E COMEÇA A FARRA!
A Copa das Confederações é mais um caça-níquel criado pela Fifa, para testar com um ano de antecedência como andam as obras e as coisas no país-sede da Copa do Mundo seguinte. Mas, é também um torneio sugestivo para que os favoritos de sempre – os campeões da América do Sul e da Europa, além do campeão do Mundial passado – busquem encorpar suas respectivas equipes, num tempo de convivência maior do que o oferecido pelas disputas das Eliminatórias.
Para o Brasil, que estréia nesta segunda-feira contra o Egito, então, nem se fala, já que praticamente todos os nossos jogadores atuam esparsamente pelo mundo, sobretudo Europa.
Sucede que o Brasil é um caso especial: como consequência de sua extraordinária capacidade de produzir bons jogadores em quantidade superior a qualquer outro futebol do planeta e numa velocidade incrível, mesmo que vença, com brilho, essa Copa das Confederações, um ano é tempo demais para consagrar essa equipe como a que deverá disputar o Mundial em 2010.
E, se o técnico for cabeça-dura e se fechar nesse grupo, corre sérios riscos de se esboroar na volta à África do Sul.
Mas, de qualquer maneira, o momento é este. E, agora, o time de Dunga está de moral alto e minimamente ajeitado para entrar na rinha como um dos favoritos, já que o outro, certamente, é a Espanha.
A Espanha, campeã da Europa, que estréia neste domingo contra a Nova Zelândia, pratica um futebol leve e envolvente, ofensivo, e não perde há uma pá de tempo. Mas, sacumé…
O curioso é que a Fúria, durante décadas e décadas, se apresentava às vésperas como uma grande possibilidade, porém, era abatida logo de cara. Justamente, nos tempos em que seu apelido justificava-se em campo: os espanhóis eram, então, mais touros que toureiros, ao contrário do que são hoje em dia.
Todavia, não poderão contar com Marcos Senna, que foi um dos destaques do time na Eurocopa, nem com Iniesta, atualmente, talvez, o mais ativo, hábil meia-de-ligação do mundo. Para seu lugar, o coração do técnico Del Bosque balança entre Fábregas, Riera e Cazorla. Dos três, Fábregas me parece aquele que joga em estilo um pouco mais semelhante ao de Iniesta. Mas, esse é um problema deles, lá.
Por fim, temos a Itália, campeã do mundo, em fase de transição. Por isso mesmo, o técnico resolveu levar um grupo de novatos para testá-los nesta competição. A Azzurra, contudo, sabemos muito bem: com veteranos ou novatos, naquele seu futebol mesquinho, começa mal, parece que vai ficar no meio do caminho, e, de repente, arranca e leva a taça. Nunca se sabe quando se trata dos italianos.
Algo, no entanto, me diz que teremos um Brasil e Espanha na final. Um Brasil e Espanha com os sinais trocados – eles mais brasileiros do que nós.
ESPANHA OU BARÇA?
Os espanhóis andam tão fidalgos, de fronte erguida, que o jornal Marca lançou uma enquete em seu site: quem venceria um jogo imaginário entre a A Fúria e o Barça – a campeã da Eurocopa e o campeão da Liga dos Campeões da Europa?
Boa pergunta. Pergunta, aliás, que se fazia por aqui nos tempos de fastígio de um Santos de Pelé, um Botafogo de Nilton Santos e Garrincha, um Flamengo de Zico, um Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes e tal e cousa e lousa e maripousa.
Com uma diferença estrutural. Naquele tempo, aqui, éramos todos brasileiros. Você podia pegar a canarinho e vestir, do goleiro ao ponta-esquerda, um time todo, que não haveria nenhum empecilho de ordem burocrática. Tanto, que o Palmeiras da Academia, inteirinho, titulares e reservas, representou o Brasil na inauguração do Mineirão, contra o Uruguai. E venceu. E olhe que o Uruguai era um timaço.
Aliás, vale lembrar que as duas maiores Seleções Brasileiras da história eram, na verdade, um combinado entre dois ou três times brasileiros, com alguns enxertos isolados. Em 58, por exemplo, o Flamengo cedeu praticamente todo o seu ataque: Joel, Moacir, Dida e Zagallo. O Botafogo, Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos, Zito, Pelé e Pepe. O São Paulo, De Sordi, Mauro e Dino e assim vai. E, em 70, desde as Eliminatórias com Saldanha era um composto baseado no Santos, Cruzeiro e Botafogo.
Já não temos times como esses, entre outras coisas, porque é um leva e trás interminável no intercâmbio de craques por esse mundo afora, embora, hoje, Inter, Cruzeiro e Corinthians, mais este ou aquele do São Paulo, do Grêmio e do Flamengo, por exemplo, poderiam formar uma base nacional da Seleção. Hoje, insisto, pois amanhã já não sei, já que o cara, ao vestir a canarinho, está com um pé na Europa.
Quanto à Espanha e Barça, impossível, pois simplesmente todo o ataque do Barça – Messi, Eto’o e Henry – estaria vetado para a Fúria, por serem estrangeiros. E, mesmo que o regulamento permitisse, vale lembrar o fracasso da legião estrangeira espanhola em 62, que, mesmo com Puskas, Di Stefano, Canário etc, não foi além das pernas, embora tenha dado um passeio no Brasil no primeiro tempo, quando poderia definir o placar, caso o juiz marcasse aquele pênalti claro de Nilton Santos.
Como? Se eu fosse escalar um combinado desses aqui, qual seria? Só por farra: Marcos ou Fábio; Alessandro ou Jonathan; André Dias, Miranda e André Santos; Hernanes, Ramires (já foi negociado, mas ainda está por aqui), Elias e Cleiton Xavier (ou Wagner, ou Souza); Nilmar e Taison.
Faça a sua, amigo, faça a sua.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasil, Copa das Confederações, Espanha