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19/11/2009 - 00:21

CATÁSTROFE! MAS PODIA SER PIOR

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A ida do Palmeiras ao Olímpico só não foi uma tragédia sem par porque o Grêmio, do início ao fim do jogo, parecia disposto tão somente a preservar sua longa invencibilidade em casa: fez 1 a 0, com Rafael Marques no finzinho do primeiro tempo, e completou o placar com Max Lopes aos 22 minutos do segundo, quando o Verdão estava com apenas nove jogadores, já que Obina e Maurício, ao cabo da etapa inicial, trocaram sopapos em campo.

Mas, se não foi uma tragédia, acabou sendo uma catástrofe. E nem me refiro especificamente à briga dos dois jogadores palmeirenses. Pois, antes disso, durante todo o primeiro tempo, onze contra onze, o Verdão parecia inteiramente desmobilizado. Jogava sem aspiração, muito menos inspiração. Parecia estar ali pelo meio da tabela, garantindo uma vaga na Sul-Americana e olhe lá!

O sempre plugado Muricy caminhava na beira do gramado com uma expressão vazia, de quem não já havia jogado a toalha.

Ora, o Palmeiras, se já abdicou da luta pelo título, tem é de se desdobrar para não perder a vaga na Libertadores, já que vem gente atrás com sede e fome em busca dessa primazia. Remontar esse time, a partir da alma destroçada, com tantos desfalques, não vai ser mole, meu.


FLUBELÊ!

Esse time está mesmo encantado. Talvez não consiga escapar do rebaixamento no Brasileirão. Mas, se isso for mesmo inevitável, cairá de fronte erguida e alma lavada pela extraordinária recuperação nas últimas rodadas do campeonato nacional, e, sobretudo, pela heróica virada sobre o Cerro Porteño num Maracanã iluminado, o que levou o Tricolor à final da Copa Sul-Americana.

E olhe que Fred, o artilheiro implacável dos últimos tempos, perdeu dois gols que não perde jamais. Marcaram, no finzinho do jogo, Gum e Alan, depois de passar o tempo todo perdendo por 1 a 0.

Beleza, Flu.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana Tags: ,
10/11/2009 - 13:54

VERDÃO E SIMON NO SOFÁ

O Verdão volta a campo, diante do Sport, em busca do resgate da liderança que lhe foi escapando pelos dedos nas últimas rodadas. Mas, antes, terá de passar, ainda que brevemente, por falta de tempo, no sofá do analista de plantão.

Sim, porque, neste momento, o Palmeiras vive um torvelinho de emoções, que vão da mais explosiva indignação à mais profunda depressão, todas, diga-se, justificáveis pelos fatos.

E quais são os fatos básicos?

A indignação, pelo erro imperdoável do juiz Simon, tamanha, que levou o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, a extrapolar todos os limites de civilidade ao execrar publicamente o árbitro. E a depressão, porque, pior do que jogar mal, é saber que está jogando mal há algum tempo.

A explosão do dirigente é compreensível, embora condenável, nesta quadra da vida do futebol brasileiro, cercado por todos os lados da violência que nem sempre precisa desses estopins para invadir os campos e se espalhar pelas ruas da cidade.

Mas, afora a eventual futura troca de chumbo entre ambos nos tribunais, já que cada um promete processar o outro, o primeiro a tombar foi o árbitro, afastado até o fim do Brasileirão, por ordens superiores (leia-se Ricardo Teixeira).

Já não era sem tempo, pois Simon vem acumulando erros crassos há, pelo menos, dois anos. E nem vale listá-los aqui, pois estão espalhados aí pela internet e gravado na memória do torcedor lesado.

Nego-me a acreditar em armação específica para derrubar o Palmeiras ou beneficiar este ou aquele adversário. Não  por acreditar piamente no ser humano, que a vida me ensinou ser uma bactéria capaz de ganhar as formas mais exóticas, mas justamente por isso. Tramas desse tipo não resistem á clandestinidade por muito tempo.

Lembro-me de que menino ainda, no Brás dos italianos, depois de assistir um daqueles tantos filmes de gangster americano, perguntei ao velho por que, com tantos imigrantes da Bota povoando minha cidade, aqui a Máfia não proliferava.

Resposta: “Por que a lei básica da Máfia é a omertá (silêncio), e brasileiro não consegue guardar segredos”.

Além do mais, Simon e seus colegas de arbitragem já espalharam erros que atingiram a todos os participantes do campeonato, o que exigiria trama tão sofisticada e malévola que não  me parece pertencer ao universo dessa turma, incluindo CBF, comissão de arbitragem etc.

Prefiro cultivar outra hipótese, nascida de recente encontro com Simon, que me passou a impressão de um homem em ponto de inflexão, dono de um discurso errático, com tons de megalomania, essas coisas. Isso acontece com pessoas que ganham notoriedade, sobretudo quando investido de tanto poder como o que a lei do jogo outorga ao juiz de futebol.

E, que, a partir da má atuação na Copa do Mundo, o cimo da carreira de qualquer árbitro, passa a ser questionado, e, por consequência, cada erro provoca o seguinte, a ponto de acumular erros primários, quando não fatais.

Às vésperas de ser enviado ao terceiro Mundial de sua carreira, Simon é reprovado nos exames físicos e cortado do Mundial de Novos, mas se recupera na Argentina. Isso mexe tanto com ele que no domingo, antes do jogo do Palmeiras, ele ligou para o Arnaldo César Coelho, revelando suas aflições.

Enfim, meu aconselhamento de psico de botequim: Simon bem que poderia aproveitar essa folga forçada para deitar no mesmo sofá do Verdão.

Hora de Simplício

Com o corte de Ramires (machucado), Dunga chamou Fábio Simplício, revelado na base do São Paulo e que há tempos atua na Itália, agora, pelo Palermo.

Lá, a exemplo de tantos outros brasileiros, joga mais avançado, como meia. E tem jogado bem esse tempo todo. Pelo menos, assim o foi nas poucas vezes em que o vi em ação.

Mas, de fato, trata-se de mais um a se juntar à legião de volantes à disposição de Dunga.

Dinâmico, suficientemente hábil para sair jogando lá de trás, bom marcador, bem que Simplício mereceria uma chamada dessas. Mas, como volante.

Como meia, mais ajuizado seria chamar Diego, por exemplo, que andou muito bem na Juventus até se machucar. Na volta, ainda não resgatou a bola de antes. Contudo, por sua biografia mereceria muito mais outra chance.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , ,
19/10/2009 - 17:01

A PERPLEXIDADE DE MURICY

Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.

Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.

Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.

Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.

Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.

Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.

Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.

Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…

Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.

Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.

VELHINHOS PIMPÕES

Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.

Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.

Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.

Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.

Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.

Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.

Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
04/10/2009 - 21:05

VERDÃO, NO TRONO

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O Verdão manteve o trono intacto, ao bater o Santos por 3 a 1, num jogo equilibrado no primeiro tempo, e mais ameno no segundo, quando o placar começou a rebolar.

E olhe que foi o Santos quem saiu na frente, com um disparo fatal de Luizinho da direta, logo aos 9 minutos da etapa final.

Mas, o Palmeiras estava bem postado e empatou logo em seguida, com Diego Souza, o nome do jogo, de cabeça, para ampliar aos 28, com Robert, que entrara no lugar de Obina.

Por fim, Love sacramentou os 3 a 1, numa bela trama de Cleiton Xavier e Robert, que limpou do goleiro, antes de o artilheiro empurrar para as redes vazias.

Assim, o Palmeiras permanece na liderança, com folga, com pinta de quem não irá entregar o ouro facilmente, enquanto o Santos segue patinando lá pelo meio da tabela.

OS PERDEDORES

Os grandes perdedores desta rodada foram, sem dúvida Goiás e Inter.

O Goiás, que levou de 3 a 1 em pleno Serra Dourada, na maior surpresa deste fim-de-semana, pelo menos se mantém ali na órbita da clasificação para a Libertadores.

Mas, o Inter caiu fora da zona de classificação e começa a ver o líder Palmeiras com a perspectiva embaçada. O diabo é que não se trata de um tropeço esporádico, desses que podem acontcer com qualquer um, como, por exemplo, parece ter ocorrido com o Goiás, pois o Inter vem somando insucessos um atrás de outro, depois de um fulgurante momento no campeonato.

O último, esse diante do Coritiba no Couto Pereira, por 2 a 0, quando foi dominado a maior parte do tempo pelo Coxa, que poderia tre ampliado o escore, casa Marcelinho Paraíba alcançasse aquela bola que zunia a meta desguarnecida do Colorado.

Ou muito me angano, ou o Beira-Rio va pegar fogo.

A FESTA CONTINUA

No embalo da escolha para sede da Olimpíada, o Rio invadiu o Maracanã, no mais clássico dos clássicos brasileiros – o Fla-Flu.

Só que desta vez, a festa não foi de todos os cariocas, só dos rubro-negros, que mais uma vez revrenciaram o Imperador, autor dos dois gols da vitória do Fla sobre o Flu, que segue cada vez mais lanterna do campeonato.

Em contrapartida, o Flamengo já começa a rondar a zona da Libertadores, com todo o potencial para lá chegar, no final das contas.

Pois, além do Imperador, tem Pet, tem Zé Roberto em plena recuperação anímica e técnica e tem esse timoneiro tranquilo, capaz de tocar o barco em meio às recorrentes ondas de euforia e depressão que costumam invadir a Gávea – Andrade.

INGLESANDO

O Arsenal levou 1 a 0, empatou, levou 2 a 1 e, em seguida, despejou um caminhão de gols sobre o Blackburn – 6 a 2, numa tarde de gala do armador Fabregas. Foi um shoew de toque-toque do Arsenal, mesmo quando perdia o jogo, que dirá quando passou a vencer. Dá gosto ver esse time jogar.

Já o Manchester vacilou, e só conseguiu empatar seu jogo com o Sunderland, em pleno Old Trafford. E empatou no finalzinho, com um gol canhestro de Evra, embora o seu primeiro, de Berbatov fosse uma pintura – um voleio vertiginoso.

Quem não vacilou foi o Chelsea, que, no clássico com o Liverpool, meteu 2 a 0, em plena inspiração de Drogba, e assumiu a liderança do campeonato mais gostoso de se ver, seja pela técnica, seja pelo empenho, seja pela emoção presente o tempo todo, e qualquer jogo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
17/09/2009 - 16:35

RODADA TRICOLOR?

Pelo visto, espiando assim a tabela, a rodada do fim-de-semana sugere que será tricolor.

Sim, porque São Paulo, que enfrenta o Santo André em pleno declínio em campo neutro, e o Grêmio, que recebe o lanterna Fluminense no Olímpico, são os grandes favoritos dessa rodada.

O Inter vai ao Barradão pegar o forte Vitória, o Galo terá de superar o Náutico nos Aflitos, enquanto o Corínthians se confronta com o Goiás, que, depois de tantos dissabores, está na hora de se recuperar (e tem time para isso).

Claro, falo em tese, pois, no campo, a história nem sempre segue o roteiro original.

E, se alguém pensar que o Palmeiras, líder, está isento, engana-se. O Verdão folga no fim-de-semana, mas, na quarta vai ter de encarar o Cruzeiro no Mineirão.
Já pensou?

ILUSTRE VISITA

Desde sábado, tenho uma ilustre companhia para os fins de tarde na varanda deste meu refúgio em Ibiúna.

Ele está aqui ao lado, em carne e osso. Ou melhor: em papel maché. Pernas cruzadas equilibrando-se num banquinho giratório – o mesmo sobre o qual passava os dias engendrando os mais singelos brinquedinhos de madeira e arames, entre os quais o célebre Trem das Onze – paletó marron, calças e meias amarfanhadas no tornozelo, cinzentas, sapatos marrons, a indefectível gravata borboleta vermelha sobre o colarinho branco, e, claro, o chapéu de feltro marron inclinado à esquerda. Bem em frente à mesa de bilhar, com o taco de sinuca repousando na parede ao lado.

Seu olhar parece contemplar a dança do colibri furta-cor e da mariposa azul que se revezam sobre as flores brancas da trepadeira que serpenteia a viga de madeira do teto da varanda, enquanto um sorriso maroto se aperta entre os lábios finos encimados pelo bigodinho bem aparado.

Talvez, se lembrando de dois de seus motes antológicos: a mariposa que, quando chega o frio, fica dando vortas e vortas em torno das lâmpida pra se esquentá, e o colibrí que marchava nos carnavais passados desse gênio da raça.

Já sabe, meu amigo, que estou falando de seu João Rubinatto, o seu Barbosa, nosso Adonirã Barbosa, ator, compositor, cantor, o Espírito Santo da Santíssima Trindade do Samba Paulistano (os outros são Paulinho Vanzolin e Geraldo Fiúme), comprovando seu refrão, segundo o qual, assim que nóis vai, assim que nóis vorta.

E voltou ao meu convívio, já que fomos tão ligados por um bom período antes de sua morte, por obra e desgraça da incúria nacional.

Essa estátua em papel maché, esculpida por uma artista plástica que reverencio no anonimato, faz parte do acervo da vida e obra do Véio: caixas e caixas dos restos de uma vida voltada à criação e a enriquecer nossa cultura tão dilapidada, despejado do MIS (Museu da Imagem e do Som), onde ele deveria ocupar lugar de destaque.

Como ele, Mato Grosso e o Joca, despejados da Saudosa Maloca, recolhido por Celso Campos Jr., autor de alentada e refinada biografia do mestre, esse acervo caiu em minhas mãos pelo tempo necessário para a construção da Casa do Adonirã, a ser instalada na Nova Luz.

Como tudo não cabia aqui em casa, dividi a guarda com o casal de vizinhos, Néia e Alfredo, o tempo necessário para construir um galpão aqui ao lado.

Faço tais confidências apenas para que o amigo saiba como é tratada a memória nacional pelo poder público. Mas, isso não é nenhuma novidade. Então, apague tudo o que escrevi aqui.
Aliás, apague tudo, até a luz no fim do túnel.

PS: Ilustre Visita é o título de um dos mais inpsirados sambas de outro gênio da raça – Noel Rosa, como Adonirã, um cronista do cotidiano de fina sensibilidade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , ,
20/08/2009 - 00:25

RODADA DE FOGO

A grande vitória da rodada foi, sem dúvida, a do Corinthians sobre o Inter no Beira-Rio, por 2 a 1, placar, aliás construído em cima dos erros da arbitragem, já que os três gols foram marcados irregularmente.

O fato, porém, é que o Timão, devastado por lesões e punições, nem assim perdeu a pose: entrou no Beira-Rio com sua formação mais ousada do que a maioria dos demais times, e duelou mano a mano (sem trocadilho) com um dos principais pretendentes ao título (também desfalcado, mas não tanto) e concluiu mais a gol do que o adversário, o que é, afinal, a essência do jogo.

Em contrapartida, a grande derrota foi a do líder Palmeiras para o Coritiba, na casa do inimigo. Isso, claro, sempre ameniza a pena. Mas, mesmo sem Diego Souza e Marcos, suas duas estrelas mais cintilantes, era de se esperar mais desse Palmeiras que viveu apenas do brilho e do esforço de Xavier, o que não foi suficiente desta vez.

Por fim, o São Paulo, na volta de Rogério Ceni ao palco de sua gloriosa vida, o Morumbi, cumpriu sua parte, com extrema discrição: 1 a 0, belo gol de Richarlyson, sobre o Fluminense que já não sabe mais onde cavar sua vergonha, e saltou provisoriamente para a vice-liderança, nessa arrancada espetacular sob o comando de Ricardo Gomes.

Pouco antes, o Santos havia derrotado o Grêmio na Vila, num jogo arrastado, com gol de cabeça de Ganso. Nada mal para o Santos, que aspira apenas ganhar um posto mais honroso na tabela e muito ruim para o Grêmio, que entrou para brigar pelo título e não consegue dar um salto significativo.

Assim, a abertura do segundo turno já prenuncia a briga de foice que se travará lá no topo da tabela, até o fim. E ainda há quem diga que pontos-corridos é um tédio.

JANELA PRA LÁ E PRA CÁ

A janela escancarada para a turma doida por pular em busca do Eldorado europeu, está atraindo mais exilados do que os desterrados. Agora mesmo, o Inter anuncia a contratação de Cleber Santana, ex-Santos, que estava na Espanha. Desconfio que seja a mais significativa repatriação, já que se trata de um volante com cacoete de meia e chute de atacante.

Vi alguns jogos de Santana no Campeonato Espanhol, e fiquei com a sensação de que continua o mesmo excelente jogador dos tempos da Vila, embora atuasse mais à frente de sua real posição.

Outro que volta aos Pagos é o lateral-esquerdo Lúcio, ex-Palmeiras, São Paulo e Grêmio. Dizem que, fisicamente, o rapaz não está nos trinques. Mas, se superar rapidamente esse problema (se é que ele existe), será um reforço inestimável para o Tricolor gaúcho.

É verdade que muita gente boa deverá partir através da fresta final do fechamento da tal janela. Isso porque os clubes europeus costumam só se voltar para os nossos campos depois de esgotarem as possibilidades na sua própria praia. Não porque desprezem nossos talentos. Mas, porque preferem aqueles que já estejam acostumados a atuar por lá há algum tempo. Só resta esperar pra ver como vai terminar essa melódia.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
18/08/2009 - 16:40

CINCO JOGOS BÁSICOS

Pinço cinco jogos da rodada deste meio de semana que podem dar o tom do que nos espera neste segundo turno do Brasileirão.

Inter e Corinthians, por exemplo, no Beira-Rio, é jogo crucial para ambos. Para o Inter, pode significar aquele arranque em direção ao topo da tabela. Para o Corinthians a comprovação de que o time já começa a se aprumar nesta fase de transição. Está mais para o Colorado, mas nunca se sabe.

Já o São Paulo, que vem comendo pelas beiradas, não pode deixar escapar a vitória em casa contra o Fluminense, que se arrasta na rabeira do campeonato, e que, portanto, tem de dar a vida nesse jogo.

Quanto ao Galo, carece de conter o declínio momentâneo diante de um Avaí em plena ascensão, se quiser recuperar o porte de sério candidato ao título. Uma eventual derrota em seu terreiro, por certo, será fatal para o moral da equipe.

E o Goiás, vice-líder, vai aos Aflitos atrás de uma vitória que não apenas ratifique sua força inesperada como o coloque em situação de ir ganhando status de autêntico postulante ao título.

Por fim, Flamengo e Cruzeiro, um clássico nacional, no Maracanã, num momento em que o Flamengo, apesar da goleada sofrida diante do Grêmio, em jogo atípico, tem forças para voltar a brigar, pelo menos, por uma vaga na Libertadores, enquanto o Cruzeiro, que patina numa zona perigosa, terá de se reerguer rapidamente.

Pelo andar da carruagem, o Mengão está mais próximo da vitória, caso seus atacantes não desperdicem todas aquelas chances perdidas na derrota para o Grêmio.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , ,
06/08/2009 - 23:49

O EMPATE E AS GOLEADAS

Foi um jogo lancinante, em pelo menos três quartos de seu desenrolar, em que o Palmeiras teve um desempenho exemplar nos primeiros trinta minutos, quando marcou seu gol, com Cleiton Xavier, de cabeça, e o Grêmio virou do avesso nos minutos seguintes, ao empatar com Maxi López e obrigar Marcos a praticar duas defesas difíceis.

E, logo no início do segundo tempo, o Grêmio seguiu pressionando, a ponto de Wendell salvar um gol sobre a risca fatal. Em meio ao vaivém das trocas de jogadores e de esquema, pelos dois técnicos, Rever sofreu grave lesão na cabeça, e os gaúchos refluíram no final, quando o Verdão partiu para o sufoco, em vão.

Assim, o Palmeiras soma um ponto mais de distãncia em relação ao vice, Goiás, e ao terceiro, Atlético Mineiro, que folgou na tabela e tem um jogo a menos, mas deixou uma certa apreensão na torcida, que já vinha se acostumando com vitórias mais ou menos folgadas, embora um clássico contra o Grêmio é sempre dureza, lá ou cá.

GOLEADAS REDENTORAS

Demorou, mas o Flu tirou a barriga da miséria, ao golear o Sport por 5 a 1, no Maracanã, com um primeiro tempo singular de Roni, autor de um gol e de duas assistências para o menino Kieza. há tempos que a nação tricolor esperava isso, algo que a anime a acreditar que o Flu sáirá dessa incólume.

Assim como o Barueri, depois de bela campanha, vinha numa fase descendente, até meter 4 a 0, na Arena, no Vitória, que passou a patinar, após digna performance nas dez/doze primeiras rodadas do Brasileirão.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , ,
04/08/2009 - 17:34

RODADA DECISIVA, COMO TODAS

Évem, como dizem as baianinhas de saia de roda e penduricalhos de muito axé, mais uma rodada decisiva do Brasileirão. Isso mesmo: decisiva, pois, em campeonatos por pontos corridos, lá e cá, cada rodada é decisiva, cujos pontos disputados serão saudados ou lamentados lá na frente, na reta final.

E o Vitória de Carpegiani, por quem elas suspiram com graça e fervor, precisa se reabilitar diante do Barueri, quinta, na Arena, da derrota recente para o São Paulo, o que não parece nada improvável, desde que o adversário anda capengando, depois de bela campanha até três rodadas atrás.

Mesmo porque periga o Vitória ter mais torcida na Arena do que o Barueri, pelo simples fato de a Grande São Paulo ser a maior cidade nordestina do país, sobretudo de baianos natos e seus descendentes diretos.

Já o São Paulo, que venceu o Vitória na rodada passada, enfrenta uma pedreira maior até, ao receber o  Botafogo, que enceta uma reação na tabela nas mãos de Ney Franco. Não só pela força da camisa do Glorioso, mas pela arrancada recente que o despregou da zona de rebaixamento para o limiar da Sul-Americana.

Mas, o Tricolor começa a se ajeitar nas mãos de Ricardo Gomes, ainda que no velho esquema dos três zagueiros. Passou a marcar mais à frente, e está conseguindo fazer a bola circular com ciência no meio-de-campo, graças a pequenas, porém, fundamentais mudanças: o recuo de Hernanes à posição de volante, onde o rapaz se sente muito mais à vontade do que atuando como meia, e o visível crescimento do futebol de Dagoberto, herói das duas últimas vitórias tricolores, entre outras coisas.

O São Paulo, porém, apesar dos bons sinais, ainda não chegou ao formato ideal – talvez, nem chegue -, mas caminha nessa direção.

TIMÃO NOS AFLITOS

Ainda sem Ronaldo, mas com Edu no time, o Corinthians vai aos Aflitos enfrentar o Timbu lanterna, que na rodada anterior arrancou heróico empate do Flamengo, em pleno Maracanã. Aliás, nem tão pleno assim, onde a nota destoando foi protagonizada por Léo Moura, xingando a torcida.

A ausência de Ronaldo segue sendo uma lacuna impossível de ser preenchida, embora Souza, já no empate com o Avaí, tenha apresentado evolução significativa desde sua estréia no Corinthians.

E a presença de Edu implica num passe mais exato e em maior segurança para a defesa corintiana. Além de empurrar Elias mais à frente, onde o meia se dá tão bem como segundo volante. Acrescente aí a volta de Dentinho, e, tudo indica, teremos um Timão mais forte do que o do fim-de-semana. Com a cabeça fria, o Corinthians haverá de se moldar em novo time.

LÍDER IMPREVISÍVEL

Muricy, mal assumiu o comando do líder Palmeiras, e já imprimiu suas digitais no time. As digitais de um tricampeão brasileiro, o que vale ouro, sem dúvida. Mas, que descaracterizou o time até então em plena ascensão.

Se a justificativa de Muricy para impingir o esquema com três zagueiros contra o Sport, na pior exibição do time nas últimas sete/oito partidas anteriores, era porque o adversário usava o mesmo esquema, contra o Grêmio, nesta quinta, no Palestra Itália, isso cai por terra, já que o Tricolor gaúcho de Paulo Autuori mudou o braço da viola e joga com apenas dois zagueiros.

De qualquer forma, o Verdão tem todas as chances de acumular mais uma vitória, pois a recente goleada do Grêmio sobre o Cruzeiro, embora lídima, prejudica qualquer análise pelas expulsões de dois adversários.

Mas, se optar pelo sistema em que Muricy está aferrado, grandes são as possibilidades de o Grêmio, com seus Túlios, Adilsons, Tchecos e Souzas, dominar o meio de campo e ditar o ritmo do jogo.

Mais importante, porém, no caso, é celebrar os 36 anos de idade do goleiraço Marcos, na minha opinião, o maior da história gloriosa do Palmeiras, com todo o respeito a Oberdã, outro ícone, e a Leão, Valdir de Moraes, Primo e tantos que ali brilharam.

Idade de trinta e seis anos  para um goleiro do porte de Marcos é nada , quando sabemos que seus nobres parceiros de outras eras, no mundo todo, passaram dos quarenta jogando uma enormidade, como Carrizzo, Manga etc.

A propósito, pelo talento e pelo caráter de Marcos, se estiver nessa mesma forma às vésperas da Copa da África, teria um lugar na nossa Seleção, nem que seja para a reserva de Júlio César, que anda fechando o gol na Inter e na Seleção como poucos, diga-se.

TEMPO DO GOIÁS

O Goiás, em franca ascensão e celebrando a volta do filho pródigo, Fernandão, recebe no Serra Dourada um Flamengo machucado pelo empate com o Náutico no Maracanã, e cheio de dedos pela incompatibilidade entre Léo Moura, um dos seus principais jogadores, e a torcida, justamente no dia em que Andrade foi efetivado como treinador da equipe.

O Goiás, possivelmente, deverá ter de volta vários dos titulares que estiveram ausentes na heróica virada sobre o Santo André em São Caetano, o que aumenta em muito suas possibilidades.

O diabo é que o Goiás tem apresentado um resultado muito superior fora de casa do que no Serra Dourada: coisa de 78 por cento contra apenas 50.

É hora de virar esse jogo, se quiser seguir brigando pelo título.

RAPOSA, PEIXE, AVAÍ E FLU

O Peixe, por causa de seu jogo adiado com o Inter, teve um bom espaço para Luxemburgo prepará-lo com vistas ao jogo contra o Coritiba, no Couto Pereira, coisa rara nesse calendário opressivo do futebol brasileiro.

Luxa, que é errático e exaustivo nos seus discursos, sabe como nenhum outro armar seus times, treiná-los devidamente, motivá-los e tal e cousa e lousa e maripousa. Vale verificar se isso ainda funciona.

Quanto ao Coritiba, que, depois de uma arrancada prodigiosa para longe da zona do rebaixamento, refluiu, esse é um daqueles jogos em que não pode bobear. Confesso que não apostaria nem em um, nem em outro.

Já o Avaí, nessa virtuosa escalada desde a lanterna, jogando em casa, dificilmente deverá deixar escapar um belo resultado diante de um Santo André em crise. Basta evitar que Marcelinho Carioca tenha uma daquelas chances de cobrança de falta perto da área em que o veterano craque costuma transformar em pênalti.

E a Raposa, a que veio? Bem, o Cruzeiro ainda carrega nos nervos os eflúvios da frustrante perda da Copa Libertadores da América. Tem time para se reerguer, embora já nem almejando o título. E esse é o momento de readquirir o equilíbrio, jogando no Mineirão contra um Furacão que não passa de brisa leve neste campeonato.

Por fim, o Fluminense, em plena reformulação administrativa, com a saída do gerente Alexandre Faria, a provável volta de Branco (fala-se, também, em Parreira para uma função dessas) e a chegada de Valdir Espinosa como apoio a Renato Gaúcho, que já começa a ter sua cabeça a prêmio.

Tudo lá em cima. E, no campo? No campo, o Flu é um time frágil, que transita pela zona do rebaixamento há muito tempo, e que recebe o Sport, outro desesperado. É jogo de vida ou morte, já que disputado entre dois que brigam para sair do bloco dos desesperados.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , , , ,
02/08/2009 - 19:42

TOQUE TRICOLOR

O São Paulo, sob o comando de Ricardo Gomes, é realmente outro time, independentemente, do esquema adotado pelo treinador. E isso ficou muito claro na vitória por 1 a 0, mais um gol de Dagoberto, sobre o Vitória, lá no Barradão.

O Vitória, todos sabemos, é um dos mais ajustados times do campeonato. E, atuando em casa, é pedreira ao dobro.

Pois, o Tricolor jogou nas regras da arte: nada de chutões da defesa ao ataque, nada de bolas alçadas à área inimiga para o cabeceio de um grandalhão eventual lá na frente. Nada disso. Pôs a bola no chão, e, aos toques, se impôs e chegou ao gol, aos 28 minutos do segundo tempo, em esperta jogada de Dagoberto pela esquerda.

Antes, Borges já havia desperdiçado três boas chances para abrir a contagem.
Assim, o São Paulo vai acertando seu time, dentro de um padrão aceitável de toque de bola, subindo na tabela, enquanto o Vitória segue sendo uma equipe de primeira, que briga por uma vaga na Libertadores.

TIMÃO NA MUDA

O Corinthians, em pleno processo de transformação com a saída de quase meio time, não conseguiu ir além de um empate por 0 a 0 com o Avaí, no Pacaembu.

Nessas circunstâncias, não foi pouco, pois o Avaí, em franca ascensão, criou e desperdiçou, por baixo, três oportunidades de ouro para marcar.

TRISTE FLA-FLU

A derrota do Flu para o Furacão, por 1 a 0, foi fatal para o Tricolor carioca. Pois, perdeu para um candidato direto ao rebaixamento. E, mais: o jogo nem foi na Arena da Baixada, casa do Atlético PR. Foi em Londrina, no Estádio do Café. Assim, o Flu assume a lanterna do Brasileirão, e o eventual choque da chegada de Renato Gaúcho se fragmenta em várias desesperanças.

Da mesma forma, o empate, no Maracanã, do Flamengo com o Náutico, outro frequentador contumaz da zona do rebaixamento, reduz as grandes expectativas dos menguistas em relação à efetivação de Andrade como técnico do time. Mas, isso tudo faz parte do show de um campeonato tão disputado como este.

TÉCNICO DE CHUTEIRAS

O Santos acaba de recepcionar Emerson, o veterano volante do Grêmio, da Seleção, do Leverkusen, Juventus de Turim, Roma e Milan. Não sei das condições física e, consequentemente técnicas, de Emerson, que não joga há muito tempo.

Mas, sei que Luxemburgo, desde os tempos em que dirigia a Seleção, o considerava um verdadeiro técnico dentro das quatro linhas. Aliás, isso ouvi de vários outros treinadores, dentre eles, Felipão.

Se tiver fôlego e músculos para enfrentar a empreitada, Emerson, por certo, será de extrema valia para irradiar serenidade e visão de jogo aos seus jovens companheiros do Santos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
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