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Posts com a Tag França

terça-feira, 11 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 20:18

POR ORDEM DE ENTRADA, UMA SUGESTÃO

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Por ordem de entrada na rodada desta quarta-feira, São Paulo e Inter fazem o clássico nacional mais sugestivo. Pois, o Tricolor tenta defender a sua posição no G-4, enquanto o Colorado busca cavar uma vaga nesse espaço nobre da tabela.

O São Paulo sofre menos com eventuais desfalques. Ao contrário do Inter, que, além de Damião, seu principal atacante, e Oscar, sua maior esperança, não terá Jo, nem Zé Roberto, o que obrigará Dorival Jr. a recorrer a Delatorre, um jovem que ainda não conseguiu se firmar na equipe titular, para formar dupla de ataque com Ilsinho, este, sim, certamente mordido para provar ao São Paulo que foi um grasso erro dispensá-lo.

Por outro lado, se o Inter chega à Arena de Barueri embalado pela categórica vitória sobre o Vasco, o São Paulo vem pisando em ovos.

Não param de chispar do Morumbi centelhas de que o técnico Adílson Batista está em fritura branda. E o técnico, por sua vez, hesita entre Casemiro e Wellington para armar seu meio campo com Carlinhos Paraíba, Rivaldo e Cícero, preparado para acionar um ataque de renome – Dagoberto e Luís Fabiano.

Dagoberto está voando, mas não se sente amparado pela diretoria, que prorroga o quanto pode a renovação de contrato do artilheiro. E Luís Fabiano ainda está em busca de sua melhor forma física e técnica.

Quanto a Casemiro, falam o diabo do rapaz. Mas, ao lado de Lucas, que não joga por estar servindo à Seleção, é uma das duas grandes revelações do Tricolor, jogador em nível de Seleção, que desconfio, merece mais do que suspeitas sobre seu comportamento e sua ação no campo.

De resto, é esperar pra ver esse jogo que se configura muito interessante.

DUAS NAÇÕES

À noite, as duas maiores nações do futebol brasileiro entram em campo. O Corinthians, líder, recebe o Botafogo, sempre ligado na disputa do título, no Pacaembu. E o Flamengo, de volta à briga pela faixa de campeão, pega um Palmeiras em crônica crise no Engenhão.

O Corinthians, ainda sem Liedson e Xeique e com Adriano novamente no banco, vai com a formação que liquidou o Atlético GO em meio tempo, reconquistando neste fim de semana a liderança do Brasileirão, um jeito, digamos, mais arejado de jogar, com Alex, Danilo e William trocando de funções, sem um centroavante típico. Deu certo. Dará novamente?

Quem sabe. Mas, o fato é que o Botafogo precisa urgentemente se recompor no campeonato e na tabela. O diabo é que não poderá contar com Loco Abreu, aquele cara que decide quase tudo lá na frente, embora o menino Alex seja bom de bola.

Já o Flamengo, motivado pela virada histórica sobre o Fluminense, domingo, mesmo sem Ronaldinho Gaúcho, pode perfeitamente se livrar do Palmeiras, com Felipão e tudo.

Entre outras coisas, porque o Palmeiras, afora todos seus problemas internos, não terá mais uma vez uma vez Valdívia, o único que pensa no meio de campo verde. Em compensação, Cicinho e Kleber foram liberados.

Meno male!, exclamaria o velho palestrino.

EUROCOPA

Nesta tarde de Eurocopa, a grande emoção ficou por conta do empate por 1 a 1 entre França e Bósnia, empate que classificou direto os gauleses para a maior competição entre seleções do Velho Continente.

Emocionante porque a França, favorita, em casa, perdia por 1 a 0 até o finalzinho, quando Nassri sofreu pênalti e converteu com categoria – bola num canto, goleiro noutro.

Por falar em Nassri, como joga esse rapaz! Tanto, que é inexplicável o Arsenal permitir sua saída dos Emirates.

Decepcionante, porém, foi a derrota de Portugal para a Dinamarca,em Copenhague, por 2 a 1, o que obriga o time luso a disputar a repescagem em busca de uma vaga na Eurocopa. Ainda mais, por causa do transcorrer da partida quando Portugal dominou, sem criar, e a Dinamarca foi sempre mais objetiva: além dos dois gols marcados, desperdiçou outras tantas chances para ampliar o placar.

NEYMAR NÃO É DE FERRO

Dizem que, logo depois do jogo com o México, um jatinho trará de volta ao Brasil os jogadores daqui, aqueles que poderiam ainda entrar em campo na quinta-feira. Nesse caso, dentre eles, Neymar, Fred e Dedé, cujos times enfrentam respectivamente o Galo, o Coxa e o Furacão.

São dez horas de voo, uma tortura pra qualquer cidadão, quanto mais um atleta.

Não sei das condições físicas de Fred e Dedé, nem da disposição de Flu e Vasco em colocá-los em campo nessas circunstâncias, por mais indispensáveis que eles sejam.

Só sei que Neymar precisa de uma rede, um descanso, como nenhum outro jogador em atividade no Brasil. O garoto vem de uma sequência de jogos absurdos, nestes quase dois anos consecutivos, seja pelo Santos, seja pela Seleção, seja pela Sub-20. O rapaz não teve praticamente férias, nem pré-temporada, nada.

Joga no vácuo, por instinto, vontade e graças à sua natureza prodigiosa, sem falar na esperteza de escapar das faltas mais infames, que se multiplicam jogo após jogo.

Se há alguma semelhança entre Pelé e Neymar é esta, a par da camisa branca que veste: joga sem parar, corre o tempo todo, e raramente se machucar.

Mas, para tudo há um limite. Certo, o Santos é outro sem Neymar. Mas, o Peixe, que enfrenta o Galo quase rebaixado, não precisa de Neymar na Arena do Jacaré para escapar de uma bicada fatal do Galo.

E, se nada mais resta ao Santos do que se preparar para o Mundial de Clubes no Japão, no fim de ano. Logo, preservar Neymar  agora é mais do que imprescindível.

Notas relacionadas:

  1. TRICOLOR E MENGO
  2. DIGNO FLA-FLU
  3. FLU, DE NOVO LÁ EM CIMA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 20:46

PERDEMOS, OUTRA VEZ

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A justíssima expulsão de Hernanes, que atingiu o peito de Benzema ainda no primeiro tempo, virou o jogo de cabeça pra baixo. Até então o Brasil estava com o controle da bola e dos espaços. Basta dizer que detinha 66 por cento do domínio de bola.

Não chegou, é verdade, a criar grandes chances de gol. A França, com Benzema, num isolado contragolpe, foi mais incisiva nesse sentido,

Mas, a partir dessa nova realidade, o Brasil só somou equívocos, embora os franceses também não chegassem a se aproveitar devidamente da vantagem de um homem a mais. Até Benzema marcar o gol da vitória da França, mais uma, nessa série invicta de quase vinte anos.

O primeiro equívoco foi Mano retirar de campo Robinho. Não que Robinho estivesse jogando bem, nada disso. Mas, trata-se de um jogador veloz, múltiplo, que podia compensar a desvantagem de um mais,

O segundo equívoco foi optar por Sandro, um volante especificamente de contenção, em vez de Anderson, mais versátil, que tanto marca quanto avança.

Mas, tudo isso flutua entre o que foi e o que poderia ser, uma zona imprecisa que cai no absoluto subjetivismo.

Som, claro, o Brasil poderia ter empatado esse jogo, em duas oportunidades (pouco), assim com ao França teve chances de ampliar o marcador, e só não o fez graças a Júlio César, o goleirão que voltou em plena forma à Seleção.

De resto, é louvar a participação de Júlio César, mais uma vez, e a de André Santos, que anulou o mais incisivo francês, Menez,  a não ser no lance que antecedeu gol, quando o francês passou de passagem pelo brasileiro. Mas, nesse lance, a jogada era de Robinho, que acompanhou o adversário até o momento final, e desistiu na hora H.

Quanto aos estreantes – afora Hernanes, que vinha bem, mas resvalou na falta absurda -, Renato Augusto vinha jogando razoavelmente antes da expulsão do companheiro, E Jadson, que entrou em seu lugar, só fez um passe esperto para Pato, que não se completou.

Dado a tantas alternativas que ficaram de fora na convocação – Neymar, Ganso etc. – a perda de mais um jogo para a França, nessas circunstâncias, não é nenhuma tragédia.

Digamos que, apenas, algo desagradável.

Quase lá

Foi apertado, mas foi: 1 a 0, gol de Casemiro, de cabeça, outra vez. E o Brasil passou pelo Equador, no Sul-Americano Sub-20 e está a um passo de Londres, que é o que interessa.

Sem Neymar e a dupla de zagueiros titular, nossos meninos dominaram o primeiro tempo, quando poderiam ter ampliado o placar, e seguraram as pontas no segundo, quando estiveram a pique de entregar o ouro.

O importante, porém, foi passar por um obstáculo que poderia ter sido fatal para nosso sonho olímpico.

Ah, Flu…

Confesso que esperava muito mais do Fluminense, nessa estreia na Libertadores, contra o Argentino Juniors, no Engenhão.

Claro que Fred fez falta, embora seu substituto, o He Man, Rafael Moura, tivesse salvado o Tricolor com dois gols. Mas, esse nem foi o caso. O caso foi que o Fluminense jogou em ritmo de valsa, quando a batida exigia um samba rasgado.

Esse empate por 2 a 2 foi um alerta para o Flu, que terá de se desdobrar daqui pra frente.

Duas vezes Liedson

A estreia de Liedson no Corinthians não poderia ser mais auspiciosa. O artilheiro, que desembarcou no Parque na véspera, entrou em campo de imediato, fez dois gols e deu ao ataque do Corinthians a energia que vinha faltando desde quando Ronaldo, há dois anos, deixou de ser decisivo.

Se a vitória apertada sobre o Palmeiras, no fim de semana, serviu para apaziguar os ânimos no Parque, a goleada por 4 a 0 sobre o Ituano, por certo, haverá de infundir novo ânimo à equipe, daqui pra frente.

Notas relacionadas:

  1. RESERVA POR RESERVA…
  2. BRASIL PROTAGONISTA
  3. VALEU PELA RAÇA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 15:50

DOIS TIMES EM RECONSTRUÇÃO

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São duas seleções em fase de reconstrução. A França, que vem de trágica participação na última Copa do Mundo, e o Brasil, de melancólica atuação na mesma competição.

O Brasil não terá suas duas principais revelações dos últimos anos, dois fortes candidatos a estrelas da cia.: Neymar e Ganso. Já a França não terá o menino Nasri, que anda jogando o fino no Arsenal.

Mas, se o técnico Blanc pôde chamar todos os que ele considera os melhores, Mano restringiu a chamada aos jogadores que atuam na Europa, o que certamente enfraquece nosso time, pois vários dos que ficaram por aqui têm sido convocados por Mano desde sua ascensão ao comando do Brasil.

Fred, por exemplo, seria sério candidato a uma vaga nesse elenco.

Mas, lá estão Pato e Robinho, que vêm jogando bem pelo Milan, líder do Campeonato Italiano. Jogando bem e fazendo gols, o que é mais importante para uma dupla de atacantes.

Mas, é no meio de campo que surgem as duas novidades: Hernanes e Renato Augusto, cria do Flamengo, agora no Leverkusen.

Hernanes já merecera uma convocação por Mano, como volante. Aliás, Mano, enfatizou isso na entrevista coletiva, à época. Contudo, considerou que a saída de bola com Hernanes não tinha a mesma velocidade quando feita por Ramires ou Elias, e o ex-tricolor ficou no resguardo.

Mas, sua excelente campanha pela Lazio, onde passou a jogar mais à frente, como terceiro ou até mesmo segundo atacante, coroada de muitos gols, juntamente com a contusão de Ramires, abriu-lhe uma nova chance no time de Mano.

Já Renato Augusto, jogador de habilidade e bom passe, é quem está comandando o meio de campo do Leverkusen. Vale a experiência, claro.

Mas, a não ser que ambos cintilem no primeiro tempo, no segundo, certamente Mano recorrerá a Jadson, a grande surpresa nessa convocação, pois o treinador, que o conhece desde os juniores do Inter, quer ver se ele, com a camisa canarinho, é aquele mesmo meia insinuante e habilidoso dos breves tempos do Furacão.

De Kopa a Ribéry

A França é uma das mais antigas associadas da Fifa. Foi inscrita em 1904, mas só foi se destacar mesmo na Copa de 58, sob o comando do húngaro-romeno naturalizado francês, Raymond Kopa, extraordinário craque, que, na época formava no célebre ataque do Real Madrid: Kopa, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.

No Real, era ponta, mas na Seleção Francesa, o meia cerebral, organizador de todo o jogo de seu time, cujo epílogo sempre estava nos pés fulminantes de Just Fontaine, o artilheiro implacável da Copa de 58, com a marca inacreditável de 13 gols em 6 jogos.

Naquela competição, o time de Pelé, Didi, Garrincha e cia., cruzou com eles nas semifinais, e metemos 5 a 2. É verdade que a França sofreu pela precoce saída de Joncquet, seu volante de escol, machucado ainda no primeiro tempo (naquele tempo, não havia substituições). Foram três de Pelé, um de Vavá e aquela folha seca de quarenta metros de Didi que por muito tempo ficou perdida nos arquivos das Copas.

Kopa cedeu seu cetro a Platini, que chegou duas décadas depois para dar à França aquele toque de classe extra.

Lembro que, lá pelos findos dos anos 70, a França veio fazer um amistoso com o Brasil no Maracanã. Não havia, então, esse intercâmbio televisivo que nos permitia acompanhar de perto o futebol europeu.

Na véspera, como de hábito, fui jantar no tradicional Fiorentina, cujo dono era um jovem francês amável e divertido – o Allain. Pois, o Allain, me provocou a noite toda: “Você vai verrrr o Platini, chéri, crrrack, crrrack. Vai acabarrr com o Brrrasil.”

E não é que assim foi? O jogo acabou 2 a 2, com uma exibição primorosa do meia francês diante do time de Coutinho que acabaria invicto na Copa da Argentina, com Rivellino, Paulo César Caju, Luís Pereira e o diabo.

Nessa noite, por consolo, Allain não me cobrou o jantar, regado a um autêntico Cristal.

Na esteira de Platini, veio Zinedine Zidane, um dos mais completos jogadores que vi em ação nestes últimos sessenta anos acompanhando o vaivém da bola, seja como espectador, seja como comentarista de futebol.

Dele, não preciso falar muito, pois está ainda muito fresca na memória do brasileiro sua atuação naquela final da Copa de 98, e, depois, na nossa desclassificação em 2006.

Ah, sim, nesse inter meio, a França teve Eric Cantona, um craque com a bola nos pés, mas um estouvado na relação com os adversários, os juízes, os adversários e até a torcida. Tanto, que, certa vez, saltou o gradeado do campo para encher de porrada um torcedor lá nas cadeiras. Digamos que fosse o Edmundo deles lá.

Por fim, temos Ribéry, o mais recente ídolo francês. Um meia-atacante de perfil esquisito, franzino, hábil, mas imprevisível, tanto para o bem quanto para o mal. É capaz de jogadas estonteantes intercaladas por outras, simplesmente bisonhas. Mas, sabe jogar.

Ao contrário dele, o menino Nasri, que, como já disse, está fora desse jogo por contusão, também originário da antiga África Francesa, é um exemplo de progressão e estabilidade. A cada rodada, pelo Arsenal, joga mais, seja organizando as jogadas de ataque de seu time, ao lado de Fabregas, seja infiltrando-se na área para marcar seus gols.

Sucede que nenhum dos dois foi convocado por Blanc, a tarefa de atacar a meta defendida, novamente, por Júlio César, caberá a Benzema e Malouda, que, por sinal acaba de declarar que seu sonho era jogar na Seleção Brasileira. Sonho desfeito, claro.

*Leia mais sobre França x Brasil e futebol francês no blog do iG

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. O PRIMEIRO PASSO
  3. PAPO COM MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 25 de janeiro de 2011 Copa SP de Juniores, Seleção Brasileira | 17:37

PAPO COM MANO

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Jadson? Meu Deus, que Jadson é esse que está entre os relacionados de Mano Menezes para o amistoso contra a França?

Nada melhor, pois, do que ouvir da própria voz do treinador brasileiro justificativa de sua convocação. E Mano, como sempre, pelo telefone, me explicou que Jadson foi seu jogador nos juvenis do Inter, nos tempos de Nilmar. Por questão de caixa, o Inter acabou negociando o menino com o Atlético Paranaense, onde se sagrou vice-campeão brasileiro.

Meia-atacante, destro, hábil o suficiente para armar, mas com vocação para infiltrar-se área adentro.

- No Shakhtar, ele, ao lado de Douglas Costa, é aquele meia que se aproxima de Luís Adriano, ex-Inter, e de Willian, ex-Corinthians. – acrescenta o técnico.

Na verdade, Mano vinha cogitando da convocação do rapaz há tempos. E, para se ter uma ideia do desempenho habitual de Jadson, não seria exagero dizer-se que, se ele estivesse no lugar de Ronaldinho Gaúcho contra a Argentina, talvez o resultado fosse outro, justamente por sua capacidade de invadir a área. Exagero? Só o tempo dirá.

Jadson

Jadson em ação pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia

Quanto a Renato Augusto, outra surpresa na convocação de Mano, o técnico o situa mais ou menos na mesma posição que Elano costumava exercer na Seleção: ali pelo lado direito de apoio do meio-campo.

- É um meia, destro, de bom passe e combativo, mas que tem uma habilidade individual capaz de criar jogadas inesperadas. Está muito bem no Leverkusen.

E Nenê, de quem Mano encheu a bola numa entrevista para a imprensa francesa? Bem, digamos, que se trata de um savoir faire. Embora admire o futebol de Nenê, contra ele há o fator idade, quase 30 anos, o que o deixaria distante da Copa, embora não impossibilitado de uma convocação., dependendo das circunstâncias futuras.

O certo é que passa pela cabeça de Mano, neste momento (e futebol é momento, como dizia sabiamente mestre Minelli), uma formação com Júlio César; Dani Alves, Thiago Silva, David Luís e André Santos; Lucas, Ramires ou Elias; Anderson, Renato Augusto ou Jadson; Robinho e Pato.

Um bom time para enfrentar a renovada França de Nasri e cia., sem dúvida.

O resultado, bem, esse é outro departamento.

Menguinho campeão!

Os meninos da Gávea, com méritos, justiça e autoridade, meteram 2 a 1 no Bahia e levantaram a Copa São Paulo Jr., na celebração do aniversário da cidade fundada por Anchieta, há 457 anos.

O Bahia, que cumpriu brilhante campanha ao longo da competição, marcou sua presença pela força coletiva de seu time. Já o Flamengo, que começou titubeando, impôs-se pelas individualidades, como esse zagueiro de escol, Frauches, autor de um golaço, diga-se.

Confirmando, aliás, o slogan que encima as folhas de tantas tradições do Mengo: “Craque, a gente faz em casa”.

É verdade. Poderíamos mergulhar no túnel do tempo e emergir lá pelo início dos anos 40, quando um garoto mirrado, mulato, rosto marcado pela bexiga, desembarcou de Niterói na Gávea carregando sob o braço um par de chuteiras embrulhadas em papel de jornal, pedindo uma chance de mostrar seu futebol no Flamengo.

Por desígnio do destino, naquele exato momento, Leônidas da Silva, o Homem de Borracha, o Diamante Negro, o artilheiro da Copa do Mundo da França, maior ídolo brasileiro desde Arthur Friedenreich, machucou-se durante o coletivo. Flávio Costa, o técnico, então mandou Zizinho entrar no lugar de Leônidas. Não era sua posição, mas a bola e o garoto de Niterói mantinham tão íntima e secreta intimidade que o meia virou centroavante,  acabou com o treino, e, se transformou no mais completo jogador brasileiro, na opinião, entre outras, de Pelé.

Mas, a usina de craques da Gávea não parou por aí. Seguiu em frente, produzindo craques vindos do Brasil inteiro, entre eles, o alagoano Dida, Henrique e tantos outros na década seguinte. E, já nos 60, ninguém menos do que Zico, ídolo incomparável do clube. Veio, depois, a trupe do primeiro título da Copinha: Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Djalminha, Jr. Baiano etc.

Se quisermos escalar uma seleção rubro-negra de craques feitos em casa, lá vai: Júlio César; Leandro, Aldair, Mozer e Júnior; Andrade, Zico, Zizinho e Djalminha; Marcelinho Carioca e Índio. Isso, assim, de cabeça, com direito a ausências inaceitáveis.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , ,

sábado, 19 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 19:03

E A COSTA DO MARFIM?

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Direto de Joanesburgo – O sábado foi mais um dia marcado pelas pinimbas entre Dunga e a imprensa aqui presente. À tarde, um rachão, parcialmente secreto, seguido de uma coletiva obrigatória do técnico, que não acrescentou nada do já estabelecido. Entre outras coisas, porque, pelo visto, o barco segue com o timão amarrado e apontando para a mesma direção: mesmo esquema, mesmo time, mesma atitude, como a turma gosta de dizer.

Bem, se deu certo até aqui – isto é, se os resultados foram positivos –, por que cargas d’água mudar, não é mesmo?

Sim, claro, nossa Seleção não conseguiu desenvolver um futebol dos sonhos contra a Coreia. Ao contrário: jogou na conta do chá, sem correr maiores riscos, a não ser no finalzinho, quando poderia ter sofrido o empate inesperado pelo andamento moroso e sob controle na maior parte do jogo.

Mas, é esse o futebol de resultados, quer gostemos ou não.

Até Dunga, depois daquela partida, disse que precisávamos melhorar. E, tudo indica que seremos melhores neste domingo contra a Costa do Marfim. Se não, por uma progressão trabalhada da nossa equipe, ao menos porque, supõe-se, a Costa do Marfim, pelo perfil de seus jogadores, haverá de oferecer mais espaços do que o determinado e militarizado futebol norte-coreano.

Eles arriscam mais, e, se o Brasil mantiver a postura defensiva, num contragolpe, com Robinho, Maicon ou Luís Fabiano, pode chegar lá e até abrir a porteira para um placar mais compatível com nossas tradições.

A não ser que tudo desande e Drogba faça a festa. Uma possibilidade, não uma probabilidade.

drogba em treino da costa do marfim

Drogba, a arma mais conhecida da Costa do Marfim

COPA DAS DECEPÇÕES

Os grandes favoritos, afora a Argentina, andam decepcionando nesta Copa.

A Alemanha começou com tudo e, em seguida, kaput! A Inglaterra, então, nem se fala. E a Espanha, Diós! Por fim, a Holanda, que estreou vencendo bem, penou como um cão danado pra vencer o modesto Japão por 1 a 0, gol de Sneijder.

A Itália… Bem, a Itália é sempre assim: começa tropicando, mas chega lá, Deus sabe como.

E a França, que não era favorita de coisa alguma, entrou pela porta dos fundos e sai por ali mesmo, destroçada moral e tecnicamente, a ponto de cortar um de seus principais jogadores – Anelka – que xingou o técnico de tudo quanto é nome no intervalo do último jogo.

A verdade é que esta Copa do Mundo mais decepciona do que encanta.

LÚCIA E PACHAMÉ

Outro dia falei de Lúcia, mulher do silencioso mestre das palavras, Luis Fernando Veríssimo. E falei também de Pachamé, meu querido e velho amigo Pablo Forlán, campeoníssimo pelo Peñarol, São Paulo e Cruzeiro, nos anos 60/70.

Agora, junto ambos em torno de um foto histórica, impressa em página dupla num magnífico álbum de fotos de Pelé, patrocinado pela Coca-Cola que Lúcia recebeu de um amigo, executivo da multinacional: Pelé, com a camisa do Santos, perna esquerda estendida pra frente, esquerda pra trás, a, sei lá, uns dois metros do chão, vazando entre Forlán e Figueroa, com a gloriosa camisa do Peñarol dos bons tempos.

Plástico e elástico flagrante de um jogo memorável, segundo o próprio Forlán, emocionado com a lembrança captada não sei por Domício Pinheiro, Reginaldo Manente, Armando Rosário, Alberto Ferreira, Alberto Jacob, Luís Carlos Barreto, os fotógrafos oficiais do Rei.

Só sei que a foto tocou o coração guerreiro de Pachamé, que passou a exibi-la por todo o hotel, lotado de uruguaios, dentre eles, a sua família inteira. E ele mesmo ia explicando: foi num jogo entre o campeão da América e do mundo, em 69, vencido pelo Santos, claro.

Jogo ainda mais memorável  para Forlán porque foi a única vez em sua longa carreira que trocou camisa com um adversário, justamente Pelé.

Por quê?

- Porque, para mim, adversário era inimigo. Não tem gentileza, não.

Mas, Pelé está acima disso tudo. Forlán espia o Rei em plena ação e suspira:

- Foi, sem dúvida, o melhor de todos. Maradona, Cruyjff, Pedro Rocha, todos eles foram admiráveis. Pero, El Negro…

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. O VALOR DA TANZÂNIA
  3. A VEZ DO MALANDRO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 10 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:33

A VEZ DO MALANDRO

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Direto de Joanesburgo - Como versava o velho samba, agora é que eu quero ver/ quem é malandro não pode correr.

Na verdade, malandragem, nessa Seleção do Dunga, está fora. Nem a saudável malandragem do passado, que se confundia com inventividade, habilidade e ousadia. Muito menos a deletéria, aquela feita de furtivas escapadas noturnas, de indisciplinas geradas pela vaidade ou pela indolência deste ou daquele.

A turma é disciplinada, coesa e come na mão do técnico, que rosna para toda sombra que passar à porta da concentração, amiga ou inimiga. Esquema, táticas, escalação, até mesmo as possíveis alterações estão devidamente delineados na prancheta do professor, que os jogadores seguem à risca.

Obviamente, muito melhor do que a bagunça. Mas, não tão edificante como alternativas mais transparentes e criativas sugerem.

A entrevista de Elano, nesta quinta-feira revela bem esse espírito. Justamente ele, que deveria dividir o setor de criação de jogadas do time, prefere se autodefinir como um eterno coadjuvante.

De fato, são todos coadjuvantes, talvez com exceção de Kaká e Robinho, que quebrou a lei do silêncio imposta pelo treinador para dar uma entrevista à Rede Globo, no dia de folga dos jogadores.

Mas, enfim, como em todas as Copas que entramos, desde 38, o Brasil é um dos favoritos à conquista. E isso é bem possível.

Raciocine comigo, companheiro: o jogador médio brasileiro é, em regra, superior, tecnicamente, ao jogador médio estrangeiro. A maioria das seleções é composta de jogadores médios.

Logo, se, por acidente qualquer, um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Rooney, um Drogba, um desses poucos craques que desequilibram em seus times, estiver de fora na hora do confronto com o Brasil, nossas chances de vitória triplicam.

Portanto, como dizia o sambista maior, Cyro Monteiro, sempre que adentrava um recinto, quem é de bênção, bênção! Quem é de saravá, saravá!

charge daniel alves messi

Charge com Daniel Alves e Lionel Messi, por Milton Trajano

Treino secreto

O céu de Joanesburgo amanheceu com algumas nuvens brancas e esparsas, anunciando o frio que invadiria o dia e a noite. De manhã, nossos craques participaram de um treino secreto, que, segundo consegui apurar, na verdade, foi um coletivo.

Detalhes? Só consultando um oráculo.

À tarde, um treino alemão, em que o campo foi reduzido à metade e cinco equipes de quatro ou cinco jogadores, se revezavam, cada um vestindo uma cor diferente: branco, azul, verde, vermelho e verde.

O frio, já então, era de rachar, mas a moçada mexeu-se pra valer.

O mais importante da história toda é que Júlio César treinou com tudo, sem revelar nenhuma restrição aos seus movimentos.

Ao contrário, houve um lance em que ele foi simplesmente espetacular, defendendo três bolas atiradas cara a cara, em sequência. Coisa de cinema!

Melhor boa nova não poderia haver, pois nossa defesa é excelente, sem dúvida. Mas, muito da sua proficiência se deve ao goleiraço Júlio César, um paredão, como gostava de dizer o saudoso e até hoje insuperável Mário Moraes.

Bafanas em alta

África do Sul e México abrem a Copa nesta sexta-feira. Não se trata, claro, de um espetáculo inesquecível, a não ser pelo ritual próprio do maior torneio de futebol do mundo.

Os bafana-bafana estão entusiasmados com sua seleção, que é, tecnicamente, fraca. Mas, que, sob o comando de Parreira e incentivada pela galera pode surpreender um México que outro dia vi enfrentando a Inglaterra e me decepcionou. Os mexicanos, porém, são guerreiros e jogo de Copa é outro departamento.

França em baixa

Em seguida, o Uruguai pega uma França desacreditada. Ambos campeões do mundo, feitos, porém, distantes no tempo. A  França, mesmo sem ter um Zidane, um Platini ou um Kopa, que a conduziram a um patamar superior na história, tem alguns jogadores que merecem respeito.

Henry, sua maior estrela, está em plena decadência. É reserva no Barça, pra não dizer mais. Benzema, a jovem promessa, não conseguiu se firmar no Real. Restarão, pois, Ribéry, astro do Bayern, Malouda e Anelka, que ressurgiram no Chelsea para que a França tente, nesta Copa, apagar a má campanha na Eurocopa.

Ingleses e argentinos

No sábado, entram em campo mais dois dos sérios candidatos ao título. A Argentina, imprevisível, por conta de seu treinador maluquete, Maradona, enfrenta a Nigéria, e a Inglaterra pega os EUA, uma pedreira, não pela qualidade do time norte-americano, mas, principalmente, por sua determinação. Contudo, se Messi e Rooney acertarem o pé, fatura resolvida.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. O VALOR DA TANZÂNIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 21 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Libertadores, Treinadores | 00:30

INTER, LÁ; FLA, FORA

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Foi uma conquista heroica. Em dois minutos, ainda no primeiro tempo o Estudiantes fez o placar que o levaria para as semifinais da Libertadores: 2 a 0 – o primeiro gol num lançamento magistral de Verón.

Mas, o Estudiantes se resume em Verón, e o Inter se distribui em vários outros jogadores de nível, embora o time, como conjunto, não tenha chegado até agora a atingir o estádio que lhe é possível.

De qualquer forma, tinha o domínio da bola e dos espaços. E só precisava de um maldito golzinho para seguir avante no torneio. E o gol veio já aos 40 minutos do segundo tempo, com Giuliano, que entrara no lugar de D’Alessandro, invadindo a área argentina pela direita.

O técnico Fossati, por certo, será incensado por ter feito essa substituição e também por ter trocado um de seus três zagueiros pelo atacante Walter, o que, a meu ver, deu-se tarde. Mas, olhe o amigo para o lado oposto: eis o técnico Sabella tirando um meio-campista por um terceiro zagueiro para preservar o placar de 2 a 0.

No fundo, no fundo, é tudo uma troca protocolar, dentro dos padrões vigentes, em que o resultado, enfim, acaba sendo apenas circunstancial. Mas, o fato é que, bola rolando, o Inter mereceu mais do que o Estudiantes essa vaga para a próxima fase da Libertadores.

Ah, Fla…

Assim como o Flamengo mereceu vencer o Universidad de Chile, lá em Santiago, por 2 a 1, gols de Love, na sequência de bicicleta de Adriano, e de Adriano, em jogada iniciada por Petkovic, que deveria ter jogado desde o início.

Mas, tomou um golaço do argentino Montillo, e dançou. Dançou porque foi pífio no jogo de ida, no Maracanã. Agora, só lhe resta encarar pra valer o bicampeonato brasileiro, possível, sim, mas ainda mais difícil.

A dança dos técnicos

Parraga, das divisões de base, ex-integrante daquela Ponte Petra histórica dos anos 70, assumiu o Palmeiras, interinamente. E se declarou fã do futebol jogado com técnica e habilidade. Mas, não quis adiantar o time que entrará em campo neste fim de semana, pelo Brasileirão, contra o Grêmio, no Palestra. Logo o Grêmio, que apesar da desclassificação na reta final da Copa do Brasil, vem de magnífica campanha, com um time afiado?

É a chance de se consagrar. Mas, como, se Robert, o único que fazia gols nesse Verdão, foi demitido, por causa daquele quiproquó com o também dispensado técnico Zago? Robert junta-se, pois a Wagner Love e Diego Souza, postos pra correr pela torcida verde. A bola da vez quem será? Cleiton Xavier? Quem sabe Marcão? Aí não restará no Verdão um pingo de técnica e habilidade em que se basear o jogo de Parraga.

Gaúcho não resistiu à horrorosa exibição do Vasco contra o Palmeiras e cedeu seu posto interino para o titular Celso Roth, que chegou a São Januário comandando aos gritos a assustada boleirada. Às vezes, funciona; outras, não. Mas Roth é do ramo.

Por falar em técnicos, a cujo lugar certo Dorival Júnior alojou depois da vitória sobre o Grêmio (“Dá-se demais importância ao treinador no Brasil”), a França já anunciou seu comandante para depois da Copa: Blanc, extraordinário zagueiro dos bleus campeões do mundo e europeus nos finais dos anos 90. Na Copa de 98, na França, tive um breve papo com Blanc, que me causou excelente impressão. Cara articulado, que pensa o futebol dentro do melhor figurino do jogo. Acho que vai dar samba. Ops! Aquele puladinho ao som da concertina que eles lá cultivam na Provença.

Notas relacionadas:

  1. INTER E TUTTI QUANTI
  2. ATÉ AGORA, SÓ O INTER
  3. TODOS FORA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 16:57

JOGANDO COM A SORTE E O AZAR

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O sorteio das chaves que comporão a Copa do Mundo na África do Sul, nesta sexta-feira, princesa, já foi antecipado por uma polêmica: teria sido a França, uma das seleções campeãs do mundo, destituída da condição de cabeça de chave por causa daquele indecente gol, armado pela mão safada de Henry, contra a Irlanda?

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, e os membros do Comitê Organizador da Copa juram de mãos postas (ops!) que não. Valeu mesmo foi a classificação dos Bleus no ranking da FIFA, fruto da pífia campanha dos franceses nos últimos quatro anos.

No seu lugar, entrou a Holanda, que nunca levantou a taça, apesar de quase tê-lo feito por duas vezes (74/78), que, mesmo sem exibir aquele futebol encantador das três últimas gerações, teve desempenho superior ao da França neste período entre Copas.

Mas, e nós, o que temos com isso? Temos que, dependendo da sorte, podemos ter pela frente, logo de cara, essa mesma França, que, mal ou bem, tem sido uma asa negra da nossa Seleção, desde os tempos de Platini, diga-se.

E, mais recentemente, perdemos para eles a Copa deles, em 98, e fomos desclassificados vergonhosamente na da Alemanha, em 2006, com aquele gol de Henry, este legal.

E, se o azar nos perseguir no sorteio, segundo aqueles que se debruçam com mais paciência sobre a lei das probabilidades, teríamos ainda de enfrentar Camarões e México, outra pedra na nossa chuteira.

Mas, se a sorte nos sorrir, estaremos emparelhados com Eslováquia, Gana e Coréia do Norte. Bem, na verdade, não estou muito certo se o melhor para o início da caminhada brasileira ao título seja participar de uma chave mais mole, não.

Moleza e dureza

Em 2002, por exemplo, levamos a taça,  entre outras coisas, porque pegamos a maior moleza de todas as Copas: China, Costa Rica e Turquia, que, aliás, reencontramos mais adiante.

O time de Felipão se classificara na bacia das almas para a Copa, e a fragilidade de seu grupo, na Ásia, permitiu que a equipe ganhasse confiança, conjunto e força para chegar ao êxito final.

Mas, num passado mais distante, o Brasil, em 38, Copa que revelou pra valer o futebol brasileiro para o europeu, tivemos de rebolar diante da Polonia (6 a 5)  e frente á Tchecoslováquia, em dois acirrados jogos em menos de 48 horas, o que nos tirou Leônidas da Silva, o artilheiro da competição, na semifinal com a Itália, a campeã daquele ano.

Vinte anos mais tarde, pegamos pela proa a Áustria, que ainda guardava certos traços da Escola Danúbio, que lhe dera fama e sucesso nas três primeiras décadas do século passado, a Inglaterra de Billy Wright, uma legenda britânica, e a União Soviética, que surgia como o grande bicho-papão, montada na mais sofisticada tecnologia da época, a mesma que levaria Gagarin aos céus.

Passamos bem pela Áustria e sofremos o diabo com a Inglaterra, para, já com o time mudado, pelas entradas de Zito, Pelé e Garrincha, darmos um verdadeiro olé nos soviéticos, com direito a gol legítimo anulado e outros babados.

Assim como, vinte anos depois, a Tchecoslováquia de Dobias, Petras e Adamec, que, por sinal, havia decidido conosco a Copa de 62, a Inglaterra de Bobby Charlton e a Romênia de Dumitrache foram três pedreiras que despedaçamos com talento e organização, no início da conquista do Tri.

Como se vê, em tese é sempre melhor começar a campanha diante de adversários mais frágeis. Mas, bola rolando, sobretudo em Copa do Mundo, sabe-se lá o que acabará sendo melhor ou pior.

Como costuma dizer mestre Armando Nogueira, o cronista esportivo é o profeta do passado, pois o futuro pertence aos deuses do esporte, esses eternos brincalhões, qando não cruéis, que passam o tempo todo jogando bola com a alma da gente, pobres mortais.

O CASO LOVE

É, no mínimo, deprimente a imagem do ônibus do Palmeiras partindo para Itu, escoltado pela polícia, como se fugindo da sanha desses maníacos delinquentes que ainda outro dia agrediram Wagner Love na frente de uma ag~encia bancária em São Paulo.

Passa a exata sensação de insegurança que cerca a todos nós, neste Brasil analfabeto e raivoso que vem sendo construído há, por baixo, três décadas – a contrafacção do Brasil cordial a que se referia o imortal Sérgio Buarque de Holanda, nosso saudoso e insubstituível Serjão. Nos dois sentidos: o de passional mais que racional e o de afetivo, cortês, capaz de transformar em segundos o conhecimento em intimidade.

E o futebol, que deveria ser uma área livre e coletiva para a catarse das angústias do dia a dia, passa a ser um campo de manobras vis, arquitetadas friamente por mentes estúpidas e vagas, sem eira, nem beira.

O que fazem esses jovens cretinos, percorrendo a noite, não em busca de um olhar irresistível, um papo legal com os amigos, uma cervejinha maneira, essas coisas boas da vida, mas, sim, para vasculhar nos bares, restaurantes e boates este ou aquele jogador que esteja, porventura, se divertindo?

Claro, qualquer psico de plantão, até os de botequim como quem lhes fala, dirá que são movidos pela frustração que se transforma em raiva, quando não ódio mortal. Sujos, feios e malditos, porque, antes de tudo vagabundos, dirigem sua ira para aqueles que, saindo dos seus grotões, iguais de berço, atingiram fama, fortuna, tendo a seus pés o mundo de maravilhas que a sociedade de consumo e permissiva lhes oferece de bandeja – roupas de grife, linda mulheres, o melhor cardápio nas mesas mais requintadas e tal e cousa e lousa e maripousa.

Em vez de buscarem seus próprios caminhos, mesmo que modestos como a imensa maioria dos brasileiros, preferem destruir aqueles que significam o que eles são incapazes de ser.

Como, porém, isso é ignóbil demais até para suas cabecinhas primárias, tentam escudar-se num conceito muito mais nobre:  eles se convencem de que são os guardiões da moral e da integridade do clube que abraçam. Se não forem suas ações extremadas, tudo estará perdido no universo de suas cores.

Quando se juntam ignorânci, fanatismo  e frustração, três almas gêmeas, diga-se,  sai de baixo, meu!

Que assim seja com essa turminha imbecil, entende-se, embora mereça todas as condenações, morais e jurídicas.

O que não dá para entender é tamanha ingenuidade (ou será extrema esperteza?) de dirigentes esportivos que confraternizam com esse pessoal, e até atiçam suas ações com declarações explosivas como as recentes de meu considerado Belluzzo, seja no encontro com esses mesmos torcedores, seja através da mídia.

Não posso crer que, com o nível intelectual de Belluzzo, sua experiência de vida e tudo o mais, ele não tivesse a percepçã de que esse cenário estava sendo armado por suas próprias ações e palavras. A não ser pela soberba própria do intelectual, que se considera tão superior a ponto de controlar esse monstro errático e abjeto chamado fanatismo, fazendo-o trabalhar politicamente em seu favor, sejam quais forem suas mais nobres intenções.

Isso é como uma Caixa de Pandora, que, aberta, dispara todos os mais perversos sentimentos humanos.

Claro, tudo passa, menos o cobrador e o motorneiro, como o dístico dos velhos bondes. Mas, neste exato momento, nada poderia ser pior para o Palmeiras, que ainda tem chance de ser campeão e cuja torcida deveria se espelhar na do Fluminense, tricolor como as cores do Palestra Itália, tão cara ao presidente e à história do Palmeiras.

Notas relacionadas:

  1. JOGANDO COM A ESPERANÇA
  2. LOVE E SANDRO
  3. JOGANDO NO COLO ALHEIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 18 de novembro de 2009 Futebol internacional | 21:41

NA LINHA DO GOL

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Portugal e França passaram pelo buraco da agulha e, finalmente, chegaram à África do Sul. Com um gol de Meirelles, Portugal bateu a Bósnia, na casa do inimigo, mesmo placar obtido em terras lusitanas dias atrás. E a França teve de penar diante de sua torcida para empatar com a Irlanda, na prorrogação, com um gol vergonhosamente ilegal de Gallas.

No gol da França, aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Henry ajeitou a bola com a mão esquerda, descaradamente, e cruzou para Gallas concluir de cabeça. Um escândalo, a comprovar que não é só aqui que os juízes cometem erros colossais. Na verdade, se o amigo espiar bem o lance, verá que a infração só poderia ser vista por um outro bandeirinha que corresse deste lado do campo, pois o árbitro e o auxiliar do outro lado não tinham visão plena da jogada. Ou, então, o óbvio: se o juiz pudesse recorrer às câmeras de TV. O fato é que tanto Portugal quanto França cumpriram pálidas Eliminatórias e precisam melhorar muito se quiserem fazer boa figura na Copa.

Nem vale discutir se justa ou injusta a decisão do tribunal que suspendeu o trio tricolor por três jogos, justamente a conta para o final do campeonato. Pois, são tantos os meandros e as armadilhas do código que cada um pode interpretá-lo a seu modo. O que vale mesmo é discutir se esse modelo de justiça esportiva no futebol já não está superado há anos.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. CHEIRO DE ARROZ QUEIMADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quinta-feira, 10 de setembro de 2009 Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 00:18

NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR

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Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.

E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.

Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.

Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.

PELAS OROPA

A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.

E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.

A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.

Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.

Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.

E LOS HERMANOS…

Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.

Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.

Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, NILMAR E RAMIRES
  2. HORA DA CONFIRMAÇÃO
  3. AGORA, A ÁFRICA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,