11/02/2009 - 14:20

A vitória convincente sobre a Itália, por certo, serviu para Dunga afastar de sua cabeça a sombra sinistra desse Felipão solto a céu aberto. Pelo menos, temporariamente, nos dois casos.
Vale, pois, lançarmos um pouco de luz na saída de Felipão do Chelsea, como bem adverte nosso Onbudsman, Mário Vítor, já que nuvens mais tempestuosas me tem impedido de manter este blog devidamente abastecido. Seja por problemas técnicos na nossa área do IG, seja porque minha caverna de Ibiúna tem sido alvo de raios e trovoadas que me tiram do ar frequentemente.
Aproveitemos, portanto, esta brecha para dizer que a fritura de Felipão vem de um bom tempo. Já sua relação com o Chelsea (leia-se Abramovich) começou estremecida pelo episódio Robinho, que Felipão exigia para dar um pouco de molejo nesse time altamente mecanizado. Robinho acabou no City, e o dono do Chelsea, abalado pela crise mundial, decidiu jogar fora a chave do cofre.
Mas, isso não acabou sendo decisivo. Assim como os resultados, embora abaixo do esperado, mas não desastrosos, também contaram e muito. O nó, porém, me parece estar no conflito entre os métodos de Felipão e a mentalidade em geral do elenco.
Felipão sempre foi aquela combinação exata de sargentão e paizão, cujo núcleo do trabalho é o de aglutinar a tropa sob seu comando, através de um discurso motivador que busca extrair de cada jogador algo mais do que mero cumprimento do dever.
Trata-se, pois, mais de linguagem do que de geometria do jogo, que funciona bem entre nós e nossos avozinhos de além-mar, mas que, para as culturas anglo-saxônicas, é quase inócua.
O jogador europeu, sobretudo, inglês e alemão (e mesmo os não-europeus que por lá transitam há algum tempo), além de mais instruído em geral do que os nossos, costuma ter um senso de responsabilidade que dispensa maiores motivações. Acrescente-se a isso a dificuldade de comunicação, pelo inglês reduzido de Felipão.
Traduzindo todo esse parangolé: no Chelsea, não foi possível criar a tal Família Scolari, base de todo o trabalho de Felipão, que é, sem dúvida, um excelente treinador, mas nunca se notabilizou como estrategista de escol.
E isso se expressa nas observações que permearam a imprensa inglesa nos últimos dias, as de que Felipão não exibia autoridade sobre o elenco, nem este lhe respondia com a devoção devida.
Logo, a queda era inevitável. Como foi.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Treinadores
Tags: Chelsea, Dunga, Felipão
08/02/2009 - 15:59
Felipão ajeitou o laço da forca e só está esperando alguém chutar o naquinho aos seus pés, quando viu o Chelsea empatar em casa por 0 a 0 com o Hull City. A se levar em conta os pasquins ingleses, o gesto final será após o jogo com a Juventus, pela Liga dos Campeões. Se perder, Felipão está fora.
O curioso nessa história toda é que torcedores do Chelsea e mídia em geral, acusam Felipão de não exercer a devida autoridade sobre o elenco, que não leva muito em conta seu típico mau-humor. Logo Felipão? Pois, é, cada povo um costume.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Chelsea, Felipão, forca
03/02/2009 - 16:52
Segundo alguns pasquins ingleses, depois da derrota do Chelsea para o Liverpool, Felipão já está com a corda no pescoço, e o russo biliardário já anda de tititi com o italiano Zola, ex-craque e ídolo eterno dos azuis, que dirige o West Ham.
Pode ser, pode não ser. Mesmo porque o nosso Felipão tem sete vidas, como sabemos por aqui. O problema é que ele não venceu nenhum clássico até agora, o que pesa muito no coração dos azuis.
Enfim pelo sim, pelo não, Felipão, que queria dar um pouco de molejo ao seu time com Robinho, tentará agora, com o luso Quaresma, que não emplacou na Inter.
Em todo caso, se Felipão cair mesmo, os pelos de Dunga, por certo, ficarão eriçados até a medula.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Chelsea, Dunga, Felipão, Liverpool, West Ham, Zola
11/01/2009 - 20:20
Pegue o casaco, o cachecol e o gorro de lã, que vamos fazer um tour aí pelas Oropas, enquanto a Copinha muda de cor, vestes e gestos, pois aí vem a fase de mata-mata.
Vamos… deixe-me, ver, ah, sim!, ao Old Trafford, onde o Manchester United, campeão inglês, europeu e mundial, recebe o Chelsea de Felipão balançando na corda bamba e desse pobretão, como se chama mesmo? – Abramovic, Abraam Abramovic, verdadeiro pleonasmo.
Um clássico inglês! Inglês? Bom, digamos que sim, afinal as camisas são de dois tradicionais clubes britânicos, desses que tomam chá às cinco (ou será às quatro?) invariavelmente.
O fato é que lá estão em campo Chelsea, de azul, e Manchester, de vermelho. Mas, peraí? Cadê os azuis? Só vejo os vermelhos em campo, correndo pra cá, pra lá, sempre com a bola aos pés, até que o sérvio Vidic, em cobrança de córner, abre o placar. Ué? Mas, Cristiano Ronaldo já não havia feito um gol, de cabeça, um átimo antes? Foi, mas o juiz anulou.
Não importa, pois logo no início do segundo tempo, Rooney aproveita o cruzamento de Evra e amplia. Aliás, joga muito esse Rooney, que tanto está armando aqui uma jogada de ataque, como roubando a bola do adversário nas cercanias de sua própria área como se arrojando ao ataque, feito goleador rompedor.
Então, pra que não paire nenhuma dúvida sobre a superioridade dos Diabos Vermelhos, Berbatov, o que destoa, aproveita falta cruzada da esquerda por Cristiano Ronaldo, que está engraxando as chuteiras para receber o prêmio de melhor do mundo, nesta segunda, na Fifa.
Nada mais merecido.
Pato, Pato
Saltando ao continente, desembarcamos em Roma, só pra dar uma espiada no Milan com seu sexteto mágico. Sim, porque, desta vez, Carlo Ancelotti rasgou a fantasia e decidiu escalar de uma só vez Pirlo, Beckham, Kaká, Seedorf, Ronaldinho Gaúcho e Pato.
A bem da verdade, o sexteto desafinou durante todo o primeiro tempo, quando a Roma saiu na frente. Mas, no segundo, a turma se aprumou e virou o jogo, graças a Pato, que colheu exato cruzamento de Kaká, no primeiro gol, e, no segundo, partiu pela esquerda, comeu pelas beiradas, e, na saída do goleiro, tocou no canto oposto.
Eis, que, porém, Ancelotti teve súbita recaída: saca Ronaldinho Gaúcho para garantir-se com o volantão Ambrosini.
No ato, Zeus enviou um daqueles seus raios mortíferos, e Vusinici, de cabeça, empatou o jogo.
O medo é o imã da catástrofe.
Barça, olé!
Com um gesto poderoso, paramos o relógio, tempo suficiente para recuperarmos os minutos iniciais de Osasuna e Barça, em Pamplona.
Eita jogo! O Barça, naquele toque-toque hipnótico, abre o placar com Eto’o, e, depois passa a surfar na soberba. É o bastante para o Osasuna virar, já no segundo tempo.
Ah, mas esse Barcelona é aço, o mais equilibrado e encantador time da atualidade no mundo, sobretudo porque em sua camisa está metido esse menino de ouro, Messi, autor das mais belas jogadas e do gol da vitória, um primor de disparo de canhota de fora da área.
Assim como tem em seu meio-campo Xavi, autor dogol de empate, um volante que alia aos seus pés, além de extremo senso de colocação, habilidade, técnica apurada, empenho e muita ciência.
Confesso que não espero a hora de ver esse Barça diante do Manchester de Sir Ferguson. Periga ser o jogo do século 21.
O melhor do mundo
Messi é um espetáculo, com aquela sua canhotinha mágica; Kaká, um craque que combina em seu futebol encanto e eficiência na dose mais exata; Xavi é ciência e arte na arquitetura do jogo de seu Barcelona; e Fernando Torres… bem, Fernando Torres é um artilheiro de boa técnica, e só. Mais justo seria Wayne Rooney ocupar seu lugar.
De qualquer forma, vai dar mesmo Cristiano Ronaldo, que beira a completude.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Barcelona, Chelsea, Felipão, Manchester United, Old Traffor
05/11/2008 - 19:29
Seguramente, não foi uma rodada para inglês ver, nem lembrar. No máximo, para sofrer, pois nenhum de seus fortes candidatos ao título da Liga dos Campeões passou ileso neste meio de semana.
Na terça, o Chelsea de Felipão levou uma biaba da Roma, no estádio Olímpico, por 3 a 1, em partida exemplar do veteraníssimo Panucci – lateral, beque, volante e goleador.
E, na quarta, o Arsenal, embora alugasse meio-campo não saiu do empate por 0 a 0 com o Fenerbahçe, enquanto o Manchester empatava por 1 a 1 com o Celtic, na Escócia de Sir Ferguson.
Fotos: AP

Wenger, Felipão, Ferguson e Benítez: nenhum deles saiu feliz da rodada da Liga dos Campeões
Não vi esse jogo, mas apenas os gols, além de colher algumas informações superficiais, o bastante para saber que os Diabos Vermelhos não enfrentarem o Celtic com a devida determinação, pois Rooney passou todo o primeiro tempo no banco.
Já o Arsenal, vi. Naquele toque-toque, tico-tico hipnótico, envolveu completamente o Fenerbahçe, que não fez nada a não ser se defender. Van Persie perdeu dois gols feitos e, no fim, a frustração.
Sucede que a frustração não baixou apenas sobre os ingleses. Os catalães saíram do Camp Nou, mãos no bolso, chutando chapinhas na rua, pelo empate por 1 a 1 com o fragilíssimo Basel. E a poderosa Inter de Mourinho, que dizer?: 3 a 3 com o Anorthosis, em Nicósia, Chipre, creiam.
Uma pancada nas cabeças coroadas dos técnicos Felipão, Wenger, Ferguson, Guardiola etc. E, mais uma vez, no Santiago Bernabéu, a velha lição: pode montar o esquema que quiser, elaborar os mais comoventes discursos motivadores, fazer isto ou aquilo, que, quem, na verdade, decide é o craque.
E Del Piero, o velho Del Piero, o tantas vezes desprezado pela Azzurra Del Piero, em dois disparos definiu a vitória de sua Juve sobre o Real.
Em meio a tantos mistérios, o futebol não tem segredo, quer queiram ou não.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Alex Ferguson, Anorthosis Famagusta, Arsenal, Arsene Wenger, Basel, Camp Nou, Celtic, Chelsea, Del Piero, Felipão, Fenerbahçe, Guardiola, Juventus, Olímpico, Panucci, Real Madrid, Santiago Bernabéu