Este será um domingo de clássicos – alguns insólitos – em vários campeonatos regionais.
Na verdade, insólito é o Gre-Nal, a ser disputado em Rivera, no Uruguai, com os dois rivais entrando em campo com seus times reservas. Ou melhor; o Grêmio, com um mistão; o Inter, com o time B. nem reservas, mas que cumpriu bela façanha na última rodada do Gauchão.
Mas, onde seja, como for, é sempre o confronto de dois rivais tão empedernidos que, lá no Sul, costuma se dizer que é sempre um campeonato à parte.
E a escolha de Rivera como sede do embate, por certo, é uma homenagem dos gaúchos a uma cultura que lhes é muito cara e próxima.
Lembro que tempos atrás, quando fui fazer uma palestra sobre futebol e literatura em Passo Fundo, conheci o jornalista e scritor afamado Aldyr Schlee, autor do design do uniforme brasileiro, a canarinho, adotado desde os anos 50 pela CBD (hoje, CBF).
Pois me contava o Aldyr que, em certas tardes de domingo, pegava a mulher, atravessava a fronteira e ficava passeando pelas cercanias do estádio Centenário de Montevidéu, só aspirando o ar e colhendo os ecos que vinham da torcida lá dentro.
Um prazer inexcedível, segundo ele.
Son cosas del bandoneón, cujos acordes ainda perpassam as noites de Buenos Aires e Montevidéu, num contraponto com a gaita (ou sanfona) tipicamente gaúcha.
Clássico?
Pois é. É voz corrente de que, por exemplo, esse Lusa e Palmeiras, que se ferirá no domingo, no Pacaembu, não pode mais ser chamado de clássico. Afinal, a Lusa abandonou a cena principal do futebol brasileiro e paulista há um bom tempo.
Discordo. Eu, ou qualquer léxico que o amigo consultar. O clássico não se configura pelo presente efêmero. Nem mesmo se refere especificamente ao confronto entre dois clubes grandes.
O derbi campineiro será sempre um clássico, estejam Ponte e Guarani onde estiverem no cenário do futebol brasileiro ou mesmo paulista. Assim como Espanyol e Barça fazem o clássico da Catalunha, ainda que o Espanyol seja um clube pequeno e o Barça um gigante em todos os sentidos.
É a tradição, não o momento, que timbra a expressão. A tradição, não como um instante congelado no passado, mas, na sua etimologia: transição, informações em movimento, de geração para geração.
Portanto, Lusa e Palmeiras fazem um clássico no seu mais vívido significado.
Se vai ser um jogaço, quem sabe? Esse é outro departamento. A Lusa está em crise. Desfalcada de vários titulares, acaba de perder o lateral-esquerdo Fabrício, sua última revelação, que deve se transferir para o Santos.
Já o Palmeiras, depois de andar jururu em volta de si mesmo, encetou três vitórias consecutivas, saltou ao lado do líder Santos em pontos ganhos, e espera iniciar sua grande volta por cima.
Mas, aqui é que entra aquela velha palavrinha – clássico – que carrega no seu bojo uma variedade incrível de sortilégios.
Vasco e Fla
Vasco e Fla, se não é, talvez o mais charmoso historicamente (isso pertence ao Fla-Flu), sem dúvida, é o clássico mais renhido do Rio.
O Fla vem eufórico, na esteira dos bons resultados no Cariocão, mas, sobretudo, pela expectativa da estreia de Ronaldo Gaúcho ao lado de Thiago Neves e do gringo Bottinelli.
Isso, porém, ainda está no campo das expectativas. De fato, só Thiago Neves poderá ser escalado por Luxa no clássico carioca de domingo.
E não é pouco, diga-se, principalmente diante da crise que se abateu sobre o Vasco nesta temporada. O técnico PC Gusmão acaba de ser demitido depois de seu Vasco varar esse início de campeonato sem uma mísera vitória.
Além do mais, Carlos Alberto, a estrela da companhia, que joga muito mas não joga nunca, bateu boca no vestiário com o presidente Dinamite, e, pelo visto já está fazendo as malas.
Contudo, é nessas horas adversas que a tradição entra em campo e o leão ruge. O rugido é sempre assustador, mas é preciso saber se o leão em causa não está com suas garras derruídas e as presas careadas.
San-São
O clássico paulista, de todos, me parece o mais sugestivo.
O Santos que, mesmo empatando na última rodada, é líder e cumpre excepcional campanha, se considerarmos que tem jogado desfalcado de seus principais jogadores – uma batelada, diga-se.
Já o São Paulo, que está a um ponto do líder, mesmo completo, ainda está em busca de uma formação ideal. Menos mal que Carpegiani abriu mão do tal terceiro zagueiro, embora Adílson, pelo Santos, cultiva a má ideia de implantar esse sistema no seu time.
Vamos bater ficha, minha gente! Nesta fase do Paulistão, cujo desfecho será aquele que todos sabemos – só se houver uma catástrofe, os quatro grandes deixarão de estar entre os oito que disputarão de verdade o título -, pelo menos, ofereçamos ao público o espetáculo do gol em profusão, do jogo jogado nas regras da arte, sem medo, nem vacilos.
Nada de três zagueiros, três volantes, esses cuidados excessivos que não levam a nada, nem mesmo à garantia de uma defesa mais ou menos sólida.
Vamos pro jogo, que a ousadia é a bênção dos deuses e o medo, o estigma dos mortais.
Chelsea, hummm…
O Chelsea, apesar de todos os seus investimentos, não consegue decolar. Não brilha no Campeonato Inglês, e, embora possa seguir adiante na Copa da Inglaterra, não deu sinais de que o fará diante do Everton, no empate por 1 a 1.
O Everton abriu o placar e foi melhor até os momentos finais, quando o Chelsea, sob o impulso do nosso Ramires, chegou ao empate, com Kalou.
O Chelsea tem elenco, camisa, treinador experiente, mas não consegue se impor com deveria.
Termina quando acaba
Já disse e repito: um dos tantos encantos do Campeonato Alemão é que o jogo só termina quando acaba, segundo a lei do Chacrinha.
Pois, pegue esse confronto entre Werder Bremen e Bayern de Munique. Sei lá, até os 30 minutos do segundo tempo, o Bremen vencia por 1 a 0. Eis que Robben domina na direita, dribla dois e centra bola que cruza a área inimiga sem um solitário companheiro na área. Na sequência, bola na esquerda, cruzo e eis Robben surgindo num salto acrobático para empatar.
A partir daí, uma blitz do Bayern, que terminou em 3 a 1 e poderia ter sido de mais.