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terça-feira, 31 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 19:28

O PEIXE NA RAIA OFICIAL

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Certamente, o discurso que todos os torcedores portadores do tal DNA do Santos gostariam de ouvir às vésperas do derradeiro confronto com o Cerro, pelas semifinais da Libertadores, seria mais ou menos este: vamos a Assunção impor nosso jogo, nosso estilo, nossa maneira de jogar, destemida, ofensiva, recheada de dribles desconcertantes, chapéus, passes inesperados e muitos gols, ainda que percamos o jogo, um risco que correríamos sempre se, ao contrário, nos amoitássemos atrás de feroz retranca, pois, em futebol, num jogo só, o resultado é imprevisível.

Mas, não é essa a fala peixeira. Ao contrário: o que a turma chegou lá dizendo é que se trata de jogo difícil, que exige extrema cautela, que essa história de jogar bonito é conversa mole pra boi dormir, e que o zero a zero será saudado com fogos e champanha, já que esse desfecho projeta o Santos para a decisão da taça.

Nem poderia ser outra, aliás. Pois, o time que entrará no estádio Pablo Rojas não é aquele que foi capaz de unir eficiência e espetáculo na dose exata, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil e do Paulistão. E o elenco de que dispõe Muricy para esse jogo, embora de qualidade comprovada, não tem bala para atingir esse patamar especial.

Pode, sim, voltar de Assunção com a classificação para a final e até com uma vitória consagradora. Mas, se o fizer, será num nível mais próximo da realidade do atual futebol brasileiro: bom, eficaz em certos momentos, mas de brilhos intermitentes, em geral, cintilando nos pés de Neymar.

Portanto, se me permitem, sugiro ao amigo peixeiro, em vez da inebriante champanha da celebração antecipada, uma dose de uísque pra relaxar, e reza braba pra que tudo dê certo.

Depois, sim, é soltar as frangas. Ôps, as lagostas com champanha.

O FUTURO DE HERNANES

Cruzo com Hernanes nos corredores da tv e colho dele a certeza de que, apesar de algumas sondagens para sair de Roma, ele está disposto mesmo a ficar no Lazio.

Garante que está adorando a cidade, o clube, os companheiros e tutti quanti. E que já se adaptou à nova função, mais adiantada, quase um atacante verdadeiro.

Mas, cá entre nós, duvido que Hernanes, jogando o que jogou nesta temporada na Lazio, permaneça por lá muito tempo.

CONCEITO CATALÃO

O conceito precede à prática e aos resultados. Pelo menos, no caso desse deslumbrante Barça.

Nesse caso, o conceito básico é o seguinte: vamos montar um time que ocupe um terço do gramado – da nossa intermediária à deles. Por quê? Porque, como já ensinou Rinus Mitchels – o inventor do Carrossel Holandês da Copa de 74, jamais reproduzido na íntegra, por nenhum outro time do planeta -, à época, treinador também do Barcelona de Cruyjff, Neskeens etc., se você compactar o seu time de intermediária a intermediária, estará sempre mais próximo da meta adversária, e capacitado a trocar passes de primeira: um-dois.

Quanto mais trocar passes, seu time estará mais próximo do fundamento essencial do jogo. Além do mais, evitará o confronto direto com os marcadores, e não desgastará os músculos, os pulmões e as mentes de seus jogadores, correndo atrás do adversário ou de bolas lançadas a esmo.

E, mais, se o amigo apoiar seu jogo no toque-toque, fará poucas faltas e não perderá o equilíbrio emocional. Resultado: menos suspensões por cartões e por lesões.

Assim, se você preservar a integridade física e mental de seu time, o amigo terá o mesmo time jogando junto por um tempo maior do que ocorrer com os demais, habituados a jogar a partir de uma defesa recuada, que lança chutões pra frente.

A sua marcação se resume em ocupar espaços que estão próximos de você mesmo, pois a compactação das três linhas (defesa, meio-campo e ataque) facilita essa tarefa. Além do mais, vale lembrar a estatística que diz o seguinte: a recuperação de bola por um time é coisa de setenta por cento resultante do erro de passe do adversário. Logo, você não precisa estar atacando o adversário com a bola via carrinhos e outros lances que permitam a ele se organizar em campo, durante uma cobrança de falta.

Por fim, você mantendo por um longo tempo seu time principal com os músculos, os pulmões e a mente em forma, mais vezes esse time entrará em campo. E, quanto mais vezes o mesmo time entrar em campo, mais se afia o conjunto, a capacidade, enfim, de tocar a bola e impor seu jogo conceitual.

Esse é o mistério do Barça, não treinamentos específicos ou qualquer outro artifício de um técnico milagroso. Traduzindo: a mais pura simplicidade, fruto da maior complexidade, como costuma ser a simplicidade, aliás.

E que consegue a proeza de manter a bola sob seu domínio por setenta por cento do jogo, praticar a base de cinco faltas por jogo (sofre coisa de 15, no máximo) e mantém a média de gols nas cercanias dos três.

O Barça joga como Guardiola jogava, quando era um volante de alta classe, tocando a bola sem dar pelota às críticas dos pragmáticos de plantão, que exigiam dele mais voluntariedade.

Isso, na esteira desses tantos holandeses voadores, de Rinus Mitchels a Reijkaard, passando por Cruyjff e Van Gaal.

As sofisticações foram se depurando, ao longo do tempo, até que a decantação final produzisse esse Barça, de tanta consistência, cor e sabor.

FIFA SOMBRA

Está marcada para amanhã a eleição – ou melhor, aclamação – de Sepp Blatter para mais um mandato do suiço à presidência da Fifa. Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo o Comitê Executivo da entidade e do próprio presidente, Blatter conseguiu desviar os disparos sobre os inimigos e saiu ileso, com seus amigos, do tiroteio.

A Federação Inglesa pede adiamento do pleito, mas os ingleses, que também não são flores que se cheirem, embora me pareçam do lado certo neste caso,  duvido que tenham êxito.

Aliás, se houvesse um rapa geral na Fifa, como na CBF e demais entidades que tocam essa barca entupida de barras de ouro de cá pra lá, duvide-o-dó que a nova tripulação fugiria do roteiro traçado pela amibição desmedida e descarada dos dias em que vivemos.

Já tive tantas decepções nesta minha já longa caminhada – e não só no esporte -, que me sinto um Diógenes apesentado.

Pra quem não sabe, Diógenes era aquele filósofo da Grécia Antiga, discípulo de Antístenes, criador da Escola Cínica (cínico, de cão, o único bicho confiável), que morava num barril e de lá saía com uma lanterna acesa pela cidade em busca do homem íntegro. Morreu sem encontrar.

Lendário é o episódio em que, estando tomando sol diante de sua barrica, postou-se um desses poderosos à sua frente e intimou-o:

- Diize o que desejas neste momento e te concederei a dádiva de imediato. O que quiseres: ouro, poder, palácios, as mais belas donzelas, o que desejares!

Diógenes, então, olhou-o nos olhos, e respondeu:

- Só desejo que saias da minha frente para que não continues me roubando o raio de sol que me aquece.

Notas relacionadas:

  1. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 24 de maio de 2011 Copa do Brasil, Futebol internacional, História, Libertadores | 19:03

PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS

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Ainda sem Ganso e Alan Patrick, o Santos recebe o Cerro Porteño, no Pacaembu, pelas semifinais da Libertadores, com quatro volantes – Adriano, Arouca, Danilo e Elano, o que provoca nos puristas da Vila um revirar de olhos.

Estejam certos esses amigos que este blogueiro teria a mesma reação, caso houvesse de fato uma alternativa para o técnico, e se três dos escalados não fossem versáteis o bastante para compensar em parte a ausência de um meia autêntico.

Sucede que a única opção no elenco para essa posição é Felipe Anderson, de 17 anos, muito menino para um jogo tão decisivo. Ou, então, a presença de Keirrison lá na frente, entre Zé Love e Neymar. Mas, Keirrison tem sido tão abúlico nesta sua passagem pelo Santos, que, confesso, não ousaria colocá-lo de saída.

Ainda se Borges pudesse atuar… Mas, não pode. Acaba de desembarcar na Vila com os papéis vencidos para esta fase da competição.

Assim, Elano deverá atuar mais à frente, uma faca de dois legumes – como diria o saudoso Vicente Matheus, pois se estará mais perto da meta adversária para disparar aqueles chutes certeiros, não tem a ginga, velocidade e o drible inerentes à função.

Mesmo assim, desconfio que o Peixe pode fazer boa figura no Pacaembu e ganhar o jogo, que é o mais importante nesta quadra de sua vida. Nem que seja por um placar apertado, para jogar em Assunção pelo regulamento. Isso também faz parte.

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Muricy repetirá, contra o Cerro, time que terminou o último jogo contra o Once Caldas (AE)

O que não dá é exigir que o atual Peixe jogue aquele futebol desabrido, deslumbrante e ao mesmo tempo eficiente dos tempos de Robinho, Ganso, Neymar, André, Wesley e cia. bela, do primeiro semestre do ano passado. Esse já era, para a desgraça de todos que amam o verdadeiro futebol, em sua plenitude.

COPA DO BRASIL

Os quatro participantes das semifinais da Copa do Brasil pouparam-se no fim de semana para essa rodada decisiva de amanhã.

Mas, agora, Avaí, Vasco, Coritiba e Ceará vão com tudo, mesmo por que nos confrontos de ida os dois jogos acabaram empatados. Ruim para Vasco e Ceará, que perderam a vantagem de mando de campo. Mas, nada que não possa ser desfeito nos jogos da volta.

Afinal, o Vasco tem bala e ânimo para se classificar em Floripa, por exemplo, embora, pelo retrospecto sensacional do Coxa nesta temporada, a situação do Ceará seja mais complicada.

Todavia, é sempre bom lembrar que se trata de um jogo só, capital, e, nesses casos, são tantas as variáveis que fogem ao mero cotejo técnico, que qualquer coisa ainda pode acontecer.

BUCANEIROS E PIRATAS

O título desse filme de piratas poderia ser Os Corvos dos Campos, em vez de o clássico Gavião dos Mares. No lugar do bonitão Errol Flyn, o horrendo Thomas Mitchel de O Motim, disparando seus canhões contra um Anthony Quinn, disfarçado de vil latino.

Na verdade, não há mocinhos entre os piratas da Rainha e os bucaneiros latinos -  brasileiros,f ranceses e demais envolvidos nesse tiroteio em torno da Fifa.

O amigo pode mais ou menos dimensionar, pela grana que corre aqui no rés do chão, o vulto da gana que corre lá em cima, nos andares das grandes decisões do futebol.

Se um jogador de futebol, de porte médio, ganha coisa de 130 mil reais por mês num país como o nosso, de tantas carências, 100 milhões de dólares para um ex-presidente da Fifa e alguns membros do Comitê Executivo da mesma entidade, é uma bagatela, convenhamos.

Sepp Blatter garante que isso não ficará barato. Palavras ao vento, meu caro amigo. Pois, ele mesmo é acusado de outros tantos malfeitos.

Como já disse e repito, tenho dúvidas se a mais antiga profissão do mundo é aquela ou esta, a corrupção nos altos e baixos escalões onde impere a autoridade, qualquer que seja ela.

O CASO GIGGS

Logo agora, na reta final pela disputa em Wembley do título da Liga dos Campeões, estoura esse escândalo sexual envolvendo Giggs, esse jogador espetacular, talvez o maior ídolo da história do Manchester United e certamente o maior vencedor da vida dos Diabos Vermelhos.

Aliás, de que se acusa Ryan Giggs, o mais fiel diabo vermelho desde o legendário Bobby Charlton? De infidelidade. Não ao clube, mas à esposa, porque o craque teria saltado o muro da moralidade burguesa (ui, que velho isso!) em busca de breves prazeres ofertados pela exuberante modelo Immogen Thomas.

Pelo que se sabe, uma relação consensual entre dois adultos, vacinados e donos de seus narizes. Nenhum abuso, nenhum pagamento pelo ato escuso (?), nada que pudesse caracterizar crime no estrito senso da palavra, a não ser adultério, que, no mundo ocidental, não condena ninguém a apedrejamento, tampouco ao cárcere.

Giggs teve o cuidado, aos primeiros rumores sobre sua relação com a modelo, de ir aos tribunais, pedindo, antes de mais nada, sigilo, em nome de seus dezessete anos de casado e dos filhos do casal oficial. E o juiz o concedeu.

Pois, não é que os tablóides ingleses, aqueles que vivem como urubus em volta da carniça alheia, fizeram tanta pressão que a coisa foi levada ao Parlamento como censura à livre expressão da imprensa? E pode?

Censura à livre expressão da imprensa é quando um sujeito rico e poderoso comete uma série de falcatruas, lesivas à sociedade em geral, e se utiliza de sua fortuna para conseguir, nos tribunais ou fora deles, calar a boca da imprensa.

O mesmo preceito vale para governantes e poderosos em geral.

Outro dia mesmo, um sábio juiz da mais alta corte brasileira, diante da questão sobre o direito de casais gays se unirem perante a lei, fez a pergunta crucial: a quem isso prejudica? Quais terceiros serão prejudicados pela união de dois homossexuais de qualquer gênero? Obviamente, ninguém. Logo, segue o jogo, como diria seu par com apito correndo pelos gramados do futebol.

Neste caso, quem é lesado pelo relacionamento amoroso entre um jogador de futebol e uma modelo? Que falta fará ao público saber se fulano transou com beltrana, num ato de mútua vontade?

Resposta: só sofrerão lesões graves, algumas até irreparáveis pelo resto da vida, Giggs e sua família, mulher e filhos.

Liberdade de expressão e moralidade rastaquera são a água e o vinho. Vinho envenenado, diga-se.

ABDIAS, ADEUS

Foi-se, aos 97 anos de idade, um grande, imenso, brasileiro: o poeta, ator, dançarino, músico, político e ativista pelas causas da negritude neste país, Abdias do Nascimento.

Ele, no Rio, e Solano Trindade, tão esquecido, em São Paulo foram dois pilares na luta pela igualdade de direitos e contra o ranço do racismo que grassava (ainda grassa) neste país negro, branco, mulato, mameluco e cafuz.

Foi de sua lavra o projeto de lei que instituiu o Dia da Consciência Negra no Brasil, substituindo o flácido Treze de Maio, que mais remetia aos tempos da escravidão do que os da liberdade total que ainda está por vir, embora tenhamos avançado muito, graças justamente a figuras como Abdias e Solano, o fundador do Embu das Artes, que está em vias de oficializar essa designação.

Tive poucos contatos com Abdias, que, num certo tempo foi contestado por algumas vertentes do movimento negro brasileiro mais radical. E o que me chamava sempre a atenção era seu porte imperial, algo entre o babalorixá baiano e o rei do Congo, e suas certezas inabaláveis quanto à condução do movimento negro no Brasil.

Talvez, depois de Patrocínio, na esfera legal dos brancos, Abdias tenha sido o negro mais importante da história do Brasil. Um Brasil que não sabe um tico de sua história, e, por isso mesmo, está sempre propenso a repetir pecados como se estes fossem originais.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES NA COPA DO BRASIL
  2. LIBERTADORES, COPA BR E OBINA
  3. O PEIXE DESTE SÉCULO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 Futebol internacional | 18:57

BI MESSI

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E Messi foi o escolhido, quebrando a tradição de que a Copa do Mundo é o evento chave nessas escolhas. Não que Messi tivesse falhado no Mundial da África, como Kaká, Rooney e outros craques internacionais tão decantados. Nada disso. Fez, digamos, uma boa Copa, dentro das possibilidades da sua Seleção conduzida de forma errática por Maradona.

Nesse quesito, Iniesta e Xavi se saíram melhor. Sobretudo, Iniesta, com aquele gol que definiu o título para a Espanha diante da Holanda.

Mas, o futebol de Messi é tão mágico, tamanho é seu carisma, que o colégio eleitoral se rendeu à sua magnitude e o coroou pela segunda vez consecutiva o melhor do mundo no ano de 2010.

Coroação que, pelo visto, se repetirá muitas e muitas vezes no futuro sem limites que se estende á frente do inigualável pibe argentino.

Entre outras coisas, porque Messi, com toda aquela discrição pessoal, aquele sorriso de moleque um tanto travesso, um tanto inocente, porém extremamente autêntico, nos transmite uma sensação de bem-estar muito próxima ao que se pode chamar de felicidade.

Eis, pois, o nosso rei mago, aquele que traça os caminhos das estrelas com uma bola nos pés e nos presenteia, a cada rodada, com a mirra, o incenso e o ouro do futebol.

Marta, Marta

Esta, sim, é a única pentacamepã do mundo no país do penta. Ser eleita a melhor jogadora de futebol do mundo por cinco vezes seguidas, sem que a sua Seleção tenha vencido nem o Mundial, nem as Olimpíadas, emora batesse na trave várias vezes, é um prodígio histórico.

Na verdade, seu jogo desenhado com aquela canhota encantada transcende os limites do futebol feminino. Vai além, num plano que, suponho, nenhuma outra jogadora alcançou no passado, tampouco alcançará no futuro.

Marta, meu amigo, não é penta. É única.

Notas relacionadas:

  1. MARTA, MARTA, MARTA
  2. O SIGNIFICADO DE MESSI
  3. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 18 de dezembro de 2010 Clubes brasileiros | 14:31

ÁGUA NO CHOPE DA REDENÇÃO

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O que poderia ter sido, mais do que parcial redenção pelo vexame de outro dia no Mundial de Clubes, em Abu Dhabi, o Inter deixou escapar no final a convicção de que tudo não havia passado de mero acaso próprio do futebol.

Na disputa pelo terceiro lugar, contra o sul-coreano Seongnam, o Colorado ensaiou uma goleada histórica. Depois de uma certa indecisão no início, o gol de Tinga – somado à expulsão de um coreano ainda no primeiro tempo -, o Inter teve pleno domínio do jogo, chegou fácil aos 4 a 0, embora o quarto gol, de Alecsandro fosse irregular, e desperdiçou, por baixo, mais meia dúzia de gols.

Aí, já nos últimos quinze minutos de jogo, refluiu e permitiu aos coreanos reduzir o placar para 4 a 2, na melancólica despedida do futebol do goleiro argentino Abbondanzieri, que, mesmo no auge da carreira, pelo Boca e pela Seleção Argentina, jamais me inspirou muita confiança, não.

Não, pelo menos, como seus ilustres antecessores Carrizzo, Roma, Dominguez, Fillol e cia. bela.

Molina, aquele canhoto colombiano, que jogou no Santos, foi o autor dos dois gols dos coreanos. Dois gols que fizeram murchar a alma colorada, que esperava, no mínimo, em meio a tanta humilhação, uma lavada em regra para animar a tropa com vistas à batalha da Libertadores futura.

De qualquer forma, ficou claro que a tragédia do meio de semana, diante do Mazembe, foi mais fruto dos nervos da estreia na competição do que da bola do Inter. E que sua zaga, cá entre nós, carece de uma reformulação. Ou, no mínimo, de um incremento.

Inter, meno male

Se não foi o nosso Inter, pelo menos, a Inter de Milão, embora para o colorado mais fanático a conquista do título mundial por um time de camisa listrada vertical em azul e negro como a do Grêmio doa ainda mais do que a homonímia.

O fato é que a Inter de Milão não tomou conhecimento do Mazembe, aquele time congolês que venceu o nosso Inter no meio de semana, e logo foi fazendo 2 a 0, com Pandev e Eto’o, no primeiro tempo.

Mas, à italiana, logo tratou de se cuidar defensivamente, e o jogo se arrastou monótono até que Babybiani, já no finzinho, escapasse e, diante daquela figuraça do goleiro congolês desse um corte e batesse para selar o placar e meter a mão na taça mundial.

Assim, a Inter completa um ciclo maravilhoso de sua história, com uma penca de campeonatos italianos levantados em seguida, além da Liga dos Campeões Europeus e, por fim, o Mundial.

Justamente, num momento de baixa no Campeonato Italiano, onde o técnico Rafa Benitez já estava com a cabeça a prêmio.

Notas relacionadas:

  1. HONRA E JUSTIÇA NA DECISÃO
  2. FLU, PERDENDO DE VISTA
  3. E DEU GRÊMIO, OOPS, INDEPENDIENTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 Clubes brasileiros | 14:53

E DEU GRÊMIO, OOPS, INDEPENDIENTE

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E deu Grêmio, oops, Independiente, embora o Goiás tivesse sido muito melhor do que o adversário, em pleno estádio de Avellaneda.

Foi melhor no segundo tempo e na prorrogação. Mas, no primeiro tempo, quando a bola correu freneticamente de cá pra lá, tomou os 3 a 1 fatais que, no fim de tudo, levariam a decisão da Copa Sul-Americana para os pênaltis, cujo placar foi de 5 a 3 para os argentinos.

Uma tragédia para o Goiás, de tão digna campanha nesse torneio continental, e uma festa no Olímpico, pois o Grêmio ficou com a vaga pendente para a Libertadores.

Festa incrementada ainda mais pelo anúncio do ranking brasileiro da CBF que coloca o Tricolor gaúcho em primeiro lugar nesta temporada. Confesso que desconheço os critérios de contagem desse ranking. Só sei que obedece uma linha histórica.

E, história, o Grêmio tem de sobra.

Imagine a volta!

O Inter teve uma despedida apoteótica, num Beira-Rio lotado para a exibição do documentário Absoluto, sobre a conquista do bi da Libertadores.

E é muito provável que, na volta, isso será fichinha, perto do delírio colorado em Porto Alegre. E outro documentário começará a ser rodado: Mais que Absoluto, em homenagem à conquista do bi mundial.

Não, não se trata de mero ufanismo, nada disso. É que esse Mundial de Clubes a ser disputado em Abu Dhabi daqui alguns dias, todos sabem, no fim se resume á final entre o campeão sul-americano e o campeão europeu, no caso, a Inter de Milão.

Ora, se o Inter, com a alma posta nessa competição, deixou o Brasileirão de lado, e parte para o Oriente Médio com o moral elevado e o time intacto – muito bom, diga-se -, seu xará milanês está mergulhado em séria crise.

Depois de vencer tudo, sob o comando de José Mourinho, nas mãos de Rafa Benitez, a Inter só vem somando desenganos, seja no Campeonato Italiano, seja na Liga dos Campeões, embora esteja já classificado para a fase de mata-mata que aí vem.

Ainda ontem, por exemplo, levou um vareio do Werder Bremen, que, convenhamos, não é nenhum timaço: 3 a 0, fácil. É verdade que a Inter colocou em campo um mistão.

Mas, pelo valor de seu elenco…

Sim, sei bem que a Inter de Milão tem camisa, tradição e um grupo de excelentes jogadores, e que futebol, sacumé… Mas, algo me diz que o Colorado já pode ir lustrando a segunda estrelinha que rege o planeta.

Só um pequeno exemplo

Para os que têm memória de pulga, e que consideram a volta do sistema híbrido de pontos corridos com mata-mata no Brasileirão porque este ou aquele time, na reta final, jogou com seu time reserva, trago à cena dois exemplos recém-saídos do forno.

Não há na Europa torneio mais empolgante, sério prestigioso do que a Liga dos Campeões, que supera em interesse até mesmo o Mundial de Clubes.

Pois bem, ainda ontem, na rodada final de classificação dos grupos, entre outros, Barcelona e Inter de Milão entraram em campo com suas equipes reservas. O Barça, então, foi um festival do Dia da Criança – por baixo, nove dos que entraram em campo eram meninos da base catalã.

Quer dizer: o que o Palmeiras e Goiás fizeram no Brasileirão enquanto disputavam a Sul-Americana – e o Inter, com os olhos no Mundial -, eles fazem lá também, mesmo no sistema de mata-mata.

A diferença é que as torcidas do Barça e da Inter foram a campo para incentivar seus times pela vitória, não para perder, a fim de prejudicar um terceiro nessa atitude imbecil adotada por alguns torcedores brasileiros na reta final do nosso campeonato.

Para evitar isso, não há fórmula de disputa que dê jeito. É questão de caráter e de formação educacional – outro departamento.

Outro exemplo

O Barça vive encantando e iluminando os caminhos do futebol dito moderno (futebol é um só, eterno).

Pegue o amigo essa vitória sobre o Rubin Kazan, por 2 a 0, pela Liga dos Campeões.

Já classificado em primeiro lugar no seu grupo, o técnico Guardiola resolveu poupar os titulares para a ferrenha disputa com o Real pelo Campeonato Espanhol, e colocou em campo uma legião de meninos das canteras catalãs e num sistema de jogo que contraria o habitual: 3-4-3: o central Piqué pela direita, o volante Busquets como zagueiro central  e o novato Fontáz pela esquerda.

No meio, um remelexo: Mascherano, Jonathan, Maxwell (lateral esquerdo, como meia) e Thiago Alcântara; e no ataque, Jeffren, substituído por Victor Vasquez, Bojan e Adriano, aquele ex-lateral do Coritiba.

Messi só entrou aos 15 minutos do segundo tempo para dar aquele brilho extra.

Embora nenhum dos meninos fosse um novo Messi ou coisa do gênero, todos sabem jogar. E sabem jogar ao estilo do Barça, na base do toque envolvente, como se guiado pelo tique-taque de um metrônomo (pra quem não sabe, aquele pêndulo que rege os movimentos do pianista).

Basta dizer que, mesmo não criando muitas chances de gol, o Barça teve 75 por cento de domínio de bola (média dos titulares) e cometeu apenas três faltas no jogo inteiro.

Como se vê é uma escola de elite do futebol mundial. Uma escola que segue ao pé da letra a cartilha brasileira, aquela que os brasileiros rasgaram faz tempo, em nome de uma pretensa modernidade, que nada mais é do que o medo de perder.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS E BARCELONA POR UM FIO
  2. CRISE NA LIBERTADORES
  3. EMPATE EM TRÊS CORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Copa Sul-Americana, Copa do Mundo | 15:40

O GOIÁS, NA FITA

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A brilhante vitória do Goiás sobre o Independiente, num Serra Dourada pleno e vibrante, coloca os verdes na fita para a conquista da Copa Sul-Americana e, consequentemente, de uma das vagas restantes para a Libertadores do ano próximo.

Foi por 2 a 0, mas poderia ter sido o dobro, pelas chances criadas, sobretudo naquelas ultrapassagens de Carlos Alberto pela direita ou nas investidas pelo meio do He Man, o artilheiro que renasceu em Goiânia.

E olhe que, nesse jogo, o Goiás não foi aquele time refém das bolas aéreas lançadas à área inimiga para o cabeceio certeiro de Rafael. Nada disso. Botou a bola no chão, envolveu os argentinos durante todo o primeiro tempo, e só foi apelar para bolas longas no início do segundo tempo, quando os rojos passaram a pressionar um pouco, até a justa expulsão de Silvera. A partir daí, só deu Goiás.

Se me surpreendeu o estilo do Goiás, surpreendeu-me ainda mais a fragilidade do meio de campo e da defesa do Independiente. Mas, certo está o técnico Arthur Neto, que pede pra turma fincar os pés no chão, pois o jogo, em Avellaneda, poderá ser outro, embora esse Independiente que vi na quarta-feira não me inspire maiores temores, não.

A quarta vaga

Com essa vitória, o Goiás, jogou água no chope de Grêmio e Botafogo, adversários do domingo pelo Brasileirão, com os olhos voltados pela eventual quarta vaga da Libertadores.

Mas, a coisa ainda não está decidida, e Tricolores e Alvinegros têm de jogar a alma no Olímpico, e, depois, um deles, o vencedor, fazer figa para que o Goiás seja vice em Avellaneda.

De qualquer forma, tanto para Grêmio quanto para o Botafogo será uma honra terminar o Brasileirão em quarto lugar, essas coisas precisam ser ditas para um povo que só valoriza o título e nada mais.

Rússia e Qatar?

Hummm… Sinto cheiro de arroz queimado nessa escolha pelo Comitê da Fifa para as sedes das duas próximas Copa do Mundo, depois da do Brasil – Rússia e Qatar.

Mais precisamente, afinando o olfato, cheiro de máfia russa e de petrodólares, que perfumam a séria de disparos da imprensa mundial sobre a integridade de vários membros do tal Comitê.

Pena que o charme de uma disputa conjunta em Espanha-Portugal e Holanda-Bélgica não tenha seduzido os jurados da escolha.

Marketing peixeiro

O Santos acaba de apresentar Elano como novo reforço para a Libertadores. Bom reforço. Jogador experiente, que, embora revelado pelo Guarani, ganhou status na Vila Belmiro, naquele inesquecível de Robinho, Diego, Renato etc., dono de tiro exato, seja nos cruzamentos, seja nas cobranças de falta, seu futebol não tem o brilho dos Meninos da Vila, mas é altamente eficiente.

Mas, o Santos não está só olhando seu time principal de futebol. Já trouxe Marta e Cristiane, duas das melhores jogadores do futebol feminino em todo o mundo, e acaba de apresentar também Falcão, o inexcedível Falcão do futsal.

Pois imaginemos o que está bolando o marketing do Santos: um jogo festivo em que Marta, Cristiane e Falcão se juntem a Neymar e cia. bela.

Periga, depois, o Peixe ter de quebrar todas as barreiras ainda existentes no futebol profissional.

PS: Desculpe o amigo e a amiga pelo atraso deste post. É que fiquei fora do ar ontem, o dia todo.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
  2. JOGO FATAL
  3. O CHORO E O RENASCIMENTO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 29 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 15:38

QUALQUER UM SERÁ O MELHOR

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Tem sido um viés recorrente de cada final de Brasileirão, desde que se instalou o sistema de pontos corridos: se não é conspiração para que os juízes favoreçam este ou aquele, é time entregando o jogo só para prejudicar um terceiro, geralmente rival doméstico histórico, ou, então manobras escusas do tribunal e tal e cousa e lousa e maripousa.

O fato é que tudo isso sempre existiu, de uma maneira ou de outra, em seus devidos graus de intensidade. Mas, no fim das contas, quase sempre o melhor leva a taça.

Ah, mas o Flamengo não era o melhor do Brasileirão passado e ficou com o título. É verdade. Mas, também não era dos piores – estava ali, mano a mano, com os demais. Afinal, era o Fla de Pet, jogando muito, e do Império do Amor lá na frente, marcando gol adoidado. E, se vacilou na primeira parte do campeonato, teve uma arrancada espetacular na fase decisiva, enquanto seus rivais – sobretudo, Palmeiras e São Paulo – refluíram na hora H.

Além do mais, o sistema de pontos corridos ganhou outra dimensão a partir do instante em que a Fifa alterou a contagem de pontos, passando a vitória a valer três pontos contra apenas um do empate. Isso permite súbitas recuperações de times que passam boa parte do torneio lá pelo meio da tabela, ou mesmo que venham do fundão.

O exemplo mais visível disso é a extraordinária campanha do Grêmio neste segundo turno, se comparada com a do Botafogo, que com ele disputa a virtual quarta vaga da Libertadores: o Grêmio ganhou quase todas; o Bota somou empates demais.

Outro fator fundamental: a janela do meio de ano, que tanto pode reforçar este como enfraquecer aquele, dependendo do jogo das transações de jogadores.

Por fim, a paridade técnica entre todos os disputantes. O rebaixado, na prática, tecnicamente não se distancia tanto assim do campeão, não. Pois, não há um timaço daqueles no qual você pode apostar tudo de olho fechado.

O Santos do primeiro semestre, de Ganso, Neymar, Arouca, Wesley, Robinho, André e cia. bela, campeão paulista e da Copa do Brasil, seria esse timaço, que, se não desconstruído no meio do ano, certamente teria quebrado essa escrita, disparando na ponta do Brasileirão.

O fato é que chegamos á última rodada, mais uma vez, com três times na fita: Flu, Corinthians e Cruzeiro, cada um distante do outro apenas um ponto. Quer dizer, dependendo da combinação de resultados do domingo, qualquer um pode ser o campeão.

E ouso dizer que o título brasileiro estaria em boas mãos, qualquer que seja o escolhido pelos deuses da bola, pois tecnicamente se equivalem e cumpriram campanhas mais do que dignas ao longo de todo o torneio. Sobretudo, Flu e Corinthians, já que o Cruzeiro só foi disparar lá pelo meio do certame.

Dos três, o Fluminense poderia ter sido aquele time especial, caso pudesse contar no segundo turno com Deco, Conca, Emerson e Fred, juntos e em plena forma. Assim como o Corinthians certamente teria melhor aproveitamento se tivesse contado com o Ronaldo da temporada passada por, pelo menos, metade de seus jogos.

O certo é que, com todas as “entregas” de jogo, os muitos erros dos juízes e seus acertos considerados como erros pela paixão, as ações do tribunal e tudo o mais, da rodada final sairá o campeão, o melhor dentre todos, seja ele qual for entre os três pretendentes a quem Teresa dará a mão.

Por baixo do pano

A notícia vem de Zurique: o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, assim como os presidentes da Confederação Africana, Isaa Hayatou, e da Conmebol, Nicolás Leoz, teriam recebido grana por baixo do pano da empresa de marketing SMM/ISL ligada à Fifa, mesmo depois da falência dessa firma, um grande escândalo na época, diga-se.

Os negócios estariam relacionados à venda dos direitos de televisão de jogos de futebol.

Os três denunciados por um jornal suíço são membros do Comitê Executivo da Fifa para a escolha das sedes das próximas duas Copas do Mundo. E Teixeira é candidato à presidência da Fifa nas próximas eleições – às vésperas do Mundial no Brasil -, com total apoio de seu sogro João Havelange.

O mesmo Teixeira, que, anos atrás, sob fogo cruzado da CPI sobre corrupção no futebol do Congresso Nacional, anunciou sua saída da CBF, para, depois, voltar atrás dessa decisão.

Bem, o futebol, nas últimas três décadas, pelo menos, transformou-se num macro negócio, tão vultoso que nem dá para medir a dinheirama que rola em seu entorno e que dele jorra como lava de vulcão em erupção.

Entre outras coisas, porque passou a servir de gigantesca lavanderia de dinheiro sujo, vindo de todas as máfias ainda existentes por esse mundão afora.

Isso, sem falar na jogatina desenfreada, via Internet, que movimenta grana sentida no planeta todo, que ficou deste tamanhozinho atado pelas redes virtuais de comunicação.

Para onde vai esse dinheiro todo, só Deus sabe.

Aos homens de bem cabe seguir o rastro de todas essas intrincadas e veladas operações e trazer á luz os nomes dos responsáveis. E, puni-los devidamente. De preferência, antes de o sol esfriar.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  2. FLU, DE NOVO, LÁ
  3. POR UM POUCO DE DIGNIDADE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Futebol internacional | 15:35

A LA FELIPÃO

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Foi mesmo uma vitória a la Felipão, arrancada do ventre do time verde, aos gritos, como um dó de peito de tenor napolitano, daqueles de quebrar cristais.

Felipão conclamou a torcida, que inundou de verde o Pacaembu e não parou um instante de incentivar o time, e fez um remelexo na equipe que, de início, parecia levá-lo ao caos. Durante os primeiros vinte minutos de bola rolando, só deu Vitória, que, para cair fora da Sul-Americana teria de perder por, no mínimo, 3 a 0, coisa praticamente impossível.

Pois, aos poucos, o Palmeiras foi se arrumando em campo, a partir do momento em que o terceiro zagueiro Fabrício, recém-chegado da Gávea, passou a atuar como lateral-esquerdo, o que permitiu ao seu time equilibrar as ações do meio de campo. E, já nos descontos do primeiro tempo, Tadeu recebeu em velocidade e matou o goleiro Vaiafara.

O mesmo Viafara que, no início do segundo tempo fez uma tremenda lambança lá na lateral, cujo desfecho foi outro gol de Tadeu, aquele que demoliria de vez o moral dos baianos, já afetado pelo clima todo que os envolvia.

Eis, porém, que quando já se esperava a decisão por pênaltis, Marcos Assunção acertou aquele petardo no ângulo de Viafara, aos 43 minutos da etapa final, e abriu as portas para seguir em frente na Sul-Americana.

Dito assim até parece pouca coisa. Mas, uma vitória dessas, às vésperas da reestreia de Valdívia, ídolo da torcida palestrina, tem o poder mágico de soldar o time à galera verde e dar uma nova feição a esse Palmeiras que há muito tempo carece, antes de mais nada, dessa força anímica exibida na noite encantada do Pacaembu.

Clássico dos quartetos

Já está no ar o clássico carioca de domingo, entre Vasco e Fluminense. Não apenas porque o Flu é o líder isolado do campeonato e o Vasco, nas mãos de PC Gusmão, vem em franca ascensão, mas, sobretudo, pelo duelo de alta classe que se prenuncia entre os dois quartetos de frente de ambos os times.

De um lado, a possibilidade de o Vasco contar com Felipe, Carlos Alberto, Zé Roberto e Éder Luís, todos juntos pela primeira vez nesta temporada. De outro, a esperança na estreia de Deco, seja começando a partida, seja entrando no seu decorrer, ao lado de Conca, Emerson e Washington.

PC e Muricy testaram essas formações nos treinamentos e se fecharam em copas.

No caso do Vasco, seu treinador não teria de fazer nenhuma alteração no sistema tático adotado, mas, certamente, teme uma fragilização na marcação de meio de campo, sobretudo porque Felipe ainda não está fisicamente nos trinques, o que o compromete no cumprimento das duas funções básicas – marcar e armar.

No caso do Flu, o aproveitamento de Deco, também ainda aquém de sua melhor forma física, claro, implicaria em abrir mão de um dos três zagueiros, expediente tão a gosto de Muricy.

O jeito é esperar pelas definições dos dois técnicos, na certeza de que teremos um belo jogo no Maracanã.

A Fifa e o espetáculo

O presidente da Fifa, Sepp Blatter, revelou outro dia sua preocupação com o nível técnico dos jogos da Copa do Mundo, um futebol excessivamente defensivo para seu gosto e do público em geral.

Acha o presidente que a saída para esse impasse é eliminar o empate da competição – o jogo que terminasse em igualdade no placar teria uma definição em pênaltis ou morte súbita, o tal gol de ouro, já enterrado e sepultado.

Ora, esse desfecho, no meu modo de ver, teria efeito contrário, estimulando mais a retranca do que impulsionando os times para frente. Afinal, a imensa maioria dos competidores já entra em campo em inferioridade técnica, e sua única proposta é levar de barriga até onde der sua participação no evento. (Além do mais, seria contraproducente – nesse sentido – equiparar um empate de 4 a 4, por exemplo, com um mirrado e sonolento 0 a 0).

E é aqui que está o enrosco: o número excessivo de participantes da Copa, dobrado desde os bons tempos dos 16 disputantes de outrora. É muita seleção ruim em campo.

A fragmentação do Leste Europeu, depois da queda do Muro de Berlim, somada às vagas abertas para a Ásia, África, Américas do Norte e Central, mais Oceania são as responsáveis pela baixa de qualidade da competição.

O ideal seria reduzir-se o número de participantes da Copa, o que me parece inviável, por todas as razões políticas implícitas no processo.

Mas, se a Fifa quer melhorar o espetáculo, estimulando um futebol ofensivo com mais gols e emoções, que vá direto ao assunto: se o assunto é gol, então que se valorize esse que é o objetivo essencial do jogo.

Para tanto, há duas alternativas: 1) estabelecer um valor extra por cada gol marcado; 2) estabelecer um valor extra por gols assinalados acima de dois ou três.

A segunda alternativa, aliás, já foi usada aqui no Brasil com muito sucesso, até a Fifa proibir, coisa de um ponto extra quando o time marcava no mínimo três gols na partida.

E, se quiser, de quebra, pode incluir aquele sistema do excesso de faltas coletivas convertidas em pênalti ou cobrança sem barreira da meia-lua, como também já foi praticado por aqui, com pleno êxito.

Isso é andar pra frente, não pra trás.

Neymar fica

Ainda bem, para ele e para nós, que poderemos continuar nos encantando com seu futebol mágico duas vezes por semana, aqui, sua terra, sua gente.

Para ele, porque terá tempo suficiente para desenvolver seu físico, sua alma e seu futebol até chegar a hora da despedida. Para nós, porque teremos aí um longo tempo de degustação de seu jogo imprevisível, inventivo, absolutamente fora dos padrões convencionais, seja com a camisa do Santos, seja com a canarinho.

Neymar tem apenas 18 anos de idade, gente. É uma criança, embora maduro o suficiente para encarar qualquer parada. Até poderia dar certo no Chelsea logo de cara, Tem bola e personalidade pra isso. Mas, teria de vencer barreiras que, aqui, ele já transpôs com duas ou três pedaladas.

Em geral, o cara mais experiente e vivido leva um ano de adaptação no futebol europeu. Um ano de ostracismo. A grande exceção foi Kaká, que chegou no Milan e explodiu de cara. Mas, Kaká vinha de outra fornada e já tinha lá seus 21 anos de idade quando estreou no Milan.

Neymar iria para o Chelsea, comandado por um técnico italiano, Mancini, em geral forjado mais nos conceitos táticos do que na virtuosidade individual, que é o charme de Neymar.

Tenho, pois, minhas dúvidas de que o menino, lá, teria o espaço e o tempo que o Santos lhe oferece para desenvolver ao máximo seu potencial.

Já de cara, quando se deparasse com aquele caiçarinha mirrado, Mancini, por certo, o mandaria para o departamento de preparação física para ganhar corpo antes sequer de cogitar em aproveitá-lo no time principal.

Na Vila, não. Na Vila, Neymar vai se desenvolver como manda a natureza, com o apoio de todos, sobretudo de Ganso, seu parceiro de longa data e funda afeição.

E, nesse imbróglio todo, vale ressaltar a ação do presidente do Santos, Luís Álvaro, que conseguiu em breve tempo amarrar um pacote de vantagens para o craque capaz de desfazer o encanto da proposta milionária do Chelsea.

Coisa de quem é do ramo e não se submete passivamente aos ditames de um mercado de uma só mão.

Assim como o Corinthians fez com Ronaldo Fenômeno – guardadas as proporções e as características das respectivas negociações -, o Santos abre um novo caminho para o futebol brasileiro se livrar dos grilhões do mercado, que, até agora, só mostrava uma saída: exportar craques, a qualquer preço, em qualquer idade, por qualquer circunstância.

O que, aliás, prova haver neste país condições para elevar-se o nível do espetáculo a um ponto em que nossa dependência ao euro e ao dólar se reduzam a níveis aceitáveis num mundo globalizado. Basta arregaçar as mangas e botar a cabeça pra funcionar.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010 Clubes brasileiros | 17:26

O CASO NEYMAR

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A posição assumida pelo Santos no caso do assédio do Chelsea sobre Neymar é absolutamente irretocável. Num discurso lúcido e convicto no programa Arena Sportv, o presidente do Santos, Luís Álvaro, arrolou item por item as razões pelas quais o Santos não aceitará qualquer proposta de clube algum pelos direitos federativos de Neymar e de Ganso, até o final da Copa de 2014.

Não se trata de um arroubo apaixonado, do tipo que rasga dinheiro mas não perde a pose, nada disso. É uma visão clara do negócio, envolvendo todos os seus aspectos: os benefícios para o jogador, se continuar na Vila; para o Santos; para a  Seleção Brasileira, e mesmo para o futebol brasileiro como um todo, em termos financeiros e de marketing, a médio e longo prazos.

Enfim, a convicção nascida de um exame racional da questão sob todos os ângulos. Uma fala de estadista, rara, senão inédita, partindo da boca de um cartola.

Merecia ser gravada, impressa e distribuída para todos os que mexem com futebol, sobretudo os que o administram.

Isso, claro, não impedirá a saída de Neymar do Santos, caso o Chelsea pague a indenização de 35 milhões de euros, na ficha, prevista em contrato, se houver aquiescência, é claro, do jogador.

Vale dizer ainda que o Santos já enviou notificação à Fifa, acusando o Chelsea de aliciamento indevido, o que poderá acarretar em punição ao clube inglês, que, através do empresário do jogador, passou a negociar diretamente com ele, apesar da recusa formal do Peixe, após a primeira investida.

Resta, pois ao Santos, agora, convencer o jogador a resistir a tamanha tentação. E, nesse caso, as palavras, por mais sedutoras e racionais, não bastam. Afinal, Os Neymares, pai e filho, sabem muito bem que um contrato desses – ainda que o jogador não se dê bem nessa sua aventura inglesa, o que é bem possível, por razões extracampo – pode significar a redenção financeira da família por algumas gerações. Amanhã, o jogador se machuca gravemente e nunca mais volta a jogar nesse nível, por exemplo.

Solução: o Santos e os eventuais patrocinadores, que tanto apostam  no futuro do jogador, com todas as razões do mundo, devem montar um sistema de segurança financeira para o garoto, até o fim calculado de sua longa carreira à vista.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. NEYMAR FILHO POR NEYMAR PAI
  3. PEIXE, DISPARADO
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 Futebol internacional | 08:45

RÉVEILLON À INGLESA

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Neste tempo de tantas celebrações, nada mais apropriado: o mundo do futebol se recolheu aos bastidores, deixando o palco para o brilho solitário do mais lúdico e cintilante campeonato da atualidade – o inglês.

Os ingleses inventaram o futebol que conhecemos hoje em dia, mas transformaram-no, durante mais de um século, num joguinho chato e absolutamente previsível, feito de muita correria, trombadas, carrinhos e de movimentos mecânicos sempre na mesma direção: bola para os pontas que cruzavam na área para o grandalhão da hora meter de cabeça para a meta.

Sim, claro, ao longo desses anos todos, produziram alguns craques capazes de se rivalizar com os melhores brasileiros, argentinos, uruguaios, húngaros e outros tantos que praticavam um novo esporte – o futebol-arte, inventivo, cheio de criações inusitadas e movimentos inesperados. Exemplos? Bobby Moore, Bobby Charlton, Keegan, Sir Stanley Matthews, Heanes e uns poucos mais.

Fora das quatro linhas, afundaram-se, por um bom período, nos anos 70/80 na mais brutal e estúpida violência, promovida pelos famigerados hooligans. E o que já era feio dentro das quatro linhas passou a ser horrendo nas arquibancadas.

Clubes ingleses foram banidos pela Uefa e Fifa das competições internacionais, e o juízo final rondava os campos da Old Albion. Até que cartolas e políticos uniram-se para elaborar um plano destinado a recuperar o mínimo de dignidade naquele futebol destroçado. Medidas duras foram tomadas, leis severas contra a violência foram introduzidas no cotidiano dos ingleses, e, por fim, derrubaram-se os alambrados, numa clara demonstração de que a violência nos estádios havia sido definitivamente extirpada.

Nesse processo todo, mídia esportiva, cartolas e até mesmo os torcedores em geral, tomaram ciência de que não bastava trazer a paz nas arquibancadas. Era preciso avançar mais no sentido de melhorar o espetáculo dentro do campo. E, passo decisivo, seria necessário plantar pontes entre a ilha e o resto do mundo.

Para tanto, criou-se a Liga Inglesa, que passaria a gerir os negócios do futebol no lugar da Federação, tão-somente elo formal com a Fifa.

E os clubes, com todas as novas atrações internacionais, passaram a lotar seus estádios, enquanto dentro das quatro linhas o jogo ganhou versatilidade, invenção e agressividade ofensiva. Enfim, o espetáculo ficou mais divertido, sem perder a combatividade inerente ao jogo.

Sobretudo, porque lá não se joga simplesmente pelo resultado, mas, sim, pra atender às exigências do público que paga caro pelo espetáculo.

Pegue como exemplo a goleada do Manchester United sobre o Wigan, nesta quarta-feira: os Diabos Vermelhos já haviam marcado cinco gols, metido duas bolas nas traves, perdido mais uns três, e, mesmo assim, pressionou até o apito final o adversário como se o placar fosse de 1 a 0 para o inimigo.

Tudo sob o comando de Wayne Rooney, esse meia-atacante espetacular, que parece simbolizar os novos e luminosos tempos desse futebol a que me refiro: forte, veloz, ativo do início ao fim, ajuda na marcação, arma e ataca com igual presteza; cobra escanteio, bate falta, mete bolas incríveis para os companheiros, dribla, toca de letra e faz gols sem parar, jogo após jogo.

Enfim, eis um belo presente de Natal para os verdadeiros amantes do jogo da bola. E um verdadeiro Réveillon do futebol.

Notas relacionadas:

  1. UM CLÁSSICO NAS REGRAS DA ARTE
  2. INGLESES E CATALÃO
  3. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última