada, mas do nebuloso futuro em relação ao sagrado Jardim Suspenso em ruínas.
Não é crível que cartolas de um clube que já foi exemplo de administração num passado remoto e empreiteiros de renome cheguem a esse extremo: derrubar um estádio, com o objetivo de construir outro em seu lugar, e, por falta de entendimento entre as partes, o que deveria estar definido, tim-tim por tim-tim antes da primeira marretada, no papel e nas mentes dos dois contratantes, tudo estanca e o futuro fica pendurado no ar.
Um absurdo jamais visto em lugar nenhum.
BARÇA, TU É O MAIÓ!*
De nada valeu o Real golear o Getafe na véspera, a não ser impulsionar Cristiano Ronaldo para a liderança da tabela dos artilheiros, com seus quatro gols no jogo.
Pois, o Barça sacramentou o título espanhol, o terceiro em seguida, diga-se, com o empate por 1 a 1 contra o Levante. Empate, aliás, fruto de duas ciladas do destino: a falha de Piqué, o impecável Piqué, no gol de Caicedo, do Levante, e aquela bola no poste de Messi, que, depois de driblar quatro adversários, tocou no canto, por baixo do goleiro.
Seria o gol mais emblemático, a coroar a conquista do melhor time do mundo nos pés do melhor jogador do mundo, em jogada que ele reproduziu à exaustão ao longo de toda a temporada.
Como emblemático foi o gol do Barça, o passe pelo alto de Xavi, o centro nervoso dessa maravilhosa equipe, para o cabeceio de Keita. Esse Xavi que passa meses sem errar um passe, justamente o mais fundamental requisito de jogo da bola.
Aliás, a troca de passe, um-dois, sincronizado, hipnótico, de uma constância inalterada, seja em casa ou no campo inimigo, em qualquer competição, é o atributo mágico desse campeão histórico, pois, inscreve-se já na galeria dos maiores times de todos os tempos.
Veja só o amigo. O Barça jogava por um empate para levantar a taça, contra o pequeno Levante, mas no campo adversário, acossado pela aproximação do maior rival, o Real. Contudo, em nenhum momento da partida, recuou suas linhas, para jogar pelo resultado. Nem quando abriu o placar, nem quando tomou o gol de empate.
Só no finalzinho do jogo, ficou ali na sua intermediária trocando passes, mesmo porque o Levante não esboçava o menor interesse em mudar o cenário já estabelecido, com medo de levar o gol de desempate.
De resto, postou-se, como sempre, lá na frente, naquele toque-toque proverbial, em busca da brecha perfeita para tentar a conclusão. Apelar? Jamais! Basta isto: já lá pelos 23 minutos do segundo tempo, jogo empatado, sabe quantas faltas o Barça havia cometido? Três. Isso mesmo, três faltas num jogo decisivo e no campo do oponente.
Ah, sim, e com Mascherano no time, meu!
Se vai exorcizar os Diabos Vermelhos, no sagrado templo de Wembley, não sei, pois o Manchester United é outro departamento. Mas, que merece, ah, disso não tenho a menor dúvida.
*Esse era o bordão do saudoso Brandão Filho no popularíssimo humorístico do rádio e da tv dos anos 50/60, Balança, Mas, nao Cai. No Rio, era Mngo, tu é o maió! Em São Paulo: Curintia, tu é o maió!