16/07/2009 - 00:31

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O Cruzeiro foi o anti-Cruzeiro, e o Estudiantes, simplesmente o Estudiantes de sempre. Eis a razão básica do funéreo desenlace da Copa Libertadores num Mineirão com atmosfera de Maracanazo.
Quando não lento, apressado, tenso, incapaz de botar a bola no chão e fazer seu jogo, o Cruzeiro só viveu um breve momento no início do segundo tempo. E foi aí que tudo se deu, para o bem e para o mal: o gol de Henrique – um tiro de fora da área que desviou no beque e enganou o goleiro.
A celebração excessiva, como se ali a taça já era azul, sinalizava para uma sequência desastrosa, fruto do relaxamento posterior. E não deu outra: sob a regência do eterno maestro Verón, o Estudiantes nem se assustou, nem se apressou. Botou a bola no chão e seguiu no mesmo cantochão, barrando o adversário no meio-de-campo, só esperando a hora de dar o bote, o que ocorreu logo em seguida, aos 12 minutos, em bola cruzada na área, que Fernandez guardou.
A pá de cal veio aos 28, em córner cobrado na medida por Verón, que Basolli, artilheiro da competição, conferiu de cabeça. O resto foi apenas uma agonia que terminou com aquele disparo de Thiago Ribeiro no travessão, já quando os cortejos se dividiam: os gringos, em direção à taça onde repousava o vinho da vitória; os brasileiros, pra casa, sorvendo o fel da derrota.
Como diria o velho sábio portenho, cosas del bandoneón.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Libertadores
Tags: Cruzeiro, Estudiantes, Libertadores
07/07/2009 - 18:15
Mais uma vez, a cartolagem sul-americana se mostra insensível e irresponsável diante de um cenário grave como esse da pandemia de gripe suína, que, por estas bandas, assola a vizinha Argentina.
Tudo sugeria que esse primeiro jogo da decisão em 180 minutos fosse adiado, até que a febre passasse. Mas, não: a Conmebol, essa excrescência continental, um escritório gerido por um ancião, apesar dos apelos da CBF e do Cruzeiro, insistiu em marcar o jogo para La Plata.
Não bastasse o Estudiantes ser um bom time (o único a vencer o Cruzeiro na fase de classificação, embora em jogo atípico, em que os azuis tiveram de se trocar no próprio ônibus), comandado por esse excepcional Verón, que, se jogar será à meia-boca, o Cruzeiro vai lá atado mais pelo medo de contrair a gripe do que de enfrentar o adversário em campo.
O pior para os brasileiros é saber que, nos últimos tempos, esse critério no qual o segundo jogo beneficia o time de melhor campanha mudou o braço da viola. Tem acontecido exatamente o contrário: o que obtém melhor resultado na primeira partida, acaba levando.
O consolo é saber que o Cruzeiro tem um time excelente, com um goleiro de primeira, um meio-campo ativo e de toque envolvente e um ataque onde Kleber, o Gladiador, se destaca pelo vigor e pela habilidade.
Além do que, tem se dado muito bem fora de casa.
É a nossa esperança.
TIMÃO E FLU
O Corinthians recebe em casa o Fluminense, o mais completo possível, menos o becão William, com um problema antigo no tornozelo, que agora vai ser atacado pra valer.
E não é um desfalque qualquer, não, pois tanto o técnico Mano Menezes quanto seus companheiros de equipe consideram William um jogador especial, capaz de aliar em seu jogo um senso de liderança positiva a uma visão tática refinada.
É hora, pois, de se verificar como reage o Timão ao natural relaxamento que sempre sobrevém às grandes conquistas. Resumindo: o uísque depois do orgasmo.
Mesmo porque o Corinthians, para não levar esse relaxamento além da conta, o que poderia criar desdobramentos negativos até à Libertadores tão sonhada, tem de mergulhar no Brasileirão de cabeça.
Já o Fluminense, segundo os relatos que me chegam do Rio, prepara-se para esse jogo sob um clima de despedida do atual elenco e de incertezas sobre aquele que tentará reerguê-lo no segundo semestre. Isso pode ser para o bem ou para mal.
O certo é que a bola está no campo do Timão. Resta saber se saberá levá-la às redes adversárias com juízo e empenho.
CORINALDO
Ronaldo Fenômeno esteve no Bem, Amigos do Galvão, e, naquele jeitão simpático, deixou transparecer que sua associação com o Corinthians vai mesmo muito além de um mero contrato de prestação de serviços.
Trata-se de uma autêntica parceria, em que o atleta entra com sua fama e prestígio internacionais para levantar recursos com vistas à construção de um CT alvinegro à altura de suas pretensões.
Mais do que o tão decantado estádio corintiano, o CT é essencial para que o clube tenha uma verdadeira base de trabalho, tanto para os profissionais quanto para a formação de talentos, que é uma tradição alvinegra, apesar de tão poucos recursos existentes nesse sentido.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Cruzeiro, Estudiantes, gripe suína, La Plata. Argentina
04/12/2008 - 00:37
O sofrido gol de Nilmar, no finzinho da prorrogação, não foi por acaso, embora todo o desenho da jogada possa sugerir o contrário. O gol de Nilmar, que deu ao Inter o primeiro título de um clube brasileiro da Copa Sul-Americana, na verdade, só podia ter sido de Nilmar, como timbre de nobreza a esse craque renascido tantas vezes das cinzas.
Desde que voltou de seu último longo estágio de recuperação, Nilmar vem jogando um bolão, cada vez mais fino, rodada a rodada do Brasileirão, rodada a rodada da Sul-Americana. E marcando gols providenciais, de canelça, de cabeça, no bate e rebate com este contra o Estudiantes, quando não irretocáveis pequenas obras-primas.
Nesta noite de quarta, por exemplo, foi sempre o jogador mais agudo de seu time, aquele que, leve e veloz, infiltrava-se na zaga inimiga com o perigo expresso nos dois pés. Sobretudo, numa noite de pouca inspiração de seu parceiro ilustre, o canhoto Alex, cuja substituição foi um equívoco do técnico Tite, embora Taison, seu substituto, tenha dinamizado o lado direito do Inter, zona morta até então.
Mas, é que Alex, num chute à meia ou longa distância, numa cobrança de falta, poderia definir um jogo tão enroscado para o Inter como esse, em que tomou o gol de Alayes aos 20 minutos do segundo tempo e deixou-se dominar até a metade da prorrogação.
Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como dizia aquele apresentador japonês da TV Lusitânia, e o Inter meteu a mão no caneco transbordando de leite e mel. E é isso o que interessa neste momento de plena celebração.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Alayes, Estudiantes, Internacional, Nilmar, Tite
26/11/2008 - 23:31
Claro, nem poderia ser um espetáculo desses de deslumbrar o espectador pela técnica e habilidade dos jogadores. Era mais guerra do que jogo. E o Inter entrou para pelear, como dizem os gaúchos, com quatro zagueiros, três volantes e apenas D’Alessandro, Alex e Nilmar com a dupla tarefa de criar e concluir.
Não que o Estudiantes, em casa, tentasse se impor pela violência ou catimba. Ao contrário: tentou jogar a bola que não sabe. Quem se excedeu, na verdade, foi outro argentino, mas do Inter, o ótimo Guiñazu, que acabou sendo expulso justamente ainda no primeiro tempo.
O Colorado, porém, bem postado em campo, soube levar a diferença e chegou ao seu gol, de pênalti, com Alex, outro argentino, que revelou serenidade e talento quando o juiz mandou voltar a primeira cobrança.
Só uma hecatombe tira o título sul-americano do Inter, o primeiro na história do nosso futebol nessa competição.
PS: Desculpem mais esta falha, dentre centenas que cometo diariamente. Foi Alex, claro, o autor do gol do Inter. Explicar o erro não explica nada. Vi o jogo, de cabo a rabo, anotei Alex e escrevi D’Alessandro.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Alex, Estudiantes, Guiñazu, Internacional, Nilmar
04/11/2008 - 14:32
Pelo visto, Luxemburgo resolveu jogar a toalha na Copa Sul-Americana. Afinal, enviou uma delegação de apenas catorze jogadores para Buenos Aires, com vistas ao jogo contra o Argentino Juniors, na noite desta quarta-feira.
O grosso da turma ficou por aqui mesmo, treinando, de olho no Grêmio, jogo-chave para ambos na corrida em direção á taça do Brasileirão. Mas, pelo sim, pelo não, Luxa não mandou pra lá a rebarba, não. Aqui e ali preencheu com alguns titulares, como Kleber, que não poderá enfrentar o Grêmio, Denílson, seu décimo-segundo jogador, Martinez e tal e cousa e lousa e maripousa.
Quer dizer: jogou a toalha mas não muito longe: um pé em cada canoa, na esperança de que as duas se mantenham à tona.
Já Botafogo e Inter não podem se dar a esse luxo. Para os dois, que têm ralas chances de chegar até mesmo à zona da Libertadores, o negócio é tentar salvar os dedos nesta temporada. Nesse sentido, a Copa Sul-Americana vem a calhar.
Dos dois, o Inter é o que está um passo à frente, embora seu adversário, na quinta à noite, seja um papão de títulos internacionais como poucos neste hemisfério – o Boca. Mas, será o Boca mesmo? Pois, no Beira-Rio, foi um Boca reserva e o Colorado soube se aproveitar disso e fazer o placar que lhe dá boa vantagem lá: 2 a 0.
Quanto ao Botafogo, que pega o Estudiantes, na quarta, a desvantagem é significativa, pois perdeu a primeira, na Argentina, por 2 a 0. E o Estudiantes, embora não seja aquele bicho feroz dos anos 70, tem lá seus Veróns que provocam muito calor em qualquer adversário, mesmo jogando no Engenhão.
Enfim…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Botafogo, Denílson, Estudiantes, Grêmio, Internacional, Kléber, Martinez, Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo
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